História Sobrevivendo ao ensino médio - Capítulo 4


Escrita por: ~

Postado
Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol, D.O, Kai, Kris Wu, Lay, Sehun, Suho, Tao, Xiumin
Tags Chanbaek, Colegial Exo, Exo, Kaisoo, Lemon, Yaoi
Visualizações 92
Palavras 4.348
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Lemon, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Yay! Eu sei que sumi, mas tô de volta, amém!
Eu não vou fazer textão nas notas inciais nem nada, pra não postergar a lida do chap.
aaah, um avisinho aqui, no capítulo tem uma surpresinha :3

Capítulo 4 - A guerra de corretivos nunca acaba


 Quando se está no ensino médio é necessário saber uma pequena coisa:

Existe uma hierarquia gigantesca que é definida entre os que ascenderam socialmente, e os fracassados. Costumava chamar essa hierarquia de cadeia alimentar. Esta cadeia era composta por várias subclasses. Os famigerados fracassados é o grupo mais categórico, ao contrário dos ricos, estes, são apenas ricos, babacas com complexo de superioridade e extremamente bonitos.

MinSeok, JunMyeon, KyungSoo e eu estávamos nos neutros. Sim, aquele típico grupo de pessoas que não se metia com ninguém e que ninguém mexia. Entretanto, era só alguém incomodar um de nós, que partíamos para cima com unhas e dentes.

Menos JunMyeon, porque ele é de humanas.

No topo dessa cadeia alimentar, estava JongDae. O riquinho nariz em pé que todo mundo temia irritar. Uma perfeita Barbie neurótica e psicopata, uma versão coreana e fascista.

Numa segunda feira depressiva qualquer (aquele típico dia chato que tá geral morto), JongDae havia dado sinal verde a um grande conflito – com certeza o maior do ano – quando ele ousou encher a mochila de MinSeok com o conteúdo do cesto de lixo da sala. Claro, não ficou por isso. O meu querido Kim – o preferido – vingou-se ao derramar refrigerante no caderno de desenhos do nosso arqui-inimigo, que deu sua réplica ao pintar a capa do caderno de MinSeok com corretivo.

Resumo? Uma advertência e um cabelo preto.

MinSeok estava completamente puto, fora que estava um bocado estranho com os cabelos escuros. O diretor havia afirmado que ele estava passando dos limites e que necessitava urgentemente de rédeas ou chamaria seus pais.

Resultado? Todos nós estávamos embravecidos e prestes a arrancar o olho de alguém.

Na verdade, não ao ponto de arrancar o olho de alguém, mas o suficiente para ferrar com a Barbie.

Os meninos e eu costumávamos sempre nos reunir no refeitório, em uma das mesas mais distantes de toda balbúrdia dos alunos. A mesma que eu tinha conversado com Minseok pela primeira vez.

Aquela mesa retangular, excluída, com dois bancos compridos e extremamente desconfortáveis acabou virando nosso ponto de encontro. Podíamos conversar e fazer comentários ácidos de pessoas que odiávamos e reclamar da vida.

Com toda certeza eu sabia reclamar melhor que ninguém.

— Isso é tão irritante quanto retirar How I Met Your Mother da Netflix.— MinSeok fincou suas sobrancelhas. Juro que queria levá-lo a sério, entretanto, ele ficava extremamente fofo quando bravo.

— Quer saber o que é revoltante? Assista ao filme de Death Note. — Soo destacou sua latinha de refrigerante. Desta vez fora a vez de JunMyeon juntar as sobrancelhas.

— Acho melhor que ele fique apenas na revolta da série dele mesmo, sabe, para o bem da pouca sanidade humana que restou nele. — JunMyeon abocanhou seu salgado.

— Amém — gracejei ao erguer minhas palmas ao alto. — Mas o que pretende fazer com JongDae? — MinSeok pareceu pensar e pensar até que, como em um desenho animado, uma lâmpada, ou luz se preferir, acendeu acima de sua cabeça. Não que fosse visível é óbvio, mas sua expressão fora mais que suficiente para deixar claro que seus botões engajavam em algum plano diabólico.

— Eu não posso chegar perto dele por um bom tempo... — parecia esperar que um de nós completasse sua ideia magicamente, coisa que não deu pé em acontecer, como eu disse, não estamos em um colegial americano. Apenas esqueça aquela magia, não passa de enganação — Isso não quer dizer que vocês não possam.

