História Something Between Brothers - Capítulo 6


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS), EXO, Monsta X
Personagens Baekhyun, Chanyeol, Hyung Won, J-hope, Jimin, Jin, Joo Heon, Jungkook, Min Hyuk, Personagens Originais, Rap Monster, Suga, V, Won Ho
Tags Amizade, Bts, Comedia, Exo, Monsta X, Romance, Yaoi
Exibições 25
Palavras 5.087
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Crossover, Famí­lia, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Alo alo alo voltei :3 Desculpa demorar, mas já devem saber como sou enrolada, mil desculpas por isso, de verdade. Vou tentar ser menos atrasada, prometo ^^ Enfim, cap novo aí, então espero que gostem e boa leitura! <3

Capítulo 6 - Family Issues


        ~*~ P.O.V. Anne ~*~

Aconteceu. Nossa primeira apresentação em um show aconteceu e foi maravilhoso. No fim, bem no fundo da plateia, consegui ver o cabelo loiro de Jin, sorrindo e acenando para nós, parecendo muito orgulhoso. Junto dele, vi Kook, Nam, mais o Jooheon, Minhyuk e Wonho. Mal posso acreditar que eles estavam realmente ali, nos assistindo, torcendo por nós. Isso me faz me sentir tão segura, e tão bem. Acho que começamos com o pé direito nesse mundo...
Quando saímos do local, encontramos todos eles aqui fora, nos esperando, junto dos garotos do EXO também, mal a única coisa na qual consegui pensar e fazer é ir correndo em direção aos braços do meu irmão, que vem correndo até mim também. Nós nos abraçamos, e ele me rodopia no ar, em meio de risadas e euforia. Ambos estamos muito felizes por isso, pois agora estamos juntos em uma caminhada que sempre sonhamos estar. Estamos juntos, e bem resolvidos. 
-Anne, eu estou tão feliz! -Kim diz, ao finalmente me por no chão e me soltar. Um brilho diferente toma conta de seu rosto, ele parece orgulhoso. -Vocês foram incríveis, com uma apresentação maravilhosa!
-Tenho que admitir, realmente vocês me impressionaram! -Namjoon aparece ao lado de meu irmão, sorrindo. -Os outros meninos também adoraram, e estão ansiosos para te conhecer, já que você é a única que eles não conhecem ainda. 
-Oh, obrigada, hyungs! -agradeço, sorridente. -E eu também quero conhecê-los...
-Então vamos!
Nam pega minha mão, enquanto Jin segura a outra, e nós três vamos de encontro ao resto do pessoal. Todos estão conversando, animados, e se parabenizando pelas apresentações. Quando nos aproximamos, todos olham para nós. Jimin vem saltitando para perto de mim.
-Anne-hyung, os rapazes querem conhecê-la! -ela diz, e me puxa das mãos dos outros dois, me levando para mais perto do grupinho. 
Nos apresentamos um por um, um para o outro. Eles são tão fofos e atenciosos, é quase impossível acreditar que realmente estamos nos conhecendo, é divertido pensar que só a alguns meses atrás o que está acontecendo aqui parecia besteira. Mas que bom que está. 
-Oh, você é tão mais fofa ao vivo! -Baekhyun parece querer desmoronar em cima de Chanyeol, do seu lado, de tão feliz que está. -Fiquei impressionado com a performance de vocês no palco, pareciam tão seguras mesmo sendo a primeira vez!
-Devo admitir que ele fala por todos nós quando diz isso. -Minseok, que está perto do mais novo, completa a frase de Baek. -A gente ficou assistindo vocês dançando nas TVs dos camarins, comentando o tempo todo sobre como eram confiantes.
-Isso é muito bom para um grupo rookie, toda essa segurança em uma apresentação. -Jooheon concorda, já entrando no assunto. -Espero que continuem assim, vocês tem um futuro promissor pela frente.
-Também fico feliz de saber que conhecendo vocês, estamos ajudando a  sentirem mais confortáveis nesse mundo! -Chanyeol, que parece meio ocupado tentando não deixar Baekhyun se empolgar demais, diz com um sorriso no rosto. -Espero que possamos todos ser bons amigos!
-Obrigada! Fico feliz em conhecer vocês também! -digo, sorrindo para os garotos. Então, minhas amigas aparecem do meu lado, e todas demos as mãos. -Nós agradecemos por estarem no nosso lado!
Todos batem palmas, e, felizes, nos juntamos em um grande abraço. Enfim, sinto-me parte desse mundo.

