História Slow Life - Capítulo 10


Escrita por: ~ e ~Del_Daweron

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Palavras 5.506
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Escolar, Famí­lia, Festa, Ficção, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Suspense, Universo Alternativo, Violência, Yuri
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Primeiramente, FORA TEMER!
Segundamente, OBRIGADA PELAS MIL VISUALIZAÇÕES MEU POVO!
Terceiramente, OIII NEGADA DO MEU CORE NEGRO. Estou bem feliz com o progresso da fic, a cada dia aos poucos ela cresce ainda mais ❤
Obrigada!

Tema do capítulo: Aerosmith - Crazy *-*

Capítulo 10 - Crazy


Fanfic / Fanfiction Slow Life - Capítulo 10 - Crazy

 

O sol se escondia em meio às nuvens negras do céu. O vento gélido invadia os corredores enquanto a chuva ameaçava retornar. Os passos inquietos ecoavam pelo prédio depois da confusão que houve com Julianne e outra aluna. Ainda faltava um tempo para  a o intervalo se findar. Os olhares possuíam uma mistura súbita de ansiedade, frustração, medo, raiva e paixão. Os pensamentos pareciam lhes levar para longe, para além do que os olhos podiam ver, se perdendo por completo no fundo de suas mentes. Revelando o olhar distante e os desejos mais sádicos que deveria ser escondidos assim como todo bom e velho segredo.

Joseph como sempre se encontrava no refeitório acompanhado dos amigos explicando de forma mais clara o que havia acontecido noite passada e quem havia presenciado aquele momento, eles tinham ficado no refeitório depois do escarcéu. Julianne devia está mais encrencada do que antes.

— Então foi isso que aconteceu. Satisfeitos? — Dizia o rapaz revirando os olhos diante dos amigos curiosos ao seu redor brincando com a cadeira enquanto mantinha a expressão neutra estampada na face.

— Eu daria tudo por esse momento. Digo no geral, na hora do escândalo e no momento da sua decadência. — Riu Hellena apoiando o rosto em uma das mãos ouvindo os outros lhe acompanharem na risada imaginando cada detalhe.

— Aye! Estou muito satisfeito. Eu daria tudo pra ver esse momento, mas fico feliz, pelo menos você está bem. — Sorria Gustavo recuperando aos poucos o fôlego e olhando na direção dos olhos do amigo com as sobrancelhas contraídas.

— Bem mal você quer dizer né? Gustavo eu quase fiquei com a cara roxa, foi por muito pouco! Mas agradeço a solidariedade. — Sorriu dando a volta na mesa e abraçando os amigos após os tapas desferidos nos braços dos mesmos.

— Ai, ridículo! Cadê aquele tal Eric por falar nisso? — Questionou Hellena intercalando seu olhar entre os amigos ali presentes com as sobrancelhas contraídas.

— Acabei de o ver vindo nessa direção. — Se prenunciava Victória fechando um livro, não conseguia parar de pensar no que seria a punição de Julianne, ainda mais porque ela saiu arrastada pela Christina.

— O que foi? — Questionava o rapaz cruzando os braços até o toque suave de Eric repousar em seus ombros.

— Atrapalho? — Sorria o loiro dos olhos verdes encarando Joseph com um olhar reluzente e uma expressão encantadora.

— De maneira nenhuma! Estava jogando conversa fora com eles. Em que posso ajudar? — Sorriu notando os olhares se cruzarem e os amigos saírem de forma sorrateira ainda que observassem a distância. Mas acabaram indo atrás da Julianne.

— Bom, eu disse ontem que não iria contar pra ninguém o que aconteceu, e vou manter minha promessa com uma condição. — Encarou Joseph atentamente vendo a expressão do mesmo mudar e sua voz morrer. — Aceita sair comigo?

— Sair?! — Se surpreendeu o rapaz com a proposta encarando o mesmo confuso.

— É ontem você me convidou pra jantar, mas aquilo aconteceu então eu vim pedir hoje. Aceita por favor! — Suplicava fazendo um bico adorável e um olhar doce e inocente de criança, vendo Joseph assentir calmamente. — Ótimo, te pego às oito. — Encerrou o loiro dando um pequeno beijo no rosto de Joseph e sair.

