História Sobrevivência - Capítulo 9


Escrita por: ~

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Categorias Naruto
Personagens Deidara, Gaara do Deserto (Sabaku no Gaara), Hinata Hyuuga, Itachi Uchiha, Kiba Inuzuka, Naruto Uzumaki, Neji Hyuuga, Rock Lee, Sai, Sakura Haruno, Sasori, Sasuke Uchiha, Shikamaru Nara, Temari
Tags Akatsuki, Apocalipse, Drama, Lemon, Narusasu, Narusasunaru, Naruto, Outros, Sasodei, Sasunaru, Terror, Yaoi, Zumbis
Exibições 149
Palavras 6.034
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Lemon, Luta, Mistério, Romance e Novela, Survival, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência, Yaoi
Avisos: Bissexualidade, Canibalismo, Heterossexualidade, Homossexualidade, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Oi mores! Antes de ser massacrada pela demora, uma palavra justifica tudo: Vestibular!

To agarrada com Enem pra conseguir minha vaguinha em cinema, ser maior de idade não tá facil hahaha

Possivelmente o próximo capítulo só sairá depois do Enem. ):

Boa leitura, e comentem! Foi um trabalho grande fazer esse capítulo <3

Capítulo 9 - Deidara e Sasori


Meu coração estava a mil.

Podia sentir sua batida acelerada em cada canto do meu corpo, como se fosse explodir a qualquer momento.

A adrenalina era alta, mas vou confessar: Estava com medo, caramba. Não queria morrer! E também não podia deixá-lo morrer. Ficar sozinho em meio a um Apocalipse era arriscado demais.

Não havia tempo de olhar para trás. Mas podia sentir sua mão trêmula e gélida apertar a minha, então sabia que ele não tinha sei lá, levado um tombo, desmaiado, ou algo assim. Estava vivo ainda, pelo menos. Ou próximo disso.

Mas nossa situação não era favorável: Sasori havia sido baleado no ombro esquerdo, pelo visto perdido uma quantidade boa de sangue. Seus movimentos mais lentos, logo eu tinha que puxá-lo para não perdemos ritmo. Riscos altos de desmaiar pela hemorragia e pela dor. A sorte não estava exatamente ao nosso favor.

Cinco carros, cada vez mais próximos, nos perseguiam. Homens armados até o talo, tentando acertar em alguma parte não fatal para nos derrubar e capturar. Tínhamos uma leve vantagem no início, quando as balas não haviam acabado. Eu podia - e inclusive fiz isso - esbanjar meus talentos bélicos e de mira, um dom artístico, meus caros. Mas que agora, sem munição, não era pra lá de proveitoso.

Deveria imaginar que algo assim aconteceria. Não se torna um "desertor" de uma organização, um tanto quanto tirânica, e sai impune. Possivelmente assim que notaram nossa fuga, mandaram seus homens atrás de nós.

Ah, prazer. Deidara. 

Eu era membro da Akatsuki, uma organização que ganhou força após o caos mundial. Nosso líder, Pain, reuniu homens de todo mundo, cada um o melhor de sua área. Eu e Sasori entramos após o Apocalipse, então não temos informações certas do porquê ou quando foi criada. Nem de todos seus membros. Eles mantinham muita coisa em sigilo, só entre os principais da hierarquia.

Apenas alguns reuniam-se para debater ou receber ordens e afirmações do líder. De início foi-nos dito que seria tudo pela salvação da humanidade. Mas com o tempo medidas fascistas e ditatoriais eram cada vez mais tomadas, e isso custava várias vidas.

Eu era o único a discordar. O único a discutir, e o único a reclamar do caminho sangrento que a organização levava. Foi então que percebi que não tratava-se de ajudar as pessoas e acabar com a pandemia: Mas sim o jogo de poder.

Sasori, após uma reunião que gerou um conflito longo e uma crise nervosa minha - fruto de minha indignação - veio falar comigo.

Ele também era contra a atual Akatsuki.

Nunca havíamos conversado antes, no máximo um aceno educado de cabeça, como cumprimento. Não tinha escutado sua voz antes daquele dia. Ele não era o que chamamos de sociável. 

Não muito alto, não muito magro, não muito simpático. Cabelos ruivos cor de sangue, e um semblante apático que parecia ser o único que conhecia.

Eu definitivamente não ía com a cara dele. Mas em momentos como esse, toda ajuda e apoio é bem-vinda.

Não queríamos continuar participando daquele show de horrores. Não podíamos ver mais pessoas morrendo graças à organização. Não iríamos aceitar a tirania. 

Derrubaríamos a Akatsuki.

Ou morreríamos tentando.

...

Bem, de preferência sem a parte da "morte".

Nos reuníamos secretamente, pra não levantar suspeitas. Discordávamos em basicamente tudo, quando se tratava em planos e ações. Foram sérios riscos de nós dois acabarmos nos matando ali, antes mesmo de botar alguma coisa se quer em prática.

A saída foi fácil. Membros oficiais tinham passe livre para ir e vir, desde que fosse justificado antes ao líder. Mas, após não retornamos - uma semana passado o combinado - perceberam que desertamos. 

