História Sobre garotos e monstros... - Capítulo 10


Escrita por: ~

Postado
Categorias EXO
Personagens Kai, Sehun
Tags Sekai
Visualizações 972
Palavras 1.587
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Romance e Novela, Slash, Yaoi
Avisos: Álcool, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Meus amores, chegamos ao fim de SGEM. Estou feliz, esta fic certamente é uma de minhas favoritas. Eu gosto deste Jongin, gosto deste Sehun. Gosto desses cachorros. Gosto de vocês que estiveram comigo por estes capítulos, que me deram força com seus comentários. Eu não sei nem agradecer ao carinho maravilhoso de vocês.
Espero que tenham gostado. Nos vemos nas outras. Vocês não se verão livre de mim tão cedo.

Beijos, queridos.

Capítulo 10 - Para Jongin, com amor


 

Você acabou de sair dando uma desculpa esfarrapada sobre o Robert ter que caminhar porque ele está muito deprimido ultimamente. Esfarrapada porque eu sei que você quer ficar sozinho após receber as notícias. Eu te conheço, Jongin. Agora eu consigo ler seu rosto como se fosse a droga de uma página de livro. Você é muito expressivo, sabia? Já te falei isso no passado e estou te dizendo mais uma vez. Você não consegue mentir com esse rosto nem se for para se livrar de um maldito assassinato. A parte boa é que se você quiser pular a cerca eu vou saber (desculpe a minha tentativa escrota de fazer piada... é que, eu quero ver seu sorriso de novo).

Faz um ano e seis meses desde que chegamos a esta cidade de neve, a neve veio e foi embora duas vezes, nós dormimos juntos 516 noites, fizemos sexo em muitas delas, eu fiquei te olhando dormir na maioria. Te vi sorrir, chorar, gritar, ficar bravo, ficar feliz, ficar desapontado. Te vi perder as esperanças.

Isso acaba comigo, Jongin, te ver sem esperanças. Eu sei que eu tenho mais é que me foder e aguentar isto como um maldito castigo divino por ter visto aqueles filhos da puta arrebentarem com a sua cabeça e ainda assim não fazer nada. Eu mereço acordar todo dia com essa culpa do caralho martelando minha mente, mereço sentir essa dor terrível toda vez que você me pergunta se o sinal do semáforo tá verde (ainda não entendo porque diabos colocaram um semáforo em Holy Town sendo que tem tipo, três carros e uma rua).

Ficaria muito piegas se eu dissesse que gostaria de te dar os meus olhos? Você olharia para mim e daria um risinho de descrédito? Não, eu sei que você arregalaria seus olhos maravilhosos e começaria uma ladainha sobre eu não ter culpa de nada, sobre eu não ter te dado um chute e etc, etc, etc. Ser culpado por omissão (aprendi esse termo com o Kyungsoo) é uma coisa que não entra na sua cabeça, não é? Você não entende que o cara que vê a maldade acontecer e não faz nada é quase tão culpado quanto aquele que a fez, não é?

Perguntei pro Kyungsoo o que ele achava que fazia uma pessoa se apaixonar pela outra. Ele disse que elas devem ter interesses em comum, um modo parecido de encarar a vida e tesão. Nós temos tudo isso, mas... no meu caso também existe a culpa. Você ficaria arrasado se soubesse que meu amor por você também tem culpa? Provavelmente. Você gosta da ideia da liberdade muito mais que eu e é por isso que esta carta nunca será entregue a você enquanto eu viver. É possível que você me largue aqui e vá embora se descobrisse que meu amor também é culpa.

E eu não poderia viver sem você, Jongin.

Estranho, né? Eu, o garoto que foi raptado por monstros, o sem coração que viu o amigo perder parte da visão, o desgraçado rude que grita e fica de mau humor durante dias. Eu sempre fui o mais fraco, entende? Eu que sempre corri atrás de você, eu que sempre quis ter certeza de que você ia à minha frente para que não houvesse chance de sumir, de evaporar diante dos meus olhos.

Lembro-me daquela entrevista que a gente assistiu em uma madrugada qualquer quando estávamos com muita preguiça para levantar e pegar o controle remoto. O suposto expert em relacionamentos dizia que uma relação não pode ser co-dependente para dar certo. Disse que cada um tinha que ter sua liberdade, seus momentos, seus próprios pensamentos, afinal, de outra forma seria doentio e prejudicial. O que será que ele diria da nossa relação, Jongin? Ele me consideraria doentio e prejudicial? Ele me mandaria largar você?

Provavelmente sim.

Eu dependo completamente de você para ser feliz, para sorrir, para me sentir bem, para me acalmar, para estudar e não ser um completo inútil. Preciso de você me acordando com sua voz mansa antes de ir pro trabalho, preciso de você zanzando pela casa com a toalha em torno da cintura e os cabelos úmidos pelo banho, preciso do seu olhar amoroso quando eu digo alguma merda muito grande. Você me aceita do jeito que eu sou, me perdoa sem questionar... porque é assim que somos. Eu conheço cada pedaço minúsculo do seu corpo e consigo ver o que se passa pela sua cabeça, da mesma forma que você também me vê e me lê.

