História Small Joke - Capítulo 3


Escrita por: ~

Postado
Categorias Vocaloid
Personagens Kaito, Len Kagamine, Luka Megurine, Meiko, Miku Hatsune, Mikuo Hatsune, Rin Kagamine
Tags Amigos, Bullying, Família, Gumi X Mikuo, Meiko X Kaito X Miku, Miku X Kaito, Romance, Traição
Exibições 15
Palavras 5.068
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 10 ANOS
Gêneros: Colegial, Escolar, Romance e Novela, Universo Alternativo

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Maquiagem e roupa pronta Realmente fico muito bonita Meus cílios são longos? Não ligue, pois são falsos Meu delineador é perfeito, para deixar um realce em negrito Eu me pergunto se meus lábios não estão rosa demais Estou mostrando um busto pequeno demais? Mas é o que você gosta né? Meus saltos são de 3 cm de altura, para alcançá-lo estou na ponta dos pés Estou com uma baby doll, essa fragrância fez meu coração acelerar? Minhas unhas de vermelho estão lindas? Ei Você está sonhando? Não vou dizer que você é o único Não se enganem Sou uma mentirosa Eu tenho algo a dizer Você pode ouvir minha voz Pode ser um pouco mais agressivo, mantenha-me perto à você! De repente, me abraçando forte, você não pode fazer algo assim? Você é mais alto do que eu por 10 centímetros , é muito fácil me abraçar, não é?
- Sweet Devil - Hatsune Miku

Capítulo 3 - Love


Fanfic / Fanfiction Small Joke - Capítulo 3 - Love

Como assim isso foi um “simples acidente”?! – Mikuo berrava com Kaito no meio jardim principal. O esverdeado estava com uma mão sobre o ombro da irmã, enquanto examinava o machucado e limpava o sangue que escorria com a outra (mão), e Kaito estava atrás de Miku, meio constrangido por tal situação.

– Não foi nada, Mikuo. Esquece! – Miku retirou a mão de Mikuo de sua testa, colocando sua própria mão para estancar o sangue que escorria. Mikuo observava sua irmã, preocupado, aquilo não era incomum de acontecer, muito pelo contrário, era até muito comum, mas sempre dava uma dor no coração de Mikuo, ver a irmã com algum machucado, principalmente com um machucado daquele tamanho.

– “Não foi nada”? Miku, a sua testa está roxa! – Mikuo estava com uma expressão preocupada, aquilo era visível para todos, mas não poderia deixar de fazer qualquer tipo de piada com sua irmã, diferente dos outros, ele fazia com certo afeto, o que agradava muito a garota, que abriu um sorriso de canto ao ouvir o comentário do mais velho.

– Só para constar, eu não sei de nada, eu não vi nada! – Kaito se pronunciou, dando um passo a frente, chamando a atenção dos irmãos, que olharam enfurecido para o garoto. Kaito também tentou entrar na brincadeira, mesmo que tenha sido no momento errado. Rapidamente, o garoto voltou ao seu lugar, atrás da Hatsune.

– Não é nada, Mikuo. Foi apenas um acidente que aconteceu enquanto eu estava vindo para cá! Não tem com o que se preocupar! – Miku tirou de leve a mão da testa, conferindo se ainda estava sangrando.

– Conta outra. – Kaito falou em um tom de sussurro e virou a cabeça para a direção contrária da garota, bufando. Os irmãos não deixaram de olhar para o garoto, e uma expressão furiosa nasceu no rosto da garota.

– Se não quiser me contar, não conta. Mas para de mentir! – Mikuo cruzou os braços, chamando a atenção de volta para si.

– Não leva para o lado pessoal, só não quero que você se preocupe! – Miku aproximou-se do irmão, dando um tapa de leve no rosto do mesmo – Eu vou esperar lá fora, é bom se apressar!

A Hatsune deu as costas e foi andando até os portões de grade da escola, os irmãos ainda teriam que esperar pelo chofer, já que o mesmo se atrasava algumas vezes, por ter de buscar algo que os irmãos necessitavam, o que acontecia constantemente.

