História Small Miracle - Capítulo 3


Escrita por: ~

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Categorias Fifth Harmony
Personagens Ally Brooke, Camila Cabello, Dinah Jane Hansen, Lauren Jauregui, Normani Hamilton, Personagens Originais
Tags Camila Cabello, Camren, Camren G!p, Camreng!p, Lauren Jauregui
Exibições 233
Palavras 4.239
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Yuri
Avisos: Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá amores, me desculpem pela demora

Os erros conserto depois

Boa leitura

Capítulo 3 - Capítulo 3


LAUREN NÃO se preocupava.

Lauren ficava apreensiva por seus pacientes de vez em quando, mas preocupação não era com Lauren.

O pior dia da vida de Lauren acontecera havia muito tempo, e ela sabia que as coisas jamais poderiam ficar tão ruins novamente; consequentemente, Lauren apenas seguia em frente. Não se afligia, nem ficava se remoendo ou se preocupava.

Lauren não se preocupava fazia anos.

Mas agora havia alguma coisa lhe incomodando, e, ainda que tentasse ignorar o fato, o incômodo persistia.

Era apenas o segundo dia de Lauren no Hospital Bay View, e haviam aberto e porteira.

Uma pessoa afogada havia sido trazida às pressas, assim como as vítimas de um engavetamento na estrada à beira-mar. Estava fazendo mais de 40 graus, e as pessoas estavam desmaiando por toda a parte. Era mais um daqueles dias em que todos se esforçavam para dar conta do trabalho, e trabalhavam até o limite e além.

Inclusive Camila.

Lauren podia ver os tornozelos de Camila inchando à medida que o plantão prosseguia, e observava expirando pesadamente pela boca e suas faces vermelhas, enquanto Camila esvaziava mais um carrinho e o preparava para a interminável lista de recipientes; podia ver o esforço nos movimentos dela, e, então, finalmente, e expressão de puro alívio em seu rosto às 3:30 da tarde, quando o plantão de Camila acabou. Enquanto a observava caminhar trêmula, gostando ou não, Lauren estava preocupada.

– O que você vai fazer esta noite? – Keana estava digitando rapidamente em seu computador. No final da casa dos 30, e absolutamente estonteante, ela era também inteligente. Com cabelos loiros compridos, tinha olhos castanhos amendoados, lábios vermelhos e grossos, e se vestia como se tivesse acabado de sair de uma capa de revista.

Felizmente, felizmente mesmo, Lauren não se sentia nem um pouco atraída por Keana, o que significava que não havia problemas em dividir uma sala minúscula e que elas podiam conversar com facilidade sobre as coisas, o que faziam naquele momento, enquanto Lauren encerrava seu expediente e arrumava sua maleta. Era apenas o segundo dia de trabalho dela, e a papelada já estava se acumulando.

– Eu vou dar uma parada no escritório do corretor de imóveis, e então vou até a delicatessen para comprar uma salada de galinha em vez de um hambúrguer – Lauren pensou por um momento –, e depois eu vou me obrigar a ir correr esta noite. E você?

– Eu vou te mostrar… – Keana sorriu maliciosamente. – Venha cá.

Curiosa, Lauren foi até a mesa dela e olhou para a tela do computador, deparando-se com a imagem de um homem de aparência bem comum.

– Clínico geral, perto dos 40, tem filhos, mas não quer envolvê-los ainda...

– Como? – Lauren não fazia ideia do que Keana estava falando.

– Isso é bom – disse Keana. – O último cara com quem eu saí levou os filhos no segundo encontro! Nós conversamos pelo telefone – Keana explicou para uma divertida Lauren –, e ele parece ótimo; nós vamos sair para tomar um café esta noite.

– Você tem um encontro com ele?

– Café. – Keana riu. – Você deveria tentar, faria o maior sucesso!

Lauren sacudiu a cabeça.

– Namoro via internet não é para mim.

– Não descarte e a possibilidade antes de tentar.

– Tome cuidado. – Lauren franziu as sobrancelhas. – Você não deveria levar alguém quando for encontrá-lo? Ele pode ser qualquer tipo de pessoa!