Depois de sair de lá, combinamos todos de nos encontrar na casa de Taehyung, que tinha sugerido dar uma festinha agora para comemorar nossa primeira apresentação. Então, fomos todos até lá, onde o resto dos meninos nos espera. 
E olha, eu não me lembro da última vez que me diverti tanto como nesta noite.
Mesmo cansados do dia cheio e do show, conseguimos aproveitar bastante a festa. Também fazia tempo que não bebia uma gota de álcool, mas foi isso que me deu combustível para ficar dançando com os meninos na pista de dança improvisada na sala do Tae. Passar o tempo com esses caras me fez perceber que além de serem idols, eles também são pessoas normais, com uma vida social e com direito a se divertirem do jeito que quiserem. E eu estou muito  feliz em fazer parte disso.
Antes de começarmos a ficar mais bêbados, e de eu começar a esquecer do que aconteceu, lembro-me de estar no jardim da casa, junto de Jungkook. Estávamos conversando sobre nossos futuros e coisas do tipo, até por algum motivo começarmos a falar de família. 
-Percebi como você e Jin-hyung são bem próximos. -ele começou o assunto assim, e deu um gole na sua garrafa de cerveja. -Ele deve ser como um irmão para você. 
-É, quase isso. -bebi da minha garrafa, tentando disfarçar o incômodo com tal afirmativa, que mesmo sendo real, eu não podia confirma-la para ele, ainda. -Ele sempre cuidou muito de mim, desde que nos conhecemos. E depois que minha mãe morreu... Ele parecia minha única família. 
-Mas e seu pai?
-Ele sempre me odiou. -ri ironicamente, lembrando-me de nossas infinitas brigas. -Ele nunca me viu como uma filha de verdade, me via como um erro resultado de um acidente. Minha sorte era que minha madrasta conhecia o Kim, e me levou para morar com ele. Nem ela aguentava nossas discussões. 
-Nossa, eu não sabia... -Kook olhava para mim, não com pena, como todos sempre me olharam, mas com curiosidade. -Então, o Jin cuidou de você? 
-Como ele sempre tinha feito. -sorri, olhando para o céu estrelado. -Mas as vezes não me parece suficiente, e ainda me sinto meio vulnerável...
-Ei, olha aqui. -ele colocou a mão no meu queixo, virando meu rosto, fazendo com que o olhasse, no fundo de seus belos olhos castanhos. -Não precisa se sentir assim. Você parece ser bem forte. E mais... -Jungkook sorriu, e começou a aproximar seu rosto do meu. -Eu posso cuidar de você também. 
E foi então que finalmente aconteceu. Ele me beijou. Seu beijo era reconfortante e quente, sem falar que sua mão acariciando meu cabelo me fazia me sentir completamente confortável em seus braços. Enquanto nos beijamos, nada mais parecia errado no mundo. Éramos somente nós dois e nossos corpos, com nossos corações batendo juntos, em descompasso. Então eu soube, que estaria segura com ele.

