História Sobre garotos e monstros... - Capítulo 6


Escrita por: ~

Postado
Categorias EXO
Personagens Kai, Sehun
Tags Sekai
Visualizações 929
Palavras 2.515
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Romance e Novela, Slash, Yaoi
Avisos: Álcool, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Boa madrugada, meus amorecozinhos. Como estão?
Aqui está mais um capítulo desta fic tão curta que eu considero pakas. Agora tem mais quatro capítulos, sendo que o sétimo eu postarei ainda esta semana por causa do Natal. E pq o tema do próximo capítulo é NATAL.
Enfim, não respondi seus comentários maravilhosos ainda... mas já os li, os amei, e os respondi mentalmente. Estou na fase final do meu livro e o tempo se tornou essa coisa engraçada e "fia da puta" que tem me deixando desnorteada.
Espero que estejam gostando de SGEM... nos vemos no final.
A música mágica deste capítulo está nas notas finais.

Capítulo 6 - O som do silêncio


 

Ao meio dia eles param para beber água. Ainda se pode ver Liberty City desmaiada no horizonte com suas cores saturadas, mas eles evitam olhar para lá. Seu foco é no caminho à frente e eles sentam-se no chão arenoso da beira da estrada, encostam as costas contra o tronco grosso de uma árvore e ficam ali, desejando o vento preguiçoso que vez ou outra abana seus cabelos e os pelos de Robert e Aretha.

- A gente precisa pegar carona, Jongin. – Sehun fala, os olhos gelados fixos nos cachorros. – Que ideia idiota trazer esses dois atrás da gente.

Jongin coça a testa e limpa uma gota de suor que escorre pela sua bochecha. Olha nos olhos serenos de Aretha e sorri, consternado. A viagem foi dificultada pelos dois cachorros, mas... eles são família.

- Não se abandona a família, Sehun.

- Larga de ser idiota. Eu abandonei minha mãe, você abandonou a sua e também a menina, sua irmã.

Jongin não responde ao mau humor de Sehun. A grosseria perpétua do amigo de infância parece tão familiar agora.

- Vou mijar.

O loiro se levanta e Jongin o observa caminhar no cinzento. Tudo é cinza para Jongin. Tudo se espalha pelo horizonte nesta eterna cor descorada. Mais uma vez ele sente o ardor das lágrimas em seus olhos, e mais uma vez aperta os lábios em uma demonstração de seu esforço mental para que elas não caiam. Evitando pensar mais sobre sua incapacidade de ver, o rapaz retira do bolso traseiro dos jeans o mapa que trouxe. O círculo vermelho (que agora é preto) que traçou em Liberty City e que demarca o local aonde querem chegar, pisca para ele e não se dá conta dos passos pesados de Sehun.

Sehun caminha batendo os pés no asfalto e em qualquer pedra na qual consiga por os olhos. Sente um mal estar absoluto em ver Jongin preso, inocente e desavisado, em sua visão sem cores e seus ouvidos sem som. O loiro sente o aperto da culpa que lhe corrói por dentro e, estranhamente, quanto mais se sente culpado, quanto mais aprecia a bondade dourada de Jongin, mais rude se torna, mais insuportável. E Jongin não retruca. Jongin o pacífico. Jongin com sua expressão de quem compreende. De quem compreende tudo.

- A gente vai conseguir uma carona. – fala, em pé atrás de Jongin, mas o outro não ouve. – Não se preocupe.

__

- Como está o céu, Sehun?

- Como uma puta que trabalhou o dia todo e tá com a maquiagem borrada de porra.

__

- E agora? Como está o céu? Qual é a cor?

- O que você é? Um maldito hippie? Para de olhar pra merda do céu e estica essa mão pra que a gente consiga uma carona.

__

- Sehun...

- Puta que pariu! Beleza! Eu me rendo! O céu tá azul, Jongin... tá tipo, super azul. Azul Disney. E o sol tá fazendo aquela parada maneira de pintar tudo de roxo. Tá meio azul, meio roxo, meio alaranjado. Está feliz agora?

Jongin fecha os olhos, os cabelos pretos brilhando com o sol do crepúsculo, tem areia em sua bochecha e olheiras sob seus olhos. Sehun reconhece a beleza de Jongin como um fato, como algo que não pode ser mudado, relativizado ou deixado de lado.

