História Sobre garotos e monstros... - Capítulo 7


Escrita por: ~

Postado
Categorias EXO
Personagens Kai, Sehun
Tags Sekai
Visualizações 1.018
Palavras 3.279
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Romance e Novela, Slash, Yaoi
Avisos: Álcool, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Boa madrugada, queridos.

Voltei. Terminei meu livro (muitos ALELUIAS! enlouquecem nos meus ouvidos), e finalmente terei mais tempo para terminar estas histórias aqui do SS. Ainda não respondi a todos os comentários, estou respondendo-os aos poucos. Vocês são maravilhosos.
Esta semana envio meu original para a primeira editora. Torçam por mim, ok?

Beijos, seus maravilhosos.

Capítulo 7 - Mágoa


 

- Você ‘tá bem? Tá sentindo alguma coisa?

- Não.

- Se estiver passando mal, ou sentindo qualquer coisa estranha... me fala, Jongin.

- Uhum. Não precisa se preocupar tanto assim, Sehun.

- Não ‘tô preocupado.

 

__

 

- Venha. Senta aqui. Toma água. Vamos descansar um pouco.

- Sehun, sério... se a gente ficar parando nunca vamos chegar aonde temos que chegar.

- Não quero saber. Não quero ter que te carregar por estas estradas só porque você ficou com frescura e dando uma de machão.

 

__

 

O sol já não queima mais a pele, não há mais nenhuma imagem no horizonte que seja remotamente parecida com Liberty City e nos últimos quinze dias receberam caronas o suficiente para que tenha apenas mais uma cidade entre eles e aquela de neve. Evitaram entrar nas cidades e fazer paradas desnecessárias, apesar de Sehun estar sempre seguindo o amigo com olhos preocupados e analíticos, esperando que o outro dê o menor sinal de cansaço, ou dor, então... nesses momentos eles param, Sehun passa metade de sua porção de comida (que é sempre delicadamente recusada) e supervisiona o estado de saúde de Jongin.

O rapaz tem se tornado vítima de uma quase paranoia. Sempre tem a impressão de que Jongin está prestes a cair de cara no chão por conta da má alimentação e das caminhadas extremamente longas, e nesses momentos tem que se lembrar de que o outro tem uma excelente saúde, que nunca adoeceu (ao menos foi o que ele lhe disse), e que tem uma disposição única para caminhar durante horas a fio sem se cansar ou reclamar.

De qualquer forma, Sehun deseja mais do que qualquer outra coisa chegar nesta cidadezinha dos sonhos para que possam descansar, para que possam procurar um médico que entenda de problemas de audição e visão. Desde aquela noite pavorosa, Jongin não ouviu mais aquele barulho terrível, mas para Sehun que sempre espera pelo pior, isto não é tomado como um bom presságio.

 

__

 

- Sehun, por que nunca contou pra ninguém sobre o que te aconteceu?

É imediato o poder destas palavras e Jongin vê o rosto do amigo se endurecer. As chamas da fogueira dançam sobre o rosto pálido e iluminam os olhos de gelo. Sehun ergue os ombros e joga dois pedaços de carne em direção a Aretha e Robert.

- Por que nunca me contou? – Jongin insiste.

- Eu não me lembro. E não te interessa.

 

__

 

Mas Sehun se lembra. Se lembra de cada excruciante detalhe daqueles longos anos em que foi utilizado para serviços diversos por aquele grupo. Agora, enquanto ouve a respiração compassada de Jongin que dorme sob as estrelas enrolado no cobertor que compraram em uma loja de roupas usadas na última cidade pela qual passaram, lembra-se das inúmeras tarefas que tinha que desempenhar e que só uma criança poderia fazer sem ser reconhecida ou recair suspeitas.

Sehun se lembra de tudo. Do ar parado e fedendo a fezes e urina daqueles dez garotos que eram utilizados pelo grupo, lembra-se dos gritos na noite, do som do açoite cortando o ar e espicaçando as costas de algum desavisado, lembra-se de como era mantido na linha e no porque de haver se transformado no melhor garoto.

“Ouvi dizer que um amigo seu continua na cidade. Mãos para trabalhar nunca são demais.”

