História Sobre garotos e monstros... - Capítulo 5


Escrita por: ~

Postado
Categorias EXO
Personagens Kai, Sehun
Tags Sekai
Visualizações 960
Palavras 2.419
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Romance e Novela, Slash, Yaoi
Avisos: Álcool, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Boa noite, meus queridinhos... como estão?
Aqui está mais um capítulo de SGEM. Espero que gostem, este capítulo está escrito em minha cabeça há semanas e só ontem é que pude passá-lo para o note.

Não respondi os comentários ainda mas, responderei. Vocês todos sabem que eu amo comentários e é só a maldita falta de tempo que não me permitiu respondê-los ainda.

Vejo vocês lá embaixo. Beijos.

Capítulo 5 - A vida em preto e branco.


 

Jongin caminha pelas ruas modorrentas de Liberty City no céu avermelhado crepuscular. O rapaz acaba de fechar o mercadinho e cansado, apressa-se em direção à sua casa enquanto divaga sobre um banho demorado e gelado que tire toda a pegajosidade de seu corpo. Caminha de cabeça baixa e um sorriso se abre em seu rosto quando as figuras gêmeas de Robert e Aretha correm em sua direção. Todos os dias é a mesma coisa, todos os dias patas longas e orelhas erguidas o encontram no meio do caminho.

- Oi, crianças. – murmura e Aretha se apoia em seus ombros, quase do seu tamanho, e passa a língua áspera por seu rosto. Ela parece sorrir.

Robert observa o dono com atenção, sentindo suas ondas de cansaço e desânimo. Neste dia, Jongin se pergunta se Liberty City (contrariando seu próprio nome, porque esta cidade é feita de contradições) o manterá cativo até sua morte. Se ele será apenas uma figura perpetuamente cansada que envelhecerá sonhando com o que nunca aconteceu. Se ficará sentado na soleira da porta daquele mercadinho decadente, um trevo entre os lábios, mascando alguma gosma verde que acabará por lhe dar um câncer no estômago... olhos mortos, pele ressecada pelo sol constante, até que Liberty City imploda em sangue e calor.

Está próximo dos pântanos quando é cercado por eles.

Zitao, BaekHyun, LuHan... Sehun.

- Oi, Veado Jongin. – grita BaekHyun, com um sorriso bonito e quadrado e olhos em meias-luas.

Jongin continua a caminhar fazendo o possível para não se deixar abalar. A cada dia, a cada vez que ignora este bando de desocupados, sente que a raiva deles aumenta. Eles não gostam de ser ignorados. A única forma de se sobressaírem em alguma coisa nesta cidade morta é marcando suas próprias vidas, seus próprios nomes nas costas dos desavisados.

- Hey, veadinho! Você acha que é melhor que a gente? – LuHan pergunta, batendo as mãos uma contra a outra em palmas ritmadas.

- Jongin-Veado! Você já foi devidamente comido por alguém? Já superou sua paixão pelo Sehun?

Jongin se imobiliza. Robert e Aretha começam a rosnar com a aproximação dos quatro. O rapaz focaliza Sehun que vem logo atrás, o rosto impassível, olhos sem alma, corpo em cascas. Não haverá ajuda vinda de Sehun.

Jongin olha em torno e focaliza um pedaço de madeira semi-apodrecida entre os charcos.

- Oooooh, o menininho do amor vai fazer o ódio agora! – Zitao resmunga, rindo.

- O que vocês querem? – Jongin pergunta, não de todo surpreso com este momento. Nestes dias todos esteve consciente de que a aproximação dos marginais esteve cada vez mais violenta, mais invasiva, como quando entraram no mercado e roubaram as garrafas de álcool. O dono, senhor Constanza, o fizera pagar com seu salário. “Sehun é aquele seu amigo, não é? Então, pague pelo vício dele.”

- Queremos tirar essa expressão pretenciosa da sua cara. Nem que a gente tenha que raspar com um canivete, seu bosta.