- Parece lindo.

Sehun engole em seco aquela bola imaterial em sua garganta e com rudeza agarra o braço do outro e o chacoalha.

- Abra os olhos, hippie. Um cara tá acenando pra gente. Vai dar carona.

__

Eles estão na carroceria de uma caminhonete azul que pelo barulho provavelmente deixará sua portas e escapamentos em algum lugar da estrada. Sehun está recostado contra a cabine, de costas para o casal de idosos que se compadeceu de sua longa caminhada, e o loiro ainda se pergunta se não deveriam ter continuado seu caminho a pé. Nunca se sabe se um adorável casal de velhinhos não é na verdade um casal de deuses sanguinários que gostam de degustar jovenzinhos. Mas, se for sincero consigo mesmo (e Sehun nunca é porque tem medo da sinceridade) diria que aceitou a carona por causa dos cachorros. E de Jongin.

Jongin que agora está com a cabeça recostada contra seu ombro, os cabelos pretos pinicando seu pescoço.

O céu está escuro, e o vento está frio. Cuidadosamente, Sehun coloca a mão na testa de Jongin e a ampara enquanto manobra seu braço esquerdo para que abrace o outro pelos ombros. Pergunta-se como Jongin deve ver a noite agora, se ele consegue identificar as estrelas, as pessoas... os contornos do mundo. Pergunta-se se Jongin nunca mais verá o mundo em cores.

- Me desculpa. – murmura mais uma vez contra os cabelos pretos e mais uma vez sente um nó doloroso se formar em sua garganta.

- Hmmm? – Jongin ergue a cabeça abobado e subitamente amedrontado pela paisagem escura que passa dos dois lados da caminhonete. – Sehun... SEHUN... cadê o... ah...

A interjeição é dita quando sente o focinho úmido e reconfortante de Aretha contra sua mão e o peso da cabeça de Robert em suas pernas. Jongin se afasta, meio sem graça e esfrega os olhos em um gesto que tenta restituir seu estado alerta e também varrer sua quase cegueira para longe. Não consegue nem um nem outro.

- Me desculpe por ter dormido em cima de você.

- Não tem problema. Pode dormir mais. Ainda estamos longe.

- Pra onde estamos indo?

- Se os bons velhinhos não forem o Sr. Capeta e Esposa, provavelmente estamos indo pra River Falls.

Jongin olha sobre o ombro e fita o perfil adormecido da senhora que dorme recostada contra o vidro.

- Eles não têm cara de serem maus.

- Jongin, você foi criado com defeito e provavelmente acha que as pessoas cagam flores ao invés de merda.

- O que isso tem a ver com qualquer coisa?

- Tudo, ora! Principalmente agora que você é meio cego e surdo.

__

Jongin vê o mundo passar ao seu lado. Sente vertigem e um mal estar que se projeta de seu estômago e se espalha por partes remotas de seu corpo. Gostaria de gritar para o senhor idoso que corra menos, que deixe as coisas passarem lentamente para que ele possa acompanhar. Está cansado. Passa os dedos pelos olhos e pressiona as pálpebras. Sente a pressão dos dedos de Sehun em seus cabelos puxando-o de encontro ao seu ombro.

- Para de ser teimoso, idiota.

__

O sol está nascendo quando a caminhonete estaciona no acostamento de uma cidadezinha qualquer. River Falls. Não tem rio. Muito menos um rio que caia de algum lugar. Trata-se de uma cidadezinha com três ruas, uma Igreja, um armazém, um albergue. Eles se dirigem para o albergue. Sehun se lembra de um filme bem específico que se passa em albergues e hesita brevemente. Volta a andar quando Jongin o olha com curiosidade.

Um ventilador barulhento finge que renova o ar dentro da salinha da recepção. Um vaso de flores murchas está ao lado da porta, um sofá verde e puído se recosta contra a parede sem pintura e um quadro de dinossauros se pendura em um prego enferrujado. São olhados com extremo desinteresse por uma mocinha que masca chicletes do lado de dentro do balcão.

- Cachorros não podem entrar no hotel. – fala quando vê Aretha e Robert entrarem atrás dos garotos, as línguas de fora, os olhos esperançosos.

