História Só mais um trago - Capítulo 5


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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Poesias, Romance e Novela, Saga, Suspense, Violência
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Boa leitura!

Capítulo 5 - Coffee and truths


 

Demorei um pouco para perceber que ele falava comigo, a verdade que me coloquei como espectadora não imaginava que alguém iria interagir comigo, fui pega de surpresa, mas me recompus o mais rápido possível, tentando não transparecer. 

Limpei a garganta e me ajeitei na cadeira.

 

"Um café puro sem açúcar, por favor" disse de maneira direta.

 

"Uma bomba de cafeína saindo..." disse de maneira cômica e se dirigiu à moedora de grãos.

 

[...]

 

Voltei a olhar o ambiente , era realmente interessante.

Entre mesas e sofás aconchegantes, havia estantes completamente preenchidas com livros de todos tipo. 

Era e é muito comum as pessoas levarem seus notebooks ipads ,entre outros aparelhos para trabalharem enquanto tomavam café, mas o ambiente em que estava era surpreendentemente distinto, alguns liam sozinhos, outros em conjunto, havia até mesmo pequenos grupos de discussão  sobre a interpretação do livro que todos haviam lido. Aquele lugar era exatamente como eu acreditava que o mundo tinha que ser, discussões amigáveis e a busca por conhecimento espontaneamente. 

Estava maravilhada com aquele lugar que acabei pensando alto.

 

" As 'coisas' seriam melhores se o mundo inteiro fosse assim?" Perguntei para mim mesma de maneira retórica 

 

"Seria muito chato..." respondeu o misterioso barista.

 

A resposta inesperada me fez acordar dos devaneios filosofais sobre o mundo e meus ideais. Me virei de volta para o balcão, focando minha atenção para aquele que havia trazido minha dose exagerada de cafeína. 

 

"Você acha?" Perguntei arrogante me referindo ao seu comentário.

 

"Imagina...um mundo inteiro silencioso, sempre muito reservados. Seria terrível não?" Disse fitando o fundo dos meus olhos azuis.

 

"É...acho que tem razão." Disse bebendo  do líquido escaldante. " Mas seria melhor do que viver num caos constante." Falei entre um gole e outro.

 

"Viver em meio ao caos é uma questão opção, a verdade é que na vida temos que equilibrar entre os extremos. A vida não é só feita de alegrias. A vida não é só feita de tristezas. Ver apenas um dos lados é questão de opção, mas de qualquer modo..." suspirou apoiando seus cotovelos no balcão." Ambos levam ao caos..." disse terminando seu raciocínio filosófico.

 

"As vezes não se escolhe viver no caos, alguns simplesmente não foram feitos para viver em paz." Disse terminando meus café.

 

"É por isso que está triste?" Perguntou quase que de maneira infantil.

 

"Acho que está presumindo coisas que não entende." Falei suspirando

 

"Bem...se me explicar posso entender melhor sua opinião" ele disse me deixando hesitante em me abrir para um completo estranho.

 

"Será uma longa explicação..." disse acreditando que ele desistiria.

 

"Eu tenho tempo, é um dia tranquilo." Disse se acomodado ao meu lado do balcão.

 

Ri sem humor, pensando por qual desgraça contar primeiro. 

 

"Antes de eu começar, mais uma dose de cafeína pura." Disse ganhando tempo para pensar.

 

"Que tal um chá e um pedaço de bolo, combina mais com longas histórias complexas." Disse já preparando sem que eu pudesse protestar.

 

Suspirei, tentando decidir se ria ou se ficava com raiva das suas atitudes inusitadas.

Uma hora era maduro e racional, na outra infantil e impulsivo. Ele era irritante mas ao mesmo tempo agradável, um paradoxo em pessoa. 

 

Depois de alguns minutos, ele colocou a minha frente um generoso pedaço de bolo de baunilha, acompanhado de um chá de canela. O aroma era simplesmente divino.

 

"Espero que não tenha nada contra chá de canela, se não terei algo contra você.." disse em tom de brincadeira.

 

Beberiquei o chá, esperando que se acomodasse novamente ao meu lado.

 

"Antes de eu começar, acho que seria menos estranho se nós apresentássemos." Disse tentando deixar a situação menos estranha, mas sem sucesso.