Era natural o nervosismo naquele momento, o coração acelerava, a respiração começava a descompassar e por um minuto seu rosto corou. Levantando, Joseph  recolheu suas coisas e saiu andando pela escola em busca dos amigos com os pensamentos rodeado sua mente. A quantidade absurda de pessoas que por ali andavam chegava a ser perturbadora era sempre difícil de encontrar quem se procurava e muito fácil esbarrar com quem não lhe interessava causando diversas vezes uma confusão diária. Foi retirado de seus devaneios após dar de cara com Pedro e seus amigos.

— Você nunca olha para onde anda florzinha?! — Pedro disse com as sobrancelhas contraídas cruzando os braços enquanto segurava a pasta em meio às mãos.

— Olho sim, apenas foi um acidente Hoffman! Mas, já que está aqui, será que dá pra devolver minha pasta?! — Ergueu a sobrancelha.

— Hum... Não, não posso! Ela vai ficar comigo até quando eu decidir lhe entregar! Mas posso mudar de ideia se você me contar o que diabos pensa que estava fazendo com ele?! — Apontou para Eric que andava pelo pátio inerte ao que acontecia.

— Não lhe devo satisfação alguma! — Afirmou tentando entender o que acontecia ali, enquanto se lembrava de alguns momentos os quais ele tentava lutar para não demonstrar ainda mais diante de alguém como Pedro.

— Argh! Vai se arrepender dessa sua decisão! — Afirmou empurrando a pasta vazia contra o corpo de Joseph e saindo dali bufando sentindo o sangue ferver e a sanidade se esvair.

Aquela ação havia sido confusa. Joseph não sabia o que aquelas palavras poderiam representar, apenas sabia que Pedro sempre tinha algo em mente e que seu comportamento selvagem era efeito da sua personalidade caótica. Ela era muito bem utilizada nos esportes e, principalmente, nos mais diversos tipos de luta. Completamente confuso e enraivecido, o rapaz saia a passos firmes subindo as escadas e indo andar pelos corredores sem qualquer ideia do que deveria fazer aquela multidão lá em cima o assustou um pouco, desdenhou ter sido por conta da confusão envolvendo Julianne. Aquele tumulto ficou ainda mais impossível encontrar os amigos, então apenas bufou indo para a sala de aula.

 

........

 

As batidas na porta ficavam mais intensas e os gritos da diretora também. Enquanto isso, Christina e Julianne se deleitava com aquele beijo. A loira explorava a boca da moça avidamente com a língua, mordia  e puxava com força seu lábio inferior entre o beijo, suas mãos estavam uma entrelaçada na cabeleira ruiva e a outra segurando uma das pernas de Julianne a envolvendo na cintura apertando com certa força a coxa. Libertinagem. Julianne envolveu os braços no pescoço da mulher afundando seus dedos nos fios loiros aprofundando ainda mais o beijo, mesmo com aqueles barulhos todos cedeu ao momento. Só sabia que estava meio em choque por aquela situação, mas não iria recuar quando isso foi uma das coisas que mais queria. Os lábios macios e convidativos de Christina realmente eram sua maior perdição. Ela era sua perdição.

O beijo foi cessado.

Ambas estavam com as respirações descompassada e completamente perdidas no olhar uma da outra. O coração de Julianne palpitava freneticamente, sua mente tentava assimilar o que aconteceu ali, ela queria saber se era real ou só fruto de uma noite não dormida e da ressaca. Ainda sentia o álcool percorrer suas entranhas. Aquela mulher a olhava com as órbitas arregaladas e confusas mesmo depois do momento pecaminoso que tiveram. Não sabia se gritava ou chorava pela situação.

Christina não aguentou mais ficar perto da ruiva sem a tocar, não aguentava mais segurar aquilo para si e o momento foi o estopim. Sabia que teria consequências seus atos, Julianne poderia a estapear ali mesmo por ter feito aquilo, sabia que ela gostava de mulheres, mas a sua reação ainda era uma incógnita após o ato. Ela retribuiu o beijo, isso não deveria ser bom? Retribuiu mais do que o esperado. Ela não sabia somente que não conseguiria mais parar. Sabia dos vários problemas que surgiriam caso alguém soubesse do que ocorreu ali, seu emprego entraria em jogo, tinha a grande diferença de idade das duas, ainda mais que Julianne era uma jovem que gostava de desfrutar tudo que a vida tinha a proporcionar, não entraria numa loucura dessas. A loira maneou a cabeça se afastando da mais nova. Não estava arrependida do que fez, uma hora ou outra iria fazer por não conseguir aguentar mais aquele turbilhão de sentimentos dentro de si.

