História Sombras do sucesso - O livro - Capítulo 6


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Agências, Horror, Terror, Trainees
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Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Fantasia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Survival, Suspense, Terror e Horror, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 6 - A pressão da derrotada. O destino de Kim Eun-Kyung


Como Yuna havia dito para Min-Jee, precisava convencer Park Mi-hi de aceitar o convite à festa, o que seria um caso muito mais complicado, graças ao fato delas nunca terem se falado antes e faltavam apenas um dia e algumas horas para o começo da mesma, seria depois da aula de Jung, na Quarta-feira. Tal como um predador procura sua vítima, a garota pródiga desceu os andares pelas rampas até o térreo. Não conseguia tirar o pesadelo de sua cabeça quando passava pelo vão do prédio principal, mas precisava fazer coisas mais importantes do que relembrar o que se passou. Suas aspirações doentias quanto à necessidade de tornar-se alguém bem-sucedida, fizera com que Yuna entrasse por conta própria em um poço mais profundo, pensava em seus pais enquanto percorria os suntuosos jardins da agência no lado de fora da mesma, seria tudo por eles. Tudo por eles.

Desviando seus pensamentos, prestou atenção um pouco no mundo do lado de fora, do qual fazia tempo que não via, pelo menos em sua concepção. Deu um grande suspiro e sentiu o ar quente e pesado entrar por suas narinas. O vento estava mais intenso, algo estava vindo do sul. Procurando por Mi-hi andou pelas pistas principais, de onde ficou admirando com certa raiva ao centro do jardim, onde havia aqueles trevos de quatro folhas amontoados:

‘Será que é dali que vem o sucesso da agência? Patético” — Pensou.

A pequena encontrou Park Mi-hi, sentada em um banco, de frente ao prédio secundário, o do auditório, de onde tudo havia começado. Como quem não queria nada, Yuna sentou no banco ao lado, fingiu mexer estar com dificuldades ao mexer no celular, dizendo sozinha:

— Droga.... Isso não funciona.

Enquanto reclamava ao vento, certificou-se de que a garota que estava no outro banco a ouvisse, olhando de canto de olho viu que a garota olhava, mas logo desviava o olhar, como se não quisesse ajudar. Então, deveria mudar sua estratégia, combateu sua timidez e chamou a garota magra:

— Senhorita? Como que acessa o Wi-fi daqui? Você sabe?

Mi-hi olhou para Yuna por uns momentos, sem vontade alguma de conversar. A garota parecia muito mais magra vista de perto, e pelo sol que queimava sua pele branca, parecia uma boneca de plástico. Esta, sem ter opções senão responder a pequena, o fez:

— É... É meio complicado de entrar na internet daqui... Colocaram uma senha bastante complicada, como se alguém fosse roubar algo daqui, sendo que a coisa mais próxima deste lugar é a escola secundária e já tem internet por lá... Muito rápida por sinal.

— Pode colocar aqui para mim, por favor? Estou precisando falar com minha mãe — Yuna foi até o banco onde a garota estava, quase encostada lá.

O coração da garota batia forte, sabia que não poderia errar em sua estratégia, não iria ter outra chance, aquela garota tinha de ir à festa de uma forma ou de outra. O plano tinha de continuar e para seu alívio, a garota aceitou ajuda-la, digitou a senha por alguns segundos, não tinha dado certo.

— Droga... Sempre erro na primeira.

— Como pode ser assim tão complicada? É um enigma? — Brincou.

— Na verdade, sim. Colocaram algo como YK254331097. Mas, não se as primeiras letras são maiúsculas ou não... — Finalmente Mi-hi acertou a senha, da qual não tinha sequer uma letra em maiúsculo. Logo, o celular conectou de forma sucedida, e as mensagens dos parentes da pequena começaram a aparecer em sequência. Pelo tempo, parecia que não usava o celular a alguns dias.

— Deve ter sido horrível não poder usar as redes sociais durante o dia todo. Isso prova que não é impossível viver sem essas coisas. És quase uma heroína por ter conseguido. — Comentou Park Mi-hi.

