História So Goodbye - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias EXO, SHINee
Personagens Jinki Lee (Onew), Kai, KiBum "Key" Kim, Minho Choi, Personagens Originais, Taemin Lee
Tags Key, Shinee, Taekey, Yaoi
Exibições 42
Palavras 6.749
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Bishounen, Crossover, Drama (Tragédia), Hentai, Romance e Novela, Shonen-Ai, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Essa história não se trata de coragem, pelo contrário, é sobre quando quem fica no vácuo não fica no vácuo por ter resolvido não se confessar. É sobre quando o medo de se machucar fala mais alto e a insegurança não te permite dar um passo. Talvez vocês estejam acostumados a pensar no casalzinho que ficou junto e feliz, mas vou mostrar as coisas do ponto de vista de quem foi machucado mesmo sem intenção. Aqui dei espaço para aqueles com os quais sempre me identifico, os que sobram. Tenham uma boa leitura.

Capítulo 1 - Capítulo Único.


Fanfic / Fanfiction So Goodbye - Capítulo 1 - Capítulo Único.

 Não me lembro bem como foi que te conheci...Eu normalmente não me lembro de muita coisa... Me lembro que foi na faculdade, eu estava procurando meu dormitório.
Depois de cerca de três horas e meia perdido no campus, agradeci mentalmente por ter encontrado o número 508 que estava gravado na plaquinha da porta que eu abri.
Você estava sentado na cama de cima da beliche.

Você era magrelo, ruivo, tinha alguns brincos e balançava as pernas enquanto usava o celular; Vestia jeans justos e rasgados de cor preta e uma camisa branca cavada. Eu entrei sem fazer muito barulho e você sequer me olhou devidamente, nem mesmo quando notou minha presença ali. Eu não tomaria a atitude de dizer algo... se eu já não faria isso normalmente, imagina se eu teria a coragem de dizer "oi" para alguém que eu não conhecia e que fingiu não me ver quando entrei. Mas pouco depois de arrumar minhas coisas, notei que tínhamos algum gosto em comum e um de nós acabou puxando assunto. É...foi isso mesmo, por incrível que pareça fui eu quem puxou assunto.
 —Você é fã de Simple Plan? 
 Perguntei ao ver uma camiseta jogada sob a cômoda. Eu estava com tanto medo de que você me ignorasse, as pessoas me ignoraram durante uma parte bem longa da minha vida... mas não, você abriu um sorriso bonito e me respondeu... Até continuou o assunto, coisa que eu não soube fazer.
—Sou sim... você também?
—Nae.
—Você tem um bom gosto. Como é seu nome?
—Lee Taemin.. — Respondi. —E o seu?
—Eu sou Kim KiBum, mas você pode me chamar de Key, normalmente as pessoas me chamam assim.
—É um prazer, Key. Podemos ser amigos?
—Pff, que tipo de pergunta é essa? Mas é claro que sim, somos colegas de quarto. Vamos passar algum tempo juntos, então é bom que a gente se dê bem, não acha?

Kim KiBum... Key... Gostei de você. Não sei explicar o que era, mas havia algo de majestoso em Kim KiBum, talvez fossem os olhos felinos. Eu realmente não sei, só sei que na primeira vez em que vi aqueles olhos tão perto dos meus, eu senti que aquele cara tinha nascido pra ser rei. Já podia até vê-lo com uma coroa e tudo mais. Eu realmente gostei de você.

[...]

—Bom... as aulas começam amanhã, eu vou aproveitar e sair para beber... quero dizer, me reunir com alguns amigos. Eu te convidaria pra ir também, mas é só pra veteranos.
KiBum estava em frente ao espelho de parede, ajeitava um dos três brincos de sua orelha esquerda e em seguida bagunçou os fios com as mãos.
—Ah... Tudo bem. Estou mesmo cansado, vou dormir um pouco.
Respondi. Eu estava realmente cansado, andei por horas sem encontrar o lugar certo e ainda carreguei minha mala. Tudo o que eu queria era fechar os olhos e dormir. Até que o colchão era confortável.
—Você é veterano?
Perguntei.
—Tá me achando com cara de calouro?
Riu.
—É que... pensei que os veteranos não dividissem o quarto com calouros.
—E não dividem. Meu antigo colega de quarto resolveu mudar de curso. Achei maravilhoso, ele era insuportável. Não sei porquê te colocaram aqui, talvez tenhamos um número ímpar de calouros e como eu estava sozinho nesse... devem ter me mandado você de presente.
—Ah...
Ri forçado.
—Vou indo, até mais.
Ele acenou com a ponta dos dedos e saiu. Tomara que ele não seja mau comigo... soube que alguns veteranos exageram... Não parece ser o caso dele.

[...]

Acordei com o despertador tocando perto do meu ouvido. Abri os olhos e Kim Kibum estava na minha frente, dormia espremido na mesma cama que eu. Seu rosto estava amassado e seus lábios estavam entreabertos, seu hálito exalava um pouco de álcool. Mas... o que ele faz na minha cama? Por que não acordei quando ele chegou? Eu provavelmente estava cansado demais e nem percebi quando ele se deitou ali. Tinha os olhos inchados, a pele dele parecia ser tão suave... o que estou dizendo?! Ele é um cara! Um cara que está dormindo na minha cama.
—Kibum... — Cutuquei-o com o indicador. —Kibum sunbae!
—Hã? Eu? Onde? Vodka?
Ele pulou meio desnorteado pelo sono e como estava na beira do colchão, acabou caindo. Depois murmurou alguns palavrões enquanto choramingava.
—O que fazia na minha cama?
—Eu não me lembro...
Coçou a cabeça.
—Eu... eu vou tomar banho e ir para a aula.
Levantei sem olhar em seus olhos. Aquilo foi um pouco constrangedor, eu nunca tinha acordado com outro homem na minha cama.
—Aula? Hoje é o primeiro dia! Hoje tem o ritual dos calouros. Vocês provavelmente voltarão com tinta até na cueca.
Riu. Isso parece meio cliché para a turma dos alunos de artes....sabe? Voltar cheio de tinta.
[...]