Não há carros em Liberty City, então... ninguém passa por esta estradinha enlameada, ninguém passa por estes pântanos. Ninguém vê nada, apenas as moscas observam a tudo... mas moscas gostam de sangue e elas não fazem distinção entre o de Jongin e o dos caras maus.

Quando Zitao se aproxima com mais passos do que um cachorro territorialista consegue suportar, sente imediatamente a fisgada que os dentes afiados de Robert Johnson faz em sua perna. Robert se mantém agarrado à sua perna, engolindo calça e carne, decidido a proteger seu dono. Aretha pula de um lado para o outro e Jongin arregala os olhos de medo por seu cachorro.

- Filho da puta! – Zitao dos olhos de gato grita e pega o taco de madeira que Jongin estivera olhando e o ergue acima da cabeça pronto para fazer a cabeça do cachorro explodir. Não há nada que Jongin possa fazer além de se jogar contra Zitao.

Então socos e pontapés o cobrem dolorosamente.

__

Quando abre os olhos, está deitado na varanda de sua casa com a cabeça pegajosa de sangue e uma dor absurda que faz com que o simples ato de abrir os olhos seja dificultado e extremamente doloroso. Sua mãe fala, mas ele não consegue ouvir, apenas deduz que pela expressão apavorada ela grita o seu nome. O médico da cidade está ao seu lado e aperta um pano com álcool contra sua orelha, o ardor faz com que desmaie novamente.

__

Quando abre os olhos pela segunda vez... seu mundo está sem cores. Como uma televisão em preto e branco que passa o mesmo filme... uma, duas, três vezes.

__

 - Não consigo ouvir direito. Não vejo as cores. – murmura, sem saber se está falando muito alto ou muito baixo. Sua voz parece estar vindo de muito longe.

- É pelo trauma. Vai voltar ao normal. – o médico grita.

- Quando? – pergunta Jongin.

O médico estende as mãos com as palmas para cima, um olhar atormentado no rosto.

- Não sei, filho. Me desculpe.

__

Jongin está sentado na varanda. Robert e Aretha estão um de cada lado como esfinges silenciosas. Tudo é silêncio neste canto do mundo para Jongin. Não ouve o cricrilar dos grilos, a música das cigarras ou os trovões que sacodem as nuvens cinzentas. O rapaz apenas vê os relâmpagos como explosões de luz em meio ao preto e branco que se tornou sua vida.

Lentamente, porque sua cabeça ainda dói quando a move mais rápido, vira-se para a figura que se aproxima sorrateiramente. Sehun. Há tormento nos olhos de Sehun quando Jongin volta sua atenção para os pântanos, ignorando-o.

__

Jongin caminha pela cidade e Sehun o segue. Sempre a uma distância segura, os olhos fixos na figura morena que agora nunca ergue os olhos do asfalto.

__

- O que você quer, Sehun? Porque está sempre por perto? – pergunta o rapaz em sua voz sussurrante, sem saber se fala alto ou baixo.

Sehun ergue os ombros. Não sabe o que quer. Está consumido pela culpa, pela dor... não sabe o que fazer ou como lidar com este Jongin entristecido e sem vida que fica vagando pela cidade, com as mãos soltas em redor do corpo. Sem vida. Sem cores.

__

Jongin arqueia as sobrancelhas quando sente sobre o colo a caixinha de recordações. Sehun olha para ele como se fosse um cachorro que acabou de trazer um sapo morto para o dono. Há expectativa em seus olhos.

- Esta caixa é sua.

- É nossa. – corrige Jongin. – De qualquer forma, a maioria das coisas que estão aí foram aquelas que peguei do seu quarto quando você sumiu.

Os dedos morenos pousam sobre a tampa, sobre o desenho natalino. A casinha no meio da neve, os pinheiros com luzes que agora não são mais coloridas. Não para Jongin.

- Eu não consigo ver as cores. – murmura e estende a caixa para Sehun. – Não quero mais isso.