— Depois conversamos sobre o que ocorreu aqui, mas antes vamos abrir a porta antes que Eleonor a arrombe. — Christina se afastou ainda mais passando a mão no rosto exasperada.

Julianne ainda estava estática e meio que em transe, mas com outro berro da diretora conseguiu entrar em órbita novamente. Vestiu a blusa de Christina e prendeu os cabelos num coque frouxo. Ela encarou a loira por alguns segundos a vendo tomar uma compostura mais fria, séria… Arrependimento? Momento de fraqueza por vê-la praticamente despida? Aquilo não ficaria assim. Na cabeça de Julianne rondava isso e outras coisas. Christina abriu a porta permitindo que a diretora e companhia entrassem no local. Vários alunos estavam no corredor, alguns professores e a orientadora do colégio.

— Achando que o colégio é um ringue de luta Senhorita Vasconcelos? — A morena se aproximou com uma expressão irritada. — Já é a segunda vez em menos de um mês que você agride dois alunos! Está querendo ser expulsa?

— A única diferença que nos ringues de luta você pode esfolar a pessoa completamente. Você vai ficar feliz por minha expulsão? Vamos, expulse-me diretora! Pra mim não vai fazer diferença nenhuma estudar aqui ou não. — Se desencostou de uma bancada de computadores caminhando em direção à mulher que praticamente soltava fogo pelos olhos.

— Pra sala da diretoria, AGORA! — Se virou para Christina. — Ligue para os pais dela! — Dito isso saiu em passos firmes atrás da moça que já ia bem à frente acompanhada dos amigos.

A loira arregalou os olhos, mas respirou fundo e foi ligar.

— Que merda hein Julianne?! Porque você não fica um dia sem se meter em confusão? — Gustavo correu atrás dela.

— Aquela vagabunda dos infernos derrubou aquela bandeja em mim de propósito, eu não poderia ficar sem fazer nada. Eu deveria ter a feito engolir a bandeja, isso sim!

— Esse seu comportamento não vai ajudar em nada. Eleonor está furiosa com você! Você também sabe que isso vai ter troco, a patricinha dos infernos não vai deixar por isso mesmo. — Hellena diz enquanto tentava acompanhar Julianne que passava rapidamente entre os alunos.

— Eu sei muito bem que ela não vai deixar quieto, mas pelo menos vai precisar de muita maquiagem pra cobrir os danos do nariz. — Desceu a escadaria.

— Onde está sua blusa? — Victória acompanha a ruiva.

— Joguei no lixo. Christina me arrastou com tanta brutalidade que rasgou. — Revirou os olhos.

— Professora Christina está muito atenciosa com você… — Fechou a cara.

— Ciúmes da ruivinha, farofa? — Hellena a olhou com uma sobrancelha erguida. — Querida, sai dessa! Vai ter ciúmes da escola toda, pois todo mundo quer dar uma sarrada na Julianne, talvez até a professora maquiavélica. — Soltou uma gargalhada.

— E se eu realmente estiver com ciúmes dela? — Cruzou os braços.

— Olha, não adianta mentir porque mesmo tentando esconder, uma negada aí viu vocês duas se beijando na quadra e a professora fazendo o maior escarcéu. — Parou deixando Julianne ir à frente com Gustavo. — Se eu fosse você, parava agora de nutrir qualquer coisa pela Julianne. Você vai se machucar. — A olhou com pesar.

— Não se pode parar quando você já está totalmente envolvida. — Virou o rosto observando a ruiva caminhar bem afrente. — Eu vou a conquistar, você vai ver! Mesmo ela estando à beira do colapso por conta da bruxa dourada! — Começou a andar com Hellena novamente até acompanhar os outros dois.

— Boa sorte farofa! — Hellena deu os ombros.

— Mas vejamos pelo lado bom, você pelo menos ficou sozinha com a loira do L'Oréal Paris. — Gustavo sussurrou no ouvido da ruiva a fazendo se lembrar do momento das duas. — E ela te virou seminua… — Deu um sorriso malicioso deixando à amiga completamente rubra.