Quando a garota deixou o campo de visão dos garotos, instantaneamente os mesmos se entreolharam, fechando a cara. Mikuo olhava para Kaito com uma expressão de desgosto, como se algo nele não o agradasse.

– O quê? – Kaito perguntou. Sabia muito bem o motivo para aquela expressão, mas adorava provocá-lo.

– Eu sei que a Miku não vai me contar o que aconteceu, mas eu não preciso ser um gênio para saber que tem o dedo da Meiko com ciúmes de você! – Mikuo cruzou os braços, fazendo Kaito trincar os dentes com tal declaração.

– A culpa não é minha se a Meiko é louca. – Kaito também cruzou os braços, mas neutralizou sua expressão, tentando conter toda a sua raiva, já que essa não era a missão de vida do Hatsune.

– Mas a culpa é sua que a Meiko desconte na Miku. – Um sorriso debochado nasceu no rosto de Mikuo, fazendo com que a expressão indiferente de Kaito se tornasse irritada.

Um breve silêncio tomou conta do local, os dois garotos olhavam-se sem falar nada, como se provocassem um ao outro. Mikuo tinha um sorriso provocante no rosto, como se estivesse zombando de Kaito, o que fazia com que o azulado cerrasse os punhos constantemente.

O que quer que eu diga?! Sim, foi minha culpa! Está feliz?! – Kaito não conteve-se e falou o mais alto que conseguiu, porém o Hatsune não se demonstrou abalado ou fraco. Apenas deu uma risada, abaixando a cabeça.

– Acha que eu queria que você dissesse isso? – Por pouco, ele levantou a cabeça, com um olhar debochado que logo encontrou os olhos furiosos de Kaito – Eu sei que você sabe que é sua culpa! Eu só queria que você parasse com esse joguinho besta que você está fazendo com a Miku!

Aos poucos, a expressão debochada de Mikuo foi sumindo e dando lugar para uma expressão irritada, Kaito aproximou-se do garoto e segurou a gola da camisa do mesmo, os olhos de Kaito demonstravam uma expressão irritada e arrependida.

– Não ouse dizer que eu estou fazendo um “joguinho” com a Miku!

– Eita! Ficou com raivinha! – Mikuo fazia uma expressão debochada, dando pequenas risadas do comentário.

Kaito não se conteve e acertou um soco no rosto de Mikuo, que foi para trás com o impacto. Mikuo havia realmente ficado surpreso com aquela ação, na verdade, sabia que se eles estivessem sozinhos, sem a Miku por perto, Kaito faria coisa pior, porém Miku estava a poucos metros de distância, se bobear poderia escutar tudo o que estava sendo dito.

– Cala a boca! – Kaito não se mostrou arrependido pelo que fez, apenas afastou-se do garoto, esboçando muita raiva.

– O quê? Não aceita a verdade?! – Mikuo continuava com as provocações, não gostava nem um pouco de Kaito depois do que havia descoberto sobre o mesmo – Sabe que uma hora ou outra a Miku vai descobrir o que você fez. Mas eu me pergunto, será que ela gostaria de descobrir por mim ou por você?

– Eu mandei calar a boca! – Mais uma vez, Kaito acertou outro soco, agora na boca de Mikuo. Outra vez, Mikuo foi para trás com o impacto.

– Cuidado, a Miku está aqui perto! Não quer que ela veja esse seu lado “assustador”! – Fez aspas com os dedos, Kaito afastou-se de Mikuo, o garoto estava completamente certo, se Miku o visse fazendo este tipo de coisa, com certeza se afastaria.

– Não foi minha culpa!

– Ah, não se faça de santinho! Até parece que eu ligo para o que você diz! – Mikuo aproximou-se de Kaito, agora com uma expressão raivosa e um tom de voz que não escondia – Foi você quem fez, então não tem desculpa para isso. Mas agora, deveria ter coragem o bastante para dizer a verdade para a Miku, e não ficar aqui, servindo de consolo para tudo o que você foi responsável! Idiota!

Com passos largos e pesados, Mikuo deixou o local. Kaito estava estatelado no lugar, o que Mikuo havia dito era verdade, aquilo tudo era culpa dele, e ele se arrependia todos os dias do que tinha feito, mas agora era tarde demais, não dava mais para que ele se arrependesse.