Sehun ainda fica por perto, a caixa apertada entre as mãos, os olhos fixos no rosto úmido de Jongin, nos cabelos que parecem ainda mais pretos ao se grudarem em seu pescoço moreno. Mas, então, quando Jongin fecha os olhos e recosta a cabeça contra a parede, esquecido de sua companhia, Sehun sai correndo, apavorado.

__

- Você costumava me contar histórias. – Jongin murmura.

- Eu não me lembro.

- Tem certeza?

- Eu esqueci tudo o que me aconteceu de bom.

- É por isso que me esqueceu?

- Sim.

__

- Sehun, me diga como o dia está. Me fale das cores.

- Não existe cor nesta porra de lugar.

__

- Porque você ficou por aqui, Jongin? Você é um idiota?

- Eu fiquei porque tinha certeza de que você iria voltar.

- Você é um retardado. Seu idiota, desgraçado!

- Está tudo bem, Sehun. Venha aqui. Sente-se ao meu lado.

- Você é a merda de um santo. Eu odeio santos.

__

- O que significa este sinal, Sehun?

- Mais?

- Não.

- Eu não quero saber disso. Porque preciso estudar matemática?

- Me diga. Vamos lá... tente de novo.

- Divisão?

- Isso. Isso mesmo.

__

- Me desculpa, Jongin. Por tudo.

 

__♦__

 

É Dezembro em Liberty City. Não há nenhuma mudança climática que indique isto, as coisas simplesmente continuam e em algumas das casas miseráveis, algumas luzes pisca-pisca foram colocadas. Mas, aqui nesta cidade perdida... o efeito que as cores fazem é triste, não combina.

Jongin ainda não diferencia cores. Jongin ainda ouve os sons como se estivessem há milhas de distância.

__

- Tem uma amarela, uma azul, uma verde e uma vermelha. – Sehun fala apontando as luzes. É noite e estão sentados à sombra da marquise do mercadinho. Não há mais ninguém na rua, estão apenas eles... os dois... e os cachorros. O silêncio é tão absoluto que Sehun se pergunta se não ficou surdo como Jongin.

- Deve ser lindo.

- Não. É só... Liberty City. Não há nada lindo aqui. – Sehun murmura e Jongin se vira para ele, curioso. – Eu odeio esta cidade.

- Vamos embora. – o rapaz diz. – Eu e você.

- Pra onde?

- Para aquela cidadezinha com neve e pinheiros. – Jongin responde com um sorriso amplo. Os olhos defeituosos se fixando em Sehun a imaginar qual é a cor de seus cabelos neste momento.

__

- Eu quero te mostrar uma coisa, Sehun. – Jongin fala.

- O quê?

- Você tem que vir comigo primeiro.

- Aonde?

- Venha. Você vai ver.

Sehun o segue para o teatro abandonado. Mais uma vez eles interpretam os papéis que encenaram há anos. Jongin vai na frente, Sehun logo atrás. O primeiro sobe agilmente as escadas vacilantes e Sehun não consegue evitar os impulsos de erguer as mãos pronto para segurar Jongin se este cair. Jongin não cai.

Entram no palco e Jongin envereda pela escadinha que leva para baixo da estrutura podre de madeira. O rapaz caminha com certeza para o nicho entre as vigas e enfia o braço no buraco onde antes estava a caixa de recordações. Retira uma sacola, e de dentro dela um mapa e algumas folhas de revista. Ajoelha-se ante o olhar curioso de Sehun e estende o mapa no chão.

- Olhe.

Sehun se agacha e observa o círculo em vermelho feito a canetão.

- Hmmm... um círculo!

- Não. – Jongin retruca calmamente – É aqui que nós temos que chegar.

- Jongin...

- Não, Sehun. Você tem que me ouvir. – há urgência na voz baixa de Jongin. – Nós temos que sair daqui antes que este pântano nos engula. Ele quase te engoliu uma vez... quase... quase que você não volta...

Os dois ficam em silêncio. Sehun sentindo aquele catatal de emoções sem explicação que não o deixam perceber para onde foi aquela raiva que sentia de Jongin, sem saber para onde está se escoando suas memórias más. Agora, todos aqueles anos parecem longínquos... e só se lembra deles em seus sonhos. É por isso que Sehun tem medo de dormir. Tem medo de sonhar.