— Olha — D.O coçou a nuca — Qualquer coisa que irrite a Barbie tá ótimo. Mesmo. Esse ano estou com uma vontade de ferrar com esses caras, eles pensam que são o que? Reis que podem nos governar? — bufou. Mirei Kyung ligeiramente atônito, não o via como um anarquista, mas foi exatamente o que ele me pareceu.

— Ele já encheu o saco com esse lance de trote. — dei de ombros.

— Já que estão dentro, irei bolar alguma coisa — pareceu animar-se e finalmente aquela massa de estresse que o envolvia dissipou-se.

Podia parecer infantil – e é  – entretanto, quando se está no ensino médio não se pode baixar a cabeça para nem uma pessoa que seja. O motivo é bem simples: Baixar a cabeça diante de determinadas afrontas é como dar uma deixa para que as pessoas pisem em ti pelos próximos anos. Com certeza, esses anos seriam um inferno, caso isso viesse a ocorrer.

Não dava para ser bonzinho, ao menos não nesse caso. O ensino médio é uma selva de sobrevivência com imperialistas e peões. Essa era a lei de formação do colegial.

E tinha os caras dos burgos – os meios termos basicamente –, não podemos esquecer-nos deles.

 

[...]

 

 

Quando não se tem vida social nos resta participar das dos nossos amigos. Por isso, no dia seguinte nos reunimos para comemorar os fundos brancos de JongDae.

Amém KyungSoo e sua coragem.

A gente falava sobre como tinha sido engraçado o Kim-inimigo andando pelos corredores com um pinto desenhado de corretivo na bunda. Tudo que falávamos era entrecortado pelas gargalhadas exacerbadas.

Amém por MinSeok e sua mente maligna.

Quem diria que por trás daquela carinha aparentemente amável tinha um leve toque de satanás, não é mesmo?

MinSeok estava animado, exibia um sorriso de canto a canto e JunMyeon, por não estar presente, me causara saudade.

— Me diga, onde está JunMyeon?  — questionei e, consequentemente, fugi do assunto JongDae.

— Bem… — Kim começou. Contudo, nossa atenção caiu sobre Kyung.

Soo acenou para alguém e retirou-se da mesa sem se despedir (dá pra acreditar nisso? Que traidor!). MinSeok observou ele juntar-se a um grupo punk que estava em pé, próximos das máquinas de refrigerante.

— Quem são esses? — segredei.

— Aquele é o irmão dele, o mais velho — apontou para um cara que tinha os cabelos tingidos de ciano e alguns piercings no rosto. Diante da revelação, fiz um pequeno som de "oh" estendido. — Sobre o Jun, ele explodiu o laboratório. —voltou sua atenção para mim rapidamente. Espantei-me, meus olhos dobraram de tamanho.

Eu sabia que ele era o BreakingBad da Coréia, mas jamais pensei que seria capacitado de explodir um laboratório.

— Explodiu tipo… Explodiu?

— Tecnicamente sim. Mas não foi como naqueles filmes que pega fogo e o rosto das pessoas ficam pretos — gesticulou. Meus ombros baixaram, frustrei-me; minha empolgação morreu instantaneamente. Sempre quis ter um amigo meio pirado, sabe? Daqueles que a gente chama pra explodir um banco e ele já vem com uma planta do local e dinamites caseiras que ele projeta no tempo livre.

Armas, coletes, um carro para fugir e um piloto de fuga contratado.

— Cara, minha turma do segundo ano tá uma merda, só tem babaca. Fora que tem um cara putamente grande que senta na minha frente, eu tenho que virar um contorcionista para poder copiar o conteúdo. Tenho certeza que vou pegar torcicolo — jogou seu tronco sobre a mesa dramaticamente. Além de advogado ele daria um bom ator. Apenas ri e desarrumei seu cabelo com meus dedos.

Uma parte do meu ser ainda jazia inconformada com a nova cor de suas madeixas.

— Olha, não conheço ninguém da minha sala então eu definitivamente não compreendo sua dor. Mas, porque não fala pra ele que não enxerga?

