História Skydive - Capítulo 6


Escrita por: ~

Postado
Categorias B.A.P, EXO
Exibições 50
Palavras 2.831
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Crossover, Drama (Tragédia), Luta, Romance e Novela, Suspense, Violência
Avisos: Álcool, Insinuação de sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 6 - Good Night


Todos passariam o resto da noite ali e eu não estaria no meio, estava cansada demais. Olhei em volta vendo Zelo com uma expressão óbvia de exaustão e fui até ele.

— Vem, eu te ajudo a ir pro quarto. — falei estendendo a mão para ele.

— Não vai aproveitar a noite comemorando com eles? — perguntou enquanto se apoiava em mim para caminhar.

— Não, já deu de comemorar por hoje, só quero um banho e depois dormir. — ele era mais alto do que eu e agradeci os saltos que ainda estava usando. Subimos até o andar dos quartos, peguei a chave em seu bolso e abri a porta.

— Você fica aqui com quem? — percebi três camas de solteiro e coisas espalhadas. 

— Himchan e Yongguk. — sentei-o na cama, tirando seu casaco.

— Eu te ajudo com as roupas, depois vai tomar um banho e refaço os curativos, amanhã você vai em um hospital só para garantir que está tudo bem. — e lá estava eu me preocupando outra vez, talvez fosse uma das qualidades da minha mãe que acabei herdando. Ela sempre ajudava as pessoas não importa o que acontecesse. E agora essa qualidade para ela, se tornou um defeito para mim. 

— Vendo você toda preocupada assim, nem parece que é uma assassina impiedosa. — dei um soco em seu braço, piscando. 

— Ei! Você tem muita força pra pouca garota, sabia? — riu, esfregando o braço. 

— Sim, eu sei. — levei as mãos até sua cintura, puxando a barra da camisa para cima, ajudando-o a tirá-la. 

— Não foi assim que eu imaginei você tirando minha roupa — balancei a cabeça, rindo baixo.  — Desculpa, devo estar meio bêbado. Culpa da vodka que você me deu.

— Era isso ou morrer de dor — lancei a camisa dentro de um cesto no canto do quarto. — Agora vai lá. 

— Sim, senhora. — bagunçou meu cabelo quando levantou, indo na direção do banheiro.

Aproveitei o momento em que Zelo trancou a porta para olhar o quarto. Dava para saber exatamente quais coisas eram de Zelo e quais eram de Himchan, qual cama era de Yongguk e quais eram dos outros meninos. Dei uma volta pelo quarto, deslizando a ponta dos dedos pelos móveis acomodados ali. A cama de Zelo era a única bagunçada, lençóis revirados, algumas camisetas espalhadas, cuecas no chão, meias e sapatos jogados ao lado da cama. Revirei os olhos, rindo ao ver aquilo já que ele não parecia ser alguém tão desorganizado. A cama de Himchan parecia intocada, nada em cima, nem ao lado dela e para falar a verdade, ele não parecia ser alguém que dormisse durante a noite ou em qualquer hora do dia. Passei para a cama de Yongguk e um breve sorriso se moldou em meu rosto. Dois pares de tênis encostados na lateral direita da cama, um casaco dobrado sobre o travesseiro, um conjunto de facas deixado na cômoda e algo que me fez sorrir, uma foto dele com todos os meninos na praia e uma com uma mulher já de idade que deveria ser sua mãe. Em ambas as fotos ele parecia diferente, parecia feliz, uma felicidade pura e real, com um sorriso sincero. Yongguk não parecia querer estar ali e ao mesmo tempo parecia nunca querer deixar esse mundo. Desfiz o olhar concentrado nas imagens quando a porta do banheiro abriu. 

— Você está de roupa? — perguntei ainda de costas para a porta.

— Estou, Sophie. — afirmou, segurando meu ombro para virar meu corpo.

— Ótimo. Agora senta na cama que vou refazer o curativo — fazendo o que pedi, Zelo sentou na cama com uma breve expressão de desconforto causada pelos pontos. Me ajoelhei em sua frente, pegando um pedaço de algodão umedecido com um remédio próprio para cicatrização que encontrei em uma das gavetas junto com uma dúzia de remédios. Algo comum para criminosos que preferiam evitar hospitais e dar um jeito sozinhos. Encostei com cuidado sobre o ferimento, limpando o local e coloquei uma gaze. — Pronto. 

— Por que você faz isso? — levantei a cabeça, fazendo nossos olhares se encontrarem. — Por que está nesse mundo? Você não sonhava com isso, nenhum de nós sonhávamos. 