—Atenção, todos os calouros! Façam uma fila. Um de cada vez, vocês ficarão em frente àquela tela branca. Hoje vamos treinar pintura.
O veterano que falava sorria de canto e os outros cochichavam atrás dele. Kibum também estava entre eles e também ria com maldade. Eu já estava ficando um pouco preocupado.
—O que será que farão conosco?
Olhei para trás e o garoto que me perguntava era pouco mais alto que eu. Tinha lábios fartos e o cabelo não muito curto de cor castanha.
—Não faço ideia..
Respondi meio hesitante. Olhei para KiBum, ele cochichava com um colega e posso jurar que apontou para mim.
—Lee Taemin! Quem é Lee Taemin?
Ouvi meu nome ser pronunciado pelo veterano com o qual Key conversou e tentei me esconder, mas não tinha como já que estávamos em fila.
Então um dos veteranos se aproximou de mim e me puxou pelo pulso, me deixando em frente à tela.
—Parabéns, você foi o sorteado para ser o primeiro.
Riu.
Ai meu Jay Park do céu... Será que KiBum me odeia? Por que justo eu?
—Calouro, você será nosso modelo... Primeiro, pode começar a tirar suas roupas.
—Mwo?!
Engoli em seco.
—Tu é surdo ou não entende coreano? Tira as roupas.
Ele riu debochado.
—Como assim?! Tudo?! Eu não!
Meu olhos provavelmente estavam mais que saltados.
—Key! Seu calouro está brincando com minha cara. Anda menino, ainda tem muitos outros depois de você.
—Nem pensar que ficarei nu aqui e na frente de todos!
—Hyung, deixe-o ficar com a cueca, estou me sentindo misericordioso hoje.
KiBum gritou para o amigo e riu cínico. Fuzilei-o com os olhos. Ele está falando sério? Aigoo...
—Nossa, Key, o que houve com você? Está muito bonzinho pro meu gosto.
—Anda logo, Taemin. Antes que eu mude de ideia.
Fechei os olhos e respirei fundo antes de tirar a camisa e pude ouvir vários assobios direcionados à mim. Não que eu fosse grande coisa, estavam tirando uma com minha cara, aposto.
Eu era magrelo e sem músculos definidos. Além disso, se eu fosse bonito eles não estariam assobiando, afinal, são caras.

O veterano que estava na minha frente pegou minhas roupas e as arremessou para Key, que as segurou. O cara que estava ao lado de Key andou até ficar bem próximo ao meu rosto. Ele era alto, moreno e musculoso, sua definição era evidente mesmo debaixo da camiseta.
—Agora sim, sou MinHo e serei o seu pintor, será um prazer trabalhar com você.
O hálito quente se chocou contra minha face pálida. Seu tom era ameaçador e confesso que me intimidou um pouco. MinHo se afastou um pouco e deixaram um balde ao lado dele.
Ele se curvou levemente e colocou a mão no balde, tirando um balão cheio de algo que com certeza não era ar. E então ele o arremessou contra mim e eu me encolhi como pude antes de sentir a tinta vermelha cobrir parte do meu corpo e em seguida a azul, a verde, a amarela, a roxa e ouvia os risos vindos dos mais velhos, o riso de Kibum se sobressaía entre os demais, era mais alto e ele batia palmas.
—Acabamos, novato. Veja que beleza ficou seu quadro. Agora fique parado ali para que seque. O próximo pode se posicionar no mesmo lugar que o bonitinho e o próximo veterano também fará uma bela pintura.

Um a um os calouros voltavam cobertos de tinta. A do meu corpo já estava seca e começava a endurecer, eu espero que não seja difícil tirar mais tarde, meu cabelo está arruinado.
—Vocês estão lindos!—Key sorriu. —Já brincaram de estátua? Pois bem, vamos aproveitar esse solzinho..—
Kibum colocou uma musica lenta. —Escutem só, o amor está no ar. Quero ver todos dançando com um amiguinho, sei que temos um numero ímpar de calouros, então aquele que sobrar vai dançar com um parceiro imaginário, isso mesmo. Quando a musica parar, vocês serão estátuas e não vão se mexer até segunda ordem. Podem começar.
Senti alguém me puxar e segurar minha cintura. Meus olhos saltaram quando vi JongIn na minha frente, só agora eu tinha notado que ele também estava ali. Fomos grandes amigos na infância, mas com o tempo acabamos perdendo o contato.
—Kai! Há quanto tempo!— Sorri. —Será que você pode tirar as mãos da minha cintura, por favor? Obrigado.
—Oi, Taeminnie. Perdi o direito de segurar a cintura da minha namorada?
—Você ainda não esqueceu isso? Eu sou homem, presta atenção.
Bufei. Kai adorava dizer que eu era a namorada dele, o que sempre me irritou, primeiro porquê sou homem e segundo que os outros meninos sempre ficavam me chamando de mulherzinha por causa desse "apelido". Certa vez passei muita vergonha quando ele me chamou de namorada na frente da garota que eu gostava.
Era tudo brincadeira dele, mas eu realmente quis matá-lo. Aquela brincadeira pôs fim à qualquer chance que eu teria de um dia puxar assunto com MinHae.