- Como? – pergunta por fim.

- Vamos colocar as nossas mochilas nas costas... e vamos. Seremos nossa própria geração beat.

- Quê?

- Seremos como aqueles jovens dos anos 50, aqueles escritores sem dinheiro que pegavam carona em direção a lugar nenhum... a diferença é que nós sabemos aonde queremos chegar. Cortaremos este estado nojento e chegaremos na nossa cidade de neve.

- Você é louco.

- Não.

Sehun balança a cabeça, um meio sorriso nos lábios, encantado pela ideia insana e pelo rapaz à sua frente. Jongin nunca lhe pareceu mais bonito que neste momento. Com a pele morena reluzindo pelo suor, os cabelos colados na testa, a camiseta branca e sem mangas, o rosto cheio de esperança e os lábios cheios entreabertos. Sehun tem um súbito flash de memória ao se lembrar daquele último dia... naquele mesmo teatro... quando dois garotos inocentes se beijaram pela primeira vez. Tanta coisa tinha acontecido desde então... ele próprio tinha perdido sua inocência... apenas Jongin mantinha a sua.

- Você vem comigo? – Jongin pergunta.

Sehun imagina-se deixando Liberty City para trás, para nunca mais voltar. Nunca mais ver estes pântanos malditos, nunca mais sentir o fedor que sobe das águas estagnadas, nunca mais sentir este calor perpétuo. Olha para frente e só vê Jongin... e uma casinha no meio dos pinheiros. E neve.

- Vou. – responde, rouco.

Jongin estende a mão e o toca no ombro. Ficam ali, na semi escuridão, no calor... e pela primeira vez... não se importam com nada disso.

__         

Jongin termina de arrumar a mochila. Olha em torno, observa as paredes manchadas deste quartinho ao qual pretende nunca mais retornar, passa os dedos pela colcha de retalhos que um dia sua mãe costurou sentada na cozinha, espantando os pernilongos com tapas.

- Você não vai mais voltar. – ela fala parada à porta, o rosto úmido pelo suor e pelas lágrimas.

- Não. Mas, eu volto pra buscar a senhora e a Louisa. E o Robert e a Aretha.

O rapaz se aproxima da mulher e a abraça com força. É uma despedida. Por enquanto.

__

Sehun o espera no meio do caminho. O loiro traz uma mochila jogada nos ombros, está vestido com calças jeans desbotadas, tênis all star e uma camiseta branca que diz “I'm on the highway to hell”. Os cabelos estão penteados displicentemente pra cima e Jongin só pode imaginar a beleza loira dos fios. Sehun faz um movimento que lhe pede que olhe para trás. Ele olha.

Robert e Aretha estão seguindo-o.

- Não. Voltem. – fala sem muita convicção. Parte-lhe o coração abandonar seus filhos. – Vocês não podem vir.

Os dois peludos continuam observando-o serenamente, desafiando-o a falar mais alto.

- Sehun... – murmura e o loiro se volta balançando a cabeça.

- Você quem sabe. Mas, a gente vai ter problemas com esses dois.

- Voltem pra casa. – Jongin fala um pouco mais forte. Aretha é a primeira e se sentar na lama. E então Robert. Estão protestando.

Jongin ainda tenta mais uma vez sem nenhum resultado. E então desiste. Se apressa em direção a Sehun, caminhando ao seu lado para fora desta cidade imunda. No começo da estrada, perto da placa enferrujada de “Bem vindos à Liberty City”, Jongin se volta e olha pela última vez para sua casa. Ao longe sua mãe balança um lenço e segura Louisa nos braços. O rapaz acena em despedida. Não irá mais voltar.

Nunca mais.

E então, nesta manhã mormacenta, eles tomam a estrada. Duas figuras alongadas contra o sol... e dois cachorros...

Em direção à lugar nenhum.  

 


Notas Finais




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