- Que hotel? – Sehun resmunga e larga a mochila no chão. Jongin coloca a mão em seu braço em uma advertência.

- Moça, por favor... abra uma exceção. Eles estão cansados e... não tem outro lugar na cidade.

Talvez seja a beleza de Jongin aliada à sua voz suave. Talvez ela goste de cachorros. Talvez este “hotel” não tenha recebido outros hóspedes durante mais de uma semana. Após alguns segundos, a garota ergue os ombros e pega uma chave entregando-a a Jongin.

- Quarto três.

Os garotos e os cachorros sobem a escada estreita e entram em um corredor que está imerso na meia luz.

- Parece limpo. – Jongin murmura.

- Também, provavelmente somos os únicos hóspedes. Só espero que não façam jogos sangrentos com a gente. – Sehun retruca.

- Pare de pensar essas coisas. Eu não gosto disso.

Sehun sorri na meia luz.

O quarto três é o último do corredor de três quartos. A chave demora algum tempo até finalmente conseguir abrir a porta. Tem dois beliches e alguns colchões finos apoiados contra as paredes. Um armário com uma etiqueta que diz DEIXE OS LENÇÓIS SUJOS NO CESTO, o próprio cesto, e um outro quadro de dinossauros.

- Como esse povo gosta de dinossauros!

Aretha e Robert cheiram cada centímetro do quarto e sentindo-se satisfeitos deitam-se próximos à janela baixa. Ficam com as línguas rosadas de fora, olhando para o movimento inexistente desta cidadezinha sem rio que cai, nesta manhã de dezembro. Jongin dirige-se a um dos beliches e deixa-se cair sobre o colchão. Sehun faz o mesmo do outro lado. Seus olhos se encontram e eles ficam sem dizer nada, apenas se observando.

Jongin sorri e Sehun quase lhe sorri de volta.

- Tem quantas cidades entre River Falls e aquela da neve?

- Quatro. A gente só precisa encontrar mais uma carona que aceite cachorros. – Jongin responde.

__

As cortinas estão fechadas e deixam do lado de fora qualquer vestígio do sol. Em algum momento do dia, Jongin se levanta de sua cama e estende um dos colchões no chão. Quando está quase dormindo novamente sente o corpo quente de Sehun deitar-se ao lado do seu.

__

Do lado de fora, o sol já caiu no horizonte e Sehun está preso naquela sonolência pós-sono, quando o corpo está agradavelmente amolecido e morno e a única vontade que se sente é continuar deitado. O loiro abre minimamente os olhos e fica alguns segundos tentando apreender a cena. Pergunta-se se não continua sonhando.

Aretha e Robert estão deitados a seus pés no colchão. Jongin está entre seus braços. Agradável, quente, lindo. O rapaz ergue minimamente a cabeça e fita o rosto do amigo. Ele tem dois vincos entre os olhos, parece preocupado.

Você sonha colorido, Jongin? Com o que você sonha?  

__

Jongin não sonha. Tem pesadelos. Pesadelos em preto e branco onde a única cor é aquela do céu de fogo no dia em que Sehun foi embora.

__

O som no silêncio começa no meio da noite.

No começo é mais como um apitinho irritante e insistente do lado de dentro do ouvido de Jongin, e ele apenas abana a cabeça no sono. Sehun acorda na primeira mexida. Ergue a cabeça e observa o rosto contraído de Jongin que se debate no travesseiro fino. Seu olhar preocupado encontra os de Aretha e Robert.

- Jongin, acorda. – murmura pousando a mão no ombro do outro e chacoalhando-o de leve. Imagina que o amigo possa estar preso em algum pesadelo inominável uma vez que tem o rosto tenso, os lábios prensados um contra o outro. Mas, neste momento Jongin já está acordado, já está desperto... não abriu os olhos ainda porque a dor, o barulho absurdo que corta seu silêncio está se tornando alto demais e ele quase pode precisar o momento quando sangue esguichará de suas orelhas.

- JONGIN! – Sehun fala, apavorado, agora já sentado no colchão. Segura o outro pelos ombros e o levanta. Jongin coloca as duas mãos nos ouvidos, os olhos abrindo-se enlouquecidos e fitando Sehun. Não consegue falar, apenas abre a boca e deixa que seu desespero silencioso grite suas sentenças sem palavras.