— Eu não tive escolha — suspirei, sentando ao seu lado na cama. — Meu pai era da máfia. E minha mãe torcia para eu não seguir os passos dele, só que não deu certo. Eu conheci a Liz quando tínhamos dez anos, crescemos juntas e entramos nisso juntas — entrelacei minhas mãos, encarando-as — Eu queria ser médica e a Liz queria ser policial. Irônico, não é? — ri baixo, afundando o rosto entre minhas mãos — Meu pai também não queria que eu seguisse a mesma vida que ele, mas chegou em um momento que não pude evitar e ele também não pode, quando tentou me proteger, acabou morrendo. — suspirei profundamente, ajeitando a postura. — Todos aqui queríamos ser outra coisa, mas eu acredito em destino e eu não posso mudar o meu. 


— Todos que estão nesse lugar tiveram seus sonhos perdidos no meio do caminho e nos tornamos isso — sussurrou, virando o rosto para me olhar. — Esses somos nós e infelizmente não podemos mudar isso. Mas se você tiver a chance de deixar tudo isso de lado e viver uma vida normal, faça isso. Ninguém aguenta a possibilidade de perder as pessoas que importam para nós a qualquer segundo, todos os dias. 

— Ninguém aguenta, mas é o preço a pagar por sermos assim. —  inclinei a cabeça para o lado, encostando-a em seu ombro. 

— Nós deixamos essa conversar ir para um lado sério em. — rimos juntos enquanto nossos olhos encaravam o nada. 

Ficamos em silêncio por minutos, sem dizer mais nenhuma palavra e com o olhar perdido em algum ponto do quarto. Naquele momento ele deveria estar pensando em todas as coisas que poderia ter feito e deixou de fazer por ser um criminoso. Todos os encontros, beijos, amores, ilusões, desejos e todo o resto. Ficava cada vez mais difícil estar ali, eles eram pessoas que assim como eu tinham sonhos e tiverem eles arrancados de suas vidas quando ela seguiu um novo rumo. Começar a sentir enquanto estava perto deles era algo que me assustava. Aqueles garotos estavam criando ligações e afeto, permitindo que eu confiasse neles e recebendo minha confiança em troca. E eu estava com medo disso, medo de sentir algo por eles, medo de criar sentimentos e me importar, porque eu sabia que poderia perder qualquer um a qualquer momento e mesmo sendo familiarizada com a perda, a dor só piora com o passar do tempo. 

— Vamos fazer uma coisa? — me desfiz dos devaneios, focando a atenção em Zelo. 

— Que coisa? — perguntei curiosa. 

— Se apresentar um para o outro. Se apresentar de verdade. Sem nomes falsos e sem mentiras. Vai ser nosso segredo. — engoli um seco com a ideia do sem mentiras e forcei um sorriso. 

— Claro. — um sorriso animado se formou em seu rosto. 

— Choi Junhong. — falou, estendo a mão para me cumprimentar. 

— Perséfone Lockhart — segurei sua mão, cumprimentando-o. 

— Nome diferente em. — meneei a cabeça, concordando. 

— Minha mãe gostava de mitologia grega. — umedeci os lábios, prendendo o inferior entre os dentes. 

— Rainha do submundo. Que título em. — ele brincou, me abraçando de lado. 

— Não enche vai. — ri, mas logo parei ao ouvir a porta abrir e Liz surgir com um sorriso animado que se desfez ao ver eu e Zelo abraçados. 

— Liz! — levantei imediatamente, indo até ela. — Ainda estão todos na sala? 

— Ahn... Aham. — segurei sua mão e ela continuava a encarar Zelo. 

— Eu vou descer e você tenta descansar. — falei para ele, esticando a destra com o punho fechado para que ele desse um "soquinho". 

— Até depois, rainha. — ironizou, rindo fraco. 

— Se continuar com isso, juro que dou um soco nesse seu corte. — brinquei, entrelaçando os dedos aos de Liz enquanto saíamos do quarto. Olhei para ela e seus olhos estavam estáticos e sua expressão aparentava desanimo — O que houve? 

— Nada, não aconteceu nada. Eu vou pro quarto, tá bom? Estou cansada, até amanhã. — ela soltou nossas mãos, caminhando apressada. 

— Mas... — antes que eu pudesse terminar a frase Liz já estava entrando no quarto. Não sabia porque ela ficará estranha em segundos e nem iria insistir, então fui até o elevador. 

