História Sombras do sucesso - O livro - Capítulo 12


Escrita por: ~

Postado
Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Agências, Horror, Terror, Trainees
Visualizações 9
Palavras 4.717
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Fantasia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Survival, Suspense, Terror e Horror, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 12 - O sono dos condenados. Revelação. Lágrimas de Yuna.


Enquanto o mundo estava começando a entrar em pânico, pelo menos nos centros médicos, a preocupação das pessoas eram as mais diversas e corriqueiras possíveis, na prática, ninguém nunca se importava ou pensava muito se poderia haver uma doença se espalhando pelo mundo ou se uma guerra fosse estourar no dia seguinte. É parte dos dizeres populares que se preocupar com a morte sufoca a vida e é inútil, então pensar nisso era uma besteira naqueles tempos. Porém, Yuna tinha uma preocupação a mais: Aquela foto, tinha certeza que era uma espécie de ameaça daquele maldito demônio.

 

Tentando confirmar o que viu, novamente olhou para o jornal que havia deixado cair no chão, porém, a imagem da Sorte atrás dela não estava mais lá. Então a enganadora pensou que poderia ser apenas mais de uma de suas alucinações que tinha desde segunda-feira. Sentia-se perseguida por aquele monstro e seus contratos malucos, embora tivesse aprendido que demonstrar medo apenas piorava tudo, mas o que mais lhe assustava era o fato de ter sentido aquela energia horrível em volta de seus assassinatos, sem contar claro de ter feito todos aqueles crimes, dos quais tentava esquecer. Todavia, apenas ver aquela imagem a lembrava de tudo que havia feito, com exceção da execução assistida, da qual via apenas em flashes confusos e daquelas estranhas alterações na realidade que tinha provocado. Para não chamar atenção, a enganadora pegou o prato na parte de cima da mesinha e esperou a empregada chegar, para comerem juntas.

Hyun não demorou muito e logo chegara com o prato em mãos, ainda envergonhada com toda aquela liberdade que sua patroa lhe dava. Ela sorriu, ainda insegura, sentou-se um pouco distante da pequena, exatamente um metro e disse para Yuna:

— Nossa… Você até mesmo me esperou para comer. Por essa eu não iria esperar nunca… Nunca imaginei que alguém passando por essa transição para a fama tivesse uma humildade tão grande.

— Ah, eu sou assim mesmo. Trato todas as pessoas muito bem, se não fosse isso nunca teria chegado tão alto assim. — Yuna mentia quase com mestria, nem ao menos mostrava nenhum sinal de linguagem corporal de que estivesse o fazendo.

— Isso é verdade, tudo é alcançado por uma mistura de esforço e humildade. Eu acho, na verdade... — A empregada parecia estar desconfortável com aquele assunto, pois reclinou sua postura e colocou a mão sob a testa. — Eu quero acreditar nisso, mas mesmo que eu me esforçasse para me tornar uma cantora, nada nunca dava certo... Nunca!

Pela primeira vez na vida da pequena, ficou preocupada com o que outra pessoa sentira, não conseguia ficar indiferente quanto àquela dor, que conseguia sentir de longe. O desespero de estar se esforçando cada vez mais e nunca ter tido sequer um resultado deixava Yuna sem saber o que dizer, pois qualquer palavra de consolo seria inútil. Então, decidiu tomar outro caminho:

— Olha, não precisa se preocupar, posso te ajudar a conquistar qualquer objetivo que tenha. — Ela queria se aproximar de Hyun, mas era extremamente tímida para esse tipo de coisa, então apenas a direcionou um belo sorriso.

— Não sou interesseira assim. Aliás, com o passar do tempo comecei a achar o sucesso algo vazio, sabe? — Hyun viu o jornal embaixo dos pés de Yuna, enquanto estava olhando para o chão. — Ei… O que é isso embaixo de seus pés? — Mil perdões, deveria ter prestado atenção nessas sujeiras, e…

—Não. Eu que deixei cair agora… — A enganadora pegou o jornal do chão e mostrou a manchete para Hyun.

— Olha só! Já está ficando famosa a nível nacional. Não consigo acreditar no quanto a vida de uma pessoa pode mudar em apenas um dia né?