— Eu já falei, mas aquele panaca não entende. Tenho certeza que é aquele projeto de Stalin quem manda aquela torre vir implicar comigo. — o som de sua voz saia abafado. Soltei ar pelo nariz com quê de riso, entretanto, tentei ficar sério em seguida.

Pigarreei.

Cocei a nuca numa tentativa de procurar uma solução. Naquele momento, eu odiei ter o pensamento lerdo. Os meninos nunca vinham reclamar de seus problemas comigo e quando vinham, eu não sabia o que dizer para norteá-los. De certa forma, isso me causava culpa, pois, sempre que eu ficava para baixo eles me animavam – ainda que suas piadas fossem toscas, antigas e extremamente ruins, me animava e me fazia ficar com um sorriso de bobo pelo restante do dia. Não poder ajuda-los me deixava descolado, entende?.Parecia que de nós, eu era aquela famosa virgula.

— Ele não pode ser tão grande assim… — tentei caçar pontos positivos.

— Mano, se ele deixar o cabelo e a barba crescer vira o Hagrid oriental! — ergueu-se rapidamente e lamuriou sobre como o tal gigante era estúpido e irritante.

— Bem, se é a mando da Barbie cê tem primeiro que derrubar ela… — pestanejei e abanei a cabeça ao me dar conta do que tinha dito — Quer dizer, ele.

— Você é do mal — ele comprimiu seus lábios e aumentou os olhos como quem tinha ficado empolgado com a ideia, voltamos a conversar fervorosamente sobre como derrubar aquela crista de JongDae e vingar os seuscabelos roxo.

 

 

[...]

 

A água da torneira caia numa pequena proporção; eu tentava não molhar tanto minha calça. O sabonete vez ou outra se tornava meu bom amigo e o espelho me servia de retrovisor para o homem que estava atrás de mim. Para minha sorte, estava em horário de aula e o banheiro estava escasso de presenças.

Eu estava puto.

Bem puto mesmo, ao ponto de causar o próximo holocausto só que com aqueles riquinhos filhos da puta que se achavam as pregas da terra – ou da escola. Eu estava esfregando minha calça para tirar aquele maldito desenho de pênis de corretivo.

Para encurtar a droga da história, JongDae achou extremamente divertido implicar não só com MinSeok, como os amigos dele também. Começou pelo bestão aqui com um pênis de corretivo desenhado na carteira onde eu sentei e resultou numa briga sem fundamentos,na verdade, até que tinha fundamento. Eu, bondoso e bem aventurado tentei me vingar.

E por culpa de quem eu errei a cadeira?

Por culpa de Wu Yifan. Agora eu tinha motivos para odiá-lo. E como tinha! Aquele maldito filho da puta.Vai ter volta ou eu não me chamo Byun BaekHyun.

Continuando, o estudante acidentalmente trolado, Park ChanYeol em especifico, viera tirar satisfação comigo, isso  gerou uma grande discussão nos corredores. Tivemos direito até mesmo a ilustre presença de professores e o pior; do diretor.

As rajadas de sermões de TayWang entravam por um lado e saiam pelo outro. Além de estar dentro do banheiro comigo, só de cueca, ele tinha a audácia de torrar minha paciência sendo que a culpa era daquele… Daquele AdolfDae!

E por culpa dele — e do Yifan é claro, não posso me esquecer dele jamais —outro aluno que não tinha nada a ver com nossa pequena guerra branca havia se fodido. Na verdade, se tratando da pessoa que era ele tinha até merecido. Finalmente eu tinha conhecido o Hagrid crossfitness e com depilação em dia.

Park ChanYeol, é, nada mais nada menos que o gigante que incomoda MinSeok.

— Olha, desculpa o seu sermão está muito empolgante — ele murmurou sarcástico ao diretor e parou de esfregar sua calça na pia ao lado. Mirou o homem de terno e gravata pelo gigante espelho com um ar tão triunfal que tive vontade de sufoca-lo com o sabonete — Mas ele quem veio mexer comigo.

— Você que foi idiota de sentar numa armadilha que não era pra você — dei de ombros. O diretor rechonchudo ficou avermelhado. Se pintasse o cabelo de verde, iria parecer um tomate.

— Eu sou o idiota? Tem certeza? — relinchou como um cavalo — Já reparou que você colocou a porra do corretivo na cadeira errada? — virou-se em minha direção e apontou-me o dedo com desdém.

