História Sombras do sucesso - O livro - Capítulo 9


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Agências, Horror, Terror, Trainees
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Palavras 4.023
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Fantasia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Survival, Suspense, Terror e Horror, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 9 - A assassina sucedida. Ficará em suas memórias.


Finalmente o grande dia havia chegado para Yuna, enquanto subia os andares da agência, imaginava se seus méritos se deviam ao relógio do sucesso ou seu próprio esforço, sabia que nada que fizesse poderia acontecer sem a força daquele relógio. Para esconder aquilo de forma eficiente, amarrou uma pulseira preta entre os dedos, esse estranho poder apenas aumentava sua insegurança. A bagunça em sua mente era imensa, entre assassinatos, falsidade e tantas mentiras, não tinha como manter um padrão saudável de sanidade, cada vez que os tiques dos relógios comuns soavam, mais um pouco da mente e coração de Yuna iam embora.  Quando chegou à sala de Chin, deu cinco batidas na porta. Estava começando a sentir o efeito do nervosismo, mas nada comparado com o que acontecera mais cedo. Depois de um tempo, o representante da agência abriu a porta, cumprimentou a garota e dissera:

— Disso que eu gosto! Uma garota rápida. Pode entrar, precisamos acertar umas coisas. — Chin deu passagem para a garota.

Ela logo se sentou em uma das cadeiras da mesa de reunião. Pelo fato de saber que aquele senhor era amigo de Min Hae-Kyung a fez sentir arrepios e ficou pior ainda quando pensou que sua professora sentava em alguma daquelas cadeiras, mesmo que fosse um sonho, na visão de Yuna, não há dúvidas que tudo era real. Mesmo sentindo aquele frio na barriga por seus crimes, o representante, que foi para o outro lado do salão oval de reuniões começou a explicar a situação:

— Bom... Vamos lá. Primeiro de tudo eu quero pedir desculpas, pois, nosso contrato prometia resultados apenas daqui a um ano. E eu estou aqui pedindo para você apresentar hoje…. Sei que não é fácil, então te pergunto. Está pronta para isso? Não seria muito difícil, até mesmo para ti?

— Estou sempre pronta, não se preocupe. Mas, por que essa decisão tão... Apressada? — Yuna se fazia de desentendida, apenas para ouvir uma explicação formal e principalmente, para saber como o resto das coisas e pessoas no mundo reagiam ao giro do relógio.

— É um assunto complicado... — Chin ficava balançando sua caneta entre os dedos, demonstrando nervosismo. — Nossa agência está com uns problemas, à pressão dos investidores por um novo talento que desbanque o ‘material’ que a grande trindade aumentou e muito nestes tempos. Principalmente nessa manhã.

— Entendo... Então essa apresentação vale muita coisa para a YK...

— Não, garota. Ela vale tudo para nós, queria evitar falar desse jeito. Porém, ser sincero é uma de minhas manias, então serei franco: Sua apresentação trará o sucesso da nossa empresa... Ou a falência da mesma. — A caneta caiu dentre os dedos de Chin, rolando no chão até os pés da enganadora.

Neste momento, Yuna sentiu que tinha cumprido seu objetivo: De dar orgulho a seus pais, que sempre a treinaram rigorosamente, finalmente ia mostrar ao mundo seu talento fantástico. Mesmo com tantas mortes nas costas para chegar até lá, tudo tinha valido a pena no final, sempre foi do tipo que adotara o trecho mais famoso de "O príncipe" para si. O seu fim, justificava o meio, tudo era justificado perfeitamente no final. Por isso, a enganadora sorriu, pegara a caneta e dissera:

— Não se preocupe, estou esperando minha vida por esse dia. Já tenho até uma música de composição própria, foi a que cantei em uma das minhas primeiras apresentações... Vai ser um sucesso.

— Sério? A senhorita me alivia com isso, pois, eu esperava que nem tivesse nada pronto e tivéssemos que improvisar tudo... Nem ensinamos composição para ti ainda, ia ser apenas daqui a dois semestres... Jung mesmo dizia que você tinha grande talento. Acredito que estava certo, além disso, sempre foi muito esforçada nas aulas, uma estudante exemplar que até mesmo mostrou seu talento naquela festa. — O representante espreguiçou-se de alívio. — Mesmo que aquele ferrado tenha conseguido parar na delegacia hoje, não fará falta.