De relance, ele pôde ver que os irmãos já estavam indo, ele estava completamente atordoado com o que havia acontecido com ele e Mikuo, nunca pensou que chegaria a esse ponto, sem falar que nunca pensou que Mikuo iria aceitar os socos dele de bom grado, sem revidar.

Kaito estava perdido em pensamentos, coisa que era raro de acontecer, mas depois de todo aquele dia, era impossível ele não se perder em pensamentos, coisa que ele achava que aconteceria até mesmo com Miku, afinal, ela foi a peça principal de tudo isso.

“Tadinha…”, Kaito pensou com uma expressão piedosa.

– Kaito, meu amor! – A voz de Meiko ecoou por sua mente, até o momento que ele percebeu que a garota estava agarrada ao seu corpo. Kaito não deixou de ficar constrangido quando percebeu que Meiko espremia seus seios fartos em seus braços.

– Oi Meiko. – Kaito falou frio e ríspido, afastando a garota de si. A mesma o olhou com uma expressão confusa e frustrada, odiava quando ele fazia isso.

– O que foi? – A voz de Meiko soou como a de uma criança pequena, sem falar nos olhos de cachorro pidão que ela fez. Todas aquelas tentativas de “tentar” Kaito com sua inocência, sempre irritavam o garoto, ele já sabia todas as ações de Meiko, não seria uma pequena atuação que faria com que ele não se irritasse com ela.

– É sério? – Kaito olhou fundo nos olhos castanhos, chegando a dar um arrepio na garota.

– Eita. O que foi que eu fiz dessa vez…? – Meiko desistiu das suas tentativas de seduzir Kaito quando percebeu que ele não estava contente, porém, Miku havia saído de seus pensamentos no momento que ela deixou a garota sozinha na sala de aula.

– “O que foi que você fez”? Meiko, você viu o que você fez com a Miku?! – Kaito voltou seu olhar para frente, a escola estava completamente vazia, a não ser por eles dois.

– Não vai me dizer que está com raiva de mim, por causa daquela garota! – Uma expressão indignada nasceu no rosto de Meiko, para ela, Miku não significava nada, era somente um obstáculo no seu caminho para conquistar Kaito.

– Será que você pode parar de se referir á ela como “aquela garota”?! Eu não sei se você sabe, mas ela tem nome! – O tom de voz frio de Kaito foi perceptível para a garota, que por pouco recuou com tal declaração.

“Como ele pode preferir ela do que eu?! O que esse cara tem na cabeça?!”, os pensamentos de Meiko ficavam cada vez mais indignados. Sua expressão ia aos poucos se fechando, se tornava cada vez mais furiosa.

– É. Eu sei que ela tem nome, mas não me interessa saber qual é!

Kaito virou-se para Meiko, já de saco cheio, porém quando iria começar a falar foi cortado pela garota.

– Caramba, Kaito! Como você pode preferir ela á mim?! Eu sou perfeita, melhor que qualquer garota nessa escola! E você ainda vai escolher uma ninguém feito ela?! Caramba, eu nunca pensei que você tivesse mau gosto, até pensei que a gente poderia tentar alguma coisa, mas visivelmente não, porque a única coisa que você faz da vida é seguir aquela garotinha! – Meiko estava lutando contra as lágrimas que ameaçavam cair, já Kaito ficava cada vez mais impressionado com a maneira que Meiko falava de si mesma, em seu pensamento, ainda poderia jurar que aquela garota era normal.

– Será que você percebe que você acabou de descrever você mesma?! Será que você não percebeu que você corre atrás de mim, como se você fosse uma cachorrinha?! Eu não tenho mau gosto por me apaixonar por uma pessoa que é boa e forte, eu teria mau gosto se, algum dia, eu tivesse escolhido ficar com você! – Kaito olhava nos olhos castanhos de Meiko, a garota já podia sentir as lágrimas escorrendo por suas bochechas, o que Kaito estava dizendo, estava quebrando o coração de Meiko em vários pedaços.

– C-Como você pode dizer isso…?! – Meiko mal conseguia falar, graças aos soluços que estava dando, mas não poderia ficar calada naquele momento.

