História Só vejo você - Capítulo 68


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Tags Hentai, Lesbicas, Orange, Yuri
Exibições 434
Palavras 2.462
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Hentai, Orange, Romance e Novela, Yuri
Avisos: Álcool, Drogas, Homossexualidade, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Boa noite, leitoras <3
Saindo mais um capítulo e dessa vez foi antes da meia noite ;D
Beijos no coração!

Capítulo 68 - Despertando


Fanfic / Fanfiction Só vejo você - Capítulo 68 - Despertando

POV NARRADOR

Era manhã de sábado quando Bianca recebeu uma ligação de Maurício perguntando se ela poderia acompanhar Rafa no hospital durante a tarde, pois ele estaria ocupado e como os pais de Rafa ainda não tinham chegado, não tinha mais ninguém que pudesse ficar de acompanhante com ela. Sem precisar pensar duas vezes, Bia aceitou. Finalmente Rafa iria para um quarto e poderia receber visitas sem ter os minutos contados, isso também significava que tinha corrido tudo bem durante a noite e que Rafa estava melhor. Sentindo-se animada, falou para seus pais que não iria poder passar o sábado com eles e esperou ansiosa até às 13:00 horas, horário em que Rafa iria para o novo quarto. Estava louca para poder encontrar Rafa acordada e conversando, não gostava nada de vê-la tão imóvel e sem vida.

Ao chegar no quarto e ver que Rafa ainda dormia, ficou um pouco decepcionada, entretanto, algo a fez sorrir, ela não estava usando a máscara de oxigênio como nos dias anteriores, já conseguia respirar normalmente. Apesar de ela ainda ter aquele aparelho irritante ligado em seu peito e ainda estar recebendo soro, voltou a se animar, Rafa estava melhorando. Foi até a beira da cama e passou o dedo com suavidade pelo rosto dela, os hematomas ainda eram bem visíveis, porém a tonalidade não tinha escurecido, era a mesma do dia anterior.

Uma enfermeira entrou no quarto e ao ver que Bianca seria a acompanhante, lhe explicou que Rafa poderia acordar a qualquer momento e que se ela acordasse muito agitada, Bianca deveria apertar um botão ao lado da cama, que imediatamente algum enfermeiro iria vir para ajudar. Bianca aproveitou e fez várias perguntas para a enfermeira sobre o estado de Rafa e como as respostas foram todas positivas, ficou tranquila, esperando ansiosa o despertar dela, que segundo a enfermeira, poderia ser em alguns minutos ou em algumas horas.

 

xxx

 

Rafa se encontrava num lugar escuro onde podia ouvir incessantemente um apito tão irritante, que mais parecia uma tortura. Às vezes também ouvia pessoas conversando, mas não conseguia vê-las por causa da escuridão. Começou a ficar desesperada ao perceber que tudo só estava escuro porque ela estava de olhos fechados, mas por mais que tentasse abrí-los, não estava conseguindo. Tudo estava muito estranho, nem mesmo seu corpo queria se mexer, parecia que seu cérebro não funcionava mais. Será que estava morta? Tentou se recordar de como tinha ido parar nesse pesadelo sem fim e então se lembrou do acidente, do carro avançando contra si, das fortes dores que sentiu, de como seu corpo era frágil e sentiu vontade de chorar, devia estar mesmo morta, seu tempo em vida havia acabado e agora só podia estar no breu inferno. Pensar que viveria por toda a eternidade numa escuridão sem fim, sem poder se mexer ou falar a deixava muito amedrontada. De repente, começou a sentir um perfume gostoso que a tranquilizou instantaneamente, o conhecia muito bem, aquele era o perfume que Bianca usava, amava ele, aliás amava a dona dele. Mesmo sem poder ver, conseguia sentir a presença de Bia, sabia que ela estava ao seu lado, mas como ela poderia estar ao seu lado, se já estava morta? Ou será que não estava morta coisa nenhuma? Criando forças, tentou inutilmente se mexer outra vez, mas era como se seu cérebro não tivesse mais comando sobre si mesma. Ainda não queria ter morrido, precisava ter mais uma oportunidade na vida, precisava ter o perdão da loira ou nunca teria paz. E pensando assim, juntou toda a sua energia com a sua vontade de viver e fez novamente muito esforço para tentar abrir os olhos e dessa vez ela finalmente conseguiu, mas a claridade que atingiu seus olhos foi tão forte que parecia queimar suas retinas, deixando sua visão completamente embaçada. Sentiu uma forte agulhada na cabeça e só não voltou a fechar os olhos porque viu uma silhueta ao lado da cama com um corpo tão perfeito, que só podia ser ela: Bianca! Um sentimento forte de alegria por ver que ainda estava viva a acometeu, inundando seus olhos, deixando a imagem da silhueta de Bia ainda mais embaçada. Permaneceu fitando-a em silêncio por alguns segundos, mesmo com toda a dor que a luz forte provocava em sua cabeça. Precisava saber se era mesmo Bia que estava ali e decidida a perguntar abriu a boca, mas esse simples gesto fez sua cabeça doer ainda mais, mas sem se dar por vencida, ignorou a dor e a chamou.

