História Sobre a amizade estranha e o apocalipse - Capítulo 8


Escrita por: ~

Postado
Categorias Naruto
Personagens Naruto Uzumaki, Sasuke Uchiha
Tags Narusasu, Narusasunaru, Sasunaru, Sasunarusasu, Yaoi
Exibições 59
Palavras 3.195
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Artes Marciais, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Ficção Científica, Lemon, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Sci-Fi, Shonen-Ai, Violência, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Voltei antes X3
Vocês estão pegando o espírito da fic e eu tô tão feliz ᕦ(◕‿‿◕)ᕥ
Sério, até agora não li nenhuma teoria que fugisse da ideia da história. Isso é sinistro e assustador hahahaha
Esse capítulo tem bastante informação, então tem um pequeno esclarecimento nas notas finais, depois do significado dos asteriscos. Aí vocês decidem se querem ler esse esclarecimento ou deixar a mente ligar os pontos!
Boa leitura!

Capítulo 8 - Sobre o excesso de pensamentos


                De volta ao quarto, Sasuke encarava aquele anel com um olhar tão mortal que Naruto achou que o objeto a qualquer momento fosse se assustar e começar falar.

                — Sasuke... Olha, eu não sou a pessoa mais inteligente do mundo. Mas até eu sei que é impossível montar um quebra-cabeça que só tem uma peça.

                Ele estava certo e Sasuke sabia disso. Mas, como qualquer coisa ligada a seu clã e, principalmente, a Itachi, encontrar o anel naquele lugar improvável estava mexendo com sua sanidade.

                — Eu sei disso. É só que...

                — Que...?

                — Nunca falei sobre isso com ninguém. — Sasuke constatou, com o olhar ainda fixo no anel iluminado pela lamparina. — Sempre achei que havia algo maior que esses anéis escondiam. Ao que me lembro, eles eram necessários para extrair as Bijuus de seus Jinchuurikis, mas os líderes da Akatsuki tinham uma obsessão estranha por eles e isso não faz muito sentido.

                — Você tem razão, Teme. — Naruto concordou pensativo — Se fosse essa a única serventia dos anéis, seria mais simples forjar novos quando esses se perdessem do que se arriscar pra procurar os anéis desaparecidos.

                — Exatamente. — Sasuke sentiu uma onda de alívio; não estava ficando paranoico. — Sei que ficar aqui olhando para o anel não vai mudar nada. Mas a situação se tornou um pouco pessoal. Ou estão debochando de nós, ou essa teoria está correta.

                — O que você planeja fazer sobre isso?

                — Por enquanto, vamos apenas esperar. — Sasuke disse com firmeza. — Voltaremos àquele lugar amanhã bem cedo para realizar alguns testes.

                Naruto aquiesceu, sentindo o estômago se embrulhar de ansiedade. Não era o tipo de missão que pensou que enfrentariam; em sua mente, bastaria derrotar o autor dos rumores sobre Kaguya e o selamento e tudo estaria feito.

                — Sasuke... Você acha que Kakashi-sensei sabia que umas coisas estranhas assim iriam acontecer?

                Sasuke respondeu com um talvez nem um pouco convincente, e Naruto entendeu que ele tinha certeza de que Kakashi sabia da dimensão do problema.

                — Aconteça o que acontecer, só não morra.

                O pensamento escapou pelos lábios de Naruto e Sasuke arregalou os olhos, sem encara-lo. Naruto estava tão perdido na própria divagação que sequer notou suas palavras e o efeito incendiário que elas tiveram em Sasuke.

                Não irei. É uma promessa.

                — Sabe... Eu acho que não vai aparecer algo naquele lugar novamente tão cedo. — Naruto parecia anormalmente racional e Sasuke virou-se para encara-lo — Talvez fazer testes naquele lugar seja perda de tempo. As ocorrências acontecem a cada quinze dias ou mais. Podemos fazer muita coisa em quinze dias.

                Sasuke considerou a opinião, e uma ideia precisa iluminou sua mente.