— Em minha defesa — virei-me autoritário e ergui a palma. Estava pronto pra rodar a baiana.

Calem-se! — bradou o diretor — Já não bastasse a briga sem fundamentos de Kim MinSeok e Kim JongDae, me aparecem vocês! Que decepção.

Francamente, é tanto Kim na minha vida. Kim Jongin, Kim Minseok, Kim JongDae e Kim JunMyeon. Preciso seriamente nomeá-los de outra forma.

— Diretor, JongDae começou. Ele colocou corretivo na minha cadeira! — repliquei.

— Deveria ter procurado a coordenação, Byun. — vociferou TayWang.

— Ai perderia a graça — murmurei com simplicidade, como se fosse uma coisa óbvia. Vi Park afrouxar os ombros e concordar comigo silenciosamente. ChanYeol voltou ao serviço em sua calça, tratei de fazer o mesmo.

— Espero que seu pai esteja disponível na quinta, BaekHyun. — o diretor erradicou qualquer esperança minha de sair ileso daquela situação. Chanyeol conteve o riso de um jeito que mais pareceu um engasgo, amarrei minhas feições, irado. Céus, se matar filho alheio não fosse crime...

O diretor nos encarou mortalmente. Ao olhá-lo foi quase como ver Lúcifer saindo do inferno, com umas correntes e talvez pequenos demônios ao seu redor. Um pouco pior se possível. Ainda bem que a personificação do diabo ficou reservada apenas para séries – assim eu espero.

— E o seu também senhor Park. —TayWang enroscou os braços na altura do peitoral. Arrebitou o nariz.

Se ChanYeol era o Hagrid, com certeza TayWang ficaria perfeito como o Snape.

Entrementes, a pose de bicha má que ele fez foi impagável, se a situação não fosse tão caótica, eu estaria engasgado de tanto rir.

Ver a felicidade de Park ChanYeol morrer aos pouquinhos foi algo tão excitante que chegava a ser inigualável. Por isso que eu amo o ensino médio, as pessoas tomam no cú o tempo todo.

Park soltou um muxoxo sobre como ele era injustiçado, eu revirei os olhos. Como alguém conseguia ser tão entediante assim? Fora que ChanYeol é dramático, medroso, tem pose de badboy e não passa de um frouxo, francamente! Haja paciência para coexistir com ele.

— É inadmissível que dois alunos do ensino médio saiam brigando pelos corredores como crianças! — é, voltamos aos sermões — Deveriam ter consciência de seus atos, não são mais alunos de fundamental! Estão crescidos, tenham consciência de seus atos, nas suas ações e como elas poderão refletir no comportamento profissional de vocês —TayWang falou e falou e falou. Com toda a certeza do mundo, eu com certeza teria pesadelos com sua voz.

— Realmente não acredito que estou num banheiro de cueca, com dois homens, lavando meus fundos, com um  cara que nasceu na década de trinta me passando sermão, sendo que o vilão da história é o JongDae. — sibilei baixinho.

— Não precisaria estar aqui se não tivesse entrado nesse fuzuê todo.— devolveu o diretor.

— Meu senhor, eu sentei numa rola de corretivo que ficou bem visível na minha bunda super gostosa. Então é. Eu queria foder com ele — fechei a torneira e tentei vestir a calça ligeiramente úmida na região de minhas nádegas. Aquilo foi estranhamente bom, tanto que me permiti amarrar as feições.

— Da próxima vez acerta a cadeira, demente — Park rosnou feito cão. A vontade de pegar sua calça e enforcá-lo cresceu com uma força descomunal. Mas é uma pena que tentativa de homicídio ainda seja crime. Sério, quem foi o cara que criou a constituição? Preciso conversar com ele. Um homem desses não teve raiva na vida, não é possível.

— Escuta aqui... — enchi meus pulmões de ar e ergui meu queixo, eu precisa mostrar o verdadeiro lugar de Park, quem ele pensa que é afinal? — Eu não tenho culpa se esses seus faróis não funcionam!

— Oh tronco de amarrar burro — virou-se feroz para mim. — Você também sentou na porra do pinto.

— Mas que... Que audacioso filho da...