— Fica calado ou eu desço o cacete em você! — Bufou indo em direção no corredor da diretoria.

— Julianne sem se meter em confusão, não seria Julianne! — Hellena deu um tapinha no ombro da ruiva se aproximando da mesma.

— Eu ainda vou explodir esse colégio, com vocês dentro dele, porque ninguém merece uns amigos como vocês, um bando de depravado, o mais certinho ainda é o Gustavo. — A ruiva riu.

— Gustavo é a freira do grupo, você é a viciada, Crush de todo mundo e louca, Victória e a paranoica, Joseph o Bambi e eu a pessoa mais boa que vocês podem conhecer. — Hellena diz de modo divertido.

— Se você for boa eu sou pura. — Vasconcelos revira os olhos parando enfrente a porta da diretoria, ela observou Eleonor vindo acompanhada de Christina e a orientadora. — Me digam que não vou ter que aturar incontáveis minutos de sermões da orientadora? A voz dela me dá vontade de dormir mesmo estando com insônia.

— Quem mandou você aprontar? Agora te vira majestade cachaceira! — Hellena da um beijo na bochecha dela puxando Gustavo logo em seguida.

— Quando você sair da prisão vamos conversar dona Julianne, você ainda está me devendo uma conversa! — Gustavo gritou do meio do corredor.

Victória se aproximou dando um beijo no canto dos lábios da ruiva.

— Até depois. — Deu um sorriso contido e saiu depois.

Julianne respirou fundo sentindo uma pessoa atrás de si, se virou e ficou olhando as órbitas escuras de Christina que estavam praticamente soltando fogo. A loira abriu a porta sem dizer nada, Julianne entrou irritada e se sentou em uma das cadeiras apoiando as costas no encosto. Amaldiçoou-se por ter esquecido os remédios das costas, agora teria que aguentar aquela dor maldita. 

........

Bea estava com uma postura rígida na sacada do quarto. Olhava a rua que era batizada com a chuva e o vento gélido, suas expressões estavam incógnitas, os pensamentos longínquos assolava sua cabeça. Depois que voltou para casa na noite anterior, não encontrou Julianne na residência, a madrugada entrou e nada dela. Seis e meia da manhã ela chega completamente bêbada e com um estado deplorável. A briga foi inevitável. A moça tomou banho e foi para o colégio, chegou atrasada como tem ocorrido nos últimos dias. Bea não dormiu, ficou inerte em seus pensamentos por horas até ser despertada pelo filho.

— Mãe? — O jovem entra no quarto chamando a atenção da mãe.

— Sim?! — Se limitou sem virar-se.

— Temos visita... — Ficou ao lado da mais velha segurando sua mão esquerda passando o polegar no dorso da mesma.

— Quem é? — O olhou.

— Papai… — Falou e saiu do quarto.

Beatriz fechou os olhos massageando as têmporas e saindo rapidamente dali. Caminhou em passos precisos pelo corredor, desceu a escadaria da casa já vendo lá de cima o homem em frente à janela com as mãos enfiadas dentro dos bolsos da calça. Vicente raramente aparecia na casa de Julianne, mas como Bea não estava em sua casa, ele veio atrás dela mesmo assim.

— O que você quer aqui? — A ruiva encostou-se ao corrimão quando parou no último degrau.

— Não posso ver mais meus filhos? — Se virou a fitando com aquelas órbitas azuis intensas.

— Não, não pode! Você nunca se preocupa com eles, apenas quando quer bancar o macho alfa da família e brigar com os dois. — Saiu de onde estava e se aproximou do homem que mantinha a expressão fria.

— Vim aqui também averiguar se você ainda continua fazendo o papel de boa mãe e de megera. Teu apelido não é diabo? — Deu uma risada enrolando uma das mechas ruivas no dedo indicador. — Me pergunto como a nossa relação pode ter se esvaído assim dessa maneira… — A olhou.

— Ambos sabemos o porquê e não há como ficar repetindo isso! — Saiu da frente do homem e seguiu para um mini bar que tinha na sala.

— Já que está aqui, poderia retirar esse bar daí? Julianne não precisa ficar mais alcoólatra do que já está. — Espalmou as mãos na bancada de mármore quando se aproximou.

— Um ato de preocupação relacionado à Julianne, Vicente? — Ergueu a sobrancelha se virando. — Uma alma vai se salvar ou outra vai pro inferno. — Ironizou tomando uma gole de uísque.