                — Vamos esperar o amanhecer. Levaremos isso até Orochimaru.

                Com uma careta de desagrado Naruto cogitou seriamente a ideia de enviar Sasuke para uma agradável conversa com Rikudou pessoalmente. Ou pedir suas células da prótese de Sasuke de volta. Qual era o problema com Sasuke em sempre recorrer a Orochimaru?!

                — Não adianta fazer essa cara. Ele conhece meu clã como ninguém, e era membro da Akatsuki junto com Itachi. Ninguém melhor do que ele para nos ajudar.

                Ele tinha razão. Embora soubesse disso, Naruto sentia que aquela visita não traria boas consequências. Tinha medo de perder Sasuke para sempre, mas não era somente isso que sua mente gritava, em um idioma desconhecido, que poderia acontecer. No fundo, Naruto preferia não saber, e por isso adormeceu logo que Sasuke apagou a lamparina.

 

                ***

 

                Sakura não precisava pensar quando lhe questionavam qual era a característica de Ino que mais apreciava. A companhia da amiga lhe fazia bem, porque Ino sabia o momento exato de brincar e o momento em que deveria falar sério. Daquela vez, não foi diferente.

                — Eu realmente amo elfos, você sabe. Se tivesse uma visão dessas, teria ido correndo te contar.

                Hinata não pareceu satisfeita com a resposta.

                — Você não notou nada estranho ao seu redor? Por favor, Ino-san, é muito importante.

                Ino considerou o pedido. Não queria contar a ninguém sobre aquilo, porque tinha certeza de que as pessoas suspeitariam de sua lealdade, mas quando tomou tal decisão não imaginou que esta pudesse se revelar um problema.

                Pediu para as garotas que a acompanhassem até seu quarto. Suspirando, abriu sua caixinha de jóias. Começou a falar logo que notou o estranho olhar que Sakura e Hinata trocaram ao ver o anel de procedência duvidosa dentro do objeto pessoal da floricultora.

                — Eu encontrei um desses há muito tempo, ele era amarelado e estava quase quebrado. Não era bonito, mas era diferente e significava a vitória de Konoha sobre a Akatsuki. Então eu o guardei. Fiquei muito tempo sem tocar nas minhas joias após a morte de meu pai, mas, recentemente, decidi usar alguma coisa. Ele teria gostado. — Sorriu tristemente. — Então quando abri a caixa, ele estava novo, verde e com um kanji completamente diferente no relevo.

                Sakura pensou em milhões de coisas que poderia falar, mas acabou por franzir a sobrancelha, completamente confusa. Sakiri, o elfo, havia encontrado um anel exatamente igual ao que Ino descrevera, e aquilo não podia ser uma coincidência.

                — Hinata, por favor, deixe Ino usar a Transferência de Mente em você. Ela precisa ver através do seu Byakugan. — Sakura disse rapidamente, o pensamento acelerado deixando-a zonza.

                Hinata considerou o pedido. Sabia que poderia dar errado, que era perigoso. Mas também sabia da importância daquilo que faziam. De acordo com o que Sakura dissera, aquelas visões estavam diretamente ligadas à missão de Naruto e Sasuke, e algo daquele porte certamente influenciaria no curso tomado pela humanidade. Seria sua forma de proteger Naruto, e dar a ele seu aval mudo para que seguisse sua vida da maneira que desejasse, mesmo que isso significasse abdicar de suas esperanças já um tanto quanto desgastadas.

                — Certo.

 

                ***

 

                O Sol estava alto no céu quando chegaram ao local onde Orochimaru se estabelecera, seis horas depois de deixarem o quarto. Foi bastante simples encontra-lo, Naruto só precisou usar o modo Sannin por alguns minutos, e ali estavam. Sasuke esperava que seu objetivo fosse tão simples quanto o caminho até ali. Ele sequer se deu o trabalho de esperar por alguém à porta; apenas indicou para Naruto que deviam prosseguir.

                — Acreditei que demoraria muito mais para nos encontrarmos, Sasuke-kun.