– Ele é exatamente quem diz ser. – Keana deu uma piscadinha. – Eu verifiquei a ficha dele. 

– Bem, boa sorte.

O corretor de imóveis estava sendo gentil com Lauren novamente; ele havia ficado um tanto chateado no começo quando Lauren não comprara o apartamento, mas obviamente havia superado aquilo e era o melhor amigo de Lauren de novo, agora que tinha um genuíno cliente em potencial para a casa.

– Eu posso dar uma olhada? – Lauren perguntou.

– Não até abrirmos para visitação no final de semana – disse o corretor. – Depois disso, eu posso marcar uma visita particular para você.

– Na verdade, eu estou trabalhando neste final de semana – disse Lauren –, então não se preocupe.

– Mas você vai vir dar uma olhada? – o corretor perguntou, ansioso.

– Como eu disse... – Lauren deu de ombros. – Eu estou trabalhando, mas isso não é um problema, realmente. Na verdade, eu vou visitar outra casa esta noite.

Aquilo certamente fez com que o corretor pegasse o telefone. Uma visita particular foi marcada em menos de uma hora, e Lauren andou à vontade pela casa que estava pensando seriamente em chamar de lar. Seria preciso muito trabalho; a cozinha estava um desastre, e o banheiro do andar de baixo teria que ser totalmente refeito, mas o quarto principal já havia sido reformado, com janelas que iam do chão ao teto com uma vista espetacular da baía, e um banheiro fantástico. Sim, a casa era grande demais para uma pessoa, mas ela simplesmente parecia ser a escolha certa. Ela poderia reformá-la, pensou Lauren, fazer tudo bem devagar, reconstruir a cozinha, organizar o quintal... De pé no quarto principal, olhando pela janela para a baía, Lauren sentiu o primeiro sopro de contentamento em anos, a primeira, primeiríssima sensação de como estar em casa deve ser, finalmente. Apesar de sua indiferença com o corretor, apesar de ter sacudido a cabeça ao descobrir o preço da casa e que o proprietário queria um acordo rápido, ela estava apenas jogando o jogo necessário. Lauren mal podia esperar pelo leilão.

Uma onda de calor atingiu Lauren quando ela abriu a porta de seu apartamento. Lauren abriu as janelas, ligou um ventilador e colocou seu jantar na geladeira; então, tirou a roupa e rezou para que o chuveiro estivesse frio naquela noite, o que felizmente aconteceu.

Depois de tomar banho, vestiu shorts e foi para a cozinha. De repente, sem aviso, ouviu-se um ruído longo, como um rosnado, e tudo parou.

Aquilo estava acontecendo em todo lugar em Melbourne: quedas de energia todas as noites, por causa dos sortudos que tinham ar-condicionado e, egoisticamente, ligavam os aparelhos no máximo. Lauren tinha apenas um ventilador, que agora, obviamente, não estava funcionando. Ela foi até o lado de fora para checar os fusíveis, só para garantir que o problema não era só dela, e olhando para a fileira de unidades da rua, viu Camila fazendo a mesma coisa.

Camila vestia um par de shorts lilás desta vez, e uma blusa preta sem mangas. O cabelo dela estava molhado, e ela parecia bastante irritada.

– De novo! – Camila revirou os olhos, acenou de leve para Lauren, e voltou para o que certamente se tornaria uma fornalha em breve; ao contrário do apartamento de Lauren, o de Camila tinha a vantagem questionável de receber todo o sol da tarde.

E foi então que aquele incômodo a atingiu de novo: uma sensação estranha, há muito tempo esquecida, que lhe deu um frio no estômago enquanto abria a geladeira às escuras e retirava as embalagens plásticas que trouxera da delicatessen; um estranho sentimento de preocupação por uma pessoa.

Lauren não queria vizinhos que aparecessem à sua porta sem aviso e, certamente, jamais imaginara que seria uma vizinha que fizesse uma coisa dessas, mas lá estava Lauren, na soleira da porta de Camila. Camila atendeu segurando uma tigela de cereal e estava claramente aborrecida com a invasão, mas tentava ser educada.