 

"Meu nome é Oliver Hall, tenho 18 anos, faço psicologia e estou no primeiro ano." Disse se apresentando de maneira completa.

 

"Elize Miller, 21 e eu...faço coisas..." disse de madeira incompleta.

 

Oliver pareceu desapontado com a minha apresentação desleixada, mas não perdeu a curiosidade no olhar.

 

"Antigamente, eu creditava que se apaixona era um paradigma, acreditava que podia quebrá-lo. Mas acabei me tornando parte dele..." beberiquei novamente o chá. "Quando me vi apaixonada, minha primeira reação foi negar, mas aos poucos meus sentimentos se tornaram irrefutáveis, minha aversão a aquela situação foi desaparecendo. Havia me dado conta que me esforçava inutilmente, afinal a batalha travada era contra mim mesma...eu me entreguei. 

Se apaixonar não é um paradigma, é cair em uma areia movediça...quanto mais se luta para sair, mais nos afundamos."

 

"Mas...porque você tentou lutar contra um sentimento tão bom como o amor? Não se sentiu feliz por estar apaixonada?" Perguntou de maneira ingênua.

 

"Desculpe...'tentou' 'sentiu' porque está usando esses verbos no passado?" Disse cutucando o bolo com o garfo. "Espere eu terminar de contar minha desventura, antes de acreditar que ela já faz parte do passado." Falei friamente calando Oliver. "Excitem vários tipos de paixões, a maioria é saudável....mas não participei da maioria. Eu me apaixonei de forma doentia, a lógica se tornou inexistente." Dei uma pausa para comer um pouco do bolo, acreditando que conseguiria tirar o amargo da boca por falar dele.

 

"A pessoa..."começou Oliver chamando minha atenção. " por que você se apaixonou. Com ele é?" Perguntou com os olhos brilhando repletos de curiosidade.

 

"Ele é..."olhei no fundo dos olhos de Oliver. "Parecido com você, de certa forma." Senti meus olhos marejarem, desviei meu olhar para a xícara de chá. "As vezes infantil e ingênuo, outras vezes maduro e frio. Ele...pode ser sádico, ciumento e até mesmo agressivo, mas de alguma forma...não consigo simplesmente tornar o verbo amar em passado." Pause me recompondo, colocando novamente a minha máscara. "Ele me fazia 'bem', mas vivo melhor sem..." falei terminando meu chá.

 

"Entendo..." disse Oliver, me causando  irritação com apenas uma palavra.

 

"Entende?" Soltei levemente alterada. "Você pode imaginar, no máximo sentir dó sobre o que eu te contei. Mas me entender...é muita presunção." Disse grossa e rancorosa.

 

Oliver suspirou, como se aguentasse uma birra de uma criança mimada. Me olhou com um olhar de pura ternura.

 

"Elize...quando digo que entendo, não significa que realmente entendo. Quando digo que concordo, não significa que realmente estou ouvindo. Mas dizer isso 'normalmente' deixa as pessoas felizes. E é isso que eu mais gosto de fazer."

 

As palavras dele foram sinceras, pois me atingiram precisamente. Soltei um leve suspiro sabendo que meu orgulho sofreria um pouco mais.

 

"Desculpe..." como essas 8 letrinhas podiam ser tão difíceis de serem pronunciadas? Me perguntava repetidas vezes."É apenas...uma 'ferida' inflamada." 

 

"Eu também tenho que me desculpar, eu joguei sal na sua 'ferida'." Disse dando um sorriso de canto amigável. "Quando era mais novo sofri muito, e até hoje sinto essa 'ferida' inflamada incomodar...e só piora quando as pessoas jogam sal nela. Acho que nesse aspecto realmente te entendo..." sua feição de curiosidade e ternura desmoronou dando lugar a uma agonia claramente visível.

 

"O que aconteceu?" Perguntei imitando o mesmo mais cedo.

 

"Não vale a pena eu explicar, apenas se quiser perder algumas horas da sua vida."disse recolhendo a xícara e o prato já vazios.

 

"Já perdi mais tempo com coisas bem piores..." disse me acomodando na cadeia esperando que ele começasse.

 

"Tudo começou quando eu nasci errado...."

 


Notas Finais


Obrigada por ler.


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