— Pode não parecer, mas me preocupo sim com ela, você sabe muito bem disso… — A encarou fixamente. — Desde que está aqui, quantas vezes levantou a mão para ela? Julianne anda merecendo umas boas maneiras. — Pegou o copo e tomou um gole da bebida da mulher.

— Eu dei uma surra nela ontem por algumas coisas… nada que seja da sua conta! — Pegou o copo de volta.

— Claro que é da minha conta! Não estou aqui agora bancando o pai preocupado atoa. Assim como você, estou aqui para averiguar a mulher que minha filha está se tornando! Creio que como temos um consenso entre as atitudes dela, faremos um trabalho magnífico. — Passou o polegar na bochecha fria da Bea. — Você nem parece mais àquela jovem apaixonada por mim anos atrás… Ainda irei descobrir o que aconteceu.

— Vai em frente Sherlock Holmes… investigue e tente o infortúnio de encontrar algo. Enquanto a Julianne acho que o diabo aqui está com o secretário novamente se envolvendo em seus trabalhos.

Telefone toca.

— Não vai atender? — O homem a olha.

Bea revira os olhos e vai atender ao telefone.

— Vasconcelos falando. — Disse impaciente.

— Assim como você, eu não gostaria de dirigir a palavra a você, mas teve problemas relacionados à Julianne aqui na escola e irá ser preciso sua presença.

— Oh, estou tendo a honra de falar com vossa majestade? Claro, irei imediatamente ai. Foi um desprazer falar com você! — Desligou. Aquela ideia de Christina ser docente da Julianne estava retirando sua paciência, iria mudar a filha de colégio o mais breve possível.

— O que aconteceu? — Vicente se aproxima.

— Confusão relacionada à Julianne. Vou ter que ir à escola, aquela garota já aprontou demais pro meu gosto, assim vai acabar sendo expulsa. — Bufou pegando a bolsa.

— Eu vou com você! — Pegou as chaves do carro que estava em cima da mesinha de centro.

— Está louco? — A mulher se vira já na porta.

— Ela também é minha filha, você querendo ou não! E vamos no meu carro!

Não deixou que Beatriz falasse mais nada, apenas puxou a mulher pela mão em direção ao carro, neste mesmo instante Estela passava em seu veículo, estava entrando no condomínio — a casa de Julianne ficava quase na entrada. — Vendo a cena, a loira apenas acelerou o carro fazendo Bea parar e olhar o veículo virar a rua.

— Você vem ou vai ficar plantada aí? — Vicente buzinou chamando a atenção da mulher.

Bea bufa e entra no carro sentando-se, logo ele deu partida em direção à escola.

......

A cabeça rodava em meio um turbilhão de pensamentos, os dedos tamborilavam pelos móveis do local e olhar tétrico varria o ambiente em busca de algo que já não mais existia  ali. A garrafa de vodka se encontrava aberta, seu líquido transparente se agitava a cada vez que um movimento era feito e aos poucos seu conteúdo ia sendo ingerido enquanto os passos ecoava pela casa.  As orbes castanhas vagavam desoladas, as cortinas se encontravam fechadas e em meio aquela súbita escuridão, Walter se perdia em seus pensamentos lembrando claramente da noite passada. Mutilava-se internamente por aquela situação humilhante enquanto desfrutava das piores sensações possíveis num misto de ódio e repulsa, lançou a garrafa vazia contra um quadro na parede; um quadro onde se encontrava o filho e a ex-esposa as duas pessoas as quais o homem mais detestava.

Ninguém nunca soube dizer o que aconteceu naquela noite de inverno, tudo que se sabe é que após uma terrível discussão,  veio o divórcio. Mesmo sabendo que aquela história estava mal contada, esse assunto nunca mais foi mencionado embora nunca houvesse sido esquecido e um terrível segredo tivesse sido escondido. Muito havia mudado desde aquele dia, o comportamento atual de Joseph deixava o homem intrigado, o que teria acontecido para uma mudança tão repentina? Walter se quer imaginava. Para ele não havia nada errado, nunca houve, todos esses anos a maior e único erro era o filho não só por seu nascimento, mas pelo que e quem ele era, e por mais que todos sempre errem. Walter não via erro na hora de supostamente educar o rapaz, como se deveria e ensina-lo a ser o homem que ele deveria ser.

