História Sombras do sucesso - O livro - Capítulo 7


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Agências, Horror, Terror, Trainees
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Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Fantasia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Survival, Suspense, Terror e Horror, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 7 - Um grande Show. O nascimento da enganadora


Ao entrar na festa, sentiu a música que estava altíssima, as pessoas já estavam muito além do limiar da sobriedade. As pessoas se concentravam entre a piscina ou nas bordas das mesmas, com certeza misturar bebidas com piscinas próximas não era algo seguro. Também havia várias caixas de som espalhadas no entorno, outras penduradas nas paredes. O espaço do DJ ficava no fundo do salão, mas poucas pessoas prestavam atenção nele.

 Todo mundo se concentrava nas áreas em torno da piscina, a garota pensava no que aconteceria se alguém naquele estado caísse ali, e por que pensaram em uma festa sob circunstâncias tão perigosas, inclusive com o fato de ter vários equipamentos eletrônicos nas bordas da piscina. As luzes coloridas piscavam por todo o lado, entre roxas, vermelhas, e rosas, com certeza já deixaria alguém alterado apenas de olhá-las por muito tempo. Yuna ia caminhando pela bagunça para procurar suas duas vítimas, o que era muito complicado, exatamente pelo motivo de ter muito mais do que os cinquenta alunos. Assim como tinha sido requisitado para aquela situação.

O que havia começado como uma festa entre alunos terminou com convidados de família, amigos próximos, e até mesmo os professores estavam lá. Mesmo entre desconhecidos, a pequena atraía os olhares de todos por onde passava, pensava se o tratamento seria este se soubessem o que ela andava fazendo longe de todos os olhares. Antes de conseguir encontrar suas companheiras de quarto, o mestre de cerimônia parou a música para atrair os olhares das pessoas:

— Gente, gente. Vamos melhorar isso, como estamos entre artistas, à próxima música será cantada ao vivo, aqui no palco, para todos. E o som escolhido é... — Nesse momento, o DJ ouviu um sussurro em sua mente. — A enganadora, do Seul’s Stars!

Todos ficaram muito surpresos, até porque essa não é uma música muito conhecida dos vários sucessos daquela antiga banda. Porém, Yuna sabia o que estava acontecendo, pois, era seu som de festa preferido, a música que cantou na primeira festa que comandou e que lhe trazia ótimas lembranças. Aquele fato com certeza era a Sorte agindo de novo, e aceitando aquele presente, a pequena levantou a mão o máximo que pôde, mesmo que fosse muito baixinha e gritou:

— Eu! Eu posso cantar!

O DJ não a conseguiu ver até porque tinha muitas pessoas aglomeradas a sua frente, então passara dentre elas, procurando um caminho. Até conseguir chegar quase em frente a plataforma de onde estava a mesa de som:

— Eu, aqui! Olha para mim!

— Nossa, temos uma candidata, é uma garota maravilhosa, aliás.  Vem logo garotinha, vamos ver então! Mas é bom fazer direito.

Yuna nem respondeu aquele moço e andou lentamente dentre a multidão, todos os olhares estavam voltados a ela, além de aproveitar aquela atenção que se deliciava em receber, este era o momento perfeito para procurar pelas duas garotas, no meio do caminho, ela viu a Park Mi-hi que estava mais magra do que nunca, de modo que nem precisou ver bem seu rosto, apenas a conhecera por causa dessa característica. Todavia, a sua amiga que lhe ajudou nos planos, não estava lá, ou pelo menos, não no seu alcance de sua limitada visão. Por acaso, um pensamento em particular passou pela mente da garota: A visão de Eun-Kyung morta, e de que todos estavam festejando enquanto o corpo dela em breve começaria a apodrecer igual uma maçã estragada. Ao andar via aquilo, era como se estivesse transitando novamente entre realidades, o barulho da microfonia estragava ainda mais seus ouvidos, e seus sentidos ficaram confusos. Até a visão sumir e tudo voltar ao normal, na mesma velocidade em que se alterava. Tentando negar seu sentimento de culpa por ter selado o destino da garota, deu passos mais apressados ao palco, subiu as escadinhas e ficou uns três metros acima do nível do chão.

Pegou o microfone da mão do mestre de cerimônia, dando um sorriso falso para ele, voltara à atenção ao público e disse:

— Todos! Para quem não me conhece, meu nome é Yuna e Agora a festa vai começar de verdade!

