História Skinny to the Grave - Capítulo 8


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Tags Anorexia, Bulimia, Distúrbios Alimentares, Eating Disorders
Visualizações 27
Palavras 1.912
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Escolar, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Descupem a demora!!

Esses dias eu estou fazendo uma dieta muito restritiva e estou sem energia nenhuma😪 mas prometo que postarei com mais frequência.

Capítulo 8 - They Found Out


Being constantly hungry is no life at all. 

 

Sophie saiu tremendo da sala F27 e apoiou as costas no corredor. Não era parte do plano revelar tantas coisas para a Doutora Fernanda, mas algo nela trazia paz para Sophie e a fazia querer confiar seus segredos a ela. O que seria um erro. Ninguém poderia saber sobre as coisas que fazia. Stefan descobriu e olha no que deu. Como que se respondendo ao chamado de seu nome na mente de Sophie, Stefan passou na frente no corredor que ela estava apoiada e parou quando a viu, deu meia volta e encostou o ombro direito na parede ao lado dela. 

Ela pôde sentir o perfume Invictus que ele estava usando, era o favorito dela. Ele estava deslumbrante usando um jeans azul escuro rasgado nas coxas, um moletom largo preto e tênis da Adidas SuperStar. Ela queria se jogar no pescoço dele e implorar pelo seu perdão. 

 

- Você está bem? - ele perguntou com cuidado, provavelmente com medo de que ela fosse gritar com ele de novo. 

- Estou. 

- Você estava conversando com a Doutora Fernanda? Dizem que ela é boa. 

- Ela é legal - Sophie respondeu sem saber o que mais dizer. 

- Fico feliz que tenha ido buscar ajuda - ela percebeu alivio e magoa na voz dele. Alivio que ela estava recebendo ajuda, magoa que não era ele ajudando. 

- Não é como se a diretora estivesse me dado alguma escolha - ela respondeu seca. 

- Sophie - ele a pegou pelos ombros e a afastou para o canto mais quieto. - Isso é bom! Eu li sobre anorexia na internet e você pode se curar totalmente, você vai ficar bem e...

- O que? - ela lançou a ele um olhar de cachorro ferido e seus olhos marejaram ao som daquela palavra. Anorexia. - Você acha que eu sou anoréxica? - Ela estava descrente. Ela não estava doente! Era só uma dieta, ate atingir sua meta de peso. Não estou doente!, pensou. 

- Sophie...

- Não! Stefan! Como pode me rotular tão facilmente como doente mental?!

- Sophie! - ele chamou novamente, dessa vez firme. Ela olhou em seus olhos que começaram a marejar. - Não fuja! Não finja! Isso não é uma dieta, nem um estilo de vida, nem nada disso. Isso é uma doença e isso vai matar você! Abre os olhos, Sophie. Tem gente aqui querendo ajudar você. 

 

Ela abaixou a cabeça e a balançou ferozmente, fazendo seu cabelo ficar no rosto, as lágrimas ameaçando cair. Eu não estou doente. Eu não sou doente. Ele não sabe o que está falando. 

 

- Eu não sou doente - ela disse em voz alta com a voz embargada. 

- Você não é doente, você está doente. 

- Não... - sussurrou. - Não! - exclamou. 

- Sophie, eu amo você...

- Eu também te amo, Stefan.  Mas isso não te dá o direito de fazer isso comigo.

- Não. Eu amo você - ele deu uma pausa para que ela absorvesse o sentido de suas palavras. - E eu não sou capaz de ficar aqui sem fazer nada enquanto você se machuca desse jeito. Não vou assistir você morrer. Eu sinto muito, mas ou você escolhe a mim, ou você escolhe a sua doença. 