O céu aos poucos ia escurecendo, a brisa gélida percorria as ruas, em meio à multidão a fina e fraca chuva caia. Se misturando com as mais demasiadas pessoas que por ali vagavam,  Walter caminhava em direção a uma cafeteira, tinha saído de casa após aquele momento longínquo. No meio do caminho encontrou com alguém que não queria ver. Havia muito a ser dito a partir dali, as sensações e emoções se tornaram confusas e repulsivas num momento súbito de lembranças. Um ódio que aparentemente era interminável apenas se fortalecia ao encarar a expressão neutra da moça enfeitada apenas por um sorriso cínico e um olhar opaco.

— Horrível como sempre... — Dizia a mulher segurando um guarda chuva em mãos enquanto encarava o homem atentamente vendo o mesmo trincar o maxilar.

— Olá pra você também Elizabeth. — Suspirou encarando a moça de maneira fria vendo o passado voltar diante de seus olhos. — Não deveria estar em Nova Iorque na casa da sua mãe? Pensei que você tivesse partido de vez...

— Eu não lhe devo satisfações Walter! Dona Charlotte ainda comemora por eu estar livre de você! — Afirmou olhando para o homem enquanto o puxava para dentro da cafeteria  se sentando em uma mesa vazia no canto do local. — Vejo que você não mudou absolutamente nada não é mesmo?

— Aquela velha nunca gostou de mim, eu comemorei por me ver livre dela! —Revirou os olhos enquanto tamborilava os dedos pela mesa. — Você também não mudou nada, continua desaforada, cínica e instável. Assim como Joseph.

— Ainda bem que sabe, mas eu não voltei para esse inferno de lugar para lhe ver. Eu vim pelo Joseph. Eu vi o que aconteceu ontem e só posso mostrar minha indignação diante do que houve Walter. Perdeu completamente a noção do ridículo?

— Você não vai se aproximar dele! Não me interessa o que aconteceu ontem, aquilo foi um mero acaso causado por aquele amigo repugnante de Joseph, mas ele vai compensar em breve. Não se atreva a se aproximar dele! — Verocifou esparramando as mãos pela mesa enquanto encarava a moça de forma séria.

— Eu vou sim, e você sabe que não vai me impedir! Ele não é seu saco de pancadas, e por mais que eu não aprove o que ele é, eu pretendo fazer de tudo pra colocar meus planos em prática, ele continua sendo meu filho e em breve eu vou me encontrar com ele você querendo ou não! — Afirmava a mulher de forma fria encarando as orbes castanhas do homem fixamente e saindo ao som dos saltos que ecoavam pelo local.

— Maldita! — Berrou o homem saindo em seguida atrás da ex-esposa vendo a mesma sumir diante de seus olhos em meio à multidão de pessoas.

A partir dali a revolta apenas se intensificava, a sensação de que tudo em breve iria ruir e que não havia o que fazer para evitar, seria um sinal do destino ou uma praga por tudo que já aconteceu? Não era possível explicar, apenas esperar pra ver o que iria acontecer daqui pra frente. A chuva enfim cessava, enquanto Walter andava, as lembranças retornavam ainda podendo ouvir as palavras frias de Elizabeth.

.......

Julianne estava com a cabeça enterrada nas mãos com as órbitas fechadas. Não conseguia tirar da cabeça aquele momento que teve com Christina minutos atrás. A loira ainda estava na sala, só daria a última aula e depois ficaria livre. Ela não conseguia se concentrar em mais nada, apenas ouvia aquele sermão todo que Eleonor dava em Julianne.

— Onde está minha filha? — Beatriz entra na sala onde encarou primeiramente Christina com uma expressão nada amigável.

— Ótimo, já não bastava o diabo agora o secretário dele veio junto! — Julianne bufa cruzando os braços quando viu o pai.

— Bom dia pra você também filha. — O homem retira o blazer repleto de gotículas d'água.

— Agora sou sua filha? — Ergueu a sobrancelha levantando e indo diretamente para a janela da sala.

