História Sky Forest - A Deeply Love - Capítulo 27


Escrita por: ~

Postado
Categorias The 100
Personagens Bellamy Blake, Clarke Griffin, Dra. Abigail "Abby" Griffin, Lexa, Lincoln, Octavia Blake, Personagens Originais, Raven Reyes
Tags Clarke, The100
Exibições 702
Palavras 4.821
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: FemmeSlash, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Hey Clexinhas, TO DE VOLTAAAA!

Sentiram saudades de Sky Forest? Desculpem a demora a atualizar mas como sabem tava mega enrolada.

Preparadas para os tombos?

Boa leitura e nos vemos no final :)

Capítulo 27 - CHAPTER 26 - THE ENEMY IS BETWEEN US


Fanfic / Fanfiction Sky Forest - A Deeply Love - Capítulo 27 - CHAPTER 26 - THE ENEMY IS BETWEEN US

            

                Um rastro de luz em tom alaranjado começava a surgir no horizonte indicando que em pouco tempo amanheceria. De minha cama eu podia ver pela varanda a beleza do contraste entre o azul ainda anil do céu e o brilho do sol que surgia sorrateiramente, misturando suas cores em perfeita harmonia como se um pintor estivesse delicadamente compondo aquela imagem em um quadro branco.

                A paisagem perfeita era um convite a paz interior que tocava a alma diante da beleza indiscutível da natureza. Quão irônico era pensar que ao desviar meus olhos para a beleza angelical do rosto de Lexa meu coração apenas acelerava descontroladamente e nada era capaz de acalmá-lo, nem mesmo o nascer do sol que aos poucos iluminava Polis.

                As discretas frechas de luz que começavam a adentrar o quarto, tocavam seu rosto sereno e adormecido dando a sua pele levemente morena um tom quase perolado. Os cachos castanhos escuros e abertos espalhados ao redor de seu travesseiro, agora tinham as pontas em tom de loiro pelo reflexo do sol. A boca carnuda, que me peguei desejando incessantemente beijar outra vez, estava levemente entre aberta e ao aproximar meu rosto ainda mais do dela, fechei os olhos brevemente quando seu hálito quente tocou minha face e me aqueceu. Os cílios longos tremiam levemente como se ela tivesse sonhando com algo. Por um momento, desejei que o tempo parasse. Que o sol não nascesse e apenas mantivesse o horizonte pintado em multicores enquanto eu contemplava a beleza perfeita da mulher ao meu lado.

                Lexa era o quadro mais lindo que havia na terra.

                Eu ainda estava na mesma posição em que havia adormecido nos braços dela. Meu corpo estava de lado, minha perna direita flexionada por cima de sua coxa esquerda e minha cabeça deitada em seu ombro, bem perto de seu rosto. Deixei que meu coração, que batia violentamente, guiasse meu corpo e me fizesse esquecer que em poucas horas os inimigos estariam dentro de Polis ameaçando destruir a única coisa valiosa que eu tinha.

                Minha mão elevou-se até o rosto angelical de Lexa, colocando delicadamente uma mecha castanho dourada de seu cabelo atrás de sua orelha. Ela suspirou, um pouco mais forte, como se identificasse meu toque mesmo estando aparentemente em um estado de sono profundo. Meu polegar acariciou a maça do seu rosto e sua pele macia e quente enviou uma corrente elétrica através de meus dedos fazendo com que ela percorresse todo meu corpo. Tudo que havia em mim reagia a Lexa em um grau de intensidade que ainda me assustava. Qualquer coisa que viesse dela, fosse um pequeno sorriso de canto, um toque, um olhar ou apenas sua beleza eram o bastante para me lembrar que a cada dia que passava eu era mais dela e menos minha.

