História Skip Beat! - Entre o Passado e o Presente - Capítulo 30


Escrita por: ~

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Categorias Skip Beat
Tags Atuação, Fuwa Shou, Kyoko Mogami, Romance, Shoujo, Skip Beat, Tsuruga Ren
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Palavras 6.464
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Harem, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Oi, gente, voltei. Desculpem o atraso, mas dessa vez fui viajar e onde fui não tinha internet, então ficou difícil postar. Mas, finalmente, chegou o dia. Sem mais delongas, boa leitura!

Capítulo 30 - Cartas na mesa


Para o espanto de Kyoko, seu senpai não tão maduro quanto pensava, revidando o golpe com vários outros muito mais violentos. Assistindo à cena, ela ficou horrorizada quando lembrou da briga de Cain, onde Ren estava tão mortal e cego de adrenalina que não media seus atos. Ali era quase o mesmo e ela começou a considerar que talvez aquilo não fosse puramente atuação. Ele já vinha dando lapsos desse lado há tempo demais, de uma forma intensa demais.

Tirando o pessimismo da cabeça, ela percebeu que estava sendo exagerada. Talvez estivesse só descontando um grande estresse acumulado agora que tinha chance. Algo total e puramente normal do comportamento humano.

- Gente! Vamos parar com isso. Tem um bebê aqui! – ela tentou agir como adulta, mas os dois simplesmente a ignoraram, continuando a trocar socos acalorados. – Ah, quer saber? Já chega!

Ela pegou umas das motos e ligou o motor com um ronco profundo, sem se importar se pudesse haver inimigos por perto ou não. Para a felicidade de Kyoko, isso chamou a atenção dos dois, fazendo-os olhar para ela por tempo suficiente para que ela pudesse se meter entre os dois, ninando Jonathan nos braços.

- Vocês dois, prestem bem atenção. Nós vamos embora daqui agora. Eu estou exausta, dolorida, machucada e tenho um bebê nos braços que precisa voltar para a mãe, que deve estar morrendo de preocupação. Arrastem o traseiro ossudo de vocês até essas malditas motos e me levem para casa a toda velocidade para longe desse inferno ou eu juro que eu mesma – ela percebe que Christopher tinha um volume no lado esquerdo do quadril e imediatamente pensa numa ameaça que ia funcionar – atirarei em vocês tanto que não precisarão se preocupar mais: não serão reconhecidos nunca mais como Ren e Christopher. Estamos entendidos?

Os homens olham para a garota, boquiabertos, e apenas conseguem se entreolhar entre si, envergonhados. À contra gosto, os dois foram para suas respectivas motos.

- Ótimo – afirma Kyoko, aliviada, e sobe na garupa de Ren.

Colocando o capacete, ela agarra Jonathan com mais força e assente para o motorista.

- Vamos pra casa. – sussurra a menina para só Ren ouvir, dessa vez de forma mais gentil e cansada.

Assentindo em resposta, Ren arranca, seguido imediatamente por Christopher. Os dois ainda estavam quentes da briga, mas, aos poucos, a adrenalina da situação esfriou em suas veias. O cansaço assumiu seus corpos e Kyoko pode sentir Ren relaxar conforme o vento gelado atingia seu corpo, voltando a normalidade. Tudo aquilo fora tão... Estressante. Uma experiência nova que nunca – jamais – qualquer um dos envolvidos gostaria de repetir.

Embalando Jonathan nos braços, Kyoko sentiu um arrepio que claramente não era de frio descer sua espinha. Estavam sendo observados, ela tinha certeza disso, mas sabia que não era necessariamente ruim. Afinal, fora o causador dessa mesma sensação que a salvara várias vezes antes e, pelo que vinha acontecendo, aquelas não seriam as únicas. Aquilo era só o começo.

                                                                              ***********************************

O caminho até a mansão Harusumi foi um relâmpago, passando como um borrão. Descendo da moto de Ren, Kyoko suspirou fundo quando alguns serviçais fizeram mensão de ir ajuda-la.

- Bem vinda de volta, ojou-sama. – disse Lídia, lhe oferecendo um sorriso amigo com uma mesura.

Kyoko nem percebeu que sorria de volta. – Obrigada.

- Kyoko. – disse Ren, segurando seu ombro – Vamos entrar logo. Vocês dois podem pegar um resfriado.

Corando, ela assentiu. – Sim. Vamos.

Quando entraram, Lídia entregou a Kyoko um cobertor macio e tomou Jonathan nos braços, ação que Kyoko não aceitou facilmente.

- Se me permite, ojou-sama, vou dar um banho quente nesse pequeno. Ele parece estar precisando de um. Não é, Jonathan-sama? – ela sorri para o bebê, que lhe dá um resmungo animado.

A atriz concordou, porém a contragosto. Depois de tudo aquilo, não queria se afastar do garoto. Era como se não fosse vê-lo novamente se o fizesse. Mas ela tentou pôr em mente quetudo tinha passado e agora estava tudo bem. Podia confiar em Lídia, apesar de seu comportamento estritamente profissional. Agora estava em casa, a casa de sua família, onde sempre poderia encontrar a única pessoa que apenar de todos os pesares sempre estaria lá: Lowen.