A pequena perdeu o foco na garota quando vira aquela manchete novamente, estava apavorada com a imagem que tinha visto da Sorte exatamente atrás dela e mais ainda pelo fato dele conseguir aparecer em câmeras, isso significava que estava conseguindo quebrar mais ainda a barreira entre o outro mundo, mas antes de se desesperar, precisava de uma confirmação sobre aquilo. Então perguntou, temendo a resposta:

— Hyun, tem algo estranho nessa imagem?

— Como assim? Acho só que você ficou maravilhosa aí. Por quê?

— Nada… Esquece. Aliás, a comida está esfriando. Acabei perdendo a noção do tempo, engraçado o fato de você estar também segurando o parto sem ter comido nada, estava distraída com a conversa? Ou eu estava lhe distraindo?

— Os dois. — Hyun deu uma risadinha ao dizer.

 

 

Yuna ficou tão envergonhada que sentiu o sangue pulsando em volta de seu rosto, nem precisaria de um espelho para ver que tinha ficado completamente corada. Tentando disfarçar isso, começou a comer, indicando que a empregada deveria fazer o mesmo. As duas ficaram comendo em silêncio, Hyun havia preparado para ambas um maravilhoso Jajangmyeon, que é um macarrão com frango acompanhado de molho preto e que curiosamente era a comida preferida de Yuna, mas, curiosamente, ela não estava com muita fome. Muito provavelmente pelo fato de estar nervosa e estar sentindo um nó apertado na garganta apenas comeu a metade:

— Aí, desculpa. Mas, não quero mais comer não. Preciso logo tomar um banho e dormir, não estou me sentindo bem.

— O que aconteceu Senhorita Yuna? — Perguntou a empregada, colocando as mãos nos ombros da mesma.

— Nada que tenha de se preocupar… Estou apenas muito cansada. Hoje foi um dos dias mais loucos da minha vida, sabe? Quero apenas descansar um pouco.

— Ah… Entendi. Achei que tinha sido a comida que te deixou mal…

— Nem ouse dizer isso. Não sei como, mas você acertou meu prato preferido até mesmo lhe dou os parabéns por isso. O problema está em mim. Agora eu vou indo… O banheiro é para lá né? — Perguntou Yuna apontando para o lado de trás do sofá. — Estou precisando também limpar as más energias do mundo lá fora.

— Sim, sim! Está tudo pronto lá.

— Ótimo.

Yuna andou por aquela suíte gigantesca, rodou pelos corredores, ainda confusa com a imensidão do lugar. Até que depois de alguns minutos encontrou o banheiro, do qual já estava com a roupa de dormir em um banco no lado de fora. Entrou no mesmo, tão luxuoso quanto o resto da casa, algo perfeitamente esperado, depois tirou a roupa e colocara em algum dos banquinhos que tinham no espaço, justamente destino a isso. Quando entrou no chuveiro fechou a porta. Neste instante a água começou a cair automaticamente, apenas por ter um sensor de presença, algo que Yuna nem sabia que existia, mas esta não era sua preocupação principal, nem de longe e ao sentir a água no corpo, começara a pensar:

‘Onde isso irá acabar? Achei que já estava quite com aquele maldito monstro… Também mal consigo olhar para aquela empregada, mesmo que ela seja maravilhosa e gentil, lembra-me demais aquela garota que eu fiz se matar. É como se ao mesmo passo que eu me encanto... Sinto-me culpada por tudo que aconteceu… Foi o pior erro da minha vida ter começado com tudo isso. E se ele quiser mais coisas? Espero que tenha sido apenas uma brincadeira daquele idiota com o senso de humor mais doente que já vi... ’.

Depois de terminar o banho, Yuna se trocou, com uma roupa mais leve para dormir, ou ao menos tentar, a mente dela estava sempre esperando que algo acontecesse, pois, algo sempre acontecia quando estava desprevenida. Ao passar pelos espelhos, decidiu olhar sua imagem, algo que não fazia há um tempo, estava completamente normal. Olhou mais uma vez, mas pensando nas coisas que aconteceram no passado recente.

