História Sobreviventes - Capítulo 24


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Luta, Magia, Mistério, Pos-guerra, Romance, Sobrevivencia, Suspense
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Palavras 1.184
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Magia, Mistério, Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Adultério, Álcool, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Heeeeeyyyy!!! Segunda percebi que hoje era dia de postar capitulo e também era dia das crianças, então decidi postar um especial para vocês ^^ YAAAYYY, ME AMEM :V
Enfim, espero que vcs curtam e que sirva para deixar vcs mais curiosos ;3

Capítulo 24 - Extra - Dia das Crianças (Ágata)


Que frio...

Ágata tremia incontrolavelmente. Cada parte de seu corpo reclamava do vento que a gelava. Ela era apenas uma garota de oito anos, encolhida num canto escuro no meio da tarde, tentando passar despercebida e manter-se quente. Abraçava as próprias pernas com força enquanto usava a respiração quente e descompassada para aquecer os joelhos descobertos. Aquele era o dia mais frio que Ágata enfrentara em todo o inverno.

- Emílio, olhe.

A ruiva olhou para frente, procurando quem havia acabado de falar. Uma mulher de cabelos loiros, curtos e desbotados pelo tempo, esquelética e com olhos fundos apontava diretamente para ela. Ágata encolheu-se ainda mais, numa tentativa de fundir-se com a sombra do canto onde estava.

- O que foi, Hilde? – a outra voz pertencia a um homem calvo, aparentemente de meia idade. Seu estado físico não era muito diferente do da mulher.

Emílio parou ao lado de Hilde e dirigiu os olhos para o local que a mulher apontava. Ágata já estava apavorada, encolhendo-se o máximo que podia e tremendo ainda mais, tanto de frio quanto de medo. O casal continuava em pé diante dela, encarando a garota com os olhares vazios. Após um tempo, a mulher estendeu a mão:

- Venha – disse em um tom que, aos ouvidos de Ágata, soou carinhoso.

O quê? – a menina encolheu-se ainda mais, deixando que os cachos ruivos caíssem sobre seu rosto e o escondessem.

- Não precisa ter medo – dessa vez, fora o homem quem falara.

Ágata olhou para os dois por trás do cabelo que cobria seus olhos e surpreendeu-se: seus rostos mostravam compaixão. Antes que pudesse perceber, havia levantando e olhava agora fixamente para o casal.

A ruiva estava extremamente magra, não conseguia comida alguma há dias. Seus braços e pernas tremiam pelo frio e pela força que faziam para sustentar o peso da garota. Seus cachos emaranhavam-se em nós horríveis de um laranja gasto e desbotado. Suas roupas estavam rasgadas, cobertas de sangue seco e alguns hematomas e cortes no corpo da menina ainda eram visíveis. Aquela visão fez o casal arregalar os olhos.

Hilde foi quem voltou a falar:

- Venha com a gente – sua mão continuava estendida.

Ágata relutava. Se fosse com a mulher, podia cair em alguma armadilha, meter-se em problemas maiores. Mas, afinal, a ruiva não tinha nada a perder. Se ficasse ali, com certeza morreria de fome ou de frio. Segurou a mão da mulher e foi para casa com ela.

O casal morava numa construção pequena e simples de madeira, com um toldo há muito desbotado que poderia ser montado e desmontado em frente à casa. Ágata entrou receosa quando a mulher abriu a porta e lhe fez um sinal com a cabeça:

No que estou me metendo?

Assim que entraram, a mulher se dirigiu a cozinha e o homem foi para os fundos da casa, deixando Ágata sozinha na sala que escurecia junto com o dia. A menina olhou ao redor: havia poucos móveis no cômodo de pé direito baixo e paredes de tábuas de madeira que fediam a humidade; eram apenas uma mesa torta e um par de cadeiras.

- Fique a vontade... – Hilde dizia desde a cozinha – Qual é seu nome?

- Ágata – falou pela primeira vez, sua voz saindo num sussurro fino e inseguro.