                — Sinceramente, eu esperava nunca mais precisar te ver.

                Orochimaru fechou os olhos em compreensão, unindo as pontas dos dedos. Sasuke continuava com a mesma essência arrogante de sempre. Viu o garoto esquadrinhar o local com os olhos. Não era muito diferente da gruta em que se estabelecera quando Sasuke era seu discípulo. A sala onde se encontravam era escura, as paredes tinham um tom avermelhado, e apenas o assento ocupado por Orochimaru tinha um tom de roxo berrante, bem coerente com a personalidade do lendário Sannin.

                — O que houve?

                — Isso. — Jogou o anel no homem sentado displicente na cadeira. — Quero saber qual era a real utilidade disso.

                Orochimaru tinha uma expressão confusa no rosto. Teria começado a falar, se Karin não invadisse a sala aos gritos, feliz em reencontrar o companheiro de time. Juugo e Suigetsu vinham logo atrás, Juugo carregando consigo um semblante puramente pacífico, em contraste com a animação da amiga.

                — Seu chakra está desorientado, Sasuke-kun.

                — Eu estou inteiramente desorientado, Karin. — Sasuke respondeu, olhando Karin nos olhos ao se desvencilhar da chuva de cabelos ruivos em seu rosto.

                — Eu posso te ajudar! Pelos velhos tempos!

                Sasuke estava começando a se sentir incomodado com a proximidade de Karin, e decidiu acabar com aquilo de uma vez por todas. Ao menos poderia conversar apropriadamente com Orochimaru. Assim sendo, mordeu o pescoço de Karin, estabilizando lentamente seu chakra e arrancando um gemido eufórico da garota.

                Suigetsu assistia a interação sugestiva sem se surpreender; morder Karin para estabilizar chakra era algo que acontecia com mais frequência do que Sasuke gostava quando ainda formavam o Time Taka/Hebi. Até que os olhos de Suigetsu recaíram sobre Naruto.

Ele viu o garoto mover os olhos para os lados, claramente desconfortável com a cena. Naruto não conseguiu, porém, deixar de encarar Sasuke e Karin, e Suigetsu poderia jurar que os olhos azuis estavam cheios de lágrimas quando Naruto sorriu, dizendo para o nada em particular que esperaria Sasuke do lado de fora.

                — Acho que seu amigo não aprovou muito essa sessão de nostalgia.

                Ao ouvir o comentário de Orochimaru, Sasuke se afastou de Karin. Naruto estava perto da saída e teria desaparecido para a rua se Sasuke não o chamasse nervoso.

                — Oe! Usuratonkachi!

                Naruto se virou, anormalmente irritado. Sabia que perdera a razão ao abandonar parte da missão por conta de sentimentalismos, mas, droga!, ele não era obrigado a presenciar aquilo. Provavelmente era por causa de Karin que Sasuke nunca incentivou os sentimentos de Sakura, e agora que a ninja médica não se importava mais — Naruto percebera isso sobre a amiga há algum tempo —, não havia outro empecilho. Fora tão idiota! Achou realmente que Sasuke poderia ser como ele... Anormal.

                — Nós estamos em missão. Kakashi-sensei nos pediu que investigássemos sobre boatos de que Kaguya poderia escapar do selamento. — Naruto falava rápida e formalmente e Sasuke não conseguiu compreender o que causara sua súbita mudança de personalidade. — Fomos para Amegakure, que é a origem dos boatos e local onde acontecimentos estranhos foram registrados.

— Entendo. Continue.

— Depois de cinco dias de vigília, o anel que pertencia ao Itachi-kun apareceu nesse lugar estranho que falei. Precisamos saber o porquê, e para quê esse anel serve.

                Orochimaru pareceu captar as informações com a mesma velocidade que elas eram transmitidas. A resposta veio rapidamente.

                — Eu não tenho uma teoria pronta sobre isso, e nem pretendo dizer a vocês algo que não sei. Farei alguns estudos. Enquanto isso, fiquem a vontade para se estabelecerem aqui. — E sorriu. Infelizmente, apesar das palavras cheias de boas intenções, o sorriso pareceu sádico e Naruto retribuiu o sorriso em dúvida.