— Verdade. Nem sou muito apegada a isso, sabe? — Disse Yuna, esboçando um sorriso forçado. — Sou das antigas, nunca liguei muito para isso de tecnologia e essas redes, mesmo que seja quase indispensável nos dias atuais.

— Então a estrela da agência curte o século XX?

— Bastante, das histórias que meus pais contavam... Um tal de toca-fitas, videocassete, essas coisas.

— É... Legal. — Disse a moça magra, virando-se de costas para Yuna.

O silêncio instaurou-se entre as duas, estava mais do que claro que Mi-hi não queria muita conversa. A pequena viu que seu plano estava em risco, precisava pensar em alguma coisa. Mas, não conseguia imaginar como voltar a puxar assunto. Todavia, Mi-hi retomou a conversa, dizendo para Yuna:

— Soube que você não está bem. É verdade? Você desmaiou lá no refeitório. Não é do tipo de coisa que acontece toda hora. Você não parece ser do tipo que depende de algum remédio ou que sofre de queda de pressão frequentemente.

— Ah... Aquilo. Estava nervosa e muito cansada da viagem até aqui. Sou de uma cidade distante.... — Yuna se esforçava ao máximo para criar suas mentiras, parecia estar funcionando, de fato, sua arte de enganar estava ficando um pouco mais lapidada.

— Entendi, tente se acalmar. Olha... — Park Mi-Hi aproximou-se de Yuna e sussurrou em seu ouvido, com medo que alguém ouvisse, mesmo estando apenas as duas no pátio de convivência, um lugar pouco movimentado. — O médico que trabalha na enfermaria, ele dá uns calmantes e aqueles remédios de emagrecimento... Só que você deve ser discreta. Já que é meio proibido, sabe?

Ao ouvir as palavras da garota magra, entendeu imediatamente como deveria atacar sua inimiga, deveria juntar o máximo de remédio para emagrecimento e matá-la com uma superdosagem, desde que conseguisse trazê-la para o quarto, no quinto andar, no dia da festa, não seria uma tarefa muito difícil. E ainda por cima ninguém desconfiaria de Yuna, já que uma garota anoréxica morrer com overdose de remédios daquele tipo era tão normal que ninguém se importaria em fazer investigações mais profundas. Querendo puxar mais assunto sobre a doença da garota magra, Yuna perguntou:

— Como sabe dessas coisas? Você toma esses remédios?

— Esse corpo não é natural, nunca seria... Preciso daqueles remédios, sem eles não consigo me olhar no espelho.

— Por quê?

— Olhe para mim de novo... Estou péssima sem os remédios, sinto-me gorda, sei que o médico oferece tranquilamente para pessoas como eu, tal como me contaram... Mas, tenho medo de ser pega fazendo isso, porque, se for, posso me meter em problemas. Tudo que eu queria era ir a tal festa para que me dessem às escondidas. O problema é que sou tímida de pedir a alguém para ir, até porque é falta de educação.

Yuna quase levantou e saiu comemorando, porque a presa era muito mais fácil de abater do que ela jamais pensara. Por isso, ela não conseguia esconder sua alegria impressa em um imenso sorriso. Tudo estava mais que perfeito para trazer Mi-hi para a festa e talvez, nem precisasse de ajuda para se matar, pois ela conseguia se ver gorda mesmo que estivesse quase desaparecendo no ar.

— Para que esse medo todo? Se eles não te convidaram, convido eu! Vamos lá? A lista não fechou ainda... Ainda posso arrumar esses remédios, se o médico for Park Dong-sun vai ser bem fácil.

— Sério? — Park ficou espantada com o convite. — Você não me acha estranha? Estou parecendo uma baleia assassina com esse peso todo... Preciso muito desse remédio.

— Como se eu fosse tão diferente de você. — Brincou Yuna, se referindo ao peso das duas, que eram bem próximos. — Bom... Tenho de ir, daqui a uma hora é a aula do Jung e preciso cuidar de umas coisas. — Yuna disse. Já se levantando. Satisfeita por ter sido tão fácil.

— Nos vemos na festa! — Exclamou Park.