—Vocês estão muito tensos, relaxem.
Kibum me surpreendeu ao aparecer atrás de mim e empurrar meu rosto para bem perto do rosto de JongIn, fazendo com que quase nos beijássemos. Ele voltou as mãos de Kai em minha cintura e colocou minhas mãos na nuca dele. Em seguida murmurou um "bem melhor" e saiu de perto. No mesmo instante, a música parou e pude ouvir a voz de Kibum outra vez.
—Agora que são estátuas, imagino que saibam que não podem se mexer, ou falar, ou qualquer coisa assim. Quem quebrar as regras será punido e acho que não querem isso.. Daqui a pouco eu voltarei para liberar vocês. KangDae ficará aqui para vigiá-los. Beijinhos.

KiBum saiu e eu levei os olhos para Kai, ele tentava conter um riso enquanto me encarava, só queria saber o que ele estava pensando. O rosto dele estava tão perto do meu que eu podia sentir sua respiração.
—Taemin, você está tão engraçado...
Ele murmurou ainda tentando conter o riso. Eu queria tanto que ele se calasse, se alguém o ouviste falando poderíamos sofrer alguma punição dos veteranos. A tinta, o calor e a dormência dos meus músculos dos braços já estavam sendo suficientes.
—Silêncio...
Murmurei.

—Ora, ora, ora... Parece que alguém não entendeu que estátuas não falam.
Senti meus pelos da nuca se eriçarem quando notei a outra presença tão próxima. Kai engoliu em seco.
—Agora vocês terão que pagar por desobedecerem. E olhem como são sortudos, sou Onew, o veterano mais sádico que encontrarão por aqui. —Riu.—Mas... O que farei com vocês? Estão numa pose tão linda que chega a ser romântico. Já sei... Se beijem.
O quê? Nem a pau que vou beijar um cara... Nem no primeiro e nem no último dia de faculdade.
Eu e Kai nos encaramos, os olhos dele estavam saltados, ele também parecia não querer fazer aquilo, mas não tivemos muita escolha, os segundos badalavam na minha cabeça até que a senti ser empurrada contra o rosto de Kai e logo nossos lábios se encontraram. Nos afastamos o mais rápido que pudemos e eu esfreguei minha boca com as costas da mão. E foi assim que beijei um cara no primeiro dia de faculdade.
—Acho que acabei de trair minha namorada.
Ele murmurou limpando os lábios.
Onew ria com gosto, parecia realmente divertido do ponto de vista dele. Primeiro KiBum me faz ficar nessa posição com JongIn... agora Onew me faz beijar JongIn. Qual é o problema desses caras?
—Formamos o primeiro casal de mocinhas, pessoal!
Onew gritou para os outros, que começaram a aplaudir e debochar de nós.
20 minutos depois, Key finalmente voltou e nos liberou, eu agradeci por poder abaixar meus braços. Sim, tivemos que voltar à posição anterior.
—Façam uma fila tal como a tia da pré escola ensinou à vocês. Caminharão até o refeitório e lá poderão comer. Vou ensinar uma musiquinha para cantarem até que cheguemos lá. "Sou gay, gay, gay. E Kibum é nosso rei."
—E egocêntrico.—MinHo completou.—E soa como se você fosse o rei gay.
—Yah, não sou gay, eles são.
—Tive uma ideia melhor, vocês cantarão" KiBum é gay gay gay." MinHo riu com gosto.
—Yah, cale-se. Não é por quê você é meu melhor amigo que eu não possa te matar.
Key semicerrou os olhos para ele.
—Ui, fujam para as montanhas, o rei gay está me ameaçando.
—Não me tire do sério, Choi MinHo. Andem logo.
E assim fomos em fila cantando que éramos gays, agradeço pelos trotes durarem apenas dois dias.

Chegamos ao refeitório e só pudemos entrar na fila depois de todos os veteranos terem se servido. Quando nos sentamos, nos foi ordenado que não comessemos, um deles passou por cada um de nós e tirou nossos hashi's.
—Agora vocês podem almoçar.

—Como vamos comer assim?
Um de nós perguntou acanhado.
—Com a mão, meu keyrido.
Kibum respondeu simples e voltou a atenção à própria refeição. E nós.... comemos com as mãos. Pelo menos a tinta já estava seca e não sujou a comida.
É, Key... Acho que não gostei de você tanto assim. Se eu pensei em cogitar a possibilidade de levar vantagem em ter um veterano como colega de quarto, eu estava bem errado.

Mais tarde, quando pudemos voltar ao dormitório, fui direto tomar banho. Pelo menos no banheiro haviam divisórias. Eu já estava me esfregando há varios minutos e aquela tinta não queria sair, minha pele já começava a arder quando eu finalmente entendi que não sairia mais que aquilo. Só Deus sabe quando minha pele voltaria ao normal.
Nesse tempo eu só conseguia sentir vergonha por ter beijado Kai e por não conseguir tirar KiBum da minha cabeça. O modo como o peguei fitando MinHo às vezes deve ser coisa da minha imaginação. Muitas coisas aconteceram hoje e eu devo estar confuso, só pode ser isso.