                Karin ouvia tudo com atenção, sem deixar transparecer sua familiaridade com o assunto. Provavelmente Orochimaru estava sendo sincero, mas sua hesitação em contar que mantinha seguro seu antigo anel da Akatsuki provava que algo estava errado. Um plano se formulou na mente de Karin com mais rapidez do que seu bom senso conseguia assimilar.

                — Tudo bem. — Naruto disse apressado. — Agora eu só preciso de um pouco de ar.

                E sem esperar qualquer questionamento, de Sasuke ou Orochimaru, saiu apressado pela porta, antes que pudesse passar vergonha. Foi um alívio estar no meio da cidade desconhecida; poderia expressar sua dor e frustração em paz. Era a ordem natural da vida, ele deveria saber disso. Parecia certo que Sasuke tivesse uma pessoa especial que lhe daria uma família. E todas essas certezas e constatações não faziam Naruto sentir a dor em seu peito diminuir. Do contrário, parecia que seu coração estava prestes a se estilhaçar.

 

                ***

 

                — O anel...! O elfo...! O irmão de Sasuke-kun estava realmente bravo com a gente! — Os olhos azuis estavam brilhando de surpresa e incredulidade.

                — O que exatamente você viu? — Sakura questionou, preocupada.

                Foi o estado de transe mais rápido até então.

                Era surpreendente, porque Sakura e Hinata precisaram de um período de tempo descomunal para obter uma conexão daquele nível. Sakura ponderou se aquilo não se devia ao fato de que era muito menos desgastante quando uma pessoa — no caso Hinata — realiza a conexão enquanto a outra — Ino — se incumbe de utilizar o chakra para enxergar através dos olhos das estranhas pessoas tão semelhantes a elas próprias, que pouco a pouco conheciam.

Enquanto tentava acalmar a amiga eufórica e servia água a Hinata — que parecia subitamente cansada —, Sakura fazia importantes anotações mentais. O Byakugan de Hinata era uma chave — e ela temia que os olhos de Sasuke fossem outra —, e cada uma delas só conseguia se transportar para lugares onde já existia outra estranha versão delas mesmas. Precisava de apenas mais algumas respostas, e saberia sobre aqueles estranhos eventos muito mais do que Kakashi poderia imaginar.

                — Estávamos em uma cachoeira. Eles também a chamavam de Vale Do Fim. E você encontrou o anel! Mas um homem idêntico ao irmão de Sasuke-kun veio e te disse que você não ia poder ficar com ele. E você... — Ino tapou a boca involuntariamente aberta pelo choque. — Você era um menino!

                Sakura tirou os sinais vitais da amiga antes de se sentar na beirada da cama, mentalmente exausta.

                — Então não estamos sonhando. Se não é um sonho, que espécie de comunicação isso pode ser? Por que os anéis foram trocados?

                — Não só os anéis. — Ino murmurou. — Têm aparecido umas coisas realmente estranhas na minha casa, mas achei que fosse uma brincadeira de mau gosto.

                Ela se levantou e apanhou um copo de plástico cuidadosamente guardado. Idêntico ao que enfeitava as mesas no dia do casamento de Sakura.

                — Eu acho que sei o que está acontecendo. Vocês precisam vir comigo amanhã, bem cedo. Quero testar uma coisa importante e preciso de vocês duas, com energias recarregadas.

                — Tem certeza que é uma boa ideia? — Hinata perguntou.

                — Tenho. Se Kakashi-sensei escolheu assim, então é assim que tem que ser. — Sakura respondeu sem precisar pensar. Não tinha medo de uma punição. E se algo acontecesse a Sasuke ou Naruto, Kakashi tinha ciência de que ela jamais o perdoaria.

 

 

                ***

 

                — Você até que foi um bom aluno. Estou positivamente surpresa.