Logo botaram soldados atrás de nós, e, infelizmente, não foi pra lá de difícil de nos achar. Não conseguimos se quer sair do estado! Era um porre esse lance de sobreviver fora das proteções do Paraíso. Sem falar também que não somos do tipo discretos. 

E assim foi: O esquadrão de pau mandados nos localizou, tentou nos capturar de forma pacífica, resistimos. 

Um confronto bélico direto, vários deles derrubados - já disse que sou o mestre das armas? - bombas de fumaça por mim lançadas.

Tentativa de fuga em meio a confusão, boa vantagem em distância, perseguição em rua aberta. 

Outra vez tiroteio, Sasori atingindo, munição esgotada. 

E, isso posso dizer com toda certeza, estávamos fodidos.

Típico. Hm.

Chegava a ser ridículo competir velocidade com carros. Não havia se quer uma minúscula chance se dependêssemos exclusivamente disso. 

Mas havia um último recurso, e eu esperava apenas o momento ideal para usá-lo.

Nunca saiam de casa sem sua granada de estimação, crianças. 

Chegando ao fim da rua, parei, virando-me em direção à tropa. Sasori me olhou com uma expressão que juntava dor e confusão. Era até bom ver uma cara diferente vindo dele. Dei uma piscadela suave pro ruivo, que imediatamente entendeu que eu iria recorrer àquela opção.

Os carros pararam, e de um deles - o jipe negro do meio - saiu o que parecia ser o comandante da missão. Andou um pouco a frente dos automóveis, em uma certa distância de nós dois. Sinalizou para que os demais soldados abaixassem as armas.

- Vejo que finalmente resolveram desistir. - Pronunciou o líder mal encarado, retirando os óculos escuros do rosto e pondo-os na gola da farda negra. - Viram afinal que não tinham chance contra a Akatsuki?

Sorriu de lado, como quem estivesse prestes a dar o xeque-mate.

- Meros soldados subestimando a elite. O que acha disso hein, Sasori?! - Provoquei-os com animação. Ao completar a frase dei um tapa no ombro do meu parceiro, esquecendo que estava baleado.

- SEU FILHO DE UMA P.. - Esbravejou o peculiar homem ao meu lado, que tombava ao chão buscando apoio em minha cintura.

- Foi mal, foi mal. - Ri de nervoso. Ao tentar ajudá-lo, fui impedido.

- Não mexa-se. Deixe-o no chão - Ordenou o comandante, ríspido. - Como dois idiotas iguais a vocês entraram na Akatsuki? Deite-se também, vamos prendê-los. Qualquer movimento brusco e morrerão antes de conseguir piscar.

Ok, isso atrapalhava um pouco as coisas. Na verdade muito. 

Pensa, Deidara, pensa. 

Droga! Como vou pegar a granada na cintura, tirar o pino e jogar neles sem antes levar uma bala na cabeça antes?

Eu estava tenso, e isso era perceptível. Senti um aperto em minha canela. Olhei para baixo e Sasori sorriu levemente - primeiro sorriso que vejo vindo dele. Então vi o conteúdo em sua mão, apenas eu conseguia enxergá-lo.

- É, comandante. Parece que o jogo virou, não é mesmo? - Comecei a me abaixar como o ordenado.

- Sim, e agora ele acabou. - Os homens já vinham em nossa direção.

E, usando toda minha agilidade, agarrei Sasori em meus braços, enquanto ele lançava a granada em direção dos inimigos.

Sabe aquela hora que ele tombou por conta do tapa no ombro? Então. Havia simulando para aproveitar a chance de pegar a bomba de minha cintura. Não é que o Akasuna é esperto, hm?!

Todos vidraram na granada que voava pelos ares, enquanto eu corria com Sasori em meus braços em direção a um beco ao nosso lado. 

Ouvi gritos e passos desesperados, que foram seguidos de um barulho alto de explosão. Por conta do combustível dos carros, outras séries de explosões sucederam-se, e o som era ensurdecedor. 

Ele estava cada vez mais pálido e frio, já não conseguia manter os olhos abertos. Gastou o resto de energia que possuía ao atirar o explosivo.

Ele não podia morrer.

Definitivamente não podia.

Eu não saberia me virar sozinho, caramba.

Aproveitei o caos para guiar-nos até a porta dos fundos de uma casa abandonada. Logo os homens que restaram iriam em nossa busca novamente, então precisávamos nos esconder. 

Antes de entrar, peguei um pedaço de madeira com pregos na ponta, que repousava ao lado da entrada. Tinha que estar preparado caso aparecesse algum desgraçado morto. 

Estava destrancada.

Suspeito.

Estava tudo escuro, então não consegui reparar em seu interior. Apenas em uma pequena luz distante que entrava pela janela de vidro, então pude deduzir que o local era grande.

- Me bote no chão. - Balbuciou meu parceiro, quase inaudível. 

- Ah, certo. - Sentei-me no assoalho, pondo seu corpo sob minhas pernas, e abraçando-o. Abandonando a madeira ao lado.

Apertei com força seu ferimento, na intenção de estancar o sangramento. Continuei a pressão mesmo com seus gemidos altos de dor.

