História Sobre garotos e monstros... - Capítulo 3


Escrita por: ~

Postado
Categorias EXO
Personagens Kai, Sehun
Tags Sekai
Visualizações 1.031
Palavras 2.330
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Romance e Novela, Slash, Yaoi
Avisos: Álcool, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá, meus amores... bom início de semana para vocês.
Muito obrigada por sua leitura, por seus comentários que sempre me fazem querer escrever e escrever e escrever... e saibam que se eu não os respondi ainda é porque respondo a tudo de trás pra frente e, bom... estou quase chegando. <3

Leiam as notas finais por motivos de... Stand by me. Aliás, escutem, se possível a música que está nas notas finais quando o Jongin mandar. =P

Capítulo 3 - Sol e sangue


 

- Onde você esteve? – Jongin pergunta timidamente, aproximando-se com passos leves quase como se pedisse licença para estar no mesmo espaço que Sehun. O rapaz traz entre as mãos quentes uma caneca de latão brilhante com suco gelado. Estende-a em direção ao outro que está sentado na cadeira de palha, as pernas longas esticadas, os braços sobre a barriga e os cabelos aloirados grudando-se na testa pelo suor. Jongin não consegue evitar pensar que aquele que está a sua frente é indevidamente bonito. Bonito demais.

Quando Sehun, após hesitar alguns segundos estende a mão e pega a caneca, fixa os olhos indiferentes no rosto suave de Jongin. Em algum nível complicado e inexplicável, este rapaz moreno o irrita profundamente, o faz querer sair correndo. Ou magoá-lo de alguma forma. Sehun não suporta a bondade. Sehun odeia a bondade. Não confia nela.

- Qual versão você prefere? Uma bonitinha que você possa escrever no seu diário ou alguma outra? – responde com o cinismo impresso em cada sílaba. Bebe um gole do suco apreciando o desconcerto de Jongin que agora sentou-se na mureta baixa que separa a varanda da rua. Os dois cachorros estão sentados aos seus pés e distraidamente o observa pousar a mão na cabeça de um deles.

- Aquela que você quiser me contar.

Sehun sorri ligeiramente. É mais como um entortar dos lábios rosados e que sequer chega aos olhos.

- Eu não me lembro muito de você.

- Não tem problema. – Jongin murmura escondendo a dor que não foi embora com a chegada de Sehun como ele achava que iria. A dor agora é este desconforto perpétuo e a sensação de que está perdendo o melhor amigo pela segunda vez. Esta criatura gelada de pele úmida e olhar duro que sempre parece ter uma resposta ferina na ponta da língua... ele não a reconhece. Seu Sehun, aquele que o beijou numa tarde infernal não parece existir mais e a única coisa que ele agora aprendeu a querer é vencer esta barreira para tentar encontrar algum vestígio daquele que amou e ama. Pergunta-se se ainda há algo a ser salvo.

- Você não devia ser tão importante assim para mim, de qualquer forma.

- Provavelmente não.

- E não é muito bom de conversar também.

- O que você quer que eu fale?

- Bom, já que você agora parece não desaparecer das minhas vistas... tente me agradar de alguma forma.

- O que você quer?

- Cigarros.

- Você fuma agora?

Sehun ri sua risada seca que mais parece um latido e Aretha Franklin ergue sua cabeça peluda, intrigada. Tão rápida quanto chega a risada se vai, deixando no ar apenas o barulho dos grilos que nunca param de cantar nesta parte do mundo.

- Não faça perguntas idiotas, garotinho. Vá logo buscar meus cigarros ou desapareça daqui. Tenho a impressão de que só o que vejo neste lixo de cidade é a sua cara e, francamente? Ela não me impressiona e não me agrada.

- Você quer que eu vá embora?

Sehun se ajeita na cadeira, inclinando-se minimamente para frente.

- Você tem que entender uma coisa, Jongin. Eu nunca quero nada.

- Você costumava querer coisas. Antes.

Sehun não responde e volta a se recostar contra a cadeira. Jongin ainda fica ali por um ou dois minutos observando-o beber o suco com os olhos perdidos no canavial aparentemente esquecido de sua presença. E então, sem dizer nada se levanta e, seguido por Aretha e Robert Johnson, sai para o sol ardido desta cidade onde sempre é verão.

Ele se volta mais uma vez quando está próximo da esquina que o levará até sua casa e olha para a figura que não se moveu um centímetro desde sua saída e sente os olhos úmidos pelas lágrimas que reteve enquanto esteve à frente de Sehun. Irritado, afasta-as com os dedos. Está cansado de chorar por Sehun e agora sua dor é grande demais para deixar cair as lágrimas. A dor agora faz parte de sua personalidade.

Faz uma semana que Sehun voltou. Nos primeiros dois dias o rapaz foi assediado pela imprensa que não conseguiu tirar dele mais do que algumas mentiras. Jongin tinha certeza de que tudo o que o amigo de infância dissera fora a mais rematada mentira. Aparentemente Sehun não perdera aquele tique que indicava que ele estava criando coisas na mente. Sempre que Sehun mentia, ele batucava com as pontas dos dedos nas coxas. Batidinhas rápidas e intermitentes. E ele estava mentindo. Mentindo muito. O tempo todo.