– Meiko, eu não sei se você já percebeu, mas todas as pessoas nessa escola a chamam de “princesa” porque você é uma mimada, filhinha de papai! As únicas pessoas que ainda tentam te defender são as suas “seguidoras” que não saem por nada do seu lado. – Kaito falava sério, sem demonstrar excitação ou qualquer tipo de dúvida, o que falava era verdade, porém Meiko se recusava a acreditar.

– N-Não… I-Isso não é verdade…! – Meiko colocou suas mãos no rosto, escondendo as lágrimas, que escorriam por entre seus dedos – V-Você está mentindo.

Meiko soluçava muito, demonstrando toda a sua frustração. Sempre foi apaixonada por Kaito, por isso, aquelas palavras estavam doendo como facadas, mesmo que Kaito não entendesse aquela espécie de “amor maluco” que Meiko tinha por ele, ela realmente o amava, de maneira doentia, mas amava.

O coração de Kaito estava sentindo pena de Meiko naquele momento, a garota sempre se iludiu, dizendo a si mesma que é a melhor da escola, quando na verdade, ninguém a considerava dessa maneira, na verdade havia conseguido muito falatório pelos corredores, não no sentido bom.

– Ei. – O garoto colocou a mão sobre o ombro de Meiko – Não fica assim, com certeza, você pode mudar!

Meiko olhou nos olhos azuis de Kaito, aquela velha sensação de tentação tomou todo o corpo da garota, ela se sentia completamente abalada por dentro, aquilo estava sendo demais para ela. Até que ela finalmente retomou sua pose de forte e secou suas lágrimas em um movimento rápido.

– Não. Eu não vou desistir de você! – Rapidamente, a garota passou o braço pela nuca de Kaito e segurou seu rosto com a outra mão, aproximando seus rostos o bastante para selar seus lábios.

***

Miku e Mikuo estavam no banco traseiro do carro, cada um em uma janela. Mikuo observava de maneira desinteressada a paisagem que passava, enquanto Miku se preocupava em olhar seu reflexo no vidro para saber como estava seu machucado.

O mais velho notava alguns movimentos da irmã, mas não dava muita atenção, a garota sempre fazia isso quando estava no carro, como se não conseguisse apenas ficar parada. Porém, naquele dia estava mais agitada que o normal, até que o garoto percebeu quais eram suas intenções.

– Ei. – Rapidamente o garoto chamou a atenção da mais nova que olhou fundo nos olhos do irmão – Vem cá, deixa eu ver.

O garoto se aproximou da mais nova, colocando sua mão sobre o hematoma roxo que estava em sua testa. O local estava, ainda úmido pelo sangue, mesmo que já tivesse parado de escorrer há algum tempo.

A garota fazia algumas expressões doloridas, enquanto Mikuo examinava aquele hematoma.

– Está machucando? – O garoto tirou a mão da testa da irmã quando percebeu.

– Não, está tudo bem. – A garota colocou mais uma vez a mão sobre aquele hematoma, que não parava de latejar.

– Por que você não aceita minha ajuda, uma vez na vida? – Mikuo esboçou um sorriso gentil. Aquela maneira que a irmã tinha de querer fazer tudo sozinha, por um lado era engraçado, a garota sempre conseguia fazer o que queria fazer sozinha, mesmo que tivesse que fazer o impossível, por outro era preocupante, aquela maneira de se isolar completamente para não ter que pedir ajuda.

– Porque, no momento, não tem nada que você possa fazer. Quando chegarmos em casa, eu vou fazer um curativo e amanhã tudo isso vai ser passado! – A garota confiava piamente nisto, na verdade, não. Era mais uma maneira de deixar sua mente limpa e tranquila consigo mesma, mesmo que soubesse que o falava era mera mentira.

Mikuo puxou um “hum” com a garganta, voltando a olhar pela janela. Aquela paisagem de árvores de sakura passando pela janela era o que mais dava charme para a vizinhança que os dois moravam, sem falar que a simplicidade era o que mais poderia ser destacado.

