História Sobre garotos e monstros... - Capítulo 9


Escrita por: ~

Postado
Categorias EXO
Personagens Kai, Sehun
Tags Sekai
Visualizações 867
Palavras 2.692
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Romance e Novela, Slash, Yaoi
Avisos: Álcool, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá, belezinhas... chegamos ao quase-final de SGEM. Postarei o último no máximo até terça-feira. Espero que vocês gostem. Espero que este final seja digno o suficiente.

Estou quase terminando de responder os comentários lindos desta fic. Acho que falta os dos últimos dois capítulos. Obrigada, vocês são lindos.

Capítulo 9 - Simetria


 

- Nós somos um casal, Jongin.

 

__

 

O ar gelado machuca ao entrar nariz adentro e Jongin puxa o capuz sobre a cabeça e ergue o cachecol até que apenas seus olhos permaneçam de fora. O frio não o incomoda e agora, cansado, sente a serenidade que emana desta cidadezinha de neve. Faltam dois dias para o Ano Novo e mais luzes coloridas são agregadas àquelas de Natal. Jongin só pode imaginar as cores.

Um casal de idosos passa ao seu lado e lhe deseja um Feliz Ano Novo. Jongin sorri. Gosta da forma como este lugar escondido no meio do nada é alegre, é sereno, é confortável. Talvez porque a própria sobrevivência individual dependa do humor coletivo, talvez porque exista esta sensação de estar longe de tudo o mais, em Jongin esta sensação sendo amplificada pelo perpétuo zumbido em seus ouvidos e pela ausência de cores. Já não se importa tanto. Quando sente que vai sucumbir à tristeza olha para Sehun, para seu sorriso que agora é cada vez mais frequente. Sehun que adquiriu a mania de puxá-lo para seus braços quando vão dormir, cujas pernas longas se enroscam nas suas com uma familiaridade que o deixa emocionado.

Ele não ouve seu nome ser gritado no meio da rua e só se volta quando dedos enluvados tocam seu ombro. Sehun. Sehun com seus cabelos escuros semi ocultos pela touca que Jongin sabe ser azul-cor-do-céu-em-dia-de-verão.

- Porque não me esperou? – o recém-chegado pergunta enquanto passa o braço pelos ombros do amigo.

- Queria comprar seu presente de Ano Novo. – Jongin responde enquanto se deixa envolver pela adorável serenidade.

- Não sabia que a gente trocava presentes no Ano Novo.

- Não trocamos. É que no Natal eu não te dei nada.

- Eu não preciso de presentes, Jongin.

- Eu sei que não precisa, mas quero te dar um mesmo assim. Não se preocupe. É um presente diferente.

Sehun fica em silêncio por alguns segundos.

- Então pode ir comprar meu presente que eu vou arrumar o seu.

- Não precisa se sentir obrigado a me dar um também, Sehun.

- Não é obrigação. – o rapaz retruca e retira o braço do ombro do outro – Demore um pouco, Jong. Vá... sei lá... tomar um café com o Kyungsoo.

Jongin balança a cabeça de um lado para o outro enquanto seus lábios se abrem espontaneamente em um sorriso. Observa Sehun desaparecer na esquina e só então caminha em direção à loja.

 

__

 

Sehun entra na cozinha da Pousada ChanSoo. Está desconfortável, não sabe ao certo onde colocar as mãos e sente-se incrivelmente alto neste momento em particular. Alto e deslocado. O aposento está agradavelmente iluminado, as cortinas estão erguidas e deixam entrar a luz gelada deste fim de tarde, as cadeiras em redor da mesa que já está forrada com uma toalha com desenhos natalinos, e o barulho das panelas que se chocam em um tilintar quase mágico. Todos esses sons e imagens combinados envolvem o rapaz em uma aura de bem-estar ao qual ele se acostuma mais a cada dia. Quase sente que merece ser feliz agora, quase sente que encontrou tudo o que procurava e...

- Oi, menino Sehun. – a mãe de Chanyeol fala, se aproximando da mesa com uma tijela oculta por um pano de prato que anuncia ao mundo o fato de ser Quinta-feira (hoje é terça).

- Oi. – murmura meio divido entre subir as escadas até seu quarto e perguntar à mulher o que quer perguntar.

- Quer uma bolachinha de gengibre, querido?