Jongin. Sua mente gritava incessantemente, incansavelmente... como se aqueles gritos que nunca chegavam aos seus lábios tivessem o poder de neutralizar toda aquela maldade. Trabalhara mais do que qualquer garoto, era sempre o primeiro a se voluntariar para as tarefas e então, com o passar do tempo, seus carcereiros acabaram se esquecendo das ameaças e Sehun se esforçou até mesmo por esquecer Jongin. Conseguiu.

Não queria que aqueles imundos tivessem qualquer poder sobre si. Não queria que eles tivessem qualquer arma psicológica utilizável. Sehun preferia o açoite, preferia as cusparadas que atingiam seu rosto em cheio (porque quando queriam humilhar o garoto errante, era com açoite, com cuspe, com depreciações que com o tempo acabavam por destroçar o ego frágil daquelas crianças). Mas, havia alguma coisa em Sehun que se recusava a morrer, alguma esperança oculta que nem ele mesmo sabia existir. De vez em quando ele quase se lembrava de alguma coisa, quase podia ver um determinado rosto, um sorriso bem específico... mas, a ilusão logo se desfazia e ele se endurecia ainda mais.

Então teve aquela oportunidade e ele a pegou com as duas mãos. Fugiu. Desapareceu no meio do mato alto, enfiou-se em uma poça de lama e então caminhou sempre contra o vento para que os cães farejadores do grupo não o encontrassem. Não foi encontrado. Era esperto demais.

...

Aquelas memórias ele não podia esquecer, disso tinha certeza, mas também nada o impedia de fingir que elas não mais estavam ali. Sehun era prático, sempre o fora e esta praticidade fora essencial para que começasse a construir aquele muro maciço entre sua vida presente e seu passado miserável.

Jamais contaria a Jongin. Ele não precisava saber. Não precisava de mais miséria em sua vida.

 

__
 

- Está ficando cada dia mais frio. – Sehun fala, volutas de ar quente se condensando no ar frio à sua frente.

- Está. – Jongin concorda. Está sentado sobre a mala e acaricia distraidamente a cabeça de Aretha.

- Você está bem, Jongin?

- Estou.

- Por que está tão desanimado?

- Estou meio cansado. E com um pouco de dor de cabeça.

Sehun congela com a mão no ar. É a primeira vez que Jongin confessa estar cansado ou com dores. Cautelosamente, se aproxima do outro e coloca as mãos em seus ombros. Jongin olha em seus olhos com o seus semicerrados, as mãos frouxas dos lados do corpo magro.

- Vamos arrumar um lugar pra passar a noite.

- Amanhã é véspera de Natal. – Jongin comenta.

- Quê?

- Amanhã.

- E o que tem isso a ver com qualquer coisa? – a brusquidão surge em sua voz tão naturalmente que Sehun só vai percebê-la quando o silêncio aumenta.

- Eu gosto do Natal. Quer dizer... as luzes... as cores...

As cores que você não pode ver mais, Sehun completa mentalmente.

- Vamos, Jongin. Está ficando frio. Vou arrumar remédio pra você.

- Tem uma farmácia logo ali. – o rapaz aponta para a fachada iluminada da farmácia.

- Quer ir pro albergue primeiro?

- Não. Será que eles aceitam cachorros?

- Em toda cidade você pergunta a mesma coisa. É por causa desses pulguentos que você tá mal.

- Por que diz isso?

- Porque você se recusa a dormir na porcaria do hotel se eles não aceitam cachorros. Como quase nenhum aceita você fica dormindo no sereno.

 - Você também dorme, Sehun.

- É claro! Como se eu fosse te deixar sozinho no meio do nada.

__♦__

 

- Você acha que nós somos muito comuns?

Chanyeol não desgruda os olhos da estrada molhada para responder ao namorado. Continua segurando o volante, sopra os cabelos compridos da frente dos olhos e finalmente, quando o olhar pacífico de Kyungsoo está queimando sua pele, suspira e responde.

- Como assim, Soo? Não há nada de comum em nós. Nós somos quase que personagens do Woody Allen.

Kyungsoo ri e Chanyeol olha para ele por alguns segundos, sorrindo.

- A gente não mora em nenhuma capital do mundo. Nem em Paris, nem em Manhattan, Roma... ou seja, nada de Woody Allen. No máximo estamos em algum livro do Stephen King, Chanyeol.

- É uma grande coisa, Bill Gaguinho.