                E isso ainda me assustava, porque ao mesmo tempo em que eu queria protege-la do mundo e tê-la comigo para sempre, sabia que era impossível ter certeza que as coisas seriam assim. Lexa era, antes de qualquer coisa, Comandante dos Treze Clãs e não podíamos fugir disso. Fugir de um destino, que parecia ter sido traçado para ela desde de seu nascimento e que não tínhamos ideia de onde nos levaria e como chegaríamos lá. A única certeza que eu tinha é que iria até o fim nessa jornada ao lado dela, independente do que poderia acontecer comigo. Eu a protegeria, como ela me protegia.

                Aproximei meu rosto de Lexa e fechei meus olhos, enquanto deixei que meus lábios tocassem delicadamente os seus apenas para que eu memorizasse novamente o gosto único que eles tinham. Meus lábios fecharam-se encostados aos dela enquanto meu polegar permanecia acariciando seu rosto. Preocupei-me que ambos os gestos fossem o mais delicado possível, pois eu não queria acordá-la. No entanto, ao abrir meus olhos alguns segundos depois do beijo, senti meu coração tentar quebrar minhas costelas em descontrole, quando os olhos que eu tanto amava me encaravam serenos e num tom de verde tão cristalino que pareciam dois espelhos onde minha alma se refletia.

                Lexa apenas me olhou, como se lesse meus pensamentos mais íntimos. Seu olhar parecia me perfurar por inteiro desvendando meus segredos mais ocultos, até aqueles que eu ainda não havia tido coragem de confessar a ela. E então, ainda mantendo o silêncio, seus lábios abriram-se lentamente em um sorriso de canto tão doce e significativo que fez meu corpo explodir. Poderiam passar-se anos e acho que eu ainda não me acostumaria com o fato de que ela fazia os gestos mais simples tornarem-se os mais grandiosos. Um sorriso singelo era como um sorriso largo daqueles que rasgam a face, porque não apenas seus lábios sorriam, mas seus olhos também. Eles trabalhavam em uma harmonia tão intensa, que se assemelhavam ao azul do céu e o dourado do sol que ainda se misturavam no horizonte ao nosso redor, tornando-se um.

                - Eu passei a vida inteira aprendendo sobre a natureza e havia uma coisa que sempre me intrigou – Lexa começou a falar em sussurro e senti todo meu corpo vibrar mantendo toda minha atenção ao que ela dizia enquanto sua mão delicadamente acariciava meu rosto – O fato de que o céu é tão infinito e soberano quanto a terra, mas ainda assim não podemos tocá-lo, apenas venerá-lo.

                Ela colocou uma mecha do meu cabelo atrás da orelha e meus olhos fecharam-se instantaneamente em resposta a seu toque delicado, para abrirem em seguida.

                - Até que um dia rastros de fogo cortaram o céu e atingiram a terra nos deixando pensar que talvez as duas maiores forças do universo, o céu e a floresta, estariam brigando entre si – Seu polegar acariciou meu lábio inferior e tentei me concentrar em respirar - Vocês estavam lá, perto do que era intocável aos nossos olhos, vivendo junto as estrelas e a lua. E por muito tempo meu povo os viu como uma ameaça a Trimani. Os enviados do céu que queriam tomar a terra para si.

                Meu coração batia nervoso no peito diante das palavras de Lexa. Pela primeira vez ela falava de sentimentos profundos me mostrando um lado da divergência entre nossos povos que eu desconhecia. O fato de que o céu também era uma divindade que eles não entendiam. O fato de que humanos caídos do céu pareciam ser apenas uma ameaça para os grounders.

- E então eu te vi. Você entrou naquela tenda determinada a uma aliança. Fiz de tudo para demonstrar a força de Trimani que era confiada a mim no nosso primeiro encontro. Me lembro de que quando olhei seus olhos brilharem em um tom de azul hipnotizante, senti como se as estrelas estivessem pela primeira vez ao meu alcance.

Sorri, sentindo o sorriso rasgar meu rosto sem piedade. Sentindo meus olhos brilharem e umedecerem com as lágrimas que se formaram quando os sentimentos de Lexa ganhavam vida em suas palavras.

