História Something that I can't fix - Capítulo 4


Escrita por: ~

Postado
Categorias Naruto
Tags Canon Rewrite, Narusasu, Sasunaru
Exibições 192
Palavras 3.914
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Lemon, Romance e Novela, Shonen-Ai, Violência, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


... Adivinha quem está de volta?!

Eu. Não digam que não avisei que eu iria totalmente estrapolar os prazos. Como vocês imaginam que fica minha nota em trabalhos com prazos? *suspiro*

*MAS* eu demorei por umas razões. Não, não foi porque eu me esqueci da existência dessa fic. Foi porque meu computador foi atualizado, e, adivinha? O arquivo da fic sumiu. Morreu. Desapareceu da face da terra, como for que você queira chamar. Foi só o arquivo da fic, btw, me digam se não é perseguição?

Eu fiquei irritado pelos próximos dois dias, e reescrevi todo o capítulo. Mas aí mudei de ideia depois de analisá-lo melhor, e reescreví-lo de novo. E mais uma vezinha. Depois, foi a 'semana de trabalhos', e eu descarreguei toda a carga que eu tinha de trabalhos, para só então, poder revisar MAIS UMA VEZ e botar aqui.

Capítulo 4 - Início - III


Capítulo 03

Um calafrio percorreu a espinha de Naruto no momento que ele, Sasuke e Sakura saíram do hospital. Por um segundo, as pessoas olharam-no com aqueles olhares calorosos e admirados que ele se acostumara com, somente para depois perceberem Sasuke e esse olhar se quebrar num de desgosto e desprezo. 

O loiro sentiu a animação sair lentamente do seu corpo, substituindo-se com pânico e tristeza. Ele realmente não recebia nem via aqueles olhares há muito tempo. Cerrou seu punho, encarando com um olhar ameaçador as pessoas que antes o idolatravam, desafiando a continuar a olhar seu amigo com desprezo. Pôs uma mão ao redor do pescoço de Sasuke, dando graças ao fato de ele usar bandagens nos olhos e não poder ver como os civis e ninjas o olhavam. 

— Eu e a Sakura-chan tivemos uma noite difícil limpando meu apartamento ontem, especialmente para você, bastardo, então é melhor 'cê ficar agradecido! — Ele falou, forçando um tom de voz animado e um grande, aberto, sorriso.

— Hn. — Como esperado, essa foi a curta e seca resposta de Sasuke. Ele não afastou o braço de Naruto, simplesmente voltando a andar para onde quer que fosse.

Naruto pôde ver com o canto do olho a expressão de Sakura se tornar um misto de preocupação e confusão, mas ela não questionou nada e continuou a andar ao lado dos garotos. Naruto fez seu melhor para manter uma conversa sobre os eventos que aconteceram na vida dele com entre os amigos, ganhando algumas correções de Sakura e uns "Hn"s de Sasuke. 

Depois de alguns minutos de sofrimento interno por parte de Naruto, confusão por parte de Sakura, e insciência de Sasuke, eles chegaram ao pequeno e limpo apartamento do Uzumaki. Ele quase imediatamente ofereceu fazer rámen aos amigos, e, sem esperar pela resposta, correu para a geladeira.

— Naruto! Espera, eu não quero! — Sakura falou, lutando para não levantar demais o tom de voz. 

— Nah, tudo bem, eu como o seu então! 'Cê sabe, eu não como desde a festa, e tudo que tinha lá era porcaria, sabe? — Naruto gritou em resposta, preparando três potes de rámen como podia do outro lado da cozinha. 

— Rámen não é exatamente saudável também... — Sakura murmurou, e se virou para Sasuke. — Sasuke-kun, você quer que eu lhe guie...?

— Não. — Ele respondeu simplesmente, fazendo um gesto com a mão para Sakura se retirar. Ela mordeu o lábio, mas quietamente obedeceu ao colega.

Sasuke ergueu um pouco a mão para o alto, tentando não parecer muito ridículo, e procurou por um sofá, ou basicamente qualquer coisa que ele pudesse se sentar. Acabou encontrando uma cadeira, junto com várias outras, ao redor de uma mesa. Parecia ser a mesa de jantar. O moreno sentou-se calmamente, escutando as vozes de Sakura e Naruto conversando na outra parte do apartamento, às vezes mencionando o nome dele e lhe fazendo perguntas.

A resposta para tudo era "Hn".

