História Sobre sonhos, retornos e verdades - Capítulo 4


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Arquitetura, Bissexualidade, Brasil, Dinamarca, Drama, Drogas, Homossexualidade, Insinuação Ao Suicídio, Namoro Gay, Prostituição, Reencontro, Romance, Universitários
Exibições 2
Palavras 2.585
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Lemon, Romance e Novela, Shonen-Ai, Shoujo (Romântico), Shoujo-Ai, Slash, Yaoi
Avisos: Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Suicídio, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 4 - Rota de Colisão


Eu estava devolta ao Brasil há quase quinze dias, e eu não queria se quer sair de casa, alguns familiares mais próximos haviam vindo me visitar, pedi para que minha mãe não fizesse muito alarde da minha repentina volta, mais era inevitável em uma cidade do tamanho que era São João todos ficarem sabendo com velocidade. Resolvi então sair de casa aquela situação já passava de ridícula, eu estava morrendo de saudade de São João, morrendo de saudade de caminhar na Leite de Castro, de ir na missa e me perder nos adornos das Igrejas do centro histórico, de beber no largo São Francisco e sentir aquela sintonia que a cidade me passava. Antes de eu começar a estudar eu pensei que nunca sairia daqui, São João era perfeita pra mim, do tamanho ideal, com as pessoas certas, os lugares certos eu era muito feliz aqui, eu tinha o Aron, que mesmo do seu jeito torto de demostrar eu sabia que gostava de mim. 

Quando eu entrei na faculdade de Arquitetura pela Universidade Federal que leva o nome da minha cidade, eu deslumbrei um mundo novo, nunca fui o melhor da minha sala, nem o mais inteligente, sempre tive essa alma de artista e arquitetura me compreendeu como ninguém no mundo e me descobri quase por acaso excepcional em algo. Me destaquei muito no curso, ganhei notoriedade e consegui estagio e um grande escritório de Belo Horizonte o qual eu fui contratado depois de formado.  No decorrer do curso eu conheci a arquitetura dos países escandinavos, e sabe quando você sabe que é exatamente isso que você quer fazer, bem foi isso. 

Resolvi, ir até meu antigo Campos que quando eu estuda era afastado da cidade, que hoje já o abraçava de todos os lados, estava mais bonito, mais arborizado e lá eu desci do carro e caminhei pelos ruas, queria ver minhas antigas salas, era cinco e meia da tarde e provavelmente a faculdade estava mais calma nesse horário entre as trocas de turno. Caminhei pelos corredores, em que muitas vezes eu e Antonio flertávamos em silencio, fui no banheiro em que nós, nos beijamos pela primeira vez, sim nosso primeiro beijo foi em um banheiro. 

Nos voltávamos do almoço nunca tínhamos se quer trocada uma palavra apenas olhares. Eu chegar ao banheiro percebi que tinha esquecido o creme dental e como só estávamos eu e ele no banheiro tive que recorrer a ele.

— Oi Antonio seu nome não é mesmo — ele assentiu confuso — Então, é que eu esqueci meu creme dental você por acaso poderia me emprestar o seu — o pedi  emprestado sem nem me da conta de que era ele, Antonio o carinha que eu achava super bonitinho nos corredores, ele me olhou meio receoso, acho que eu passava uma áurea de inatingível, talvez pelo meu desempenho no curso. Ele meio nervoso, me olhou e apenas assentiu com a cabeça. No momento em que ele me entregou a creme dental nos olhamos, e naquele momento um já conseguia ler a alma do outro, ignorando qualquer pudor ou qualquer receio, abri um largo sorriso e comecei a escovar os dentes reparando que era observado. Acabei o que tinha que ser feito e entreguei a ele no momento que o tubo trocava de mãos elas se esbarraram e inconscientemente fechei os olhos, isso foi o suficiente pra que ele rompesse todo a distancia entre nos em um beijo, devagar mas extremamente profundo, quase como se fosse ensaiado. Estávamos em um banheiro e só nos demos conta quando a ouvimos ao fundo o barulho de uma descarga. Nos afastamos de imediato, ambos extremamente corados.