— Sem casos de família aqui por obséquio! — Eleonor se pronunciou cruzando as pernas e olhando os pais de Julianne. — A filha de vocês está achando que o colégio virou um ringue de MMA. Em menos de um mês já agrediu fisicamente dois alunos, já levou várias advertências por atrasos, por dormir nas aulas, foras às outras que não irei citar por serem muitas. Fora o mau desempenho em certas matérias. A filha de vocês é considerada a mais confuseira da escola, só fica atrás dos marmanjos do terceiro D. — A diretora abre o livro de advertências mostrando as mesmas ao pai de Julianne.

Beatriz não disse nada, apenas semicerrou os olhos olhando a filha que estava de costas observando o que acontecia lá fora. A ruiva deu alguns passos até ficar atrás da mais nova, pousou a mão esquerda no ombro dela a virando para que pudesse a encarar.

— Você perdeu o juízo? — Ergueu a sobrancelha.

— Eu nunca tive! — Saiu de perto da mãe indo diretamente para onde Christina estava, ficou ao lado da mulher de braços cruzados.

— Neste colégio, não é tolerado nenhuma forma de violência, seja ela física ou verbal. Creio que a Senhorita Vasconcelos está ciente disso, ainda mais depois que precisou da presença de ambos. Vocês irão me garantir que ela irá mudar esse comportamento chulo e desordeiro, porque mais uma ou duas advertências é expulsão na certa! — Eleonor levanta.

— Creio que não irá precisar de uma expulsão Eleonor, ela irá mudar com toda certeza. — Christina se pronuncia recebendo um olhar mortal de Bea.

— Quem decide isso é a diretora, você aqui não opina em nada! Nem sei por que está aqui. — Não escondeu o tom ríspido ao se direcionar a mulher.

— Aqui é meu local de trabalho e eu sou docente de sua filha, mesmo querendo ou não eu irei sim dar minha opinião e você não vai me impedir! Em relação a eu estar aqui ou não, se não fosse por mim Julianne teria feito um estrago bem maior no rosto daquela moça. — Christina levantou ficando frente a frente com a ruiva.

— Eu sou mãe dela! Isso quem decide sou eu e a gestão da escola, não você majestade metida à heroína! — Deu um passo.

— Tudo que envolve está instituição envolve a minha pessoa, ainda mais quando se trata de um aluno meu projeto de diabo!

— JÁ CHEGA! — Julianne grita atraindo o olhar de todos sobre si. — Eu só queria saber qual a porra da advertência que eu vou levar! Eu não estou com paciência pra ficar ouvindo as duas madames discutirem e muito menos olhar para a cara do meu pai!

— Olha como você dirige a palavra a mim garota impertinente! — A voz grave de Vicente ecoa pela sala toda de maneira ríspida fazendo Julianne deglutir seco.

— Já deu! Vasconcelos vai levar dois dias de suspensão! — Eleonor já estava impaciente. Os pais de Julianne assinaram alguns papéis e depois foram em direção à saída.

— Meu coração negro pula de alegria neste momento. Dois dias sem ver a cara irritante das pessoas desse inferno!

Vasconcelos pega a mochila que um dos amigos tinha ido a entregar. A ruiva saiu da sala, mas logo teve o braço puxado por Christina quando ia chegando no portão. O quarto tempo já tinha começado.

— Precisamos conversar! — A olhou com pesar.

— Realmente precisamos vossa majestade. Tem que ser agora? Tenho o diabo e o secretário me esperando… Podemos nos ver mais tarde naquele lugar que nos encontramos ontem, o que acha? — Esboçou um sorriso instantaneamente. Mesmo que não fosse dar em nada, queria sim esclarecer muita coisa pra loira.

— Pro carro, agora! — Beatriz puxou a filha abruptamente pelo braço.

— Você está me machucando! ME SOLTA! — Tentou se soltar sendo arrastada para o carro. O mesmo já estava com o Vicente em frente ao volante. — AGORA EU NÃO VOU COM VOCÊ!

— Você não a ouviu? Solte-a! — Christina entrou no meio das duas soltando Julianne.

— Saia de perto da minha filha sua vadia! — Algumas pessoas que passavam ali pararam para olhar a confusão.

— Me obrigue. — Ficou na frente da ruiva.

Julianne estava prestes a presenciar uma desgraça, o comportamento de Christina estava a deixando intrigada ainda mais depois do que ocorreu. Ela gostava daquele jeito protetor dela, gostava da audácia. Seu braço já estava com as marcas roxas dos dedos da mãe. Doía.