Todos os dias vou dormir com medo de que algo tão bom me escape e é por isso que durmo segurando seu braço. Você me disse dia desses que eu deveria te deixar em paz na hora de dormir, que eu te incomodava... eu sei. Me perdoe. É que tenho medo de te soltar e você escapar no meio da noite. Não me entenda mal, Jong... eu não iria atrás de você como um louco ciumento, mas tenho certeza de que nada mais restaria. Eu seria uma casca vazia vivendo em uma cidade gelada de cartão postal.

Fico feliz por você ter me dado permissão para segurar sua camiseta. Eu te pedi rindo e você achou se tratar de uma brincadeira. Não era brincadeira, Jong. Não é. Eu seguro aquele pedaço de tecido todas as noites como um náufrago segura uma tábua de salvação.

Hoje o Doutor Atticus disse que é muito improvável que você volte a ver as cores e é por isso que você saiu para caminhar com o Robert. A Aretha ficou comigo. Ela sempre gostou mais de mim, não é? Não fique com ciúme, amor, ela sabe que eu preciso de uma garantia de que você irá voltar. É por isso que ela te abandonou daquela vez, lembra? Ela queria ter certeza de que você me daria uma chance. Agora o Robert... ele não me acha confiável. Eu sou apenas o cara que dorme com o humano dele. Cachorro besta.

Vou encerrar esta carta, Jongin. Esta carta que nunca será enviada. Eu só precisava dar alguma substância a essas coisas que parecem tão fugidias. Esses sentimentos todos que pipocam dentro de mim e que parecem tão bagunçados. Eu detesto bagunça interna. Detesto me sentir grande e burro, lento e confuso... então aprendi a escrever. Devo isso a você. E ao Kyungsoo. Eu pedi a ele que me desse aulas “secretas”. Escondemos de você e do Chanyeol. De você porque tenho vergonha de ser tão tapado quando você é tão brilhante, e do Chanyeol porque... bom, ele me odeia. O Chanyeol acha que todo mundo tem interesse naquele anão dele. Pobre e iludido homem.

Estou ficando inteligente por você, Jongin. E também porque quero voltar a te contar histórias, quero ver o brilho se acender nos seus olhos. Eu serei todas as cores que você precisar. Se os seus olhos não conseguirem vê-las... eu as transformarei em palavras e as imprimirei em sua mente. Hoje eu vou te contar uma história que inventei. Me inspirei em você e ela fala sobre... você. Depois, nós vamos jantar vendo um filme qualquer em preto e branco (você pode pensar que estou tentando ser solidário, mas... eu realmente me apaixonei por esse tipo de filme), e então eu vou te levar para a cama. Hoje vou deixar o Robert e a Aretha para fora. Você sabe o que isso significa.

Jongin, eu te amo.

Não. Na verdade não. Eu detesto essas palavras, você sabe. Elas me parecem falsas. Talvez seja culpa das redes sociais, talvez seja porque eu tenha visto TODO mundo dizer sem sentir. Talvez eu saiba que elas não conseguem dar conta do que nós somos. Talvez não exista uma palavra para o que nós somos. Eu só sei que não existo sem você.

 

Sehun.

04/06/2015

 

 

.Dezembro de 2015.

As luzes se acendem. Uma a uma. Encantados eles observam o piscar insistente que ilumina boa parte da rua. Robert e Aretha os observam visivelmente confusos sobre o que desperta aqueles sorrisos bobos.

- A primeira é vermelha, a segunda é azul, a terceira é... laranja eu acho.

- Como assim?

- É uma cor meio indefinida, Jong. Meio... cor de merda. Acho que tá com defeito.

- Que chato.

- Se você quiser eu troco.

- Não. Não precisa.

- Certeza?

- Absoluta.

Eles ficam imóveis à frente da casa. As luzes coloridas lançam reflexos em seus rostos jovens e felizes. Sehun inclina a cabeça e pousa um beijo leve na bochecha do outro. Jongin o abraça pela cintura.

- Vamos entrar. Tá frio.

- Vá você. Já estou indo.

- Quer que eu fique?

- Não, amor. Pode entrar... só quero checar uma coisa.

Com um erguer de ombros, Sehun entra na casa. Os cachorros o seguem. Estão cansados de sentir a neve nas patas. Jongin coloca as mãos nos bolsos e encolhe o pescoço até que suas orelhas se afundem na gola felpuda do casaco.

- A primeira é vermelha, a segunda é azul, a terceira é... possivelmente laranja. A quarta... é... roxa? – murmura no vento que começa a aumentar. Sehun grita, chamando-o. Relutante, Jongin começa a caminhar para o interior aquecido da casa. À porta, volta-se mais uma vez para a pequena luz que pisca e pisca e pisca. Roxo.

Talvez Sehun tenha mencionado. Talvez seu desejo tenha sido tão grande que sua mente está lhe pregando peças, talvez Sehun tenha mesmo a capacidade de jogar tinta dentro de sua cabeça.

Talvez...

Talvez seja verdade.

Talvez.


Notas Finais


Obs.: Achei melhor deixar a visão do Jongin como um tópico em aberto. Não existe por enquanto tratamento para o daltonismo seja ele de origem genética ou por lesões, mas, a beleza de ser humano é que as coisas estão em constante descoberta e sempre mudando, não é? Eu gosto da esperança. Espero que vocês também.

Beijos. Beijos, Beijos.
@SurrealEndlessD

http://ask.fm/EndlessDelirium


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