O carro segue pela estrada e logo eles conseguem ver as luzes da cidade. O frio aumenta a cada dia, choveu a tarde toda e parte da cidade está no escuro. Chanyeol estaciona em um dos inúmeros espaços vazios e após erguer o zíper da jaqueta salta do carro. Kyungsoo coloca a touca e dando a volta no carro segura a mão enluvada do outro.

Toda semana eles fazem a uma hora e meia de estrada de sua cidade até esta para suprir seu estoque de quadrinhos. Toda semana há uma atualização, toda semana há algo para comprar e se Chanyeol é viciado, Kyungsoo é mais ainda. Além do mais, gostam de honrar o costume que os fez se apaixonarem há alguns anos. Mas isso já é outra história.

- Quero comprar alguns números do Tex e do Zagor, Soo.

- Uhum.

- Está cada dia mais difícil encontrá-los. O que esses jovens têm contra o faroeste spaghetti de antigamente?

- Bom, primeiro porque a linha de histórias tem nome de macarrão. – Kyungsoo responde, rindo e arregala os olhos quando o outro para de andar.

- Nunca brinque com uma coisa dessas, Soo. Você acha que é fácil pra mim gostar de uma coisa que ninguém mais gosta, que não dá mais dinheiro e que em breve entrará em extinção?

- Desculpa, amor.

- Ok. Certo.

- Hey... dá uma olhada naquilo.

- Hmm?

- Lá. Na calçada.

Chanyeol coloca as mãos acima dos olhos como se estivesse sol, como se isso fosse ajuda-lo a ver a cena com uma qualidade visual maior. Mas a noite cai rapidamente e as poucas pessoas que passam por esta rua semi iluminada atrapalham sua visão. Cautelosamente eles se aproximam.

- É um mendigo. – Chanyeol fala.

- Será que ele está bem?

- Deve estar dormindo.

- E se ele estiver passando mal?

- Por que ele estaria passando mal, Kyungsoo? Só por que o cara tá deitado?

- Ele está deitado no chão frio.

- Os cachorros estão cuidando dele.

Kyungsoo dá um tapa no braço do namorado e caminha mais rápido. Quando está a pouco mais de dez passos do corpo os cachorros se levantam e começam a rosnar, um de cada lado.

- Soo, volte aqui. Você vai ser mordido.

Mas Kyungsoo já está falando com os cachorros em uma voz suave, mansa, quase cantada e a Chanyeol sobra apenas a opção de se aproximar pronto para chutar qualquer um dos cachorros que tentar morder seu pequeno.

- Chan, acho que esse rapaz está desmaiado.

- Tem certeza?

- Hey! – Kyungsoo se abaixa ao lado do corpo, cuidadosamente, evitando deixar os cachorros ainda mais nervosos. Os rosnados ficam mais baixos, mas agora o macho cheira a roupa do desconhecido e a fêmea senta-se protetoramente ao lado do corpo. – HEY!

- Vamor chamar alguém, Soo.

- Eu não vou deixar ele sozinho, Chanyeol.

-E eu é que não vou te deixar sozinho com esse cara!

- Vai logo! – Kyungsoo fala, impaciente

- Se acontecer alguma co...

- VAI LOGO, CHANYEOL!

- Ok. Ok. Estou indo!

Mas neste momento, quando Chanyeol se prepara para correr em busca de ajuda para o mendigo, o rapaz abre os olhos. Olhos confusos.

- Onde estou? – pergunta para Kyungsoo que agora o ajuda a se levantar parcialmente. Chanyeol se agacha ao seu lado e após uma ligeira hesitação, ajuda o namorado a erguer o rapaz e o recosta contra o muro. Uma chuva fina começa a cair.

- Você deve ter passado mal. Eu sou Kyungsoo. Qual é o seu nome?

O desconhecido parece pensar um pouco antes de responder.

- Kim... Kim Jongin.

- Kim Jongin, este cara aqui é Park Chanyeol, meu namorado.

Kyungsoo observa o desconhecido apertar os olhos com as mãos.

- Quer ir ao médico?

- Não, eu tenho que... Sehun! Meu Deus! Sehun!

Kyungsoo olha para o namorado que ergue os ombros em um questionamento silencioso. Quem diabos é Sehun?

- É alguém que você conhece? Quer que a gente o chame pra você?

Mas Jongin está olhando para o fim da rua por onde se aproxima uma figura em preto e branco. Uma figura que corre desesperadamente. Ele não precisa de cores para decodificar o pavor no rosto de Sehun.