Após a festa acabar e todos irem para casa, eu e meu irmão fomos direto para casa, ambos mortos de cansaço. Agora, estamos enfim chegando no apartamento. Kim está levemente alcoolizado, e não fala nada com nada. É até engraçado ver meu irmão mais velho assim, ele que sempre parece todo certinho e responsável, estar todo bêbado dessa maneira, balbuciando algo idiota sobre macacos zumbis... (ele, Baek, Suho, Hyungwon, Hyoyeon e Kihyun estavam falando sobre isso em algum momento na festa. Não me pergunte, eles estavam bem tontos). 
-Eu só acho, -a voz de Kim falha, e suas mãos se atrapalham ao tentar abrir a porta do apartamento. -que essa é uma hipótese muito provável, já que eles fazem aqueles testes esquisitos com macacos em laboratórios e...
-Ta, ta, Kim! -eu começo a rir, também meio fora de mim, pegando as chaves da mão dele e abrindo a porta. -Agora, você vai direto para cama e vai dormir, bobão!
-Ai, ai, ta bom, mãe! -ele ri também, e vai cambaleando rumo ao quarto. -Te vejo amanhã, irmãzinha!
-Boa noite, Seokjin! -eu rio, e passo para dentro, fechando a porta atrás de mim. 
Quando ando um pouco, noto um barulho estranho, parecido com papel amassando, vindo de debaixo do meu pé. Olho para baixo e vejo envelopes de cartas. Estranhos, por que tem cartas aqui sendo que é fim de semana? Movida pela curiosidade, retiro tais papéis do chão, e começo a olha-los, e vejo que não tinha visto a parte mais esquisita disso tudo.
São cartas vindas do Brasil, endereçadas para meu pai.
Elas não estão lacradas, o que indica que alguém já as abriu, mas mesmo assim eu pego as folhas de dentro dos envelopes, jogando estes em cima da mesa, e me sento no sofá da sala para começar a ler as cartas. O que foi uma péssima escolha.
Todas estão escritas em inglês, e são do hospital onde minha mãe estava internada, quando estava tratando de seu câncer de pulmão. 
Ela sempre fumou muito durante a vida, e resultou nisso. Eu trabalhava, nessa época, para conseguir manter seu tratamento, já que pelo que parecia meu pai nunca pagava um centavo para ajudar. Em resultado disso, por falta de recursos melhores, minha mãe teve o tratamento interrompido. Nisso, ela acabou morrendo, sem que eu pudesse fazer nada para impedir isso. Eu morria de ódio do meu pai por não ter nos ajudado em momento nenhum, e mesmo até agora eu ainda pago ao hospital, pela dívida ser muito alta.
Pelo menos era o que eu pensava, até ler essas cartas.
Ao que tudo indica, o hospital parou de pegar dinheiro da minha conta bancária a seis meses atrás, quando meu pai entrou em contato com eles, e passou a pagar pelas dívidas. Tudo o que faltava ser pago foi liquidado nesses seis meses, tudo. Os remédios, as quimioterapias, a internação no hospital... cada centavo que ele tinha se recusado a entregar antes ele entregou agora. Mas não adianta de nada.
Minha mãe já está morta. 
Então por que esse desgraçado fez isso? Para tentar parecer bonzinho?! Grande merda! A única coisa que ele está fazendo é pagar pela morte dela, quase como se quisesse se livrar logo de tudo que o lembrava dela. Ele só está tentando encobrir a besteira de antes, mas não está dando nada certo! Que idiota!
Morrendo de raiva, amasso os papéis e os jogo no chão. Encolho-me no sofá, abraçando meus joelhos e começando a soluçar, perdida. Tudo isso me fez lembrar de mamãe, e de como éramos felizes quando ainda era viva. De tudo que fizemos juntas, de como ela sempre tinha me apoiado sobre meu sonho, de seu sorriso radiante ao ver eu e Jin nos divertindo juntos, como dois bons irmãos. Ela amava a mim, e também amava Kim como se fosse seu próprio filho. Ela era um raio de sol na minha vida. Mas agora é só escuridão. 
Eu sentia sua falta, todos os dias da minha vida. E agora descubro que ela ainda poderia estar aqui comigo, tudo era uma questão de força de vontade, vinda do meu pai. Mas parece que ele só se deu conta da merda que fez agora. Mas não adianta nada, nada! Ela já se foi e não vai voltar! Nem dinheiro nem nada vai consertar a bobagem que ele fez de nos ignorar de sua vidinha fútil! Ah, que ódio!
Preciso de algo para me acalmar, senão acabarei perdendo o juízo. Respiro fundo, e vou até meu quarto, a procura daquela maldita garrafa.

