História Sold - Capítulo 42


Escrita por: ~

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Categorias Rebelde (RBD)
Personagens Christopher Uckermann, Dulce Maria
Tags Christopheruckermann, Dul, Dulcemaria, Rbd, Rebelde, Traumavondy, Ucker, Vondy
Visualizações 60
Palavras 2.046
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção, Romance e Novela
Avisos: Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 42 - 039


Christopher

"Christopher! Por favor, me dê sua mão!"

Eu mais uma vez tentei estendê-la para ela, mas de repente a nossa distância aumentou ainda mais.

"Não me deixe aqui, sozinha..."

"Dulce!" Gritei assim que ela começou a desaparecer no meio da nevoa com o semblante carregado de dor.


Abrindo os olhos com rapidez, me lancei para cima e atentei instantaneamente a mulher que estava bem ao meu lado. Samantha me encarou um pouco assustada, mas logo se recompôs quando percebeu o que havia acontecido.

Minha testa estava suada e todo o meu corpo transpirava de aflição. Aquela era a terceira vez que aquele mesmo pesadelo se repetia em menos de vinte e quatro horas. A exaustão me obrigava a adormecer mesmo quando a única coisa que eu queria fazer era permanecer acordado.

— Outra vez, Christopher?

— Me deixe em paz, Samantha. Não tenho forças para sermões seus.

— Talvez se comesse alguma coisa isso não acontecesse tantas ve...

— Você acha que preciso de comida? O que eu preciso de verdade está bem longe daqui, e eu não sei o que fazer para recuperá-la.

Ainda acomodado no sofá pensando em todas as possibilidades possíveis de resgatar Dulce, permaneci carregando o peso intolerável dentro do peito. Ela estava perdida em algum lugar, talvez gritando o meu nome como no sonho.

Depois de um tempo a sós, olhei para um lugar vago dentro do cômodo privativo da delegacia e meu cérebro de alguma forma resolveu projetar a imagem de Dulce, de pé, olhando na minha direção com um riso suave. O mesmo que ela costumava me demonstrar quando ainda se lembrava de nós. Foquei no delírio encobrindo ao máximo as lágrimas insistentes que teimavam em me desconsertar. Só eu podia vê-la, e tinha absoluta consciência disso. Quando recobrei meu total bom senso a imagem dela desapareceu e os meus cabelos foram repuxados pelos meus dedos que o entrelaçaram com fúria.

Enterrei o rosto nas mãos e sustentei os cotovelos nas coxas.

Ninguém se atrevia a me interromper, cientes de que isso traria mais ira da minha parte. Porém, o professor não era tão atento a esses detalhes. Theo entrou no ambiente invadindo totalmente o meu pequeno espaço.

Por cima de mim, ouvi a hora em que Samantha tentou contê-lo de se aproximar, mas o rapaz se desfez da contenção e andou até mim.

— Precisamos conversar.

— Outra hora — Falei curto e agressivo.

— É sobre Dulce.

Na hora em que escutei o nome dela sair da boca dele, minha vista se ergueu e nós trocamos olhares fixos.

— Tia, por favor, nos deixe a sós.

A exigência dele deixou a morena admirada, e embora ela estivesse determinada a permanecer ali, eu também a pedi que saísse, reforçando o pedido.

Com indignação pelo seu ego, ela saiu.

— Lembrou de mais alguma coisa? — Cogitei esperançoso.

— Não exatamente, mas ouve algo que eu ocultei.

— O que está esperando para dizer?!

Theo respirou fundo algumas vezes antes de voltar a mover os lábios.

— E-ela está... — Balbuciou — Dulce está grávida, Wayne.

E quando achei que nada mais tornaria aquele maldito episódio pior, a vida me agrediu.

— Fiquei sabendo primeiro. Então, tudo aconteceu tão rápido, eu me assustei com a notícia e não tive coragem de contar isso a ela — Continuou.

— Você está me dizendo que Dulce não sabe do filho que carrega?

— Não.

Soltei o ar dos pulmões com ódio, e me levantei imediatamente, socando a cara dele sem pensar duas vezes. Theo caiu sobre uma mesa, e derrubou tudo o que tinha sob ela. Possivelmente o burburinho da nossa discussão chamou a atenção dos que estavam do lado de fora da sala, já que alguns policiais e Samantha entraram rápidos contendo imediatamente os meus braços. Samantha deu atenção ao sobrinho, que sangrava pelo nariz e pelo quanto direito da boca.

— O que é isso?! — Protestou ela — Estão loucos! Quando vão parar de brigar?!

— Você fez isso, Theo! Se ela o perder a culpa também é sua!