- Eu vi sua força Clarke dos que vieram do céu. Vi sua bondade. Vi como você era capaz de se sacrificar pelas pessoas. Aos poucos você me fez perceber que o céu e a terra nunca foram inimigos. Eles eram iguais, assim como eu e você, líderes de nosso povo.  E quando você enfrentou Pauna, a maior força de Trimani apenas para me salvar eu compreendi que sua maior força estava bem aqui. Lexa tocou suavemente meu peito e meu coração chocava-se com tanta força contra a palma da mão dela que pensei que a qualquer momento ele paralisaria junto com minha respiração. Nossos olhares pareciam se fundir e senti quando uma lágrima escorreu pela minha face tornando real toda emoção que transbordava em mim.

                “Eu estava errada sobre você Clarke. Seu coração não mostra nenhum sinal de fraqueza”

                A frase que Lexa havia me dito naquele dia ecoou na minha memória, recordando-me de como fiquei nervosa ao olhar seus olhos verdes tão sinceros e desarmados. Sorri ainda mais, sentindo outra lágrima descer pelo meu rosto enquanto Lexa as limpava carinhosamente. O quarto já estava mais claro, indicando que já devia estar quase amanhecendo, mas tudo que me importava estava ali, bem a minha frente. Não havia espaço para guerras, preocupações ou medos. Havia apenas Lexa e eu.

                - Eu compreendi que Trimani te trouxe até mim para lembrar que nossa maior força está em nosso coração. Você me faz forte Clarke dos que vieram do céu. E quando eu tive que te deixar em Mount Weather era como se novamente o céu passasse a ser intocável. Era como se você voltasse a ser aquela estrela que eu apenas podia adorar de longe e estava quase aceitando o fato de que era esse o meu destino até que...

                - Trimani nos uniu de novo... minhas palavras saíram em sussurro, exteriorizando meu pensamento e completando a frase de Lexa. Ela assentiu com um sorriso singelo e me acariciou novamente com o polegar.

                - É nosso destino ficarmos juntas Clarke. Tornar nosso povo um. Tornar o universo uma só força. Agora eu sei disso e por isso não quero que tenha medo. Independente de qual seja nosso destino não deixarei que você seja intocável de novo.

                As lágrimas voltaram a cair pelo meu rosto e não havia a menor intenção de controla-las. Elas eram a prova da felicidade que me rasgava por dentro enquanto eu ouvia a mulher que por quem meu coração batia falar tão sinceramente sobre seus sentimentos. Era muito mais do que eu imaginava. Era como se eu pudesse tocar aquele sentimento esmagador pela primeira vez.

                - Você ainda acredita que o amor é fraqueza? Perguntei, olhando no fundo dos seus olhos e vi Lexa me encarar de volta, com uma adoração tão grande que fazia meu coração aquecer.

                - Como eu poderia? Como eu poderia acreditar nisso, quando me sinto a pessoa mais forte do mundo quando estou com você?

                Tentei respirar ou apenas me concentrar em qualquer coisa que segurasse minha sanidade, mas meu corpo parecia ter flutuado para um mundo paralelo onde só existiam nossos sentimentos. Era a hora de deixar que eles se libertassem, finalmente.

                - Você quer dizer que....

                - Que eu me apaixonei por você, Clarke.

                Os olhos verdes e translúcidos de Lexa apenas reafirmaram o que suas palavras haviam me dito enquanto eu sorri novamente. Meu coração parecia ter encontrado seu lugar ali nos olhos dela onde não havia nenhum perigo ou incerteza. Onde o mundo era um lugar melhor onde podíamos viver em paz. A felicidade plena explodiu em cada célula no meu corpo e parecia esvair-se por entre meus poros.

                - Eu também me apaixonei por você, Comandante.

