História Sleeping In The Flames - Capítulo 4


Escrita por: ~

Postado
Categorias Ruby Rose
Personagens Personagens Originais, Ruby Rose
Tags Anorexia, Fic Lesbica, Lésbica, Modelo, Models, Orange Is The New Black, Ruby Rose
Exibições 13
Palavras 1.741
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Ficção, Lemon, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 4 - F O O L For You


Fanfic / Fanfiction Sleeping In The Flames - Capítulo 4 - F O O L For You

                                         FOOL
                                                      FOR
                                                      YOU.

Eu não sabia dizer exatamente quantas vezes eu havia dormido e acordado, não sei se haviam sido muitas vezes ou poucas vezes. As músicas da minha playlist triste se repetiam toda hora, aquelas músicas jogavam na minha cara a minha vida, e eu nem ao menos tive tempo pra pensar sobre o que estava acontecendo e porquê aquilo estava acontecendo.

Eu não sabia se eu estava aliviada ou com saudade, não sabia se vinham os piores ou os melhores pensamentos, momentos. A neve lá fora estava deixando tudo mais embaçado e gelado, aquele tempo gélido me fazia morrer por dentro. As meninas não davam um tempo e ficavam gritando o tempo todo.

Finalmente o ônibus parou. Foi-se anunciado que por conta da neve, não continuaríamos a viagem e nos hospedaríamos ali mesmo. Eu deveria cuidar daquelas garotas, mas eu estava apenas sendo guiada e tão perdida quanto uma garotinha de três anos no supermercado sem os pais. Peguei o meu urso de pelúcia inseparável e desci do ônibus depois de algumas garotas. Iriamos dividir quarto, pois o hotel não tinha quarto para todo mundo. Eu não prestei atenção no que estava acontecendo, o motorista pareceu entender a minha situação e cuidou de tudo pra mim, por dentro eu agradecia, porque eu não tinha cabeça pra mais nada. Ele me entregou a chave do quarto e deu as outras chaves pras outras meninas, eu olhei o número da porta e subi as escadas.

Assim que entrei no quarto uma garota entrou atrás de mim.

- Achei que eu ficaria sozinha. – Eu disse antes de me virar.
- O motorista me mandou vir pra cá, mas se quiser eu... – antes dela terminar eu me virei e era a mesma garota que havia falado comigo algumas horas antes.
- Pode ficar. – Eu disse abrindo um sorriso falso e jogando meu urso sobre uma das camas de solteiro.

Ela sorriu e se sentou na outra cama.

- Você deixou todas as suas malas no ônibus? – Ela me questionou.
- É, eu deixei. Eu achei que iria dormir sozinha. – Eu disse novamente.
 

Ela ficou calada e acendeu um cigarro e eu tomei uma pílula.

- Você sempre toma essas pílulas, é pra que? – Ela disse entre uma tragada e outra.
- Dores de cabeça. – Menti. – Quantos anos você tem?
- 22. – ela disse se jogando pra trás na cama. – E você?
- 21. – Respondi.

Tirei meus tênis e joguei no chão junto com minhas meias.

- Como eu sou mais velha, iremos fazer um jogo – Ela disse tragando o cigarro.
- Olha, não me leve a mal mas eu não est... – fui interrompida por ela.
- Logo depois que você tomar banho.

Fiquei em silêncio e entendi que aquilo era uma espécie de indireta. Eu devia estar acabada.

Abaixei meus jeans rasgados ali mesmo e em seguida tirei minha jaqueta jeans e minha blusa grande e lisa preta. Sentia os olhos da garota desconhecida fitando meu corpo, após ficar apenas com as peças intimas eu olhei para ela, que encarava a minha barriga e só então, quando eu vi o machucado enorme na minha barriga eu pude lembrar o quanto estava doendo.

Ela estava com os olhos arregalados.

- Eu vou chamar ajuda. – Ela disse se levantando imediatamente.
- Não! – Eu gritei – Eu vou tomar banho e você vai ficar ai! Eu resolvo isso.
- Isso precisa de pontos... Está sangrando.
 

Maldito copo.
- Eu me machuquei sem querer, calma. – Eu dizia tentando acalmar aquela garota.

Ela se levantou da cama e em pequenos e silenciosos passos ela já estava na minha frente analisando aquele machucado. Ela tocou levemente sobre a grande mancha roxa e ensangüentada.  

Aquele era um machucado quase que artificial comparado a maneira que eu me sentia, eu não sabia ao certo o que eu queria, mas eu sabia que meu coração estava destroçado. E, por mais estranho que pareça, aquele toque foi a coisa mais quente e dócil que eu pude sentir em anos. Suspirei e encarei aquela garota.

Ela se afastou assim que meus olhos cruzaram com os olhos dela.

- Vou te esperar. – Ela disse baixo. – Para jogarmos.
- Certo. – Eu disse no mesmo tom de voz.

Caminhei para o banheiro e pude imaginar o preço que eram os quartos daquele hotel. Liguei o chuveiro e deixei aquela água quente cair sobre mim, todo o sujeira das duas noites anterior pareciam evaporar e descer pelo ralo junto com a água. Passei o sabão em meu corpo e esfregava com força, como se fosse remover algo mais, mas não ia.

 Passei a mão sobre a minha barriga e o sangue voltou a escorrer e tudo aquilo descia ralo abaixo. Estava doendo. Meu rosto doía, meu corpo estava dolorido, eu estava com ânsia de vômito, mas eu sabia que não era por isso que eu estava chorando. Não era por isso que eu me sentia destruída.

Após longos minutos ali, sai do quarto enrolada num roupão branco e me deparei com a desconhecida ali, sentada no chão desdobrando algumas roupas de sua mala de mão.