– A eletricidade deve voltar em algumas horas; isto anda acontecendo bastante ultimamente – disse Camila, fechando a porta. Camila não estava realmente irritada com Lauren, e não queria parecer rude; estava simplesmente tentando ignorar o fato de que Lauren vestia apenas um par de shorts. O que era normal, obviamente, no meio de uma onda de calor. Se Lauren tivesse chegado dois minutos mais tarde, Camila mesma teria que se vestir novamente antes de atender a porta!

A visão do corpo de Lauren exposto a fez corar mesmo assim, e Camila não queria que Lauren percebesse.

– Você já jantou? – Lauren perguntou para a porta que se fechava, e Camila fez uma pausa, olhando de forma culpada para a tigela de cereal, que provavelmente não era a melhor opção de jantar para uma mulher nos últimos meses de gravidez, e imediatamente se colocou na defensiva.

– Não dá para cozinhar sem eletricidade.

– Não precisa, eu tenho bastante. – Lauren mostrou os pratos, para tentá-la. – Vamos comer na praia, é bem mais fresco lá.

E era. Havia uma brisa deliciosa vinda do sul, e enquanto Camila caminhava na areia à beira-mar, Lauren podia praticamente ouvir o chiado quando os tornozelos vermelhos e inchados de Camila tocavam a água.

– Eu devia ter vindo para cá mais cedo. – Camila deu um suspiro de alívio. – Eu sempre tenho vontade de vir, e fico tão feliz quando chego aqui...

– Eu também. – Lauren sorriu, e era tão bom, depois de um dia tão agitado, simplesmente caminhar e não ter que dizer muita coisa, apenas observar os cachorros, os barcos, os casais... simplesmente ser. E depois sentar.

Galinha ao molho de estragão e maionese, com salada grega, era certamente muito melhor que cereal, e acompanhada de uma salada de frutas frescas, era praticamente a refeição mais saudável de toda a gravidez dela. O bebê deu um chute satisfeito quando Camila se recostou novamente.

– Estava delicioso, obrigada!

– De nada. – Lauren engoliu em seco, sentindo-se desconfortável. – Olhe, me desculpe se eu destratei você no trabalho.

– Você não fez nada disso – Camila disse, franzindo a testa.

– Fiz, sim – disse Lauren –, ou melhor, eu não deixei claro que nós já nos conhecíamos.

– Está tudo bem.

– Eu só gosto de manter as coisas separadas do trabalho...

– Está tudo bem – disse Camila. – Esta noite nunca aconteceu. – Camila se virou para o lado onde Lauren estava, e sorriu para ela. – Você está gostando do seu novo emprego?

– É bom – Lauren assentiu com a cabeça.

– Você morava em Sidney antes? – Camila resolveu verificar, porque tinha ouvido Ally comentar a respeito.

– Morava. – Lauren não deu mais detalhes. – Quanto tempo faz que você trabalha lá?

Camila não respondeu por um momento, porque estava ocupada em se acomodar novamente na areia, fechando os olhos de puro prazer.

– Quase três meses. – Camila entreabriu um dos olhos. – Eu não acho que eles ficaram particularmente felizes quando eu apareci para meu primeiro plantão.

Felizmente, Lauren não era politicamente correta o bastante para fingir que não tinha ideia do que Camila estava falando. Em vez disso, Lauren simplesmente sorriu, e Camila fechou aquele olho e finalmente, finalmente, finalmente relaxou.

– Meu Deus, isto é bom. – Camila suspirou, depois de cinco minutos de um confortável e delicioso silêncio.

E a vista também é boa, pensou Lauren, muito boa, sem dúvida. Os cílios de Camila tocavam suas faces de leve, os joelhos dela estavam levantados, e sua barriga parecia se mover como se tivesse vontade própria... como a de Jennifer, pensou Lauren, e então interrompeu aquele devaneio abruptamente.

– Então, não existe um sr. Cabello? – Lauren perguntou.

– Não. – Os olhos de Camila ainda estavam fechados.