                Deixei as palavras saírem e observei um sorriso novo e genuíno tomar o rosto de Lexa que aos poucos me mostrava um lado ainda mais apaixonante, seu lado mulher. Uma mulher que a cada dia me fazia sentir a coisa mais valiosa do mundo e me fazia ter esperança de que um dia finalmente poderíamos viver juntas de fato.

                E antes que eu pensasse em dizer qualquer coisa seus lábios tomaram os meus, deixando a corrente elétrica percorrer todo meu corpo e me fazendo sentir viva. Sua boca macia moldava-se a minha, em um encaixe perfeito que não deixava dúvidas de que estávamos no lugar certo. Era como se o universo nos lembrasse que tudo que nós passamos nos trouxe a esse momento.

                Os inimigos estariam em Polis há qualquer momento, mas nada seria capaz de quebrar a fortaleza em nosso coração. Nada seria capaz de deixa-lo fraco ou de fazê-lo sucumbir.

                Éramos fortes juntas, assim como o céu e a terra.

 

                ***

 

                O sol agora brilhava intensamente e apesar da ansiedade pelo que viria não havia mais medo em meu coração. Sentia-me forte como nunca antes. Minha decisão de permanecer junto a Lexa tinha sido a escolha certa para mim e de alguma forma sentia que também era o certo para nosso povo. Eu estava onde deveria estar. Onde Trimani me trouxe e onde a minha força estava. Não importa o quão difícil fosse, lutaríamos até o final.

                A cidade parecia mais agitada que o normal, mas sabíamos que isso ainda não tinha haver com a presença de nossos inimigos. O povo estava alheio ao que acontecia na torre e seguiam suas vidas em harmonia até que a verdade chegasse até eles. Os arqueiros se agitaram em cima da torre e meu coração acelerou outra vez. Lexa veio até mim, já em seu traje de guerra para ir ao encontro de Titus. Ela segurou meu rosto entre as mãos e ficamos apenas nos olhando em silêncio por um tempo até que seus lábios preencheram os meus com delicadeza e deixamos um selinho demorado e carinhoso nos aquecer.

                - Prometa-me que quando eu estiver longe irá tomar cuidado. Fique perto de Aden a todo momento e jamais fique sozinha com Nia ou Ontari.

                Assenti beijando-a outra vez.

                - Não se preocupe comigo. Vou ficar bem. Apenas tome cuidado também.

                - Assim que possível nós nos veremos novamente Clarke.

                Lexa beijou novamente meus lábios e saiu do quarto, deixando-me pensativa. Suspirei desejando que tudo acabasse logo e lembrando que eu precisava mais do que nunca ser Wanheda. Olhei pela última vez da sacada da varanda o pátio ganhar vida na agitação rotineira dos habitantes que ainda permaneciam alheios ao que estava para acontecer. Vi quando os arqueiros se agitaram nas torres e alguns cavalos aproximaram-se do portão central.

E quando os portões de Polis se abriram o inimigo finalmente mostrou sua face, criando forma sob meus olhos.

***

 

                A sala do trono estava imersa em uma atmosfera pesada e tensa, escondida sob um silêncio que ninguém ousava quebrar. Os membros do conselho dos treze clãs do qual eu fazia parte, estavam sentados em suas cadeiras espalhados de ambos os lados do longo corredor até o trono de Heda e talvez nenhum deles fosse confiável.

                Lexa estava sentada ao trono, com Titus e Gaius posicionados um de cada lado e Aden logo atrás deles. Roan estava de pé ao fundo da sala juntos com alguns guerreiros de Polis e outros clãs que acompanhavam seus embaixadores. Meu coração batia em ansiedade do que estava por vir. Apertei minhas mãos uma na outra tentando buscar a calma que havia perdido e olhei para Lexa que permanecia olhando fixamente para a porta da sala à espera da Rainha do Gelo. Por um momento me permiti imaginar quantas coisas ela poderia estar pensando ou sentindo quando estava prestes a encarar de frente sua maior inimiga. A mulher que havia matado Costia friamente, que ameaçava a aliança entre os clãs e queria me matar. Senti uma admiração ainda maior pela força de Lexa crescer em meu peito naquele momento.