- Calma aí, carinha. Logo a gente vai sair dessa, não desiste. - Minha preocupação aumentou. Eu não fazia a menor ideia de como curar um ferimento, e temia que fosse necessário uma transfusão de sangue. - A gente ainda tem muito pelo que brigar, aguente firm-...

Me calei imediatamente ao sentir algo pressionar a parte traseira de minha cabeça. 

Cessei a respiração.

Suava frio, e juro que podia ouvir apenas a batida descontrolada do meu coração naquele instante.

- Não mexa-se. - A voz firme ressoou pelo cômodo largo. 

Percebi então, que era uma arma contra minha cabeça, pronta pra estourar meus miolos a qualquer instante. 

- Quem são vocês, e o que fazem aqui? - A voz continuou, inabalável. Fechei os olhos e suspirei, tomando coragem para pronunciar algo.

- Me chamo Deidara, e ele Sasori. - O silêncio em seguida mostrou que eu deveria continuar. - Escapamos do Paraíso, porém meu companheiro foi baleado no ombro e perdeu muito sangue.

- E as explosões lá fora? - A arma foi pressionada com mais força contra mim.

- É, ah, soldados da.. Da Akatsuki. - Estava nervoso demais para conseguir montar uma frase lógica - Eles, eles vieram atrás de nós, houve confronto e meio que os explodimos. - Dei um sorriso desesperado.

Uma risada baixa foi ouvida, e minha cabeça ficou livre de ameaças logo em seguida.

- Inimigos da Akatsuki são meus amigos. - Finalizou.

Virei meu corpo um pouco, tentando não movimentar Sasori, e o vi guardando a arma no coldre. 

Olhei finalmente para o seu rosto. Parecia ser jovem, no máximo vinte anos.

Grandes olhos azuis.

Loiro, cabelos bagunçados.

Um sorriso encantador.

Realmente, ele era lindo.

- Prazer, Naruto Uzumaki. - Estendeu a mão em minha direção.

- Adoraria te cumprimentar - Ô, se adoraria. - Mas minha mão tá um pouco ocupada no momento.

Apontei com os olhos para o ombro baleado que eu tentava impedir a hemorragia de continuar. Percebi então, que Sasori estava desacordado.

- Ei, Sasori, acorda cara! Sasori! - O sacudia levemente, o desespero começou a tomar conta de mim. - Vamos lá, Akasuna, você é mais forte que isso. Aguenta, por mim!

- Sakura, desça aqui agora com equipamentos de primeiros socorros! Temos um ferido. - Gritou o tal Naruto, mas eu não conseguia dar muita atenção.

Apertava Sasori entre meus braços com mais força, como se isso fosse impedi-lo de partir. 

Uma moça, também jovem, de cabelos rosados surgiu com uma maleta médica. Agachou-se ao meu lado. 

Primeiramente testou o pulso de Sasori: - Está fraco. - Sussurrou.

- Naruto, ferva água e chame Kiba e Hinata. Vou retirar a bala agora. E você - Me olhou pela primeira vez, o loiro já havia ido obedecê-la - Deite-o sobre a mesa de madeira, depois suba e aguarde. Não podemos com distrações.

Levantou-se acendendo as luzes, o que me permitiu localizar a tal mesa. Com cuidado o repousei sobre ela.

Nesse instante chegaram um moreno alto e uma garota de aparência delicada. 

"Esteja preparado para casos de parada cardíaca" disse a médica ao quem parecia ser o Kiba. Gelei.

- Ele vai sobreviver? - Perguntei após um tempo observando todos objetos serem postos para operação.

- Faremos nosso melhor. - Sakura apertou meu ombro esquerdo, em apoio. 

- Gaara, leve ele até meu quarto, e fique atento a qualquer movimento suspeito - Pude ouvir Naruto sussurrar para um jovem que descia as escadas. 

- Vamos, vai ficar tudo bem. - O ruivo me chamou para cima, em tom frio.

Dei uma última olhada para trás, vendo a face relaxada de Sasori, enquanto Hinata retirava sua camisa com cuidado. Suspirei e subi. 

 

 

 Meia hora já havia se passado.

Gaara conseguia ser ainda mais silencioso e neutro que Sasori. Seria um mal de pessoas com cabelos avermelhados?

- Então... Vocês são uma milícia, organização ou algo assim? - Tentei puxar assunto pela milésima vez. O silêncio incomodava.

- Resistência. - Foi direto. Bem direto na verdade.

"Brincava" com um canivete borboleta, enquanto encarava-me vez ou outra. Eu estava sentado sobre a cama, e ele encostado a porta esperando alguma notícia. 

- E estão resistindo ao o quê?

- Akatsuki. - Dessa vez fitou-me por alguns segundos, o que me fez tremer um pouco.

Que pessoinha aterrorizante, Senhor.

- Ah, entendi. Hm, legal... Isso aí. - Deu claramente pra ver que eu fiquei nervoso. E ele percebeu.

Será que iam meio que querer me matar se soubessem que eu era um antigo membro ou torturar em busca de segredos? Porque olha... Eu sei provavelmente menos que eles.