- Sehun! – aponta.

- Jongin! – o garoto que corre, grita. Chanyeol se afasta para dar espaço. Kyungsoo se levanta quando Sehun se agacha ao lado de Jongin.

 

__

 

Para Jongin a voz de Sehun vem de muito longe. Ainda sente as pontadas de pura dor por trás de seus olhos, mas se esquece até mesmo delas quando o amigo se ajoelha a sua frente na calçada molhada e segura seu rosto entre as mãos. Há pavor nos olhos de Sehun e Jongin o vê abrir e fechar a boca umas cinco vezes sem ter o que dizer. Sussurra um “Tá tudo bem, Sehun” e vê o outro estremecer.

Um dos desconhecidos lhe pergunta se quer ir ao médico. Não, não quer. Seu corpo implora por um banho, por roupas limpas, por uma cama quente, pelos braços de Sehun.

- Vocês moram por perto? – pergunta o rapaz alto e cabeludo chamado Chanyeol.

- Não. – Sehun resmunga.

- Nós estamos indo para Holy Town.

- Nós moramos lá. – fala Kyungsoo, animado e Chanyeol lhe envia um olhar de advertência que é prontamente ignorado. – Vocês estão de carro?

- Kyungsoo, posso falar contigo? – Chanyeol chama.

 

__

 

- Você está louco?

 - Por que?

- Você não pode sair por aí fazendo amizade com mendigos.

- Eles não são mendigos, Chanyeol. Eles são viajantes.

- Viajantes loucos que saem na porra do frio sem roupas apropriadas.

- Eles podem morrer.

- Kyungsoo, a gente nem conhece esses caras! Peloamordedeus! Até onde sabemos esses caras podem ser skinheads homofóbicos prontos pra cortar nossos pintos fora.

- Larga de ser ridículo, Chanyeol. Você tá vendo alguma cabeça pelada, por acaso? E eles têm cachorros.

- E daí?

- Gente ruim não tem cachorro. Ou melhor, gente ruim não trata seus animais daquele jeito. – Kyungsoo contemporiza apontando os dois cachorros que agora apoiam as cabeças grandes nas pernas de Jongin.

- O Hitler tinha cachorros. Ele amava os cachorros dele.

- O que o Hitler tem a ver com isso?

- Mas, Soo... você disse.

- Shhh. Eu estou morando com um cara maravilhoso que ajuda o próximo, não com um panaca de coração gelado.

- Soo...

- Shhh.. vem!

 

__

 

- Vocês querem uma carona até Holy Town?

Sehun olha para o dono da voz, desconfiado. Não gosta de coisas inexplicáveis, não gosta daquilo que não pode prever e estes dois rapazes com cara de gente limpa não parecem de confiança.

- Não.

- Ok, então. – Chanyeol ouve a resposta mal humorada do garoto de cabelos loiros, e se prepara para puxar Kyungsoo pela mão quando uma voz bem mais suave e calma se faz ouvir.

- Nós temos cachorros. – Jongin fala.

- Se vocês não se importarem em ficar muito espremidos, tem lugar para vocês e eles. – Kyungsoo responde, alegre. – Nós só precisamos comprar umas coisinhas antes.

 

__

 

Eles combinam de se encontrarem naquele mesmo lugar em duas horas. Sehun e Jongin nada têm para fazer e assim preencher as horas.

 

__

 

- Por que você confia em todo mundo?

- Por que você desconfia de todo mundo?

- Porque o mundo é maligno e as pessoas são desgraçadas, Jongin.

 

__

 

Sehun passa o braço pelo ombro de Jongin em uma tentativa de aquecê-lo. Eventualmente seus olhos se voltam para a loja de histórias em quadrinhos, lugar onde Chanyeol e Kyungsoo desapareceram.

- Você não é desgraçado, Sehun.

- Hmmm?

- Você é maravilhoso.

- Está bêbado, moleque louco?

Uma chuva fina começa a cobrir a rua. Aretha e Robert mudam de lugar e sentam-se nas escadas de uma loja de ternos e roupas de festa.

- Sehun?

- Hmmm...?

-...

- O que foi?

- Nada. Nada não.

 

__

 

O carro derrapa algumas vezes na estrada úmida, mas Chanyeol está acostumado com isso e nem mesmo fica nervoso. Sehun olha a estrada escura com extrema atenção como se pudesse, de fato, ver por onde estão indo. Robert está em seu colo. Aretha está no de Jongin e o carro rescende com o fedor de cachorros molhados.