 

As mãos dele seguravam os pulsos dela e seus olhos eram suplicantes. Ele implorava para ela em silêncio para que ela o escolhesse. Sophie precisou de alguns segundos para entender o que tinha acabado de acontecer. Ele tinha acabado de dizer a ela que ele a amava, não do jeito eu te amo como minha melhor amiga igual eles sempre diziam que se amavam, mas de outro jeito, Sophie podia sentir. Ela queria se jogar nele e dizer quanto tempo ela esperou que ele dissesse aquelas palavras, declarar que sentir o mesmo a tanto tempo. Queria pular em seus braços, beija-lo e passar as mãos em seus cachos que ela tanto amava. Mas então vinha a segunda parte. Ele a pediu para escolher. Como ele poderia pedir isso dela? Ele não conseguia ver que estava matando ela com essas palavras? As lágrimas corriam como torneiras abertas pelo rosto de Sophie e seu lábios inferior tremia. Não precisamos dele, ouviu em sua mente.

 

- Stefan, não posso... - sua voz era um mero sussurro. - Simplesmente não posso, não consigo...

 

Ele fechou os olhos em dor, como se já esperasse aquela resposta. Ele soltou os pulsos dela e se aproximou dela, deixando um beijo em sua testa tão suave quanto uma pluma. Ela não deixou de imaginar como seria beija-los. 

 

- Eu sinto muito - ele sussurrou. - Mas não posso assistir você fazer isso. 

 

Ele saiu andando no momento que o sinal do segundo tempo bateu. Tudo que Sophie pode fazer foi escorregar pela parede soluçando e ignorar os olhares do alunos que a encaravam enquanto passavam indo para sua próxima aula. Ela ouviu uma porta a alguns metros se abrir. 

 

- Sophie? - Dra. Fernanda chamou preocupada. - Vamos, vamos conversar no meu escritório. 

 

Ela a levantou pelo braço e a ajudou até a poltrona, fechando a porta atrás de si. Pegou alguns lenços para Sophie e colocou uma garrafa de água na frente dela. 

 

- Agora, respire devagar, Sophie. Respire. 

 

Várias fungadas e goles de água depois Sophie finalmente se acalmou. Dra. Fernanda sentou novamente em sua cadeira atrás da mesa. 

 

- Gostaria de conversar sobre isso?

- Ele me deixou - Sophie choramingou, as lágrimas ameaçando cair novamente. 

- Quem te deixou? Seu amigo?

- Sim, Stefan, ele disse que me ama! Sabe quanto tempo eu espero ele dizer isso? Não foi "eu te amo" de amigo! - ela disse entre soluços novamente. 

- Se ele disse que te ama, por que ele te deixou? - perguntou a mulher paciente.

- Por que ele me fez escolher e eu não consigo! - exclamou. 

- Escolher entre o que?

- Entre ele - Sophie seu um soluço. - E entre ser magra. 

 

Sophie finalmente disse aquilo em voz alta e Fernanda suspirou. Era o que ela suspeitara desde o princípio. A magreza anormal da adolescente e seus sintomas em depressão só podiam indicar um distúrbio alimentar. Estava claro para quem quisesse ver. O amigo obviamente tinha descoberto e tinha tentando ajuda-la desde então. 

Fernanda tentou conversar mais com Sophie sobre o assunto, mas julgou que não era uma boa ideia. Já tinha exigido demais da garota por um dia. Decidiu liberar Sophie do resto do dia de aula dizendo que ligaria para seus pais em breve para conversarem. Sendo psiquiatra, Fernanda poderia tratar de Sophie se assim os pais delas desejassem. Ela tinha seu próprio consultório antes, mas decidiu larga-lo para trabalhar na escola pois tinha consciência que era la onde se mais encontrava pessoas que precisavam de ajuda. Sophie era uma delas. Mas antes de dar qualquer diagnóstico para os pais de Sophie, precisaria de mais algumas consultas.

• • •

Três semanas se passaram desde a primeira consulta de Sophie com a Doutora Fernanda. Ela e Sophie tiveram várias consultas desde então e a profissional já tinha um diagnóstico completo para passar para os pais. A diretora decidiu marcar uma reunião para a próxima semana junto com os pais de Sophie, a psiquiatra e um nutricionista. Ela queria começar a recuperação de Sophie o mais rápido possível, mas para isso teria que passar pelo mais difícil, que era informar os pais da situação da filha e fazer Sophie entender que ela estava doente. 