                Os olhos verdes em um tom mais escuro desviaram-se para mim ligeiramente, sem que seu rosto se movesse. Ela assentiu quase que de maneira imperceptível e retribui tendo a certeza que tudo que havíamos dito uma para outra ainda permanecia vivo em nossas mentes e corações. Meus pensamentos foram quebrados pela voz de Lexa que se dirigiu aos embaixadores dos Treze Clãs.

                - Embaixadores da aliança, hoje honraremos nosso pacto. Aquele que estiver contra um de nós, estará contra todos nós.

                Titus apontou para a porta da sala do trono, assim que Lexa terminou de falar e senti meu coração apertar sabendo que havia chegado a hora. O inimigo estaria próximo de nós e parte de mim temia que algo desse errado e Lexa ficasse em perigo.

                - Tragam a acusada. Titus ordenou e o som da grande porta de madeira se abrindo finalmente foi ouvido, fazendo com que todas as pessoas presentes na sala voltassem sua atenção para a entrada da sala do trono.

                A Rainha da Nação do Gelo adentrou o corredor sendo escoltada por dois soldados de Polis e apesar de estar algemada e sendo acusada, seu olhar era gélido, raivoso e superior. Os olhos azuis da mulher alta e loira examinaram toda a sala conforme ela adentrava o espaço. A grande cicatriz em sua testa, os cabelos presos em coque e as vestes de rainha em cor cinza realçavam a imponência e o perigo que ela exalava. Os embaixadores a encaravam praticamente imóveis, assim como Roan e todos os outros presentes na sala.

                Quando a rainha se aproximou do centro da sala, o olhar quase assassino da mulher recaiu sobre mim e senti um arrepio frio percorrer minha espinha. A frieza com que ela me olhou e o sorriso mórbido e superior que me deferiu, demonstrou-me o que eu já imaginava. Nia sabia da minha presença em Polis e o desejo de me matar ainda corria em suas veias sendo quase palpável. Serrei meu punho, lembrando que ali eu era Wanheda e embaixadora dos Shaikru. Lembrando que eu era forte por que tinha Lexa. Devolvi o olhar a mulher colocando toda raiva que eu tinha dela para fora, por tudo que fez e ainda fazia contra Lexa e contra a paz. Nos encaramos alguns segundos, travando uma batalha real e silenciosa que eu sabia que estava apenas começando.

                Os soldados a jogaram bruscamente ao chão, fazendo com que a mulher caísse de joelhos diante de Lexa. Ainda assim, era como se ela tivesse de pé. Não havia temor em seu olhar ou qualquer respeito por sua comandante. Nia era tudo aquilo que diziam dela, o que a tornava tão perigosa quanto uma cobra venenosa. Observei quando Lexa e Nia agora travavam sua própria batalha. A raiva e a luta estampada em seus olhos. Titus deu alguns passos à frente e começou o julgamento.

                - A Rainha Nia de Azgeda é acusada de quebrar o tratado da aliança entre os clãs, colocando seu exército na fronteira proibida de nossa capital para tentar matar Wanheda e tomar seu poder e o trono de Polis, indo contra sua comandante. Seus atos puseram em risco a aliança de paz entre nossos povos e vão contra a lei de Trimani. Wanheda, você confirma a acusação?

Titus voltou-se para mim e respirei fundo, concentrando-me para que minha voz ecoasse firme e imponente. Encarei a rainha, com toda frieza que pude emitir e ela mantinha o olhar soberbo sobre mim, como senão pudesse abalar-se com nada.

- Sim. Dois guerreiros da Nação do Gelo tentaram me matar e fugi do exército de Azgeda que estava próximo a Polis. Os assassinos sempre deixaram claro que a Rainha queria meu poder.

