História Sob o pretexto da guerra - Capítulo 30


Escrita por: ~

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Palavras 3.637
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Artes Marciais, Aventura, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Fantasia, Hentai, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Violência
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Fate/Stay não me pertence e seus personagens também não.
O intuito dessa fanfic é totalmente interativo e sem fins lucrativos.
Por isso, não me processem, por favor. Não tenho como pagar uma fiança e da cadeia não dá pra postar.


Boa leitura!

Capítulo 30 - Sobre a conversa com o Graal


Não dava pra negar que o clima estava mudando. A cada novo dia, a cada novo amanhecer, era mais intenso o acordar. Era palpável a tensão da Guerra. Ela tinha chegado ao quintal deles, como Rin costumava metaforizar. A perda de Santo, a luta de Archer e Cali, o risco do pedido, isso tudo estava tirando o sono de Shirou. Já era a segunda manhã que ele via chegar, sem ter fechado os olhos.

Tinha, agora, uma companhia constante em seus braços. Enquanto fitava a janela, com os olhos parados, acariciava de modo robótico os cabelos de Saber, que dormia abraçada em seu peito. Só parou de encarar o nada, quando ela se remexeu e roubou sua atenção, mesmo dormindo. Aí, foi difícil pra Shirou desviar o olhar.

Amou Rin Tohsaka desde sempre. Desde que a viu, pela primeira vez, no colégio, sempre popular, sempre rodeada de gente, sempre superior, sempre ácida, sempre acima da média. Se viu preso à ela durante a Guerra anterior e dependente de sua ajuda, por não ter a menor ideia do que estava acontecendo. Recebeu seu convite de ir pra Londres e nem pensou em ir pela oportunidade de estudar magia. Não foi por isso que aceitou. Aceitou ir pra Inglaterra, pra poder começar uma vida com a Tohsaka longe de Fuyuki, longe do Japão, longe das lembranças que ele, inconscientemente, sabia que ela tinha. Três beijos. Foi o máximo que conseguiu dela.

O primeiro, ainda aqui, foi logo que tudo terminou. Duas crianças. Hoje, olhando aquele beijo esquisito, parecia mais uma comemoração por terem saído vivos daquela insanidade. Da parte dele, um início, talvez, porque já tinha se declarado à ela. Da parte dela, era quase uma indenização, por ter chegado perto de ter sido morto pelo servo que tinha invocado. Shirou resolveu esperar. Já tinha surgido a proposta de irem pra Londres juntos e ele achou que, estando lá, as coisas seriam diferentes.

O segundo realmente aconteceu lá. Depois que arrumaram um lugar pra morar e se acertaram como companheiros de apartamento, surgiu um silêncio constrangedor cobrando dos dois se não eram obrigados a tentar mais uma vez. Daí começou a amizade mais próxima e isso foi bom, porque os carinhos passaram a ser mais abertos, surgiram mais abraços, mais contatos, um sentiu a necessidade física de estar perto do outro. Quando se gostavam o bastante, numa noite fria, assistindo um episódio de uma reprise de comédia que ambos adoravam, debaixo da mesma coberta, abraçados pra se esquentar, tentaram o segundo beijo. Rin deu um sorriso constrangido, que ele podia ter entendido como algo normal. Mas Shirou entendeu a verdade. Ainda não era a hora. Então, resolveu esperar mais um pouco.