Ainda estava só de roupas íntimas e com o casaco longo que pendia na altura de meus joelhos. Encarei meu reflexo no espelho do elevador, passando o polegar em uma pequena mancha de sangue localizada em meu queixo. O batom estava um pouco desbotado, mas ainda presente, assim como a sombra escura em meus olhos. A porta do elevador abriu e quatro garotos entraram, os reconheci da outra noite, eram da gangue que Yongguk e Himchan tinham falado. Dois deles estavam bloqueando minha passagem e não consegui sair. Estávamos no andar da boate, então meus olhos seguiram na direção de algumas mesas e vi Yongguk conversando com Vernon, que tinha um sorriso irônico nos lábios quando seu olhar encontrou o meu. Yongguk percebeu que Vernon estava concentrado em outra coisa e seguiu seu olhar em direção ao elevador, correndo na nossa direção, mas as portas fecharam antes que ele pudesse entrar. 

— Então, o que vocês querem? — cruzei os braços, encostando a cabeça no espelho. 

— Informações. — um deles respondeu, apertando o botão que parava o elevador. 

— Okay. Mas antes, seria legal se apresentarem, por cortesia. — sorri, desembrulhando uma bala que acabará de tirar do bolso do casaco. 

— Jun, Hoshi, Joshua e DK. — o mesmo que respondeu minha pergunta anteriormente, se apresentou como Jun e em seguida indicou os outros garotos. 

— Sophie. Mas vocês já devem saber isso. — tamborilei os dedos contra meus braços ainda cruzados. 

— Sim, nós sabemos. Mas vamos parar de enrolação. Onde está o carregamento de drogas que vocês roubaram essa noite? — ri de maneira sarcástica ao ouvir a pergunta.

— Pergunta inválida. Desculpa, não posso respondê-la. — fui até o painel com os botões, acionando o elevador. 

— Resposta errada. — Jun puxou meu braço quando apertei o botão, virando-o para trás e me prensou contra a parede, forçando seu corpo contra o meu.

— Quanto cavalheirismo. — falei com dificuldade pelo fato de meu rosto estar contra a placa de metal que constituía as paredes do elevador. 

— Você é muito bonita e tenho certeza que não quer ficar com esse rostinho todo machucado. — não reconheci quem era pela voz, mas vi o reflexo contra o espelho reconhecendo-o como Hoshi. 

— Vão em frente. Não vou falar nada. — dei de ombros, pensando nas tentativas que seriam válidas no momento, mas eu estava desarmada e sozinha. 

— Esquece, Jun. Ela não vai falar e eu conheço o história dessa garota, ela não tem medo morrer defendendo o que acredita, nem de se machucar protegendo um segredo. — ri ao ouvir comentário de DK. 

— Mas olha, alguém fez o dever de casa. Investigou minha vida? Deixa eu adivinhar, falou com alguém que trabalhou comigo? Leu minhas mensagens? — brinquei como uma maneira de ganhar tempo, eles não perceberam que o botão de ativação do elevador estava ligado. 

— Você fala demais. Vamos tentar com a outra. — quando ouvi a última palavra, virei meu corpo em um gesto rápido, desferindo um chute contra seu estômago. 

— Nem ousem se aproximar da Liz, ou eu acabo com vocês usando minhas próprias mãos. — vociferei, sendo segurada por DK e Joshua no mesmo instante. 

— Eu até poderia ser cavalheiro e dizer que não bato em mulher. Mas nesse mundo ou você bate ou você apanha. — Jun sorriu, lançando o punho contra meu rosto. Senti o gosto amargo de sangue na lateral esquerda de meu lábio inferior. 

— É o melhor que você tem? — provoquei, deslizando a ponta da língua pelo corte. — Você são ladrões também. Por que não se viram e roubam alguém? Nós fizemos isso. 

— Chae Hyun era nosso. Tínhamos um combinado com Yongguk e ele não cumpriu. — por isso eu não gostava de trabalhar em grupo, eles vivem passando por cima um do outro. 

— Que pena em. — ouvi o som do elevador parando no andar da boate outra vez e assim que as portas abriram, Yongguk socou os garotos que me seguravam, me puxando para fora. 

— Vocês se meteram com a garota errada. Ela é uma de nós agora. Vão embora antes que eu meta uma bala na cabeça de vocês. E nunca mais apareçam aqui. Ou eu juro que o vermelho do sangue de vocês vai virar a nova cor do piso. — encarei ele por alguns segundos e fiquei surpresa em ver sua reação. Seu rosto estava vermelho de raiva e ele falava com tanta convicção e ódio que fariam qualquer um concordar com suas palavras e sair dali imediatamente. 