• • •

Sophie estava em casa numa sexta a noite, sem nada para fazer. Seus pais estavam no andar de baixo assistindo Tv e Veronica estava no quarto ao lado com seu namorado, o que não deixava os pais muito felizes. Não que Ronnie ligasse.

O estômago de Sophie roncou alto. Tudo que ela tinha comido durante do dia foram alguns pedaços de melancia, o que não era muito eficiente já que continha calorias negativas. Ela decidiu tomar um banho quente de banheira. Levantou da cama e imediatamente sentiu sua cabeça leve, a visão escura. Ela não podia se esforçar demais. A ultima vez que pesou estava com 39,2kgs. Nunca esteve tão magra. Todos os seus ossos apareciam, estava um graveto, um esqueleto, sentia que faltava pouco. Mas ela não tinha forças pra mais nada. Se antes ela era fraca, agora ela era mais ainda. Nunca esteve tão frágil. Uma caída em cima do braço e ele podia facilmente quebrar.

Ela foi até o banheiro e encheu a banheira com a água  o mais quente possível numa tentativa de afastar o frio que ela sempre sentia. Depois de se despir, entrou na água quente, se sentindo instantaneamente melhor e mais aquecida. Poderia ficar ali a noite toda. Seu estômago fez outro barulho e ela o socou com raiva. Sophie pensou em Stefan. Tinha quase um mês que não se falavam, desde sua declaração à Sophie. Uma lágrima escorreu pelo seu rosto. Ela nem teve a chance de dizer que sentia o mesmo. Fechou os olhos com força. Ele disse que estaria ao lado dela, mas onde ele estava quando ela mais precisava dele? A qualquer momento a psiquiatra iria revelar a verdade aos seus pais e Sophie não estava preparada para isso. Como iria continuar a perder peso depois que descobrissem? Estou tão perto., pensou. Ela sentia tanta a falta dele, tanto que doía. A cabeça de Sophie começou a ficar enevoada e seus olhos pesados. Ela encostou a cabeça na beirada da banheira. Estava tão cansada...

• • •

Sophie acordou, mas não abriu os olhos, deixando a preguiça consumi-la por mais alguns segundos. Sentiu algo estranho em seu rosto, mas estava cansada demais para mover o braço e ver o que é. Aguçando ouvido, escutou um barulho ritmado. O que é isso?, pensou. Bip, bip, bip, bip. Ela abriu os olhos lentamente e a claridade a deixou cega por alguns segundos. O que? Sophie se encontrou em uma cama com cobertas brancas sobre ela em um quarto que obviamente era de hospital. A sua direita tinha uma gigante janela de onde vinha claridade do sol da manhã e a sua esquerda estava o aparelho de onde vinha o som irritante. Mas que merda? Perfurada na sua mão esquerda estava uma agulha conectada a um longo fio de uma sacola que ela supôs era soro, e em seu dedo indicador direito tinha um "pregador" que media seus batimentos cardíacos. Em seu rosto havia uma cânula que entrava em apenas pela narina direita que ela não fazia ideia para que servia. 

Sophie estava sozinha no quarto. Sua cabeça doeu ao perceber o que tinha acontecido. Sua última lembrança era de estar na banheira. Tinha certeza que tinha dormido lá e alguém a havia encontrado. Seus olhos encheram de lágrimas. Ela olhou na cabeceira e viu seu celular. Pegando-o discou o único número que sabia de cabeça. 

 

- Alô? - a voz grogue de sono de Stefan atendeu. Era 9:30 da manhã de um Domingo, claro que ele estava dormindo. 

- Stefan? - Sophie fungou no telefone, sentiu a garganta roca ao ser usava pela primeira vez depois de alguns dias. 

- Sophie? - ele ficou alerta de repente. - O que aconteceu? Algo errado? - ela sentiu uma pontada de felicidade ao notar o tom preocupado do rapaz. 

- Stefan você estava certo - ela soltou um soluço novamente. - Eles descobriram, Stefan. Eles descobriram. 

 


Notas Finais


Bom, é isso. Até breve!

Não deixem de favoritar e comentar 😘


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