Voltei ao meu quarto com a toalha sob os ombros e Key estava lá, o que eu já esperava, só não esperava ver MinHo e Onew lá com ele. Eles riam de algo até notarem minha presença.
—E aí, Tae. O que achou do primeiro dia? Soube que rolou até beijo. Saiba que shippo.
Key me encarou com os olhos em forma de meia lua e senti minhas bochechas corarem, não sabia ao certo como voltaria a olhar JongIn.
—Bom... foi bem colorido.
Apontei meu corpo pintado...de verde, de azul e todas as outras cores que atiraram contra o meu corpo.
—Isso sai em alguns dias.
Onew sorriu largamente.
—Tomara...
—Bom... Seja bem vindo a faculdade. —MinHo completou. —Decidimos pegar leve com vocês hoje porquê Key gostou de você. Se precisar de qualquer coisa, saiba que pode contar conosco.
Assenti com a cabeça e estendi minha toalha atrás da porta.
Os dois se despediram de Key e saíram do cômodo.
Kibum largou o próprio corpo contra o colchão e suspirou longamente, como se estivesse exausto.
—Estou tão cansado..... vou tomar um banho e dormir.
Ele se sentou e pulou da cama de cima da beliche. Tsh, cansado... Como se fosse ele a ficar cheio de tinta e com um sol forte no couro.
—Eu já vou dormir, boa noite.

Kibum saiu do quarto e eu me joguei na minha cama, acho que levei só três segundos pra dormir. Meus braços estavam meio doloridos por terem ficado erguidos por tanto tempo e eu sentia certa ardência na pele por causa do sol, pelo menos não ficarei com a marca da camiseta, já que estava sem ela.

[...]

A semana passou devagar e rápido ao mesmo tempo. Eu não via KiBum com tanta frequência, ele parecia estar bem ocupado.
Minhas aulas estavam melhores do que pensei que seriam e até fiz alguns amigos. Os veteranos não são de muito papo, diferente dos calouros. Os únicos que me cumprimentavam ao me ver eram Onew e MinHo, ainda assim, eu não tinha o que falar com eles, não passava de um simples "oi".
Eu e JongIn voltamos a ser próximos, apesar de nunca mais termos tocado naquele assunto do beijo.

Soube que terá uma festa na sexta, não faz muita diferença, estou cansado demais pra ir e haverão outras.

—Taemin, levanta daí.
Key torceu o nariz enquanto colocava os tênis.
—Por quê?
—Deixe de ser anti social. Vamos sair.
—Aigoo, sunbae... Na próxima eu vou.
—Tsh, deixa de história, amanhã você descansa. Você pode me chamar de hyung quando estivermos só nós dois. Anda, vocês terão cerveja e vodka por conta dos veteranos... O bloco feminino de artes também virá.— Ele sorriu malicioso e eu fingi roncar. Pude vê-lo revirar os olhos. —... Se você não for, vou mandar pra todo mundo uma foto que eu tirei de você babando enquanto dormia.
—Não acredito que tirou uma foto minha, isso é desleal.—Cruzei os braços.—Eu só babei porquê estava com o nariz entupido.
—Que seja, vamos.

[...]

Por incrível que pareça, Kibum conseguiu me arrastar, mas em legítima defesa, digo que foi só porquê ele tinha outras fotos além daquela. Eu realmente tenho de ser mais cuidadoso quando se tratar de KiBum ou acabarei com alguma foto minha, dormindo de samba canção, espalhada pelo campus.
Mandei uma mensagem para JongIn querendo saber se ele também iria, mas ele teve as asas cortadas pela namorada.

Chegamos ao local da festa e nem vi quando KiBum teve tempo para me dar um chá de sumiço.
Ainda na frente da casa lotada e barulhenta, vi Onew chegar, ele trazia um tipo de galão de alumínio que parecia estar bem pesado. Me ofereci para ajudar a carregar, mas ele recusou, disse que sozinho daria conta do recado. Contudo, me pediu para abrir a porta da frente. O pessoal gritou em coro ao vê-lo chegar e logo dois veteranos o ajudaram a carregar o galão, depois os três desapareceram no meio dos outros alunos. Alguns colegas acenaram para mim e fui me juntar a eles. Olhei ao redor e cheguei a conclusão de que o bloco feminino do curso era muito bem representado. Logo peguei um copo de vodka e fui "aproveitar a festa".

Uns 40 minutos depois, voltei a ver Key. Ele já estava um pouco bêbado e eufórico, estava conversando com uma garota mais alta que ele e num piscar de olhos estavam se pegando. Caramba, ele é rápido. Isso porque tinha me falado que era tímido. Minha atenção foi tirada de Key quando uma garota muito linda passou por mim, tenho que aproveitar, não é sempre que vejo garotas bonitas assim... talvez ela nem fosse tão bonita assim, mas a bebida transforma as garotas em deusas.

A garota bonita também tem um nome bonito, mas já não consigo mais me lembrar qual é. Eu a prensei na parede e acho que nos beijamos por 20 minutos direto, só parei quando senti a mão dela escorregar por cima da minha calça e me apertar de leve.

[...]