– Você tem algum contato com ele, o pai do bebê?

– Não.

– Ele sabe? – Lauren perguntou, embora não fosse da conta dela. – Quero dizer, ele está ajudando você?

– Ele achou que estava ajudando – disse Camila. – Ele me deu dinheiro para fazer um aborto.

– Oh! – Lauren olhou fixamente para Camila.

– Eu estava na residência de obstetrícia quando descobri que estava grávida, e havia bebês por toda a parte... não que isso tenha feito com que eu quisesse um; eu fiquei apavorada, na verdade, mas...

– Você não precisa me contar mais nada, se não quiser.

Mas Camila queria; deitada ali, com os olhos fechados, perdida e sozinha e realmente, realmente confusa. Talvez, como todos diziam, falar ajudasse a clarear suas ideias. Valia a pena tentar, de qualquer modo, porque a ioga certamente não havia funcionado!

– Ele é casado. – Camila abriu os olhos então, e fechou-os de novo, e mesmo naquele pequenino espaço de tempo Camila viu a expressão de Lauren mudar. Foi aquele momento em que você é julgada, opiniões são formadas, e a outra pessoa presume saber tudo sobre você. – Eu não sabia disso, não que isso mude alguma coisa.

– Vocês ficaram juntos por muito tempo? – Lauren quis saber.

– Três meses. – Camila fungou. – Ele foi o meu primeiro, verdadeiro… Eu simplesmente acreditei nele. Quero dizer, eu sabia porque não saíamos com tanta frequência, e porque não podíamos frequentar a casa um do outro...

– Como?

– Não importa – Camila resmungou.

– Então, para onde vocês iam?

– Passear de carro, jantar, um hotel de vez em quando... – Camila olhou nos olhos verdes e límpidos de Lauren. – Ele é um pouco mais velho do que eu, bem mais velho, na verdade – Camila disse, e então ficou quieta por algum tempo.

Certo ou errado, Lauren a estava julgando; estava tentando não julgar, mas não conseguia.

Por que as pessoas não pensavam? Por que as pessoas eram tão descuidadas?

E agora havia esse bebê...

Lauren fechou os olhos e pensou em Jennifer; nos planos que elas tinham feito, em quanto elas haviam desejado um filho, e embora Lauren não dissesse uma palavra, Camila podia sentir a censura dela.

– Então, você nunca cometeu um erro? – Camila disse, na defensiva.

– Eu cometi muitos – Lauren admitiu.

– Mas nenhum caso, nada de que você se arrependa.

– Oh, eu me arrependo de muita coisa – disse Lauren.

– Você é solteira, divorciada... – Camila soava como o questionário no site de relacionamentos de Keana, e Lauren se encolheu por dentro.

– Viúva – Lauren disse, e então foi a vez de Camila julgar, Lauren sabia: Lauren já havia passado por aquilo muitas vezes.

– Você sente muitas saudades dela? – Camila perguntou, gentilmente.

– Sinto – Lauren admitiu, e foi o suficiente. Lauren deixou um pouco de areia escorrer por entre seus dedos, concentrando-se nos pequeninos grãos em vez de em si mesma, e então olhou para o relógio.

– A eletricidade já deve ter voltado, à esta hora.

– E se tiver voltado? – Camila sorriu. – Eu estou gostando da conversa... você estava me contando como sente falta dela.

Deus, Camila era insistente. Lauren realmente deveria se levantar e ir embora, mas Camila havia confessado tanto sobre si mesma, e, pegando outro punhado de areia, Lauren deixou que os grãos lhe escorressem pelo punho cerrado e admitiu um pouco da verdade.

– Eu sinto saudades por Jennifer, também. – O silêncio de Camila era paciente. – Ela amava viver. – Lauren olhou para a água e quase pode ver o rabo de cavalo louro de Jennifer balançando enquanto ela corria. – Ela estaria certamente correndo ou nadando agora, achando um tempo para fazer exercícios depois do trabalho.

– Ela se mantinha em forma?