Jongin ouvira-o dizer aos repórteres ao menos três versões sobre seu cativeiro e toda vez que estes pareciam confusos e o questionavam sobre estar inventando tudo, ele apenas sorria aquele sorriso estranho e erguia os ombros, indiferente.

Sehun aguentava os abraços dos conhecidos, da mãe e um ou dois que Jongin se atrevera a lhe dar. Aguentava apenas. O moreno via nos olhos gelados e quanto ele detestava aqueles toques, permanecendo impassível, a única indicação era a pele ao redor dos olhos que se contraía. Então, mesmo que todo o seu corpo implorasse para que abraçasse o corpo úmido de Sehun e não o largasse mais até que cada fiapo de saudade fosse embora, havia se contido.

E então, Sehun encontrara e fizera amizade com eles. Eles eram BaekHyun, Zitao e LuHan, e toda vez que havia se deparado com aquele grupinho Jongin se lembrava vividamente de ter se dado mal. Se havia algo que os moradores de Liberty City sabiam era que deveriam se manter longe daqueles três rapazes. Jongin fazia o possível para não cruzar com eles quando os encontrava vagando pelas ruas da cidade derrubando latas de lixo, quebrando caixas de cartas ou arrancando as flores dos canteiros a pontapés.

BaekHyun era o pior. Fora ele o responsável por lançar a moda que havia se tornado chamá-lo de veado. Muitas haviam sido as vezes em que ouvira aquele berro meio esganiçado de “Heeey, veado Jongin!”. Muitas vezes colara cartazes de Sehun na cidade e estes haviam sido quase que imediatamente arrancados pela detestada turma de bandoleiros.

E agora Sehun era amigo deles. Andava com eles. Ria dele com eles. Mas, enquanto a maldade dos garotos era aquela maldade descompromissada, a de Sehun era verdadeiramente maléfica, guardava um rancor que Jongin não conseguia entender. Partia-lhe o coração imaginar o quanto Sehun teria sofrido e por vezes acordava no meio da noite, úmido pelo suor e com imagens de pesadelo na mente tendo como trilha sonora os gritos de Sehun. “Talvez”, ele pensava, “Sehun precise ser mau comigo para que possa se libertar de todo o ódio, de toda a mágoa que ele carrega. Eu devo aguentar”. Mas, ele era humano, afinal, e aquele ódio todo estavam-no cansando.

De qualquer forma, Sehun era como um imã gigante que exercia um poder irresistível sobre ele. Não havia nada que pudesse fazer a respeito. Todos os dias acordava naquele calor miserável sentindo que aquele poderia ser o dia em que Sehun o olharia de forma diferente. Que veria nele aquele amigo de infância e que se lembraria de como corriam pelas ruas mormacentas... perseguindo trilhas de tesouros imaginados, cantando o blues de Robert Johnson ou o soul de Aretha Franklin. Gostava de imaginar que em alguma tarde qualquer enquanto os olhos gelados de Sehun se perdiam no calor de fogo que era o céu do crepúsculo, ele iria se lembrar de cantar Stand by me... ele iria se lembrar que aquela música tinha um significado a mais que era compartilhado apenas por eles. Mas, por enquanto, só conseguia sentir os olhos arderem ao se lembrar da voz fina e meio esganiçada de um Sehun inocente cantando

If the sky that we look upon

Should tumble and fall

And the mountains should crumble to the sea

I won't cry, I won't cry, no, I won't shed a tear

Just as long as you stand, stand by me

__

O imã gigante age mais uma vez na vida de Jongin e ele se desvia de seu caminho até a mercearia e junto com os cachorros segue pelo mato queimado de dourado em direção à figura alta que está parado à beira do pântano e olha para os jacarés que dormitam preguiçosamente em suas margens.

- Oi. – ele fala com um sorriso e Sehun volta o rosto bonito para ele.

- Você não dorme? – o rapaz pergunta em uma voz monótona enquanto expele uma voluta cinzenta de fumaça. Os dedos longos seguram o cilindro de papel e Jongin vira o rosto com desagrado.

- Eu acordo sempre neste horário. – responde – Estou indo comprar pão e leite. Você já tomou café?

- Não.

- Quer vir tomar em casa?

- Não.

- Quer fazer alguma coisa mais tarde? – Jongin insiste, vendo que a hora de se afastar se aproxima e irritando-se por estar tão deprimido com a ideia.

- Não.

- Ok. – o moreno se afasta, dando-se por vencido.

Sehun sequer volta o olhar para vê-lo ir embora. Permanece ali, fumando e observando os animais de boca escancarada que agora caçam moscas gigantes com a língua.

__

Às quinze horas da tarde Jongin tomou uma decisão. Não pensou que traria grandes consequências apenas sentiu que deveria fazê-lo. Abriu o aparelho de som e retirou a fita, bateu-a pensativamente contra a mão, pegou o pequeno rádio que funcionava a pilha e saiu porta afora. Passando pela varanda parou ao lado da irmã que brincava com uma coleção de bonecas de pano e deixou-lhe um beijo nos cabelos pretos. Com um assovio chamou Aretha e Robert e seguiu até a casa de Sehun. Ele não estava.