—Taemin, acorda... Droga! Acho que eu fiz merda.
A voz de Key ecoou na minha mente e refletiu uma dor horrível que me fez apertar os olhos antes de abri-los com dificuldade. Eu estava na minha cama da beliche do dormitório, mas não me lembro de como vim parar aqui.
—O...o que aconteceu?
Murmurei. Minha boca estava seca.
—Não sei se estou preparado pra falar isso pra alguém.....
—Então vou voltar a dormir.
Fechei os olhos e senti Kibum me cutucar com a ponta dos dedos.
—Você por um acaso não viu se eu fiz alguma merda na festa? Eu queria ter certeza só pra tirar esse peso das minhas costas.
Key parecia um tanto nervoso pelo modo como se portava.
—Não me lembro de nada... Aliás, lembro sim, eu estava com uma garota maravilhosa.

E então uma vaga memória preencheu minha mente, de quando a garota bonita desceu a mão sob meu jeans folgado e me acariciou suavemente. Tive vontade de retribuir, mas obviamente seria muito sem noção se eu o fizesse no meio de todos. Puxei-a pelo pulso e andei pela casa para procurar algum lugar em que pudéssemos ter mais privacidade.
Abri uma porta qualquer que me mostrou o banheiro, não estava sujo ou coberto de vômito como eu pensei que estaria, é aqui mesmo. Eu a puxei para dentro e tranquei a porta. Assim como eu, ela já não estava mais tão sóbria. Quando vi, ela tinha se ajoelhado no chão e estava desabotoando meus jeans.
Meus sentidos ainda estavam lentos pelo efeito da bebida e logo pendi a cabeça para trás quando me senti ser envolvido pela cavidade bucal quente e úmida que engoliu meu pênis inteiro e massageava minhas bolas. Deixei escapar um gemido arrastado quando ela sugou a glande e entrelacei os dedos nos fios longos e negros de sua nuca, começando a estocar ali. Ela parecia se deliciar, me encarava com o olhar provocante, o que só me deixava mais excitado conforme ela chupava com gosto.
Pouco depois, fiz com que ela se levantasse e a beijei, descendo a mão por baixo da saia jeans e ela arfou contra a minha boca.

—E daí, Taemin? Eu estou pouco me fodendo para o que você estava fazendo! Eu quero saber de mim, porra!
Key me despertou de meu flashback ao me chacoalhar, a voz aflita que ele tinha fazia minha cabeça doer.
—O que você pensa que fez que é assim tão ruim? Se você me contar, quem sabe eu me lembre de algo.
Cocei a nuca.
—Taemin, se você contar isso pra alguém, eu juro que te mato.—Key engoliu em seco. —Eu...eu acho que eu beijei um cara.
—Só me lembro de ter visto você beijar uma garota... Que aliás, era bem mais alta que você.
—Eu estou desesperado tentando me lembrar se sim ou não. Talvez nem tenha acontecido, mas se aconteceu e alguém tiver tirado uma foto, é o meu fim.
—Por que está tão preocupado com isso?
—Porra, Taemin, você não entende? Já me acham com cara de viado, se souberem que peguei um cara... Minha vida social estará acabada.
Key apertou o cenho e começou a choramingar. Aish, que drama.. Se beijou, beijou. Já era. Não é o fim do mundo.
—Já sei! —Ele continuou.—Vou olhar as fotos que jogaram no grupo dos veteranos.
Ele pegou o celular e uns 10 minutos depois suspirou aliviado. Imagino que ele deva ter apenas sonhado.
—E então, hoje tem festa de novo?
Sorri largo.
—Não, hoje não. Nem estou em clima de festa.. Acho que minha cabeça vai explodir.
—A minha também.
Concordei.
—Acho que vou ficar por aqui mesmo, você vai sair?
—Não, só se Kai me chamar pra fazer algo.
—Quem é Kai?
—JongIn.
—Ah, seu namoradinho. Se você ficar por aqui, podemos chamar MinHo e JinKi e quem sabe assistir um filme legal. Eu compro sorvete, Onew traz bebida e misturamos.
—Boa ideia, hyung.
—Pode chamar o Kai se quiser.
Ele me fitou com meio sorriso e eu respondi com um dedo do meio. Depois do dia do trote eu e JongIn ficamos marcados.
—Tá me estranhando? Runf.

Eu e Key acabamos ficando no dormitório mesmo, Onew e MinHo chegaram juntos, Kai não veio, deixou alguns trabalhos pra fazer de última hora e os ficou fazendo. JinKi levou uma garrafa de vodka, preparamos uns milkshakes batizadinhos e nos sentamos pra ver o filme.
Pouco depois, voltei minha atenção para KiBum, parecia que ele estava com o mesmo olhar para MinHo, parecia que ele o fitava sem que MinHo notasse. Talvez porquê eram melhores amigos, como Key me disse certa vez. De certa forma, via os olhos dele brilharem... aqueles olhos felinos tinham me hipnotizado sem que ao menos eu percebesse e em uma fração de segundo, MinHo virou o rosto para Key, o que claramente o surpreendeu e o fez virar o rosto de volta para a tela do monitor.
MinHo riu e bagunçou os cabelos de Kibum, voltando a atenção ao filme em seguida. Confesso que também me assustei, mas felizmente ninguém percebeu. O que eu estava fazendo afinal? Eu não devia estar olhando Kibum, não tinha razão para estar.

Algumas horas depois, MinHo e Onew já tinham ido para seus respectivos dormitórios. Agora eu estava deitado de barriga pra cima, encarando a grade de madeira que suportava o colchão superior da beliche, onde Key dormia. A vodka do milkshake de Onew sunbae já foi suficiente para fazer as coisas começarem a ficar turvas. Fechei os olhos e voltei a abri-los ao ouvir um murmúrio.
—Tae, está dormindo?
—Ainda não.
—Hum..
—O que há?
—Nada.. era bobagem. Boa noite.
—Boa noite, hyung.
A voz de Key pareceu um tanto hesitante, foi meio estranho.