Instantes de silêncio.

- Por que Akatsuki estava atrás de vocês? - Segurou firme o canivete, com um tom de voz ameaçador.

Me sinto no inferno com o próprio Diabo.

- Nós éramos... moradores do Paraíso. Desertar é contra as leis, então vieram atrás de nós. - Não era totalmente mentira, só ocultei a informação principal. 

- Hm. - Relaxou, finalmente. Já não aguentava mais a tensão.

- Deveriam ficar atentos, - Continuei arriscando em um conversa, tive sua atenção. - Possivelmente alguns dos soldados sobreviveram as explosões e estão em nossa busca, ou esperando reforços.

- Naruto já ordenou aos Inglórios livres para ficarem de guarda. - Dessa vez manteve o olhar no corredor.

- Inglórios, hm? Assim que vocês se chamam? 

Apenas balançou a cabeça em afirmativa.

- Legal... - Disse baixo, deitando-me e encarando o teto.

O tempo passava e as notícias sobre Sasori simplesmente não apareciam.

Eu já estava prestes a ter uma crise de ansiedade, quando Sakura apareceu na porta. Suas vestes brancas estavam cobertas por sangue. Seu rosto parecia cansado.

Mas ela sorria, doce. E isso me tranquilizou.

- Então, como foi? - Levantei-me apressado, indo até ela. 

- A cirurgia ocorreu bem. Ele chegou a ter uma parada cardíaca mas...

- Pera, como assim?! - Atropelei sua fala. Teria algo acontecido com ele?!

- Calma. - Apertou meu braço, passando confiança. - Kiba conseguiu fazer a massagem cardíaca, a agora sua situação é estável. Apenas terá que ficar em repouso e tomar remédio controlado. Espero que você possa cuidar dele.

Abri um sorriso enorme, e a abracei com toda força, levantando-a e rodando: - Obrigado! Vocês são maravilhosos!

Gaara via tudo em silêncio, com um sorriso mínimo nos lábios, que tentava disfarçar virando o rosto ao lado oposto. 

- Onde ele está? Posso vê-lo?

- Primeira porta no corredor. Está dormindo sob efeito de medicamentos, mas pode ir se quiser. - A jovem médica abriu passagem.

Saí em disparada. Entrei no quarto em silêncio, para não acordá-lo.

Dormia tranquilo, suas roupas foram trocadas e seu corpo foi limpo. O ombro estava enfaixado e uma bolsa com soro fora colocada ao seu lado em um apoio, sendo injetado diretamente em suas veias.

Aproximei-me em passos lentos, observando-o com calma. Parecia outra pessoa assim, inconsciente. A face tranquila, a respiração lenta, a boca entreaberta, bochechas agora coradas - diferente da palidez que encontrava-se a pouco tempo atrás.

Esse realmente era o mesmo Sasori?

Ajoelhei ao seu lado e observei atentamente. Estava feliz por ele ter resistido.

- Não vai ser agora que vou me livrar de você, hm? - Passei a mão em seus cabelos avermelhados.

- O que está fazendo, imbecil? - Sussurrou, ainda de olhos fechados. Isso me fez assustar de leve.

- Preferia você desmaiado. - Sorri abertamente, mesmo que ele não visse - Tivemos sorte. 

- Obrigado por não me abandonar. 

Me espantei com aquelas palavras, e fiquei sem reação por alguns segundos.

- Que tipo de homem pensa que sou, cara? - Me fingi ofendido. - Quem eu empurraria aos zumbis quando precisasse escapar futuramente?  

E pela primeira vez, ouvi uma risada, mesmo que baixa, vindo de Sasori. 

Ele abriu os olhos, e nos encaramos por instantes. Podia ver sinceridade em seu olhar. E o sorriso que ali continuava.

- Não me assuste mais assim, ok? - Disse me levantando. Já estava começando a ficar um pouco estranha a situação. - Vou te deixar dormir, mas logo venho pra te atormentar.

O ruivo balbuciou algo, e logo voltou a dormir. 

 

Cinco dias haviam se passado. 

Eu havia ficado cada vez mais próximo dos Inglórios, e já conhecia melhor cada um deles. 

Naruto sempre nos tratava da melhor maneira possível, e nos ofereceu para participar da resistência.

Aceitamos, claro. Porém sem dizer sobre quem éramos antes de pararmos aqui, tínhamos medo da rejeição. O ódio deles pela Akatsuki era grande demais.

Minha relação com Sasori havia melhorado bastante. Passávamos horas conversando sobre quaisquer bobagens, enquanto ele repousava. 

Quer dizer, eu falava e ele resmungava.

Mas ele, para mim, não era só mais uma companhia para o fim do mundo, ou o carinha estranho na mesa de reuniões da organização. Era alguém de valor na minha vida, que eu não queria perder. 

Nos tornamos amigos. 

Não combinávamos. Sempre discutíamos por coisas bobas. Trocávamos ofensas a cada cinco minutos, e no final riamos de nós mesmos. Tudo estava dando certo.

Eu não me sentia mais sozinho.

Mas ao mesmo tempo, algo estava estranho.