– Acredita mesma nisso? – Perguntou Mikuo, duvidoso. O garoto não tirava o olhar da janela, prestava atenção naquela paisagem que estava diante de seus olhos, era linda. Miku, por outro lado, olhava fixamente para a expressão concentrada do irmão.

– Não. Nem um pouco. – Miku respondeu rapidamente e firmemente, tirando uma sutil risada de Mikuo pela sua indecisão constante, aquilo era o que mais deixava a garota simpática, mesmo que ninguém pudesse perceber isso.

Os dois continuaram assim até o resto do percurso.

[…]

– Senhorita? – Uma voz feminina e uma batida vieram das portas duplas de Miku.

– Entre. – A garota respondeu de sua cama. A garota estava completamente coberta por livros, ela gostava de fazer isso, para assim decidir qual leria, mas estava em uma dúvida cruel.

– Perdão pela interrupção, senhorita. Mas a senhorita está recebendo uma ligação no telefone principal. – A empregada, ainda bem jovem, falava de cabeça baixa, fazendo o máximo para não demonstrar desrespeito ou coisa do tipo.

Miku observava fixamente a mulher que estava na porta de seu quarto, não prestava muita atenção, pois estava mais concentrada em decidir logo de uma vez qual livro começaria.

– Sim, muito obrigada. – A garota respondia enquanto comparava a grossura de dois livros que estava em sua cama.

A mulher curvou-se educadamente para a garota e saiu do quarto, fechando a porta logo em seguida. Miku ainda demorou muito para finalmente sair de seu quarto em direção a sala de estar onde se encontrava o telefone principal.

“Por que o Kaito ligaria para o fixo?”, Miku perguntava-se em pensamento. Kaito sabia que Miku preferia que conversassem com ela pelo celular, assim teria menos chance de ser atrapalhada por Mikuo, que era o que mais gostava de fazer.

– Alô? – Miku sentou-se ao lado do telefone que ficava suspendido por um balcão um pouco alto.

“Merda, merda, merda!” – Kaito resmungava do outro lado da linha.

– Ei, o que é que foi? – Miku perguntou enquanto se encostava na parede atrás de si.

“Acabou de acontecer uma merda bem grande!” – Kaito falava firmemente e apressadamente, como se estivesse nervoso.

– Pelo seu curto diálogo quando eu atendi o telefone, eu posso supor isso!

“Na verdade você não faz a miníma ideia de nada! Aconteceu uma merda e foi das grandes!”

– Ok, essa parte, eu já entendi, agora, eu não sei se você vai simplesmente ficar nesse jogo de adivinha ou vai me falar o que aconteceu?

“A Meiko me beijou!” – Kaito falou sem rodeios, ele mudou o tom de voz subitamente, de nervoso foi para frio em um passe de mágica.

O quê?! – A surpresa da Hatsune foi tanta que ela caiu do balcão que estava sentada de cara no chão. A garota ainda estava processando o que o Shion disse, pasma.

“Miku? Você está aí?” – O tom de voz confuso de Kaito pôde ser ouvido pela garota, que ainda estava estatelada no chão com tal declaração.

Em um movimento rápido a garota se levantou e colocou o telefone no ouvido, pronta para começar o interrogatório como uma verdadeira policial.

– Como assim você beijou a Meiko? Pelo amor de Kami, o que foi que eu perdi?!

Epa, epa, epa! Só para deixar bem claro foi ela quem me beijou, não o contrário!”

– Ah, tanto faz, o que importa é que vocês se beijaram. É sério, me diz o que foi que aconteceu! – O tom de voz da Hatsune era curioso, a garota não podia admitir, era mais pelo fato que ela não queria admitir, mas estava sentindo um pingo de ciúme de Meiko, mas é claro que ela fingiu ser só sua imaginação e preocupou-se em prestar atenção no que Kaito falava.

“Fim da história!” – O garoto acabou de contar com um suspiro, não estava feliz pelo que havia acontecido, não mesmo, muito pelo contrário, se sentia sujo pelo que aconteceu.

– Você sabe que amanhã, vai ser a coisa que mais vai ser comentada nos corredores, não é?

“Tem como não saber?! Com certeza a Meiko vai mandar a Lily colocar na primeira página do jornal!” – Pôde-se ouvir que Kaito bateu a cabeça em algo duro – “Eu estou ferrado!”