O terceiro e último beijo, que ele não sabia que seria o último até bem pouco tempo, aconteceu na última semana em Londres, após uma festa de despedida dos alunos da Torre do Relógio. Estavam reunidos com os amigos no apartamento de Crosses, que era a cara dele, um estilo de galpão, grande, afastado, perfeito pras festas Techno que adoravam frequentar. E tinha uma atmosfera de melancolia no lugar, de perda, mas Javier Delgado não se abala por perdas. Então regou o trio mais animado da Torre à tequila e, nesse dia, todos viram Rin Tohsaka perder o controle das pernas. Shirou, seu melhor amigo e escudeiro, achou que estava na hora de irem pra casa, antes que ela fizesse algo mais comprometedor do que dançar em cima de uma mesa tirando a roupa. Fez isso, a levou embora. No apartamento deles, a colocando na cama, aconteceu o terceiro beijo. Rin o puxou pelo braço e se agarrou à sua boca, dando nele os beijos que ele sempre cobiçou. Dando pra ele, a atenção que via ela dar à outros. Ela arrancou sua jaqueta pesada e o puxou por cima dela, deixando clara a intenção de que queria bem mais que um beijo naquela noite. E ele daria. Shirou teria dado o céu à Rin, se ela quisesse. Mas ela não quis, pelo menos, não dele. Estava por cima dela, beijando seu pescoço e com a mão incisivamente massageando seu seio, quando distinguiu, entre gemidos desconexos: Archer. Então, parou. Não seria com ele que Tohsaka estaria transando. Seria com uma fantasia irreal, de um futuro distorcido, do que ele se tornaria. Tirou a mão de dentro da blusa dela, deu um beijo em sua bochecha, um sorriso amargo e triste, a ajeitou entre as cobertas e, mais uma vez, resolveu esperar.

Nunca falaram sobre isso. Nenhuma vez, no outro dia, no minuto seguinte, no segundo posterior, falaram sobre esses beijos. Rin, sempre fingiu que não aconteceu. Shirou, não falava pra não ter que ouvir que tinha sido um erro. Sempre seguiram em frente, com a mesma conexão de amigos e se tornando cada vez mais íntimos. São as duas pessoas que mais se amam nesse mundo. Mas não são um casal.

E até bem pouco tempo, Shirou estava esperando pelo quarto beijo. Estava decidido que, nesse, ele faria valer a pena. Não pararia por nada, se tivesse a oportunidade, e falaria sobre ele depois, pra forçar os dois a chegarem à um entendimento sobre uma possível relação. Mas aí, ela invocou o Archer. Tudo podia ter sido jogado fora nesse ponto, porque Shirou sabia que Tohsaka não ia perder a oportunidade. Archer era pra Rin, o que Rin era pra Shirou. Alguém que, quando tivesse a chance de ter, não abriria mão jamais. E mesmo assim, não perdeu as esperanças. Teve raiva, teve ciúme, mas teve fé, de que ele ia magoá-la. Se contentou em ser alguém que ficaria com os restos. Mas seriam os restos de Rin Tohsaka, alguém que amou a vida toda. Ainda estava esperando pelo quarto beijo.

Só que a Saber cruzou seu caminho. Ela, tão natural, tão ridiculamente perfeita, estava ali. O tempo todo, ali. Estava da outra vez, mas ainda era uma criança. E chegava a ser irônico, se parasse pra analisar. Porque Tohsaka era honesta em dizer que já estava apaixonada por Archer desde a primeira Guerra. Falava isso sem nem se importar se ia ou não magoar Shirou. E ele, em algum momento, se pegou pensando na mesma coisa. Já tinha dado umas olhadas pra Saber. Já a achava linda, já a desejava. Mas era uma criança, ainda estava confuso em relação ao que queria, ao que sentia. Não sabia nem o que estava fazendo. Só sabia que tinha que sobreviver. Mas foi engraçado pensar nisso. Foi confortável pensar nisso. Ele também tinha alguém por quem suspirou, além da obsessão por Tohsaka. E era Saber, que agora era sua. Que chegou até ele com sutileza, com delicadeza, com inteligência, com carinho. Que tinha se apoderado de sua mente sem que ele nem percebesse. Incrivelmente bonita, perspicaz, alegre. Forte, determinada, corajosa. Uma protetora. Uma companheira.

E então, ele percebeu que não estava mais esperando o quarto beijo.

Não foi quando Archer apareceu, que Shirou abriu mão do amor de Rin. Foi quando ele se apaixonou por Saber, que ele descobriu que Rin, pra ele, era só uma amiga, quase uma irmã.