┰┰┰

Era noite quando Sakura foi embora. A saída dela deixou os dois garotos ansiosos; era aquele momento. Agora seria a troca de perguntas, os questionamentos, e a eventual briga chegaria. Sasuke não sabia de onde essa ânsia vinha, já que ele já tinha dito de maneira clara e direta o motivo de todas as suas ações. Tudo já estava bem resolvido entre os dois, o que mais haveria de se resolver?

— Então... — A voz de Naruto perguntou, em algum lugar por trás de Sasuke. — ... Parece que, finalmente, temos algum tempo para ter uma conversa, eh, um pouco mais calma, não é?

Sasuke não se moveu, nem deu nenhum sinal de que tinha ouvido Naruto. Passos se aproximaram, calmamente chegando e puxando uma cadeira, o loiro se sentou. Se Sasuke se esforçasse o suficiente, ele poderia sentir a presença do chakra de Naruto; era sempre abundante e quente, apesar de que os contedores de seu próprio chakra não estavam bem ajudando.

— Sasuke, eu pensei bastante sobre isso... Sobre o porquê de você... — Ele parou, engoliu em seco e tentou recomeçar. — O porquê de você ter dito... Aquilo.

"Aquilo" ficou claro para Sasuke num segundo.

— E? — Perguntou, tentando disfarçar sua ansiedade em escutar a resposta de seu amigo. Não era como se Naruto pudesse mudar sua forma de pensar, mas ainda assim, ele continuava a ser seu melhor amigo, e ele tinha uma grande importância tanto para si quanto para a própria vila.

— E eu acho que eu entendi. — O loiro falou, hesitantemente. Sasuke desejou poder ver sua expressão. — É porque você sempre foi obcecado por alguma coisa, não é? Sempre quis vingança, e então quis mais vingança e depois quis consertar todo o mundo dos Shinobi's... Mesmo que isso lhe destruísse.

Sasuke sentiu um amargor se formar no fundo da garganta. Naruto era surdo, estúpido, ou algo desse gênero? Certamente era estúpido, mas não sabia que chegava a esse ponto. Ele era ignorante a ponto de não entender seu próprio melhor amigo?

— Agora que você não tem nenhum desejo de fazer nada, é... Difícil de viver ou algo do tipo. — Ele continuou, o tom de voz de tornando lentamente mais confiante. — Sasuke, eu... Eu acho que eu entendo isso. Se você tivesse... Morrido, por exemplo... Eu não sei o que eu faria. Acho que ficaria mais ou menos como você.

Maldito Naruto. Ele sempre tinha que dizer a coisa certa para fazer Sasuke retirar seus pensamentos. Não era que ele não o entendia, era que realmente não entendia como classificar as coisas. Achava que ser incapaz era a mesma coisa que estar sem motivos para viver. 

— Meu problema não é com falta de motivação. — Sasuke falou. — É com o simples fato de eu não poder fazer nada, e você não fazer nada.

Sasuke esperou um momento, realmente desejando arrancar as bandagens e olhar a expressão de seu amigo de uma vez. Malditos selamentos.

— Como assim? Você não é capaz de quê? — Naruto perguntou de volta. Sasuke rolou os olhos internamente.

— De nada. Eu não posso fazer absolutamente nada, Naruto. Estou completamente preso. — Ele tentou explicar. — O que eu queria era mudar a vila, eu continuo sendo "obcecado", como você diz, por isso. Mas é impossível. Você me trouxe para baixo, ao mesmo tempo que impediu que eu voltasse a ser completamente sozinho, você impediu que eu fizesse qualquer mudança para começar!

— Como assim?! A culpa... É minha? — A voz de Naruto falhou, soava mais desesperada que irritada. 

— Não... Não foi isso que eu quis dizer. Mas, sim. A culpa é sua. — Sasuke falou, sentindo um pouco de culpa pesar. Mas ele não podia fazer nada; aquela era a verdade. — Ou você me deixava te matar, ou tudo acabaria, inevitavelmente desse jeito.

— Inevitavelmente? — Naruto murmurou. — Não há algo como inevitável, ou destino, ou qualquer coisa do tipo! Sasuke, você pode muito bem não...

— Fala o garoto da profecia. — Sasuke o interrompeu e Naruto empalideceu.