                Vocês, leitores, tem plena consciência do quanto é difícil receber um elogio nessa vida. Pois bem. Multipliquem essa dificuldade por mil, e tenham uma base do quanto é difícil arrancar um elogio de Sasuko. Naruto estava quase adormecido quando a ouviu falar, e arregalou os olhos imediatamente.

                Passou duas horas recebendo instruções de Sasuko e outras duas pilotando sob supervisão. Não era um prodígio, mas se saíra realmente bem para uma primeira vez, e de acordo com Itachi isso poderia reduzir a duração da missão em até uma semana, se continuasse progredindo.

                — Você também ensina bem.

                Naruto ia se virar, sorrindo, quando deu de cara com Sasuko ao lado de sua cama. Precisou apenas de uma troca de olhares, e Naruto entendeu que aquilo era o mais longe que ela e seu orgulho conseguiriam chegar. Assim sendo, se sentou em sua cama e a beijou. Por que tinha que ter se apaixonado por uma garota tão complicada?

                — Se você contar para alguém, eu vou negar. — Ela disse com um sorriso único que partilhava apenas com Naruto  –  e com Itachi, embora não gostasse de admitir.

                — Vai ser nosso segredo. Juro.

                — Consegue guardar outro?

                Naruto fez que sim, confuso e com o coração disparado de tanta expectativa. E quando ela finalmente falou, com um sorriso discreto e cheio de intenções, Naruto já estava completamente derretido:

                — Eu gosto de você. Ponto.*

 

                ***

 

                Depois que Naruto saiu, Orochimaru pareceu bastante interessado no comportamento estranho que ele demonstrara. No fundo, Sasuke não sabia realmente a causa, então optou por culpar a razão mais provável da atitude estranha de Naruto.

                — Ele está diferente desde que teve um pesadelo ontem.

                — Naruto-kun contou para você o que acontecia?

                Àquela altura, Orochimaru já dispensara Karin e Suigetsu, e pediu a Juugo que ficasse na porta aguardando o retorno de Naruto. Caso outra pessoa se aproximasse, ele deveria avisar. Karin ficou realmente confusa com o que acontecera, mas para Suigetsu estava tudo claro como água. Ele só não sabia como contaria isso à Karin.

                — Ele sonhou que eu estava morto em um hospital em Konoha. Disse que estávamos mais velhos, e que o sonho foi muito real. — Respondeu sem muito pensar, não entendendo a relevância daquilo.

                — Real quanto?

                Sasuke estreitou os olhos. Seria certo falar sobre aquele assunto íntimo a alguém de quem Naruto sequer gostava? Não seria, sabia disso. Mas Orochimaru não estaria falando com ele sobre algo do gênero se não considerasse o assunto importante por mera especulação. Decidiu abrir uma exceção.

                — Ele acordou chorando e chamando meu nome. — Sasuke sentiu a boca secar. Definitivamente não devia falar sobre aquilo com Orochimaru. Orochimaru, porém, estava alheio à expressão incomodada que Sasuke — milagrosamente — exibia.

                — Acredito que esses eventos possam estar relacionados. Kakashi não contou tudo sobre a natureza da missão de vocês, correto?

                Sasuke assentiu.

                — Na verdade, eu tenho um palpite. Acho que posso compartilha-lo com você, Sasuke-kun.

                Após o monólogo mais perturbador que Sasuke já ouvira em tempos, Orochimaru saiu da sala, para horas depois sair da gruta. Sasuke estava sozinho em um dos quartos. Era tarde e não sentia nem um pouco de sono. Sasuke queria que Orochimaru mapeasse um raciocínio, e não lhe dissesse meias respostas supondo que Sasuke seria inteligente o bastante para entender. Ele se remexeu na cama, incomodado. Odiava aquele tipo de tratamento tão característico do Sannin.

                Estava tão absorto em pensamentos que não notou o contorno de Naruto parado em sua porta e seus olhos se estreitaram ao vê-lo.

                — Onde você foi? Pensei que tinha surtado de repente.

                — Você cala a sua boca. — Naruto respondeu, e pela voz mole Sasuke notou que estava alterado pelo álcool. — Se quisesse mesmo saber de mim, teria ido me procurar.