ㅡ Bianca? ㅡ Sua voz estava muito arrastada e fraca.

Bia estava tão distraída analisando os batimentos cardíacos de Rafa, que nem tinha percebido que ela já havia despertado. O coração dela batia muito rápido e isso não parecia ser nada bom, mas como já havia chamado a enfermeira pelo mesmo motivo antes e ela disse que era normal, pois Rafa deveria estar despertando, preferiu monitorá-los por conta própria e se o ritmo aumentasse ainda mais, iria chamar a enfermeira de novo. Quando ouviu a voz de Rafa ainda mais grave que o normal, muito baixa e lenta, virou rapidamente o rosto para Rafa e ao constatar que ela estava acordada, sorriu e deu dois passos ficando ainda mais próxima.

ㅡ Rafa, oi… ㅡ Notou que nos olhos dela haviam lágrimas.

ㅡ É você, Bian… ㅡ Não conseguiu terminar a frase, pois mexer o maxilar era muito doloroso.

ㅡ Sou eu, a Bianca, como você está? ㅡ Com o coração na mão, Bia respondeu, mas percebeu que Rafa não estava muito bem, seus olhos estavam meio distantes e ela franzia a testa para falar como se estivesse sentindo dor.

Ouvir a voz de Bianca foi tão gostoso, poder confirmar que ela estava ao seu lado mesmo não merecendo a sua presença lhe deu uma sensação muito boa.

ㅡ Parece que fui atropelada ㅡ Disse lentamente tentando aguentar a dor que falar lhe dava. Não se lembrava de ter batido a cabeça no acidente para estar doendo tanto assim.

Bia teve vontade de rir com o que ela disse, mas continuou séria.

ㅡ E você foi atropelada mesmo, tudo porque quis bancar a idiota naquele skate, eu disse que fazer aquilo ia colocar a sua vida em risco.

ㅡ É... Você se importa comigo. ㅡ Deu um sorriso, mas parou no mesmo instante pela dor aguda que sentiu, não podia se esforçar muito, mas era ótimo saber que a loira ainda se importava com ela.

ㅡ Não é nada disso, não se iluda, Rafaela. ㅡ Bia cruzou os braços e parou de olhar para Rafa. Não queria admitir que se importava com ela, mas sabia que se importava sim e muito.

ㅡ Se você veio até aqui é porque se importa. ㅡ Sorriu outra vez, e dessa vez a dor foi muito mais forte. Ainda não estava enxergando direito, só via borrões. Lágrimas escaparam de seus olhos sem que pudesse evitar ㅡ Ai... que dor de cabeça!

Bia voltou a olhar Rafa e ficou muito preocupada, ela estava chorando. Apertou o botão ao lado da cama apressada para chamar uma enfermeira e tocou no ombro de Rafa, mas ao ouvir o gemido que ela soltou com o seu toque, tirou a mão ㅡ Ai, perdão, o que está sentindo?