- Meu nome é Cyndi. – Ela dizia com o olhar baixo olhando aquelas roupas.
- O meu é Ruby Rose Langenheim.
- Todo mundo sabe... – ela disse rindo e levantou o olhar pra me encarar e voltou a balançar a cabeça.

Encarei as minhas roupas sujas jogadas no chão e fiquei ali uns 2 minutos pensando em como iria me virar já que as minhas malas ficaram no ônibus. Eu nem sabia onde estavam minhas calcinhas, sutiãs, pijamas, como Charllie arrumou aquelas malas, e a minha reação foi sentar na cama e segurar na minha cabeça.

- Está pingando sangue no chão – Disse Cyndi num tom de voz normal.

Olhei para o chão e novamente não sabia o que fazer. Cyndi se levantou e me empurrou na cama com força. Eu estava tão fraca, não sabia exatamente a quanto tempo eu estava sem comer, talvez há dias. Qualquer um poderia me derrubar.

Ela abriu meu roupão e eu fiquei sem reação. Ela é louca?

- O que você está fazendo? – Me sentei rapidamente fechando o mesmo.
- Eu quero ver como está isso, você sabia que não pode perder muito sangue? Você não tem muito. Ninguém tem.
- Você poderia esperar eu me vestir pelo menos. – Eu disse irritada. – Só porque eu sou lésbica meu corpo é um patrimônio publico?
- Me desculpe. – Ela disse saindo de perto de mim. – Eu e as meninas ficamos nua na frente uma das outras, eu achei que você não se importava.

Respirei fundo.

- Me desculpa. – Eu disse baixo – Eu tô nervosa... eu estou me separando. – Eu disse suspirando.
- Porque não disse antes? Eu teria... sei lá – ela dizia desconcertada. – Me desculpa mesmo, eu agi errado.
- Tudo bem. – Respondi. – Eu descobri hoje praticamente, eu acho que vivi uns 10 dias dentro de um só, nem sei o que está acontecendo comigo.

Ela me encarou por alguns segundos com pena.

Abriu a sua mala de mão e jogou duas calcinhas, e um pijama de um unicórnio azul sobre mim.

Eu ri assim que vi aquele pijama de unicórnio. Era literalmente, uma fantasia de unicórnio macia e quente.

- É sério, veste isso. – Ela dizia me encarando.

E vesti a calcinha por debaixo do roupão branco, eu já estava envergonhada o bastante.

- Deixa eu cuidar disso... – ela pediu.

Abri o roupão e coloquei as mãos sobre meus seios. Ela foi ao banheiro e voltou com algumas fachas de gaze e algumas pomadas. Ela limpou, cuidou e cobriu com rapidez e cautela, eu quase nem senti nada.

Quando ela terminou, vesti o pijama de unicórnio azul e encarei segurando a risada.

Ela riu e segurou as minhas duas bochechas e balançou.

- Você está linda. – Ela disse com um sorriso bobo nos lábios e o rosto caído pra esquerda.

Deitei na cama e liguei a TV.

Ela apagou a luz do quarto e foi tomar banho.

Estava passando um desenho qualquer na televisão, e eu percebi que eu não fazia idéia de onde eu estava, eu estava sendo guiada, levada e por uns segundos eu percebi o quão bom era ser cuidada, eu nem me lembrava a última vez que alguém havia cuidado de mim. Suspirei fundo e minutos depois eu já estava no décimo segundo sono.

Eu acordei e o sol atravessava a janela. Levei um susto.

- Eu tô atrasada! – Gritei. – Cadê o meu celular?

Olhei ao meu redor e a cama de Cyndi estava arrumada. As malas dela estava no chão e eu comecei a procurar algo ao meu redor.

- Eu desliguei seu celular, estava tocando uma música chata sem parar. – Ela disse saindo do banheiro com a escova de dente na mão.
- Mas a gente está atrasada, eu preciso tirar as minhas malas do ônibus.

Ela sorriu.

- Eu já coloquei suas malas no porta-malas do ônibus. A gente vai sair daqui a 1h e achei que você podia dormir mais, parecia estar tão bem dormindo.
 

É, eu estava.

Cyndi estava com um casaco grande verde musgo e com um rabo de cavalo no topo da cabeça, seu cabelo longo e ondulado caia sobre seu ombro e parava na altura de seus seios. Ela não usava nenhuma maquiagem a pele dela tinha algumas pintas e a boca avermelhada e grossa, uma calça preta e com coturno com um pequeno salto e amarrado.

Me espreguicei.

E todas as tragédias da noite anterior vieram a tona na minha cabeça. Senti meu coração apertar novamente.

- Vou tomar café da manhã. – Eu disse olhando pra ela.
- As meninas já estão lá. – Ela respondeu e voltou pro banheiro.

Escovei os dentes e desci as escadas. Ao chegar descer tudo eu avistei uma longa mesa repleta de comidas e eu me aproximei e todas as meninas riram do pijama que eu estava usando. Revirei os olhos segurando o riso e me sentei ao lado de Marisa, ela me abraçou com força.

- Bom dia, minha linda. – Ela disse me dando um beijo no rosto.
- Bom dia. – Respondi.

Elas me fizeram rir o café da manhã todo. Logo ao final, Cyndi desceu e se sentou na mesa sozinha, ela pegou um prato com algumas coisas mas não tocou em nada. Fumou alguns cigarros e eu tomei algumas pílulas.

1h depois voltei ao quarto e peguei meu urso e voltamos pro ônibus pra prosseguir a viagem.

 

 

 

                                                     



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...