Gengibre. Não consegue compreender como doce e gengibre possam se dar bem, mas se vê erguendo a mão e pegando o doce que ainda está quente do forno. A mulher leva um tempo extra para ajeitar os pratos na mesa e Sehun se decide.

- A senhora pode me ajudar numa coisa?

Ela sorri. Claro que pode.

 

__

 

- Você tá parecendo o Rudolph, Jongin.

- Hã?

- A Rena do Nariz Vermelho. – Kyungsoo responde e ri para o novo amigo. Chanyeol gira os olhos. Ainda não se sente muito confortável perto da extrema beleza desse forasteiro e nem na forma como o namorado parece se sentir confortável ao lado dele.

- Culpa do frio. – Jongin fala com certa timidez.

- Cadê o Sehun?

- Tá na pousada.

- Você estava passeando por Holy?

- Uhum. Fui comprar uma coisa de presente pro Sehun.

- O que é? – Kyungsoo se aproxima curioso e Jongin abre a sacola minimamente.

- Fiquei sabendo que aqui vendia e...

- Em todo mercado do mundo é vendido isso, Jongin. – Chanyeol retruca.

- Isso não importa. Estou com inveja do Sehun que vai poder aproveitar. – Kyungsoo complementa lançando um olhar de advertência ao namorado.

 

 

Quando Jongin volta à pensão Sehun ainda não chegou.

- O Sehun pediu para você arrumar uma mala com uma roupa de dormir, leve uma pra ele também, que ele logo vem te buscar. – a mãe de Chanyeol diz e desaparece na cozinha, um sorriso muito satisfeito brincando em seus lábios.

Jongin sobe as escadas até o quarto, perdido em conjecturas sobre o que Sehun estará fazendo. Deixa o presente sobre a cama e entra no banheiro para tomar um banho.

 

__

 

Ele está assistindo distraidamente a um filme sobre zumbis quando a porta se abre e Sehun surge. Jongin imagina se ele está com as bochechas vermelhas, afinal, há duas manchas um pouco mais escuras em seu rosto. Não pode ter certeza, mas acha que sim.

- Está pronto, Jong?

Jongin desliga a televisão passa a mão nas cabeças geladas de Robert e Aretha e se levanta. Aponta o saco onde colocou as roupas para dormir, as escovas de dentes e o presente de Sehun.

- Aonde vamos?

- Supresa, curioso. Aliás, em algum momento do caminho eu preciso que você feche seus olhos e não espie por nada nesse mundo. Você promete que não vai olhar?

O rapaz dos cabelos pretos ergue os ombros.

- Prometa, Jongin.

- Ok. Ok. Prometo.

Há um segundo de hesitação em Sehun quando ele estende a mão em direção a Jongin. Há um clique em sua mente que é malicioso e diz que isso é estranho. Ele escolhe ignorar e a palma quente de Jongin na sua faz com que tudo o mais perca o sentido.

Robert e Aretha descem na frente.

 

 

Jongin não pergunta onde estão indo, Sehun segura sua mão. As ruas de Holy Town estão iluminadas, as luzes de Natal ainda não foram retiradas (Kyungsoo disse que elas ficam até que a neve vai embora, o que só acontece lá para o meio de fevereiro), o mercado pequeno e a padaria/restaurante/ponto de encontro jovem/bar ainda estão abertos e derramam sua luz morna porta afora.

Esporadicamente Sehun fita o rosto do amigo, seus olhos brilhantes, os cabelos escondidos pela touca, o nariz avermelhado pelo frio, com os dedos enluvados aperta a mão do outro com o máximo de força a que se atreve. De alguma forma, tem a sensação de que algo de maligno pode chegar de mansinho e arrastar aquele que é a bondade encarnada em sua vida. Sem Jongin não há mais nada e ao mesmo tempo em que se sente preenchido por esta sensação boa, imagina que tipo de casca seria sem esta presença.

- Você está esmagando a minha mão, Sehun.

- Ah... desculpa. – murmura envergonhado.

- Quando terei que fechar os olhos?

- Logo. Jong, você está bem?

- Uhum.

Sehun não pergunta mais nada e eles seguem através destas duas fileiras de casas agradavelmente iluminadas que se dispõem dos dois lados da rua principal de Holy Town. Passam em frente à casa de Chanyeol e Kyungsoo, ouvem música (que se parece muito com a trilha sonora de O Senhor dos Anéis) e continuam. Na esquina, Sehun para de andar.

- Agora você precisa fechar os olhos, Jong.