 
             ~*~P.O.V. Jin ~*~
O silêncio da noite parece ainda mais reconfortante quando se está sobre o efeito de álcool. Tudo parece mais calmo e quieto, e me sinto menos preocupado. Ao chegar no meu quarto, caio de costas em minha cama e respiro fundo, dando um sorriso abobado. Estou feliz, muito feliz. Parece que tudo nesta noite deu tão certo... As meninas conheceram mais gente e estão mais confortáveis com toda essa situação, e estão virando bons amigos, principalmente depois dessa festinha, que tinha sido tão engraçada e divertida. Ah, que noite agradável. 
E, com um último pensamento de orgulho pela minha irmã, eu acabo adormecendo profundamente.
Contudo, minha calma não dura muito.
No meio da noite, sou acordado por um som de algo caindo, como uma cadeira. Estou bem menos tonto agora, só com uma dor de cabeça de ressaca. Levanto, meio cambaleante, da cama e vou rumo a cozinha, da onde parece ter vindo o barulho. E realmente, veio daqui. 
Dentro da cozinha, vejo uma cena meio incomum para as três da manhã de segunda... 
Minha irmã está sentada em cima da bancada da pia, bebendo de uma grande garrafa de vodka. Perto de uma parede, uma das cadeiras da mesa da cozinha está caída. Fico um tempo paralisado perto da porta, olhando aquela situação. Ao ver que eu a encarava, Anne dá um longo gole no líquido e bufa. 
-O que está olhando? -ela diz, com uma voz meio alterada. De certo, ela está extremamente bêbada. -E o que está fazendo acordado, Seokjin?
-Eu... só... -pigarreio, meio confuso com tudo aquilo. O que diabos ela está fazendo? -Por que está aqui?
-Eu fiz as perguntas primeiro. 
-Anne, está tudo bem? Eu ouvi o barulho de algo caindo...
-Deve ter sido a cadeira que joguei, mas não era para ter te acordado. -ela suspira, parecendo frustrada, e bebe mais um pouco de vodka. 
-Por que jogou a cadeira?!
-Estou com raiva, Kim. Estou morrendo de raiva. -Anne dá seu esquisito sorriso irônico para mim, e ri. -Oh, irmãozinho, estou cheia de ódio por causa daquele... bastardo! Por isso joguei essa maldita cadeira, por isso que estou aqui bebendo desta garrafa de merda, por isso que estou  afogando nessas drogas de lágrimas! 
-Ei, calma, calma! -eu me aproximo dela, preocupado. Ela realmente parece muito mal, e abalada. Não gosto de vê-la assim, me dói o coração, porque sinto que não cuidei dela o suficiente para fazê-la feliz. -Primeiro de tudo, da onde veio essa garrafa? E qual o motivo de estar tão brava com o papai?
-Como consegui a vodka não é da sua conta, e sobre esse cara aí... -ela aponta para sala, com a mão tremendo. Ela parece tão fraca... -Vá ler aquelas cartas. Aí vai saber o que aquele filho da puta fez para eu ficar assim!
-Tudo bem, eu vou ler. Mas antes, venha aqui. -eu pego a garrafa da sua mão, tentando acalma-la.