Chanyeol está emburrado. Kyungsoo não parece se importar.

 

__

 

- Hey, Jong. Feliz Véspera de Natal. – Sehun sussurra próximo ao ouvido de Jongin. A estrada voa ao seu lado. Ele e Chanyeol são os únicos acordados do carro.

 

__

 

- Chegamos.

- Já nevou este ano, Kyungsoo?

- Ainda não, Jongin. Holy Town é mais bonita de dia.

- Obrigado pela carona.

- Vocês têm onde ficar?

- Não, mas a gente encontra.

- Chega na Hospedaria ChanSoo.

- ChanSoo?

- Minha mãe levou minha veadagem a sério.

- Eles aceitam cachorros?

- Sim. Fala que foi o Chanyeol que os mandou lá.

 

__

 

- Hey... – a voz de Kyungsoo os faz parar. – Querem passar o Natal lá em casa?

- Ah, nós não...

- Vocês não vão atrapalhar. Nós gostamos do Natal.

- Eu também. – responde Jongin sorrindo.

 

__

 

Sehun olha fixamente para o fogo que crepita na lareira. Aretha e Robert estão ao seu lado, as cabeças no chão, os olhinhos sonolentos. Jongin está deitado nos pés da cama, o corpo meio torto, o braço pendurado para fora da cama macia e limpa, os olhos nas costas de Sehun.

- Chegamos, Sehun. – fala em um bocejo.

- Sim.

- Este lugar parece lindo, não é?

Sehun se volta para Jongin. Observa os cabelos pretos e lisos que recuperaram seu brilho após o banho, a pele rosada pela temperatura elevada, os olhos lindos e sonolentos. Rememora o momento apavorante em que viu Jongin caído na rua e uma perguntinha no fundo de sua mente começa a incomodar. E se tivesse perdido Jongin? E se perder Jongin? Seu precioso Jongin?

- Deita direito. – fala para o outro enquanto engatinha pelo chão até subir na cama. Jongin se ajeita do seu próprio lado na cama.

Os olhos escuros do amigo parecem ainda mais intensos quando vistos de perto.

- O que você queria me dizer lá na calçada, Jongin?

O garoto dos cabelos pretos ergue a cabeça e se ajeita de bruços. Retira pelos invisíveis do travesseiro, passa a língua pelos lábios subitamente sem saber o que dizer, o zumbido em seus ouvidos parecendo ecoar as batidas de seu coração.

- Tem uma única parte daquele dia terrível que eu não quero me esquecer.

Sehun nada pergunta. Jongin continua.

- Vou te falar isso apenas desta vez e então esqueceremos o assunto, está bem?

Sehun faz que sim com um movimento de cabeça.

- Naquele dia você me disse que iríamos embora juntos, que viveríamos em uma casinha de madeira no meio da neve, comeríamos pipoca, enfeitaríamos a nossa árvore de Natal.

Sehun sente a garganta se fechar à medida que as lembranças são ativadas pela voz suave de Jongin.

- Naquele dia você disse que aquela figurinha do Draco Malfoy seria minha e sua.

Sehun se ergue recosta as costas contra a parede. Há lágrimas nos olhos avermelhados de Jongin.

- Você faz ideia do que eu senti quando você sumiu?

- Jongin...

- Foi como jogar uma garrafa de vidro em uma parede de concreto. Eu podia me sentir espatifando em milhares de pedaços. Eu tive pesadelos todas as noites durante anos. Minha mãe sempre ia ficar comigo depois de cada um deles. Eu sonhava com aquele nosso beijo de crianças e então com o céu de fogo da última vez em que te vi. Sonhava que ele te engolia, que te queimava inteiro...

- Jongin...

Sehun vê os riscos que as lágrimas quentes fazem no rosto do amigo. Neste momento, não se lembra de seu passado, de suas dores, de seu abandono. Só vê Jongin.

- Eu te amo tanto, Sehun. Você nem faz ideia.

 

__

 

Sehun não responde. Não consegue. Volta a se estender na cama e puxa Jongin para si. O corpo do amigo treme em seus braços enquanto chora, Jongin que é doçura, Jongin que também é dor. Jongin que soluça até dormir.

 

 

 


Notas Finais




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