Lembrando dele, a garota olhou de um lado para o outro a procura do irmão. Para seu desapontamento, não o achou em lugar nenhum.

- Onde está Lowen-nii-san, Lídia-san? – perguntou a garota.

A criada estava quase saindo do cômodo, mas se virou ao ouvir a pergunta. – Ah! Quase me esqueci! Perdoe-me, ojou-sama. O mestre a espera em seu quarto.

Já subindo as escadas como se Ren e Christopher não estivessem ao seu lado, ela agradeceu. – Obrigada, Lídia-san. Cuide bem de Jonathan, por favor.

A menina sorri e acena com a cabeça. – Sim, ojou-sama.

Enquanto ainda estava a caminho do quarto do seu irmão, Kyoko pode ouvir Ren e Christopher conversando lá embaixo.

- Parece que ele se tornou muito importante para ela em tão pouco tempo. – constatou Ren.

- Esses dois, eles... Tem uma perspectiva diferente do que é família do que nós temos. Acho que eles se apoiam um no outro agora que descobriram que finalmente tem alguém de seu sangue para confiar. – Christopher fica em silencio por alguns segundos – Não sei sobre Kyoko, mas Lowen sempre foi muito sozinho.

A menina nem precisava ver Ren para saber que ele estava dando um daqueles doloridos sorrisos tristes.

- Kyoko também. Mais do que imagina. – na mente do ator, uma imagem da pequena e sorridente Kyoko que conhecia veio a sua mente. – Acho que esses dois já passaram por muita coisa.

- Infelizmente – diz Christopher – vão passar por muito mais. Pelo menos não estão mais sozinhos.

- Sabe, acho que eles nunca estiveram. Só não se deram conta disso ainda. – a frase de Ren era sugestiva demais, fazendo Kyoko ficar pensativa por alguns instantes. – Vou embora agora. Acho que ela não precisa mais de mim e...

A voz de Ren desapareceu conforme a menina se afastava da sala. Apesar do peso evidente que as palavras de seu senpai tinha, Kyoko não queria pensar naquilo naquele momento. Achava que, mesmo que tentasse, não conseguiria. A única coisa em que sua mente se concentrava era em seu irmão. Sua casa. Seu quarto. Não via a hora de poder encostar a cabeça no travesseiro e fingir que nada daquilo era real. Voltar a sonhar com contos de fadas e a se preocupar em como aturaria Sho na próxima aula de canto ou em como capturar a personalidade de um personagem de um novo papel.

Quando chegou diante das duas enormes portas do quarto de seu irmão, teve um vislumbre de certeza de que isso porderia ser real.

- Nii-san... – chamou ela, bem devagar. Para sua surpresa, não havia criado para abrir a porta, e ela teve de fazê-lo por si mesma.

Encontrou seu irmão dormindo suavemente em uma poltrona, caído de uma forma tão desleixada e tão profunda que ela podia jurar que ele estava morto. “Coitadinho...”, pensou ela, “Quase o matei de preocupação... Deve estar exausto. Realmente, sou uma irmã mal agradecida...”. Ao mesmo tempo que se sentia confortada pelo fato dele ter se preocupado com ela, também se sentia muito culpada e envergonhada por fazer uma pessoa que lhe dera tanta coisa e a cuidara com tanto carinho passasse por uma situação como aquela.

Em uma tentativa de ser útil, olhou em volta em busca de um cobertor para colocar sobre o irmão. Apesar de estar calor fora dali, o ar condicionado estava muito forte e ele, pelo tanto de cansaço que parecia sentir, rapidamente contrairia uma gripe.

Encontrou o que queria em um armário no canto do quarto, em uma de suas prateleiras mais altas. Depois de muito esforço e quase quedas sobre uma cadeira, Kyoko conseguiu pegar o cobertor, suspirando aliviada pela vitória. Quando o puxou para si, porém, desequilibrou-se e caiu no chão com um estrondo, junto com o cobertor e mais alguma coisa que ela nãos sabia o que era.

Com o barulho, Lowen despertou de seu sono profundo. Como estava de costas para ele, Kyoko não percebeu, interessada no que caíra junto com ela. Era uma pequena caixa de madeira polida, quase branca, que lembrava a um baú. Tinha uma fechadura delicada dourada que parecia valiosa e era talhada de arabescos profundos. Apesar de saber que nunca a tinha visto na vida, olhar para ela lhe dava uma expressão familiar.

- Você realmente só sabe se meter em problemas, não é? – disse Lowen atrás dela.

Pulando de susto, ela se virou para ele. – Nii-san!

Ele se levantou da cadeira, olhando para ela de uma forma que ela nunca tinha visto, e cruzou os braços sobre o peito.

- Você tem noção do quanto eu fiquei preocupado? – Kyoko se sentiu envergonhada, como uma criança quando recebe uma bronca de um adulto. – Você se meteu com gente muito perigosa, que não hesitaria nem um momento para colocar uma arma na sua cabeça. Ariscou sua vida, a vida de Jonathan e coisas que nem mesmo entende. Tem noção do quão imprudente você foi? Do que poderia ter acontecido se não tivessem conseguido te encontrar? Eles te dariam a morte se fossem gentis! Tudo poderia...

Abaixando a cabeça, ela se sentia a beira das lágrimas. Nunca tinha visto seu irmão nervoso com ela e aquilo partia seu coração. Agora que tinha uma família, não queria decepcioná-la.