Olhando pra ela, ele pensou em tudo isso. Acariciando seu cabelo, ele sentiu um medo surreal de perde-la. Maior que o medo de perder Rin. Maior que todas as vezes que teve medo de perder Rin, somadas. E quando notou suas duas esmeraldas o encarando de volta, teve a prova de que não ficaria mais sem elas.

- Oi. – disse baixinho, sorrindo pra Saber que deu um sorriso molinho de volta.

- Não dormiu de novo? – perguntou com tom de preocupação. Só o suspiro de Shirou, já foi a resposta que ela precisava. – Você tem que descansar, Shirou.

Ele deu de ombros. Só se ajeitou pra ficar mais perto dela.

- Eu tô preocupado. – disse sério.

Ela fez um carinho em seu rosto, passando a mão bem de leve.

- Eu pensei em uma coisa, não sei se daria certo.

Os olhos de Shirou faiscaram em esperança. Sabia que Saber era inteligente. Ela teria pensado em algo pra essa situação.

- Pensou em quê, minha linda? – sua voz não escondia a ansiedade.

Ela respirou fundo e se sentou. Shirou fez o mesmo, pra encará-la.

- Se der tudo errado, você pode me invocar de novo. Eu fico aqui, como agora. – Saber disse isso como se fosse simples. Mas usou um tom de voz vacilante, como se não tivesse toda a certeza do mundo sobre o que falava.

Shirou a encarou em silêncio, por um momento. Ficou analisando as palavras dela. Lembrou de coisas que Tohsaka falava. Ele não sabia com absoluta certeza, porque nunca quis perguntar, mas achava que esse plano não era muito viável.

- Como um Espírito Heroico? – perguntou confuso. Ela concordou com a cabeça. Shirou balançou a dele, mais confuso ainda. – Dois problemas no seu plano, Saber. Primeiro: como você vai ficar aqui se nós vamos libertar os Espíritos? Segundo: eu não sei se eu vou ter maná o suficiente pra te manter aqui.

Ela concordou.

- Em relação ao primeiro, o pedido não é libertar os Espíritos que queiram a liberdade? – e fez um movimento com as mãos, que Shirou acompanhou. – Pois bem, é só eu não querer. – aí ele se enrolou.

- E você não quer?! – perguntou gritado.

- Quero, Shirou! Mas entre evaporar no ar e ficar aqui com você sendo um Espírito Heroico, eu prefiro ficar do jeito que eu tô! – respondeu impaciente.

Ele pensou um pouco. Fazia sentido e não fazia sentido.

- Então, quando o Graal for libertar os Espíritos, você vai se concentrar dizendo que não quer a liberdade? É isso? – ele perguntou meio confuso, meio desconfiado.

- É. – foi firme.

- E você vai ficar aqui, comigo, sendo um Espírito Heroico? Sobrevivendo na Terra com o meu maná? Certo? – perguntou do mesmo modo que antes. Ela concordou com a cabeça, animada. – Saber, minha linda. Sem querer ofender seu brilhantismo, mas você não acha que se isso fosse possível, a Tohsaka tinha trazido o Archer mais cedo?

Shirou se odiou por ver a animação de Saber sumir. E por culpa dele.

- Você tem razão. – disse, magoada.

Ele a puxou pra um abraço. Encaixou seu rosto no topo da cabeça dela e deu um beijo.

- A gente vai pensar em alguma coisa. Fica calma. – disse baixinho.

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Depois daquele sonho esquisito, que não foi bem um sonho, Rin demorou pra pegar no sono de novo. Por isso, quando acordou, já era tarde. Desceu as escadas e encontrou o servo mais folgado de todos jogado no sofá, assistindo televisão.

- Vidão, hein? – brincou com Archer, que deu um sorriso brincalhão pra ela. Em um segundo já estava na ponta da escada pra encontrá-la.