– É. Está mesmo!

“Nossa, muito obrigado por este apoio moral!” – O tom de voz de Kaito era irônico, mas não deixava de dar alguma risada com a declaração da amiga.

– Ei. Você me ligou para que eu lhe dissesse a verdade, não o que você queria ouvir! – Miku tinha um tom de voz brincalhão. Já que estava suspensa por estar sentada no balcão, seus pés não tocavam o chão, por esse motivo, ela balançava-os para frente e para trás, como uma criancinha.

“E quanto a você? Sua testa parou de sangrar?” – Kaito mudou subitamente o tom de sua voz, agora estava curiosa e com um toque de preocupação, que foi muito bem ouvido pela Hatsune.

– Sim, parou sim. Só está roxo, eu coloquei um curativo para ver se melhora, como eu disse, amanhã tudo não vai passar de uma mera lembrança! – Miku não mudava muito, continuava com o tom brincalhão, que logo se tornou uma pequena gargalhada infantil.

Um silêncio desconfortável tomou conta dos dois, eles apenas ficaram calados com o telefone no ouvido, esperando que o próximo continuasse a conversa para não ficar aquele clima estranho. A língua de Kaito estava travada, ele não acreditava que havia acabado de dizer á Miku que a pessoa que ela mais odeia, havia o beijado. Quer dizer, Meiko não era a pessoa que Miku mais odiava, era bem o contrário, já que Miku não tinha ódio no coração, era realmente impressionante a capacidade de bondade dela, depois de tudo o que passa todos os dias.

– Então? – Miku finalmente tomou a dianteira da conversa, demonstrando um pouco de dúvida em sua voz – Já que era somente isso que você queria me contar, eu acho melhor eu voltar a ler. Depois nós conversamos, Kaito.

ESPERA!” – A garota já estava pronta para colocar o telefone no gancho, quando a voz desesperada de Kaito foi ouvida pelo outro lado do telefone; que nem estava mais em seu ouvido – “E-Eh… Já que o dia foi longo para os dois, por que a gente não sai para tomar um sorvete…?”

Miku rapidamente arregalou os olhos, aquele convite era bem momentâneo, nunca que ela esperaria por algo deste tipo, realmente havia a pegado de surpresa.

– C-Como…? – Miku não conseguia saber se Kaito estava falando sério ou se era apenas mais uma de suas brincadeirinhas, de qualquer jeito, ela não pagaria mico com ele também.

“É. Por que a gente não sai para tomar sorvete? Vai ser divertido!” – A dúvida na voz de Kaito foi desaparecendo gradativamente, ele parecia mais confiante, o que fazia Miku suspeitar que o que ele dizia era verdade.

– É-É! Por que não? Eu vou com prazer… – Miku estava excitante, nunca havia sido chamada para sair, não tinha amigos com quem pudesse sair, e Kaito com certeza nunca foi este tipo de pessoa.

“E-Então, eu passo na sua casa para te buscar? Ou nos encontramos na sorveteria?” – Não poderia dizer que aquele era o primeiro encontro de Kaito, não mesmo, já havia tido milhares outros, mas aquele era diferente, aquele era com uma pessoa que ele queria estar.

N-Não! – Miku deu um berro no telefone, que fez com que Kaito afastasse o telefone de seu ouvido – Quer dizer… Não precisa! Eu encontro você na sorveteria, daqui a pouco eu chego! – Sem nem ao menos deixar o garoto responder, ela colocou o telefone no gancho e saiu correndo para o seu quarto, batendo a porta assim que entrou.

A garota encostou suas costas na porta fechada, abaixando a cabeça logo em seguida.

“Isso quer dizer que nós estamos eu um… Encontro?”, a mente confusa da garota se perguntava isso, para Miku era a primeira vez que saía de casa com alguém, principalmente com um garoto, era algo novo para a garota.

Subitamente uma risada começou a sair de Miku, risadinha de nervosismo ou coisa do tipo. A garota dava risadas baixas, sem levantar a cabeça ou tom de voz das risadas, apenas continuava com a cabeça baixa e dando risadas.