— Me desculpa, eu não quis … Na verdade quis sim, mais não vem ao caso. — Ele tentava se justificar e ficava cada vez mais vermelho.

— Relaxa, eu gostei. — Foi tudo que eu disse antes de pegar minha mochila e me retirar do banheiro. 

Eu estava parado olhando o banheiro como se conseguisse ver exatamente a cena se passando diante dos meus olhos. Segurando pra não chorar.

— GUILHERME, não acredito no que meus olhos veem, mas é como dizem o bom filho a casa torna. — me virei de súbito e sai dos meus devaneios, e vi bem a minha grande amiga dos tempos de faculdade Isabel Gentil. Olhei mais uma vez pra ver se meus olhos não estavam me pregando alguma peça, mais não estavam era realmente ela, alta, magra e morena como sempre foi. — Que foi não esta me reconhecendo.

— Desculpa, claro que estou Isabel são só seis anos meu Deus. — Nos abraçamos e ela já foi me puxando pelo braço no intuito de me inteirar de todos os acontecimentos.

— Então, amor como esta? to vendo que ótimo porque como você esta tão bonito meu amigo, to dando aula aqui agora passei no concurso a dois anos — ele sempre foi explosiva e as conversas com ela sempre foram longos monólogos, por que ela não da tempo pra respostas. — Ah, agora eu tenho uma sala, vem ver. — Bem já havia me dado por vencido com ela não tinha como. Já na sala dela, ela colocou um café pra ser feito na sua cafeteira e eu apenas respirei por que, sabia que seriam longos monólogos e algumas interrogações. — Nossa, agora eu lembrei, olha isso — Ela abaixou e pegou uma livro e na capa do projeto de um edifico o qual eu havia assinado e que na verdade foi co-produzido com uma serie de pessoas hiper talentosas na Holanda, um trabalho de escritório Dinamarquês que eu trabalhava— To usando nas minhas aulas, pra inspirar meus alunos, você é um orgulho para todos e seu trabalho, meu Deus, esta cada vez melhor acompanho o tabloide de arquitetura e você em tão pouco tempo conseguiu um reconhecimento monstruoso no norte da Europa. Amor você me orgulha tanto.

— Na verdade não é muita coisa, eu só estou fazendo a única coisa que eu sei fazer, Arquitetura — Ela estava estranha como se me escondesse alguma coisa. Isabel passou na prova de mestrado junto com o Antônio e até então eu não queria entrar nesse assunto, mas depois de quase duas horas de conversa regadas a café eu não me contive. — Isabel, você tem notícias do Antônio? — Ela me olhou, e um silencio reinou na sala, ela se levantou foi até a janela e disse :

— Você não sabe? — Nesse momento eu fiquei realmente sem entender.

— O que eu não sei? Me fala — ela foi novamente a cafeteira.

— Quer mais café?

— Não apenas me fala o que aconteceu! Eu to realmente ficando angustiado.— Ela se sentou novamente na cadeira que estava anteriormente.

— Bem, acho que ele não segurou bem o rojão quando você foi embora, ele largou o mestrado no final daquele mesmo ano, isso você sabe?

— Não, como assim largou o mestrado, eu falei com ele três vezes ainda depois de perdemos totalmente o contato e ele nunca se quer mencionou isso. — Eu estava tentando processar a informação.