A plateia ficou animada ao vê-la, tanto as pessoas conhecidas como as desconhecidas gritaram por ela. Dizendo todo tipo de coisa, ao manter visão para todas as pessoas, vendo o salão pela sua totalidade, a pequena viu a Sorte, de forma bem turva, a assistindo de longe, próximo à entrada e desaparecendo logo em seguida. Yuna desviou sua atenção disso, fez o sinal para que começassem logo a música.

Então a batida eletrônica grave e forte tomou conta do ambiente, que até mesmo ecoava literalmente nos corações de todos. Yuna dançava na frente do palco, se aquecendo, enquanto a letra não começava. A desenvoltura dela era fantástica e depois de alguns segundos seguindo a batida já tinha esquecido completamente do que acontecera momentos antes, com uma facilidade incrível. Quando chegou a hora, ela começou a cantar:

— Existe alguma coisa que lhe autodestrua?

Existe alguém que mude seu olhar, e o desconstrua?

Ela está aqui, entre nós, pronta para tudo!

 

 

Os sorrisos de Yuna enquanto cantava eram extremamente malignos, porque mesmo na emoção de estar se apresentando, conseguia pensar bem em todas as transições da música, que representava tudo que pensava e, principalmente, sobre sua natureza. Seus pensamentos estavam voltados para os remédios que ela daria para Park e como eles iram destruí-la de dentro para fora. Claro que ninguém ia notar essas particularidades na letra, e todos estavam curtindo o som, completamente envolvidos pela batida e a voz angelical de Yuna, que continuou ao voltar da primeira passagem:

— Eles ambos dizem que ela é boa ou má.

Mas eu a vi lá!

Eles ambos dizem que ela é boa, mas a matou.

Por suas próprias intenções!

Ela começou tímida, com poucas mentiras.

Agora mostra aos outros o que sentira,

Ela fazia tão bem que tentava aprender sobre seu poder...

Ela derrama algumas lágrimas, consigo ver,

Agora, quem é ela, ninguém consegue mais saber!

A última passagem acontecia, nesse momento, ela ficou completamente entorpecida pela música, deixando suas preocupações de lado, enquanto dançava, todos a acompanhavam, alguns que já conheciam a letra até tentavam cantar junto com ela. Mesmo naquele estado, a garota sabia que estava falando dela mesma, que começou tudo de forma tão inocente e agora era quase uma assassina fria e profissional, a menina baixinha era um poço de maldade, e estava apenas se preparando para o próximo passo. Vendo que a animação das pessoas estava no máximo, ela foi direto a penúltima passagem junto do refrão:

— Eles ambos dizem que ela é boa ou má.

Mas eu a vi lá!

Eles ambos dizem que ela é boa, mas as matou.

Por suas próprias intenções!

E agora o que ela fez?

Ninguém sabe, ninguém sabe, outra vez.

Você não pôde acompanhar seus passos...

Agora ela irá apertar todos os seus ossos!

Então, vendo que a plateia já estava com a música na cabeça, em que todos tentavam cantar com os movimentos da boca, parecia que tinham aprendido a letra de modo que talvez desse para terminar com chave de ouro, então gritou a todos:

— Agora é com vocês! Eles ambos dizem...

O DJ parou a batida, entendendo o que a garota queria, afinal já tinha feito muitos shows e mesmo assim nunca havia visto alguém como aquela garota, parecia que estava vendo uma feiticeira se apresentar em vista do modo que todos estavam hipnotizados por ela, até ele mesmo. Já que deixou seu boné, de cor vermelha e que estava escrito: “YK RULES” cair no chão. E agora sem a batida, deixara a plateia cantar em coro, na qual ele mesmo se incluía:

‘... Que você é boa ou má.

Mas eu te vi lá!

Eles ambos dizem que ela é boa, mas as matou.

Por suas próprias intenções!

E agora o que ela fez?

Ninguém sabe, ninguém sabe, outra vez.

Você não pôde acompanhar seus passos...

Agora ela irá apertar todos os seus ossos!