‘Meus olhos... Estão mudando de cor. Então, é real! ’ — Passou dois segundos olhando para seu reflexo, até que o espelho começou a se rachar sozinho. — ‘É isso mesmo, algo mudou em mim mesmo, acho que aquilo de alterar a realidade era real no fim... Será que esse poder maluco pode me ajudar contra a Sorte? ’

 

 

Desviando seus pensamentos, entrou no seu quarto, encontrara seu notebook na mesinha, do qual ainda era o mesmo aparelho, embora a mesa fosse ainda mais imperial do que era na agência. A cama era do mesmo modelo das usadas na YK, que já eram mais do que de última linha, porém era de casal. Isso deu certas ideias na cabeça da pequena, o guarda-roupa era gigante, com dez metros de largura por quatro de altura. Lá dentro do quarto, no canto esquerdo, ainda havia uma divisória quadriculada que em seu interior tinha uma banheira de hidromassagem. As paredes e teto eram brancos, com os rodapés feitos de ouro, ou pelo menos, pareciam ser de tal material.

Quando se deitou, sentiu-se abraçada pela cama, que parecia se adaptar perfeitamente ao seu corpo, e mais rapidamente do que jamais imaginaria... Caiu no sono. E por incrível que possa parecer, nada aconteceu naquelas horas, pelo menos não na casa de Yuna. Muitos casos de pessoas que entravam em um misterioso coma aumentavam cada vez mais ao redor do mundo, a Sorte estava cobrando todas as suas dúvidas atrasadas de muito tempo. Isso acontecia no decorrer da madrugada inteira, mas o demônio assegurou-se em não atacar pessoas ditas importantes, para não causar um alarde mundial já que isso não fazia parte de seu misterioso plano.

A madrugada passou, dando lugar a um novo dia, quando Yuna acordou, viu pela janela a chuva fraca caindo e muitas nuvens no céu. Olhou para o celular que tinha deixado no lado de sua cama, em uma pequena estante, que estava na Sexta-feira, então agradeceu o fato daquela visão que teve na segunda-feira não tivesse se concretizado. O celular ainda indicava que fazia apenas quinze graus lá fora, uma grande diferença de temperatura comparando com o dia anterior. As coisas estavam excessivamente calmas e tranquilas, era apenas mais um dia normal na capital da Coreia do Sul, embora para a pequena, provavelmente, fosse impossível ter um dia normal novamente. Yuna levantou, foi até o guarda-roupa e ficou extasiada com o tanto de opções que tinha para escolher, porém, no momento, ela queria andar com algo que fosse simples, mas que chamasse atenção para seu corpo ao mesmo tempo, já que queria curtir um pouco antes que a chamassem para a gravadora.

Então, pegara um vestido com um decote em V, e uma calça apertada. Embora amasse a fama, não gostava nada de roupas muito espalhafatosas. Quando foi para a sala de estar, Hyun que parecia já estar acordada há muito, estava em pé, olhando o noticiário, do qual o jornalista contava a história:

— O ex-professor da agência YK foi condenado a dez anos de prisão por aliciamento de menores em uma festa na quinta-feira passada, além disso, ele foi encontrado em um estado de coma profundo imediatamente um dia após ser preso. Ninguém sabe ao certo o que aconteceu e os responsáveis pelo presídio dizem estar apenas investigando o assunto. Nesta manhã também, o líder da banda YK foi internado às pressas com os sintomas de começo de infarto...

Yuna ficou apavorada com o que tivera acontecido, era real, o seu olhar quase o fez morrer. Seus terríveis olhos amaldiçoados por uma dor sufocante conseguiam causar mal aos outros. Então, talvez, apenas talvez, conseguisse usá-los contra a Sorte. Porém, antes precisaria ter a força de matar um humano para poder começar a pensar nesta hipótese, a pequena sorria como nunca com aquela informação. Disfarçando seu sentimento de euforia, pegou o controle, desligara o aparelho e dissera:

— Não quero saber desses idiotas… Justiça foi feita.

— Por quê? Eles fizeram algo a você? Parece estar alegre com estas notícias.

— Sim... Os dois. O primeiro tentou me atacar em uma festa, esse professor idiota. O outro é o líder da banda do show que fiz ontem, tentando me paquerar igual a um imbecil...  Enfim, moça... Estou indo no shopping central. Quer vir?

— Eu? Imagina. Lá não é lugar para mim… Lá é um lugar apenas para celebridades ou pessoas ricas, não é do meu nível e...