“Isso com certeza é um encontro! O que eu vou fazer…?!”, a garota estava nervosa com aquela situação, não conseguia controlar aquela risadinha, era coisa dela, sempre que estava nervosa ou ansiosa para algo, dava risadas, era sua maneira de se acalmar, mesmo que aquilo não fosse possível.

[…]

Kaito estava na varanda da sorveteria, estava usando uma calça jeans escura com uma camiseta branca e uma jaqueta de couro preta, estava como sempre. Ele estava sentado em uma cadeira próxima á saída para que pudesse ver qualquer pessoa que passasse pela sorveteria, mesmo que não estivesse prestando atenção, já que ficava mexendo em seu celular.

– Acho que está esperando por mim… – Uma voz fina chegou aos ouvidos de Kaito, ele subitamente levantou a cabeça para onde vinha aquela voz, era Miku.

Ela estava linda, estava com uma calça jeans preta, uma regata branca com uma nota musical preta no centro, e com os cabelos presos tradicionalmente, porém com laços dourados, pouco maiores que os de costume.

– Exatamente por quem eu estava esperando! – Kaito levantou-se rapidamente e foi em direção a garota, que fazia a mesma coisa. Os dois estavam constrangidos, aquela era uma situação vergonhosa para ambos, mesmo Kaito que já havia feito aquilo milhões de vezes, estava sem ideia sobre o que fazer.

***

Você beijou o Kaito?! – A voz estridente de Luka já era ensurdecedora quando falava em tom normal, quanto mais quando ela gritava repetidamente para a garota que estava estirada em sua cama.

– Sim, agora será que você pode parar de gritar?! – Meiko estava feliz pelo que havia feito, se sentia mais leve com a sua ação, mas seu coração ainda batia dolorosamente pelo que Kaito havia dito á ela antes do que ela fez.

– Então, por que está tão triste assim? – Gumi sentou-se ao lado da garota, a mesma colocou a mão sobre o seu rosto, tentando esconder as lágrimas que escorriam por entre seus dedos.

– Ei, por que está chorando? – Luka sentou-se do outro lado da garota, retirando as mãos do rosto da amiga.

– O Kaito me falou coisas horríveis… – A garota não conseguia falar direito, pois o choro a atrapalhava – E me disse que estava apaixonado por aquela garota…! Dá para acreditar?! Aquela garota! É ridículo! – A mesma se sentou na cama, no meio das garotas. Seus olhos estavam marejados, e as lágrimas escorriam livres pelos seus olhos que estavam começando a ficar vermelhos.

– Aquela garota? A Miku? – Gumi sentou-se mais próxima de Meiko, com uma expressão surpresa. Gumi não odiava Miku tanto quanto Meiko, apenas não a achava necessária e que poderia ser descartada sem nenhum problema.

– Ah, qual é? Convenhamos que a Miku é bonita! – Luka era a menos “má”, se podemos chamá-las assim. Ela não considerava Miku como uma pessoa descartável ou desnecessária, na verdade, nunca havia conversado com ela para saber sobre o que pensar.

Meiko e Gumi olharam surpresas para a rosada, meio impressionadas pelo que a garota falou. Meiko foi a primeira a olhá-la com desprezo, aquele era um comentário que ela não precisava ouvir.

Luka estava começando a ficar desconfortável com aqueles olhares reprovantes que estavam sendo dirigidos para a mesma.

– Quer dizer, o que foi que ela fez para todo mundo? – Luka deu de ombros e olhou para o lado contrário, não conseguia ficar olhando para aquelas expressões que estavam sendo dirigidas para ela. A garota amava as amigas, mas achava que aquilo que elas tinham de “odiar” aquela garota, era ridículo.

– “O que ela fez para todo mundo”?! – Meiko estava indignada com tal declaração, aquilo era algo que as amigas deveriam compartilhar com ela, o ódio da garota que havia roubado seu amado – Aquela garota é um obstáculo que fica tirando o Kaito de mim! O Kaito não merece alguém como ela!

– Mas, o que ela tem de tão ruim? – Luka continuava retrucando as amigas, tinha uma expressão indiferente, assim como sua voz.