— CHEGA — gritei, me afastando de Yongguk. Fui até a mesa onde Vernon e o resto do bando ainda estavam e o puxei pela gola da camisa até a porta do elevador. — Não sei o qual é o problema de vocês. Mas eu estou cansada. Estou sem dormir direito a dias, tive que matar três homens em menos de cinco minutos, esses saltos estão me matando, levei um soco, me seguraram em um dia mais do que em toda a minha vida e tudo isso na droga de uma noite! Eu estou pouco me importando com a rixa boba de vocês. Tem drogas lá pra bancar umas cinquenta pessoas. Então se resolvam e dividam os pacotes. Já estão bem grandinhos e nesse ramo tempo suficiente para saberem quem são seus inimigos e acreditem, nenhum de vocês são inimigos um do outro. Se acertem sozinhos, porque não estou com paciência para aturar essas birras. Tenham uma boa noite. 

Inflei os pulmões com todo ar que consegui para poder me acalmar e quando me dei conta, todos estavam me encarando. Eu não me irritava com facilidade, mas aqueles garotos conseguiram fazer isso comigo. Óbvio que todos têm inimigos e concorrência nesse ramo em que vivemos, mas saber distinguir quem está e quem não está contra nós é o que define se você será bem sucedido. Em menos de um dia eu já estava mais exausta do que durante uma viagem de uma semana. Tirei os saltos, respirando aliviada. Ele era um número a menos que o meu, então realmente estavam me matando. 

— Sophie... — Yongguk sussurrou meu nome, ainda perplexo com a minha reação inesperada. 

— Me desculpe pelo soco. Ossos do ofício. — Jun levou a mão até a nuca, mostrando desconforto em ter feito aquilo. 

—  Desculpe ter ameaçado você e deixa isso das drogas pra lá. Já temos outro alvo em mente. Vamos garotos — Vernon não mudou a expressão e algo nele me trazia muita desconfiança, inclusive a maneira como ele falava. Nada nele era real, não para mim e eu ficaria de olhos bem abertos. — Boa noite. 

Os meninos seguiram ele, saindo da boate junto dos outros que levantaram das mesas quando os viram ir embora. Ao invés de me xingar, ou brigar comigo por ter levantado a voz para ele, Yongguk pegou os sapatos que eu segurava e abaixou, passando o braço esquerdo pelas minhas pernas enquanto o direito envolveu minha cintura e me levantou em seu colo. Aquila atitude me deixou ainda mais surpresa do que a que tive a alguns minutos. Não reclamei, até porque estava muito cansada e estressada demais para tentar contestar o porque daquilo. Saímos do elevador e o corredor estava vazio, muito provavelmente todos já estavam em seus quartos incluindo os meninos. Parando na porta de meu quarto, Yongguk devolveu os sapatos e me colocou no chão. 

— Não vai gritar comigo nem nada do tipo? — finalmente resolvi questiona-lo. 

— Você deveria ser a líder da gangue. — foi a única coisa que ele falou antes de sair dali e entrar no quarto ao final do corredor. 

Já tinha esgotado minha cota de surpresas para um dia. Abri a porta, me deparando com Liz fingindo que estava dormindo. Ela percebeu quando eu entrei, mas apenas me ignorou. Tirei o casaco, lançando-o no canto do quarto e fui até o banheiro. Tirei as peças que sobraram, ligando o chuveiro. A água quente fez meu corpo relaxar e toda a tensão do dia foi embora. Levei as mãos até meu rosto, cobrindo-o e parei para pensar em tudo que aconteceu. Eu sabia que a loucura, as mortes e todo o resto só piorariam com o tempo, mas eu não podia fazer nada se não proteger todos eles, nem que eu tivesse que morrer para isso.  

Fiquei ali por aproximadamente vinte minutos. Sequei os fios molhados com uma toalha, usando outra para secar meu corpo e me enrolei nela. Voltei para o quarto, tirando da mala um conjunto de lingerie e minha camisola de cetim. Foquei os olhos em Liz e conseguia perceber que ela estava acordada e me olhando, mas tentava disfarçar. Coloquei a roupa e passei sobre o corte em meu lábio um pouco de pomada que tinha em minha bolsa. Suspirei aliviada ao relaxar o corpo quando me deitei, puxando a coberta para cima de meu corpo. Virei para o lado oposto as costas de Liz e fechei os olhos, até sentir o braço de Liz envolvendo minha cintura, como ela costumava a fazer nas noites em que não conseguia dormir. Sorri brevemente, sentindo o sono chegar.



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