ㅡ Muita dor de cabeça e não estou enxergando muito bem. ㅡ Cansada de sentir as fortes agulhadas fechou seus olhos.

ㅡ Já chamei a enfermeira, aguenta só mais um pouquinho. ㅡ Bia queria tocar no rosto de Rafa, mas teve medo, não podia machucá-la ainda mais.

Rafa preferiu não falar mais nada, pois percebeu que não sentia dor ao ficar assim sem se mexer, talvez sua vida agora fosse ser como um vegetal. Se sentia muito fraca, não tinha força nem para mexer os dedos das mãos.

ㅡ O que aconteceu? ㅡ Uma enfermeira entrou no quarto, acompanhada por um médico.

ㅡ Ela acordou, mas está com muita dor. Também falou que não está enxergando direito, isso é normal?

ㅡ Me deixe examiná-la... ㅡ Disse o médico pegando alguns instrumentos e examinou Rafa, mas a cada novo toque do médico, ela emitia um gemido, tudo estava sendo uma tortura para ela. ㅡ O que está sentindo, moça?

ㅡ Dói tudo quando eu me mexo, até para falar dói, e tudo o que eu vejo está muito embaçado. ㅡ Rafa abriu os olhos e ao ver três silhuetas em sua frente só confirmou que estava mesmo quase cega. Conseguiu identificar Bia e manteve seu olhar fixo nela.

O médico pegou um farolete e acendeu bem perto dos olhos de Rafa, cegando-a de vez. A dor que ela sentia agora era tanta que quase chorou.

ㅡ Suas pupilas estão normais, a cegueira é temporária. É um efeito colateral da anestesia, quando ele passar, sua visão deve voltar ao normal. Já as dores ainda podem levar alguns dias para passar, sua queda foi muito violenta, é natural que as sinta. Vou te dar um analgésico para aliviar as dores. Tente ficar em completo repouso para não sentir muita dor.

Rafa nada respondeu, agora que sua visão estava completamente cega, fechou os olhos e ficou apenas ouvindo o médico e a enfermeira andando pra lá e pra cá e dizendo nomes esquisitos de remédios que ela deveria tomar.

Bia estava quieta demais, agora que estava de olhos fechados, não conseguia mais identificá-la. O médico havia dito anestesia, mas para que tomou anestesia? Esperou o quarto ficar em silêncio e chamou por Bianca.

ㅡ Estou aqui. ㅡ Falou apressada e tocou na perna de Rafa, respirou aliviada por ela não gemer de dor.

ㅡ Porque me deram anestesia? ㅡ Percebeu que falar de olhos fechados era menos doloroso.

ㅡ Porque você precisou fazer uma cirurgia no braço.

ㅡ Porque? Eu vou ficar bem? ㅡ Não conseguia se lembrar como tinha caído, tudo ainda estava muito confuso em sua cabeça. E então a palavra braço ecoou em sua mente, a desesperando o medo dentro de si, não podia ter quebrado o braço direito, era com ele que fazia seus desenhos ㅡ Qual braço, diga que é o esquerdo, por favor...

ㅡ Não, foi o direito, mas vai ficar tudo bem. A cirurgia foi bem sucedida.

ㅡ Não, o direito não! ㅡ Rafa abriu os olhos e sentiu outra agulhada forte na cabeça, mas sem desistir, tentou levantar a cabeça e se sentar na cama para poder olhar seu braço, mas foi como se alguém tivesse lhe dado uma facada sem dó, que a rasgou do pescoço até o peito, a dor foi tão forte que a fez gritar de dor, e se deixou cair para trás, se dando por vencida. ㅡ E agora? Como eu vou desenhar? ㅡ Sua respiração estava pesada, a dor em seu peito estava muito forte.

ㅡ Fica calma, Rafa, você foi operada rápido, os médicos disseram que isso fez uma grande diferença na cirurgia, e que seu braço vai ficar bom, você só precisa ter paciência para se recuperar logo. ㅡ Bia falou rápido, tentando, sem sucesso, acalmá-la.