— Nada de desculpas, agora você vem mesmo! Vamos comprar umas roupas para ti. Pois, eu tenho meu amigo aqui que já tinham deixado em minha bolsa, provavelmente enquanto estava no show. — Yuna mostrou seu cartão de crédito, que já deveria estar com um limite astronômico pelos ganhos na agência.

Sem dar espaço para a empregada responder, a enganadora a puxou pelo braço, não com força, mas com um estranho carinho. Yuna estava gostando mais e mais daquela garota e queria apenas vê-la feliz.

Esse era um lado seu, que nem ela mesma conhecia.

 

 

Elas desceram pelos elevadores, era engraçado que nem deu importância para seus medos recorrentes daquele meio de locomoção, apenas estar ao lado daquela moça fazia a pequena perder seus medos. Embora ainda não conseguisse tomar alguma iniciativa, uma hora as coisas dariam certo, mais cedo ou mais tarde. Yuna chamou o motorista pelo telefone já no estacionamento, lugar do qual, por sorte ainda estava vazio. Na verdade, apenas três vagas estavam liberadas, o que era muito esquisito já que quase todo mundo ali trabalhava. Mas a pequena, nem a empregada perceberam isso.

 Elas ficaram em silêncio, uma olhando para cada lado do estacionamento, depois de alguns minutos, o motorista apareceu trazendo o veículo e o parou na frente das duas, ele saiu do carro, abrira a porta para elas, que entraram lá e logo saíram do prédio. Já no interior do carro, impressionada com o luxo daquele veículo, Hyun dissera:

— Uau, nunca andei em um desse na vida.

— É seu primeiro passeio, mas não será o último. — Disse Yuna, sorrindo.

Depois de meia hora percorrendo as ruas de Seul, que estavam muito mais vazias que o habitual para uma sexta-feira comum, o carro parou em frente à entrada do shopping.

— É aqui... — Disse o motorista.

— Nunca tinha visto nada mais fantástico do que isso pessoalmente, apenas via esse lugar pela TV. — Hyun dizia extasiada, olhando para fora da janela do carro. — Já viu algo assim antes, Yuna?

— Sim, vo... — A pequena travou completamente ao começar a dizer ‘você’, não conseguira prosseguir, e apenas disfarçou: — Sim, sim. Mas apenas pela TV mesmo...

 No momento que elas saíram do carro e passaram pelas imensas portas, as pessoas imediatamente conheceram Yuna, e foram correndo em sua direção. Vendo isso, os seguranças do shopping não demoraram mais do que segundos para fazer um cordão de isolamento para proteger as duas moças. Mesmo que fossem apenas uns trinta fãs, algo extremamente incomum, logo foram dispersadas pelos seguranças.

Enquanto elas andavam pelas primeiras lojas, um dos seguranças disse:

— Não sabíamos que tinha marcado que viria, senhorita Yuna.

— Como assim? Não imaginava que teria essa galera toda aqui, e ainda mais que seriam tão… Calorosos.

— Você é a Supernova de Seul, uma celebridade nacional, tem que andar sempre protegida.

— Eu ainda não sou tudo isso…

— Menos modéstia, até minha filha te ama e fica tentando cantar aquela sua música.

— É sério? — Yuna dava risadas sem acreditar no que ouvia. — Quantos anos ela tem?

— Três... Enfim, quem é a moça que está contigo?

— Minha… Amiga. — Yuna dizia com um sorriso amarelo.

— Não, sou empregada dela. — Interveio Hyun.

— Ah... Entendi. Enfim, acho que ninguém irá lhe incomodar mais, aliás, escolheram uma boa hora. Hoje está bem vazio, bem tranquilo. Parece até feriado! Enfim, fiquem a vontade.

Quando as duas garotas seguiram em frente para o corredor principal do shopping, todos os seguranças sentiram aquele maldito sussurro em seus ouvidos e caíram no chão. Porém, Yuna e sua amiga nem ao menos perceberam aquilo.

Depois de passarem para os andares superiores, onde havia ninguém mesmo, Yuna agradecera a todos os Deuses aquilo estar acontecendo, poderia ficar sozinha com sua amiga e quem sabe poderia tornar algo a mais que isso. Com essa ideia em mente, a pequena disse:

— O que acha de vermos o que anda passando de legal no cinema?