- Está perto?

 - Sim. Eu não vou te deixar cair. Juro.

- Eu sei que não.

Cuidadosamente Sehun guia o amigo pelo caminho úmido. Robert e Aretha, cansados de esperar saem correndo à frente. Eles já sabem aonde o segundo dono irá parar.

Um. Dois. Dez. Vinte passos.

- Não abra os olhos ainda, Jong, mas nós chegamos.

Sehun se afasta um pouco, olha a paisagem, verifica se Jongin tem a melhor visão (e sim, ele terá), passa o braço pelos ombros do outro e em uma voz que tenta a todo custo não ser excessivamente emocionada, fala.

- Encontrei este lugar semana passada. Não te falei porque queria fazer uma surpresa se desse certo e se não desse pelo menos você não ficaria tão desapontado. Bom, deu certo, Jong... e agora é sua vez. Pode abrir os olhos.

Jongin abre os olhos.

Há luzes. Há neve. Há uma casa pequena... e nesta cena perfeita há tanto tempo desejada só falta os pinheiros. E as cores nos olhos de Jongin.

- As luzes são coloridas, Jong. Vermelha como uma roupa de Papai Noel, azul como o céu no verão, verde como as folhas das árvores, amarelo como o sol.

- Parece a casa da lata de bolachas. – Jongin sussurra com os olhos brilhantes pela emoção.

- Sim. Nós vamos morar aqui. Se você quiser.

- Como... como assim?

- Todo mundo conhece todo mundo nesta cidade. Esta casa é da mãe do Chanyeol e ela alugou pra gente por um preço muito baixo.

Jongin olha para Sehun. E depois para Robert e Aretha que já estão sentados à frente do portão como se soubessem que é ali que irão morar. E então volta sua atenção para a casa.

- Está surpreso? – o amigo pergunta.

- Você não faz ideia.

- Vem. Vamos entrar.

Jongin espera Sehun abrir o portão baixo e seguir pelo caminho cuja neve foi cuidadosamente retirada. Ali, parado em meio ao branco, sentindo um frio seco morder seu rosto ele fita amorosamente aquela casa que parece que foi feita tendo como modelagem os seus sonhos de infância. A casa é de madeira, imita uma casa de lenhador como aquelas dos livros de histórias infantis, uma chaminé de pedra envia fumaça esbranquiçada ao céu escuro e é apenas agora que Jongin vê isso, as luzes natalinas formam uma moldura delicada ao longo da varanda estreita e lança sombras dançantes sobre as duas cadeiras de balanço que estão ali à espera que alguém as ocupe.

- Vem, Jongin. – Sehun chama com seu sorriso incerto, inábil, feliz...

Dentro, as paredes parecem dançar. A lareira crepita e suas chamas enviam reflexos alaranjados ao chão de madeira brilhante que está quase que completamente forrado por uma pele sintética que imita um animal muito peludo, há travesseiros fofos, há uma cesta que Jongin suspeita estar cheia de comida, há cobertores.

- Estou tão feliz que quase quero gritar e dançar.

- Você pode fazer tudo isso, se quiser. – Sehun responde, as mãos nos bolsos do casaco. Agora que fechou a porta, agora que estão isolados do mundo sente mais uma vez a conhecida insegurança surgir de mansinho em seu recém-descongelado coração.

Esforçando-se por retomar sua personalidade (ou aquela que imagina ser sua), Sehun retira os sapatos e caminha ostensivamente sobre o tapete no qual Robert e Aretha já estão deitados confortavelmente. Senta-se entre as almofadas e chama Jongin com um aceno.

- Venha se aquecer, Jong. Depois a gente explora a casa.

- O que tem pra lá? – o rapaz pergunta enquanto se ajeita à frente da lareira.

- Um quarto, uma cozinha, um banheiro. – Sehun responde enquanto retira as travessas e canecas de dentro da cesta e os ajeita no chão.

- Tem certeza de que vamos morar aqui?

- Só se você quiser.

- Eu quero.