- Desculpa, eu... – ela simplesmente não conseguia tirar os olhos do chão – Não medi as consequências dos meus atos. Eu só... não queria ninguém sofrendo por minha causa. Não suportaria saber que uma criança...

Quando disse isso, ela se lembrou do momento em que decidira sair pela porta como uma louca. A adrenalina nas veias, a mente gritando com novas descobertas e a possibilidade – ou melhor, a certeza – de que todo o mundo que construíra até aquele momento tinha desmoronado. Tudo estava uma bagunça, um caos sem precedentes. Estava na hora de organizar isso.

Tomando coragem, ela encarou os olhos do irmão. Para sua surpresa, não tinha raiva neles como sua voz dizia. Havia alívio. Preocupação. Um cuidado tão gentil que a deixou emocionada. Isso foi o que lhe deu impulso para ir até ele e o abraçar.

- Eu estou aqui agora, não estou? Tudo ficou bem. Eu e Jonathan estamos salvos. Acabou. – ela percebeu que ele hesitou antes de abraça-la, porém, quando o fez, a segurou como se não quisesse deixa-la sair dali nunca mais. – Mas nós dois precisamos conversar. Uma longa e boa conversa em família. Pode ser?

Ela sentiu o irmão assentir contra seu pescoço, onde tinha enfiado o rosto de uma forma necessitada. Depois de alguns longos segundos onde Kyoko viu que ele mesmo estava tomando coragem e aclarando seus pensamentos, ele a libertou.

- Tudo bem, então. Você merece saber de tudo. Afinal, é sua própria vida e está na hora de você começar a tomar o controle sobre ela. – ele sorri de forma triste – Sempre esperei que quando tivesse uma irmãzinha, ela estaria sempre sobre minha proteção, como quando você era aquela menininha sorridente de anos atrás. Acho que eu estava errado. A garotinha já cresceu e não precisa ser protegida. Precisa que eu lhe dê armas para poder se defender.

Ele pega sua mão e a leva até os sofás, onde os dois se sentam como se aquele fosse um chá da tarde e não uma conversa que mudaria vidas. Suspirando profundamente, o irmão fica em silêncio por um tempo, sem saber por onde começar. Era tanta coisa.

- Comece do começo. – aconselhou a menina, mais confiante agora, cruzando as pernas e se apoiando na poltrona como se fosse ouvir uma história.

Mais alguns segundos se passaram antes dele começar a falar, porém, quando começou, não parou mais.

- Além do sistema de sociedade e economia que havia no mundo desde muito tempo, existe um grupo de pessoas que decidiram criar suas próprias regras. É o que chamam de “máfia”. Pra eles, as leis não se aplicam e a lealdade é o que há de mais precioso. Aliando riqueza e violência, se tornaram uma potência que pode ser comparada a uma multinacional que domina o mundo inteiro.

“Nenhuma ideia do ser humano é plenamente aceita por todo mundo, isso é uma certeza que sempre se pode ter. Por isso, essa ‘máfia’ se dividiu em facções, uma delas liderada pela nossa família, os Harusumi. Somos relativamente recentes e nossos ideais são bem diferentes das outras, que procuram ser conservadoras, principalmente de tradições e preconceitos antiquados. Nosso maior inimigo é a Dark Lights, uma das mais antigas facções que existe, que prega o completo oposto do que nós acreditamos.

Somos chamados de Akatsuki Hell. Fomos “criados” mais ou menos no começo do século vinte, quando as consequências da Primeira Guerra e a criação de uma nova sociedade ainda repercutia, com a criação de vários movimentos de reivindicação, entre eles o ‘feminismo’. A máfia em si sempre fora muito machista, sendo as mulheres meras ferramentas. Nesse período, movidas pelo que surgia no mundo, as mulheres dos grupos começaram a lutar pelos seus direitos, formando o seu próprio. Filhas, mães, esposas, as mais corajosas começaram e várias a seguiram. As mais poderosas, com grande poder aquisitivo e proteção pela reputação de um pai ou marido falecido (elas eram livres por serem sozinhas, mas mesmo assim era muito raro), utilizavam de sua influência para conseguir estrutura para criarem, também, regras próprias que apoiassem o sexo feminino como indivíduo.

Muito sangue foi derramado nesse processo, principalmente das mulheres, o lado até o momento mais fraco. Até hoje as que não foram mortas ou não tiveram coragem suficiente sofrem nas mãos das outras facções, que as tratam com indiferença e desconfiança, quase como escravas. Ainda hoje, tentamos fazê-las ter coragem de se livrar disso, mas é bem difícil fazê-las se desfazer de tudo que tem até o momento, principalmente as que tem filhos. Elas só conhecem o medo e temem represálias dos homens.

As mulheres de nossa facção, é claro, também tinham filhos homens que fugiram com elas. Esses garotos, como nosso tema era ‘inclusão e aceitação’, eram aceitos também como parte do grupo. Eram criados para se considerarem iguais as mulheres e, como a liderança era hereditária (apesar de prioritariamente feminina), podiam até mesmo se tornarem líderes se fossem filhos únicos.

Viemos de uma longa linhagem de líderes e nosso pai era um deles, nascido em berço de ouro, educado nas melhores escolas e formado na melhor universidade. Era muito inteligente e um ótimo estrategista, apesar de meio infantil às vezes.

Nosso avô era muito rígido e nossa avó era uma verdadeira ditadora, apesar amar muito o filho. Ela não podia engravidar e foi quase um milagre que ele tivesse nascido, então todos acreditavam que ele seria um grande líder para todos. Quando terminou os estudos, casou-se com uma mulher escolhida por seus pais em um casamento arranjado e se mudou para os Estados Unidos. Alguns anos depois, eu nasci, causando a morte prematura da minha mãe, que na época tinha vinte anos. A partir daí, nosso pai veio novamente para Tokyo e deixou que meus avós me criassem, concentrando-se em ser um líder para a facção, já que seus pais estavam muito velhos para isso.

Na época, não entendi o porquê ele me negligenciava, mas depois que cresci vi que ele, na verdade, fez o certo. Apesar de ser um grupo matriarcal, os ideais antigos de superioridade masculina começaram a se alastrar por nós como um incêndio na seca. As mulheres foram deixadas de lado mais uma vez e os homens assumiram, sobre o pretexto de que eles serviriam muito melhor ao líder sendo do mesmo sexo, já que por um longo tempo os Harusumi só davam à luz a meninos. Conseguiram se manter no poder por tanto tempo que hoje assumiram o lugar de suas esposas, esquecendo-se do passado feminista que tiveram.

Nosso pai tentou deter isso. Durante inúmeras vezes, deu abertura para que as mulheres reclamassem seu lugar de direito. Para sua surpresa e frustração, porém, elas não queriam isso. Perderam toda a vitalidade que tinham antes, totalmente submissas, muitas vezes coagidas pela violência de seus maridos. Foi nesse período de impotência que ele reencontrou sua mãe, uma mulher que antes era apenas uma menina frágil e que agora tinha a mesma coragem e força dignas das mulheres da máfia. Ele gostava dela desde o tempo da escola, mas fora obrigado a se afastar por nossos avós, que não aceitavam que ela fosse pobre, achando que era apenas mais uma interesseira.

Os dois tiveram um caso, mas não chegaram a se casar realmente, apesar de se considerarem como tal. Ela não fazia ideia de toda essa história de máfia e ninguém sabia da máfia sabia sobre o relacionamento dos dois, com nosso pai vivendo uma espécie de vida dupla. Ficaram juntos por quatro anos, período no qual os assuntos de líder de nosso pai foram praticamente ignorados. Até que você nasceu. Uma menina, exatamente o que a AH precisava. Eu lembro que nunca o vi tão feliz como quando descobriu que você seria uma menininha, ainda na barriga de Saena. Senti até um pouco de ciúme, já que achei que ele fosse me esquecer de vez quando você nascesse, mas me apaixonei por aquela garotinha de olhos profundos que ele me mostrava nas fotos.

Tudo estava bem até o momento em que sua mãe descobriu sobre a vida dupla de nosso pai. Assim que soube o quão perigoso era para você tudo aquilo, juntou suas coisas e sumiu para sempre, sem deixar vestígios. Passamos anos te procurando, até saber que você estava em Kyoto, junto com os Fuwa. Meu pai me levou até lá depois de eu ficar atormentando ele durante dias, até ele aceitar, e eu nunca esqueci de você.

Ele nunca me disse onde estávamos e tomou providencias para que eu nunca conseguisse te encontrar. Acho que, apesar de tudo que eu demonstrava, ele tinha medo que eu fizesse algo contra você por causa da AH. Ele foi muito idiota, porque eu nunca faria isso.

Apesar de eu ter conseguido te ver naquele dia, ele nunca mais voltou a te procurar. Acho que ele e Saena finalmente entraram em acordo depois de muita briga e ele se conformou ou algo assim. Ele ficou sério depois disso, ignorava a mim e seus deveres de líder, bebendo e se destruindo como se nada mais importasse. Os negócios caíram, a máfia entrou em caos, sem leis ou regras, um exército sem comandante. Assumi como líder alguns anos depois, quando nosso pai teve uma parada cardíaca e faleceu a caminho do hospital. Foi um grande baque para mim, que ainda estava começando a universidade e não sabia nem mesmo administrar minha própria vida. Foi preciso muito esforço para conseguir fazer as coisas voltarem a caminhar corretamente com a minha inexperiência, mas, felizmente, eu não estava sozinho.

Encontrei Christopher pouco depois de me tornar líder. Ele se tornou um grande amigo meu, me tratando como um líder mesmo eu sendo jovem. Me ajudou a me firmar perante os outros ‘sócios’ da máfia, conseguindo uma reputação e respeito. Enquanto te procurava, ele me apoiou e até mesmo arranjou contatos para mim, envolvendo-se com a família que deixou para trás. Parece que, por ironia do destino, ele também te conhecia.”

Lowen sorriu diante da expressão de Kyoko, que o encarava de boca aberta. Parecia sair fumaça de suas orelhas.

- Preciso abrir o jogo, Kyoko, e vou ser direto. O último desejo de nosso pai, antes de falecer, foi que você se tornasse a líder e retomasse o antigo poder que tínhamos antes de tudo isso. Só com uma mulher no comando toda essa hipocrisia e injustiça vai acabar, mesmo que só de maneira simbólica. Era nisso que ele acreditava e que eu também acredito, mas a escolha é com você.

“Esses caras que  tentaram atrair você através de Jonathan são da Dark Lights. Eles não sabem que você é a descendente direta do líder ainda, então não foi por isso que vieram. Foi por causa daquele seu... Senpai, Tsuruga Ren – se esse for mesmo o nome dele, coisa de que duvido muito. Ele é o neto do último líder, que só tinha uma filha e, como só homens podem assumir o poder, é o atual líder deles.

As coisas entre os da DL são bem tensas. Eles possuem uma espécie de conflito interno composto de rebeldes um tanto... extremistas, que farão tudo para assumir o poder. Para isso, precisavam atingir Tsuruga Ren e utilizaram você, já que parece ser a pessoa mais próxima dele. Acho que acharam que Jonathan fosse um herdeiro, então pegá-lo era um bônus: além de te atrair, bastava mata-lo para garantir o fim de tudo aquilo.”

Foi nessa parte que Lowen observou alguma reação além da indignação e incredulidade no rosto da irmã. Seus olhos se escureceram, perdendo todo o brilho, e a menina abaixou a cabeça.

- Disso eu me lembro. Era sobre isso que vocês estavam falando antes que eu... – ela engole seco – Então é verdade? Toda a história de me usar? Ouvi claramente vocês dois assumirem isso. – sua voz era séria, ríspida, machucada.

Ele não queria olhá-la nos olhos, mas simplesmente não conseguia desviar o olhar dela. Quanto mais ela sentia que ela desmoronava, mais seu próprio coração se partia dentro dele.

- É verdade. Eu estava mentindo para você, afinal, escondendo tudo isso.– é a vez dele de engolir a seco. – Tsuruga Ren, ele... Provavelmente está do lado deles. E sabe que você é a herdeira, mesmo que eu não saiba como. Sei que ele se aproximou muito de você recentemente, justamente quando assumiu a DL, então...

Ele observou seus olhos se encherem de lágrimas e, parecendo ter o coração partido pedaço por pedaço enquanto compreendia o que estava acontecendo, chorar silenciosamente. Em sua mente estavapassando um filme, que antes era de romance e agora é de terror. Todos  aqueles momentos sugestivos, os cuidados, os beijos... seria tudo apenas para seduzi-la? Para usá-la? Ela não conseguia engolir isso.

Dentro dela, uma voz gritava para que não fosse boba, que o Tsuruga Ren que ela tanto admirava e amava nunca faria isso com ela. Era muito fraca, talvez por estar tão confusa sobre tantas coisas ainda. Porém, havia outra, mais alta e reverberante, a mesma que avisou de Sho e a ajusou a superá-lo, que praticamente berrava que ela fora enganada mais uma vez.

- Por quê, Lowen? – suspirou a garota baixinho – Por que todos eles sempre acabam fazendo isso comigo?

Ela não precisou falar nem mesmo mais uma palavra para Lowen voar de onde estava para abraça-la desesperadamente. Não deveria ter dito aquilo à ela. Não devia. Porque ele sabia que exatamente aquilo aconteceria, com todas aquelas mesmas letras e dúvidas. Enquanto a deixava chorar em seu peito, ele se amaldiçoou em silêncio, sua expressão e seu coração se enchendo de ódio.

Odiava a DL por desmoronar todo o seu plano de família perfeita. Odiava a Tsuruga Ren por fazer aquilo à sua preciosa irmã. Odiava toda aquela situação de estar contra a parede. Porém, apesar de tudo, o que mais odiava era ele mesmo. Por não ser mais forte para protegê-la. Por simplesmente não ter nascido mulher para poder assumir tudo aquilo por ela, poupá-la de toda aquela dor.

- Shhh... Não fique assim. Está tudo bem agora. Posso ter mentido, mas foi só para te proteger, princesa. Porque te amo. Nunca te trairia por ambição ou qualquer outra coisa. Você é tudo que eu tenho, Kyoko. Sem você, eu não sou nada. – ele a afasta por um momento com gentileza, olhando-a nos olhos e apertando suas mãos de forma confiante – Você sabe disso, não sabe? Que tem alguém que nunca vai te deixar bem aqui?

O lábio inferior da menina tremia, sinal de que queria chorar de forma desesperada. Não precisava olhar nos olhos dele para saber que ele estava sendo sincero.

- Sei, nii-san. – disse com a voz embargada de choro – Eu sei. Obrigada...

Com carinho, ele lhe dá um beijo na testa. – Mas e você, princesa? Não vai estar aqui para mim também?

Para o deleite de Lowen, Kyoko sorri.

- Vou. Para sempre. Mesmo se você se cansar de mim e me expulsar de casa. Eu vou estar bem aqui, onde sempre deveria ter estado. – ela o encara nos olhos, dessa vez com aquele brilho tão deslumbrante para Lowen nos olhos. – Eu também te amo, nii-san. Meu irmão...

É a vez dela de abraça-lo, sorrindo de orelha a orelha. Encostou sua cabeça em seu peito, exausta por tudo aquilo, e adormeceu ouvindo o coração de Lowen bater calmamente. Sentia-se como raramente havia se sentido na vida. Segura. Feliz. Amada.

De volta ao lar.

                                                                                    ********************************

Christopher subiu as escadas atrás de Kyoko alguns minutos depois da garota. Ren fora embora pouco tempo após chegarem, tão rápido e discreto que Christopher estranhou tanta calmaria da parte do ator depois de tudo. Parecia querer esperar a poeira baixar antes de se prontificar. Como não gostava da presença de Ren, o ruivo apenas deixou que fosse. Tudo seria mais fácil sem muitas pessoas.

Laura e Yashiro também já haviam saído com Jonathan, parecendo ansiosos para voltar para casa e esquecer que tudo aquilo tinha acontecido. A agente já estava melhor e Yashiro, cuidadoso, parecia temer que  a qualquer momento desfalecesse. Foi nesse momento, com os dois lado a lado, com Laura segurando Jonathan como uma mãe, que Christopher percebeu que, não importa como olhasse, aqueles dois pareciam um par perfeito. Um dia, talvez, quem sabe, se tornassem também uma bela família.

Quando finalmente terminou de subir as escadas, se deparou com a última cena que esperava encontrar: Lowen saindo da porta com uma Kyoko adormecida nos braços, parecendo tão feliz e aliviado que nem parecia que toda aquela bagunça tinha acontecido.

Christopher estava prestes a perguntar o que tinha acontecido, quando o líder o advertiu com um dedo sobre os lábios. – Espere que eu a coloque no quarto. Aí te explico tudo.

Entendo, o ruivo assentiu em silencio. Desceu as escadas e esperou que seu amigo voltasse na sala, pacientemente sentado no sofá. Só de ver a expressão nos olhos do amigo, sabia que, agora, tudo estava bem.

- Como você está? – perguntou uma voz de repente, alarmando Chris.

Era apenas Lowen, descendo as escadas para se aproximar dele.

- Machucado em algum lugar? Atingiram você? Sente dor em alguma parte? – o amigo o bombardeava de perguntas de preocupação, parecendo claramente aflito. Era tão bonito que Christopher sorriu.

- Eu estou bem, Lowen. Fique tranquilo. – respondeu, estranhamente muito feliz pela preocupação do amigo.

Christopher quase pulou do sofá, porém, quando Lowen o abraçou pelo pescoço, encostando a cabeça em seu ombro. Ele estava de costas para o líder, porém nem precisava ver para saber que ele estava sorrindo.

- Tem certeza? – replicou quase como um sussurro.

Ele sabia que não havia empregadas para agradar por perto, mas seu corpo agiu por instinto. Não sabia o que fazia, quase como quando estava bêbado, porém tudo acontecia tão naturalmente que ele não podia evitar.

- Tenho, sim. – disse no mesmo tom do amigo, segurando ambas as mãos de Lowen e levando-as aos lábios.

Em resposta ao gesto, Lowen o abraçou com um pouco mais de força, suspirando pesadamente.

- Eu contei tudo à ela. Tudo, sem deixar nada para trás. – ele respira profundamente, sentindo o cheiro reconfortante da pele de Christopher – Só depende dela agora.

O ruivo sorri de forma suave, como se o parabenizasse.

- Você fez bem. Ela precisava ter a chance de saber o que realmente está acontecendo na vida dela e quem ela é de verdade. Só assim ela poderá fazer uma escolha consciente quando for a hora. – ele puxa o amigo pela mão para que ficasse a sua frente, encontrando pouca resistência como resposta.

- Eu sei. – Lowen dá um sorriso triste – Sempre achei que poderia protege-la para sempre. Demorou tanto tempo para encontra-la... Não consigo pensar no que faria se ela fosse embora daqui, para longe de mim. Provavelmente, preciso mais dela do que ela precisa de mim.

Sem pudor ou hesitação, como se fizesse isso há anos, o líder se senta no colo de Christopher, enroscando suas pernas como se fosse praxe. Em resposta, o ruivo encostou a cabeça de Lowen em seu corpo, acariciando seu cabelo como faria com uma criança.

- Eu sei que você está com medo. Mas era preciso fazer isso, Lowen, mais cedo ou mais tarde. Você agiu como um bom irmão mais velho, acredite nisso. – ele ficou em silencio por alguns minutos, tentando entender como o amigo se sentia.

Ele não era ligado o suficiente com sua família para compreender todo aquele cuidado e amor que o líder dispensava à sua irmãzinha mais nova. Era quase como o amor entre um homem e uma mulher, porém mais inocente, mais primordial. O ínicio dos sentimentos, algo que tinha mais haver com o apoio do que com o desejo. Naquele momento, Christopher desejou poder ser mais próximo de seus irmãos, só para poder ajudar o amigo com o que sentia. Não gostava de vê-lo aflito. Era quase como se eles mesmos compartilhassem esse sentimento sobre o qual tanto ponderava.

- Olha, - disse segurando o queixo de Lowen de forma confiante, olhando-o nos olhos enquanto falava – não acho que ela vá embora. Ela sente por você o mesmo que você sente por ela, pode ter certeza. Eu sei disso, confie em mim. Ela vai tomar a decisão certa, mesmo que às vezes de forma impensada e inconsequente. É muito parecida com você para não fazer isso.

Sorrindo, Christopher aproxima o rosto do amigo do dele.

- Confie nela assim como fez comigo e ela vai ser feliz com o que escolher, seja aqui ou em outro lugar. Você quer que ela seja feliz, não quer? – Lowen assente de leve, ainda com a cabeça sustentada pelos dedos de Christopher – Às vezes, se precisa dar asas a um pássaro, mesmo que deseje que ele não voe. Só assim essa pessoa viverá sem arrependimentos, em paz com sus escolhas. – é a vez dele sorrir – Olhe para mim, por exemplo.  Nunca me arrependi nem que seja uma vez da minha decisão.

- Qual decisão? – o líder desvia o olhar do rosto de Chris – Na vida, temos que fazer tantas escolhas... Uma mais importante que a outra, sem possibilidade de volta. Chega a ser frustrante.

A resposta de Chris veio num sussurro crepitante, um segredo entre dois amigos.

- Sabe, eu quis voltar atrás muitas vezes na minha vida. Mas de uma coisa eu nunca me arrependerei... – Lowen, de forma involuntária, olha para Christopher, como se esperasse ansiosamente que ele dissesse uma coisa em particular – De ter escolhido tomar conta de você para o resto da minha vida.

Os dois não sabiam quem ou quando tinha começado. Porém, quando viram, suas bocas já estavam juntas em um beijo tão intenso como nas últimas vezes. Ambos não pensavam em nada, só sentiam. Compartilhavam o alívio que vinha com a verdade, o medo que vinha com a impotência, a segurança que vinha com palavras de consolo. Era quase como se se misturassem conforme aprofundavam seu beijo, só querendo mais e mais. Não iam parar. Não queriam parar.

Em um determinado momento, acabaram ambos deitados um sobre o outro de uma forma emaranhada. Eles não sabiam o que sentiam e nem queriam saber. Só queriam sentir. O beijo nos lábios, aos poucos, deixou a boca para explorar outras áreas, quase como se descobrissem um ao outro pela primeira vez. As mãos, tão calejadas pela firmeza do uso frequente de armas, tentavam procurar a delicadeza da pele sensível. Estavam tão desesperados que, no calor do momento, começaram a testar os botões e fechos das roupas um do outro e...

- Ah! – gritou alguém atrás deles –D-d-desculpa, eu n-n-não q-queria atrapalhar....

Para o desespero de ambos, era Kyoko, tão aturdida e chocada quanto poderia. Ambos se separaram, corados e envergonhados, tentando se recompor.

- V-você não deveria estar dormindo, Kyoko? – perguntou Lowen, claramente afetado.

Sem conseguir encarar o irmão, a garota apenas encarou o chão, envergonhada.

- Sim, mas estava com sede. Resolvi descer para buscar um copo de água. – ela fica da cor de um pimentão – E-eu não queria atrapalhar. Só vou até a cozinha buscar água e já volto. Prometo que não saio mais do quarto até vocês irem me chamar.

- Não é isso, Kyoko. – disse Christopher, passando a mãos nos cabelos, e sorri como se nada tivesse acontecido. Essa era sua especialidade. – Pode ficar calma, você não atrapalhou nada. Nós só estávamos... Bem, não importa o que estávamos fazendo. Pode voltar para o quarto, descanse. Mandarei uma criada imediatamente com água e algumas frutas também. Tudo bem?

Diante do tom protetor de Christopher e depois de tudo que tinha acontecido, resolveu que era melhor não discutir. Apenas voltou para o quarto, sentindo o rosto quente, e se perguntou qual diabos afinal era a relação entre Christopher e seu irmão.

                                                                  ********************************

Ren saiu praticamente correndo da mansão Harusumi. Seu coração batia acelerado, sua boca estava seca e seus lábios rachados de sede. Enquanto entrava em seu carro, estacionado à apenas algumas quadras dali, não pode evitar no quão cansativo tinha sido aquele dia. Parecia tudo tão... irreal.

Mas, agora, tudo estava bem. Kyoko estava em casa e Jonathan de volta com sua família, sem nenhum arranhão. Ele tinha conseguidos salvá-los, sua missão impossível que ainda parecia uma loucura. Sua cabeça doía ao pensar em tudo. Suspirando, respirou fundo enquanto arrancava seu carro em direção ao último lugar onde precisava ir antes de tudo aquilo acabar. A última parada até a saída daquele inferno.

O bordel que a DL usava como sala de reuniões continuava o mesmo, discreto e ao mesmo tempo vulgar. Quando passou pela porta, os seguranças lhe fizeram uma profunda reverencia, como se ele fosse um rei, e um deles se prontificou para leva-lo onde queria. Não demorou nem mesmo segundos para estar de frente a quem ele encarou como uma cobra prestes a dar o bote.

- Kuon-sama! Que prazer em vê-lo! Ao que se deve sua visita tão repentina? – disse Kalia de uma forma cortês e inocente.

Estava ainda muito machucada, porém já não parecia mais um fantasma de puro osso. Parecia muito casual, como uma adolescente sozinha em casa, somente de camiseta e calcinha enquanto pintava as unhas do pé. Os cabelos, antes desgrenhados e sujos, agora estavam perfeitamente limpos em um coque frouxo. A pele, mais corada, estava tão reluzente quanto sempre, assim como os lábios, agora inchados de tão hidratados com gloss de morango. As gazuas ainda estavam ali, porém bem mais limpas e, na medida do possível, mais discretas.

- Você sabe que precisamos conversar. – diz Ren enquanto o segurança que o trouxe até ali saia, fechando a porta e os deixando a sós.

A garota admira suas unhas por alguns segundos antes de fechar o frasco de esmalte que estava aplicando e responder à pergunta.

- Sim, sei. – ela se levanta do chão onde estava, deixando um belo pedaço de pele exposta pela calcinha enrolada – Sente-se, por favor. Fique à vontade

Ela gesticula para uma mesa no centro do cômodo, que por acaso era seu quarto, onde se sente em uma das cadeiras. Ren, sem querer desfazer da “hospitalidade” da garota, a imita, puxando uma cadeira e sentando-se também. Diante da ação, ela sorri.

- O que foi? – indaga com doçura.

- Foi só uma piada, não é? Eles nunca pretenderam nada além de nos provocar com tudo isso, não foi? – Ren, sincero, foi direto ao ponto.

Apoiando a cabeça nas mãos, a menina parecia estar falando que “o céu é azul” quando respondeu.

- Claro que sim. Acha que eles era idiotas de nos deixar escapar tão fácil? – ela dá uma risada seca – Provavelmente só queriam ver como reagiríamos a tudo isso. Deixariam a fedelha e o moleque escaparem sem problemas mesmo que tivéssemos apenas sentado e deixado as coisas acontecerem.

- Quando percebeu isso? Você realmente não parecia estar jogando quando foi atrás de Kyoko.

- Eu não estava. Acha que, se eu estivesse, acabaria nessa situação? – ela aponta para as pernas e braços cheios de lacerações – Eles mesmos me disseram enquanto me batiam. Não te contei porque achei que não valia a pena arriscar. Não suporto a ideia de perder vidas inocentes.

Um pouco irritado pela omissão, Ren a entendeu. Se estivesse em seu lugar, provavelmente teria feito o mesmo, então ele a perdoou. Havia outra questão mais importante do que algo como uma piada. Se tivesse sorte, poderia se vingar de todos eles mais tarde.

- Vocês sabem quando o verdadeiro ataque vai acontecer? – perguntou, mesmo sabendo que parecia um idiota.

A garota sorriu como um gato ladino.

- Kuon-sama, o senhor tem muita sorte. Justamente essa informação chegou hoje até mim, fresquinha. Quer que eu te conte?

Ren respondeu trincando os dentes. – Claro, por favor.

- Vai ser em uma festa da DL conhecida como “Iniciação”. Geralmente não acontece nesta época do ano, mas o surgimento de uma herdeira do antigo líder aflorou a curiosidade de todos de tal modo que adiantaram o evento. O plano deles é simples: entrar, mata-la, sair correndo e deixar que nós levemos a culpa. Para as outras facções, nós não nos subdividimos, somos apenas “Dark Lights”. Se nos atacarem, a frente principal, conseguirão que eles nos enfraqueçam o suficiente para assumir o controle.

“Os rebeldes, em si, são fracos em questão de número. São bem equipados e bem treinados, porém ainda estão em desvantagem contra nós. A Akatsuki, apesar de possuir o mesmo número de integrantes que nós, pelo menos age em conjunto. Isso os põe em uma desvantagem tão grande que, sem os rebeldes, nós seríamos reduzidos a pó.”

Ele espera que ela continue, mas a garota apenas volta a examinar as unhas.

- O que vocês pretender fazer para evitar tudo isso, então? – perguntou Ren, um fiapo de irritação escapando na voz.

- Nós? Nós não vamos fazer nada. Você vai.

O ator a encara, perplexo. – Eu?

- Sim, galã, você. – ela tira de algum lugar uma lixa, com a qual começa a lixar as unhas da mão pacientemente.

Ren não aguentou depois disso. O tom, até agora controlado, agora estampa uma ironia que deixava claro que estava muito irritado.

- E quer que eu faça o quê? Vista uma roupa de pirata e sequestre a mocinha?

Ela sorri como se tudo aquilo não passasse de uma conversa entre amigas. – Exatamente.

- Como é? – ele não conseguia raciocinar a resposta.

- Simples, senhor melhor ator do Japão. Queremos que você faça o que você faz de melhor: atuar.


Notas Finais


Pessoal, eu sei que a ideia de superioridade feminina é chamado de "femismo" e, em alguns trechos desse capítulo, acabou se misturando com o "feminismo". Só para esclarecer, a ideia é mostrar que, do feminismo - na história - se originou o femismo entre essas mulheres. A ideia de Lowen e seu pai e fazê-la voltar às suas origens, onde tudo é igual. Sei que para alguns isso está óbvio, mas achei melhor explicar para evitar dúvidas.
Eu admito que estou adorando escrever a história entre o Chris e o Lowen! Porém ainda não decidi quem seria o seme e quem seria o uke. O que vocês acham? Só sei que simplesmente estou shippando os dois fortemente.
Por fim, espero que estejam conseguindo entender a história. Principalmente já que até mesmo para mim está sendo uma surpresa. Acho que entendo cada vez mais meu próprio universo e personagens cada vez que escrevo.
Obrigada por ler até aqui! Até a próxima!


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