A mãe dele, uma mulher cansada e com sua beleza há muito ceifada pelo tempo e pelos pesares da vida, o atendeu e disse que Sehun não estava e que provavelmente estaria perambulando perto do pântano novamente. Ela disse que não entendia como aquele lugar exercia tanto fascínio sobre o filho e que deveria ser o contrário já que fora por aquelas imediações que ele fora raptado.

Com certa urgência que nem mesmo ele entendia, Jongin se libertou da mulher e tomou o rumo do pântano. Sehun estava sentado, os pés próximos demais da água esverdeada e lançava pedras na superfície estagnada vendo as ondas se formarem.

- Esta cidade fede. – o rapaz fala surpreendendo Jongin. – Fede à merda, em todo lugar que eu vou... enquanto durmo... enquanto como... eu sinto a porra do cheiro.

- Você deveria ir embora. – Jongin fala. E eu iria com você, completa em pensamentos.

Sehun ri aquele riso que agora Jongin detesta.

- Eu morrerei aqui. E no final farei parte do cheiro de merda desta cidade.

- Não fale assim, por favor.

O loiro ergue o rosto, os olhos indiferentes espelhando ironia. Fita-o por alguns segundos e volta a olhar a água verde.

- Eu trouxe isto pra você. – Jongin lhe estende o pequeno toca-fitas.

- O que é isso?

- Ouça.

- Isso deve estar cheio de música de veado, heim? – Sehun fala, a zombaria impressa em cada letra. Os dedos longos pegam o objeto e ele distraidamente acaricia a tecla do play.

- O que é música de veado pra você?

- Ora, não fique bravinho...

Jongin respira fundo e senta-se ao lado de Sehun onde a grama está mais baixa. Sente a ansiedade na boca do estômago e força-se a se acalmar, mas ter controle é somente uma ilusão quando está perto do outro. Não existe controle. Existe apenas Sehun.

O loiro aperta o play e os acordes preenchem o súbito silêncio. A voz poderosa de Ben E. King surge e Jongin vê a transformação no rosto de Sehun.

When the night has come

And the land is dark

And the moon is the only light we'll see

No, I won't be afraid, no, I won't be afraid

Just as long as you stand, stand by me

 

- Que porra é essa? – a voz baixa é pior do que gritos, e Jongin se encolhe ante o ódio que transparece naqueles olhos. – Seu desgraçado, filho da puta!

Com rapidez, Sehun se coloca em pé e joga a fita no chão. Jongin a segura antes que ela alcance alguma possível pedra e também se levanta. Sehun se aproxima o suficiente para que Jongin veja uma gota de suor que percorre a pele pálida do pescoço.

- Fique longe de mim, seu veado de merda.

- Você costumava gostar desta música. – Jongin fala, a voz mais calma do que ele realmente se sente e então vê o punho chegando e logo seu rosto explode de dor. Não vê Sehun se afastar porque seu nariz começa a sangrar e ele fecha os olhos para que as estrelas que pipocam ante eles não o cegue.  

Abre a boca para chamar Sehun, mas volta a fechá-la. Está sem forças.

__

Sehun caminha cegamente pela cidade. A voz forte de Ben E. King ainda está grudada em seus ouvidos e ele sente aquela raiva surda por Jongin a preenchê-lo mais e mais. Sua mente sem treino e desestimulada intelectualmente todos esses anos, não consegue apreender nada que não esta sua realidade miserável. Ele não é capaz de sentir simpatia ou qualquer coisa positiva em relação àquele garoto bondoso. Para começo de conversa, ele odeia gente bondosa. A maldade ele entende, há certa honestidade na maldade... uma pessoa má é sempre honesta, mas... a bondade... você nunca sabe quando é verdadeira.

E ele odeia Jongin por ser bondoso. Fodidosinho de merda.

Chutando as latas de refrigerante que correm pela rua vazia ele se dirige para o antigo teatro. Há alguma coisa sobre este teatro e que ele não sabe dizer o que é que o faz arrepiar-se com as quase-lembranças, mas, só sabe que é aqui que a gangue de BaekHyun se reúne e isso é o suficiente. Não procura por lembranças perdidas em sua mente, lembranças não servem para nada...

A única coisa que ele tem é o presente. E seu presente é desgraçado.

 


Notas Finais


STAND BY ME (todas as versões desta musica valem a pena ser ouvidas. Eu a amo desesperadamente e, se puderem, vejam o filme de mesmo nome baseado em um conto do Stephen King e que é mais do que maravilhoso. Lá tem o meu príncipe supremo RIVER PHOENIX quando criança e, por deus, aquele menino sempre foi lindo de viver.)
Até nosso John Lennon gravou esta música procês cerem o grau da maravilhosice. Ouçam. Na versão que preferirem. Mas esta abaixo tem cenas do filme, então... <<<333

https://www.youtube.com/watch?v=pHa4pvspCqc

Estou aqui, ó> @SurrealEndlessD

e aqui

http://ask.fm/EndlessDelirium


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