História Some Kind of Monster - Capítulo 24


Escrita por: ~

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Categorias Naruto
Personagens Kakashi Hatake, Sakura Haruno, Sasuke Uchiha
Tags Kakasaku, Naruto, Romance, Sasusaku
Exibições 792
Palavras 4.901
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Ecchi, Escolar, Esporte, Festa, Hentai, Romance e Novela, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Então, faz muito tempo que eu não posto algo aqui.
Gostaria primeiramente de me desculpar com os leitores dessa estória e dizer que de fato foi uma falha minha todo esse tempo longe, sem postar nada aqui enquanto continuava com meu outro trabalho. De fato eu fiquei sem a menor inspiração de concluir Some Kind of Monster e mesmo agora não sei o porquê. Então eu não posso justificar isso a vocês, se nem mesmo eu sei o motivo.
Enfim, eu consegui. Depois de tanto tempo, consegui.
A fanfic está concluída, e espero que consigam aproveitar de alguma forma esse final. Mais uma vez desculpas.

PAN ALBAN obrigada pelo apoio moral, sem tu eu não teria conseguido <3 Tu é a melhor.

Boa leitura.

Capítulo 24 - Livres


 

 

Sakura o assistiu em seu sono, até que ele despertasse. Após a noite de lascívia que compartilharam, o próprio Sasuke sentia que estava pronto para lidar com as consequências de seus atos.

Ele só precisava dela antes, para lhe dar forças, para que tivesse a certeza de que ela estaria ali para si quando estivesse livre de seu castigo, seja ele qual fosse.

— Oi — ele a cumprimentou com um sutil sorriso, apoiando-se em suas palmas até estar sentado sobre o colchão. Ele esfregou o rosto sonolento, e sua atenção desviou-se até ela em seguida.

Já estava vestida com o mesmo robe que usava na noite passada.

A luz solar que atravessava as janelas a fazia parecer ainda mais bela, mas ele não prestou tanta atenção nisso, não quando havia uma bandeja com café da manhã sobre o colchão, e ele sabia que era para si. Mas estava tenso demais para sorrir em agradecimento, então ele apenas esperou que ela o oferecesse para sussurrar um tímido “obrigado”.

— No que está pensando? — Sakura o questionou. Estava sobre seus joelhos quando começou a pergunta, mas ao concluí-la, estava sentada ao seu lado.

— Nada. — ele respondeu, jogando uma uva na boca.

Sakura o observou comer em silêncio.

Sasuke obviamente não acordou no melhor dos humores, e ele tinha suas óbvias razões para tal. Provavelmente algo muito ruim estaria o esperando assim que saísse de sua casa.

Ela esticou a mão em direção ao rosto dele para colocar mechas de seu cabelo atrás da orelha, e trouxe o queixo dele em direção a si.

— Nada de ruim acontecerá a você, tudo bem? — ela o consolou — Seu irmão não deixará.

Sasuke ri amargamente. Tanto ele quanto a própria Sakura não confiavam no que ela estava dizendo. Ele ultrapassou todos os limites, e seu pai presenciou a tudo.

— O Itachi provavelmente o dará ideias sádicas de como me punir.

— Ele não faria isso.

— Ele está puto comigo.

— Ele ama você.

— Eu sei, Sakura. Mas ele não aceita nós dois, e eu meio que explodi com ele antes...

— Você pode guardar mágoas dele, mas o oposto não acontece, Sasuke. — ela pôs a mão direita sobre sua esquerda — Irmãos mais velhos dificilmente o fazem.

Sasuke sabe disso, afinal, suas brigas são sempre temporárias. Eles brigaram quando Itachi saiu de casa, brigaram a cada novo desvio grave de comportamento, e depois de algum tempo afastado, o reencontro era sempre normal. Como se nunca houvessem trocado ofensas.

Ele amava a Itachi também.

— Meu pai está acordado, no jardim. Você precisa ir.

— Eu sei.

Sakura suspirou, olhando para o teto.

O clima entre os dois é fúnebre. Não é difícil entender o motivo: quando Sasuke ia embora, eles sempre sabiam que se encontrariam no dia seguinte.

Naquele momento, não havia esta certeza. Ambos não sabiam qual seria o destino dele, e ela não sabia se estaria na cidade para apoiá-lo.

Ela precisava ir embora também.

Sakura o observou comer, e ele devolveu o olhar. Estava cansado, os dois estavam, mas seu olhar era, além de tudo, opaco.

Ela não sabia, mas Sasuke estava pensando exatamente no mesmo que ela.

Sempre o repeliu quando ele trazia sentimentos à tona, no entanto, naquele momento foi ela quem quis fazê-lo, e não havia realmente algo a perder.

— Sasuke...

Quando sente uma vibração abaixo de sua própria perna, ela lembra que está sentada sobre seu próprio celular, e ergue ligeiramente o quadril para pegá-lo. Um número desconhecido estampava o visor.

Ela atendeu a ligação.

— Alô?

Sakura.

Ela sentiu o próprio peito congelar ao ouvir a voz de Itachi no outro lado da linha. Sasuke permaneceu a olhando durante todo o tempo, e quando viu o ar de tensão em seus olhos, juntou as sobrancelhas, preocupado.

Sakura sorriu, disfarçando as próprias emoções e imediatamente levantou-se da cama, caminhando até o lado de fora do quarto.

— Sou eu.

Ele está com você?

Sua boca se abriu, à medida que fechava a porta do quarto. Itachi ouviu sua respiração entrecortar em silêncio, aguardando por uma resposta que não veio.

Estão na sua casa? — ele mudou a pergunta, não que fosse uma alteração vertiginosa, apenas queria uma resposta.

Sakura escutou vozes no local em que ele estava, mas não pôde presumir onde ele se encontrava.

— Sim.

— Ouça o que vou dizer com muita atenção: meu pai está procurando o Sasuke pela cidade inteira, ele está tentando em todas as casas dos amigos dele que conhece. Ele correu antes que a polícia chegasse, ou seja, não há um flagrante, e ninguém viu o que aconteceu. Quando as pessoas saíram da biblioteca, Kakashi estava desacordado e Sasuke já havia ido embora. Kakashi está no hospital, a polícia o acompanhou até lá e ele provavelmente está prestando queixa enquanto falamos, ou já o fez.

Sakura apenas responde com um “hum”, mas dentro de seu coração, ela já sabe que as notícias não serão boas. Seus dedos puxam a maçaneta para baixo, e ela observa pela fenda Sasuke se alimentando sobre o colchão.

Seus olhos escuros se levantam e a observam. Sakura sustenta seu olhar.

Meu pai quer levá-lo embora. Levá-lo para Sumit, forçá-lo a servir ao Exército. Eu... eu não posso aceitar isso.

Suas pálpebras se fecham e ela encosta a porta outra vez, apenas a tempo para que Sasuke não a veja as lágrimas descerem por seu rosto.

A palma de sua mão cobre a própria boca, e ela chora.

— Onde você está? — sua voz saiu em um só fôlego, o tom agudo e embargado graças ao momento emocionalmente derradeiro que está experimentando.

Eu estou na Delegacia. Eu vou entregá-lo, Sakura.

— O que? Por quê?

Porque ele já cumpriu prisão domiciliar, já fez serviço comunitário. Ele tem ficha criminal aos dezessete anos, eu não vou poder afiançá-lo com esses registros. Ele será enviado para uma instituição penal para jovens infratores...

— E como isso pode ser bom, Itachi? Como?

Ele ficará perto de mim, Sakura. Eu vou poder visitá-lo.

Sakura tremia tanto que apenas ignorou quando ele a subtraiu de algo que lhe parecia tão importante agora.

Quando “Sasuke estaria sempre aqui” era mais fácil abandoná-lo, mas agora que passará por uma situação tão humilhante e difícil, tudo o que ela queria era estar ao seu lado. Apoiando-o.

Ela fechou os olhos, apoiando as costas à parede.

— Não deixe ele sair de sua casa à nenhum custo. Por favor, Sakura, se você realmente se importa com ele, me ajude. Não deixe que meu pai o encontre antes da polícia...

O ar deixou suas narinas dilatadas quando ela decidiu falar por seu coração. — Não pode me privar de vê-lo, Itachi.

Ele suspirou profundamente.

Este não é o momento.

— Este é exatamente o momento, eu já estou o avisando que não conseguirá me privar de ver ele. Eu não vou fazer isso.

Você não pode, e sabe disso. Eu pensei que tinha sido claro com você antes, Sakura...

— Eu o amo. Eu não estou abusando do seu irmão, porque ele tem dezessete anos e isso é o bastante para que possa pensar por si mesmo e tomar suas próprias decisões.

Eu a dei uma chance incrível de recomeçar... ele é um adolescente...

— Ele não é inocente. Você não tinha maturidade e juízo para tomar as próprias decisões aos dezessete? Você não ficava bravo quando o questionavam, usando argumentos como idade para invalidar as suas escolhas?

Eu também pensava amar alguém aos dezessete.

Sakura conteve a vontade de xingá-lo pela falha tentativa de invalidar seus sentimentos. — Eu sinto muito, mas Sasuke e eu não precisamos pagar por isso.

Sakura, pelo amor de Deus, não me force a tomar esta decisão agora.

— Você não precisa concordar. Isso não é sobre você, é sobre... — ela fez uma pausa para respirar, tentando organizar seus sentimentos, suas palavras. Mais do que nunca a forma como se expressaria era algo importante, não podia deslizar — É sobre nós dois.

Ele fica em silêncio. Apenas vozes masculinas soam de seu lado da linha, e Sakura continua sofrendo apenas com o pensamento de como dirá tal coisa a Sasuke, ou se sequer é a melhor opção.

— Você pode duvidar dele, mas aos vinte e seis anos, eu não tenho mais dúvidas do que digo. Eu amo o seu irmão, eu o amo tanto que acabei com a minha carreira, minha dignidade e um relacionamento de anos por ele. Eu não queria assumir nada disso, estava abaixo do meu nariz o tempo inteiro, mas eu só percebi esta manhã. Bastaram dois segundos para que eu percebesse que o amava, e agora, só estou pedindo permissão para visitá-lo sem que isso me prejudique.

Itachi esfregou o próprio rosto com a mão duas vezes após ouvir suas palavras. Estava atônito. Não podia acreditar, aliás, acreditava e muito na intensidade daquelas frases, e por um momento, quis sorrir de felicidade por seu irmão caçula.

Por ele ter encontrado alguém que o ame desta forma. Que o ame por quem ele é.

Eu preciso ir.

Foi o que ele disse antes de desligar a chamada.

Com a consciência pesando, Sakura abriu a porta novamente, e entrou no quarto. Sasuke continuava distraído com as uvas, vez ou outra dando goles no suco que ela o preparou.

— Quem era? — ele quis saber, mas quando ela ficou em silêncio e apenas se sentou a seu lado, Sasuke soube que havia algo errado — O que aconteceu?

— Eu vou pedir a você para ficar calado após ouvir o que tenho a dizer, não importa o quão absurdo soe para você, apenas ouça por um momento. Ok?

— Por quê?

— Apenas escute.

Ele suspirou, jogando o cacho de uvas de volta à bandeja, e tirando-a de seu colo para posicioná-la sobre a mesa de cabeceira. Perdera a fome.

— Seu irmão está na delegacia. Ele vai dizer aos policiais onde você está. — seus olhos se arregalaram e os lábios se entreabriram, mas ele lembrou de seu pedido, e permaneceu em silêncio — O seu pai está procurando por você na casa dos seus amigos. Sorte sua não ter um celular, do contrário, provavelmente não teria sossego.

— É, é meio que um fato que meu pai está procurando por mim.

— Ele quer levar você para a cidade, forçá-lo a se alistar lá.

Sasuke riu, incrédulo. — Meu pai está confortável em fugir da polícia?

— Tecnicamente não houve um flagrante, você só será preso se for encontrado, caso não seja, pode ir embora e arranjar advogados para representá-lo.

Ele riu outra vez, sem qualquer traço de humor. Quando assimilou o que estava acontecendo, não houve nada além de amargura. — Ele quer me tirar daqui, porque esta é uma cidade pequena e há a possibilidade de eu não ser convocado. Quer me levar para a cidade grande, onde eu com certeza serei. Ele está disposto a pagar advogados para me livrar da cadeia propriamente dita para me enfiar em um tipo diferente de prisão, contra a minha vontade. — ele passou a mão pelos cabelos — Este é o meu pai, e como a cabeça dele funciona. Eu o odeio.

— Não é hora para isso, você precisa se concentrar no que vai acontecer.

— O que você acha? — ele a lançou um olhar ligeiramente temeroso, e Sakura suspirou, esticando o braço para sua mão ter acesso ao rosto dele.

— Eu acho que você tem que aceitar as consequências do que fez. Enfrentar sua punição de cabeça erguida.

— Eu vou fazer isso, eu disse que ia.

— Itachi está tentando ajudá-lo. Não há mais espaço para rancor, Sasuke. Ele teve uma reação perfeitamente normal e que qualquer pessoa teria...

— Não justifica as coisas que ele disse. Eu não sei se posso me ajoelhar agora e fazer o que ele está pedindo por puro capricho, eu não o perdoei ainda.

Seu humor estava começando a ficar agravado, quando ela pegou o rosto dele com as duas mãos e o forçou a olhar em seus olhos. — Cale a boca! Se você não pode fazer o que Itachi pensa ser melhor porque não o perdoou ainda, talvez possa fazê-lo porque eu acho! E você vai me ouvir, vai ficar aqui e esperar a polícia chegar, porque sua outra opção é sair na rua e vagar até ser encontrado por seu pai, e aí sim, aí sim, Sasuke, se você não quer ficar longe de mim, você vai.

Ela parou de falar quando sentiu seus olhos arderem outra vez, e Sasuke arregalou os olhos ao perceber que ela estaca chorando. — Sakura?

Sakura sabia que não era o melhor momento para revelar algo tão grandioso, que pudesse intensificar os sentimentos rancorosos dele. Mas precisava usar tudo a seu alcance para convencê-lo. Tudo.

— Sasuke, o Itachi me procurou para pedir que eu fosse embora. — a expressão em seu rosto caiu imediatamente, e Sakura viu o maxilar dele se mover — Eu ia. Eu ia ir embora sem avisar a você, eu ia ir embora sem sequer pedir demissão e dar satisfações, com o risco de ser processada depois. Eu ia sumir daqui com o meu pai...

— Sakura, porra!... você ia...

— Mas você fez tudo isso e eu repensei. Eu estou repensando agora, eu estava pensando nisso enquanto cozinhava para você! — ela começou a gritar. Sasuke estava falando descontroladamente sobre como ela teria a coragem de fazer algo do tipo ou sobre como mataria Itachi, e ela precisava sobrepor a voz dele. Precisava mostrar a ele que tudo mudou dramaticamente — Eu não vou mais embora! Aliás, eu vou, mas não do jeito que eu iria antes, Sasuke! Eu iria sair daqui para fugir de você!

— Como porra pode ser diferente, Sakura? Como? Você vai embora! — ele agarrou suas mãos, as tirando de seu rosto como se fossem tóxicas. — Você ia me deixar, e agora está assumindo que vai me deixar como se agora houvesse alguma diferença na maneira que vai embora! Mas no fim você vai embora, vai me abandonar, e não existe diferença nisso!

Ele empurrou todos os cobertores da cama e se sentou, começando a calçar os próprios sapatos.

— Eu achei que só meu irmão tinha me abandonado, e no fim, foram vocês dois. Você e ele. Eu odeio vocês dois! Talvez fazer o que o meu pai quer uma vez na vida não seja tão ruim assim, depois de tudo.

Sakura não conseguia mais conter as lágrimas quando o abraçou. De costas. Ela manteve seus braços ao redor dele com tanta força que ele não conseguiu mais colocar as meias, e por isso, seus braços caíram aos lados de seu corpo. Ele ouviu os soluços e fungados dela, o que fez seu coração se aquecer o bastante para que ficasse emocionado também.

— Por favor, não faça isso. — ela sussurrou contra suas costas, a voz abafada.

— O problema, Sakura, é que eu não sei o que você sente. Nosso relacionamento tem sido unilateral esse tempo todo, eu tenho presumido demais e ouvido menos de você. Eu tenho visto as coisas como eu queria, e esse tempo todo não fazia diferença se você me amava ou não, porque eu amar você sempre foi o bastante para mim. Então eu criei esse personagem na minha cabeça, baseado em você, mas que se sentia da mesma forma por mim. — ele esfregou o próprio rosto. Estava lívido. — A culpa continua sendo minha.

— Sasuke. Pelo amor de Deus... Você pode dizer que eu não amo você. Você não tem o direito de dizer que eu não amo você. Tudo que eu tinha de fixo na minha vida, eu desfiz por sua causa. Minha carreira está acabada, as ações da minha mãe estão em risco, o meu relacionamento, o meu pai está prestes a saber que estou me relacionando afetivamente com um de meus alunos e eu tremo só de pensar em como ele vai reagir.

— Sakura...

— Nós dois temos mostrado de formas diferentes, e você está errado em achar que apenas a sua é válida, porque foi com palavras. Mas não é. — ela beijou suas costas sobre a roupa — Eu quero ir embora. Eu vou ir embora para não ser mais a sua professora, para que não existam posições sociais em conflito que me impeçam de ficar com você. Eu vou embora porque você vai aceitar o que seu irmão está tentando fazer por você, e eu vou poder vir visitá-lo. Eu vou embora porque quero preparar terreno para nós dois, porque eu quero esperar, sem ser aqui, nesta maldita cidade pequena, a sua saída. E eu vou estar esperando, não importa quanto tempo seja necessário.

Ela se move, os joelhos sobre o colchão, até estar sentada sobre suas panturrilhas, ao lado dele, que está a olhando em estado completamente mudo.

— Eu ia embora antes porque eu queria fugir de todo amor que sinto por você. E eu vou agora porque eu te amo, e já cansei de lutar contra isso. Não é o fim, Sasuke, é apenas o começo. — ela fechou os olhos, enquanto Sasuke a observava, sem conseguir proferir uma só palavra. Ele estava perplexo demais para sequer tentar — Por favor. Por favor, o Itachi e eu só queremos o seu bem. Por favor, ouça seu irmão e tente ajudar ele. Ajudar a nós dois, eu e você. Eu vou esperar, eu juro. Eu vou visitar você. Por favor.

Abobalhado, ele apenas piscou algumas vezes, a boca aberta. — Você vai ficar comigo?

— Sim. Sim, Sasuke.

— Tantas vezes... tantas vezes eu pedi a você para fugir comigo, e você disse não, sempre. Você esperou que algo acontecesse para mudar de ideia.

— E eu sinto muito por isso, mas as coisas não são tão fáceis assim. Você sabe.

Ela colocou a mão sobre a sua, mas os dedos de Sasuke permaneceram imóveis. Ele não a acariciou de volta, e isso fez com que ela suspirasse.

— Sim, eu sei. — seus olhos cansados a fitam, e ele sorri quase que imperceptivelmente. — Não são, mesmo agora. Mas vão ser.

Sua mão se fecha sob a de Sakura, e seus dedos se entrelaçam.

— Você tomou a decisão certa.

                                                _______

Sentados no sofá, os dois sorriam. Sakura estava com lágrimas nos olhos e Sasuke, parecendo incrivelmente leve, apenas fitava a silhueta na cadeira de rodas, que os observava ininterruptamente através de um par de óculos escuros.

Os olhos verdes dela encontraram os seus, e nem por um momento o sorriso saiu deles. Seus dedos estavam entrelaçados, as mãos juntas e compartilhando calor. Na frente de Kizashi.

Eles desceram as escadas, e no momento em que a cadeira de rodas se aproximou deles, Sakura apenas olhou de Sasuke para seu pai e disse: “pai, este é Sasuke Uchiha.”

Esquecera do sentimento de fazer uma loucura, mesmo que os meses anteriores, no qual ambos beijou e se deitou com Sasuke não o fossem, mas ela jamais achou que teria culhões para apresentá-lo ao seu pai.

Sem substantivos para defini-lo, no entanto. Nem mesmo ela sabia ao certo o que representavam, e Kizashi não fez perguntas, porque ele teria meses, anos para fazê-las.

Mas apesar de tudo, Sasuke e Sakura pareciam, pela primeira vez, em paz.

Ele já estava decidido a aceitar sua penalidade, mas quando recebera a notícia dos planos de seu pai, desejou mais do que nunca a chegada da polícia para levá-lo embora.

Quão louca é esta situação? Quando, em sua vida, a polícia se torna a solução ao invés do problema. Quando ele caminharia em direção a delegacia ao invés de fugir dela, se fosse lhe dada a opção.

E a alma não poderia estar mais limpa. Deu uma surra em Kakashi e sabia que Sakura não o abandonaria. Para ficar melhor do que isso, só se não fosse preso.

O agarre da mão feminina se intensificou na sua. Ele desviou o olhar do “ceguinho” até ela, que beijou o dorso de sua mão, sem tirar os olhos dos seus.

Estarem ali sentados, no sofá da sala, esperando pela polícia é como esperar o apocalipse, mas mesmo que sinta um pouco de tensão, – afinal é a primeira vez que não contará com a proteção e dinheiro dos pais – o sentimento maior é o de paz.

Pouco importa se foi necessária uma situação como estas para que Sakura reconhecesse seus próprios sentimentos, os meios pouco importavam quando os fins eram tão bons para si.

— Eu amo você. — ela disse, os lábios roçando contra a pele de sua mão.

Ele fechou os olhos, deliciando a confissão dela. Não era a primeira vez que a ouvia demonstrar seus sentimentos, o fizera ontem, mas estava tão possesso que sequer dera a devida atenção.

Sasuke abre a boca para respondê-la, mas batidas são ouvidas na porta. Seus dedos se fecham ao redor dos dela, que o observa afetuosamente por um breve momento, antes de sair do sofá em direção à porta.

— Polícia! Abra a porta! — uma voz masculina soou do outro lado, e ela suspirou antes de girar a maçaneta.

Uma dupla de policiais está no degrau da entrada, eles invadem sua casa sem dizer qualquer outra coisa. Ela engole em seco e caminha em direção a seu pai, enquanto Sasuke levanta os dois braços acima da cabeça e fica em postura ereta, pronto para ser levado.

— Tenente Ibiki Morino. Sasuke Uchiha, você está preso. — ele segurou os pulsos do garoto, trazendo-os para baixo de forma que fiquem apoiados à suas costas. Sasuke se vira em direção a Sakura, que assiste aflita à prisão.

Um par de algemas é fechado ao redor dos pulsos dele, mas ele não demonstra raiva ou inconformidade, pelo contrário, há um sorriso em seus lábios.

O policial o revistou rapidamente, pisando a seu redor até estar frente a frente com Sasuke. — Você tem o direito de permanecer calado; tudo que disser poderá e deverá ser usado contra você no tribunal. Você tem o direito de ter um advogado presente a interrogatórios. Se não puder pagar por um advogado, um defensor público lhe será arranjado. Você entende os seus direitos?

Com os olhos fixos a Sakura, ele fez que sim com a cabeça. — Sim.

O tenente empurra suas costas em direção à porta aberta, surpreso por não enfrentar resistência. Ele pensou que seria bom se todas as vozes de prisão que desse fossem tranquilas assim.

“Eu amo você.” Os lábios de Sasuke gesticulam, antes que ele seja empurrado porta afora.

Sakura achou que deveria trocar de roupas e ir até a delegacia para acompanhar os trâmites. Não que pudesse fazer muito, mas era a melhor forma de proceder.

No entanto, antes mesmo que pudesse subir as escadarias, seu pai pigarreou atrás de si. Uma presença que havia esquecido durante alguns minutos.

Obviamente, tinha muitas explicações a dar.

                                              ______

Toda a sua vida escolar foi posta ao desperdício graças à prisão. Sasuke, mais uma vez, enfrentou o julgamento, e com sorte, ou não, conseguiu o mesmo juiz de meses antes, que não aceitou o requisito de Itachi por uma fiança.

Mas Sasuke ficou calado durante o julgamento, desta vez.

Sua sentença foi de oito meses. Por isso, não perdeu apenas o terceiro e último semestre de seu terceiro ano, como toda a série, e precisaria fazer um supletivo assim que saísse da colônia penal para conseguir se formar.

Sakura pagou a rescisão do próprio contrato. Não queria esperar nem mais um momento para ir embora, e desempregada, voltou à cidade grande para reencontrar sua melhor amiga, pois Itachi permaneceu impassível em sua decisão, e ela não pôde ir visitar Sasuke durante os primeiros três meses de sua pena.

Quando Sasuke já estava convencido de que fora deixado, Sakura apareceu, em uma tarde de quinta-feira junto de seu irmão. Ainda era difícil para ela ir visitá-lo, principalmente por as visitas acontecerem apenas uma vez a cada duas semanas, e Mikoto e Fugaku geralmente alternavam as presenças ao acompanhar Itachi. E ela não podia ir junto deles, porque eles não sabiam e tampouco podiam saber. Não desta forma, com Sasuke preso.

Sasuke esperneou durante todo o tempo que pode, mas era uma minoria. Itachi concordou com ela que a melhor coisa a fazer era esperar que saísse, e então algo poderia ser feito.

Desesperado para que sua pena não se prolongasse nada além do necessário, ele se manteve fora de problemas, e qualquer um que o assistisse ler livros dentro de seu quarto durante a tarde não o reconheceria.

O último mês fora o pior de todos, pois sua saída parecia tão perto e ao mesmo tempo tão longe. Itachi prometeu que o buscaria na Colônia e o levaria para a cidade grande quando saísse, e foi com este pensamento que ele pendurou a mochila nos ombros, após preencher uma ficha e receber seus objetos pessoais de volta, como o par de tênis, seu piercing e o relógio.

Um oficial o escoltou até a saída. À esta altura não era mais um menor de idade, e não era necessária a presença de um responsável para buscá-lo em sua saída. Mesmo assim, Itachi estava o esperando no estacionamento, na hora marcada, e ele sorriu ao ver seu irmão de longe. Parou durante alguns segundos no meio do caminho para respirar o ar fora daquele lugar maldito e apreciar sua própria liberdade, após dois terços de um ano inteiro preso, ele mal podia esperar para viajar de volta.

Ele correu em direção a Itachi como uma criança, mas antes que pudesse sequer chegar até ele, percebeu que estava segurando um riso, e antes que pudesse perguntar o que sucedia, Sakura saiu de trás dele.

— Caralho. — foi o que Itachi disse quando percebeu que, em um piscar de olhos, caiu de sua posição de “pessoa que Sasuke mais queria ver do lado de fora” para um simples avulso. Foi Sakura que ele abraçou primeiro.

— Eu senti tanto a sua falta. Meu Deus. — ele disse, sua voz abafada contra o cabelo dela, que sorria.

— Eu também. Você está me apertando muito. — Sakura disse em um só fôlego, sua voz se tornando aguda.

Sasuke se afastou, ainda a segurando pelos ombros. Ele olhou em seus olhos e deu um suspiro profundo, aliviado.

Aliás, os seus olhos. Eles pareciam diferentes.

Não havia mais o brilho de rebeldia neles, não havia mais o olhar de uma mera criança inconformada com a forma que o mundo funciona. Aqueles oito meses colaboraram para seu amadurecimento próprio e muito, não apenas Sakura como Itachi perceberam isso no primeiro segundo em que se viram de perto.

— Feliz aniversário. — ela sussurrou em seu ouvido, antes de segurar sua nuca e trazê-lo para um beijo, que a princípio seria sutil, se não fosse por Sasuke.

— Caramba, não na minha frente. — Itachi desviou o olhar, as sobrancelhas erguidas e uma careta no rosto.

Sakura imaginou que ele estaria com a libido alta quando saísse, mas ele superou todas as suas expectativas. — Obrigado. — ele disse, se afastando dela para abraçar seu irmão, que também o felicitou pelo aniversário. — Onde estão o papai e a mamãe?

— Papai está em Sumit. Mamãe está em casa.

Sasuke olhou para ela. A feição em seu rosto ficou séria durante alguns segundos, enquanto ele refletia sobre a falta de tato de seus pais, em sequer comparecer aqui no dia de sua saída, após longos oito meses. Tudo permanecia igual, seu pai no trabalho, sua mãe em casa, cercada de seus próprios assuntos.

Itachi, percebendo o que acontecia, disse exatamente o que estava pensando: — Nada mudou, Sasuke.

— Eu vou voltar a morar com você. — ele disse, com um tom ressentido.

— Me poupou de convidá-lo. — Itachi sorriu, trazendo seu irmão bruscamente pelos ombros para um novo abraço — Você já pensou como vai contar isso ao papai e a mamãe? — ele sussurrou.

— Já, eu não vou. Estou cansado deles, não vou dar satisfações.

— Cedo ou tarde precisará falar com eles. Eu tirei o resto das suas tralhas da casa da mamãe, mas ainda sobraram algumas roupas. Você vai ter que lidar com eles.

— Não agora. — ele afirmou, convicto. — Eu não vou procurar eles, Itachi, se quiserem falar comigo, que venham até mim.

Itachi respirou profundamente, tentando não pensar sobre como seriam as próximas semanas, com Sasuke e Sakura juntos e ele finalmente livre.

— Vou buscar o carro para sairmos daqui. Volto em dois minutos.

Quando Itachi saiu, Sasuke caminhou na direção dela. Ele a acariciou na cintura, e Sakura levou os pulsos até seus ombros. Os dois se observaram durante alguns segundos, antes que ele perguntasse: — Como você está?

— Eu estou muito feliz que você saiu. E você?

— Eu estou muito feliz que saí.

Ela enfiou a mão entre seus cabelos, os alisando. — Você está parecendo um mendigo.

Estavam mais compridos do que usual, além da barba se formando em seu rosto usualmente liso. Sakura nunca havia o visto de barba antes, mas observando-o naquele momento, acreditou que podia se acostumar.

— É, pois é. Onde está o seu pai?

— Com a Ino. Você vai ter grandes problemas, ele quer olhar para você.

Sasuke riu. — Ele aprova?

— Não. Mas já se foi o tempo em que o meu pai decidia as coisas por mim. — ela se inclinou para beijá-lo, e Sasuke se deixou levar.

Depois de oito meses sem beijá-la, ele podia dizer que ansiou por isso durante tempo demais.

Suas mãos desceram pelas costas dela, e ele a trouxe para mais perto de si. — Eu vou agir como um adulto na frente dele, ele vai gostar de mim.

— Isso vai durar até você se sentir à vontade e soltar o primeiro “cegueta”.

Os dois riram. E Itachi retornou, — Vamos embora, vocês vão ter tempo de sobra para toda a melação. Deus... — ele disse, sem sair do carro.

— Sim. Vamos.

                                                                  FIM


 


Notas Finais


Espero que tenham gostado.
Um abraço a todos.


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