— Ah... Pode ser. Mas, não iríamos ver as vitrines das lojas primeiro? — Hyun não parecia estar muito interessada na proposta de Yuna.

‘Droga... Que menina difícil’. — Pensou.

Ainda no andar superior, a pequena desviou o caminho do cinema e quando a empregada estava vidrada nas vitrines daquele imenso e alto corredor, com lojas dispostas de duas a duas em um total de cinquenta, apenas em um setor. Yuna percebeu que teria a chance de usar os poderes daquele relógio, tirou um pouco da tira da mão esquerda e o girou, mais vinte minutos. De início nada aconteceu, porém, exatamente vinte e cinco segundos depois, as duas passaram por uma loja de roupas finas de inverno, da qual estava sem movimento algum, nem mesmo era possível ver se havia algum vendedor lá dentro.

As roupas chamaram atenção de Yuna, que chamou sua amiga:

— Aquela loja ali, parece ser legal.

— Nossa... Aquelas roupas... — Hyun esbugalhou os olhos e foi correndo para a vitrine da mesma.

— O que foi? Gostou daquelas? Eu posso comprar todas para…

Yuna parou de falar quando viu sua amiga ajoelhada no chão em frente àquelas roupas da vitrine. Parecia estar chorando descontroladamente, preocupada, ela a questionou enquanto andava rápido em sua direção:

— O que aconteceu? Você está bem?

— Não... — Hyun mal conseguia falar, enquanto olhava para aquele traje de inverno, de cor branca.

— Não estou entendendo. — Yuna abaixou-se também e colocou a mão no ombro da empregada.

— Eram as roupas da minha irmã… Ela sempre quis comprar peças assim nesse shopping… Só queria que ela aparecesse novamente.

— Nossa... Desculpa, nunca iria imaginar. Mas, está tudo bem. — Yuna tentou abraçar a garota, que a afastou com raiva.

— Está tudo péssimo! Nossa família se quebrou em pedaços, desde que mamãe achou aquele homem rico para se casar.

— Homem rico? Do que você está falando?

— Nós éramos enteadas dele, e nossas vidas se afundaram totalmente a partir do casamento dos dois! Depois que abriu aquela agência, ficou maluco e tentou matar mamãe... Aquele maldito Chin-Hwa!

— Chin-Hwa... Ele é o presidente da agência que eu trabalho!

— Eu sei que trabalha lá, então deve ter realmente conhecido minha irmã... Mas, acho que nunca iriam lhe contar o que aconteceu com ela, né?

— Mas… Mas quem era? Quem era essa pessoa que apenas de lembrar de você ficou assim. — Yuna tentou abraçar a garota novamente, mas pela segunda vez, foi empurrada.

— Ela se chamava Kim Eun-Kyung.

 

 

Neste momento, o mundo desabou para a enganadora. A irmã da moça que estava gostando foi uma de suas vítimas, a primeira de todas e com um método extremamente cruel. Yuna conseguia sentir a dor da sua falecida vítima dentro dos olhos e das lágrimas que caíam de Hyun, aquele sentimento fez o coração da pequena se cortar em vários pedaços. Nunca sentira os impactos que seus crimes causaram e causarão nas famílias das vítimas, assim como Min Hae-Kyung que deixou uma filha pequena.

Provavelmente, seria impossível apagar seu rastro de sangue que andava debaixo dos passos da pequena. Sentia-se suja, tanto que olhava para seus braços e via sangue cobrindo-os, mesmo que fosse apenas em sua mente, mesmo que não fosse exatamente real, aquela era sua realidade: A de uma assassina que sempre andaria acompanhada de morte e desgraças por onde quer que fosse. Tentando manter a compostura, mas completamente mudada, Yuna disse:

— Vai ficar tudo bem… Ela era minha amiga.

— Sua amiga? Por favor, diga onde ela está… — Os olhos de Hyun ficaram cheios de esperança em meio às lágrimas.

— Ela… Está participando de um projeto em uma afiliada, que é só para moças acima da média de idade. Kim Eun-Kyung voltará daqui a uma semana.

— E por que todo esse mistério? — Disse a amiga de Yuna sendo levantada pela mesma.