– Perfeita forma. – Lauren assentiu, mas havia um pensamento dolorido ali porque, apesar de Jennifer fazer tudo certo, apesar de seu estilo de vida saudável, no final nada havia adiantado.

– O que ela fazia?

– Ela também era médica, da Emergência.

– O que aconteceu? – Camila perguntou, mas Lauren sacudiu a cabeça, sem querer comentar o assunto.

– Vamos. – Já era realmente hora de ir, e não somente porque Lauren não queria falar sobre aquilo. Lauren estava fazendo um favor a Camila. Uma mulher no estado de Camila não precisava mesmo ouvir como Jen havia morrido. Então, Lauren segurou as mãos dela e ajudou-a a se levantar, e elas caminharam lentamente de volta, conversando distraidamente sobre isso e aquilo, até Camila encontrar uma brecha novamente.

– Você saiu com alguém de novo... quero dizer, desde...?

– Ela morreu há três, quase quatro anos – Lauren disse, respondendo à pergunta não formulada.

– Oh.

– Eu tive alguns encontros. – Lauren deu de ombros. – Embora provavelmente fosse muito cedo.

– Você ainda as compara com ela? – Camila perguntou, indo diretamente ao ponto até onde ninguém mais ousava ir, mas Lauren simplesmente ignorou a pergunta e, feliz com a distração, abriu os portões que davam para os apartamentos, mas Camila esperou pacientemente.

– Ainda? – Camila perguntou.

– Como?

– Você compara as outras mulheres com ela?

Camila era uma coisinha insistente, como um pequeno pica-pau, bicando a madeira, bicando...

– Eu costumava comparar – Lauren admitiu. – Mas não agora, não é justo para ninguém.

– Principalmente porque ela parece ter sido a Supermulher – Camila resmungou, e a resposta dela foi tão divertida que Lauren sorriu. – Então – Camila pressionou –, você está pronta agora?

– Talvez, mas não para nada sério.

– Oh, eu tenho certeza de que vai haver muitas candidatas. – Camila sorriu. Afinal, ela havia ouvido as risadinhas e fofocas no vestiário; Lauren poderia escolher quem quisesse!

– E você? – Elas estavam sentadas nos degraus do apartamento de Camila agora, a conversa e a amizade muito recentes, muito frágeis para correr o risco de quebrar se Camila a convidasse para entrar. E, de qualquer forma, a energia ainda não havia voltado, então elas se sentaram nos degraus e começaram a se conhecer um pouco melhor.

– Eu não estou exatamente em condições de namorar. – Camila revirou os olhos. – Você pode me imaginar saindo para dançar?

– Acho que não!

– E eu ainda estou naquela fase “todos as pessoas são idiotas”.

– Provavelmente, é uma opção bastante inteligente nessa fase – Lauren concordou. – Eu mesma tenho sido um pouco idiota ultimamente.

– Conte-me tudo! – Camila realmente a fez rir, de tão ansiosa que estava por uma fofoca, e era tão fácil conversar com ela que, sem saber exatamente como, Lauren começou a falar:

– Eu estava saindo com alguém; ela era ótima, mas embora eu tenha sido franca com ela desde o começo...

– Ela não quis ouvir? – Camila completou por Lauren.

– Ela ouviu no começo, disse que queria a mesma coisa que eu... e então, bem, o relacionamento ficou mais sério. Ela começou a dar indiretas, dando a entender que queria coisas diferentes. – Lauren olhou para os olhos castanhos e sorridentes de Camila. – Como morar juntas.

– E não era assim para você? – Camila perguntou, espertamente.

– Talvez algum dia, mas ela também começou a falar sobre filhos. E de uma coisa eu tenho certeza, eu não quero filhos.

– Nunca?

– Nunca – Lauren respondeu, enfaticamente.

Camila entendeu o recado, e na verdade se sentiu agradecida por ele. Oh, elas mal se conheciam, mal haviam arranhado a superfície, mas havia certamente, se não uma atração imediata, pelo menos uma aguda consciência da outra. O que era algo que Camila não havia sentido em muito tempo; algo que estava certa, depois do modo com que Dean a havia tratado, que jamais sentiria novamente. Mas sentada ali, olhando para os olhos verdes de Lauren, ouvindo as palavras dela, Camila de repente percebeu que Lauren sentia a mesma coisa. Que Lauren estava lendo cuidadosamente as regras de qualquer relacionamento em potencial, se elas decidissem investir em um.

