História Sixteen Candles - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Categorias Star Wars
Personagens Anakin Skywalker (Darth Vader), Han Solo, Leia Organa, Luke Skywalker, Obi-Wan Kenobi, Padmé Amidala
Tags Han Solo, High School, Leia Organa, Star Wars
Exibições 29
Palavras 1.998
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 10 ANOS
Gêneros: Colegial, Comédia, Ficção, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo
Avisos: Heterossexualidade
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Olá!

Faz tempo que me pedem para fazer uma nova fanfic sobre a Leia e o Han, então aqui está. Espero que gostem desse pequeno AU, lembrei muito da época em que eu era feliz e não sabia. Só espero que não gostem tanto a ponto de quererem uma continuação pois vou ser forçada a partir o coração de vocês 3

O título vem de um filme de John Hughes, que aqui foi traduzido para "Gatinhas e Gatões".

=***

Capítulo 1 - Capítulo Único


Fanfic / Fanfiction Sixteen Candles - Capítulo 1 - Capítulo Único

Odeio meus aniversários. Odeio muita coisa, na verdade. Odeio meu irmão idiota e seus amigos idiotas. Odeio vestidos. Odeio rosa. Odeio minha escola. Mas o que eu mais odeio mesmo é fazer aniversário. Principalmente este. E daí que tenho dezesseis anos? Que diferença faz? Me sinto da mesma forma de quando eu tinha quinze anos. Não faz diferença nenhuma.

 

Minha mãe discorda. Hoje ela colocou meu café-da-manhã na mesa sem nem olhar pra minha cara, naquele jeito passivo-agressivo que só ela domina perfeitamente.

 

-Feliz aniversário, Luke!- desejou, sorrindo para meu irmão que havia acabado de chegar na cozinha.

 

-Obrigado, mamãe!- ele disse, naquele tom de filho exemplar. Luke a abraçou e ela deu um beijo no topo de sua cabeça. Tive que me segurar para não vomitar.- Feliz aniversário pra você também, Leia.- ele disse com aquele sorriso brilhante idiota.

 

-Cala a boca.- foi minha resposta. Luke sentou-se ao meu lado. Ele assoviava uma música. Como é que alguém ficava assim tão feliz de manhã? E ainda mais no aniversário!

 

-Bom dia, família.- desejou papai, entrando na cozinha.

 

-Bom dia, papai!- disse Luke, quase cantando as palavras.

 

-Bom dia, Ani.- disse mamãe e os dois trocaram um beijo. Eu desviei o olhar porque, sinceramente, aquilo era nojento.

 

-E como estão meus aniversariantes do dia, hum?

 

-Eu estou bem. Leia está chata como sempre.

 

-Você que é chato.

 

-Ah, que bom que estão brigando, seria estranho se não estivessem.- papai passou a mão sob os ombros de Luke.- Feliz aniversário, campeão.

 

-Obrigado, papai!

 

Ele então se abaixou e deu um beijo em minha bochecha.

 

-Feliz aniversário, querida.

 

-Eca, papai! Para com isso!

 

Limpei a bochecha com as mãos. Ele não pareceu se incomodar com aquilo. Eu sei que é errado dizer isso, mas eu sempre gostei mais do papai do que da mamãe. Se fosse com ela teria ficado magoada e não falaria comigo por uma semana. Mamãe era sensível assim. Mais parecida com Luke do que comigo.

 

-É o seguinte, por que eu não levo vocês para a escola hoje? É um dia especial.

 

Fiquei dividida. Odiava andar no ônibus da escola, mas chegar lá no carro de papai chamava muita atenção. Tive vergonha só de pensar. Os meninos me chamavam de “princesinha do papai” porque pensavam que eu era rica uma vez que mamãe era senadora e papai foi piloto de corrida por muitos anos, mas também porque eu não era nem um pouco parecida com uma princesa.

 

Não era delicada como mamãe. Eu era grossa e estava sempre irritada com alguma coisa. Também não me vestida bem e meu cabelo não era bonito porque eu o amarrava de qualquer jeito. Muito diferente da minha mãe. Padmé Amidala Skywalker era elegante, bonita, bem arrumada, inteligente e sensível. Acho que ela não gostava muito de mim, esperava que por ser menina eu fosse mais feminina do que sou.

 

-Tudo bem, papai, eu prometi ao Wedge que íamos trocar cartas no ônibus hoje.- respondeu Luke.

 

Wedge é um dos amigos nerds do Luke. Eles eram obcecados por um jogo idiota chamado “Death Star” ou algo assim. São cartas com imagens de naves e uns bichos estranhos, eu nunca entendi.

 

-Está bem então.

 

-Luke, querido, eu fiz um bolinho para você comer mais tarde.- disse mamãe, entregando-lhe a sobremesa.

 

-Puxa, obrigado, mamãe!

 

Papai olhou sério para ela.

 

-Você se esqueceu de que nós temos dois filhos, Padmé.

 

Mamãe o olhou irritada.

 

-Leia não quer comemorar o aniversário, Anakin. Não quer bolo, flores, vestidos, nada.- ela deu as costas para ele, encerrando o assunto.