Por que a Akatsuki não havia vindo atrás de nós ainda?

Estávamos prestes a nos locomover para o Sul, já que Sasori havia se recuperado quase que totalmente, apesar de ainda tomar remédios para dor e não poder fazer força. Todos estavam organizando os preparativos para nossa partida, enquanto eu ajudava Sasori a se trocar.

Sempre ficávamos envergonhados nessas horas, confesso. Mas ao mesmo tempo eu admirava sua beleza única, de forma despistada. Era de fato encantador, e eu não pretendia admitir isso em voz alta. 

- Quero ver como vai me pagar por ser uma babá tão eficiente. - Tentei descontrair, enquanto o vestia com uma camiseta preta, tomando cuidado com seu ombro.

- Tenho umas ideias de pagamento. - Provocou Sasori, me olhando com um olhar um tanto quanto malicioso. Isso me deixou sem reação por um tempo. 

Ele estava dando em cima de mim?!

Antes que eu respondesse, a campainha tocou.

Nos encaramos, desconfiados. Aquilo era estranho. Até onde eu saiba, não existia vizinhos vivos por aqui para tocar a campainha e pedir uma xícara de açúcar.

Nesse instante, um dos membros, Shikamaru, apareceu na porta com uma AR-15 em mãos. 

- Deidara, fique aqui com Sasori, e só apareça em casos extremos. Todos estão aqui, então possivelmente há inimigos lá fora. Não sabemos qual é o jogo deles, mas tomaremos conta disso. - Pensei em dizê-lo que eu era ideal para conflitos bélicos, mas isso levaria a outras perguntas. Shikamaru era esperto demais para não desconfiar. - Na gaveta do criado mudo tem uma pistola. Sabe como usar?

Era até engraçado me perguntarem isso. Apenas acenei com a cabeça que sim. Peguei a arma e sentei-me ao lado de Sasori, esperando alguma primeira ação.

- Será que são eles? - Disse o homem, tentando não aparentar preocupação. Mas dava pra notar o tique em sua perna, que não se aquietava. Sinal de ansiedade.

Suspirei, e nisso pôde entender minha resposta.

- Não nos livraríamos tão fácil. 

Conferi a arma, cinco balas. Destravei, deixando-a pronta para qualquer combate. Tudo com certa dificuldade, por estar trêmulo pelo nervosismo.

Nesse instante senti a mão de Sasori contra minha, em um aperto gentil.

- Eu estou aqui, não se preocupe. - Com a mão livre, pôs minha franja atrás de minha orelha, tirando-a do meu rosto. 

Acalmei instantaneamente, e me senti mais confiante. 

- Obrigado.

Os acontecimentos seguintes foram rápidos:

A porta se abrindo.

Sons de tiros incessantes.

Barulhos de coisas se quebrando.

Gritos de vozes desconhecidas.

E, após minutos agonizantes...

Veio o silêncio. 

E o silêncio continuou.

E o silêncio não acabava.

E o desespero apertou.

- Vou ver o quê está acontecendo lá embaixo. Fique aqui. Se eu demorar, esconda-se em algum lugar ou até tente pular alguma janela. - Levantei-me, com toda coragem que possuía. Não era hora de fraquejar.

- Chega até assustar vê-lo tão sério e determinado. - Sasori também levantou-se, com feição levemente entristecida.

Antes de sair, sorri para e ele e pisquei: - Você sabe né, que por dentro eu tô me cagando, hm?

Rimos. Ele do jeito peculiar dele.

E só ouvi um baixo "imbecil" quando andava pelo corredor.

Aos passos lentos caminhei até a escada. Respiração descompassada, suava frio. Avistei parte do andar debaixo, que de início aparentou estar vazio. Mas não tive essa sorte.

Estavam todos rendidos, deitados ao chão com homens armados em sua volta. Menos o Uzumaki.

Naruto estava amarrado em uma cadeira, e um homem de terno em sua frente. Este carregava uma faca em sua mão. Não consegui identificar de início quem era, mas quando se virou pude ver.

Kisame. Dentes afiados, tatuagens de tubarão por todo corpo, cabelo azulado. Um sádico do caralho.

Torturar pessoas era quase um hobby. Sempre que necessário ele que arrancava informações de prisioneiros no Paraíso. Poucos sobreviveram. E meu estômago revirava ao ver Naruto como sua próxima vítima.

- O que temos aqui, hein? - Passava a faca de leve pelo corpo do garoto, sem cortar. Apenas intimidando. - Então você é o líder desses pirralhos revoltados?

- Não nos subestime. - Esbravejou o loiro entre dentes. Tentando se afastar das lâminas, inutilmente.

Eu não fui notado. A escada não tinha seus lados abertos, então ali me agachei observando até onde iria aquilo tudo, pensando em um jeito de agir. 

- Que gatinho nervoso. - Riu, coçando o próprio queixo. - Pessoas como vocês são os que mais gritam quando a brincadeira começa. Música para meus ouvidos. 

Naruto arregalou os olhos, vacilando por instantes. Mas logo voltou para a postura corajosa e confiante. Era do tipo que não se abalava fácil. 