Então finalmente a música passou pelo arco de encerramento, e quando terminou, todos aplaudiram Yuna por mais de dois minutos. A garota agora voltou o foco para seu objetivo e de mente limpa. Nem ao menos sentia ressentimento por ter ceifado a vida da garota alta, enquanto pudesse sentir a atenção e o sucesso em suas veias, nada mais importava. Muito menos seu senso de moral, que já era frágil, passara a ser inexistente. Ainda sobre aclamação, desceu do palco, o fato de ter todos os olhares para ela, e estar descendo da plataforma a fez conseguir enxergar Park Mi-hi de longe, identificando pelo seu vestido branco e muita maquiagem, agora sim, parecia uma boneca mesmo, e como quem não queria nada passou perto da moça, que imediatamente a chamou:

— Nossa garota, você é boa mesmo. Não me lembro de ter visto você dançar e cantar assim antes! Aliás, está parecendo uma musa das trevas.

— Não seja exagerada. Prefiro ser chamada apenas de Yuna mesmo, ‘musa das trevas’ não tem muito a ver comigo, soa meio infantil.

— Ai! Essa doeu... — Brincou a garota magra.

— Essa música foi especial para minhas amigas. E você é uma delas. — Disse Yuna, com um sorriso malicioso no rosto.

Enquanto o DJ começou a tocar alguma outra música da qual Yuna não conhecia, logo já estava estourando o ouvido de ambas, a garota pródiga começou a colocar seu plano em prática, dizendo para Park:

— Vou pegar umas coisinhas para nos animar, já volto.

— Desde que essas coisas sejam mais bebida, estou dentro. — Afirmou a garota magra. — Aliás, e os remédios?

— Não se preocupe, está tudo em um lugar seguro, te chamarei em breve para pegá-los.

 

 

Yuna deu as costas e foi procurar o bar de onde vendiam as bebidas, das mais pesadas possíveis, no caminho, pensava no quanto àquela moça já deveria ter bebido e o quanto seria fácil a partir daquele momento acabar com sua inimiga. Embora ninguém ali fosse, realmente, inimiga da pequena, pelo menos não ao pé da letra. Então, chegou à mesa do bar, chamara o garçom, depois de alguns instantes, apareceu da parte de trás do bar. Era um homem quase da idade de Yuna, dizeres por aí afirmariam que era menor de idade, mas estava apenas trabalhando, provavelmente, e vendo a garota já a cumprimentou:

— Ora, ora se não é a moça mais talentosa da festa! Pode pedir o que quiser, é por conta da casa.

— Você não é muito novo para cuidar de um bar não?

— Se você que tem cara de criança pode entrar, por que eu não poderia?

— Bem pensado. O único problema é que tenho 19 anos mesmo, já você...

— Espertinha... Peça logo o que quer.

— Já que é assim. Preciso daquela que é tiro e queda sabe?

— Ah... Está querendo levar um moço para cama é? Você é do tipo dominadora é? — O garçom pegou um comprimido daqueles que dão muita sonolência, junto de um copo de uísque, deu na mão de Yuna e disse. — Aproveite a maioridade senhorita.

— Não posso dizer o mesmo de você... Meus planos são melhores que isso. — Finalizou Yuna.

A garota pródiga sorriu, sabia que a facilidade com que conseguia as coisas fizera até mesmo seus planos perderem um pouco da graça, mas eram as circunstâncias que eram dadas. Então, desde que o objetivo fosse concluído, não importariam os meios. Foi até o canto do salão da piscina, fez a mistura de modo que ninguém visse ou prestasse atenção no que planejara, andou até Park Mi-hi, que estava dançando ao lado de alguns caras mais altos que a menina. Aquele tal código de não relacionamento entre homens e mulheres já deveria ter sido quebrado de todas as formas e maneiras possíveis. Quando chegou ao lado da garota, a ofereceu a bebida:

— Voltei amiga. Isso aqui vai te deixar mais alegre.

— Mais do que já estou? Acho impossível. — Comentou Park, ainda dançando.

Yuna virou as costas e deu uma sumida na multidão, enquanto a garota magra tomava toda aquela mistura de remédio com bebida, em breve poderia acabar com sua vítima.

 Como sua execução ainda estava na metade, ficara caçando sua outra vítima, passando entre toda a multidão do lado direito da piscina, quase colado nas caixas de som. Ali de longe, estava Choi Min-jee dançando com outras garotas. O que a decepcionou, porque seu plano era leva-la para perto de um garoto e deixar a natureza humana resolver o resto. Olhou para todos os lados, procurando alguém que estivesse fitando aquela metida. O vestido vermelho da garota ajudaria muito com isso, olhava, olhava e não encontrava ninguém que parecesse demonstrar interesse.  Todavia, ali perto, tinha um garoto que não parava de olhar para aquele grupo de garotas, especialmente para a amiga de Yuna. Ele era de altura média, cabelo liso, daqueles que qualquer retardada iria gostar, ainda mais em uma festa. Percebendo isso, a pequena chegou perto dele e dissera para ele, de canto de ouvido:

— Estou vendo que está afim da menina ali, né?

— Como você sabe Yuna? — O garoto a perguntou.

— Não interessa se quer saber, ela também te quer, te garanto. Então deixa de ser um tímido e vai pegar ela, antes que venha outro. A sorte talvez esteja do seu lado.

Yuna deu as costas, como gostava de fazer e ficara olhando discretamente para aquele garoto que depois de alguns instantes já estava de conversa com a metida. Então, dali era apenas esperar as coisas acontecerem naturalmente e ficar de olho neles para filmá-los no ato e acabar com os sonhos da garota. E com sua vida após isso. Ainda não sabia como o fazer, apenas sabia que deveria continuar com este tal plano. Talvez, a matassem com medicamentos contraceptivos em excesso que aquele médico tinha guardado.

Ao passo que a pequena via seus planos começarem a se concretizar, tudo estava muito simples, já que ninguém tinha suspeita alguma sobre ela. Apenas a Sorte sabia sobre as verdadeiras intenções de Yuna. E como em um passo de mágica, todos da festa sumiram, o ambiente mudou completamente, tornando-se um espaço onde uma névoa estranha se concentrava na altura dos joelhos da garota. Todavia, não sentiu medo, estava mudada quanto a muita coisa, já sabia também quem era que cuidava daquelas transformações e disse, sabendo que a Sorte estava atrás dela e que tinha a levado para aquele mundo novamente:

 — O que você quer? Eu estou ocupada caso não tenha percebido…

A criatura, em forma humana, se aproximou das costas de Yuna e disse, ironizando:

— Ora… Menina pródiga, apenas queria saber como estava se saindo… Já conseguiu matar as outras duas? Seu prazo é até sexta, lembre-se disso. Gosto de que as coisas aconteçam antes do previsto, um gosto pessoal sabe?

De fato, a Sorte já sabia de tudo sobre o andamento dos planos de Yuna, mas ele queria sentir se haveria alguma espécie de arrependimento da garota, pois, na visão do homem, achava que a garota já estaria quase em um colapso nervoso por causa da culpa de estar levando pessoas inocentes para o caixão. Porém, a garota pródiga deu uma risada, de como estava se divertindo com aquilo:

— Você já sabe de tudo, está com olhos em todas as partes. Sei que espera que eu esteja arrependida por tudo isso, entretanto, essa é a minha verdadeira natureza.

— Sua ‘verdadeira natureza’? E qual seria?

— Deixa de se fingir de desentendido. Tu moldaste minha personalidade, segundo o que disse antes para mim, logo, sabe tudo que penso e sinto. Tudo que você vê aqui é alguém que vai conquistar o mundo, nem que tenha de matar todos em meu caminho. — O sorriso da pequena era mais sombrio e verdadeiro do que todos os outros. Igualmente para o modo de como franzia a sobrancelha.

             — Assim que gosto. Quero ver se será assim até o final. Minha pródiga...

— Não sou mais uma garota pródiga, porque sou muito mais do que apenas isso. Apenas uma mulher perfeita. Então, daqui para frente me chame de Yuna, a enganadora.

Aquelas palavras surpreenderam até mesmo aquele demônio em pele humana, mesmo que fosse conhecido como a criatura mais sádica entre todas sentiu um pouco de medo da má energia que sentia vindo da garota. Yuna era um caso especial, a maioria das pessoas estaria querendo se matar de tanta culpa, mas sentia que nem tudo que a garota falava era verdade. Ainda restava muita humanidade em seu coração. Isso o divertia além da compreensão, e com alegria, a Sorte respondeu, sorrindo e a levando de volta ao mundo normal:

— Você é realmente incrível, então fique à vontade, vamos ver se aguenta minhas próximas provas… Até logo… Enganadora.

A Sorte desapareceu e trouxe a enganadora de volta para o mundo normal, uma transição que não passou de um segundo, as luzes da festa voltaram a incidir em seus olhos, além da música que continuava muito alta. A única tarefa de Yuna era esperar as coisas acontecerem naturalmente, enquanto aproveitava para curtir a festa, dançando sozinha, próximo de algumas pessoas, mas sem dar atenção a elas. Achara que ninguém a olhava, mas o professor da garota, Jung, a observava de longe. Não era um olhar normal, em um mísero instante, ouviu um sussurro dentro de sua mente, que dizia: ‘Agora você está sob meu controle, professor’. Seus olhos haviam mudado levemente de tonalidade, completamente hipnotizado, se aproximou da garota discretamente e a chamou, já bem perto:

— Ei, Yuna! Não sabia que tinha perícia até com minhas músicas menos famosas!

A enganadora se recompôs, fez um gesto para chamar o professor para um canto do salão, um pouco mais longe das caixas de som já que seria impossível conversar perto daquele barulho todo. Quando já estavam lá ela respondeu:

— Sabe como é. Devemos saber de tudo, até porque eu quero, digo, vou vencer aquela tal ‘surpresa’ do Chin-Hwa. Aquela foi minha chance de mostrar meu talento ao nível máximo. — A confiança de Yuna era muito mais por saber que estava literalmente perto de deixar suas concorrentes para trás.

— Mas, mesmo assim. Essa música foi um completo fracasso, algumas pessoas até se identificavam, outras diziam que gostavam apenas por serem fãs. Qual é sua opinião sobre ela?

— Perfeita para uma festa e perfeita para meu tom de voz, que é superior ao das demais garotas, queria apenas uma oportunidade para mostrar isso. — De forma inteligente, a garota desviou da resposta que o professor queria ouvir.

— Acho que os deuses da autoestima te presentearam com confiança de sobra, né? Até a senhorita Min-Hae-kyung ficou impressionada com você, e olha que ela é praticamente uma bruxa! Até nós a chamamos assim! No início estava convencida que a garota certa era Mi-Hi, mas voltou atrás em sua decisão maluca.

Yuna olhava de canto de olho para o outro lado da festa, e via que Choi Min-jee já estava caindo de amores para aquele garoto, em breve seria o momento chave para filmá-los, quando eles decidirem irem a um lugar mais reservado. O compasso de espera dos acontecimentos batia cada vez mais rápido. Voltando sua atenção ao professor, ela comentou:

— Eu até achava que a professora me perseguia, sabe aquele tipo de pessoa que simplesmente não gosta da sua cara? — Dizia a enganadora, repleta de ódio nas palavras, olhando para o vazio.

— Quando sua estrela é muito brilhante, as pessoas menos favorecidas tentam ofuscá-la com palavras e ações. Isso é parte do sucesso, Yuna. — Jung se aproximou da enganadora, provavelmente com segundas intenções, exalando aquele cheiro horrível de Soju misturado com cerveja. — E você... É minha estrela.

 

 

Yuna imediatamente empurrou o professor para trás. A garota poderia ser o maior demônio que existisse, mas odiava essas coisas, que sua mãe chamava de ‘idiotices da carne’. Enquanto ele fazia força para prensá-la na parede. Ela perdeu toda sua doçura e educação, irritada, ela gritou, furiosa como um leão, apontando o dedo na cara dele:

— Sai daqui seu merda! Acha que sua fama te dá poderes? Dá merda nenhuma, olha a sua idade cara! Você não está nos seus tempos de fama mais, quando tinha seus vinte aninhos. Hoje está com trinta anos, e isso é assédio!

O professor tentou dominar a enganadora, sem ao menos conhecer o que ela tinha se tornado. Estava tentando domar algo indomável, por isso a pequena reagiu à altura, sem piedade alguma, lhe deu um tapa com suas unhas afiadas tais como navalhas, era seu mecanismo de autodefesa, e funcionou perfeitamente, causando vários cortes. Deixando com o rosto sangrando, na bochecha esquerda, os cortes eram muito mais poderosos do que os que normalmente uma garota daquele tamanho conseguiria fazer. Era a força do ódio. Ele ficou atordoado e a garota ironizou enquanto se afastava, indo de volta para a multidão:

— Querido Jung, você não conhece o monstro do qual está mexendo! Faça isso de novo... E amanhã não acordará! Isso eu prometo!

Deixando seu tutor de lado, Yuna se acalmou, mesmo que ficasse olhando para os lados, vendo se não estava sendo seguida. Depois de despistar completamente o professor, voltou a procurar por suas vítimas, no momento que avistou Choi Min-Jee, aquele garoto puxava a garota em direção ao banheiro, na verdade, olhando atentamente, era a garota que estava mais interessada. Seria da forma que Yuna planejara, consensual, para ser apenas culpa da garota, era assim que tinha de ser. De forma discreta a pequena os seguia, passando com dificuldade pelos outros convidados da festa. A enganadora entrou no banheiro, sem se preocupar com o barulho, pois nem eles prestariam atenção quanto ouviram, justamente pela música alta. Yuna tinha chegado no momento perfeito, porque a metida já estava quase sem roupa, enquanto beijava descontroladamente aquele garoto que ela provavelmente nunca tinha visto antes na vida. Por um momento a pequena se perguntou, dando risadinhas, se Min-Jee se lembrava do tal código de não relacionamento instituído na agência.

E era ótimo que não se lembrasse.

 

 

Havia cinco divisórias no banheiro, cada uma correspondendo a um sanitário, e o corredor de entrada que vinha um pouco antes e fazia esquina com o resto do banheiro para não dar visão do que acontecia lá dentro para quem visse do lado de fora, eles faziam tudo àquilo quase ao lado da enganadora, e eles nem se importavam de tão loucos que estavam. Yuna pegou seu celular e sem discrição nenhuma, os filmou se beijando e agarrando até o momento que eles entraram em uma das divisórias do banheiro, onde ficam os vasos sanitários e finalizou a gravação quando o sutiã da garota voou para o corredor, exatamente na frente da pequena. Com a gravação salva, a enganadora pôs-se a gargalhar como nunca tinha feito antes, imaginando como ela se explicaria depois quando aquele vídeo vazasse para a escola inteira. E principalmente o que fariam com Min-Jee, já que nenhuma agência, por melhor que fosse, iria admitir algo daquele tipo.

‘Acho que essa puta não vai poder dizer que foi um estupro né? Não depois das risadinhas e gemidos dela no vídeo.... Como pude sentir medo de uma idiota tão manipulável assim? E pensar que ela me ajudou a organizar isso tudo, ela que cavou sua própria cova confiando em mim... Apenas as levo a morte, não é culpa completamente minha... Lei dos mais fortes. ’. — Pensou a garota.

Satisfeita com seus resultados, deixou o casal à vontade e saiu do banheiro. Voltando para o pátio da festa, viu que seu professor estava tão fora de si que já estava paquerando outras garotas, e ao contrário de Yuna, elas se entregavam aos beijos com ele:

‘Que nojento... Porque em pleno século vinte e um as garotas ainda estão tão nojentas assim? Se continuar assim, só irá sobrar eu na sala, literalmente ’. — Pensou a enganadora, furiosa com aquela atitude.

Como se as coisas que ela fizesse fossem boas, sua hipocrisia beirava o ridículo.

A pequena olhou para os lados procurando Park Mi-Hi, porém, não estava em lugar nenhum, simplesmente tinha sumido da vista da enganadora. Ficou desesperada, pois não teria outra chance com o a daquela festa, e sua presa escapasse poderia ser o fim. Então foi o mais rápido para todos os lugares possíveis, procurou mesmo atrás da mesa de som, mas não conseguiu seguia encontrar a garota de maneira nenhuma.

“Será que teve perda total? Talvez esteja então do lado de fora”. 

Muito apressada, fez caminho entre a multidão, que aos seus olhos eram meros obstáculos contra seu objetivo, sabendo que ninguém ouviria seus pedidos para passar, partira para a ignorância, empurrando todos, não demorou muito e ela saiu daquela festa, para procurar pela garota, se aconteceu o que ela imaginava, a garota magra deveria estar jogada em algum lugar no lado de fora do evento.

 E ela estava certa.

Ao sair das cortinas, e da sala de recepção, de volta à entrada, começou a sentir o som mais distante e dali até bateu um pouco de saudade da animação de lá de dentro. Porém, não poderia mais aproveitar a festa, pois sua missão estava quase concluída. Depois de instantes procurando entre as pessoas que estavam em perda total no lado de fora, lá estava a garota magra, falando sozinha de forma vaga. Não poderia estar mais perfeito, e então, fingindo preocupação, a enganadora se aproximou de Mi-Hi, abaixou-se para perto da mesma, e disse:

— O que aconteceu, Park?

— Aí... Que dia é hoje? Qual era a tal surpresa do Chin? Eu passei?

Às vezes, parecia que o universo facilitava todos os planos de Yuna, as garotas caíram fácil demais em todas suas artimanhas, então a enganadora imaginava que tudo que estava fazendo não era tão sua culpa assim, já que suas vítimas eram basicamente umas retardadas que aceitaram bebidas em baladas e ficam com caras aleatórios, mesmo sabendo que tal prática é proibida. Se tivesse alguém rindo disso tudo, era a Sorte, ansiando por mais almas.

Encenando alguma preocupação, Yuna levantou a garota magra, o que não era uma tarefa muito difícil e começou a levá-la de volta ao quarto dela, e para convencê-la, a enganadora disse:

— Você não está bem. Todos nós temos limites né? Vou te levar para o quarto, para dormir... — Yuna sorriu quando disse a última palavra.

— Por favor, me leve para... O... Caribe. — Dizia Park, completamente fora de si.

— Pode deixar. — Ironizou Yuna.

Com dificuldade, a enganadora levou sua amiga pelo elevador da agência, infelizmente precisava enfrentar aquele lugar assustador novamente, lá dentro a garota estava quase caindo, então a deixou apoiar-se em seu ombro. Depois de algum tempo, com a música cada vez mais distante, elas chegaram ao corredor dos cinco quartos, Yuna abriu a porta do quarto de Park, colocou a garota na cama e disse:

— Vou trazer umas coisas para você ficar melhor, espera aí.

A garota magra nem conseguia responder ao que a enganadora disse. Yuna então foi até seu quarto, pegou as caixas de remédios com pressa, dissolvera cinquenta comprimidos em uma garrafa de água que tinha pegado na cozinha, e por alguns instantes olhou para a mistura, pensando:

‘Aqui estão as suas férias, minha querida... Em breve, você descansará... Será eterno’.

Yuna saiu lentamente de seu quarto, foi até a outra sala, onde Park Mi-Hi estava, a coitada já nem sabia o próprio nome e estava praticamente em coma alcoólico, então deveria acabar com a garota antes que fosse impossível oferecê-la, então tentou tranquilizar a garota com palavras doces e a ofereceu a bebida como se fosse um remédio:

— Toma isso aqui, ficará bem. Prometo.

— Isso... Irá me levar ao Caribe? — A cada palavra que a garota magra pronunciava, o cheiro de álcool exalava de tal modo, que Yuna cobrira o rosto com nojo.

— Claro que vai. — Ironizava.

Yuna deixava a garrafa virada para a menina tomar tudo de uma vez, enquanto a garota magra tomava tudo, cheia de vontade, talvez ainda imaginando que fosse mais álcool. Quando a moça esvaziou a mesma, a enganadora foi embora, sem dizer uma palavra, daquele quarto. Agora era apenas esperar a notícia de amanhã, junto de sua outra vítima. Quando ela saiu do quarto e fechou a porta, viu a frase, escrita a sangue aparecendo na mesma, que dizia:

‘PROBLEMAS ALIMENTARES’.

 

 

Então, como seu último passo da noite, Yuna foi até seu quarto, e apressadamente sentou-se em frente ao notebook, pegou o cabo USB em uma de suas malas de viagem, no último zíper da direita e passou o vídeo do celular para o computador. Criou uma conta falsa no Youtube, e fez o Upload do vídeo que havia gravado. O que não demorou mais de cinco segundos para entrar no ar. Depois de dois minutos as visualizações bateram a marca de duas mil. Isso queria dizer, que não demoraria um dia sequer para aquilo cair na mão do representante da agência. A cada nova pessoa que via o vídeo, uma palavra na frase do quarto de Choi Min-Jee era formada, até ficar escrito:

‘GRAVIDEZ NA ADOLESCÊNCIA’.

Por fim, agora com seu primeiro objetivo concluído, o ambiente mudou novamente para a garota, dessa vez, o quarto ficou muito mais sangrento, algo que Yuna nunca imaginaria que poderia ser possível de piorar, pedaços de corpos apareciam no chão, mesmo com essas coisas horrendas, ela ficava estática, esperando a Sorte que reapareceu em instantes, dizendo com alegria:

— Sabia que conseguiria. Tudo bem que não foi tão rápida, todavia, foi precisa e isso que importou no final das contas.

A garota ficou de costas para aquele homem, sem querer manter contato visual, algo havia mudado na enganadora, não parecia sentir-se bem e, de fato, mais mudanças aconteciam em sua mente, já que isso era refletido naquele ambiente, as trevas a consumiram de um modo que quase nada tinha sobrado, fato notado pela frieza da garota.

— Não quero saber de suas congratulações... Fala logo... Quem é a última pessoa? Quero matar mais. Ainda não é... O suficiente para atingir meu sucesso.

A Sorte entendeu que a garota não mostrava arrependimento algum por suas terríveis ações, e isso divertia aquele ser mais do que tudo, o sofrimento de Yuna misturado por uma vontade de matar em prol de seus objetivos emitia uma aura cinza que a criatura conseguia ver claramente, logo conseguia esconder seus sentimentos de qualquer um. E ainda, tentando brincar com o emocional da garota, ele sentenciou:

— Sua última vítima não é uma aluna. Mas, uma pessoa que usou aquele quarto há umas décadas.

— Para de enrolar e diz logo! — Gritou a garota.

— Nossa, que brava. A bebida não te fez bem? — Disse a Sorte, provocando.

— Não importa se fez ou não, apenas quero minha próxima vítima...

Yuna se virou para o demônio em forma de pessoa que apenas a observava tentando entender o que se passava com a menina, estava acontecendo uma dura transição na mente dela, por isso, já com lágrimas nos olhos, mas com fúria na expressão facial ela gritou ainda mais alto:

— Vai para o inferno! E diz logo o que eu tenho de fazer. Vai ficar aí parado sem dizer nada?

— Não é admirável ver uma garota tão pura, linda e perfeita transformar-se em um monstro de saia?

— Se eu fosse você, parava de me provocar...

Por um momento, os olhos da pequena ficaram de uma coloração distinta, pelo menos aos olhos da Sorte, estavam esverdeados, igual a roupa que ele usava. Aquele olhar era tão assustador, que até mesmo aquela criatura ficou assustada. Nunca tinha visto algo tão escuro dentro de um olhar humano. Pela primeira vez em milênios, sentia medo. Tanto que desviou o assunto:

— Desculpa, não queria ser inconveniente... Enfim, sua última vítima é a sua professora, sim, exatamente aquela que você não gosta. Agora terá sua chance de descarregar seu ódio, embora agora ela te ame... Que dilema, não? Ah... Antes que você vire as costas para mim e vá embora desse mundo, o método será de esquartejamento... Cortará a mulher em pedaços.

A enganadora esbugalhou os olhos e sentiu um frio na espinha apenas pelo impacto daquela missão, porém, sua feição estava bizarramente alegre. Algo que a Sorte nunca esperaria que acontecesse, caso não tomasse cuidado aquela menina poderia se tornar um demônio de verdade, por isso, esperou ela falar:

— Eu... Amei a ideia. Aquela idiota vai aprender a nunca mais mexer comigo... Na próxima reencarnação.

— Querida enganadora... Quero lhe avisar antes de fazer essa execução de que não haverá mais volta. Quer dizer, até tem... Mas, seu quarto ficará marcado com a frase ‘vencedora, mas assassinada por desobediência’. É isso que você quer? Ou posso te deixar viva e destruir seu sonho em pedaços ao invés disso... Deixo a seu cargo.

— Você não pode destruir o que já não existe mais... — Afirmou a garota com os olhos vazios.

— O que quer dizer com isso? Está falando que não se importa mais? Posso fazer o que eu quiser? Se isso fosse verdade, porque ainda me ajuda com essas coisas?

A aura da garota vista pela Sorte ficou completamente escura, aquilo o deixou mais assustado do que nunca, não era possível algo assim estar acontecendo. Ele então apertou as próprias mãos, em um movimento visto pela garota; não sabia como lidar com a resposta que viria:

— Porque... É divertido.

— Então... Faça. — Disse a Sorte, claramente assustado.

Ao dizer estas palavras, a Sorte desapareceu, deixando a pequena sozinha em seu quarto. Aproveitou para pesquisar copiosamente na internet sobre como cometer aquele terrível crime, parecia não se importar mais com nada. Era difícil entender o que se passava pela cabeça dela, enquanto estava em frente ao computador, dizia sozinha, mas sabendo que estava sendo ouvida de seu quarto:

— Isso não será difícil de fazer, preciso apenas encontrar as ferramentas necessárias...

— O que essa garota está dizendo? Nunca vi uma mudança assim... Isso precisa ser um blefe. — A Sorte dizia aquelas palavras dentro de uma das paredes do quarto de Yuna, observando seus passos atentamente, aquilo precisava ser um blefe.



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