- Você não acordava nunca. – resmungou, ganhando um beijinho.

- Eu demorei pra dormir, depois de acordar de madrugada. – respondeu com os lábios colados nos dele. – Tô com fome, amor. Tem alguma coisa? – fez manha.

- “Tô com fome, amor”. – imitou ela, com uma voz estridente. – Lógico que tem. Seu café tá pronto, também. Você pega, ou quer que eu pegue? – perguntou rindo.

Ela fez charme.

- Eu pego. Mas você podia me carregar até lá. – e caiu na risada, desviando de Archer, que não levou, mas foi junto. Rin se serviu do sagrado café e, pela primeira vez, não torceu o nariz pras torradas. Ainda comeu duas, com geleia, e mais umas bolinhas de uva que tinha em cima do balcão.

Foi impossível não lembrar do “sonho” ao ver Archer sem camisa debruçado no balcão, olhando pra ela. Precisava resolver esse quebra-cabeças e precisava urgente. Quem poderia ajudar? Tinha que ser alguém que conseguisse ver as coisas de fora, sem o apelo emocional do pedido. Mas quem? Pra falar sobre isso com algum civil, era arriscado. A única pessoa que sobrava era...

- Sakura! – deu um grito e um tapa no balcão. – Cadê meu celular, Archer? Você viu? – e saiu correndo pra sala, procurando onde tinha deixado o telefone.

- O que tem a Sakura? – ele veio andando atrás, confuso, vendo ela tirar as almofadas e jogar pro chão.

- Ela vai me ajudar com o sonho. – Rin respondeu sem dar atenção. – Meu telefone, amor! – choramingou pra ele, que só apontou a mesa lateral. Saiu correndo pra pegar.

- Por que você acha que ela vai ajudar? Aliás, por que você acha que aquilo é válido de alguma forma? – Archer perguntou desconfiado. Rin fez sinal pra ele esperar.

- Sakura? É a Rin. Você pode me encontrar hoje a tarde? ... Tudo bem se for aí no templo? ... Então tá. ... Depois do almoço eu vou aí. – e desligou, mais animada que nunca.

- Eu nunca vi você ficar assim ao falar com ela... – estava confuso.

Aí ela caiu na real. Não era só a mediadora da Guerra. Era a Sakura. Sentiu o estômago pesar na hora. Archer tinha razão. Encontros com ela sempre eram desgastantes.

- Se tudo der certo, ela pode me ajudar, Archer. Talvez ela consiga entender esse sonho. Quem é a observadora da Guerra? Não é a Sakura? Então. Se a porra do Graal veio falar comigo, talvez ela saiba de alguma coisa que pode me ajudar. – disse impaciente. Não gostou de ser lembrada de seus problemas com Sakura.

E ele notou a mudança imediata na expressão.

- Um dia você me conta o que acontece entre vocês? – perguntou firme.

Ela se estremeceu.

- Um dia. – só respondeu isso. Só nisso, Archer já confirmou suas suspeitas de que tinha alguma coisa pesada que as envolvia. Mas respeitou o espaço de Rin.

- Eu vou com você. – afirmou. Ela concordou com a cabeça. Lembrou da outra vez, que quis ir sozinha, mas nessa precisava dele ao seu lado.

- Vamos juntos, tá? – só deu a entender, mas ele sacou tudo.

Ficaram por ali um pouco, almoçaram e logo partiram pro templo. Rin estava ansiosa demais pra esperar por qualquer coisa. Quando estacionaram no pátio, já foram encontrados por Sakura, que os esperava.

- Vamos conversar no meu escritório. – e os levou pra uma sala mais moderna do que aquela onde Rin tinha ido antes. – Estou abrigando dois mestres aqui e acredito que não queiram que a nossa conversa seja bisbilhotada. – os dois assentiram com a cabeça. – Aliás, quero oferecer ao mestre do Lanceiro, seu amigo, caso ele queira ficar por aqui também... – foi interrompida por Rin.