Por algum motivo, eu sonhei com Key hyung naquela noite, ele estava tão bonito e bem vestido. Ele sorria largamente, era um sorriso fofo que me fazia ter vontade de lhe apertar as bochechas. Mas, de repente, seu semblante mudou completamente e ele começou a chorar de modo que o ar até lhe faltava no peito, as roupas antes bonitas se tornaram feias e ele abraçou o próprio corpo com a cabeça baixa. Acordei num susto tão grande que bati a testa na grade da beliche. Acho que o milkshake foi muito pesado pra tomar antes de dormir, minha avó costuma dizer que dormir de barriga cheia causa pesadelos.

O sol sequer tinha saído. Me levantei um pouco ofegante. KiBum dormia bem tranquilo. Parei diante dos olhos cerrados e tive vontade de acariciar aquele rosto, o rosto de KiBum... Levei o polegar próximo à sua bochecha e quando ia deslizá-lo sob a pele alva, tomei ciência do que estava prestes a fazer. O que eu estava fazendo? Estou a enlouquecer, não é possível. De repente eu ia acariciar o rosto de um cara? De KiBum? Não devo estar batendo bem da cabeça, deve ser a bebida... Acho que vou parar de beber, pelo menos por um tempo... Não está a me fazer bem.
Voltei para a cama, apesar de ter algo martelando em minha cabeça e que não me deixava dormir... O que eu estava sentindo? Não posso sentir isso, não posso.. Isso o quê? Eu não estou sentindo nada. Afirmei para mim mesmo. Kibum é um cara. Com certeza estou confundindo as coisas porquê ele é meu colega de quarto, porquê ele cuida de mim às vezes, porquê temos alguns gostos em comum e porquê ele foi meu primeiro amigo desse lugar. Chega de loucura, Lee Taemin.

 

 Duas semanas depois, eu estava realmente disposto a tirar aquela loucura da minha cabeça, Key era meu amigo, só isso. Eu realmente não sei porquê estou me sentindo estranho quando ele olha pra mim ou quando ele fala comigo. Aqueles olhos são tão envolventes. Kibum realmente tem um jeito de ser encantador, como eu já disse antes, parece que ele nasceu pra ser rei. E eu... estou definhando por não conseguir entender como foi que isso aconteceu, como foi que acho que comecei a ter o coração roubado por aqueles olhos... Eu nem vi. E não pretendo aceitar isso assim tão rápido, se é que tem o que aceitar.

Key estava deitado na cama dele da nossa beliche. Estava virado de frente para a parede, era madrugada, eu estava sentado fazendo um trabalho de história da arte na mesinha de escritório, então a luz do quarto estava acesa.
—Taemin..
—Hum?
Murmurei sem tirar os olhos do papel.
—Me responde uma coisa?
—Nae, hyung.
—Eu... eu sou muito feio?
Parei o que estava fazendo ao ouvir aquilo e soltei o lápis sob o papel. Que tipo de pergunta era essa? Key estava tendo uma crise de insegurança numa hora dessas da madrugada?
—Eu não acho que você é feio, hyung.
—Eu devo ser mesmo muito feio..
Eu o ouvi suspirar e me virei na cadeira. Ele estava deitado na mesma posição, virado para a parede.
—O que aconteceu, hyung?
—Não é nada... Boa noite.
Ver Key daquele jeito me causou um aperto no peito. Eu só queria que ele ficasse bem.
—O que aconteceu? Levou um fora?
—Não é nada... Acho que estou com sono. Boa noite.
—Tem certeza?
—Nae..
—Então boa noite.

No outro dia, tivemos algumas provas no período da manhã e eu fui almoçar com JongIn. A mesa onde eu estava me dava uma visão perfeita da mesa onde Key estava, ele ainda parecia abatido, não estava falando muito como sempre falava. E três segundos depois, eu o vi olhar para MinHo, que estava ao seu lado e depois ele voltou a atenção para a comida. Falou qualquer coisa com JinKi, depois voltou a fitar MinHo e depois voltou a atenção à comida. Voltar a atenção à comida, não significava dizer que ele a estava comendo, estava apenas brincando com ela e vez ou outra beliscava, no final empurrou a maior parte de lado. Key naquele estado estava me deixando triste, eu tinha que fazer alguma coisa.

Chamei Kai para dar uma volta comigo no centro e ele aceitou, também tinha algumas coisas para comprar. Passei em algumas lojas e no final compramos dois refrigerantes e voltamos para a faculdade.

Quando entrei no dormitório, Key não estava lá. Aproveitei para lhe arrumar a "surpresa" em um pacote que deixei sob a cama dele e era só esperar.
Enquanto ele não chegava, me sentei na mesinha de escritório para adiantar alguns desenhos, estava meio chato ficar o esperando chegar sem fazer nada.
Algum tempo depois, a porta do quarto abriu e continuei na mesma posição, fingindo que não havia nada. Kibum pegou uma toalha e uma muda de roupas e saiu sem nem me falar oi. Quando girei a cadeira, ele já não estava mais lá... Aish Kibum... você está deixando meu coração apertado.. O que acontece com você? Por quê não me conta de uma vez o que foi que aconteceu?