Agora com a primeira parte do plano concluída, a pequena só precisava pegar os remédios para emagrecer com o médico que lhe atendeu. Suas três vítimas estavam literalmente prontas para o abate, completamente alegre, entrou no prédio principal, olhando uma vez para trás. Percebeu que o vento estava mais forte, pois balançava algumas árvores das bordas do jardim:

‘O que será que deu com esse tempo? ’ — Pensou.

Já no lado de dentro, foi pelas rampas até o segundo andar. Cruzou o corredor para o segundo setor, ao passar pela porta dupla e ficar de frente para as duas salas, tanto a de aula quanto a de medicação não conseguia pensar em outra coisa que não fosse aquele ocorrido na segunda. Aquele maldito pesadelo, podia ver quase que claramente aquele tracejado de sangue que direcionava para àquela sala, da qual nem ao menos teve coragem de ir, além disso, todo aquele clima misterioso que ficou quando havia acordado naquela sala a fez ficar mais assustada com a possibilidade de entrar ali. Mas, daquela vez, era muito necessário. Ao ficar em frente à sala, viu uma plaquinha branca, de trinta centímetros com os dizeres:

‘VOLTO DAQUI A UMA HORA’.

'Perfeito’. — Pensou, comemorando.

Yuna abriu a porta cuidadosamente, já que o médico não a tinha trancado especificamente naquele dia, provavelmente de propósito, é possível dizer que aquela era a pequena ajuda da Sorte para a garota. Andou pelo corredor das macas até o final do mesmo, onde tinha várias gavetas brancas e de lá de dentro saía cheiro de medicamentos, junto com todo aquele ar de hospital velho. Quando as abriu, viu que havia montanhas de remédios com as mais variadas finalidades, como os para forçar aborto, calmantes, anestésicos, mas nem todos estes juntos se equiparavam a quantidade de pílulas roxas, que estavam separadas em pacotes de plástico, com a marcação:

‘ANFEPRAMONA, PROIBIDO PARA USO, DESCARTE IMEDIATO’.

A Pequena já havia ouvido falar daquele remédio, era aquele que já causou muitas mortes na década passada, sendo proibido no mundo inteiro, pois os efeitos colaterais eram muito fortes e sua eficácia, não comprovada. Este medicamento em especial, precisa ser tomado em doses muito pequenas para não causar efeitos ainda mais graves, como vômitos constantes, e até mesmo uma parada cardiorrespiratória.

‘Perfeito para quem quer emagrecer... Bem rápido. Até virar apenas um amontoado de ossos, dentro de um caixão’. — Pensou.

Pegou dez caixinhas, a quantidade absurda era para não dar margem à falhas, não havia a intenção de apenas dar uma arritmia e sim de matar a moça de uma vez só. Mesmo que a garota precisasse apenas de tratamento, afinal a garota estava em uma fase grave daquele distúrbio de imagem, não só parecia uma boneca de plástico, mas como sua pele estava manchada e a pequena sabia que aquilo era um sinal grave. Mas, sua intenção não era ajudar e sim destruir a garota de uma vez só.

Yuna levou tudo em uma bolsinha roxa, uma das que mais gostava de usar. Levantou, saiu da sala e fechou com o mesmo cuidado a porta da sala de medicação. Passou aquele imenso caminho até seu quarto, pois não poderia ficar com aquilo pesando em sua bolsa já que poderia gerar desconfiança geral. Enquanto passava para o quinto andar, através das rampas pensou:

‘Ela já estava se matando de qualquer jeito, estou apenas dando um significado para a morte dela... E de todas as outras, não preciso me sentir culpada... Não preciso.’.

Já na entrada de seu quarto, no corredor das quatro garotas, recebeu a mensagem de Kim pegara o celular de seu bolso e pulou de alegria ao ver a mensagem, mais uma... Para o abate:

‘Desculpa a demora a responder, irei à festa sim! xD’.

‘Ótimo, te espero lá’. — Respondeu Yuna.