– Nós não podíamos ser menos compatíveis, realmente – Camila disse, depois de um momento de pausa. – Eu não estou procurando um relacionamento, você não está procurando um relacionamento sério, e... – Camila deu uns tapinhas na barriga enorme – isto não é uma hérnia!

– Eu já tinha percebido! – Lauren sorriu. – Então, que tal sermos apenas amigas?

Camila olhou para os olhos verdes de Lauren, e desta vez não corou. Oh, Camila estava com uma quedinha adolescente por Lauren; que mulher não teria? Mas seu coração estava machucado demais, seu ego muito abalado, e sua alma muito frágil para sequer pensar em seguir em frente mais uma vez. Era simplesmente agradável ter uma adulta com quem conversar. O mundo de Camila havia mudado tanto, e somando o fato de sua família não falar mais com ela com sua luta em se encaixar no novo curso, era simplesmente bom, muito bom, ter Lauren em sua vida, falar com uma pessoa em vez de olhar mecanicamente para a televisão. Uma amiga seria maravilhoso. E Lauren ainda ficou mais um pouco. Camila entrou em casa e trouxe dois copos de água, e então ficou brincando com margaridas enquanto elas conversavam, desfolhando-as com os dedos, juntando-as, e quando Camila não estava olhando para Lauren, era mais fácil para Lauren falar.

– Você sabe, eu tinha tudo com Jen... – Lauren passou os dedos pelos cabelos, tentando resumir como se sentia, porque era tão fácil conversar com Camila. Talvez porque Camila não tivesse conhecido Jen, talvez porque os olhos dela não se enchessem de lágrimas, como os dos amigos e familiares dela, quando Lauren falava sobre Jennifer, ou porque Camila não lhe lançasse olhares de reprovação velada com os esforços fracassados dela de seguir com a vida. – Eu não quero tentar recriar o que tive... não quero a mesma coisa com outra pessoa. Eu já passei pela experiência, e já sei como é.

– Sorte sua, então. – Lauren piscou os olhos com a resposta. Realmente, Lauren podia ser qualquer coisa, menos sortuda, mas pensando bem, sim, Camila estava certa, Lauren tinha tido sorte de ter Jen em sua vida por algum tempo. – Eu daria tudo para poder dizer para este pequenino que o pai dele e eu estávamos apaixonados.

– Vocês estavam? – Lauren perguntou.

– Eu achava que sim. – Camila deu de ombros. – Mas olhando em retrospecto, era só uma atração, eu acho... e me parece que você teve a coisa real.

Lauren não respondeu, porque naquele momento o som da televisão de Camila quase estourou as janelas do apartamento, e aplausos se ouviram da unidade ao lado, enquanto a eletricidade voltava ao normal.

– Eu preciso trabalhar um pouco... – Lauren se levantou.

– Bem, obrigada pelo jantar… – Camila sorriu. – E o bebê agradece, também.

– De nada.

– Eu me ofereceria para retornar o favor, mas estou tendo problemas em fazer o jantar para uma pessoa só no momento – Camila disse, ironicamente.

– Eu não esperava que você o fizesse.

Lauren não esperava nada dela. Camila sabia, assim como Lauren.

Mas, na noite seguinte, quando Lauren chegou à casa, depois do trabalho, encontrou vasos de girassóis em sua porta; a maneira de Camila agradecer, Lauren imaginou.

– Eu tenho boas notícias pra você – disse Lauren, ao bater à porta de Camila.

– Eu estou precisando. Entre – Camila convidou.

– Tiraram os tubos de Matthew esta noite – Lauren explicou, seguindo-a até a pequena cozinha. – Ele está indo muito bem, e eles esperam poder transferi-lo da UTI pela manhã.

Aquelas eram boas notícias!