Vociferei aturdido, me sentindo ainda mais incapaz. Olhando para todos os lados, desorientado, busquei um abrigo em qualquer coisa até avistar a parede e me recostar nela.

Dobrei os joelhos, esgotado, e tentei manter a calma.

Um filho. Ela estava grávida de mim.

Era uma benção e uma tormenta considerando que eu corria o risco eminente de perder os dois.

Após alguns minutos de reflexão me levantei erguendo o corpo e a compostura.

Distraídos com os cuidados de Theo, Samantha foi a única que me notou caminhar até a saída.

— Christopher, aonde vai?

Ignorei a voz dela, e continuei andando.

— Christopher!


Dulce

Bati os cílios e recobrei a consciência devagar ao som do alvoroço de vozes e risadas.

— Olá! — Saudou a mulher chamada Leonor — Descansou bem?

Ela era cega? Eu estava assentada em uma cadeira dura e desconfortável, como poderia descansar?

— Porque não me mata de uma vez?

A mulher riu alto pelo pedido, começando a andar para perto de mim.

— Adoro esse seu senso de segurança. E parece que o adquiriu muito mais depois de bater a cabeça.

— Wayne não vai pagar nada por mim.

— Está enganada, querida. Ele pagaria muito, assim como pagou para ter você — confusa, eu a observei ainda mais convicta — Mas, você tem muito o que nos oferecer, e sem o risco de um "resgate".

— Agora quem está enganada é você. Eu não tenho bens, muito menos dinheiro a oferecer. Minha família era simples.

Mais uma vez a gargalhada alterada dela me arrepiou.

— Quanta estupidez. Eles não te contaram quem você é? — Perguntou, respondendo a si mesma logo em seguida — Ah, claro. Você perdeu a memória.

— Então conte você mesma.

— Não tenho motivos para fazer isso.

— Eu vou morrer em pouco horas, minutos, segundos... já nem sei mais. Que diferença faria se me contasse?

— Por acaso é um último pedido? — Debochou.

— Pode ser.

Eu conversava com ela mantendo a minha voz em um único tom, mas algumas vezes o medo me denunciava e ela sorria. Leonor estava visivelmente se divertindo com a minha tentativa de esconder o medo.

— Seus pais eram ricos, Escobar. Muito. Eles esconderam essa herança no seu nome e agora nós vamos pegá-la antes de matar você.

— Impossível...

— Acredita mesmo nisso? Acha que esse tempo todo estamos com você por diversão? Embora seja muito divertido, não é por isso.

— Eu saberia... eles teriam me dito.

— Talvez seja nossa culpa. Matamos eles antes de perguntar se tinham dito.

Depois daquilo foi impossível continuar sendo forte na frente dela. Derramei algumas lágrimas, impossibilitada de enxugá-las para manter a dignidade.

Eu estava mais uma vez com os braços acorrentados.

— Como farão isso?

— Quantas perguntas garota.

— Preciso entender — Supliquei.

Bufante, ela rolou os olhos e disse:

— Eles marcaram sua impressão digital e ótica, e vamos usá-las para retirar tudo. Até a última gota desses milhões.

Escutando os detalhes que a mulher dizia, uma lembrança antiga colidiu com as palavras dela, e uma memória rabiscada se estabeleceu na minha cabeça.

"Meu amor, olhe só esse aparelho, que legal!"

"O que é isso papai?"

"Um brinquedo novo. Vamos testá-lo?"

"Sim! Eu quero muito!"

"Ótimo! Olhe dentro disso aqui" Quando me movi para obedecê-lo, uma luz verde acendeu, e por alguns segundos perdi a visão do lado direito no olho.

Depois que fiz isso, ele segurou minha mão e a pôs sobre um espaço fundo, com um vidro transparente que também emanava uma luz, mas desta vez ela era vermelha.

"Agora é a vez do seu dedinho. Vamos encostar bem aqui..."

Depois de tudo feito, eu sorri animada e ele fez o mesmo.

"Muito bem, Dulce. Você agora é dona disso. Ele é todo seu"

Agradecia com palmas infantis, e voltei a segurar o objeto enquanto era transportada para o colo do meu pai.

~

Cada passagem da memória se tornava ainda mais real conforme eu pensava nela. Naquela época eu tinha apenas nove anos e não fazia ideia do que aquele objeto representava.

A mulher estava certa.

A história era bem mais complexa do que eu imaginava. Talvez fosse mesmo verdade o fato de meus pais serem ricos. Isso também esclarecia o mistério de estar nas mãos de Wayne quando acordei desmemoriada. Da nossa ligação, e do fato dele cuidar de mim.

— Já chega de perguntas! — Repeliu assim que notou minha boca se abrir insinuando que eu faria mais uma.