Algum tempo depois, Key voltou ao quarto arrastando os pés e com a toalha sob os ombros. Vestia um pijama como qualquer outro; uma camisa branca e uma bermuda cinza de algodão, pouco acima dos joelhos.
Ele parou diante da beliche e só então pareceu notar o pacote.
—Quem deixou isso aqui?
—Huh?
Me virei na cadeira, tentando manter a maior cara de sonso possível e ele me encarou com a embalagem em mãos.
—Isso é seu?
—Se estava na sua cama, acho que é seu..
Sorri.
Kibum deu de ombros e abriu o embrulho, deixando-o de lado e estendendo o que estava dentro em frente ao corpo.
—Uma camiseta do Simple Plan..
Os olhos de Key se encolheram quando ele abriu um sorriso. Eu senti vontade de sorrir também ao ver aquele sorriso e acho que minha vontade acabou escapando da mente, acho que eu também estava sorrindo.
—A sua parecia estar pequena.
—Eu não uso mais aquela, foi minha primeira camiseta, agora é só de estimação.
KiBum abraçou o tecido preto de algodão.
—Agora você tem uma nova.
—Gomawo, Taeminnie..
Key veio na minha direção e abraçou minha cabeça, eu não esperava por aquilo, então rapidamente meu coração ficou acelerado, mas acho que foi por ser surpreendido desse modo. A pele dele exalava um cheiro bom, já que tinha acabado de voltar do banho. O que eu faço, hyung? Como foi que deixei isso acontecer? Aish... não... eu não posso gostar de você. Seria pedir pra, desculpe meu vocabulário chulo mas, seria pedir pra tomar no cu. Eu não gosto de homens e nem você.

No outro dia, abri os olhos e me sentei um tanto sonolento. Bati a mão no despertador e esfreguei o rosto. Era hora de levantar. Olhei para a cama onde você deveria estar e parece que você saiu cedo, já que não havia sinal algum de você no quarto, o que foi estranho, eu geralmente acordo primeiro.
Provavelmente verei KiBum só no almoço.

Entrei no refeitório acompanhado de JongIn e de EunGyeol. Dito e feito, Key estava lá com os outros sunbae's; MinHo, JinKi, HyukJin e DongYul. Logo notei que ele estava usando a camiseta que lhe dei e já não parecia mais abatido. Sorri ao ver que ele estava melhor, não sei se tive alguma relevância em seu bom humor, mas gostava de pensar que sim.
—Por quê está sorrindo?
Kai me olhou sem entender.
—Nada, estou feliz.
—Seus olhos estão brilhando.
Rapidamente desmanchei meu sorriso e me concentrei no almoço, meus olhos estavam brilhando por ver Key? Eu estou realmente confuso..
Me assustei ao sentir uma mão bagunçar meus cabelos e deixar um prato com um cupcake de chocolate bem decorado. Era Key.
—Sobremesa!
Ele sorriu e saiu sem que eu pudesse ao menos agradecer.
—Olha só, parece que alguém é o protegido do veterano mais popular do campus.Que honra.
JongIn riu baixo.Torci o nariz pelo comentário.
—Kai..posso te perguntar uma coisa?
—Depende, posso ficar com essa cereja?
—Se prometer que não vai contar isso pra ninguém...
—Feito.—Ele sorriu e pegou a cereja do meu bolinho.—Diga.
—Você alguma vez... já pensou como seria se gostasse de um... cara?
—Você não vai dizer que ficou apaixonado por mim, não é?
Ele soou debochado.
—Nae? Não viaja.
—É uma pena... Brincadeira.—Riu.—Respondendo sua pergunta, não, não pensei nisso. Por quê?
—Eu estou meio confuso com meus sentimentos..
Kai desmanchou o riso e me encarou tentando entender o que tinha escutado, olhando dentro dos meus olhos na tentativa de saber se eu estava mesmo falando sério.
—Joga na roda.
Ele se ajeitou no lugar.
—É KiBum.. Eu não sei.. eu... eu sei que não sou gay, mas... ele é diferente.
—Foi o cupcake? Um homem é mesmo conquistado pelo estômago?—Falou debochado. Eu mantive a mesma expressão para que ele entendesse que eu não estava brincando. —Tá bom, parei.
—Eu não sei o que fazer..
Deitei a cabeça sob os braços.
—Você tem certeza de que gosta dele?
—Eu estou com medo de descobrir.. Estou ficando louco.—Segurei meu cabelo.—No fundo eu sei que sim...mas se eu não admitir isso talvez passe, não é?
—Talvez você devesse se declarar. O máximo que pode acontecer é você levar um não.
—Me declarar? Sabe o quão difícil está sendo lidar com isso?
—Nem imagino, que bom que não é comigo.
—Aish...
Voltei a cabeça sob os braços.
—Você não vai comer o bolinho?
—Ja te dei a cereja. Foco no assunto, por favor.
—Ciúmes do bolinho?
—Para de brincar, Kai..
—Não tem problema gostar de um cara, Taemin. Eu ainda acho que você devia se declarar.
—E por quê eu faria isso?
—É o que a gente faz quando gosta de alguém..
—E como eu faria isso?
—Olha... não é por quê eu tenho namorada que eu sei ser romântico.. Você pode simplesmente dizer.