– Ok, Luka. Eu sei que você é muito boa, mas será que você poderia voltar para a realidade? – Gumi estava entre Meiko e Luka, Meiko estava quase avançando no pescoço de Luka, então Gumi deveria impedir que acontecesse um assassinato naquele dia.

– Eu estou na realidade! Por que você odeiam ela? O que ela já fez para vocês?! – Luka estava começando a ficar irritada, não tinha motivo para isso, não conhecia a garota, não sabia o porquê de estar a defendendo. Ela geralmente ia com a maré, mas depois de tanto tempo que ouvia Meiko falando mal de Miku, começou a ficar cheia de tudo aquilo.

– E o que ela já faz para você para a defender desse jeito?! – Meiko ficava mais indignada a cada segundo que Luka continuava falando da garota. Achava que já havia entrado nas mentes das garotas e feito com que elas não gostassem de Miku tanto quanto ela, mas parecia que Luka duvidava de sua “intervenção”.

– Ela não me fez nada, e é por isso que eu estou a defendendo! Não tem para quê tudo isso, não sabem que ela também é um ser-humano?! – Luka não chegava a gritar, mas o tom desafiador de sua voz era algo que deixava Meiko fervendo de raiva.

– Ela é um ser-humano que não merecia estar na nossa presença, ela não é necessária para nenhum de nós, será que você não percebe?! – Meiko afastou Gumi de Luka, e aproximou-se da rosada. Sua expressão era intimidadora, dando arrepios em Luka.

– Pelo que você falou, ela é necessária para Kaito. – A rosada levantou-se da cama e ficou á frente de Meiko, com uma das mãos na cintura. Ela estava com uma expressão desafiadora, que logo se tornou pasma quando ela sentiu o estalo da mão de Meiko contra o seu rosto.

Nunca mais repita isso em toda sua vida! – Meiko estava se controlando para não chorar novamente, Luka era uma amiga próxima de Meiko, tanto quanto Gumi, não conseguia acreditar o que estava acontecendo, aquele era realmente o pior dia da vida de Meiko.

Luka olhou para o rosto de Meiko, sua bochecha estava roxa, onde Meiko a acertou. Os olhos castanhos de Meiko estavam avermelhados, por causa das lágrimas que já deixara cair por todo o momento que estava em sua casa e na escola, aquele momento com Luka seria o pior momento que havia acontecido com ela.

– Cansei de ser sua escrava! – Luka falou em tom desafiador, a garota pegou sua bolsa branca e saiu do quarto da garota com passos pesados, Meiko e Gumi seguiram-na com o olhar, Meiko não conseguia mais segurar as lágrimas que escorriam livres pelos seus olhos.

A garota se sentou na cama, ainda observando a porta pela qual Luka havia saído indignada, a garota não se aguentava então apenas se deitou em sua cama, sem diferenciar sua expressão decepcionada, porém tinha realmente tristeza naquela expressão, Luka era uma amiga muito importante para Meiko.

Gumi estava ao lado de Meiko, tentando acalmá-la pelo que havia acontecido, sem resultados, pois a garota não conseguia, nem ao menos, parar de soluçar. Suas lágrimas escorriam por seus olhos até o travesseiro em que ela estava deitada. Nunca havia acontecido tanta coisa com a garota em um só dia, aquilo era demais para a garota, não havia recebido tanta verdade na cara, sempre foi acolhida por todos e amada pelas pessoas que estavam á sua volta.

“Kaito estava certo… Eu sou uma filhinha de papai!”, Meiko pensava enquanto as lágrimas corriam sem piedade. Gumi não sabia o que fazer para confortar a amiga, e estava começando a se sentir desconfortável com aquela situação. A única coisa que pôde pensar, foi em deixar a garota sozinha para arejar a mente sem problemas, então foi embora, deixando a garota chorando sozinha no escuro de seu quarto.

– Não! Eu vou mostrar para o Kaito que ele cometeu um erro quando me rejeitou! Eu vou mostrar para Luka que eu sou melhor que aquela garota, e que aquela garota não é ninguém!


Notas Finais


Então esse foi o capítulo 3, espero que tenham gostado
Vejo vocês no capítulo 4
***
Bye


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...