— O que aconteceu mesmo com ele? — Perguntou Yuna, lembrando-se daquele ataque nojento do professor.

— Tudo que sei é que foi pego com uma aluna, a garota avisou os pais e virou uma merda, literalmente. Vou descontar tudo dele quando voltar. O que me preocupa é outra coisa...

— Qual o problema Senhor Presidente? — A enganadora imaginara que seria algo relacionado a Min Hae-Kyung.

—  Recebi uma carta da senhora Min Hae-Kyung na quarta, dizendo que ia para os Estados Unidos…. Dizendo que torce por você, pelo seu triunfo.

'Então ela já sabia que seria morta no dia seguinte, a Sorte não mentira afinal. Disse que aquela mulher traiu ele, então já havia um acordo prévio entre os dois... Ele está me usando como sua mão ativa no mundo dos humanos...'. —  Pensou.

— Entendo. Aprecio os bons dizeres da Senhora Hae-Kyung... Aliás, por que a chama de senhora? Ela não está tão velha, então só pode...

— Evidente. Ela dizia na carta que iria passar umas férias com a família, principalmente com a filha dela, de cinco anos...

— Uma mãe de família? — Yuna ficou imediatamente nervosa, se aquele sonho fora real tinha acabado de matar a matriarca de uma família, era muito mais cruel do que antes. Mesmo assim, tentando se acalmar, dissera: — Nunca achei que fosse..., mas, pelo menos ela está em um lugar melhor.

 Agora tenho de resolver as coisas sem ajuda alguma. — Falar sobre a professora doía no coração do representante.

— Ela era... — Yuna tossiu para reformular a frase. — Ela é sua amiga próxima? Porque mandar cartas hoje em dia não é algo muito comum. Na verdade, achei que nem existisse mais esse tipo de coisa.

— Sim, muito. Não entendo o que aconteceu nesses dias para ela querer se mudar... Mas, enfim, era a letra dela. Talvez, fosse a coisa certa a se fazer... Isso aqui vai cair hoje mesmo na minha cabeça... — O representante colocou a mão em frente aos olhos, sem esperanças.

— Calma... Senhor representante, estou pronta para essa pressão. Amanhã o mundo vai te chamar de gênio dos negócios e seus acionistas irão beijar seus pés. E Min Hae-Kyung... Também voltará, um dia. Sim, ela há de voltar. Imagino que gosta dela.

— Eu amava ela. Obrigado, Yuna. Agora vá. Arrume suas coisas, o ônibus dos estudantes parte daqui a algumas horas. Porém, para você, tenho uma surpresa. Irá em separado.

A enganadora levantou da cadeira e saiu da sala de Chin, que ainda continuava preocupado. Era deveras irônico de que ele estava sendo ajudado pela pessoa que ceifou a vida de sua melhor amiga e ainda a despedaçou por completo. E mostrava uma feição cínica quanto tudo ao que acontecia, aquela definitivamente não era a Yuna mais, se fosse teria tido menos frieza naquela situação, ainda mais quando soubera que a moça era mãe de família e deixou mais uma criança condenada a eterna tristeza, até seu último suspiro, em todos os anos da vida daqui para frente. Todos os almoços e jantares que faltará alguém na mesa, de todos os dias que não haverá ninguém para lhe corrigir de um modo que apenas sua mãe o faria. Isso era cruel demais.

Se existisse realmente um Deus justo, a garota teria de pagar suas dívidas, mas se o único deus for a Sorte, isso nunca irá acontecer.

Quando chegou ao quarto, Yuna fora direto para sua cama, e começara a arrumar as malas com suas melhores roupas, mais ainda estava usando as que já estavam desde a festa de quinta. Porém, no momento que a abriu, vira uma cabeça lá dentro. O susto foi tão grande que gritou:

— Ai! — Ela olhou mais uma vez para a mala e constatou que fora apenas uma ilusão e que a mesma estava preenchida apenas por roupas.

‘Eu juro que eu vi uma cabeça ali... Só posso estar ficando maluca, ou seja, aquele outro mundo, talvez eu possa estar entre os dois agora mesmo’. — Pensou, acalmando a respiração.