Rafa não conseguia acreditar que o Bia dizia era verdade, e mesmo se fosse, a recuperação deveria ser muito lenta, não iria mais poder desenhar por um bom tempo. Sentindo muita tristeza, se permitiu chorar, mas sem emitir nenhum som, apenas soluçava inundando seu rosto com suas próprias lágrimas. A cada soluço, sentia uma nova facada no peito.

ㅡ Rafa, não fica assim… Por favor. ㅡ O aparelho que não parava de apitar, agora estava muito mais agitado e sem saber o que fazer, Bia apertou novamente o botão ao lado da cama para chamar a enfermeira. Ver Rafa assim tão fragilizada estava cortando seu coração. Tinha vontade de tocá-la, mas sabia que não podia.

ㅡ Aconteceu alguma coisa? ㅡ A mesma enfermeira voltou ao quarto muito apressada, mas dessa vez estava sozinha.

ㅡ Ela descobriu que quebrou o braço e ficou assim, não sei como acalmá-la. ㅡ Bia disse desesperada.

ㅡ Moça, porque está chorando assim, o que está sentindo?

Rafa tentou falar, mas seus soluços eram tantos, que só conseguiu tossir. Sentia que sua vida tinha se acabado ali, pois sem poder fazer seus desenhos, que era o que ela mais gostava, não tinha mais motivos para viver. Já tinha perdido tudo mesmo, vivia perdendo coisas e pessoas, sua vida não tinha mais sentido nenhum. Devia ter morrido no acidente, seria muito melhor.

ㅡ Ela está muito nervosa, vou ter que aplicar um calmante, essa tosse e a respiração irregular poderá piorar a fratura na costela. ㅡ A enfermeira informou indo num canto do quarto, pegou uma seringa com um líquido transparente, voltou em direção à cama e aplicou o calmante no braço esquerdo de Rafa. ㅡ Logo começa a fazer efeito. ㅡ Falou para Bianca e pegou a máscara de oxigênio, voltando a colocá-la em Rafa ㅡ A máscara é para ajudar ela a respirar melhor. Ela irá dormir por algumas horas.

Bia concordou com a cabeça e voltou a olhar para Rafa, ela ainda estava soluçando, com o rosto todo molhado. Nunca imaginou que iria vê-la assim, Rafa era sempre tão forte, e agora estava tão fragilizada em uma cama de hospital.

Percebeu que aos poucos ela foi parando de soluçar e agora parecia dormir. Pegou um lenço de sua bolsa e secou as lágrimas dela com suavidade, não queria ouví-la gemer de dor outra vez. Queria que Rafa ficasse bem logo, era horrível vê-la nessa situação. Tirou os cabelos que cobriam a testa de Rafa e viu uma cicatriz que cortava desde a sua sobrancelha, até o meio testa. Nunca tinha visto nada ali antes, a cicatriz devia ser bem recente, mas como já estava curada, não tinha sido feita no acidente. Passou o dedo levemente sobre a cicatriz se perguntando como ela havia feito aquilo.

ㅡ Você precisa ter mais cuidado, Rafinha. ㅡ Sorriu, pois sabia que ela não estava ouvindo e passou a mão pelos cabelos dela com carinho. Se inclinou, dando um beijo na testa dela, tinha saudades de tudo o que viveu com ela, todas as noites quentes e maravilhosas que ela havia lhe proporcionado, ainda sentia algo pela menina mais convencida que já conheceu, mas não queria dar o braço a torcer.

Como já havia se tornado um costume, conferiu como estava os batimentos cardíacos dela e constatou que já estava normal, notou que a respiração dela também já estava suave e sorriu, isso era ótimo. Beijou a testa dela novamente e como a enfermeira disse que Rafa iria dormir por algumas horas, decidiu ir até a cantina, precisava colocar algo em seu estômago. Passou a mão nos cabelos de Rafa mais uma vez, pegou sua bolsa e deixou o quarto com um leve sorriso, pois sabia que poderia voltar quantas vezes quisesse.


Notas Finais


P.S.: cadê a Lia nos comentários?


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