— Você que pediu. — Bea avançou na mulher desferindo um tapa no rosto da mesma a fazendo dar alguns passos para trás. Julianne arregalou os olhos olhando a mãe incrédula. — Você, para dentro o cargo agora! Você me paga por essa vagabunda está te defendendo, também me deve explicações, muitas explicações! — Olhou diretamente para a blusa que Julianne usava; era a mesma que Chris usava no dia que Bea às pegou na cozinha.

— Vai se danar Beatriz! — Julianne negou com a cabeça e foi até onde Christina estava à mulher estava com a boca sangrando. Quando ela pediu para olhar o estrago, viu as órbitas da loira praticamente enegrecidas.

Ódio.

Aquela não era a Christina que conhecia, ela tinha tomado uma compostura totalmente diferente. Moraes olhou Bea que ainda se mantinha parada as duas, ela caminhou em direção a ela e deu uma bofetada ainda maior no rosto da ruiva. Em sua mão direita tinha um anel que se assemelha as garras de um pássaro; fez um estrago ainda maior na pele dela.

— Você não imagina o quanto eu esperei por esse momento. — Chupou o sangue que tinha ficado nos seus dedos. — Vai ganhar uma bela cicatriz Bea. — Esboçou um sorriso cínico. — Já que você não quer ir, venha comigo Julianne, ainda temos uma conversa para terminar… Podemos adianta-la— Se virou para a ruiva que ainda olhava a mãe com o rosto praticamente jorrando sangue.

— Sabia que isso pode ter consequências? Você está em frente ao seu local de trabalho. — A mais disse ainda olhando a mãe que a lançava um olhar mortal.

— Eu não me importo, a única coisa que me importa agora é você. — Caminhou até a moça.

— Você vai pra casa querendo ou não! Essa baixaria já deu. Não tenho paciência para ficar olhando isso! — Vicente saiu do carro a arrastou Julianne a força a jogando dentro do veículo.

— Você ainda me paga sua vadia! — Bea olhou Christina e após entrou no carro. Ela já desconfiava dessa proximidade toda das duas, isso só iria piorar ainda mais as coisas.

— MALDIÇÃO! — Christina grita atravessado a rua e entrando no colégio novamente.

Ela estava preocupada com Julianne, nem ao menos puderam conversar e temia pelo pior. Sabia das atrocidades que Beatriz era capaz, ainda mais estando com o marido ou ex, seja lá o que for. A loira foi diretamente para o banheiro se recompor, ela iria atrás de Julianne, dois dias sem a ver seria um martírio. Depois do que houve, precisava ainda mais a ver. Não teria mais como fugir, Julianne a tinha laçado de vez.

 

……..

 

Beatriz sai arrastando Julianne pelos cabelos assim que chegaram em casa. Vicente se manteve dentro do carro nervoso e bastante irritado, conhecia a filha bem o bastante para saber que aquela proximidade com a professora não era comum. Na cabeça dele não era coisa boa.

— Que liberdade é essa de ficar de conversinha com aquela mulher desprezível? — Joga a ruiva no tapete da sala.

— Eu falo com eu quiser, eu faço o que eu quiser, eu ando com quem eu quiser! — Se levantou indo em direção às escadas.

— EU ODEIO AQUELA MULHER, VOCÊ NÃO DEVERIA AO MENOS DIRIGIR A PALAVRA A ELA!

— VOCÊ A ODEIA, EU NÃO! MUITO PELO O CONTRÁRIO! VAI FAZER O QUÊ? TRANCAR-ME NO QUARTO NOVAMENTE? MUDAR-ME DE ESCOLA? SE VOCÊ A ODEIA O PROBLEMA É SEU! — Começou a subir as escadas com Bea indo atrás.

Julianne ia em passos rápidos em direção ao quarto, os gritos das duas ecoavam pela casa toda.

— Nos deixe as sós Beatriz, agora ela vai receber o devido castigo!

Vicente aparece no corredor e pega Julianne pelos braços a jogando dentro do quarto abruptamente, após tranca a porta deixando Bea furiosa no corredor. 


Notas Finais


Espero que tenham gostado. A bagaça ficou meio feia, principalmente dentro do quarto de Julianne, o castigo que ela recebeu não foi agradável. Digamos que o pai dela é bem tétrico.

Até a próxima!

Link da música: https://youtu.be/NMNgbISmF4I


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