 

 

Depois daquele breve, mas poderoso susto. A enganadora colocou umas roupas extras dentro da mala e a fechara, com certa dificuldade. Então, ligou seu notebook e procurou a letra da música que ela mencionara na conversa com o representante, chamada: ‘Tudo pelos fins’. Conferiu seus parágrafos e viu que era mesmo a versão certa do arquivo, agora, precisava imprimir a letra. O único problema era que em seu quarto não havia impressora, apenas no de Kim Eun-Kyung. Isso poderia ser um problema para qualquer assassina, visitar a cena do crime de algo que ela mesmo fez. Porém, Yuna não era qualquer pessoa, algo que até mesmo a Sorte percebera.

‘Pelo jeito terei de fazer uma visita lá... Cara, eu consigo sentir o cheiro daquele cadáver só de imaginar, que cheiro horrível... Nunca imaginei que cadáveres frescos fediam daquele jeito, ou possa ter sido apenas uma impressão’. — Pensou Yuna, torcendo o nariz.

Sem ter outra escolha, a enganadora foi até o outro quarto, notara que aquelas marcações a sangue não estavam mais lá, além da porta estar destrancada. E quando entrou lá ela notou que não era a única pessoa fria e cruel dentro daquela agência: Tudo estava perfeitamente limpo e arrumado, deram um jeito de apagar qualquer rastro da existência da garota falecida. Provavelmente já estavam preparando para outra pessoa ocupá-lo, isso era muito mais cruel, já que quem acoberta mortes também tinha culpa. Também pelo fato de terem até pintado tudo de outra cor, um verde claro bem sem graça.

'Eles também estão com a Sorte... Então é claro que iriam remover qualquer rastro e inventar uma desculpa qualquer para o sumiço das outras garotas. Quantas pessoas no total sabem que sou uma assassina?' — Pensou, olhando para o chão.

Sentindo-se um pouco melhor de não ter nada que lhe lembrasse da morte daquela garota depressiva. Yuna foi até a cama, de onde estava o computador e a impressora. Então, ela entrou em sua conta na nuvem por aquele dispositivo e imprimira a letra da música, que tinha as cifras em cima de cada passagem.

Com tudo aquilo em mãos, voltou para sua cama e ficou treinando a letra, pois, fazia tempo que não cantava aquela música e tudo dependia da exímia perfeição na apresentação, nada poderia falhar, mesmo com o relógio ainda confiava em seu próprio talento e esforço, uma crença arraigada em seu subconsciente de tal maneira que não abandonaria de uma hora para a outra. Mesmo que a garota tivesse tantas coisas em mãos, um talento incontestável, a sua insegurança lhe atacara como sempre acontece:

‘Eu vou puxar mais um pouco para frente... Uns vinte minutos’. — Pensou a garota, olhando para o relógio que aparecia na palma de sua mão sempre que ela o imaginava.

Depois disso, treinou como nunca na sala de estar, cantando para a televisão. Uma, duas, três, até um total de vinte apresentações. Até que no meio da vigésima primeira, bateram na porta de seu quarto.

— Já vai. — Gritou.

Quando abriu a porta, era Chin, que veio pessoalmente acompanhar a garota, estava com terno e gravata dos quais era possível ver o preço delas apenas de olhar. Seus cabelos estavam arrumados e até mesmo sua expressão parecia mais animada.

— Vamos lá? Sua surpresa aguarda lá fora.

— Ótimo. — Disse Yuna, disfarçando sua alegria. — Vou apenas ali pegar as malas.

— Não fale besteiras... Os moços virão pegá-las, preocupe-se apenas com sua apresentação. Você é nossa estrela a partir de hoje, e será tratada como tal. Certo?

— Mas a folha aqui, levarei comigo... É a letra de minha música.

— Isso! À vontade. Acredito que por você colocaríamos até num jatinho se fosse longe. — Disse o representante sorrindo. — E esse bracelete? É moda, proteção? Um talismã?

— Sim, ele atrai sorte. — Brincou.

— Que tipo de 'sorte'?

— Não sabia que tinha várias, não seria só uma?

— Para quem acredita... Existem muitos tipos... Querida.

— Não entendo destas coisas. — Disse a pequena, desconversando.