 

Geralmente mamãe só falava sobre mim na terceira pessoa, mesmo quando eu estava por perto. “Leia acordou irritada” ou “Veja o que sua filha fez”. Já tinha me acostumado.

 

-Leia, espere aqui. Vou comprar algo para você comer.- disse papai, soando muito preocupado.

 

-Tudo bem, pai. Mamãe tem razão, eu não quero.

 

-Tem certeza?

 

-Absoluta.

 

Tentei sorrir, mas quase nunca fazia aquilo e deve ter ficado esquisito. Papai não pareceu satisfeito, mas deixou o assunto morrer.

 

********

O ônibus estava a mesma bagunça insuportável de sempre. Luke saiu de perto de mim sem se despedir e foi sentar-se com Wedge. Eu comecei a minha busca diária de um lugar para ficar. As meninas da escola não gostavam de mim e os meninos eram babacas. Então eu estava quase sempre sozinha. No entanto, era muito difícil achar um lugar para ficar sozinha no ônibus. Ou na sala de aula. Ou em qualquer lugar.

 

-Ei, princesa!- chamou uma voz metida que me deu raiva imediatamente.- Tem um lugar vago aqui!

 

Han Solo sorria metido e indicou um assento ao lado dele.

 

-Eu prefiro morrer à sentar ao seu lado, Solo.

 

-Acho que você não tem opção, princesa.- respondeu sem se intimidar com o tom da minha fala.

 

Olhei ao redor e para o meu horror ele tinha razão. Todos os assentos estavam ocupados. Com muita raiva, sentei-me ao lado de Solo.

 

-Maçã?

 

-O quê?

 

-Aceita uma maçã?

 

-Não, obrigada.

 

-Ainda bem, porque eu só trouxe essa.

 

Ele deu uma mordida na maçã verde que tinha em mãos.

 

-Então, como vai você, princesa?- perguntou com a boca cheia. Partículas de cuspe caíram em cima de mim.

 

-Já estive melhor.- disse, limpando meu braço.

 

-Anime-se, é sexta-feira.

 

-Cadê aquele seu amigo idiota?

 

-Quem? Lando? Ele faltou hoje. Então vamos ser só eu e você.- ele piscou o olho.

 

Han Solo era um ano mais velho que eu, mas estava sempre reprovando matérias. Como o destino gosta de me atormentar, ele acabou ficando na minha turma de Literatura Inglesa. Toda aula ele senta atrás de mim. É um inferno.

 

-Oi, Leia.- saudou uma voz falsa e metida.

 

-Oi, Mara...- falei sem muita vontade de conversar com ela. Mara Jade sorriu para mim daquela forma superficial e ridícula que só as garotas feito ela sorriem.

 

-Soube que é seu aniversário hoje.- disse com uma voz enjoada.

 

-É...

 

-Dezesseis anos! Eu não fui convidada pra sua festa.

 

-Não vai ter festa. Eu não quis.

 

Ela olhou pra mim como se eu tivesse dito que tinha matado alguém.

 

-O quê?! Por quê?

 

Dei de ombros. Ela sorriu maléfica.

 

-Ah, sim... é, suponho que... ninguém iria na sua festa, não é mesmo?

 

Eu não disse nada, mas trouxe minha mochila mais para perto de mim.

 

-Ei, garota, volte pras suas amigas falsas.- disse Solo.- Ninguém te chamou aqui.

 

Não pude evitar um sorrisinho. Mara olhou para Han como se ele fosse uma barata particularmente asquerosa.

 

-Cuidado, Solo, você só está aqui porque eu quero.- disse e saiu de perto de nós.

 

Mara Jade achava que podia mandar em todos da escola porque o pai dela era o diretor Palpatine. Por algum motivo ela era muito popular, talvez por causa de seu cabelo ruivo sedoso e aquele sorrisinho idiota. Me surpreendi com a atitude de Solo, todos os garotos da escola babavam ela. Luke fazia os deveres de casa de Mara quando ela pedia.

 

Mas claro que não iria agradecê-lo! Ele continuava sendo o Han Solo insuportável e idiota que sempre foi.

 

-É seu aniversário hoje, princesa?- ele perguntou depois que eu fiquei em silêncio.

 

-É.

 

-É meu aniversário também!

 

Senti que aquele ia ser um dia muito longo.

 

********

O Professor Obi-Wan Kenobi dava uma aula muito maçante. Ele era muito gentil, mas sua voz era tão lenta e preguiçosa. Acho que somente Luke conseguia prestar atenção. Eu mesma dormia de olhos abertos.

 

-Psst! Ei, Leia!

 

-Me deixa, Solo.- falei baixinho.

 

-Acho que tem algo errado com você.

 

-É, com você também.

 

-Não, sério, olha pra suas pernas.

 

Franzi a testa pra ele, mas fiz o que mandou. Tomei um susto. Havia sangue descendo pelas minhas pernas até os tênis. Não havia uma poça de sangue no chão, mas minha mente tratou logo de imaginar esse cenário. Fiquei de pé e gritei acordando todos que estavam dormindo naquele momento.