- Ele não vai ficar aqui. – seu tom foi ríspido. Sakura até se ajeitou na cadeira.

- Só quis oferecer, por uma questão de custos. Agora que ele saiu da Guerra... – dessa vez foi interrompida por Archer.

- Ele não saiu da Guerra. A aliança da qual ele faz parte ainda está de pé. – disse firme, se postando ao lado de Rin.

Sakura deu uma risadinha sem graça.

- Desculpa, gente. Eu não quis ofender, é sério. – foi muito honesta. Os dois diminuíram as posturas de luta. – Bom, a que devo a honra de uma ligação, seguida de uma visita, de Rin e seu servo elegante? – brincou, tentando descontrair.

Rin deu uma olhada pra Archer, pra conferir a elegância. Talvez tivesse se acostumando com ele, porque tinha achado normal a calça jeans, com camiseta preta e jaqueta da mesma cor. Mas foi só olhar uma segunda vez e ver que o maldito era o demônio de bonito. Tinha uma postura que fazia qualquer roupa cair bem.

- Pára de me olhar desse jeito, que eu tô ficando com tesão. – e ainda falava sacanagem na cabeça dela.

Rin só deu uma risadinha e se sentou em uma das cadeiras. Archer ficou de pé, na porta.

- E então? – Sakura a encarava de modo curioso. Rin respirou fundo. Pensou de que modo poderia falar aquilo sem parecer que tinha enlouquecido de vez. Decidiu arriscar.

- Eu tive um sonho esquisito. – iniciou com cautela, mas perdeu o fio da meada, analisando a expressão entediada de Sakura. – Por que está me olhando assim?

- Um sonho esquisito? Você veio me contar sobre um sonho esquisito? – Archer deu uma risadinha.

Rin ficou levemente irritada com aquilo. Nunca usava meias palavras e nunca, absolutamente nunca, poupava ninguém de suas famosas verdades.

- O Graal falou comigo essa noite. – aí ela ganhou a atenção da Sakura. Ela a olhou na hora, com os olhos levemente arregalados.

- Agora sim eu achei esse sonho interessante. – disse maliciando.

Rin rolou os olhos. Gostava mais daquela Sakura comedida, que não fazia esses comentários ácidos.

- Sakura eu acho que eu viajei no tempo. – e esperou um riso, uma piada, alguma coisa que a desacreditasse mas, ao contrário, a expressão da outra se manteve firme. – Isso é possível?

Ouviu uma risada alta.

- Você sabe que o Graal é onipotente, não sabe? Partindo desse pressuposto, é perfeitamente possível que ele tenha te levado pra dar uma volta no tempo. – disse rindo. – Agora, o que me interessa nisso tudo, é o porquê. – sibilou as palavras. – O que ele te mostrou, Rin?

Ela só apontou pra trás e Archer deu um sorriso forçado.

- Eu fui conhece-lo antes que fizesse o pacto. – Rin disse do modo mais firme que conseguiu.

- Por quê? – Sakura perguntou intrigada e a outra balançou os ombros, sem saber a resposta. – O que ele te disse?

- Que estava me ajudando a traçar um plano, pra que eu não precisasse escolher entre a vida de um dos dois Shirous. – até Rin se confundia.

Sakura balançou a cabeça.

- O Graal quer te ajudar com o pedido? – ela confirmou. – Mas ele quer que você peça o Arqueiro, pelo jeito.

Isso Rin não tinha concluído. Mas fazia sentido. Entre abrir mão de todos os Espíritos Heroicos e de um só, era bem a cara do Graal manipulá-la pra que ela escolhesse pedir apenas pelo Archer. E se ele realmente conhecia Rin, sabia que tinha grandes chances de chegar na hora, ela abrir mão do pedido por todos e escolher o namorado. Ela não era uma pessoa que pensava no bem comum. Pensava no bem dela. E o bem dela, era Archer.

- Agora que você falou, parece que sim. – Rin concluiu.