- O que você quer aqui?! Não vá me dizer que veio apenas atrás de uns pirralhos. - Sorriu de lado, desafiando o homem alto a sua frente. 

Kisame segurou o rosto do Uzumaki com força, o apertando entre suas mãos. Obrigou-o olhar em seus olhos, com as faces bem próximas.

- Deidara e Sasori. Onde estão e o quê falaram pra vocês sobre a Akatsuki. - Foi direto, sem rodeios. - Quanto mais rápido me dizer, menos doloroso será.

Engoliu seco. Assim como eu também. Se mandaram Kisame atrás de nós, é porquê as coisas estão realmente tensas para nosso lado.

Deus, eu só queria uma droga de vida normal. Sem zumbis, sem organizações tirânicas, sem apocalipse. É pedir demais?!

- Não nos falaram nada, e quanto a localização deles, temo que não poderei ajudá-lo. 

- É feio mentir, sabia? - O aperto tornou-se mais forte, fazendo Naruto dar um leve gemido de dor - Pelo visto vou ter que arrancar as informações a força. 

Nesse instante Uzumaki olhou em minha direção, sendo o primeiro a notar minha presença. Desviou o olhar rápido, para que outros não vissem.

- Boa sorte nisso. - Piscou. 

Definitivamente ele era uma pessoa incrível. E estupidamente corajosa.

- Você realmente parece um gatinho, sabia? Esses olhos grandes, "pelo" macio. - Puxou os cabelos loiros. - Se acha independente e feroz, enquanto na verdade é só um filhote assustado. Mas sabe o que falta pra virar um gatinho completo? - Passou a lâmina levemente pelo rosto liso e macio do jovem. - Bigodes.

E então, o terror começou. 

Kisame, com a faca, fez o primeiro corte profundo em uma das bochechas de Naruto. Os gritos desesperados ecoaram por toda sala, enquanto os outros membros do Inglórios tentavam implorar para o homem parar com a tortura.

- Vou perguntar mais uma vez: Onde estão Deidara e Sasori, e o que eles falaram sobre a Akatsuki? - Afastou-se. O sangue escorria forte pelo rosto bronzeado. 

- Não falaram nada. - A confiança na fala não se abalava.

Nem esperou um segundo que fosse, e fez o segundo corte - abaixo do primeiro. Cortava a carne lentamente, vendo o tom vermelho tomar conta da face do garoto. Apertava com força os cabelos loiros, para a cabeça não se mover. Disse que queria que tudo saísse simetricamente, um trabalho perfeito.

E assim se repetiu mais três vezes.

Cinco cortes no total, três em um lado, dois no outro.

Naruto já estava visivelmente tonto, e completamente sujo pelo próprio sangue. Ouvia-se choro baixo de algumas meninas da resistência. Era uma cena agonizante.

Kisame poderia simplesmente mandar um dos soldados patrulhar a casa e nos capturar. Mas queria que Naruto entregasse seus próprios companheiros. Queria ver seu sofrimento e sua rendição. Passar de um homem íntegro para um rato sem palavra. Um traidor.

Além do mais cobrava informações que ele simplesmente não possuía. Uzumaki não sabia que éramos da Akatsuki, logo tudo que ele passava por nós e resistia, era em vão. Mas simplesmente não havia nada que eu poderia fazer.

- Vamos lá, sua penúltima chance antes de eu cortar esse seu pescocinho. - Já posicionou a faca em seu rosto. - Onde aqueles dois então e o que eles falaram sobre a Akatsuki?

- Não falaram nada, porra! - Gritou. - E por que falariam? Quem são eles afinal?!

- Ó, então é isso. - Riu, mostrando os terríveis dentes afiados. - Aqueles traidores nem se deram ao trabalho de falar que são membros que desertaram da organização.

Meu sangue gelou. 

- Co-como assim? 

- Aposto que usariam vocês como soldadinhos para tentar derrubar a Akatsuki, tomariam o poder dos Estados Unidos, e os matariam na primeira oportunidade - Falava rindo, enquanto fazia o último corte. Dessa vez Naruto não gritou, apenas me fitou mais uma vez. 

Podia ver a decepção estampada em sua face. Balancei a cabeça em negação, prestes a derrubar lágrimas. 

Era mentira!

Não poderia deixá-los machucar e enganar aqueles que me acolheram tão bem.

Não poderia deixá-los capturar Sasori, muito menos fazê-lo sofrer.

Tudo naquele instante dependia de mim, e eu tinha que agir, mesmo que apenas com cinco balas.

Mas eu era um artista, certo? E se fosse para morrer, que fosse executando minha obra.

Senti uma mão apertar de leve meu ombro. Virei para trás, assustado e já preparado para atirar. Então encontrei com um par de olhos brilhantes e preocupados.

"O que faz aqui?!". Nos comunicávamos por leitura labial.

"Demorou muito, achei que tinha acontecido algo."

"Vai acontecer agora, suba." 

Ele era doido?! Queria levar outro tiro ou algo assim? Esse povo as vezes não tem noção do perigo.