– Poderia ter sido uma história bem diferente. Keana não para de me dar tapinhas nas costas, e até o consultor de neurologia foi à Emergência para dizer “Bom trabalho”. Eu disse a eles que o crédito é todo seu. – Lauren observou o rosto de Camila ficar corado com o elogio. – Eu sei que é difícil decidir entre esperar para ver ou chamar por ajuda.

– Pode ser – Camila admitiu, tirando uma jarra enorme de chá gelado do refrigerador e servindo copos altos para as duas. – Quero dizer, você não quer parecer um idiota, ou reagir exageradamente a qualquer coisa...

– Exagere! – Lauren disse, simplesmente. – Pelo menos por enquanto, até você acumular mais experiência e enquanto o seu “botão dos palpites” estiver funcionando direito.

– “Botão dos palpites”? – Camila franziu as sobrancelhas ao ouvir o termo estranho. – O que é isso?

– Quando você tem um palpite sobre alguma coisa, quando você tem certeza... mas não certeza absoluta.

Camila já tinha percebido o que Lauren ia dizer antes mesmo de ela explicar, mas enquanto Lauren explicava, Camila sentia o tom cor-de-rosa de suas bochechas chegar mais perto do vermelho, consciente de que Lauren não estava exatamente olhando nos olhos dela. O “botão dos palpites” dela estava funcionando, mas por motivos diferentes agora, e Camila o desligou rapidamente.

Camila definitivamente não ia desenvolver uma paixonite por outra colega de trabalho!

Olhe só onde aquilo a havia levado.

E era bom ter uma amiga.

Elas se sentaram na pequena sala de estar, assistindo à “pesagem” no programa favorito dela, enquanto Camila resmungava que deveria ser uma candidata. Lauren estava mais do que um pouco desconfortável, e tentava não demonstrar; Lauren podia ver a pilha de roupinhas de bebê dobradas perfeitamente em cima da tábua de passar, e embora ainda faltassem semanas para o parto, havia um cheirinho suave de bebê na casa, o que provavelmente tinha a ver com a loção de bebê que Camila estava passando nas mãos, mas ainda assim... Então, Lauren foi buscar a jarra de chá gelado e, quando voltou, encheu o copo que Camila estava segurando; e Lauren não seria um ser humano se não tivesse percebido o decote dela; teria que ser cega para não notar. Lauren não era exatamente o tipo de pessoa que prefere seios, mas os de Camila eram tão voluptuosos que Lauren sentiu, de repente, como se tivesse levado um chute na virilha, com o desejo que não lhe era mais familiar.

Então, Lauren se sentou. Ela percebeu que não conseguia mais sentir aquele cheirinho de bebê, apenas o perturbador cheiro de Camila. A sala estava quente demais, e obviamente Camila repetia automaticamente o gesto de levantar os braços e segurar os cabelos no alto da cabeça, enquanto continuava a falar; então os cabelos lhe caíam sobre os ombros de novo, e Camila levantava os braços mais uma vez.

– Eu preciso ir...

– Já? – Camila disse, mas então elas continuaram a conversar, sobre isto e aquilo, e de repente já passava das dez horas da noite. Olhando para Lauren, parada perto da porta e se preparando para realmente ir embora desta vez, Camila se flagrou pensando que tinha tido a melhor noite dos últimos tempos.

Tinha sido bom demais, até.

Porque entre todas as coisas idiotas que Camila poderia estar pensando, estava mesmo era imaginando como seria receber um beijo de boa noite de Lauren.

Pensando no que faria se aquela boca maravilhosa chegasse um pouco mais perto.

– Obrigado pelas flores, a propósito. – Lauren quebrou a linha de pensamento de Camila. – Você não precisava ter feito aquilo.

– Não foi um problema.

– Não, você realmente não precisava. – Lauren sorriu. – Elas estarão mortas em dois dias; eu vou esquecer de regá-las.

– Eu não vou. – Camila sorriu de volta. – Apenas aproveite.

Foi um alívio fechar a porta às costas de Lauren!


Notas Finais


Até o próximo


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