— E continua, bem eu tentei falar com ele algumas vezes depois daquilo, tentei me aproximar, mais ele estava em rota de colisão consigo mesmo, bebendo muito, usando muita droga, além da maconha que eu sei bem que vocês usavam juntos na época. No final do mestrado em BH, três anos atras, eu encontrei com ele pela ultima vez, ele estava realmente acabado, magro, com mais tatuagens, e ele estava entrando em um prédio muito estranho na Afonso Pena, corri até ele e o puxei pelo braço, seus olhos estavam fundos, como os de quem não dormia a dias. E quando ele me viu a primeira coisa que ele me pediu, foi se eu podia emprestar a ele cinquenta reais — Nesse momento eu estava estático e com raiva, como assim ele chegou a esse ponto e ninguém me avisou — Bem, eu o arrastei até uma lanchonete sem que ele pudesse se quer protestar, ele sentou comeu dois salgados — ela respirou e secou uma lagrima que escorria do lado esquerdo do seu rosto, eu já chorava junto com ela — Bem, eu pergunte se devia ligar pra alguém se devia, ligar pra você e ele foi direto em dizer que não, que você esta vivendo seu sonho, sua vida e eu não devia te atrapalhar, ele saiu correndo eu tentei alcança-lo, porém não tive êxito. Cheguei a ir diversas vezes no apartamento que vocês moravam, mas pelo estado e pelo volume de correspondências na caixa de correio eu tive a certeza que ele não estava mais morando ali. Liguei pro Tiago e pro Márcio, mais eles mesmo haviam rompido por completo contato com ele por um episódio em que o Antônio socou o namoradinho do Márcio e ele teve que dar alguns pontos. Bem, essa foi a ultima vez que eu o vi. Depois eu voltei pra São João e desisti de procura-lo, me perdoa. 

— Não tem o que perdoar Isabela, bem na ultima vez que nos falamos ele me disse que estava morando com um cara que era dono de uma loja e que estava dando aula em uma Universidade particular em Belo Horizonte. Isso foi a mais ou menos três anos atras, ele falou rápido ao telefone, me ligou de surpresa era véspera de natal, e era um numero desconhecido. Ele terminou a conversa dizendo, “Não me procure mais, não me ligue e nem tente me achar, eu já te superei e espero que você tenha feito o mesmo”, depois simplesmente desligou na minha cara. Bem não preciso dizer que eu fiquei um pouco chocado, mas fui viver a minha vida, eu já esta namorando na época então e inconscientemente fiquei feliz por que ele estava bem, mas supera-lo isso é algo que eu nunca consegui fazer. — Eu estava estático, processando toda aquela informação, aquela conversa tinha acabado por ali, e eu não sabia o que fazer se pegava o carro e já ia pra BH dali mesmo, porém eu sabia que não era a melhor coisa a se fazer. 

— Guilherme, eu sei o que ele já representou na sua vida, mais eu acho que ele conseguiu se destruir e você não tem culpa nenhuma, se você quiser procura-lo ajuda-lo, faça! Porém, não se culpe. — Olhei a ultima vez pra Isabela,e ela me abraçou e me passou seu telefone e antes de eu sair da sala ela disse — Eu quero que você venha dar uma aula de história da Arquitetura comigo semana que vem. Se você esta atoa eu vou ocupar seu tempo. — Ela pegou minha mão e disse olhando em meus olhos — Fico feliz que esteja aqui de novo, você não sabe a falta que fez. Tenho certeza que todos nossos professores ficaram muito felizes em te ver. 

— Obrigado Bel, me liga, esse fim de semana eu vou a BH, mas provavelmente estarei de volta na segunda e será um prazer dar uma aula contigo.— Sorri e sai da sala, sempre foi bom conversar com a Isabel, mesmo pra me destruir ela me deixava mais calmo.

Já em casa, peguei o telefone as antigas agendas da minha mãe na procura do telefone da pessoa que provavelmente saberia o paradeiro do  Antônio, sua avô Beatriz. Minha mãe vendo todo o meu interesse nas sua s agendas telefônicas velhas, veio até mim.

— Filho o que você esta procurando? — ele se sentou do meu lado na poltrona da madeira ao lado do móvel em que estava o telefone.

— Mae, nesse tempo que você esteve fora, você teve algum contato com Dona Beatriz, a avô do Antônio. — Ela me olhou receosa, sabia que minha vinda aqui tinha alguma coisa haver com a existência do Comunista como ela sempre dizia, por que até então eu não havia vinda para o Brasil era permanente até por que nem eu mesmo sabia se era, eu vinha procurar o que nem eu mesmo sabia o que era, eu vinha por Antônio, sim, mas não apenas por isso. 