Enquanto eu me indignava mentalmente por ele se arriscar tanto, Sasori pôs as mãos em minha face, me pegando de surpresa, colou nossas testas, e sussurrou em um tom incrivelmente baixo: "Eu acredito em você".

Em seguida, colou nossos lábios rapidamente, e uma onda de calor correu por meu corpo, enquanto a boca macia era pressionada contra a minha.

Antes que eu conseguisse racionar o que hava ocorrido ali, ele subiu, deixando-me paralisado com cara de besta e sorriso bobo. Deus, esse garoto é no mínimo incrível. 

Foco, Deidara, foco. 

Mas confesso, que agora, estava mais determinado do que nunca.

Me voltei novamente para frente, e vi que Kisame ainda falava algumas bobagens, tentando voltar os demais contra eu e Sasori.

Eram dez homens no cômodo largo. Três deles estavam armados com P90, uma submetralhadora com tiros rápidos e grande carga para munições. Os demais carregavam shotgun, uma arma no estilo 12, de calibre extremamente alto e estrago fatal, porém de engatilhamento lento e necessário a cada tiro, além de carga de apenas 8 balas. Péssima para confrontos que agilidade era o essencial. 

Claramente, sem mim para organizar a parte bélica da Akatsuki, eles não fazem a menor ideia do que estão fazendo.

Um dos usuários da P90 estavam próximos a mim. Então já bolei um plano imediato.

Kisame estava prestes a cortar pescoço do Naruto, que tentava ao máximo não desesperar-se.

- Ei, dentuço. Acho que é a mim que você quer. - Chamei sua atenção e de todos os demais da sala.

- Olha se o rato fujão não apareceu? - Afastou-se de Naruto, virando-se para em minha direção. - Decidiu finamente entregar-se.

- Hm, na verdade tenho uma ideia melhor.

Ergui a pistola, e em um tiro certeiro, a bala cravou bem no meio de sua testa. Antes que o cadáver caísse ao chão, puxei pelo pescoço um dos soldados que encontrava-se próximo ao corrimão, atirando imediatamente em sua cabeça. Usei seu corpo como escudo para os demais tiros vindos dos outros. 

Retirei rápido a P90 de seu corpo. Subi um pouco mais as escadas, ficando o mais distante do primeiro andar que fosse possível para conseguir também atingi-los. Um tiro de 12 fazia um estrago enorme, logo não seria o concreto da parede que me impediria de ser ferido.

Primeiro derrubei aqueles que portavam a mesma arma que capturei, já que eram os que poderiam agir mais rapidamente e acertar um tiro fatal. 

Em seguida foi tentar esquivar ao máximo dos tiros da 12, me movimentando assim que ouvisse os "clac" típicos de sua engatilhagem. 

Pouco a pouco os homens iam caindo, enquanto os próprios membros do Inglórios levantavam-se e entravam no confronto com as armas que foram obrigados a soltar quando rendidos. 

Vi Temari puxando a cadeira que Naruto estava, levando-a para trás de uma parede distante de tudo. Ele estava quase desacordado. 

Nesse meu desatento, um tiro foi acertado perto de mim, e os escombros do concreto despedaçado fincados em meu corpo. Pelo calor do momento, a dor foi suportável, e como não foram fundos, não precisaria de um cuidado especial. Apenas atirei contra o coração do soldado, morto antes de conseguir concluir um segundo tiro.

Desci as escadas apressado, para chegar se todos inimigos haviam sidos derrotados, e se algum dos aliados ferido.

Todos olhavam-me frios, outros visivelmente decepcionados. Aquilo realmente machucou. Fui até Naruto, que estava sentado no chão, com Sakura analisando seus ferimentos. 

- Naruto, está tudo bem? - Tentei me aproximar, mas imediatamente Temari me pressionou contra a parede com uma cara nada boa.

- O que pensa que está fazendo?! Fique longe dele e de nós. - A cada palavra o aperto aumentava, quase sufocando-me.

- Temari, pode deixar. Quero ouvir o que ele tem a dizer. - A voz de Naruto era fraca, e alguns gemidos doloros eram ouvidos, já que a médica pressionava um pano com álcool contra os cortes profundos.

Ajoelhei-me próximo a ele, ignorando também o olhar fuzilante da Haruno. 

- Naruto, eu.. Eu só fiquei com medo de ser rejeitado, morto ou algo do tipo. Eu e Sasori tínhamos acabado de escapar, precisávamos de ajuda. - Eu atropelava algumas palavras na ânsia de convencê-lo.

- E por que deveríamos acreditar em quem já mentiu uma vez? - Ele estava sério.

Engoli seco.

- Porque as pessoas erram. E um dos meus erros foi aceitar fazer parte da organização. Eu realmente achei, assim como Sasori, que buscavam a salvação do mundo. Fomos inocentes, e na primeira oportunidade fugimos, não queríamos fazer parte daquilo. Não temos grandes informações sobre a Akatsuki, mas tentaremos ajudar no máximo possível. Vocês foram aqueles mais próximos de uma família que já tive, e realmente gostaria de continuar fazendo parte disso, e ter seu perdão. - Qualquer lágrima formada no canto do meu olho nesse instante, é claramente culpa de um cisco. Já deixo avisado.