Silêncio preencheu a sala nos seguintes minutos. Sasuke sequer tinha mais certeza que o loiro continuava ali, de tão silencioso que estava. Então ouviu Naruto bater alguma coisa na mesa e murmurar um "merda" abafado. Queria tanto tirar as malditas bandagens, mas não poderia, tendo selos nos seus dedos que apenas avisariam aos anciões e lhe dariam choques elétricos se em contato com o selo das bandagens.

— Eu... Eu só queria que você voltasse para casa. Que você voltasse para o time 7, que nós lutássemos como colega e saíssemos como amigos... Ainda me é estranho que você está aqui, Sasuke. — Houve uma curta pausa antes de Sasuke sentir uma mão passar delicadamente pelo seu rosto. — É quase um sonho... E mesmo assim... Não vale nada se você não quer. É como se eu tivesse te forçando a ficar aqui e isso dói apenas demais.

— Mas algum dia você realmente considerou que as coisas conseguiriam ser assim? — Sasuke perguntou, descrendo na 'naividade' de Naruto.

— Sim! Sim... Eu queria virar Hogake, e você seria, tipo, o co-Hokage ou coisa do tipo, e nós seríamos super-admirados por toda a vila, e as pessoas saberiam sobre o Massacre Uchiha, saberiam sobre Itachi, saberiam sobre tudo. — Naruto começou a falar, num tom sonhador. — E nós viveríamos juntos, usando o tempo livre juntos, Sakura-chan e Kakashi-sensei também iriam participar...

Sasuke conseguia praticamente ouvir Naruto sorrir ao dizer aquelas palavras. A mão se afastou e o Uchiha suspirou.

— Você... É extremamente naivo. — Respondeu amargamente. — Nunca me aceitariam após o que eu tentei fazer, muito menos me respeitariam ou fariam de mim qualquer coisa próxima de "Hokage". O Conselho jamais deixaria a verdade sobre o Massacre vazar, e se você soltasse isso, poderia ser condenado de traição. — Sasuke cerrou seu punho por debaixo da mesa. — E todos que um dia te admiraram voltariam a te odiar e desprezar, sem saber nem metade da verdade.

— Isso é uma mentira! — Naruto gritou em resposta, levantando-se abruptamente da cadeira e batendo a mão na mesa. Ele não normalmente reagiria assim, mas aquele era um ponto um pouco delicado para ele.

— Não é. O Conselho e os cidadãos são superficiais, Naruto. Não se importam conosco como indivíduos, apenas como coisas que fazem bem ou mal para eles. — Sasuke falou, calmamente. — Quando eu saí da vila, quanto tempo demorou para rumores começarem a surgir?

Naruto congelou, encarando as bandagens de Sasuke. Tinha sido somente 5 ou 7 dias. Ouvira as mulheres mais velhas fofocando à cada esquina. "O menino Uchiha nos traiu, você ouviu?", "Ele é exatamente igual ao irmão", "Tomara que ele sofra e morra nas mãos daquele outro cara, o tal Orochikaku*". Naruto imediatamente se movia e defendia seu melhor amigo, assim como Sakura, mas, com o tempo, ela parou de fazer isso, se limitando a dar um olhar cansado para as senhoras. Não sabia por quanto tempo os rumores duraram, já que partira logo para treinar com Jiraya.

— Mas! Mas... Eu não sou naivo por acreditar que nós podemos mudar alguma coisa! — Naruto se defendeu, se inclinando em direção ao amigo. Sasuke recuou um pouco. — Nós podemos...!

— Naruto. — Sasuke interrompeu. — Cale a boca. — O loiro não teria o feito se não tivesse visto a expressão meio angustiada no rosto do Uchiha. Recuou, jogando-se de volta na cadeira.

Aquela era o limite da conversa? Naruto provavelmente não poderia pressionar Sasuke mais, por alguma razão, ou iria acabar fazendo-o perder controle ou coisa do tipo. Ou somente irritá-lo, ou chateá-lo. Qualquer das opções não era boa. O Uzumaki realmente não queria deixar aquela conversa por ali, mas também não podia ou queria forçar Sasuke a continuar, então apenas suspirou.

— Claro. — Sasuke pareceu relaxar levemente, e Naruto decidiu desviar o olhar para outra coisa. — Oh, Sasuke, quer inaugurar a TV?

┰┰┰

— Gahah! O cara acabou de levar uma torta na cara! — Naruto riu.— E agora ele está limpando ela toda, que desperdício!

— Onde você acha graça nisso? — Sasuke perguntou, levemente irritado, mas dando seu melhor para não sorrir.