— As agências trabalham assim mesmo. Vamos para outras lojas…

— Não… Quero apenas voltar para casa, por favor.

No meio daquela conversa, o celular de Yuna tocou, e a ela atendeu depois de chamar algumas vezes, pois, estava bem no fundo de sua bolsa e estava com dificuldades em encontrar:

— Yuna? Aqui é o Chin-Hwa, Precisamos de você aqui que venha comigo a agência, agora estou no prédio de exposições, passe aqui e iremos juntos até lá, pois preciso te explicar umas coisas...

— Entendi, estarei aí em breve.

Ela desligou o telefone, o guardou, e pensara que a melhor escolha era deixar sua amiga em casa, ir para agência, e lidar com aquele problema gigantesco depois. Então, disse para Hyun, já a deixando de pé:

— Eu vou precisar ir para o prédio de exposições, e você, precisa descansar, vá ao meu carro e diga que eu que pedi para que te leve lá… Eu irei de táxi.

— Você? De táxi? Mas, mas…

— O que eu digo é ordem lembra? Ainda sou sua patroa e como tal, ordeno que faça o que estou pedindo.

Yuna desceu as escadas, deixando sua amiga se apoiar no seu ombro. A enganadora tentava apenas ficar quieta e não pensar em nada naquele caminho, precisava limpar sua mente para não enlouquecer ali mesmo. Nunca tinha sentido tanto arrependimento na vida, queria fazer algo para corrigir o que fizera, porém, o passado já estava consumado e nada poderia ser feito, ou melhor, tudo que a pequena deveria fazer era impedir que sua empregada descobrisse a verdade, pois seria o fim se acontecesse. Já no corredor inferior, viu que não havia ninguém naquele shopping em nenhum lado, com dificuldades, levou a empregada até o lado de fora, perto do carro e a colocara no banco de trás, enquanto ela mesma iria dirigir. Sem perceber que seu motorista havia sumido também, muito pelo fato de estar extremamente nervosa:

— Te levarei para casa, tudo bem? Depois irei na agência.

— Isso não irá lhe atrapalhar, senhorita Yuna? Aliás, cadê o motorista?

—Tanto faz, não tenho tempo para procura-lo, eu mesmo te levo...

 Não se... Preocupe comigo. — Disse a empregada olhando para a janela do carro.

Yuna deu partida no veículo e fez caminho, apressadamente, de volta para seu apartamento, que era fácil de encontrar na cidade pela altura do mesmo. As ruas também estavam desertas, então não precisaria se preocupar com limites de velocidade ou trânsito, enquanto dirigia falou para a empregada:

— Eu me preocupo muito, lá na agência irei resolver isso e conseguirei o contado de Eun-Kyung... Prometo, viu? — Yuna ainda conseguia mentir muito bem.

— Tudo bem... Tudo bem... Obrigada Yuna, você é um anjo!

             — Talvez sim... — Finalizou a pequena.

Ao passo que a empregada não deixava de olhar para as tristes e vazias ruas da cidade, das quais estavam um pouco enevoadas, graças ao vento calmo e o aumento da umidade. Yuna ficava imersa em seus pensamentos desesperados:

‘Meu Deus… Isso não pode ter acontecido! Logo ela… A dor em seus olhos, eu que causei aquilo. Sou um monstro, um monstro… Será que esse sucesso vale a pena mesmo? Pensando agora, apenas aquela garota é gentil comigo de verdade, e eu acredito que o seja apenas por não me conhecer… Acho que ninguém iria querer ficar nem a quilômetros de distância de uma assassina... Isso que eu sou de verdade’.

Logo, as duas chegaram perto da entrada da grande torre, Yuna parou o mesmo ali na frente do portão dos visitantes e disse:

— Pode ir, descanse, por favor e me desculpa de novo por ter feito passar por isso...

— Não... Está tudo bem, apenas tenho a te agradecer, e além disso, você é minha amiga, Yuna...