Anne está tão abalada e vulnerável, que não tem nem forças para lutar contra mim, então foi fácil simplesmente pegar a bebida dela, deixando-a de lado, e pegar minha irmã no colo. Ela não revida, apenas aceita e começa a então chorar em meus braços, deixando tudo sair de seu coração magoado. Carrego-a até se quarto, a deitando na cama. Ela funga algumas vezes, e olha para mim, com seus olhinhos brilhando, todo molhados.
-Kim... Por que ele fez isso... -ela murmura, agarrando seu travesseiro, e mudando seu olhar para o chão. -Aquele... maldito...
-Ei, ei, se acalme, tudo vai se resolver. -me abaixo perto dela, e acaricio seus cabelos azuis. -E lembre-se que sempre estarei do seu lado, seja o que for que esteja acontecendo.
-Maninho... -ela diz disso em português, mas eu sei que se trata de um apelido bonitinho para “irmão”. -Obrigada, por tudo. 
-De nada, minha irmãzinha. -eu sorrio, e beijo sua testa. -Agora durma. Conversaremos melhor de manhã. 
Ela apenas dá um sorrisinho e acena em afirmativo com a cabeça, e logo adormece. Com um profundo suspiro, saio do quarto e fecho a porta, indo para sala, para ler as tais cartas que Anne tinha mencionado.
Perto do sofá maior, algumas folhas amassadas estão caídas, e presumo que são estas das quais minha irmã falou. Sento-me, e começo a desembrulha-las, para ler. E a medida que as abro, sinto algo estranho se revirando dentro de mim. Sei que alguma coisa me espera nesses textos, já que elas fizeram tão mal para minha irmã e é algo relacionado ao nosso pai, não me cheira a um assunto confortável. 
E realmente não é. 
Leio com um pouco de dificuldade, por estarem escritas em inglês, e eu sou péssimo nessa língua, mas consigo pegar umas palavras aqui e ali. Pelo que entendo, essas cartas vieram de um hospital em São Paulo, no Brasil, onde a mãe de Anne estava internada, com algum tipo de doença grave. Até onde eu sei, ela tinha câncer de pulmão por fumar demais, então deve ser isso. 
Nos textos, eles informavam sobre uma troca bancária, para pagamento de alguma coisa. Presumo que seja dos tratamentos para câncer. Juntando isso mais o que minha irmã havia me contado sobre esse assunto, acho que essas cartas são sobre meu pai pagando tudo que faltava a ser pago para o hospital. Mas por que ele fez isso só agora, que a mãe dela já morreu? E por que essas cartas estão aqui? 
Sério, o que está acontecendo aqui?
Frustrado e sem respostas, passo a mão pelos meus cabelos, respirando fundo. Percebo o porquê de Anne ter ficado tão nervosa e descontrolada. Eu teria a mesma reação se estivesse em seu lugar, o que me deixa ainda mais preocupado com ela. Eu precisava falar com meu pai urgentemente, mas duvido que ela vá atender uma ligação minha a essa hora da madrugada.
Meio irritado, largo as folhas em cima da mesa e volto ao meu quarto. Deito novamente na cama, mas demoro a adormecer, perturbado pelos meus próprios pensamentos. 