                — Não pude sair. E, além disso, eu sinto seu chakra bem o suficiente para saber que você estava próximo e bem.

                — Ah, claro que sente.

                — Qual é o seu problema?!

                Naruto se aproximou devagar. Quando seu rosto foi iluminado pela luz da Lua que adentrava pela janela, Sasuke percebeu que ele estivera chorando não muito tempo antes. O cheiro de saquê era nítido, embora menos evidente do que Sasuke imaginava que estaria, e naquele momento Naruto estava tão próximo que era possível sentir seu odor sobrepor ao do álcool. Sasuke o encarou, o coração acelerando progressivamente.

                — Não era pra eu ficar assim, eu só queria ficar um pouco alegre. Mas a moça disse que a garrafa era por conta da casa porque eu era um herói...

                — Você precisa dormir Naruto.

                — Vou te mostrar exatamente o que eu preciso Sasuke.

                E dizendo isso, se jogou na cama sobre o amigo, aparando o próprio peso com os braços trêmulos. Os olhos de Sasuke estavam arregalados e ele não conseguia se lembrar de como respirar. Seus lábios entreabertos pelo choque estavam realmente convidativos, e então Naruto se deixou levar.

                Diferente da primeira vez, o beijo não tinha gosto de misô**, e nem foi rápido ou inocente. Sasuke sentiu o sabor do saquê na boca de Naruto, e quando Naruto começou a beija-lo como os adultos fazem, fazendo as línguas se encontrarem ávidas em meio ao toque dos lábios, parecia-lhe que poderia se embebedar facilmente apenas com aquele sabor. Não soube quando fechou os olhos, nem como seu corpo se aquecera àquela temperatura quase febril. Só percebeu sua atual situação quando abriu os olhos e viu Naruto o encarando sem piscar.

                — Se você não quiser, pode me chutar daqui agora. — Naruto disse com um sorriso choroso. — Eu vou fingir que isso nunca aconteceu e te deixar em paz.

                Sasuke não conseguiu responder. Seria tão mais seguro enxotar Naruto para fora e se convencer de que tudo não passara de um delírio alimentado pelo álcool. E, no entanto, Naruto parecia magoado e apreensivo, e, por todos os deuses, Sasuke o amava tanto! Aquilo não podia ser errado!

                Com o rosto muito corado pela vergonha do momento — era sua primeira vez, e duvidava que Naruto estivesse em uma situação muito diferente —, apenas puxou o amigo para mais perto e Sasuke teve certeza de que estava completamente maluco.

                Culparia Naruto para sempre.


Notas Finais


* No programa de rádio “Oh! Naruto Nippon!”, o Sasuke se declara pro Naruto e ele diz exatamente isso! Super romântico #masnão (づ✿v✿)づ

** Em um databook, um entrevistador pergunta para o Sasuke: “O beijo do Naruto tem gosto do que? Limão?”
E o Sasuke, muito vermelho: “Não! É algo como misô...! O que ele quis dizer com aquilo?!”
Exato, o Sasuke acha que o Naruto o beijou de propósito HAHAHAHAHAHA

Gente, eu sei que ciúme+álcool é super clichê, mas eu realmente não consigo imaginar eles tomando a iniciativa no cannon por livre e espontânea vontade sem ter medo de levar uma patada das grandes hahahahaha desculpem por isso. Visualizo o álcool ou outro beijo acidental OuO espero que nesse caso não tenha ficado muito ruim.

ESCLARENCENDO:
O anel que Ino guardou é o anel que Sakiri encontrou, e o anel que apareceu do nada nas coisas da Ino é o anel que a Naruko perdeu enquanto pulava o muro.
O que a Ino viu foi um lembrança citada no capítulo 5, quando Sasuko conta para Naruko que Sakiri encontrou um anel na cachoeira e Itachi o tomou dele. Ino estava com Sakiri quando aconteceu.

Adivinhem o que tem no próximo \(⨶ ε ⨶)/


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