Silêncio! — berrou TayWang.— Vocês dois passaram dos limites. Se continuarem assim aplicarei uma suspensão.

— Eu já aprendi minha lição senhor — rangeu Park.

Eu ainda estava com sangue no olho e atrás de briga. Fui chamado de tronco. Não um tronco qualquer, um tronco de amarrar burro! Aquele... Aquele Yoda com gigantismo!

Nossa, que vontade eu tinha de pega-lo por aquelas orelhas estupidamente enormes e arrastá-lo por toda a escola.

Entrementes, sabia eu que a melhor coisa a se fazer era virar a noite e pensar em uma boa vingança para aquele Hagrid detestável.

— Espero que tenha entendido também BaekHyun. —TayWang ergueu uma de suas sobrancelhas e momentaneamente dei-me por vencido.

— Sim senhor — bati continência e fiquei durinho que nem um soldado — Nada de desenhar genitália na bunda dos garotos estúpidos com complexo de burrice do segundo ano.

— Acabou de falar mal dos seus amigos — Park riu.

— Ah vai se foder — ergui o dedo do meio para ele.

— Enfia no cu. — olhou-me sugestivo e com quê irritante de intelectualidade.

— Enfia no teu seu. Desgraça.

— Se vocês não calarem a boca, eu realmente darei um motivo para ficarem revoltos! — Wang falou entredentes e pausadamente. Nossa senhora, que medo aquele homem me dava. Eu jurei que ele iria inovar as transformações de super sayajin de tão puto que ele deveria estar.

Park e eu pulamos  assustados, ficamos extremamente juntos e de mãos dadas. Nos encolhemos como duas garotinhas e só nos damos conta de que havíamos nos tocado quando nos entreolhamos. Assim, castanho no castanho. Aquela fora a situação mais constrangedora e desnecessária de meus dezesseis anos de vida. Fora que, ele tinha um projétil de barba realmente escroto no queixo.

Parecia um amontoado de pentelho no queixo, credo.

Nos soltamos rapidamente bem amuados. Passei os dedos por minha nuca, constrangido.

— Espero que haja um decreto de paz, não irei tolerar nenhum comportamento leviano. Já amansei demais — e retirou-se batendo a porta. Park e eu, que olhávamos fixamente para a porta, sobressaltamos com o som estrondoso. Ainda bem que os pensamentos necessariamente não têm forças, pois, com certeza, se dependesse de TayWang, minha cabeça estaria fora do corpo. De preferência numa estaca de madeira.

— A culpa é sua e do Baozi! — sussurrou perigosamente ao ajeitar as vestes.

— Primeiro, a culpa é do JongDae que me sujou e do Yifan que me disse a cadeira errada. E segundo, quem diabos é Baozi? — franzi o cenho recolhendo meu celular, que estava no chão.

— Yifan é do primeiro ano, óbvio que ele não saberia onde eu sento! — retrucou com feições de bravo. Coisa que não funcionava muito para ele. Apesar de aparentemente ser um babaca, ChanYeol tinha cara de bonzinho — E Baozi é como conheço e costumo chamar o MinSeok. É o nome da ACC dele num jogo on-line. Normalmente a gente tira PVP e nossas guildas costumam se enfrentar no GVG.

Franzi o nariz, não fazia ideia do que ele estava falando.

— E relaxa — continuou Park — Eu sei que você não entendeu nada do que eu disse — afrontoso, amarrou as feições e retirou-se rapidamente.

Abri e fechei a boca. O ímpeto de jogá-lo de um trem em alta velocidade apenas ganhava força.

 

 

[...]

 

Sentar no gramado da escola depois da aula era uma boa coisa a se fazer para pensar e acalmar os nervos. Estava junto a MinsSeok e contava como JongDae havia me trolado. Mencionava também minha indignação por ChanYeol ter feito a maior confusão ao invés de simplesmente conversar numa boa.

Aquele pateta escandaloso de uma figa.

Por culpa dele o diretor estava na minha cola e com certeza meu pai me obrigaria a ouvir uma palestra sobre hormônios e conflitos da adolescência.

O vento soprava meu rosto, bagunçava meus cabelos e me deixava ciente de que a raiva sumia aos poucos. O cheiro da terra recém-aguada me entorpecia. Estaria um clima melhor se não fosse pelas buzinas exageradas e pela gritaria dos alunos desesperados para chegarem a suas casas.