E assim, ela foi levada, acompanhada do representante e outros acionistas até o carro particular. No meio do caminho, eles passaram pelo Hall de entrada para ir até a saída da agência. E como era um pouco depois da hora do almoço, todos os olhares foram atraídos para a garota, que andava com passos de rainha rumo ao sucesso, esnobando todos os outros alunos.

'Vocês nunca conseguirão nada na vida, apenas minha inércia quanto a suas vidas irá estagnar todas as suas vidas, voltando tudo para mim... Tudo para mim! Tudo para mim!' — Comemorava Yuna, com um sorriso maléfico e os olhos um pouco esverdeados.

  Ao chegar ao estacionamento, o carro que lhe aguardava estava logo na porta de saída do prédio, era um Hyundai Azera do ano corrente, cinza, parecia um avião. Quando Yuna chegou perto do veículo, o motorista saiu e abriu a porta para ela, a equipe da agência colocou suas malas no carro, e para sua surpresa, ia sozinha ali. Quando aquela máquina de outro mundo começou a acelerar, percebeu que o representante e seus acionistas iriam a outro carro, completamente inferiores. Pode-se dizer que os efeitos do relógio eram bizarramente engraçados, já que uma cantora da agência tinha um tratamento melhor do que o dono.

 

 

O caminho não foi muito longo, eram apenas trinta quilômetros até o centro de exposições de Seul. Era lá que as novas estrelas da YK começavam suas carreiras, na prática, em um show para mais de quinze mil convidados, inclusive a imprensa. As ruas em torno estavam com um esquema especial de controle do trânsito, a garota ficava progressivamente mais nervosa, quando o carro passou pelos bloqueios, e foi aproximando-se da entrada. Mas agora, não iria ter volta e ela nunca iria querer voltar. Já que tudo que ela desejava acontecia diante de seus olhos, alguns carros da imprensa também estavam entrando no prédio pelo mesmo lado. O vento estava bem mais forte, e a chuva já começava a incomodar as pessoas pelas ruas, algumas corriam procurando abrigo, outras simplesmente abriram seus guarda-chuvas, fazia vinte e cinco graus no momento, mas a garota sentia muito mais calor, graças à sua ansiedade crescente.

Logo entraram no estacionamento do prédio, o veículo fez as manobras para estacionar ao lado da porta de entrada do local, quando o carro parou, Chin, que estava no carro a frente abrira a porta para a garota. E eles andaram juntos dos acionistas. O interior da construção era o que mostrava toda sua suntuosidade, as pilastras eram feitas de ouro e alcançaram quatro metros de altura por três de largura, era como o corredor de um palácio. Yuna estava tão nervosa que nem conseguia prestar atenção nos detalhes, durante o caminho, Chin comentou:

— Não precisa ficar assim, Yuna. Mesmo sem nunca ter a ouvido, Jung sempre dizia que você iria salvar a agência, mesmo que Min Hae-Kyung tivesse uma ideia oposta, ela também mudou de ideia. Não te conforta saber que eles confiam em você?

— É…. Fico feliz pela opinião deles, mas vai ser a primeira vez que a cidade toda irá me assistir pela TV, além disso, tem uma pressão enorme em mim. Se eu falhar...

A enganadora não estava nervosa por sua apresentação, pois, o relógio iria cuidar de tudo naturalmente. Sabia que poderia estar até com gripe, garganta inflamada, poderia cair um avião em cima de sua cabeça que ia tudo dar certo de uma forma ou de outra. Mas, claro que ela preferia esconder o real motivo de sua expressão nervosa:

Sua própria consciência.

 

 

Chin também preferiu ficar quieto, pois, em sua concepção, se falasse sobre novamente o quanto aquela apresentação era crucial iria apenas atrapalhar mais a concentração da garota. Depois de alguns minutos, chegaram às portas que dão em um corredor bem mais curto, de paredes amareladas, cheias de placas e números indicando as direções e localizações das salas, aqueles pareciam ser os bastidores. Lá era onde havia várias pessoas apressadas, entrando e saindo das outras portas.  Eles iam andando por dentre a equipe dos bastidores, até a sala de ensaios, quando entraram lá, os músicos da banda, responsáveis pelo instrumental daqueles shows, estavam todos conversando nos sofás, esperando pela artista, quando viram a enganadora e o chefe da agência, eles se levantaram. Como quem tivesse sido surpreendido grandemente pelo adiantamento em que as coisas aconteciam, estranhado, um deles disse, enquanto todos se dirigiam a porta da sala:

— Então trouxeram a famosa estrela da agência? Não imaginava que seria assim tão repentino a vinda dessa artista, mas pelo menos a trouxe cedo...