— Guilherme, Dona Beatriz esta morando no centro histórico de São João a um bom tempo. — ela saiu pegou um papel e la tinha o endereço, tomei o papel de suas mãos e observei atento, era fácil de achar.

— Mae, posso fazer uma pergunta? — ela simplesmente assentiu.

— Você viu o Antônio depois que eu fui embora? — Ela desviou o olhar por um segundo e sabia que não vinha coisa boa.

— Bem, depois que voce foi embora, um ano mais ou menos depois, ele veio aqui. — Fiquei confuso.

— Como assim aqui, aqui em casa? 

— Sim Guilherme, aqui em casa. — olhei pra ela sem entender nada — Devo continuar? — Assenti e ele continuou. — Bem, ele veio aqui em casa, ele estava alterado, era um tarde de sábado, estávamos apenas eu, sua irmã e Henrique, ela estava gravida de Maria, seu pai e seu cunhado haviam ido em uma viajem de pescaria em algum lugar. A campainha começou a tocar insistentemente, e eu e sua irma achamos que havia acontecido alguma coisa, fomos atender as pressas e era seu Antônio transtornado. — ela respirou, se levantou e disse — vamos terminar essa conversa na cozinha. — Caminhamos até lá e ela começou a mexer em algumas coisas, disse que faria pão de queijo, ela sempre fazia isso quando a conversa era muito tensa.

— Vamos mãe, continue.

— Bem, como eu disse ele estava transtornado, drogado provavelmente e me disse aos berros “Você esta feliz agora, consigo ver o quanto você esta feliz, sempre achou que eu não fosse pro seu filho”. Naquele momento eu fiquei sem entender nada. Ele continuou gritando coisas aleatórias e que não faziam nenhum sentido, tentei acalma-lo, porém ele esta transtornado demais, ele depois de gritar e aprontar o maior escândalo e por toda a vizinhança saiu correndo. — Ela se virou e começou a colocar o polvilho na tijela. — Bem, foi a ultima vez que eu vi ele. Liguei pra Dona Beatriz na época e ela pegou um voo e estava aqui antes da anoitecer. Ele levou ele de volta pra BH e nós mantivemos algum contato. Aquele ano em particular, o seu segundo ano na Dinamarca, foi um ano difícil para Dona Beatriz. Acho eu que ele veio pra São João pra morrer em pa.. — ela parou subitamente.

— Morrer em paz? O que você sabe? Desembucha. — Olhei pra ela que nesse momento já trabalhava na massa.

— Bem, Dona Beatriz esta lutando contra o câncer novamente, ele dela progrediu, mesmo tirando as duas mamas ele conseguiu se espalhar os médicos estão desacreditados e aqui pelo menos ela pode morrer longe dos problemas e do tumulto da capital.

— Meu Deus, porque ninguém me fala nada? Quer dizer porque vocês não me ligaram, eu teria vindo aqui na época. 

— Exatamente por isso meu filho, você esta começando a se entusiasmar com a Europa, tinha bons amigos, uma boa vida, o emprego dos seus sonhos. Eu tinha certeza que qualquer ligação que fizéssemos você tomaria o primeiro voo para o Brasil, e isso era tudo que não queríamos. — Mesmo chateado via razão nas palavras da minha mãe.

— Eu vou visitar Dona Beatriz, e sim eu vou procurar o Antônio.— Eu ja ia me levantando quando ela disse.

— Filho, a males que vem pra bem. — Olhei para ela uma ultima vez antes de me retirar, peguei o carro e estaria em dez minutos no centro. Eu só conseguia pensar em como as coisas atingiram esse extremo, quer dizer, Antônio viciado, agressivo, perdido, esse não é o mesmo Antônio, e tudo que eu podia pensar agora era como a rota de Colisão dele estava me ponto em rota de Colisão com tudo aquilo que foi mais difícil superar, ou quase isso.


Notas Finais


Não esta terminada, enfim achei que tinha uma boa historia e não uma merda total, eu escrevi alguns capítulos e mesmo que eu não esteja 100% motivada a escrever eu vou posta-los.


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