E então eu ia dizer ao Key que gostava dele. Como Kai disse, o máximo que pode acontecer é ouvir um não. E então mudar de faculdade, por quê nunca mais conseguiria olhar na cara dele, mas segundo Kai, valeria a pena, não é? Acho que estou tremendo, minhas mãos estão suando.
O quarto parecia pequeno pelo pouco espaço que eu tinha para andar de um lado para o outro. Já era tarde e KiBum não chegava nunca. De certo modo, eu estava feliz por ele não chegar, eu teria mais tempo caso eu resolvesse mudar de ideia, voltar à minha sanidade e enfim desistir daquela maluquice.
Mas, falei cedo demais. A porta do quarto abriu e me virei na direção dela. KiBum entrou cambaleando, estava abraçando uma garrafa de Tequila.
—Taemin, vamos beber! Temos que comemorar.
Key levantou a garrafa na minha direção e a primeira coisa que fiz foi tirar da mão dele. Ele com certeza já tinha bebido demais.
—Key o quanto você bebeu?
—Eeei, devolva minha bebida, estou comemorando.
—Comemorando o quê, hyung? Quer ter um coma alcoólico?
—Não soube? MinHo assumiu o namoro com a senhorita Choi JinRi.
Key começou a rir e sentou com as costas contra a porta.
—Por quê bebeu tanto?
—Não vê que estou feliz? Meu melhor amigo está namorando com a garota que ele gosta.

Os olhos de Key brilharam e as lágrimas desceram grosseiras e pesadas até o queixo dele.
—Por quê está chorando, hyung?
Me sentei ao lado de Key e ele deitou a cabeça no meu ombro, fungava pesado.
—Taemin, se eu te contar um segredo, você promete que não vai contar pra ninguém?
—Prometo, hyung.
—E promete que não vai rir de mim?
—Prometo.
—Meu Deus, como eu fui ridículo... Eu gosto de MinHo... Achei que ele pudesse gostar de mim também.

Foi nessa hora que senti uma vontade enorme de vomitar, não por nojo, mas pela intensidade do chacoalhão. Eu estava prestes a me declarar para KiBum, quando na verdade ele gosta de MinHo. Tsh, o que eu estava pensando? Era tão óbvio... os olhares que ele tinha para MinHo. Eu não chegava nem aos pés do grande Choi. Kibum tinha nascido pra ser rei e eu não passava de um bobo da corte, não era nem um pouco surpreendente que ele gostasse de alguém grandioso como MinHo, além disso, eram melhores amigos. E eu não era nada, nada além do colega de quarto calouro. Mas.... já que cheguei até aqui, por quê desistir? Ele estava bêbado, nem se lembraria dessa conversa na manhã seguinte.
—KiBum... Eu gosto de você..
—Ah, Taemin... você é tão bonitinho... Obrigado por ser meu amigo, eu também gosto muito de você, sabia?
—Não, hyung.. estou falando sério quando digo que gosto de você. Sabe, eu estava com tanto medo de dizer... Eu estava com medo de admitir. Sabe, isso está sendo um inferno. Eu sei que não chego nem aos pés de MinHo, quer dizer, eu sou magrelo e não sou tão alto quanto ele, mas...
Senti meus olhos transbordarem e sequei a lágrima fria que desceu pela minha bochecha.
Olhei para KiBum e ele estava dormindo.

Acabo de me confessar para alguém que dormiu bêbado e encostado no meu ombro enquanto choramingava por outra pessoa. Que belo modo de se confessar.
—Hyung... acorda.
Kibum nem se mexeu, estava completamente apagado.

Suspirei soprado e tentei me levantar com jeito. Eu não podia deixar Key ali no chão... E então eu me levantei devagar e com muito esforço peguei Key no colo, tal como as mães fazem quando os filhos dormem em frente à televisão. Eu o deitei na minha cama e me deitei na cama dele. Bom, agora Kai não poderia dizer que eu não tinha feito nada a respeito.

—Ele dormiu?! Você é tão ruim de papo?
Kai riu com lágrimas nos olhos, mas parou no mesmo segundo em que viu Key atrás de mim.
—Ah, Taemin... Podemos conversar?
Ele coçou a nuca.
—Huh? Claro, hyung. Depois conversamos, Kai.
Segui Key até um canto e ele sorriu forçado.
—Oi, eu achei que te veria hoje de manhã, mas você já tinha saído.. Eu não me lembro o que eu fiz ontem, então quero pedir desculpas.
—Tudo bem, sunbae.
—Então, será que você poderia dizer o que eu fiz? Eu acordei na sua cama..
—Nã-não é nada disso... —Levantei os braços em frente ao corpo.—Você ia dormir no chão aí eu te coloquei na minha cama, mas eu dormi na sua, tá?!
—Ah, tá, claro, claro! Eu não estava pensando nada.
—Você não se lembra de nada mesmo?
—Eu te disse que gostava de MinHo... não disse?
—Disse...
—Olha... sobre isso... não pense mal de mim, eu...
—Tá tudo bem. Escuta, você só se lembra disso?
—Sim... Tem mais alguma coisa que eu fiz?
—Não, não tem.
—Ah, então... Eu vou indo, MinHo e Jinki estão me esperando. Te vejo mais tarde.
—Hyung, espera..
—Huh? O que foi?
—É que... —Cocei a nuca.—Não é nada.. te vejo mais tarde.

       

 


Notas Finais


Espero que tenham gostado, sinto muito por não lhes dar um final feliz. Se pareceu que a história ficou inacabada, essa era a intenção rs. E... é isso. Muito obrigada por lerem. Até a próxima, cuidem se bem.
~bjs de luz


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