- Diante das acusações, você confessa seu crime Rainha de Azgeda? Titus indagou a mulher. Nia olhou mais uma vez em minha direção e sorriu maleficamente.

- A Nação do Gelo não responde a ela. Suas palavras saíram frias e debochadas e por um momento lembrei-me do representante de Azgeda que Lexa havia jogado da sacada da sala. Eles tinham todos a mesma postura, como se não se importassem com nada que fosse além de seus próprios interesses. Olhei rapidamente para Roan que encarava a mãe com a mesma frieza, mas também com raiva. O príncipe parecia imerso em seus próprios fantasmas e parte de mim sentiu por ele. Ter uma mulher como Nia como mãe era um castigo lastimável.

- Calada! Titus ordenou e a mulher voltou seu olhar raivoso para ele – A Lei de aliança e de Trimani não podem ser quebradas. A punição para o seu crime é a morte! Tem algo a dizer em sua defesa?

- Não preciso me defender, mas ela sim – Nia apontou para Lexa e meu coração apertou no peito, como se estivesse sendo esmagado. Lexa a olhava sem piscar, como se controlasse a vontade de matá-la friamente – Hoje é o dia do julgamento - Nia levantou-se e um murmurinho entre os presentes ecoou na sala do trono.

- Convoco uma votação de desonra!

A rainha praticamente gritou pela sala e todos calaram-se novamente. Olhei para Lexa, que permanecia imóvel. Nós sabíamos que Nia tentaria destroná-la e Lexa a levaria ao desafio. No entanto, por um momento, temi que tudo desse errado e que a vida da mulher por quem eu respirava estivesse ameaçada. Meu peito estava apertado e inquieto. Puxei o ar com força tentando respirar diante das batidas frenéticas em meu peito que ecoavam em meus ouvidos.

- Levem esta rainha ao destino dela! Titus ordenou tentando impedir o que estava para acontecer. Em meu íntimo nutri a esperança que estivéssemos errados sobre os embaixadores. Que eles não trairiam Lexa e tudo aquilo terminaria ali.

Minhas esperanças esvaíram-se, cessando antes mesmo de brotar em meu peito, quando um dos embaixadores, um homem velho e com uma enorme barba branca, se levantou de seu acento e dirigiu-se ao guardião da comandante.

- Não tão rápido! Disse o embaixador, fazendo brotar um sorriso soberbo nos lábios da Rainha.

Foi ali que eu soube que não havia mais volta.

Lexa sempre esteve certa.

Ela seria traída por seus próprios embaixadores.

Traída por aqueles que lhe juraram fidelidade e que viviam em paz graças a ela.

- Comandante, não mais!

O embaixador pronunciou e em seguida todos os outros foram se levantando do trono, um após um, repetindo a mesma frase, enquanto a rainha sorria e Lexa encarava todos ainda imóvel.

“Comandante, não mais! ” Eles continuavam dizendo.

Minha cabeça girava e meu peito estava apertado e inquieto enquanto me vi confusa e perdida sobre o que estava acontecendo. O medo de que os planos de Lexa não estivessem dando certo me consumiu. Se Nia conseguisse ela seria Heda, mataria Lexa e eu e mataria todo meu povo.

- LEVEM TODOS ELES! Titus ordenou, tentando desesperadamente parar a reação dos embaixadores contra sua comandante. Apertei o braço da cadeira, desejando com todas as minhas forças que aquilo parasse. Me matava ver a mulher mais forte e íntegra que eu conhecia, ser traída em frente a meus olhos.

- Esperem! Lexa ordenou, impedindo que os soldados levassem a rainha e fazendo meu coração disparar.

- Lexa execute esses traidores! Titus pediu, mas a comandante apenas elevou sua mão para que ele se calasse.

- Deixe-a agir! Ela ordenou.