Sehun abre a garrafa onde a senhora Park colocou eggnog e despeja uma quantidade generosa em uma das canecas antes de entregá-la a Jongin. Olha nos olhos do amigo quando seus dedos se encostam, estremece ligeiramente como se nunca tivessem se tocado, como se não dormissem abraçados em todas as noites desde que chegaram a Holy Town. Jongin está lindo, inacreditavelmente lindo agora que retirou a touca e seus cabelos brilham, as pontas pretas tocando o início da bochecha dourada, seus olhos de ternura fitando-o com aquele amor irrestrito que nunca parece abandoná-lo. Sehun sente uma vontade súbita de chorar, algo bloqueia sua garganta, uma emoção que é imensa demais para ser contida em seu corpo que agora parece tão pequeno. Jongin não desvia seus olhos, Jongin não se afasta quando seu melhor amigo se aproxima, não estranha e não questiona os olhos úmidos... lágrimas são suas conhecidas. Sehun beija Jongin quando suas lágrimas arrebentam de seus olhos e descem furiosamente por suas bochechas e o beijo tem gosto de infância, de sal, de esperanças reencontradas. Tem gosto de amor e de inverno. Tem gosto de inocência.

Atabalhoadamente Sehun retira suas luvas e leva os dedos pálidos ao rosto moreno do amigo. Gelado. Morno. Salgado. Doce. Enquanto treme entre os braços de Jongin, Sehun recupera o pedaço de sua alma que foi levado por monstros à beira do pântano, coloca o último tijolo daquele muro extremamente alto que bloqueia os acontecimentos pérfidos e tem a mais absoluta certeza de que nunca mais voltará a pensar neles. Não propositalmente. Não se tiver Jongin.

Eles se deixam ficar ali, rodeados pelo calor das chamas crepitantes da lareira, as testas recostadas, os dedos enluvados de Jongin secando cada uma das lágrimas de seu melhor amigo, os olhos de ternura fitando aqueles vermelhos... não há o que dizer. Neste momento, eles são o que nasceram para ser, sem restrições, sem regras, sem olhares curiosos... neste momento eles são os dois garotos que corriam por Liberty City sob um céu vermelho como o Inferno, as peles brilhando com gotas translúcidas de suor, os risos leves, soltos... inocentes.

 

__

 

Robert e Aretha ressonam em seu sono canino após acabarem com seus quinhões de comida. Jongin estende o pacote embrulhado em papel azul.

- Seu presente de Ano Novo.

Sehun pega o pacote, controla-se para não rasgar o papel e ao ver o objeto traz Jongin para um abraço. Tem abraçado Jongin muitas vezes nesta última hora, é quase como se seus braços não fossem capazes de se manterem longe.

Jongin sorri deliciado ao ver a surpresa do melhor amigo com a caixa de bolachas natalinas. Uma caixa idêntica àquela que ganhou da mãe muitos anos atrás. Ele só pode imaginar as cores daquela cena, mas nem em uma centena de anos poderia se esquecer daquela imagem tão bem gravada em sua mente. A casa coberta pela neve, as luzes coloridas, os pinheiros. E até mesmo o cheiro que naquela época era bem fraco agora rescende, envolvendo-os e acordando os cachorros.

- Não acredito que você encontrou uma caixa igual a nossa.

- Eu sei. Nem eu.

- Vamos guardar novos passados aqui, Jong. Nosso passado.

- Nosso. Meu e seu.

 

__

 

A neve cai do lado de fora. O calor brilha do lado de dentro. Eles estão ali, garotos e cachorros entre as cobertas. Os cachorros dormem. Os garotos se olham, se entreolham, se abraçam, se tocam, se beijam... não há pressa.

Eles têm todo o tempo do mundo.

 

 

- Estamos atrasados, Sehun. – Jongin grita para se fazer ouvir no barulho.

- Não podemos fazer nada, ora! – Sehun resmunga, resfolegante.

- Corra!

Sehun resmunga um palavrão, fingindo uma irritação que está longe de sentir. Por algum motivo, acha importante estar bravo com a situação. Há certa distinção em estar bravo. Pela rua esbranquiçada de Holy Town ele persegue Jongin em uma corrida. É a última noite do ano e eles se dirigem à parte mais alta da cidade aonde Chanyeol, Kyungsoo, Lay, Chen e Cassandra os esperam com seus fogos de artifício. A noite está gelada mas a corrida os faz suar. Sehun, o menino que sobreviveu coloca força extra nas pernas e ainda assim não consegue alcançar Jongin... talvez não queira. Talvez queira permanecer na retaguarda, os olhos atentos a qualquer possível e improvável ameaça.

Nesta tela assimétrica que é a vida, eles encontram sua perfeita simetria. Porque não há outro jeito.     

Porque é assim que tem que ser. 


Notas Finais




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