 

-Srta. Skywalker?- perguntou Obi-Wan.- Aconteceu alguma coisa?

 

Mas eu não consegui dizer nada. Fiquei parada em absoluto pânico.

 

-Olhem, a Leia menstruou!- disse Mara Jade apontando o dedo pra mim.

 

Não demorou muito até a sala se encher de gargalhadas. Eu nunca tive tanta vergonha na minha vida. Tudo que eu queria era morrer. Sai correndo da sala sem ouvir o que Obi-Wan dizia e não parei mais.

 

Entrei no banheiro feminino. Estava vazio. Me tranquei em um dos boxes e tirei as calças. Acho que nunca sangrei tanto em toda minha vida. Sabia o que era menstruação, óbvio, e ainda que nunca me tivesse acontecido antes sabia que um dia ela chegaria. Mas não ansiava por ela, como as outras meninas faziam. De modo que encarei como uma vitória chegar até ali sem tê-la.

 

Comecei a chorar. Não era justo. Por que tudo em minha vida era tão horrível? Minha mãe não gosta de mim, não tenho amigos e agora tinha que ser uma garota. Detestava ser garota. Não queria usar joias, maquiagens, nada disso. Não queria ser que nem Mara Jade. Gostaria de ser um menino.

 

Tentei limpar o sangue o melhor que pude com papel higiênico, mas não tive muito sucesso.

 

-Leia?- chamou alguém. Eu não respondi.- Leia, você está ai?

 

-Solo? Esse é o banheiro das meninas!

 

-Eu sei, mas estava vazio, então...

 

-Vá embora!

 

-Estão todos preocupados com você.

 

-Sei...

 

-Bem... eu estou preocupado com você.

 

-Você? Desde quando?

 

-Onde você está?

 

-Aqui!- bati na porta do boxe.

 

Vi os tênis dele aparecerem embaixo da porta.

 

-Não entre!

 

-Não vou entrar. Não sou idiota.

 

-O que você quer?

 

-Eu trouxe umas coisas.

 

A mão dele passou alguns absorventes por debaixo da porta.

 

-Peguei na enfermaria.- disse respondendo a dúvida que surgiu em minha mente.

 

-Sério?

 

-É, eles também acharam estranho. Não tenho uma calça pra te dar, mas você pode usar minha jaqueta.

 

Ele passou sua jaqueta jeans por debaixo da porta também.

 

-Por que você está fazendo isso?

 

-Porque somos amigos.

 

-Somos?

 

-Bem... não somos?

 

Eu não respondi. Não sabia muito bem o que era ter um amigo.

 

-Eu não sei usar isso!- disse segurando um dos absorventes que ele trouxe.

 

-Como se eu soubesse!

 

Usei a lógica para desvendar aquele mistério. Han Solo esperava pacientemente do outro lado.

 

-Acho que consegui...

 

Vesti a calça e amarrei a jaqueta de Solo na minha cintura para cobrir a mancha escura na parte de trás. Criei coragem e abri a porta do boxe.

 

-Obrigada.- falei olhando pro chão.

 

-Você chorou!- ele disse surpreso.

 

-É...

 

-Por quê?

 

Dei de ombros.

 

-Não estava pronta.

 

-Ah...

 

Ele mexeu os pés, desconfortável. Eu fui lavar as mãos na pia.

 

-Você só precisava ter trazido um, sabe?- disse indicando os outros absorventes que deixei no chão.

 

-Na verdade, não sabia.

 

-Minha mãe vai ficar contente. Finalmente virei uma garota.- confessei, sem aguentar mais aquele peso.

 

-Mas você já era uma garota.- Solo disse, confuso.

 

-Não... não sou como Mara Jade.

 

-Ser garota é ser como Mara Jade? Eca! Ainda bem que sou menino.

 

Eu ri.

 

-Bom, é o que todos esperam que eu seja.

 

-Eu gosto de você. Quer dizer...- ele limpou a garganta, nervoso.- Você é legal, eu acho.

 

-Sério? Mas eu sou tão grossa com você.

 

Olhei para ele. Pensei que era a única com vergonha ali, mas suas bochechas estavam rosadas e ele não olhava diretamente para mim.

 

-É, mas... não sei, você é legal.

 

Sorri.

 

-Ninguém nunca me disse isso.

 

Ele deu de ombros.

 

-Sabe, eu não quero voltar pra aula.- eu disse.

 

-Ah, nem eu.- Han falou, parecendo muito aliviado com a mudança de assunto.

 

-Também não quero ir pra casa. Nem pra diretoria.

 

-Você quer tomar um sorvete?

 

-O quê?

 

-Tem uma sorveteria aqui perto.

 

-Nunca vão nos deixar sair.

 

Ele deu um sorriso torto.

 

-Sei de um caminho...

 

Han Solo segurou minha mão e me levou embora dali. De repente não me senti mais tão assustada. Nem com tanta raiva. Nem triste. Estava contente em ser uma garota que tomava sorvete com um garoto, ainda que aquele garoto fosse muito idiota.



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