Guardou o celular e entrou no seu quarto, colocou todas as caixinhas de remédio embaixo de sua cama. Seu plano para Park, sob essas circunstâncias, era esperar ela se animar em demasia, levá-la para o quarto e a encher daquelas pílulas. Para isso dar certo, a garota magra precisaria estar bem debilitada pela bebida, que provavelmente teria já aos montes. Dizem que pessoas naquelas condições são afetadas pelo efeito do álcool mais rápido, ela esperava que aquilo fosse realmente verdade. Já com tudo pronto, esperou o tempo passar assistindo programas inúteis na TV. Quando deu a hora da aula, desligou o aparelho, foi até sua cama e pegou a bolsa cinza que mais gostava de usar, prendeu os cabelos, retocou a maquiagem e fez caminho para a sala de Jung. Como habitual, a garota chegava sempre no horário exato da aula, apenas com a intenção de que as pessoas verem sua entrada triunfal ao centro da sala, gostava daquela atenção toda. Antes de entrar, cruzou com o professor de frente à porta:

— Tudo bem, Yuna? Desculpa por aquela notícia, acho que me equivoquei, a professora Min mudou de ideia de repente. Nem eu esperava isso. — Disse Jung, dando risadinhas e em seguida, beijando a mão de sua aluna. — Acho que ela reconheceu seu maravilhoso talento.

— Imagina... As pessoas mudam né? — Desconversou Yuna, dando um sorriso de canto de boca. — Ou melhor, acho que estou com Sorte.

— O que você sabe sobre Sorte?

— O suficiente. — Finalizou Yuna.

Os dois entraram na sala, quando a pequena sentou em seu lugar preferido e o professor chegou ao centro da lousa. Todos os outros alunos já aguardavam pela aula, com uso de sua audição apurada, Yuna ouvira que a maioria dos assuntos já era sobre a festa. As pessoas estavam buscando uma comemoração insana, muito longe de ser algo saudável, enquanto a pequena queria apenas causar uma pequena chacina para suas inimigas. E para começar a aula, o professor disse:

— Como vocês todos estão? Espero que estejam bem. Já devem ter ouvido sobre a surpresa que o nosso chefe está preparando para vocês né? Ou não tão surpresa assim, acreditem para eu foi um baque tão grande quanto para os senhores. Mesmo que eu não tenha muito haver com essa história, vou cobrar sempre a dedicação e compromisso de todos os meus alunos. Aquele trabalho terá sua entrega para hoje, tal como combinamos.

Os alunos mandavam mensagens entre si ainda sobre a festa, sem se preocupar muito com o trabalho, pois todos tinham deixado pronto e uma dessas pessoas estava extremamente ansiosa por aquilo. Kim Eun-Kyung nunca havia feito um trabalho com uma dupla que lhe aceitasse e queria muito que o professor gostasse do trabalho, embora se sentisse culpada por não ter feito muita coisa para ajudar Yuna. Ela segurava a pequena apostila que ela mesmo tinha encadernado com as duas mãos, suando levemente entre o papel.

— Enfim, quero que entreguem aqui na minha mesa. Podem vir, façam uma fila. Então, todos entregaram seus trabalhos.

As meninas e meninos se ajuntaram nos grupos que haviam composto e organizaram-se em uma grande fila, que ia de ponta a ponta de sala. E logo para começar, Yuna havia tomado a frente, estando ao lado de Eun-Kyung. O plano começou a ser executado, quando a pequena indicou para sua amiga entregar o trabalho, que mesmo perfeitamente apostilado e provavelmente, correto. Jung olhou para Eun-Kyung com um olhar de desprezo:

— Fizeram juntas? Não me lembro de ter dito que podia, já conversamos antes, não é, Kim Eun-Kyung? — O professor disparava toda sua irritação para a menina depressiva, mas não dirigiu sequer uma palavra para Yuna. — Não adianta querer subir nas costas da minha querida Yuna! Ela não é do seu nível!

— Desculpa... Eu estava sem saber como fazer, e ela me ofereceu uma ajuda sincera, não tinha nenhuma intenção de me carregar ou algo do tipo. Foi só isso, por favor... Reconsidere Professor. — Dizia Kim, de cabeça baixa, se desculpando.

Yuna praticamente estava soltando fogos por dentro, enquanto via a sua ‘amiga’ se ferrar, se humilhar e se entristecer ao seu limite. E de brinde, a pequena tinha seu ego alimentado mais do que já era enorme. Talvez o maior ego do país, quiçá do mundo.

— Complicado né? Minha pródiga... — Dizia o ex-cantor olhando para sua aluna favorita. — Não fique querendo ajudar todo mundo, não se pode tirar o fracasso de... — Jung mudou o olhar para a garota alta. — Certas pessoas azaradas. Pessoas assim, apenas querem subir nas costas dos que têm sucesso, conheci muitos lixos iguais a essa garota, que aliás, parece um prédio com essa altura...

Eun-Kyung ouviu aquilo, todo o seu otimismo e a momentânea alegria que tivera ao encontrar uma ‘amiga’ desvaneceu-se como pó, pela segunda vez, a pequena ficava apenas observando toda a cena, como se gostasse de ver o sofrimento dela. E gostava mesmo. Não havia saída daquela situação, das humilhações constantes. Ela não entendia, mas já estava condenada pela Sorte ao sofrimento até a hora de sua morte, não havia outro caminho.

‘Dessa vez, irei acabar com isso tudo’. — Pensou Eun-Kyung, chorando copiosamente.

Yuna tinha plena consciência de que aquela saia justa iria acontecer, afinal sabia que o trabalho era individual e não em dupla, se fosse o professor teria avisado. Eun-Kyung estava tão deprimida que nem conseguira imaginar sobre essa nuance tão particular sobre a atividade, mas nem nos melhores e mais doentios sonhos, a pequena imaginou que seria tão perfeito. O professor tinha destruído a alma daquela garota com suas palavras cruéis, por um momento, Yuna imaginou se aquele fosse o papel de Jung, não parecia falar aquele tipo de coisa toda hora. Ela olhava para o rosto da garota alta, tentando demonstrar pena, quase sem sucesso. Furiosa e no meio de suas lágrimas, a garota depressiva gritou na cara do professor:

— VOCÊ DEVE ESTAR CERTO. NINGUÉM MAIS SE INCOMODARÁ COM MINHA PRESENÇA! ENTUPAM-SE DESSE SUCESSO E MORRAM!

Sem esperar resposta, retirou-se da sala rapidamente, mas a atenção dos alunos não estava voltada para ela, a maioria nem ao menos percebeu, com exceção de Choi Min-Jee que olhava tudo desde o princípio, esboçou um sorriso para Yuna. Tentando dar uma desculpa, a garota pródiga mentiu:

— Ela pediu toda desesperada, até entrou no meu quarto, não poderia negar né professor?

— Não precisa se desculpar, conheço essa moça há anos. Essa enteada do Chin é uma idiota completa. Se ela fizer isso de novo, pode me chamar que resolverei definitivamente essa situação. Agora, sente-se.

Yuna sentou-se e viu o resto da aula, mal poderia esperar para o sinal tocar e pegar todas suas vítimas. Pela primeira vez, o relógio foi seu amigo e logo deu a hora da saída. Assim que o sinal tocou, saiu da sala sem se despedir do professor. Ignorando até mesmo Min-Jee, que conversava com todos os alunos para convidá-los. Andou apressadamente pelas rampas até o quinto andar, entre o terceiro e quarto, sentiu uma forte dor de cabeça; rapidamente via uma trilha de sangue no chão, como se os mundos estivessem se cruzando. Mas, isso a fazia sentir-se tonta de tal forma, que andava bem devagar. As luzes piscavam em sua visão, a rampa crescia, o barulho de microfonia vinha de longe.

Era impossível determinar exatamente o que estava acontecendo, mas conseguia sentir toda a dor da garota alta, a cada passo que dava em direção da mesma. Não conseguia manter uma indiferença ao choro e vozes que ecoavam em sua cabeça, com dizeres estranhos, tais como:

— Está trilhando um caminho sem volta.

— Yuna, Yuna. Almas clamando, monstros sussurrando.

— Estamos todos perto de você.

Neste momento, sua vista clareou novamente, havia subido tantas rampas que já estava no quinto andar imediatamente de frente ao corredor das quatro garotas. Olhou para todos os lados, tudo estava como deveria estar. Parecia ter sido apenas uma ilusão, acompanhada de uma vertigem, mas a garota sabia que não era apenas algo ordinário. Talvez fossem almas irritadas com as ações de Yuna, poderia ser muita coisa ao mesmo tempo.

Ao chegar perto do quarto da garota, quase caiu para trás ao ver as letras se desenhando aos poucos, acompanhadas do som da microfonia que ainda ecoava em sua mente, os dizeres confirmavam que tudo que existia no outro lado era real, pois estava escrito da mesma forma, a sangue:

‘PERDEDORA’.

Completamente curiosa para saber se tudo havia realmente se concretizado, abriu a porta do quarto da garota deprimida e viu a realidade, sua primeira obra, embora tivesse conseguido concluir seu objetivo, aquela cena a traumatizou para sempre: Kim Eun-Kyung havia se enforcado com uma corda amarrada no teto. Seus olhos estavam esbugalhados, olhando diretamente para a pequena, mas já sem vida alguma, mas quando Yuna se aproximou do corpo, conseguiu até mesmo sentir a desesperança que a moça tinha. Um ar... Pesado.

Pela primeira vez, havia se sentido mal com o que tinha causado à garota, dando-lhe esperança de uma amizade, para que recebesse um golpe fatal logo após disso, antes mesmo do que o previsto. Já que o plano de Yuna era humilhar a garota durante a festa e fazer ela se matar.

Mas Kim tomou a iniciativa antes.

Tentando fingir uma indiferença, foi até mais perto do corpo, e pegou o bilhete que segurava em suas mãos, que havia caído no chão. Eram aquelas instruções de suicídio que escrevera anteriormente, quando ela olhou para o verso do papel, havia coisas confusas escritas, em várias direções, com uma caneta preta. E pelos traços, foi escrito de forma violentíssima:

‘OBRIGADO YUNA, FAREI QUESTÃO EM PUXAR SEU PÉ TODAS AS NOITES’.

Yuna engoliu em seco aquela ameaça, sentiu até mesmo um leve arrepio nas pernas. Era como se tivesse algo ali, mesmo assim, fingiu indiferença achando que o espírito da garota estava ainda naquela sala, caso fosse possível:

— Droga... Queria minhas vítimas todas juntas, mas essa idiota já fez esse favor antes... — Não precisa mentir. Yuna. — A Sorte interrompeu, aparecendo atrás da garota apenas como uma presença não material novamente. — Você foi sempre muito pacífica. Na verdade, sempre foi assim porque nunca precisou chegar a tal ponto para obter sucesso. Já que te dei tudo na mão durante todos estes anos.

— Quem disse que estou mentindo? — Yuna deu um sorriso maléfico, voltada para suas costas, onde a Sorte deveria estar.

— Então a garotinha inocente virou uma matadora fria? Assim que gosto. Essa é a sua parte da personalidade que sempre quis que despertasse!

— Estou apenas fazendo o trabalho sujo por estes relógios. Quer dizer, é mais para tirar qualquer provável inimiga minha. Ainda faltam três... Na verdade, o quinto quarto não tem ninguém... Quem é essa pessoa afinal?

— Sua frieza está se aflorando muito bem e muito rápido... Ah... A quinta garota? Eu não quero que a mate ainda, concentre-se em Mi-hi e Min-Jee... Depois te digo quem é a quinta moça do seu corredor, vai ser algo grande, uma prova final... Preocupe-se apenas com as tarefas de casa.

— Isso é fácil... Acho que faria de uma forma ou de outra. Até porque odeio pessoas perdedoras, odeio! Essas... Pessoas sem sorte. — Disse Yuna, admitindo sua verdadeira identidade.

— Então, acho que estou apenas te atrapalhando. E sobre a ameaça de Eun-Kyung, não se preocupe... A alma dela já está presa dentro do meu relógio.

— No lugar em que merece estar. — Finalizou Yuna.

A garota pródiga aproveitou que estava de costas para o corpo suspenso, e se retirou do quarto, pretendendo obviamente não contar a ninguém o que acontecera lá, até para não levantar nenhuma suspeita.

“Deixe que as traças a corroam, ah... Eu fico com isso, com esse recado amigável”. — Pensou Yuna, guardando o papel em sua bolsa.