  
              ~*~ P.O.V. Anne ~*~
No dia seguinte, acordo com a vista embaçada. Minha cabeça lateja de dor e meu corpo simplesmente se recusa a levantar da cama. Com lerdeza, alcanço meu celular em cima da escrivaninha ao lado e checo as horas. Caramba, já são 7 da manhã... Preciso estar na empresa as 9. Merda, o que aconteceu ontem a noite e por que eu me sinto tão acabada?
Com um profundo suspiro, movo meu corpo lentamente para fora da cama, levantando. Ando até a cozinha sem nenhuma pressa, onde encontro meu irmão já acordado, ainda de pijama como eu, falando com alguém ao telefone. E pela sua cara, não parece ser uma boa conversa.
-Você não pode simplesmente deixar esses papéis aqui e achar que está tudo bem. -ele bufa, estressado, enquanto folheia algumas cartas em cima da mesa da cozinha. -Olha, ela não achou isso ontem a noite. Minha irmã está bem irritada com o senhor. 
Fico o encarando quando ele diz isso. Eu? Irritada com quem? Por que? Meu Deus, será que tive uma briga feia com alguém ontem e eu não me lembro? Droga, Anne. Ninguém mandou você ficar bêbada...
-Que seja. É bom que venha aqui discutir isso com ela mesma, ou ela nunca vai te perdoar. Tchau. -Kim desliga a ligação com raiva, e apoia todo seu peso na mesa, olhando para os papéis e suspirando. Confusa, chego perto dele, e encosto levemente eu seu braço. 
-Kim, o que foi? -pergunto, e ele me olha, dando um sorrisinho.
-Oh, Anne, que bom que acordou. -ele me abraça, tentando disfarçar um pouco. -Está melhor depois de ontem?
-Creio que sim, mas minha cabeça ainda dói. 
-Não se preocupe, posso fazer um chá para você!
-Eu... agradeço. Obrigada, Kim.
Meu irmão apenas sorri, e se aproxima do fogão. Enquanto ele prepara o chá, sento-me à mesa, e começo a olhar as tais cartas que pareciam ter deixado Jin tão irritado. 
E quando começo a ler, lembro-me de quase tudo daquele momento, na noite anterior. 
A cada palavra que lia, flashes de ontem aparecem em minha mente, e recordo de toda a minha raiva e meu ódio por meu pai, e de repente sinto tudo aquilo de novo. Meu Deus, como ele pode...
Lendo, começo a chorar, mas dessa vez sem todo aquele descontrole. Não paro até de ler até a última palavra da última carta, e quando acabo, um vazio imenso toma conta de mim, e eu desabo em cima da mesa, molhando as folhas com minhas Todos aqueles sentimentos ruins voltando, todas as memórias do meu ataque emocional de antes reaparecem também. A mais profunda revolta engole meu corpo. 
-Anne, Anne! -a voz calma de meu irmão se aproximando me faz acordar de meus pensamentos. Levanto a cabeça e o vejo parado, perto de mim, com duas xícaras nas mãos e um sorriso no rosto. -Ei, fique calma. Nós vamos resolver isso, ok? Juntos.
-É, vamos... -olho para ele, e pego uma das xícaras que ele me oferece, sorrindo ainda entre lágrimas. -Juntos.
Ele abre os braços, para que eu o abraçasse. Largo o chá em cima da mesa, e ele também, e ambos nos aconchegamos nos braços do outro, e sinto meu coração se acalmar. Só meu irmão com esse poder todos de me consolar mesmo quando a situação parece horrível. Acho que são muitos anos de prática, não é? 
Após nos afastarmos, nos sentamos a mesa, e Kim volta a pegar os papéis. 
-Dá pra acreditar? -digo, com uma risadinha irônica, após beber um gole do chá. -Como ele pode fazer uma coisas dessas?! Até parece que quer me irritar...
-Papai não faria isso. -meu irmão suspira, deixando as folhas de lado. -Sei que ele não é a melhor pessoa do mundo, mas isso... Isso é demais até para ele.
-Então porque, Kim? Por que ele fez isso?
-Eu não sei, Anne. Por isso... -ele olha para mim, pegando a minha mão livre. Por que eu acho que isso não vai acabar bem? -Eu chamei o pai para vir aqui em casa almoçar.
-O que?! -largo a mão dele, e levanto da mesa, indignada. -Ele?! Aqui?! Na nossa casa?! Você quer que a gente comece a 3° Guerra Mundial?! 
-Anne, Anne, calma. Senta aí de novo. -a tranquilidade na voz de Kim não muda, ele apenas segura meu braço, e suspira. -É importante que vocês conversem... Lembra de como ficamos quando brigamos, e foi preciso só conversar um pouco?
-Isso é diferente, Kim. Eu te amo, e você cuidou de mim a vida toda. Eu não o amo, e ele me ignorou o tempo inteiro. -sento-me novamente, mas ainda profundamente incomodada. -Eu não sei se quero vê-lo, depois de tudo...
-Por favor. Se não for por ele, que seja por mim. -ele segura minha mão mais forte, e sorri. -Por sua mãe. 
Ao dizer isso, eu o olho, séria, e vejo que  ainda trás seu meigo sorriso no rosto. Eu realmente não estou nada feliz com esse negócio de ver meu pai, e falar com ele, mas talvez Kim tenha razão. Talvez eu precise escutar ele, pelo menos uma vez na vida.
-Tudo bem. -eu finalmente digo alguma coisa, depois de um longo período de silêncio. -Mas só por você, e pela mamãe. E espero que esteja aqui comigo. 
-Em momento nenhum eu disse que sairia daqui. -ele sorri, e me sinto mais calma. Não tem como isso dar errado, tem?