Sakura se encostou na cadeira, pensativa.

- E você vai fazer isso? Vai abrir mão de salvar todos, por um só? – não conseguiu evitar o tom de julgamento em sua voz.

Não era esse o plano. Não mesmo. Mas se chegasse no ponto de ter que escolher, escolheria salvar Archer.

- Não, ela não vai. – a voz grave de Archer respondeu por ela, invadindo a conversa das duas.

- Até porque, até onde eu sei, o Shirou também tem uma namorada que é um Espírito Heróico, não tem? – Sakura perguntou com uma malícia subentendida.

Rin começou a se arrepender de ter ido até lá. Tava confusa e, agora, se sentindo ameaçada e julgada. Respirou fundo, tentando tomar o controle da situação.

- Eu vim até aqui pedir a sua ajuda, mas eu acho que não foi uma boa ideia. – era quase um lamento.

A expressão de Sakura se acentuou. Não teve como não se render, ao ouvir aquilo. Era Rin. Estava ali, pedindo sua ajuda. Não podia ficar agindo assim, como uma mediadora. Ou pior, como uma crítica de seus passos. Deu um sorriso sincero.

Rin sentiu o coração se acalmar. Aquele sorriso de Sakura, por algum motivo a tranquilizou.

- O Graal é um jogador. – Sakura disse firme. – Acima de tudo, ele é viciado em jogos, apostas, qualquer coisa que o deixe nessa instabilidade emocional. É só você pensar, ele propõe um jogo brutal de vida e morte, dando um pedido de prêmio. – ironizou.

Ela pensou nas palavras que lhe foram dirigidas.

- Ele falou que eu era seu cavalinho preferido. – devaneou e Sakura a apontou um dedo, confirmando o que tinha dito.

- Pois bem. Você precisa atiça-lo pra fazer uma nova aposta com você. Assim, você vai ser capaz de tirar quantos pedidos quiser. – era quase um sarcasmo. A expressão de Sakura chegava a assustar.

Archer se interessou por esse papo. Chegou mais perto e se sentou na cadeira ao lado de Rin.

- Isso pode dar certo. – ele falou com os olhos em Rin, pensando em alguma coisa. – O Graal te levou pra minha última semana antes de fazer o pacto. De alguma forma, ele está sugerindo que você me impeça de fechar o contrato.

- Eu podia apostar com ele que eu consigo te impedir de fazer o pacto. – tinha uma esperança surgindo em seu coração.

Sakura se retesou.

- Rin, isso é arriscado. Você não pode confiar nos sentimentos que vocês tem agora, pra confiar numa aposta alta assim... – foi interrompida por Archer.

- Se tem alguém que pode me impedir de fazer essa burrice, esse alguém é ela. – falou duro, olhando diretamente à Sakura.

Ela rolou os olhos e balançou as mãos, cedendo.

- Tudo bem. Mas e o resto do pedido? Por que você ainda planeja libertar os outros Espíritos, certo? – Sakura perguntou impaciente.

Rin não respondeu mais nada. Mas sua expressão era viva. Tava com os olhos brilhando de modo extraordinário. Não ouviu a pergunta de Sakura. Não ouviu os chamados de Archer. Só conseguia traçar a última estratégia de batalha dessa Guerra. E essa, não era contra nenhum servo. Essa era diretamente contra o Graal.

- Obrigada, Sakura! – se levantou num pulo, deu a volta na mesa e a abraçou por um longo tempo. Ela, no início, teve receio em retribuir. Mas depois se deixou levar e a abraçou de volta, sorrindo pelo carinho. Rin, ao soltá-la, colou as duas testas. – Obrigada, mesmo. – disse baixinho.

Saiu dali e foi puxando Archer pela mão.

- Vamos, amor. A gente precisa conversar com o Shirou. – o sorriso era diabólico demais pra alguém que estava triste.

Ela tinha ganhado a Guerra.

Ela tinha dado um jeito em tudo.



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