Ajustando seu blazer, ela pegou a bolsa de cima da mesa rachada e andou estalando seu salto no assoalho.

— Oh! Ia esquecendo um detalhe... — Advertiu antes de chegar na porta de saída — Mandei alguém vir lhe fazer companhia, e talvez, torturar ainda mais sua cabeça.

A porta bateu forte e dois homens armados deram uma única passada, ficando frente a passagem, como guardiões.

Baixei a vista, e tentei me conter ali mesmo o restante dos minutos seguintes.

Minha garganta gritava de secura, o meu corpo todo coçava por falta de banho e cuidados de higiene. Naturalmente eu já me sentia um cadáver. Até a porta voltar a abrir e uma jovem menina sair de trás dela. Ela parecia receosa, pelo menos antes de me avistar no centro do cômodo fechado.

Correndo na minha direção, seus braços me envolveram mesmo sob as correntes e ela chorou. Sua reação era repetitiva, segurar meu rosto e voltar a abraçar.

Dulce! Meu Deus, é você!

Confusa por não saber quem era, trocamos um olhar distorcido e ela se reestabeleceu, domando um pouco a sua euforia.

— Sabe quem sou?

— Não — Neguei acuada.

— Desculpe, pensei que fosse mentira daquela mulher quando falou da sua memória.

— Quem é você?

— Só um minuto.

Ela andou até um lugar no canto e voltou com um como de água nas mãos, me oferecendo. Eu bebi tão rápido, que nem conseguia acreditar que minha boca estava mesmo sendo molhada por algo. Meus lábios já haviam rachado de tanta desidratação.

— Malditos — sussurrou — Eles são mesmo os piores.

Após me hidratar, ela se sentou no chão, cruzando as pernas. Mesmo estando em tal situação, senti certa pena de notar que aquela menina estava igual ou pior que eu.

— Me chamo Anna, mas todos aqui me conhecem por Red. Inclusive você me conhecia assim.

O restante da conversa foi bem explicativa. Ele me narrou os detalhes de tudo, e inclusive citou o fato de que eu já estive naquele lugar antes. Toda a história parecia uma biografia de terror, mas eu não tinha motivos para não acreditar, considerando que nada mais poderia me surpreender dali em diante. Anna falava em baixo tom, escondendo o assunto dos brutamontes a alguns metros de nós.

Sinceramente, com ela eu senti a mesma sensação de quando vi Theo pela primeira vez desde que acordei. Era o mesmo senso de reconhecimento afetuoso.

— Como consegui sair daqui?

— Através do leilão — rebateu — Todas as meninas ficaram surpresas com os boatos do "comprador de um milhão de dólares".

— Fui vendida — Completei amargurada.

— Sim.

— Wayne?

— Se for o nome do homem que estava com você todo esse tempo, sim.

Agora as coisas pareciam se encaixar como luva.

— Eu fui enviada para te atrair uma vez, em um restaurante. Eles me ameaçaram, então tive que ir. Por pouco naquele dia você não foi levada, mas um homem te segurou antes.

— Wayne.

— Ele — Anna riu amarga da própria afirmação — Aquele homem salvou sua vida. Houveram algumas noites em que senti inveja da sua sorte, e de ter alguém como ele do lado. Mas agora te vejo aqui, presa outra vez, e esse sentimento não existe mais. Você merece sair, Dulce.

— Todas vocês devem merecer. Esse lugar não é para ninguém. — Respondi chorosa e arrependida mais uma vez por ter me afastado de Christopher.

— Vamos sair. Dessa vez eu vou ajudar você.

— Como?

— Ainda não sei, mas vou pensar em algo assim que voltar para o alojamento. Eu prometo, minha amiga.

— Se isso é verdade, Anna, pense comigo. Toda essa situação é muito estranha. Aquela mulher deve saber da nossa proximidade, então porque ela cederia a sua visita?

— Madame Leonor não pensa em uma fuga.

— Porque?

— Queria ter a sorte de também perder a memória, como você, e esquecer tudo daqui.

— Anna...

— Dulce, ela não pensa nisso porque é praticamente impossível sair com vida desse lugar.

Olhei para Anna, notando que algo dentro dela parecia dizer adeus.

Quando me movi na cadeira, tentando controlá-la, um dos homens se aproximou de nós e a pegou pelo braço esquerdo.

— Chega de cochichos, sua vagabunda — xingou aterrador— Hora de ir embora daqui.

Ela foi levada para longe, virando-se vez ou outra para advertir meus gritos descontentes, abafando as gotas salgadas de seus olhos.

****


Notas Finais


#SamiaGreen


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