É 12h30, e acabo de sair da SM depois de uma manhã corrida. Eles me deram folga de uma hora para almoço, o que é mais do que suficiente. Não queria ficar muito tempo com meu pai mesmo...
Do lado de fora, encontro alguém que eu não esperava ver... Mas impossível não reconhece-lo com toda essa roupa preta.
-Yoongi! O que está fazendo aqui? -eu o indago, me aproximando de meu amigo. Ao me ver, ele tira a máscara do rosto, revelando seu meigo sorriso molenga.
-Anne! Oi! -ele me abraça, bem humorado. -Jin-hyung me ligou pedindo para vir busca-la... Em verdade, era pro Jungkook vir, mas ele está com um pouco de vergonha de te ver depois do que aconteceu na casa do Tae...
-Ai meu Deus. -sinto minhas bochechas avermelharem ao lembrar daquilo. É verdade, a gente se beijou... -Como sabe disso?
-Kook me contou. -ele ri, e abre a porta do carro para mim. -Ah, vocês dois... Se vocês se gostam mesmo, deveriam para com essa enrolação. 
-Hunf, não é culpa minha, Yoongi. -entro no carro, e ele fecha a porta. Logo reaparece do meu lado, sentando no banco do motorista. -É só...
-Uma vergonha mútua de falar sobre isso, não? Hehe, eu já entendi isso. E eu acho muito bonitinho.
-Cala a boca.
-Bonitinha.
Nós dois nos entreolhamos, e começamos a rir. Yoongi é uma pessoa maravilhosa. 
Ele dá a partida no carro, e logo estamos a caminho do meu apartamento, o que me faz lembrar do que me aguarda lá. Eu não sei se estou realmente preparada para vê-lo depois de tudo que aconteceu e que está acontecendo. Talvez essa não tenha sido uma boa ideia e eu esteja rumo a mais uma seção de brigas e discussões. Ai caramba, Yoongi para o carro que eu quero descer.
-Ei, você está bem? -o de cabelo cinza me pergunta, e só então me dou conta do quanto o meu desconforto deve estar aparente.
-Mais ou menos. -eu olho para ele, que continua concentrado em dirigir. -Meu... amigo, Jin, te explicou por que estou indo almoçar em casa?
-Ele só me disse que queria você o mais rápido possível lá, mas que ele não podia te buscar na empresa porque estava fazendo almoço. Eu só sei disso.
-Meu pai está indo ver a gente. -eu digo, com um profundo suspiro. -E eu não gosto nem um pouco dele.
-Seu pai? Mas porquê? 
-Problemas familiares, Yoongi. -eu olho para além da janela, e me distraio com o movimento rápido e intenso de veículos na rua. -Muito problemas...
Depois disso, acho que ele percebe que esse não é um assunto do qual em falaria muito, então ele apenas se cala e me deixa quieta, o que foi bom. Fico feliz que ele tenha entendido isso, já que eu preciso de um silêncio para me acalmar internamente com relação para o que está acontecendo. 
Ao chegar no prédio, Yoongi estaciona na frente para que eu descesse. Mas antes de sair, eu me viro para ele e o abraço. Mesmo meio surpreso com o gesto repentino, ele me abraça de volta.
-Você vai poder me levar de volta para a SM? -o pergunto, quando nos afastamos. 
-Claro. Eu vou almoçar por aqui mesmo. Quando acabar aí, é só me ligar.
-Mas... vai comer sozinho?
-Não, não. -ele sorri, ao ver minha preocupação com ele. -A Starship é aqui perto, então combinei com o Jooheon e os meninos de almoçarmos juntos. Fique tranquila, estarei em boa companhia. 
-Certo então. -eu o beijo na bochecha, e abro a porta do carro. -Te vejo mais tarde então. 
-Até mais, e boa sorte!
Desço do veículo, e vou finalmente para meu apartamento. Chegando perto da porta de casa, sinto minha mão hesitar ao encostar na maçaneta. Pela conversa alta, ele já deve estar aí. Respirando fundo, abro de uma vez, afinal não ia adiantar nada ficar enrolando.
-Anne, você chegou. -meu irmão e meu pai já estão na mesa, comendo. Ao ver os dois, meu coração para. -Venha, estávamos te esperando.
Sem dizer uma palavra, me aproximo e me sento ao lado de Kim. Por baixo da mesa, ele pega minha mão e a aperta forte, dando um sinal para  que eu ficasse calma, pois ele está aqui comigo. Respiro fundo, tentando relaxar. Olho então para frente, onde meu pai está sentado, com sua expressão séria de sempre. Começo a me servir, tentando ignorar o fato de que me encara profundamente. Após terminar de pegar comida, o encaro de volta, como em tom de desafio.