— Ha, nem venha! Eu conheço essa sua cara, Sasuke! Você está segurando a risada, desgraçado! — Naruto exclamou em resposta, cutucando Sasuke, que estava do outro lado do sofá recém comprado, com o pé. Eu não estou quase rindo por causa do show, estou rindo porque sua risada é contagiosa, imbecil, Sasuke pensou.

— ... Que horas são? Essa televisão me dá dor de cabeça. Onde é o quarto? — Sasuke perguntou, se levantando.

— Um... São oito e quarenta da noite, e o quarto é pela esquerda. — Naruto se levantou do sofá, pondo uma mão no ombro de Sasuke. — Eu te levo.

Sasuke fez uma careta, mas seria mais fácil se deixasse Naruto levá-lo, então não tirou a mão de seu ombro. Mantendo-se meio encostado na parede durante todo o curto percurso, tentou memorizar a localização do quarto em relação à sala. Seria tudo bem mais fácil se ele não tivesse os selos, ou ao menos as bandagens.

— Ah, você vai dormir agora? — Naruto perguntou, seu tom estranhamente inseguro.

— Sim? Por quê? — Sasuke perguntou, entrando no quarto e vasculhando por um futon ou alguma coisa.

— Tsunade-baa-chan disse pra gente dormir junto, não disse? — O loiro perguntou, mais como "lembrou". Sasuke fez uma careta.

— As algemas.

— As algemas. — Naruto repetiu, andando pelo quarto à procura delas.

Sasuke logo ouviu um barulho de correntes, e seu pulso foi puxado de leve e as algemas foram fechadas. Depois de alguns momentos tentando colocar a outra parte da algema em si mesmo, Naruto finalmente conseguiu, dando um sorriso de vitória.

— Você tem um futon, não tem? — Sasuke perguntou, esperando que o loiro tivesse. Não queria ter que dormir no chão ou coisa do tipo.

— Uh.. Não. Eu só tenho uma cama, não tenho costume de receber visitas que passam a noite. Quer dizer, você não é uma visita, já que vai morar comigo, mas, é. — Naruto babulciou, soando um tanto envergonhado. — É só de solteiro, a cama, mas acho que cabemos. Se nos espremermos.

Sasuke juntou as sobrancelhas.

— Nós vamos dormir na mesma cama? — Perguntou, inseguro e desconfiado, sem saber bem o porquê.

— Huh... Não vamos? — Naruto perguntou de volta, deixando o quarto num silêncio extremamente constrangedor.

— Hn. — Sasuke murmurou, levantando a mão com dificuldade, procurando pela cama.

Quietamente, Naruto mostrou-lhe o caminho e sentou-se, esperando que Sasuke fizesse o mesmo. Os dois se deitaram, sem falar mais nada, fecharam os olhos, e esperaram pelo sono. 

┰┰┰

Sasuke não tinha certeza de onde estava. Tudo ao seu redor era escuro, e tudo era frio. Ele não podia sentir nem um traço de vida por todo o lugar onde estava. Ele olhou em volta, tentando ativar seu sharingan, ou ao menos se acostumar com a escuridão, mas nada aparecia. Começou a andar lentamente, procurando se situar naquele local.

— Tolo irmão mais novo. — A voz de Itachi murmurou, vindo de todas as direções. — Me inveje, me odeie, e viva para me matar...

Sasuke parou de andar, sentindo um calafrio percorrer sua espinha. Num piscar de olhos ele voltou a ser o garotinho de oito anos tremendo e chorando em frente aos cadáveres de seus pais. Todo o medo e pânico voltaram como uma onda. Itachi moveu a cabeça, com a expressão apática, e pôs Sasuke novamente por aquele genjutsu. Corpos caindo, sangue sujando as estradas, gritos de crianças, e o fundo era cheio de risadas. Risadas dos civis, dos cidadãos de Konoha que eram felizes a custa do sofrimento de outras pessoas.

— Calem a boca! Pare de me mostrar isso! — Sasuke implorou, mas as risadas se intensificaram e as imagens dos assassinatos se tornaram mais grotescas.

Num piscar de olhos, a cena sumiu. Sasuke sentiu seu batimento e respiração voltarem ao normal lentamente, começando a se acalmar. Tudo voltou a ser escuro, mas pelo menos era melhor do que ver o Massacre novamente. Até ouvir a voz de Tobi sussurar no seu ouvido.