— Sim, o nome dela é Choi Soo-Yun, mas, ela prefere ser chamada de Yuna. — Chin respondeu.

Yuna cumprimentou a todos os sete, que compunham a banda da YK, todos os olhares que a garota recebera a fez ficar muito incomodada com aquela situação, até porque não eram muito comuns, dava para sentir a esperança depositada nela do tipo 'você vai nos salvar, por favor nos salve'. E então, o membro mais despojado do grupo disse a garota:

— Nós ouvimos muito falar de você, eu sou Park Dak-Ho, o Senhor Chin disse que já tem uma música composta, é isso mesmo?

A enganadora estranhou aquele garoto, era idêntico ao professor Jung só que bem mais jovem, o que mais lhe chamou a atenção foi o cabelo avermelhado de Dak-Ho. Era como ver alguém do passado na sua frente, não conseguia disfarçar o constrangimento, ainda mais naquele olhar bem mais focado para baixo da garota, do que para seu rosto. Isso fez um pouco do ódio de Yuna subir, de tal forma que ela nem deu mais tanta atenção aos outros integrantes da banda, sentia-se ameaçada de certa maneira. Então, por um milésimo de segundo, a enganadora mostrou seus olhos demoníacos para o garoto, assustando-o.

Voltando a conversa respondeu:

— Tenho sim. Vamos conversando durante os ensaios, o tempo não está ao nosso favor e não vamos ficar a mão da sorte né?

Os membros da banda olharam uns aos outros, Dak-Ho tentava esconder o imenso terror que sentiu ao olhar no fundo daqueles olhos. Não entendia o que era, mas conseguira sentir uma energia que quase o deixou tonto, mesmo que tivesse olhado apenas por um milésimo. Tentou se distrair dizendo para o resto da banda em tom de ordem:

— Ouviram a moça, a folga acabou. Peguem as guitarras, cuidem da mesa de som, e vamos agilizar isso aqui.

— Eu acho que vou assistir aos ensaios… — Disse Chin. Naquele momento o telefone dele tocou. — Deixa-me atender essa ligação primeiro.

Enquanto o representante estava no telefone, com sua companhia maldita e implacável que eram os acionistas que estavam de frente às telas com os complicados e confusos gráficos do qual Chin apenas entendia que saía dinheiro daquilo, já que o setor financeiro nunca fora seu forte; isso lhe dava o ônus de ter de aguentar aqueles caras. Enquanto isso, Yuna e a banda iam conversando e acertando tudo no estúdio para começar os ensaios. A garota tinha facilidade em tomar o comando a situação, essa era mais uma mudança que a garota apresentara depois do período curto na agência. Havia poder até mesmo em suas palavras e principalmente, na sua linguagem corporal.

— Tem como acertar isso para mim? — Perguntou Dak-Ho para o guitarrista.

— Claro que sim, ela quer escala de Mi nessa música, lembro de algum cara por aí que dizia: "Toda essa merda começa em Mi".

— Com um vocabulário desse, deve ser alguém bem culto. — Ironizou Yuna.

— Vi isso em um livro. Eu acho. — O guitarrista dizia, enquanto afinava seu instrumento com auxílio de um diapasão.

— Desde quando você lê? Achei que nem sabia fazer isso. — Comentou o líder da banda.

— Era porque o livro tinha algo haver com guitarra, sexo e drogas. — A quarta corda, de cima para baixo, da guitarra arrebentou. — Droga, sabia que essas cordas não iriam se adequar ao meu estilo.

— Ei, vamos parar de conversar e arrumar isso, agora irei mostrar minha voz. Venham todos para essa salinha.

Já no outro lado da sala, o presidente tinha de encontrar alguma forma de convencer aqueles caras, que não paravam de fazer a mesma pergunta, com palavras diferentes:

— Senhor Chin, deu tudo certo com a tal da Yuna? Ela vai apresentar mesmo? — Perguntava um acionista majoritário, que estava no prédio da bolsa de valores de Seul. Com o dedo em outro discador, pronto para fazer o maior negócio da história, negociando direitos de transmissão e de imagem, seria naquela hora que Yuna ia decolar, ou explodir.