A pequena foi a seu quarto. Decidida a esquecer tudo que havia ocorrido, tinha visto a morte pela primeira vez, e aquilo arrancou muito de sua humanidade fora. Precisava fazer aquilo, era o único caminho para o sucesso, o único problema era o de apagar a memória daquele corpo, olhando fixamente para ela, com aquelas marcas de enforcamento pelo pescoço. Mesmo assim, a sensação de matar era boa ao seu ver, ativava algo em seu cérebro.

Tanto que nem ao menos se importava com o que a Sorte iria fazer com aquelas almas, queria apenas sentir a mesma sensação novamente, mas ainda restava um pouco de coração dentro dela, muito pouco.

‘O que está acontecendo comigo? Algo mudou... Sinto que algo mudou, como se algo tivesse alterado meu próprio sangue, quem sou eu afinal? ’.

Desviando seus pensamentos malignos, foi até o banheiro para tomar outro banho, a fim de retirar aquele peso em seu corpo de ter feito que fizera. Embora algo assim nunca pudesse ser apagado. Enquanto a água caía sobre seu corpo, aquela imagem foi absorvida por seu subconsciente, criando algo mais fundo dentro de sua própria mente. Algo estava acontecendo.

Depois do banho se arrumou, colocou um vestido preto, até embaixo dos joelhos, um brinco na orelha esquerda, uma pulseira de prata falsa no braço direito, onde estava escrito: “AMOR” e um colar no pescoço, com bordados também de prata. Também procurou seu melhor sapato, um salto médio de cor escura e para finalizar, um batom preto.

‘Vestida para matar’. — Pensou.

Saiu de seu quarto, E foi para a festa, que aconteceria no subsolo, especificamente na piscina. Desceu todas as rampas, enquanto o fazia via a luz do céu ficar cada vez mais escassa, anunciando a noite. Prestando um pouco de atenção ao horizonte viu que o vento abalava um pouco mais do lado de fora, as árvores balançavam com mais força ainda, das quais brilhavam com a cor rosa do céu do fim de tarde.

Ao chegar no térreo, percebeu que não havia rampas para o subsolo, era obrigada a pegar o elevador. Era irônico como tinha medo disso, mas não demonstrou hesitação alguma em matar e enganar as pessoas. Entrou no ascensor e desceu, suas mãos estavam menos frias que de costume, muito se devia ao fato de não estar prestando muita atenção à descida, em vista do que tinha feito.

Quando chegou ao subsolo, fora direto para uma área de convivência. Que consistia de vários bancos próximos a área da piscina, dispostos de dois a dois para leste, onde lá no final poderia ver restaurantes de uma praça de alimentação que funcionava de dia. Sua estratégia era ficar em um daqueles bancos esperando a festa se agitar mais.

‘Espero que não demore muito para essa galera ficar tão louca que vai nem saber o próprio nome’. — Pensou.

Passaram-se algumas horas e ninguém a viu ali. Quando deu onze da noite, decidiu entrar. Foi até a entrada, onde havia um grande banner, de dez metros de largura, que ia até onde estava a porta, até para o lado da praça de alimentação, que dizia: FESTA DO ECLIPSE. Yuna até tentou conjecturar o motivo de terem escolhido aquele nome, mas provavelmente não era nada importante. Passou pela porta de entrada, onde dava para outra sessão, de controle de entrada. Dali já ouvindo a música estrondar seus ouvidos, nunca tinha ouvido algo tão alto e ao mesmo tempo, incompreensível. Olhando para as pessoas ali perto, deitadas ali mesmo no lugar onde era suposto haver o controle de entrada, já sabia que estava no momento certo, pois todos ali estavam muito bêbados.

Foi imediatamente reconhecida por um garoto alto, que gritou, mesmo perto da garota:

— Yuna! Demorou para vir, Min-Jee estava preocupada!

— Quem é você?!

— Amigo dela! Disse que era para avisá-la quando você chegasse!

— Você o quê? — Perguntou Yuna, sem conseguir ouvir o garoto por causa do som.

— ... Chegasse!

— Ah sim. Não sabia que ligava tanto assim para mim!

— Imagina, pode entrar!

Então passou pelas cortinas de entrada, dando seu nome aos dois seguranças tão altos quanto postes. Finalmente, poderia começar a cumprir seus passos para das às outras duas almas à Sorte.



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