A cidade grande parecia mais uma selva de concreto, de certa forma, eu a amava.

Amava, pois, existiam várias coisas que eu não vivia sem — como o meu computador, por exemplo —, embora acreditasse que a simplicidade fosse a chave de uma vida feliz. Eu podia ver pelos altos dos prédios o sol que se escondia a ermo.

— Eu quero quebrar a cara daquele desgraçado, quem ele acha que é para simplesmente vir todo autoritário pra cima de mim em público? — esbravejei. — Tudo culpa do JongDae e do Yifan.

— Olha... — assim que fechei a boca MinSeok começou — JongDae colocou lixo na mochila do JunMyeon e por pouco Kyung não senta num pinto de corretivo também –— seus dedos curtos perambularam pela bochecha puxando-a para baixo, como se demonstrasse certa raiva diante dos fatos. — Eu não queria baixar a cabeça, mas essa situação já está fora de controle.

Ow! Ow! Ow! Pode parar com isso já — gesticulei em negação com minhas palmas rapidamente. Abanei a cabeça com veemência. — Jamais baixe a cabeça para ninguém. Tá aí. Ninguém é obrigado a aceitar calado a birra do filho dos outros. Então para já disso. Aquele tal de Jong Adolf Dae tem que aprender onde que ele fica na fila do pão.

— Sabe, estou me sentindo em Meninas Malvadas — franziu seu cenho e coçou a nuca detentora de fios agora negros. Seus dedos oscilaram e deixaram vergões avermelhados na pele pálida. Fechou os olhos e respirou fundo, assim que abriu seus luzeiros parecia um homem completamente novo; renovado, determinado. — Temos que ensinar JongDae que ninguém mexe com a gente. Aquela Barbie vai ver só. — e levantou-se convencido de que faria algo.

Meus cílios bateram num suave toque de expressividade. Levei alguns segundos para pensar numa reação devidamente apropriada.

— MinSeok! — o requisitei em alto e bom som. Ele virou-se — Você não tem ideia do que vai fazer, não é?

Pude vislumbrar sua expressão de derrota ao rumar até onde eu estava e sentar-se sobre o gramado novamente, ao lado de sua mochila.

— Não sei o que posso fazer — lamentou-se. Começou a pegar a grama e cortá-la como se ela tivesse culpa de alguma coisa. — Quanto será que um mafioso cobraria para sequestrar alguém e soltar no Alabama?

— Creio que não seja barato. — afrouxei os ombros, igualmente desanimado — Uma vaquinha, talvez? — o olhei sugestivo. MinSeok negou com murmúrios e alegou que JongDae não valia o esforço.

Ele estalou os dedos de repente. Sobressaltei com sua euforia.

— Já sei! — comemorou — Irei esperar que ele tome banho na aula de educação física, ele sempre espera para ficar sozinho no banheiro. Daí sequestro as roupas dele e só as devolvo quando fizermos um acordo. Conversar é sempre uma boa.

Fizera uma pose gloriosa bem teatral. Se me dissessem que ele tinha uma mente criativa para fazer o mal, eu morreria negando.

Apenas gargalhei e arremessei sem força um de meus cadernos em sua direção.

— Para disso, está me dando vergonha alheia.

— Mas admita, é uma boa ideia — apontou-me empolgado.

— Olha, não é a melhor maneira de chamar alguém para conversar... Mas — prolonguei minha fala entredentes e deixei as sobrancelhas bem erguidas — É uma boa ideia. — MinSeok riu. — Ei — franzi o cenho. — Posso te chamar de Baozi?

— Sim. — pareceu surpreso — Quem disse meu nickname pra você?

—ChanYeol. Ele disse que vocês jogam o mesmo jogo.

— Oh, faz sentido — anuiu frenético.

[...]

 

Depois de um dia completamente exaustivo no ensino médio, não existia nada melhor do que chegar em casa, retirar os sapatos, jogar o material num canto qualquer e sentir o cheiro de comida. É como receber um abraço bem apertado e caseiro.

— Cheguei — anunciei ao vasto breu que cobria a sala de estar. Só não estava mais escura pela presença de velas na mesa da cozinha, que era visível da porta. Aproximei-me vagarosamente com medo de ter errado de casa. Notei que, sobre a mesa, havia pratos, os melhores talheres e duas taças de vinho. A única coisa que me deu a certeza de estar em casa foram minhas fotos de criança pregadas no imã da geladeira.

Um sorriso nostálgico tomara conta de minhas expressões junto de um bem-estar indescritível. Eu me senti feliz, muito feliz por sinal. Com certeza meu pai estava prestes a ter seu primeiro encontro depois do divórcio desgastante com minha mãe.

O som de Mozart ecoava pelo recinto aromatizado por incensos de rosas vermelhas e sândalo. Devo admitir que é uma boa combinação.

Atravessei os corredores atrás de meu pai e ao entrar em seu quarto o encontrei. Ele ajeitava seu colete de um tom azulado escuro, que lhe caia muito bem devido ao tom de pele. Ele somente utilizava-o em ocasiões importantes. Escorei minha cabeça no vão da porta e me permiti apreciar a cena.

De alguma forma, vê-lo feliz, cantarolando, perfumado e arrumado me dava uma boa sensação. Ele olhou por cima dos ombros e esticou os lábios num sorriso sem dentes. Se eu o conheço bem, um embaraço teria o preenchido naquele instante.

— Ela deve ser importante mesmo — decidi falar alguma coisa.

— Sim. A conheci no supermercado.

— Melhor que bate-papo. — o ouvi rir. — Mas me diga, essa mulher não tem um filho que se chame JongDae nem mesmo ChanYeol, não é?

Bem... Não custava nada perguntar. Eu que não duvidava da capacidade mirabolante do universo de ferrar com a vida das pessoas.

— Não, sem filhos. Seu trono permanece intocado — virou-se — Arrumado demais? O que acha que ela vai pensar de mim?— remexeu os dedos das palmas.

Meu pai parecia estar extremamente nervoso. Eu não poderia culpá-lo, nem mesmo julgá-lo. Afinal de contas, seus últimos dezesseis anos foram completamente dedicados à minha criação e nada mais.

— Pai, as mulheres da sua idade se preocupam se você ainda tem cabelo e não tem barriga de cerveja — brinquei — Então relaxa, você está demais.

— Mesmo? — parecia realmente inseguro.

— Claro que está. — cruzei os braços — Apesar de estar ouvindo Mozart.  — contrai minha face e o vi abrir e fechar a boca. Ele odiava quando eu falava que seu estilo musical era pré-histórico.

— Isso, se chama música, ok? — juntou o indicador ao polegar e ergueu os outros três dedos e os sacolejou no ar.

— Cara, isso é de mil e setecentos. Existem bandas incríveis hoje em dia, sabia?

— Você quis dizer que hoje em dia existe barulho — arrumou a gola da blusa. — Você acha melhor eu pôr Bach? Tchaikovsky, talvez?

— Pai, coloca uma música atual ou a mulher vai pensar que você é um lunático que prefere Mozart ao invés de Beethoven.

— Talvez por que Mozart é melhor do que Beethoven. — ergueu uma de suas sobrancelhas. — E também eu não quero fingir ser quem não sou.

Eu dei de ombros e me vi obrigado a concordar com seu pensamento.

Meu pai estava uma gracinha. Eu o amava apesar de ele ser um manipulador de primeira. Além de manipulador, era um completo totalitário na maioria das vezes, para ele não existem segundas chances, mas ainda sim o amava.

— Vou deixar que você se divirta hoje — afastei-me do arco da porta. Um sorriso tomou conta de seus lábios — Até amanhã pai — despedi-me e antes de entrar no quarto decidi provocá-lo um pouco — E eu prefiro Beethoven!

— Vai dormir BaekHyun! — bradou a plenos pulmões.


Notas Finais


Heeey pessoas, obrigado pra vocês que leram até aqui!

Sim, eu finalmente fiz o channie aparecer, palmas sudhsuhds
Eu sei que estou tardando um pouco com o ChanBaek, mas paciencia cumigu, ;-;
é isso, o chap também está meio gordinho, eu espero que tenham gostado!
Não deixem de dar aquela interagida marota que todos nós autores gostamos.

Se vc não gostou, peço desculpas sz
perdão por qualquer erro ou divergencia de informações!
Abraços! Ate a prox att.


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