Nia estava prestes a ser levada e executada, no entanto, Lexa impediu querendo que ela prosseguisse com sua tentativa de destrona-la. Por um momento, esqueci que havia algo maior por trás de tudo aquilo. Havia o motim que não foi pronunciado nas acusações propositalmente e que juntava o exército dos doze clãs contra Polis. Havia a ameaça de guerra e o fato de que minha mãe ainda estava chegando a Arkadia. Havia o fato de que ainda não éramos fortes o bastante para vencer a Rainha de Azgeda. O tempo estava contra nós e precisamos colocá-lo a nosso favor.

Lexa sabia disso e por isso ela não deixou que a mulher morresse. Por mais que eu a admirasse não podia deixar de lembrar que ao mesmo tempo ela estava se sacrificando e correndo risco de morrer. Com o gesto de Lexa, os demais embaixadores continuaram se levantando e repetindo a frase contra ela, até que só sobrasse apenas eu sentada.

- Comandante, o que é isso? Perguntei ainda meio confusa com tudo que estava acontecendo.

- Um golpe. Lexa respondeu sem tirar os olhos de Nia.

- Isso é a lei, a lei que a rege! A rainha interrompeu olhando para mim vitoriosa e segura de si - A unanimidade dos embaixadores ou a morte são as únicas coisas que destronam um comandante.

- Não é unânime! Respondi com raiva.

- Não reconhecemos a legitimidade dos que vieram do céu! Ela disse com ódio, encarando-me novamente.

- Mas nós reconhecemos! Titus respondeu – Os Shaikru foram marcados em uma cerimônia oficial e com acordo de todos os membros aqui presentes. Eles são o 13º Clã. Essa votação falhou! Todos esses traidores vão sofrer o mesmo destino da Rainha! O homem apontou para todos os embaixadores, que se encolheram diante da ameaça do guardião como se estivessem arrependidos por apoiar a rainha.

Por um acaso eles acharam que eu trairia Lexa?

- Ela não nos matará porque ela sabe que nossos exércitos atacariam Polis – Nia começou encarando Lexa – Nenhum de nós aqui quer uma guerra.

- Nós duas sabemos o que você quer Nia. Lexa pronunciou-se pela primeira vez chamando atenção de todos.

A comandante levantou-se do trono, caminhando soberana com o queixo erguido e o olhar cortante na direção da rainha. Vi quando Nia engoliu em seco, encarando Lexa que agora estava a poucos centímetros de distância dela. Senti meu coração batendo ainda mais rápido enquanto eu observava o embate entre elas. O tempo continuava contra nós e se Nia não aceitasse o desafio tudo estaria perdido.

- Se não acha que sirvo para ser comandante, lance o desafio e iremos executá-lo. A voz de Lexa soou cortante e intimidadora, atacando diretamente o orgulho da rainha.

- Muito bem. Então está desafiada!

- E eu aceito seu desafio!

Uma mistura de alívio e medo tomou conta de mim. A Rainha havia mordido a isca e agora teríamos tempo para montar nossa defesa e tentar evitar a guerra entre os clãs. Ao mesmo tempo, isso significava que Lexa teria que lutar e sua vida estava em perigo. Minha vontade era levantar daquele assento e impedir que tudo aquilo prosseguisse, mas não havia nada que eu pudesse fazer a não ser apoiar minha mulher e lutar ao lado dela.

- Que assim seja! Titus disse – Ao combate! Guerreiro contra guerreiro até a morte!

Um silêncio se fez presente na sala com as palavras do guardião e meu peito novamente apertou, como se fosse esmagado sem piedade, quando a confirmação de que apenas um sairia vivo foi feita. E seria Lexa. Tinha que ser Lexa.

- Rainha de Azgeda, quem você escolhe para ser seu campeão?

Titus indagou a mulher que sorriu em soberba e segurança. A postura de Nia era de alguém que não temia nada daquilo, como se seu campeão não pudesse ser derrotado.