A mulher pareceu surpresa por finalmente ouvir a voz da garota, mas logo se recuperou:

- Ágata, pode se sentar.

Foi o que a ruiva fez. Ficar de pé era torturante, suas pernas tremiam e seu corpo doía.  Agradeceu mentalmente assim que deixou seu corpo fraco cair na cadeira.

Pouco tempo depois, Hilde voltou para a sala com uma tigela em mãos:

- Aqui, come.

Ágata olhou para o conteúdo antes de segurar o recipiente com as mãos tremulas: não passava de um líquido aguado e insosso, mas a menina estava morta de fome e qualquer coisa lhe parecia um banquete. Levou a tigela a boca e engoliu o caldo desesperadamente, lambendo, por fim, um fio do líquido que escorreu por seu lábio. Desperdiçar qualquer gota lhe soava como um pecado mortal.

- Você está mesmo com fome...

A garota olhou para ela como que confirmando silenciosamente o que Hilde acabara de dizer. Em seguida, devolveu a tigela para sua dona.

A mulher agarrou o recipiente com o os dois olhos vidrados em Ágata, analisando a garota com um ar perdido. A ruiva começava a sentir-se desconfortável nessa situação: não conhecia a mulher, não sabia se estava segura. Ainda assim, em meio a todas as possibilidades daquilo tudo dar errado, era fato incontestável que Hilde acabara de ajudá-la. 

- Obrigada... – forçou-se a dizer. Ágata estava desesperada a ponto de aceitar ajuda de estranhos, mas ainda não conseguia livrar-se do medo da situação. Apenas tentou demonstrar gratidão por educação.

- O que aconteceu com você? – Ágata arregalou um pouco os olhos, surpresa diante da inusitada pergunta. A mulher continuou assim que percebeu que o silêncio dela não teria fim – Você está machucada.

Aquela pergunta era a única que não queria ouvir. Assim que as palavras chegaram a seus ouvidos, Ágata fechou os olhos com força. Não queria lembrar falar do que passara nos últimos dias tentando sobreviver, nem do que sofrera. Apenas os ferimentos, os cortes avermelhados e os roxos por seu corpo já eram o suficiente para fazê-la sofrer. Respirou fundo, tentando esquecer a pergunta da mulher, implorando para que ela percebesse que não queria falar sobre isso.

Sentiu algo ser colocado em cima dela e abriu os olhos, dando um pulo de sobressalto. Assim que ficou em pé, um cobertor caiu ao chão. Emílio estava a sua frente agora, ao lado de Hilde; os dois olhavam para ela um pouco surpresos.

- Não queria te assustar – disse o homem devagar.

Ágata olhou para baixo: uma manta velha estava jogada aos seus pés. Olhou novamente para o casal e viu Hilde sorrir. Pegou então o cobertor e enrolou-se nele, sentando-se novamente na cadeira em que estava.

Por que eles estão me ajudando?

- Ágata, ainda não me disse por que está machucada.

- Acho que a menina prefere não falar, Hilde.

O velho olhava para a mulher de forma carinhosa e parecia ter lido a mente da ruiva.

Hilde encarou Ágata por um tempo, seu olhar parecia preocupado. Em seguida, sorriu:

- Tudo bem, é melhor você descansar então. Se precisar de algo, estamos lá dentro.

Com essa frase, o casal sumiu dentro da pequena casa, deixando a ruiva sozinha na sala.

A menina estava surpresa, incrédula. Um casal a acolhera sem motivo algum e estava agora cuidando dela. Depois de conhecer tantas pessoas egoístas e passar por tantos problemas, finalmente parecia estar tendo um pouco de sorte. Era inacreditável. O sorriso que Hilde dera antes de sair fora carinhoso e sincero, algo que nunca antes fora dirigido a Ágata. A menina sentia um calor dentro dela, sentia que podia confiar no casal, sentia-se feliz. Foi com esse sentimento que a ruiva caiu no sono, e dormiu como nunca havia dormido.

 

 

 

 


Notas Finais


E ai????? Algo a dizer???


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