— Mas ele não matou seu irmãozinho... — Sasuke de virou, procurando pelo dono da voz, e falhando. — ... Você sabe o que isso significa? — Sentiu seu braço ser apertado, e tentou se livrar do toque. — Ele te amou mais que a vila, por isso que sofreu tanto!

Imagens de um Itachi sorrindo e então sofrendo enquanto matava o clã apareciam como flashes. As palavras de Tobi se repetiam, e repetiam, até só sobrar o eco. E então tudo se tornou escuro novamente. Sasuke sentiu-se cair dentro de uma água escura, que não estava ali até um segundo atrás. Ele não conseguia respirar, e sentia mãos o puxarem para baixo, o impedindo de sair da água.

— Sasuke! — A voz de Naruto soou, vinda da superfície da água. Mas Sasuke continuou ser puxado pelas mãos. Virando-se, o Uchiha olhou para aqueles que o puxavam, arregalando os olhos ao ver inúmeros sharingans em expressões desesperadas de crianças e adultos. 

— Sasuke, você pode me ouvir?! — A voz de Naruto perguntou, mais fraca.

— Vai ir para lá? — Uma das crianças que o puxava perguntou. — Ele é um inimigo, ele é um dos que riem por causa da minha morte! Ele faz parte do sistema!

— Você vai esquecer da nossa justiça?! — Uma mulher velha perguntou, aumentando o aperto no tornozelo de Sasuke. — Vai viver confortavelmente e esquecer que esse massacre sequer aconteceu?!

— Não! Me soltem! — Ele gritou em resposta, chacoalhando seus pés o máximo que conseguia, mas saia sem resultado.

— Sasuke, por favor! — A voz de Naruto implorou. Sasuke se virou para a direção dela, percebendo luz e calor se aproximando. Ergueu os braços, sentando se aproximar da superfície e sair da fria água.

— Não vá! — A voz de um homem embaixo de si gritou, e num rugido, todas as pessoas o puxaram mais para baixo, cobrindo todo o seu corpo com mãos sangrentas e lágrimas de dor. — Você tem que nos trazer justiça! Vai deixar com que aquilo aconteça de novo?!

— Sasuke! — Naruto chamou pela quarta vez. 

— Sasuke... — Outra voz o chamou. O Uchiha arregalou os olhos ao notar quem era. — Vá. Você não tem nenhuma obrigação em vingar o clã. Já o vingou, afinal.

— Itachi... — Murmurou, olhando para seu irmão, que estava junto com os outros Uchihas, brilhando suavemente.

— Eu cuido disso. A culpa é minha. — Itachi murmurou. Fechando os olhos negros, ele pegou uma katana qualquer e se virou para seus companheiros de clã. Levantou a espada e, lentamente, começou a cortar os braços que seguravam Sasuke.

— Sasuke, acorda!

Dessa vez, Sasuke abriu os olhos, encontrando, novamente, pura escuridão. Por um momento, o Uchiha pensou que tinha voltado para aquele lugar, mas então sentiu que ainda tinha bandagens nos olhos e selos por todo o corpo. Tinha sido outro pesadelo.

— Pelo amor de Deus, Sasuke, você está bem?! — Naruto soava realmente desesperado. Não era de se admirar, ouvira como Sakura falara sobre seus "surtos" e pesadelos. 

— Hn... — Murmurou simplesmente, esperando que aquilo contasse como uma resposta aceitável.

— Ah! Você acordou? Finalmente... Eu estava realmente entrando em pânico! — Naruto murmurou, dando um desajeitado abraço em Sasuke, meio puxando a mão dele para trás, já que ainda estavam algemados, e pondo o queixo no ombro de seu amigo.

Sasuke se deixou ser abraçado, se acalmando e apreciando o calor fornecido pelo loiro. Aquela não era a primeira vez que ele tinha pesadelos daquele tipo, mas certamente era a primeira vez que era confortado após tê-los. Sakura e as enfermeiras, juntamente com os ANBUs somente o dopavam e não lhe davam nenhum conforto.

— Sakura-chan tinha me dito que se isso acontecesse, eu teria que te dopar mas... Era difícil sair daqui para ir buscar os remédios ou agulhas, então eu só pude te chamar e chamar e... — A voz dele fraquejou, fazendo Sasuke juntar as sobrancelhas. — E eu pensei que alguma coisa iria acontecer... Talvez você morresse e... A culpa seria minha ou... — Gotas molharam as bandagens de Sasuke, e ele percebeu que Naruto estava chorando.

— