História Someone I used to love. - Capítulo 14


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Personagens Originais, Rap Monster, Suga, V
Visualizações 37
Palavras 4.583
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Crossover, Famí­lia, Festa, Fluffy, Hentai, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo
Avisos: Adultério, Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Tô com uma dor no coração de marcar a história como terminada.

Boa leitura.

Espero que eu não tenha decepcionado vocês com o andamento da fanfic.

Vou deixar o resto para as notas finais.

Aproveitem e preparem os lencinhos, pois eu quero fazer vocês se emocionarem! ♥

PS: Se você conhece alguém com tendências suicidas, estenda a mão. Visite essa pessoa, seja amigo(a) dessa pessoa, procure conversar com essa pessoa todos os dias. Ore para que Deus possa lhe mostrar pessoas que sofrem com este mal que atinge o nosso século e que através de você, Ele possa dar ânimo e vontade de viver para o cansado e abatido. Não fechemos os olhos para o nosso próximo, eles precisam de nós. Às vezes o que uma pessoa mais precisa é de uma companhia, um alguém que o escute e o compreenda - e não o condene. Que possamos ser cristãos genuínos (para quem é cristão, assim como eu), mas que além disso, sejamos compassivos com os que sofrem. ♥♥♥

Capítulo 14 - D e a t h.


Fanfic / Fanfiction Someone I used to love. - Capítulo 14 - D e a t h.

i   c a n  s e e  m y  d e a t h

 

 

O amor, como o veneno da cobra, serve tanto para matar como para curar.

— Ediel.

 

 

— V-Você é o marido da Alice...?

E foi aí que tudo se encaixou, e eu me levantei com raiva. 

Raiva, ódio, dor, mágoa. Mas muita raiva.

Eu espero que eu não mate Jung Hoseok hoje, mas, se isso significar tirar Alice das mãos sujas dele, eu farei sem pensar duas vezes.

 

 

Entrei naquela casa como um louco, Hoseok saiu de algum lugar que eu não notei e arregalou os olhos ao ver como eu estava. Ia falar alguma coisa, mas eu não o ouvi. Joguei-o contra a parede mais próxima com força, segurando brutalmente naquela camisa que ele usava. 

— Cadê ela, Hoseok?

— D-Do que v-você...

— Eu pedi onde ela está!

Eu estava aos berros. Estava louco, parecia até psicótico.

— Certo. Certo... Você não vai me dizer? Eu vou procurar sozinho.

O empurrei, derrubando-o no chão depois de bater a cabeça na parede. Arrombei todas as portas trancadas daquele lugar e tudo parecia estar no lugar.

Lembro-me da nossa primeira briga. Alice gritou, chorou, saiu, batendo a porta… Depois voltou e disse "Posso entrar?", e eu dei o sorriso mais belo de todos, um que quer dizer tudo, mas não diz nada. Eu sou completamente louco por ela, cara, ela sabe me destruir em pedaços pequeninos, e depois me montar, exatamente da mesma forma. Mas eu sempre volto diferente, ainda mais apaixonado por ela. Eu sou o cara que precisa dela, da beleza dela, da comida dela, do sorriso dela, da risada dela, dos sonhos dela, do amor dela… Ela é infinita pra mim, parece bobagem, mas eu esqueço de tudo ao lado dela. Ela me distraiu com aquele jeito feliz e meigo de contar dos livros, séries e músicas que ama, fica lá, falando alto e baixo, dependendo da forma que ela ama aquilo. Ela não tem o padrão de mulher que todo cara sonha, sabe? Ela é magnifica sem ser vulgar, de olhos claros e sorriso branco, ou com maquiagem e shorts curtos. Sou apaixonado por ela, ela sabe, e se aproveita.

Será que ela ainda é louca por mim, tanto quanto sou louco por ela? 

Eu a amo, e me lembro, quando começou, quando ficou chato, quando ficou grudento, e ciumento.  Eu me lembro quando comecei a amar ela. Não foi quando ela sorriu não, cara. Comecei a ama-la quando ela estava sobre mim, me olhando nos olhos, e meu coração começou a bater depressa, parecia que eu não ia aguentar, e eu soltei um sorriso, como se estivesse fumando um baseado, flutuando, e ela disse, "Só você sabe me fazer feliz", esse dia, eu soube que era ela, que eu a amava, e queria que aquele momento fosse infinito, assim como ela, por que, cara, era só o que eu queria, fazê-la feliz.

Ela é o meu mundo, que gira e gira, muda em cada tempo, mas ela está aqui, cuidando de mim, me fazendo feliz e me mostrando que aquilo que temos agora, é aquilo que precisamos valorizar, não depois, mas sim agora. Mesmo depois de tanto tempo, ela ainda está aqui. Eu a sinto.

Ela conseguia me conquistar em todos os lugares, seja em quatro paredes ou em dez. Quando eu ia trabalhar e dava carona para ela, os caras olhavam e ficavam se perguntando o porquê dela se vestir assim e ter esse cabelo colorido, era engraçado. Ela tinha o cabelo roxo quando nos conhecemos. Azul quando demos o primeiro beijo. Rosa quando começamos a namorar.  Engravidou de Jimin, e seu cabelo voltou para o natural.

Ela é doida, e eu não ligo como são as outras garotas, como elas se vestem, ou se estão famosas, por que essa garota aqui, é minha, e eu sou dela, tantos outros, tantas outras, e pra nós dois, só existe nós dois, e mais nada. E daí que se passaram tantos anos? Caguei. Ela ainda é minha. Eu quero viver toda loucura, e cada brisa desse mundão com ela, sorrir e chorar, e amar ainda mais essa mulher.

Eu estava ficando desesperado, pois já havia visto quase todos os cômodos, mas então, me lembrei daquele porão. 

Fui até lá. 

Teria que lembrar de renovar meus calçados depois. Alice sempre gostou de me ajudar nas compras, já que eu sou péssimo nisso.

Lembrei da carta que eu escrevi há alguns dias atrás. Outra carta. Para ela.

"Como de costume cada mês eu te falava algumas coisas de como você trouxe alegria para a minha vida e de como me transmitia essa alegria e paz só de te ter em minha vida, e hoje não seria diferente, mesmo que você não esteja mais aqui. Mais um mês que se passa e a partir desse eu terei que aprender a não escrever alguma lembrança para você. É dolorido, vazio e sufocante. Eu não te fazia bem e na realidade acho que nunca fiz você se sentir realmente bem. Eu fico repassando cada momento dos últimos meses na minha cabeça e sempre me questiono aonde foi que eu me perdi, já que quando me perdi acabei te perdendo também. É como se eu estivesse dentro de um triturador de alimentos ligado no pulsar 24 horas por dia. Eu quero aprender a respirar novamente, caminhar entre meus tropeços sozinho e sorrir mesmo quando por dentro estiver tudo nublado e escuro. Eu queria te agradecer por cada momento por mais pequenininho que foi, você me fez rir como ninguém fez e principalmente quando tinha uma placa de “fechado para sempre” em mim. Eu falei isso várias vezes e repito quantas forem necessárias: é você e sempre será. Poderia me apaixonar por outra, amar, ter todos aqueles sonhos bobos que eu tive contigo mas ela nunca seria você. Eu penso no futuro e quando ler todas essas coisas que escrevi para você e em como vou me sentir. Todos os dias é mais uma tortura ridícula e eu só queria saber o porquê de ser tão doloroso assim, por que eu não fui o suficiente para você, e para te proteger? Eu também queria chorar mas não consigo, eu estou vazio, quando você foi embora me levou contigo e eu só queria um pedacinho meu de volta. Eu preciso continuar fingindo que está tudo ótimo como era antes de você." 

Com outra porta arrombada, eu já estava quase morrendo de cansaço, mas a adrenalina fazia com que eu não sentisse isso ainda.

Dei de cara com os fundos da casa, que mostrava uma floresta em toda sua extensão (como assim tão grande?). Respirei atordoado e fui em direção à uma daquelas portinhas de chão, que tinha abaixo de uma das portas.

Eu podia escutar alguém chorar. Estava trancada, como eu esperei. 

Chutei umas nove vezes até que abrisse. Não havia nenhum cheiro ruim, mas, senti um peso enorme no meu peito ao descer em um pulo e ver os arranhões — eu acho — na parte interna da porta.

Queria gritar o nome dela, ou gritar para qualquer um que estivesse ali, mas não tinha forças. O choro havia parado.

Andei alguns passos.

— H-Hoseok... Vai embora... Eu... E-Eu não aguento mais...

Ouvir aquela voz me deu toda a energia que eu precisava. Corri. Corri em direção a ela.

Era uma porta, no final do corredor daquele porão horrendo, era lá onde a minha Alice estava. 

Entrei. 

— H-Hope... P-Por favor...

Sua voz estava em um sussurro, e eu fui em direção a ela.

Quando eu a vi...

Tive instantâneas nostalgias quando olhei pra Alice, em um segundo, passou aos meus olhos, todo o começo, o primeiro olhar, o primeiro aperto de mão, o abraço, o beijo. É inevitável, não lembrar do vento, da temperatura do ar, do jeito que as ruas eram naquele tempo, nenhum detalhe passa despercebido as minhas lembranças.

Lembro das suas roupas, e de todos os seus artifícios pra conseguir trocar uma conversa comigo. E lembro do seu sorriso, ah... O inesquecível sorriso. Quantos anos já se passaram, desde o dia em que eu a conheci, em que eu a vi pela primeira vez, as ruas mudaram, ficaram cheias de casas mais modernas, o tempo passou, e então eu passo pelos mesmo lugares onde trocamos nossas primeiras conversas, onde caminhamos, e vejo que tudo se transformou, mas o amor, o amor não mudou.

Eu experimentei o amor como um todo, sei o quanto ele nos deixa feliz quando nos permite ter a pessoa amada, e o quanto ele nos definha, e nos faz sofrer quando não temos essa pessoa, e ainda o quanto ele nos tortura quando temos e não podemos estar perto, já passei por tudo isso.

Mas se hoje eu sei o significado do amor, isso eu devo a Alice. Ela foi o amor pra mim, eu lutei por ela e não desisti, nem eu mesmo entendia a força que existia dentro de mim de acreditar nesse sentimento, mas sabia que pra tudo existe um sentido.

Quando eu estava prestes a desistir desse amor, anos após o seu desaparecimento, ele ressurge em minha vida, é notável como somos testados na vida, se for amor de verdade dá certo, e nisso eu acredito, não importa o quão diferente você seja de alguém, só basta ser amor.

E é amor, tudo que sinto por ela é amor, não tenho dúvidas desse sentimento, porque todas as vezes que olho nos seus olhos, volto pra aquele dia que te conheci, e relembro em segundos toda a nossa história.

Eu a amo, não há como negar, nossas vidas mudaram, e existe uma coisa muito em comum entre nós dois, estávamos e fomos felizes juntos, e se me perguntassem o que eu eu faria se eu tivesse uma máquina do tempo, eu simplesmente faria tudo de novo, por amor.

Saudade é o que sinto, aqui, agora.

Nossas brincadeiras, nossas risadas,  nossos olhares, me apego a essas lembranças todos os dias, desejando fortemente que os minutos e segundos se passem pra que eu possa a ver outra vez. E ficar a olhando, a ver dormir, bagunçar seu cabelo. Ter sonhos com ela na madrugada, enquanto ouço seus sussurros, sentir seus abraços inesperados enquanto dorme, e deixar ela na pontinha da cama, quero sempre tudo isso.

Quero seu corpo quente junto ao meu, e quero a acordar todas as manhãs.

Mas nesse momento meu coração se enche de saudade, e uma vontade imensa de a ver, e de correr aos seus braços, porque o meu mundo cabe num abraço seu, num sorriso seu, eu a amo, e por mais que eu repita isso, irá sempre ficar algo por dizer, porque chamo esse amor de infinito.

E foi isso que eu fiz. Ela me viu e entrou em choque. Tentei ignorar por hora todos os ferimentos e o quanto ela estava mal.

Não estava feia. Minha Alice continuava linda. Mas ela estava mal.

Magra. Fraca. Branca. 

Haviam hematomas em todo o seu corpo, e vê-la apenas de roupa íntima, rasgada por sinal, me fez chorar.

Meu coração quebrou ao ir ao seu encontro, e ver que ela queria vir até mim, mas, não conseguia se manter em pé.

— M-Minha Alice...

Caí de joelhos na sua frente e puxei seu corpo frágil para mim. 

Hoje eu chorei.

Hoje eu chorei lembrando da última vez em que a vi; chorei, porque a ultima lembrança dela foi aquela cara amassada da cama quando acordou do meu lado, com os olhos bem inchados do sono e alergia aos pelos dos gatos, e justamente quando acordou, fez questão de me abraçar e dar beijos, fez questão de me puxar e me ter por perto. 

Hoje eu chorei por perceber o quão ela mudou; chorei, por aquele dia, um dia aleatório do nosso relacionamento... Quando tínhamos terminado, e um mês depois, eu tinha marcado de nos encontrar para conversar e ela não aparecer, porque chegou em casa cansada e acabou adormecendo, sem um aviso de um minuto, eu só queria me sentir um pouco mais importante do que talvez eu seja, queria nem ter dúvidas se ainda sou importante para ela.

Hoje eu chorei por sentir demais; chorei, porque a saudade andou batendo demais na minha porta, porque a indiferença machuca muito, porque intensidade está fazendo mais parte da minha vida do que o normal, parece que o amor nos ajuda a enxergar algumas coisas, mas nos faz bagunçar cada vez mais também.

Hoje eu chorei por alguém que eu amo demais; eu sou muito grato por ela ter me encontrado numa noite, ter puxado assunto e conversado sobre diversas coisas que foram me cativando, e me fizeram desistir de querer colocar um fim na minha vida. Eu a encontrei naquele dia e felizmente ela se tornou alguém essencial na minha vida: essencial, porque sua essência tem seu valor.

Hoje eu chorei pelo simples fato de precisar muito dela…

E com ela ali, em meus braços, me apertando tão forte sem ligar para seus machucados, que eu agradeci a Deus por ter encontrado ela. Alice levantou a cabeça e me olhou. Não eram só lágrimas que eu via brotar dos olhos dela. Era dor, uma dor a qual eu nunca sentiria, pois, eu não sentia nada do que ela pode ter sentido aqui, nem ao menos um “sinto muito”. Vejo, nos olhos dela, que todo o meu sofrimento não foi um porcento comparado ao que ela passou aqui.

Mas, ela está viva.

Minha Alice está viva.

E eu posso levar o tempo que for para reconstruir todos os caquinhos que foram quebrados. Eu vou fazer isso. Porque eu a amo.

— Me tira daqui.

Ela disse aquilo tão baixinho, mas tão baixinho, que se eu não estivesse com ela em meus braços eu não teria ouvido. Assenti, puxando-a mais uma vez para um abraço apertado.

— Eu te achei, meu amor. Eu te achei. Descansa. Descansa agora, minha pequena. Eu prometo que quando você acordar nós dois estaremos longe daqui, reconstruindo tudo o que está destruído em você e em mim. Nós vamos ver o nosso Jimin e assistir um filme com ele hoje, como fazíamos antigamente. Dorme agora, minha vida. Dorme porque você precisa. Mas dorme feliz, com a certeza de que eu nunca viveria mais um dia sem encontrar você. Dorme... Eu te amo, Alice.

Mais um tempinho ninando a minha Alice como se fosse um bebê dengoso, distribuindo beijinhos carinhosos pelo seu rosto onde não estava ferido. Logo ela foi relaxando nos meus braços e eu a vi sorrir de uma forma tão linda que me arrancou o ar. Ela dormiu e eu fiquei mais uma meia hora ali, nem lembrando do Hoseok, nem lembrando do Jin. Só concentrado no rosto lindo da minha Alice, e no quanto eu necessitava dela para viver.

Algum tempo depois, encontrei uns trapos de cobertor, ou o que realmente restou desses trapos e consegui cobrir o corpo dela. Parecia que meu corpo e minha mente entraram em um estado de êxtase. Eu finalmente tinha encontrado a minha Alice.

Depois de pouco esforço, devido à magreza excessiva dela, consegui sair daquela portinha, finalmente, mas o que eu vi, foi extremamente aterrorizante.

Jin estava jogado no chão, em frente à algumas árvores, e em frente a...

Um Hoseok envolvido por uma corda, amarrado a uma das árvores. 

Confesso que meus olhos se encheram de lágrimas, e, apesar de estar com uma raiva imensa dele, eu sabia que tudo o que ele fez foi por amor. Um amor que se tornou obsessão, compulsão e possessividade. Mas era amor. E, quando se trata de Alice... Alguém se apaixonar é questão de minutos.

Me sinto triste por ele.

Porque eu entendo, e você, leitor, você também entende. E quantas vezes no silêncio do seu quarto, com lágrimas nos olhos, você olhou para o teto e pensou em desistir?

Quarto trancado, mente vazia, caos ao alto, dor ao lado, coração estilhaçado.

A depressão se arrasta sobre você silenciosamente, no inicio você luta contra coisas pequenas, mas normalmente escolhe ignorá-las. É como uma dor de cabeça que você insiste em dizer que é temporária, vai passar, que é só mais um dia ruim. Mas não é. Você está preso nesse estado mental. Você se acostuma a colocar uma máscara social e continua a viver em meio às pessoas, porque é isso que você tem que fazer. É isso que os outros fazem.

No entanto o problema não passa, e você luta para levantar todo dia, e começa ficar mais difícil a cada dia. É ai que você cai mais fundo ainda e é ai que você vai aos poucos se afastando da família e amigos, as vezes isolando-se deles completamente. Toda a satisfação vai embora. As pequenas coisas que te alegravam são agora sem importância, e mesmo as tarefas mais simples tornam-se dolorosas, e é ai que começa a faltar motivação. Por que continuar tentando se nada te faz feliz? Tudo te faz sentir-se ainda pior e você se vê preso em um circulo vicioso.

Subitamente você se encontra vivendo em câmera lenta. Os dias se tornam indistinguíveis. É apenas um ruído branco, apenas um peso preenchendo sua cabeça e se derramando sobre seu corpo. Você sente que nunca será feliz novamente. Você continua a recuar e a destruir relacionamentos. Você se envergonha de tudo o que fez, e de que não fez. Há uma parte de você que quer fazer as coisas direito, uma súbita onda de positividade o faz querer sair e encontrar pessoas, mas tudo passa muito rápido porque você sabe que não vai funcionar de qualquer maneira. Coisas que deixam seus amigos animados o deixam indiferente e você fica ciente do imenso abismo entre vocês.

Outro fracasso não é uma opção então no fim você decide ficar sozinho na sua zona de conforto, onde ninguém faz nenhuma pergunta. A baixa auto estima e falta de propósito tornam-se insuportáveis. Você finalmente percebe que não pode continuar desse jeito e duas coisas podem acontecer: ou você decide buscar ajuda, ou você pode vir a tentar suicídio.

A decisão de Hoseok ficou clara para todos. 

Você já se pegou alguma vez chorando, em um canto por ser… Você? Se encolher no canto do quarto pra se esconder, mas fugir como se a guerra é dentro de você?

Eu entendo.

Porque isso também aconteceu comigo, desde o dia em que ela desapareceu. É como se a vida fosse um barco e em algum momento eu caí e não tive forças pra nadar contra a correnteza.

Eu gritei. Depois, vendo o quão inútil que era pedir por socorro, eu sorri. Zombando de minha dor, fiz assim, mais uma cicatriz. Mas foi na alma.

E quantas vezes eu gritei, porque a dor não suportei, “Deus eu vou morrer neste caminho?”.

Talvez, se eu soubesse que Hoseok ia fazer isso, eu não teria deixado ele caído lá em cima. Eu teria o abraçado, e falado que eu o perdoava. E que certamente Alice o perdoaria também. 

Os tempos sem ela foram os piores.

E de lá do fundo do poço, o céu se abriu, e Deus apareceu, me ergueu e me disse: Estarei sempre contigo, você não tem que passar por isso sozinho.

O Deus da Alice.

Aquele que eu sequer acreditava.

Eu me lembro de um filme que eu assisti, e as palavras ainda voam pela minha mente:

Na manhã depois que eu me matei eu acordei, tomei café da manhã na cama, adicionei sal e pimenta aos meus ovos e usei minhas torradas para fazer um sanduíche de bacon com queijo. Eu espremi algumas frutas em uma jarra de suco, raspei as cinzas do fundo da frigideira e limpei a manteiga caída no balcão. Eu lavei as louças e dobrei as toalhas. Na manhã depois que eu me matei, eu me apaixonei. Não pelo garoto da rua de baixo ou pelo diretor da escola secundária. Também não foi pelo cara que corria todos os dias ou pelo comprador que sempre deixa os abacates fora da sacola. Eu me apaixonei pela minha mãe e pela forma que ela sentou no chão do meu quarto segurando cada uma das pedras da minha coleção em suas mãos até que elas ficaram pretas com o suor. Eu me apaixonei pelo meu pai no rio quando ele colocou minha carta dentro de uma garrafa e mandou pela correnteza. Pelo meu irmão que uma vez acreditou em unicórnios, mas agora estava sentado em sua mesa na escola tentando acreditar desesperadamente que eu ainda existia. Na manhã depois que eu me matei eu passeei com a cadela, eu vi a forma que a cauda dela balançava quando um passarinho voava perto ou acelerava o passo quando via um gato. Eu vi o espaço vazio nos olhos dela quando ela pegava um graveto e virava pra me encontrar pra que a gente brincasse de pegar, mas não via nada além do céu no meu lugar. Eu parei enquanto os estranhos faziam carinho nela e ela abaixava a cabeça com o toque deles como uma vez ela fez com o meu. Na manhã depois que eu me matei eu voltei na casa do vizinho onde eu deixei a marca dos meus pés no concreto quando eu tinha 2 anos e vi o quanto elas já estavam desaparecendo. Eu peguei algumas margaridas, tirei algumas ervas daninhas e vi uma senhora através da janela dela quando ela as noticias com a minha morte. Eu vi o marido dela cuspir tabaco na pia e trazer a medicação diária dela. 
Na manhã depois que eu me matei eu vi o sol nascer, cada árvore alaranjada aberta como uma mão e uma criança na rua de baixo apontou uma única nuvem vermelha para a mãe dele. Na manhã depois que eu me matei eu voltei para aquele corpo no necrotério e tentei falar algumas verdades para ela. Eu contei para ela sobre os abacates, sobre as pedras marcadas, sobre o rio e sobre seus pais. Eu contei para ela sobre os pores do sol, sobre o cachorro e sobre a praia. Na manhã depois que eu me matei eu tentei voltar a vida, mas eu não consegui terminar o que eu comecei.

Depois de lutar contra minhas próprias forças e levá-la ao hospital, pedi para que alguém ligasse para o meu Jiminie e o trouxessem no hospital, antes de apagar na própria sala de emergência.

 

 

— Ele vai acordar em breve, pequeno, acalme-se, não aconteceu nada sério.

Ouvia a voz de uma mulher, e ao abrir os olhos, dei de cara com uma enfermeira ao lado de Jimin.

— Oi meu pequeno, vem cá. O papai tem algo muito importante pra te dizer. 

Eu já estava chorando outra vez e Jimin percebeu a extrema alegria e paz que eu estava sentindo, pois se aproximou sorrindo.

— O que foi, papai?

— Você não disse para ele, né?

A enfermeira negou, dando-nos privacidade.

— Jimin, eu... Eu quero dizer que... Ah, eu não sei como fazer isso... Jiminie, eu te amo muito. Muito mesmo.

— Eu sei disso, seu bobo. 

Sorri.

— A sua mãe, ela...

Os olhinhos dele automaticamente se encheram de lágrimas e ele me interrompeu.

— Não. Não quero ouvir. Eu não quero ouvir sobre a mamãe!

Levantei da cama, já completamente recuperado das dores, e me aproximei dele. Me ajoelhei em frente a Jimin, que tinha lágrimas no rosto e suas mãos sobre os ouvidinhos.

Tirei-as delicadamente.

— Eu prometi, Minnie.

Ele me olhou, incerto.

— O q-quê?

— Prometi que nós teríamos ela de volta.

 

 

Jimin não saía da cadeira confortável ao lado da maca de Alice, e nem parava de sorrir. Ele estava o tempo todo sorrindo, literalmente.