O Uzumaki escutou cada palavra, analisando cada sílaba. E um silêncio instaurou-se no local.

Eu tremia em ansiedade por sua resposta.

- Antes, preciso saber de uma coisa. - Finalmente falou algo, e eu gelei esperando a continuação. - Onde você aprendeu atirar assim, cara?!

O riso de todos soou como uma sinfonia, e ali percebi que fui de fato aceito do jeito que era, mesmo com os erros que cometi. Expliquei também toda situação para eles, todas reuniões, as minhas especialidades e a do Akasuna, todos membros que conhecia. Todas informações que tive acesso.

- Prontinho, mas já aviso, as cicatrizes serão permanentes. - Disse Sakura finalizando os curativos.

- Olha só, quando fomos reconhecidos como uma resistência forte, Naruto poderá ser o "Gato", nosso grande líder. - Riu Temari, debochando dos novos bigodes do loiro.

- Engraçadinha. Mas não soará nem um pouco intimidador ser conhecido como um felino doméstico. - Respondeu Naruto, fazendo cara de triste ao imaginar-se realmente levando tal apelido.

- Poderia também ser uma raposa. - Ousei falar. - São ágeis, espertas, fortes e fiéis à matilha. Acho ideal.

- Por isso gosto de você Deidara. - Riu Naruto.

- Kurama. - Uma nova voz surgiu no cômodo. Era Sasori, um pouco tímido diante os olhares. - O grande Kurama.

Tal alcunha foi aprovada por todos.

 

Já era noite. Nosso último dia ali antes de partir, já que a viagem foi adiada para os feridos se recuperarem melhor.

Fui até o quarto de Sasori, usando a desculpa de querer saber se ele precisava de algo. A verdade é que desde aquele beijo, mesmo que rápido, eu só conseguia pensar nisso.

Bati na porta de madeira, e entrei sentando-me ao seu lado na cama. Lia um livro que Hinata o emprestou, mas ao me ver deixou-o de lado.

- Como você está? - Passei a mão em seus cabelos avermelhados, com carinho.

- Mais tranquilo. - Sua expressão, apesar de ainda ser fria, aos poucos tornava-se mais receptiva e calorosa, pelo menos ao meu lado.

- Conseguimos escapar de vez, hm?! - Me animei.

- Por enquanto.

- Como assim, por enquanto? - Sério, esse cara não consegue ficar de boa uma vez na vida?

- Estamos em uma resistência em um apocalipse zumbi. Confrontos e risco de vida serão quase que diários. - Falou com desinteresse, como se a morte e perigo fosse algo irrelevante.

- Caramba, que pensamento positivo? Estou super animado e feliz agora. - Ironizei, revirando os olhos.

- Mas dessa vez será diferente. - Completou um tempo depois.

- E por que? - Eu já não dava tanta atenção, remexia meus cabelos longos como distração.

- Porque agora temos um ao outro. 

Meu coração acelerou, virei para ele, e ele me fitava com um sorriso leve. Abri o maior que consegui, e saltei em sua direção, basicamente, abraçando-o com força deitando sobre ele.

- Que fofo ele, gente! Nem parece que não tem emoções. - Espremi mais ainda, rindo de sua tentativa de afastar-me de si enquanto fazia caretas de indignação, e talvez dor.

- Porra, Deidara, meu ombro, seu imbecil! - Reclamou quando pressionei seu machucado no aperto, sem querer.

- Ah! Desculpa, desculpa. - Afastei, ficando de quatro sobre seu corpo. 

Ficamos nos encarando por segundos, até que dessa vez, tomei iniciativa. Desci lentamente a cabeça, encontrando nossos lábios. Ouvi seus suspiros, e sua mão subiu até minha nuca, dando ali uma leve apertada. Me senti mais quente. Sua boca abriu levemente, e nossas línguas tocaram-se. Pude perceber seu coração acelerado, assim como o meu. 

O beijo foi lento, carinhoso. 

Com pausas para selinhos, carícias e sorrisos calorosos.

- Acho que estou me apaixonando por você - Finalmente tive a coragem de dizer aquilo que por um tempo guardei para mim.

- Acho que já me apaixonei por você - Respondeu ele, fazendo com que eu naquele instante fosse o homem mais feliz do resto de mundo que ainda existia. 

E então, voltamos a nos beijar. 

Cada vez mais profundamente.

Mais intensamente.

Mais apaixonadamente.

...

E mais eroticamente, confesso.

Mas saber que agora eu tinha alguém para dividir uma vida, assim como amigos ao meu lado e um objetivo, me dava forças para encarar o que fosse e continuar. 

E, assim, não seria fim do mundo, apocalipse, mortos vivos, milícias ou Akatsuki que me impediram de ser feliz.

Agora, com licença leitores. Até o próximo, pois tenho um assunto importantíssimo para finalizar.  

 


Notas Finais


Esperando o comentário de vocês! Foi o capítulo com mais palavras e trabalho pra fazer, então eu ficaria muito feliz de ler a opinião de vocês sobre ele.

Obrigada!


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