E então, tão subitamente quanto veio... o som se vai, deixando Jongin fraco, apoiado contra um trêmulo e apavorado Sehun, a cabeça latejando, os olhos explodindo em faíscas cintilantes.

- O que... o que você tem? – pergunta Sehun enquanto segura o rosto do outro entre as mãos.

Jongin mais adivinha do que ouve.

- Eu não sei. – murmura.

- Quer ir no médico?

- Ao médico.

- Quê?

- É ir “ao médico” e não “no médico”.

- Você só pode estar brincando com a minha cara. – Sehun retruca – Onde está doendo, Jongin?

- Lugar nenhum.

- Larga de ser mentiroso, idiota.

- Minha cabeça.

- Vou buscar remédio pra você.

- Não precisa.

- Não discuta comigo.

O loiro se levanta, coloca a camiseta branca, calça os tênis e ajeita os lençóis sobre Jongin.

- Não saia daí. Eu já volto.

__

- Melhorou?

- Uhum.

- De verdade?

- Uhum.

- A gente deveria ir no médico.

- Ao médico.

- Você é irritante, sabia? Eu devia explodir sua cabeça com minhas próprias mãos.

__

- Jongin... porque você tá chorando?

- Eu não estou chorando.

- Isso escorrendo dos seus olhos é catarro por acaso?

- Para de ser nojento, Sehun.

- Porque você está chorando?

...

- E se eu for ficando cada vez mais surdo e cego... até que um dia não ouça nem veja nada? De que vale a vida se eu não puder ver ou ouvir, Sehun? O que eu vou fazer?

- Quando isso acontecer... Quando a noite chegar, E a terra estiver escura, E a lua for a única luz que vemos, Não, eu não estarei com medo, não, eu não vou ter medo... Desde que você fique, fique ao meu lado...

Jongin sorri na escuridão. O zumbido em seus ouvidos é pouco menos que o zunir irritante de um mosquito e ele consegue ouvir com clareza a voz de Sehun.

 - Stand by me. – murmura, reconhecendo a letra de sua música favorita.

- Sim. E a versão do John Lennon que é a que você mais gosta.

- Eu deixei minha fita em casa.

- Quer que eu cante pra você?

- Quero.

- Se prepare para se apaixonar pela minha voz, moleque.

“Se apaixonar. Me apaixonar.” Jongin pensa “Estou muito além disso, Sehun.”

Sehun pigarreia, deita a cabeça no travesseiro e toca as costas da mão de Jongin com as pontas de seus dedos magros. Então sua voz límpida inicia aquela música que é como uma alavanca poderosa de memórias.

Quando a noite chegar

E a terra estiver escura

E a lua for a única luz que vemos

Não, eu não estarei com medo, não, eu não vou ter medo

Desde que você fique, fique ao meu lado

 

E, querida, fique ao meu lado agora, querida

Fique ao meu lado

Fique comigo, fique ao meu lado

 

Se o céu que vemos lá em cima

Caísse e rolasse

E as montanhas desabassem para o mar

Eu não iria chorar, não iria chorar, não, eu não derramaria uma lágrima

Contanto que você estivesse, estivesse ao meu lado

 

E, querida, fique comigo, querida, fique ao meu lado

Fique comigo, fique ao meu lado, yeah

 

Sempre que você tiver problemas não vai ficar ao meu lado?

Oh, agora, agora, fique ao meu lado, querida

Oh, fique ao meu lado, fique comigo ao meu lado

 

Querida, querida, fique comigo, ao meu lado

Oh, fique comigo, fique comigo, fique comigo ao meu lado...

 

- Me perdoe, Jong. Por tudo. 


Notas Finais


STAND BY ME - JOHN LENNON
https://www.youtube.com/watch?v=O4_ghOG9JQM

STAND BY ME - PLAYING FOR CHANGE
https://www.youtube.com/watch?v=Us-TVg40ExM

STAND BY ME - SEAL
https://www.youtube.com/watch?v=vY6Np0nqgkk

E muitas milhares de versões que existem desta música. Ouçam todas. <3

@SurrealEndlessD

http://ask.fm/EndlessDelirium


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