Saí do quarto depois de um tempo, vendo Namjoon na sala de espera. Ele me viu e sorriu de uma maneira compreensiva. Foi impossível não sorrir junto.

Conversamos como se fossemos melhores amigos, e me bateu uma leve dor ao lembrar de Hoseok.

Namjoon levou Jimin para sua casa, o pequeno estava mais animado do que nunca, assim como eu. Ele queria que eu também voltasse, mas, foram tantos anos sem ela... Não posso perder mais nenhum segundo.

— Senhor Min?

— Sim?

A enfermeira sorriu.

— Ela acordou.

Corri para o quarto, e a vi olhando pela janela. Quando ela me viu, apenas abriu os braços em cima da cama, em sinal para que eu fosse ali. Não exitei. A abracei forte, vendo ela me apertar na mesma intensidade.

Nos separamos depois de longos minutos, e eu deixei um beijo naqueles lábios dos quais tanto senti falta. Eu me sentia revigorado. Renovado.

— Obrigada.

A olhei.

— Por quê, minha linda?

— Mesmo estando em uma imensa desordem, você não desistiu de mim.

— Alice... Você esteve lá nos momentos mais escuros de minha vida, me lembrando de que no final, tudo ficaria bem. Você foi a única que não desistiu de mim, mesmo quando eu já tinha desistido de mim mesmo. Você foi a única que esteve lá, me dando forças para continuar lutando, contra o que fosse. Você me salvou e eu nunca vou poder te agradecer o suficiente. 

Ela sorriu e foi para o cantinho da maca, entendi como um convite para que eu deitasse ao seu lado. Me deitei ali, sentindo o cheirinho característico que não a abandonou. Ela tinha os olhinhos marejados.

— Vem aqui, meu amor. Me abraça, eu cuido de você. 

Ela chegou perto e me abraçou, chorando. Ficamos ali, apenas sentindo um ao outro.

— Eu te amo, e não importa o que aconteça, você foi a melhor escolha que eu fiz. — Eu disse, enquanto olhava para aqueles lindos olhos. Mal podia acreditar que ela estava ali outra vez. — Eu te amo. E nunca me imaginaria amando alguém com tanta intensidade, nem sabia que tinha tanta capacidade pra amar assim. Mas isso tudo por sua culpa. Ninguém além de você, saberia despertar isso em mim.

A enfermeira entrou no quarto juntamente do médico, que sorriam emocionados ao ver que eu não largava Alice. O médico disse que, se ela preferisse, podia se recuperar em casa. Ela ficou muito animada, e disse que sim.

Duas horas depois, eu a ajudava a caminhar até o carro, que Namjoon fez questão de levar até ali. Ela estava tão feliz, tão animada, tão esperançosa.

Ajudei-a a sentar no banco ao lado do motorista e fui para o outro lado. Antes de ligar o carro, me virei para ela e a beijei.

A beijei da forma mais apaixonada que eu conseguia.

Senti tanta falta dessa sensação que só ela me proporcionava... Nos afastamos, e eu, calmamente, disse a ela:

— O que eu realmente quero que você saiba, é que não importa o tempo que passe, o que aconteça ou o que a vida nos ensine… Não interessa quem somos, ou quem vamos nos tornar… O que vale é o que carregamos dentro de nós. E você, guarde isso na memória pra sempre: eu te carrego junto comigo, todos os dias. 

Ela sorriu, e ali, naquele sorriso, eu tive certeza de que não precisava de dinheiro nenhum, casa nenhuma, bens ou prazeres. Tendo ela, tendo a minha Alice, eu me sentiria completo.

E de mãos dadas estaremos juntos no amanhecer, e no anoitecer de cada dia. Farei  desse amor forte o suficiente para superar qualquer barreira, porque estou do seu lado, te amo enfim. E que a vida nos traga flores, e se vier alguns espinhos, nos preocuparemos apenas, em pegar o próximo trem, porque juntos iremos a qualquer lugar, só pra continuarmos sendo felizes.

 

 


Notas Finais


Espero que não tenha decepcionado vocês.

Me contem o que acharam.

Espero vocês nas minhas outras fanfics. ♥ Amo muito cada um que gasta um tempinho para ler. Mesmo.

Fiquem com o papai do céu! ♥


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