-Então. -começo a dizer, tentando parecer calma. -Não tem nada a dizer?
-Olha, então ela fala. -ele dá um sorrisinho irônico. -Pensei que fosse ficar calada.
-Eu não sou você para ficar calada e simplesmente ignorar a existência das outras pessoas.
-Mocinha, você...
-Ei, ei. Se acalmem. -Jin nos interrompe, antes que comecemos a discutir de novo. -Pai, chamei o senhor para conversarmos sobre algo específico. -meu irmão pega algumas folhas no bolso da calça. As cartas. -O que são essas cartas?
-Oh, então vocês viram... -ele ri, se recostando na cadeira. Sorte dele que estou comendo e não consigo abrir a boca para xinga-lo. -Achei que as ignorariam ao ver que tinham a ver comigo. Mas pensei que seria bom que pelo menos soubessem disso.  
-Bom?! E por que seria bom?! -eu já disparo uma vez que termino de mastigar, sentindo a raiva subir pelo meu corpo. -Não faz sentido nenhum...
-Você sempre me odiou por não ter ajudado vocês... Pensei que isso pelo menos faria você esquecer todo esse problema em relação a sua mãe. 
-Ah, então admite que só faz isso para se livrar logo das dívidas, e não porque se sentiu mal por não ter ajudado antes?!
-Eu não diria dessa maneira, mas...
-E nem tem o trabalho de negar. Por favor... -eu suspiro. -Para mim essa conversa já pode terminar por aqui.
-Anne, se acalma. -Kim me interrompe, meio nervoso com o resultado dessa conversa. -Ele com certeza tem mais o que dizer.
-E tenho mesmo. -meu pai pigarreia, chamando nossa atenção para ele. -Anne, sinto muito por tudo. Sua mãe, a situação dela e tudo mais... 
-Você não sente muito por nada. Você sempre odiou nós duas, e isso não vai mudar. -digo, morrendo de raiva. Eu não consigo me controlar perto desse cara. -Minha mãe podia estar viva se você não tivesse simplesmente nos ignorado! Você sabia que ela estava morrendo, então por que não ajudou antes?! Será que agora esse peso de ter deixado alguém morrer finalmente caiu na sua cabeça?! É ruim, não é... Se lembrar da morte de alguém desse jeito... Pelo menos, você deve ter a amado um pouco, o suficiente para ter dado a ela uma criança... Então por que?! Me diz, por que?!
-A situação não é tão fácil como você pensa que é, garota! Você nunca esteve nos meus planos, então quando ela me contou da gravidez eu simplesmente não soube como agir. Eu achei que fosse melhor para nós todos se só ignorássemos os erros um do outro, e...
-Ah, então eu realmente fui um erro?! Por isso resolveu nos deixar de lado?!
Eu levanto da mesa, farta daquilo tudo. Isso não foi uma boa ideia, não mesmo.
-Anne, espera... -Kim tenta me impedir de sair, segurando meu braço, mas eu apenas recuo, me afastando.
-Tenho que ir, tenho que voltar para o trabalho. Eu te vejo mais tarde, Kim. -me viro para meu pai, com os olhos já marejando, cheios de ódio. -E espero não te ver mais durante um bom tempo.
Sem falar mais nada e ignorando os pedidos do meu irmão para que eu me acalmasse, pego minha mochila jogada no sofá e saio do apartamento, batendo a porta. Com as mãos tremendo e as lágrimas já escorrendo, pego meu celular e disco o número de Yoongi, correndo para o térreo. 
Ao chegar do lado de fora, ele já está me esperando, segurando uma caixinha de marmita. Como esse garoto conseguiu adivinhar que eu mal consegui comer?
Apenas corri até ele e seus braços. Afundei meu rosto molhado em seu peito, chorando descontroladamente de ódio e raiva pelo meu pai. Yoongi nada diz, apenas me abraça forte, e me deixa molhar sua camiseta com minhas lágrimas.

 

 

 


Notas Finais


Yooo ~ espero que tenham gostado ^^ Bom, vou tentar postar o próximo cap o mais rápido possível, prometo! E vocês? O que estão achando? Me digam, sempre estou aberta a sugestões ^^ Beijão da Tia Angel e até o próximo capitulo! <3


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