— Claro que sim, liguem aí suas televisões daqui a algumas horas, o mundo da música conhecerá nossa estrela.

Neste instante, a voz de Yuna ecoou pelo estúdio, até chegar à porta da sala, onde Chin estava. Ao ouvir aquele canto, ficou de boca aberta, desligou o celular na cara do acionista, e se aproximou lentamente da fonte da voz. Não era possível existir alguém daquele jeito, não era uma humana, deveria ser alguém que tinha saído de um conto de fadas da Disney ou de um musical famoso no mundo todo. O telefone do presidente até mesmo caiu no chão, partindo-se em pedaços, pois era um daqueles de telas tão finas e tão frágeis quanto bonecas. Mas, nem ao menos se importara com aquilo.

E não era apenas o representante que estava simplesmente encantado pela garota, todos os outros membros estavam a admirando, sentados à frente dela sem conseguir acreditar no que estavam vendo. Mas havia um detalhe ali, a voz de Yuna ficou muito melhor depois que o relógio do sucesso foi girado ao seu favor, aumentando em dez vezes suas perícias para o canto, sem esforço, sem treino, e muito menos sem nenhuma ajuda de seu talento natural. Aquele era o verdadeiro sucesso. Quando a enganadora terminou, Chin disse completamente extasiado, sendo que fora o único que conseguia dizer alguma coisa no fim das contas:

— Eu… Nunca vi algo assim.

— Incrível… — Disse Park.

— Fantástico. — Comentou o guitarrista

— Os adjetivos acabaram… — Finalizou o DJ.

Dali para frente, o ensaio aconteceu intensamente, Yuna cantava, explicava como era a dinâmica da música para os membros da banda e depois de algumas horas foi ficando próximo à perfeição. Enquanto Chin acompanhava os trabalhos de perto. Já conseguia ver o dinheiro em sua conta subindo como um foguete indo para a lua, mas claro, não seria tão simples assim, pois o relógio estava com a enganadora e, mais cedo ou mais tarde, o sucesso será direcionado apenas a ela no final. Mesmo que pareça que irá beneficiar outras pessoas envolvidas, não passava de uma merda nuance do poder daquele instrumento mágico, do qual Yuna se certificava que ninguém iria ao menos se aproximar dele.

Depois de estar tudo certo com a música, o presidente disse:

— Acho que já está perfeito.

— Ela é perfeita, não tem como algo dar errado com essa moça linda aqui. — Disse o líder da banda.

— Para você é senhorita Yuna. Não se esqueça disso. — Disse, mostrando seu olhar novamente para o garoto, a fim de que ele entendesse que estava mexendo com a pessoa errada.

Então, no meio daquele silêncio causado pelo constrangimento que ficou em todos, levaram Yuna para se produzir completamente. Dessa vez, ela usaria um vestido carmesim um pouco mais longo que o que ela usava e muito, mas muito mais caro, o cabelo solto e uma maquiagem simples já que segundo as próprias especialistas de moda, ela não precisava de muita coisa. A perfeição lhe acompanhava.

Então, já de noite, por volta de sete horas. Yuna foi chamada ao palco pelos alto falantes dos corredores, enquanto andava davam os últimos retoques nela e fora para a porta ao final do corredor, que dava para o setor fora do alcance das cortinas, no lado do palco. Mesmo de longe, ela conseguia ouvir as pessoas falando de algo que não conseguia distinguir por completo. Estava com as mãos frias e respirava fundo, uma, inspirava e expirava, duas, inspirava e... Expirava, três. Inspirava... E expirava, quatro. Inspirava e Expirava... Cinco. Até o momento em que uma voz de um microfone, vinda do palco dissera:

— Senhores, senhoras…. Um minuto de atenção, nossa apresentação irá começar em momentos, quero apenas agradecer a todos que vieram, ao pessoal da imprensa, como é tradição, a YK apresentará mais um artista que fará sucesso, um grande sucesso. Eu garanto que verão algo que ficará para sempre…. Para sempre, em suas memórias, no palco, para o país inteiro... Yuna!



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