 

Yuna apenas sorriu e deu meia volta com o carro para ir ao prédio de exposições, já não andava com tanta pressa e nem ao menos estranhava a falta de movimento na cidade, misteriosamente, ao decorrer do dia as pessoas iam desaparecendo. Como se não saíssem de suas casas, a situação dos comas repentinos estava começando a ficar aparente, bem aos poucos. Mas não estava estampado na cara de Yuna, para que percebesse. A neblina estava começando a atrapalhar a direção da garota, mesmo assim, conseguiu encontrar o caminho via GPS, pois a visibilidade ficava cada vez menor a cada metro que percorria.

Entrou no prédio de exposições, deixou o carro estacionado de qualquer jeito, não conseguia se preocupar com tal coisa. Quando passara pelo corredor de entrada, via todos os seus assassinatos correndo em sua mente, de modo que a atormentavam a cada passo e a deixara mais nervosa do que já estava. Já nos bastidores, onde todos os funcionários lá dentro já a conheciam, queriam conversar com a garota, para lhe dar os parabéns ou idiotices parecidas. Mas a cada pessoa que via apenas lhes dava um aceno e seguia apressada, querendo ir logo à agência e conseguir um jeito para aplacar a dor daquela garota, por isso, não percebeu que o movimento estava menor nas dependências do prédio também. Quando entrou no estúdio, ninguém da banda estava, apenas Chin, que a recebeu:

— Que rápido, minha querida artista! Tudo bem?

— Mais ou menos… Estou com alguns probleminhas.

— Deixe-os de lado. Chamei-te aqui para te contar uma ótima notícia…. Temos um show seu agendado para semana que vem! E vai ser no estádio olímpico. Acho que Dak-Ho vai estar bem até lá. Caso não esteja, eu contrato outro, dinheiro é o que não falta.

Yuna estava tão atordoada com o que tinha acabado de acontecer, que nem se animou ou deu importância para aquela a notícia, o mundo da pequena tinha se tornado em um monte de cacos, pela primeira vez, não se preocupava nenhum pouco com seu sucesso, a tristeza lhe abalava tanto que disse, friamente:

— Até onde eu sabia, foi um princípio de infarto né? Não parece estar preocupado, senhor Presidente.

 — É... Não sabemos ainda qual a extensão desse problema, espero que fique bem logo, eu me preocupo, pode acreditar!

 — Fingirei que está falando a verdade... Enfim, quando quiser é só me contatar, tenho umas sete letras prontas já para as próximas apresentações.  — Yuna não se importava em esconder o desdém por aquela notícia.

— Nossa. Esperava mais animação de sua parte. Realmente está mal… E queria lhe dizer que não entendo o motivo de não acreditar em mim...

 — Nada de especial.

 — Bom, a banda está de folga hoje, então queria que você desse uma visitada na agência novamente. Todo mundo quer te ver! Você é uma Deusa lá.

— Pode ser.  — Finalizou a pequena.

Claramente constrangido, Chin foi junto de Yuna até a entrada do prédio de exposições, e entraram no carro do representante, a enganadora não dizia nada, nem esboçava reação. Mesmo no caminho, do qual o carro passava com baixa velocidade, graças ao fato das ruas estarem quase que completamente tomada pela neblina, a pequena ficava fixada com aquelas palavras de sua amiga, sem acreditar no que estava acontecendo em sua vida. Pela primeira vez, lágrimas escorreram do rosto da enganadora, estava realmente sofrendo pelas dores de outra pessoa. Sempre tivera a garota mais egocêntrica do mundo, mas daquela vez, tinha ficado sensibilizada com a dor de sua amiga, ainda mais ao lembrar-se dos olhos revirados da irmã dela, já morta. Aquela maldita imagem que não saía de sua cabeça.

Enquanto isso, algo errado estava ocorrendo com o mundo, às pessoas estavam sumindo das ruas, e os carros ficavam parados nos acostamentos das estradas. O silêncio, aos poucos se instaurava na cidade inteira, no país… E em breve no mundo. A temperatura no lado de fora também caía substancialmente, e logo a neblina tornou-se chuva novamente, as regras do clima estavam se partindo em pedaços, não era normal tudo estar se alterando em velocidade tão alta. Apenas um ser ficava feliz com aquelas alterações:

 — Que interessante, nunca tinha visto um choque entre dois mundos. Mas, vento, chuva e neblina como primeiros impactos? Ainda bem que em breve os sinais serão mais intensos, e será o fim de Yuna... Sua pequena máscara cairá...



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...