- Minha guardiã, Ontari, futura rainha de Azgeda.

Um murmurinho ecoou novamente e uma mulher morena de cabelos longos, estatura mediada, corpo atlético e uma maldade no olhar ainda mais forte que a de Nia surgiu entre os que assistiam à reunião. Meus olhos encontraram-se rapidamente com Roan e lembrei de suas palavras dizendo que Ontari era muito mais perigosa que a rainha e a melhor guerreira de Azgeda. Meu coração gelou por um instante e meus músculos paralisaram. Se fosse Roan o desafiante teríamos alguém mais nobre e que independente de qualquer coisa ainda era aliado de Lexa. Alguém que poderíamos trazer para o nosso lado e evitar essa luta.

No entanto isso seria impossível com Ontari. Ela olhou para Lexa como se tivesse esperado a vida inteira pela chance de matá-la. Seu ódio era tão visível que chegava a ser palpável. Um arrepio frio percorreu minha espinha quando os olhos verdes da mulher me fitaram por um instante, num aviso silencioso de que me mataria. Encarei-a de volta com raiva, sentindo cada célula do meu corpo explodir. Não me importava quem ela era e o quanto treinou para aquilo.

Eu não deixaria que ela fizesse mal a Lexa.

Não deixaria que tocasse nela.

Se ela era a guerreira mais sanguinária de Azgeda, eu era Wanheda a Comandante da Morte e assassina da montanha.

- Heda, quem lutará por você?

Titus perguntou, interrompendo minha luta com Ontari enquanto nos olhávamos declarando uma guerra em que ela tentaria matar Lexa e eu tentaria protege-la.

E nem que eu perdesse minha vida permitiria que ela vencesse essa batalha.

Desviei meu olhar para Lexa, que caminhou em direção ao trono e sentou-se em seguida. Seu olhar soberano e imponente fitou todos a sua frente. Ali não havia nenhum resquício da mulher que a poucas horas atrás havia declarado seu amor para mim. Ali estava apenas a maior guerreira que já havia sentado no trono de Polis. A única a unir os treze clãs.

- Eu sou a comandante. Ninguém luta por mim!

E enquanto Nia e Ontari encaravam Lexa parecendo satisfeitas por ela resolver lutar, não sabiam que nada daquilo estava fora do alcance dela. A comandante que elas tanto desprezavam havia articulado minuciosamente cada evento que ocorreria naquela sala e ainda assim era forte o bastante para novamente carregar a responsabilidade do mundo nas suas costas.

Porque Lexa era especial.

A rainha poderia achar que era mais forte e tinha mais aliados. Poderia achar que quando Lexa disse que ninguém lutaria por ela estaria sozinha nessa guerra e seria fácil tomar seu trono.

Mas ela não estava sozinha.

Eu lutaria por ela.

Eu lutaria pela minha comandante. 


Notas Finais


E aí como estamos?

Eu particularmente me emocionei escrevendo a primeira parte entre Lexa e Clarke. É muito gratificante ver nossa menina Clarke ter evoluído tanto desde o primeiro capítulo e ver a Lexa voltando a querer ser mulher e não apenas Heda.
Espero que tenham gostado!

Agradeço ao carinho de todos me desejando sorte com meu TCC. Deu tudo certo. Não me canso de dizer nunca que vocês são as melhores leitoras que uma escritora poderia ter. Obrigada! Vocês moram no meu coração.

Ah, uma novidade, vem por aí um One Shot Elycia chamando "I Found Ma Gurl". Não tem data certa porque to escrevendo, mas tá ficando lindo e vai ser muitoooo grande, não se preocupem ok?

Deixem os coments por favor porque to com saudade de ver isso aqui lotado de comentário rs

Meu user no twitter mudou, agora é @writerbru. Quem ainda não me segue por favor siga.

Beijos e até a próxima! :)


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