História Skip Beat! - Entre o Passado e o Presente - Capítulo 8


Escrita por: ~

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Categorias Skip Beat
Tags Atuação, Fuwa Shou, Kyoko Mogami, Romance, Shoujo, Skip Beat, Tsuruga Ren
Exibições 33
Palavras 2.533
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Harem, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Oi, gente, voltei. Eu sei que demorei, mas me desculpem por isso. Enfim, espero que gostem deste capítulo! Boa leitura!

Capítulo 8 - Visita noturna de um anjo


   Ao brilhar do último flash, Ren quase suspirou de alívio.

   - Tudo bem, ficou ótimo! Acabamos por hoje, pessoal! – liberou satisfeito o fotógrafo.

   O ator correu para os camarins para trocar de roupa. Ele já não aguentava mais ver todas aquelas pessoas devorando-o com o olhar e bajulando-o de forma persistente. Mesmo dando a todos o mesmo sorriso cortês, se sentia muito mais confortável quando vestia um terno do que quando usava apenas roupas de banho.

     Como sempre, Yashiro o esperava na porta com sua agenda e uma garrafa de água nas mãos. A bebida estava praticamente congelada, assim como Ren gostava.

     - Obrigada. – respondeu enquanto bebia avidamente.

     - De nada.

     Ren percebeu pelo tom de voz de Yashiro algo estava muito errado. O agente olhava para todo lugar, menos para os olhos do ator, e coçava a nuca nervosamente enquanto andava. Durante um bom tempo, ele ficou calado, o que não era característico de alguém tão tagarela e sem noção quanto Yashiro. Principalmente porque ainda era cedo demais para ele poder reclamar de fome, o que sempre o deixava meio cabisbaixo.

   O ator estava quase indagando o agente quando esse finalmente abriu o bico.

  - Ren... Sabe a Kyoko-chan? – a última palavra o fez arrepiar. Coisa boa não era.

  - Sim?

   A resposta veio em forma de um torrencial de palavras.

  - Bem, me ligaram para avisar que as aulas de jiu jitsu estavam canceladas, então eu liguei para a Kyoko-chan para saber se ela já sabia. Como ela não atendeu o celular, liguei para o lugar onde ela trabalha e perguntei se podia conversar com ela. Me disseram que ela não estava, que tinha saído apressada para Kyoto porque... – ele engoliu a seco – a mãe da Kyoko-chan faleceu esta noite em um acidente de carro.

   Por um momento, Ren ficou estático, a mente em branco. Tão rápido quanto Fuwa tinha feito, apressou o passo até o carro com Yashiro a reboque. O agente quase saíra voando com a velocidade do ator.

    - Ei, Ren! – exclamou ele segundos antes de Ren entrar no carro e fechar a porta com força. Pela expressão em seu rosto, se não o acompanhasse, o ator o deixaria para trás.

   Ren sabia que estava agindo impulsivamente, mas não podia evitar. A preocupação era maior que o bom senso. Ou pelo menos era isso que ele dizia a si mesmo quando pediu para Yashiro cancelar todos os seus compromissos do dia e os do próximo. Já tinha planos e seriam bem longe dali.

   Estava na hora de uma certa fada regressar do mundo mágico para ver uma garotinha chorona que perdera um de seus bens mais preciosos...

                                      ************************************

      Ao lado de uma Kyoko profundamente adormecida, Shotaro tentava imaginar o que fariam quando chegassem a seu destino.

    Tentou imaginar como encararia seu pai, que tinha tantos planos para ele, e sua mãe, que com certeza sentira muito a sua falta. Como explicaria o fato de ter tornado sua melhor amiga sua pior inimiga por tê-la magoado, como os olharia nos olhos depois de tê-los abandonado por um sonho incerto. Já fazia mais de um ano que não via sua família, mas ele deviam ter informação suficiente para saber quem ele era agora. Será que estariam decepcionados?

     “Com certeza...”, respondeu a si próprio com um suspiro.

     Seus pensamentos foram interrompidos pela voz piloto. Era o momento do pouso.

     Quando finalmente os liberaram, já eram quase quatro da tarde. Durante o voo, Kyoko tivera tontura e enjoos muito fortes, que a abalaram ao ponto de que ela tivesse de tomar várias doses de remédio e caísse em um sono pesado. Quando acordou, seus olhos estavam pesados e sua mente enevoada, até que finalmente percebeu que tudo tinha acabado.

       - Graças a Deus, finalmente chegamos! – exclamou ela enquanto desciam do avião.

       - Pare de ser dramática e ande logo, sua lerda. – respondeu um Sho impaciente.

       Olhando para trás, o garoto percebeu que Kyoko brigava com sua mala.

       “Essa garota, realmente... Parece que vai quebrar a qualquer momento...” , resmungou ele em seus pensamentos.

        Apesar dos protestos da amiga, arrancou a mala de suas mão em um puxão. Bastou um olhar – que apesar de tudo parecera durar uma eternidade – para que a garota se calasse, mas ainda fizera questão de ficar de bico. Com dois olhos gigantes, os lábios comprimidos em um bico enorme e os braços cruzados de forma irritada, Kyoko parecia uma garotinha de seis anos. Apenas observando a cena, Sho teve de segurar para não se acabar com risadas e conseguir agir de um jeito indiferente.

    O caminho até a pousada foi dentro de um ônibus que balançava incansavelmente de um lado para outro, fazendo as pessoas parecerem bonecas de pano. Os dois continuaram no habitual silencio incomodo, apesar de estarem ambos perdidos em pensamentos. Virados um de costas um para o outro, tinham caras de poucos amigos enquanto observavam a paisagem. Era tão diferente de quando viveram a mesma cena dois anos antes... Kyoko fez questão de sacudir a cabeça para afastar os pensamentos. Aquela não era hora para aquilo.

    Rever a pousada foi realmente nostálgico tanto para Kyoko quanto para Sho, que passaram a infância inteira naquele lugar. Tudo estava exatamente igual a quando a tinham deixado: as mesmas paredes creme impecavelmente bem cuidadas, a mesma porta de madeira de lei, o mesmo teto de telhas vermelhas... Até mesmo as plantas pareciam ter parado no tempo, floridas e verdejantes. Só de ver aquele lugar, memórias antigas brotavam na mente de ambos.

     A mãe de Sho foi a primeira a vê-los. Correu até os jovens com os olhos lagrimejando e deu um belo abraço de urso nos dois, com um sorriso reluzente estampado no rosto. Sho pareceu envergonhado ao abraçar a mãe. Esperava que ralhasse com ele, não o abraçasse.

   - Oi, mãe.

   A mulher apenas o apertou mais.

   - Que saudade, meu filho. Eu senti tanto a sua falta.

    Quando chegou a vez de Kyoko, porém, a alegria desapareceu enquanto se demorava um pouco mais com o corpo contra o dela. Para a menina, ela era como uma segunda mãe.

     - Shhh... – disse a mulher quando a atriz começou lentamente a chorar – Meus pêsames, querida.

     Fungando de leve, Kyoko se afastou, sorrindo e endireitando a postura.

     - Está tudo bem. Muito obrigada, Maria-san.

     Pegando suas malas, os três entraram na pousada relutantes. O negócio parecia estar indo muito bem, já que clientes ocupavam toda a recepção. Para o alívio de Sho, seu pai estava em seu escritório e não queria ser interrompido, o que fez com ele não tivesse que lidar com aquilo naquele momento. A tensão que ficava ao pensar nele era quase palpável.

      - Venham, crianças, vou mostrar o quarto de vocês. – chamou Maria com uma chave nas mãos.

       Os dois a seguiram por um bom tempo, até que perceberam para onde estavam indo. Podiam ter estado fora por dois anos, mais eles ainda se lembravam daquele lugar. Era a ala mais cara da pousada, aonde geralmente noivos alugavam para a lua de mel.

    O pior de tudo era a cara ruborizada de Maria quando parou na frente de um dos quartos. Sabendo o porque que ela estava fazendo isso, Sho e Kyoko travaram uma guerra de olhares mortal onde, mesmo sem trocar uma palavra, quem olhasse poderia ver faíscas voando.

    “Conte para ela, Shotaro! Foi você quem fez a besteira em primeiro lugar!”, exclamou Kyoko em pensamento.

    “Nem pensar! Eu não posso magoá-la, Kyoko!”, respondeu ele na defensiva.

   “Faça logo, Shotaro, antes que...”, a menina nem teve a chance de dizer a última palavra quando Maria disse a única coisa que eles não queriam ouvir.

     - Bem, já que vocês já estão juntos a tanto tempo, o pai de Sho e eu conversamos e... – ela abre a porta do quarto – resolvemos oferecer uma oferta de paz. Estamos tão felizes por vocês dois! – ela entra no quarto, seguida por Sho e Kyoko.

   - Nunc a entendemos porquê vocês fugiram. – continua ela – Nós apoiaríamos o amor de vocês sem problemas. – a mulher pisca para Kyoko – Falando a verdade, sempre quis que você fosse minha nora...

     Esse é o problema da ignorância: você revela sua opinião sem saber se ela realmente se concretizaram ou não. Os pais de Sho achavam que eles haviam fugido juntos por serem amantes proibidos, não porque Sho não queria a vida que planejaram para ele. E agora, por causa dessa ilusão, os dois acabaram assim, perdidos em mentiras, não querendo magoar aqueles que os amavam.

      A expressão de Maria murchou quando se lembrou do porque os dois haviam vindo.

     - Além do mais, acho que a Kyoko-chan vai precisar de você agora, filho. – nesse momento, ela se referia a Sho. Sem aviso, ela deu mais um abraço rápido na menina e se dirigiu rapidamente a saída. – O velório vai começar daqui a meia hora. Espero vocês lá no jardim. – antes de sair, ela olha para Kyoko – Não se preocupe com nada, viu, querida. Nós já cuidamos de tudo.

    A garota apenas respondeu com um sorriso débil antes que Maria fechasse a porta. Quando ela se foi, os dois suspiraram pesadamente.

       - O que vamos fazer agora? – perguntou ela enquanto colocava a mala em cima da cama.

       - Você eu não sei, mas eu vou para o meu antigo quarto. Pode dormir aqui se quiser. – respondeu o cantor de forma arrogante.

     Só de olhar para a cama de casal, Kyoko corou por inteiro. Ela não sabia o porquê, mas algo naquela situação a fazia lembrar de Setsu e Cain.

     - Faça o que quiser, então. – disse com a voz carregada de desprezo.

    O cantor apenas a ignorou e foi embora, deixando-a sozinha. Diligentemente, a garota se pôs a desfazer a mala. Ainda teria um dia longo pela frente.

                                             *******************************

      O velório seguiu como um borrão negro e choroso. Pessoas que Kyoko nem conhecia vieram lhe dar os pêsames e abraçaram-na mais vezes do que poderia contar, mas ela ainda se sentia só vazia. Estava triste, sim, mas o pior já tinha passado.

   Quando jogou a primeira flor na cova de sua mãe antes de enterra-la definitivamente, sentiu que aquele era o adeus definitivo. A despedida de alguém com quem não compartilhara nenhuma memória boa, mas cuja presença ainda lhe aparecia doce nas lembranças. Mesmo que sua mãe não estivesse ali para confirmar, ela ainda daria orgulho a ela. Kyoko tinha certeza disso.

    Depois de tudo, já era tarde da noite. Ela estava cansada, mas não conseguia dormir. Faltava alguém ali, alguém daquele passado que era a única coisa que ela queria guardar para sempre. Antes que pudesse evitar, um pequeno chamado saiu de seus lábios.

    “Corn, cadê você?”

                                                  ***********************************

      Quando Ren chegou a Kyoto, já pelas nove da noite, estava desesperado para encontrar Kyoko. Inquieto, andou por toda a cidade até achar a pousada dos Fuwa, onde se hospedou discretamente. Para a sua surpresa, não houve qualquer contratempo que o atrapalhasse como fãs enlouquecidas ou um paparazzi inconveniente.

    Quando finalmente deixou a máscara de Tsuruga Ren e tornou-se Kuon, percebeu o quanto sentia falta de ser ele mesmo. Os cabelos loiros haviam crescido um pouco desde a última vez, mas ele ainda assim parecia o mesmo de anos atrás, quando era aquele garotinho cheio de problemas. Estava na hora de encontrar sua companheira que o ajudara na resolução deles.

      Ele a encontrou em um dos quartos de casal da pousada, o que o fez estranhar. Só de pensar que estava acompanhada por aquela pessoa já fazia o sangue dele ferver. Mas, quando viu que estava sozinha, deixou tudo de lado. Ela estava bem longe e segura daquele idiota Fuwa Sho, assim como deveria ser.

     Não resistindo, pulou pela janela que estava aberta, fazendo uma Kyoko semiadormecida se sobressaltar. Porém, para a surpresa dele, assim que ela o reconheceu, pulou da cama para o seus braços.

      - Você veio, Corn. Você realmente veio. – ela parecia muito agradecida e feliz, o que fez o coração do ator bater mais rápido. – Obrigada.

      Separando o abraço, Ren – ou melhor, Kuon – a fez olhar em seus olhos sustentando seu queixo.

      - Eu não prometi que te encontraria, Kyoko-chan? Nunca duvide de minhas promessas.

     Ela o abraça de novo, dessa vez quase subindo em cima do ator. – Eu sei, desculpa. Mas eu senti tanto a sua falta! Como você está?

     Ele sorri. – Eu estou bem, princesa. Mas e você? As fadas mensageiras me disseram que você perdeu uma coisa muito importante para você.

      Os dois se separaram, mas ela ainda continuou sentada no colo dele inocentemente, como se ainda fossem duas crianças. Kyoko ficou cabisbaixa por um momento, mas depois deu um sorriso triste.

     - Minha mãe faleceu, Corn. E eu não tive nem a chance de agradá-la, nem sequer uma vez. – sua voz era séria e machucada, mas ainda assim confiante.

    Kuon sabia que ela já havia superado a morte da mãe do seu jeito, conseguindo se reerguer com suas próprias forças. Isso só fez com que ele a admirasse ainda mais.

    - Meus pêsames, pequena. – disse enquanto tirava uma mecha de cabelo do olho da menina.

   Antes que percebesse, as palavras saltaram de seus lábios.

  - Posso passar a noite aqui com você, Kyoko-chan? – quando recebeu um olhar assustado da garota, tratou de inventar uma desculpa – É que o mundo das fadas é meio longe e já está tarde e eu não tenho para onde ir. Posso ficar aqui?

    Kyoko corou e desviou o olhar, mas assentiu.

   - Obrigada. – como resposta ele a abraçou novamente.

    Mesmo tendo comido bem no almoço, o ator se sentia muito cansado. Percebendo isso, abruptamente a garota se levantou e saiu do quarto correndo, sem mesmo olhar para trás. Ao voltar, trás consigo uma bandeja repleta de doces da pousada, provavelmente feitos pela mãe de Sho. Mesmo claramente com vergonha, ela estende um para Kuon.

     - Coma, vai te fazer bem. –recomenda ela.

    Ele aceitou com satisfação, um sorriso brincando no rosto.

    - Obrigado, princesa.

    Quando ele acabou de comer, não pode evitar bocejar audivelmente. Já estava tarde afinal de contas. Quando viu, a garota estava puxando-o para a cama.

     - Deite. – disse ela.

    Ele apenas obedece, deitando com cuidado. Antes que os dois percebessem, a cabeça de Kuon estava no colo de Kyoko e esta estava brincando com as madeixas de seu cabelo. Ela se sentia tão em paz...

      - Kyoko-chan? – chamou ele de olhos fechados.

      - Uh?

      - Cante para mim, por favor. – pediu de uma forma fofa, com sua melhor carinha de cachorrinho – Soube que você tem uma voz muito bonita.

       - Obrigada, mas... – ela esta muito envergonhada.

      Os olhinhos de cachorro aumentaram.

      - Por favor.

      Frustrada, se viu de mãos atadas. – Tudo bem, eu canto.

     Em homenagem a sua mãe, a música que escolheu era aquela que ela costumava ouvir quando era criança. Era melancólica, mas muito bonita. Kuon, adormecendo nos braços de Kyoko, só ouvia. Ouviu quando ela cantou com todo o seu coração, quando começou a desafinar, quando começou a chorar. Ela precisava disso.

   Antes de cair no sono, Kyoko beijou de leve a testa do ator como um agradecimento. Adormeceu se perguntando o que acontecera no céu para deixarem uma fada ser seu anjo da guarda. 


Notas Finais


Bem, pessoal, espero que tenham gostado. No próximo capítulo, vou trazer novidades mirabolantes (risadinha maléfica)...
Então, é isso! Até a próxima, gente. Beijos!


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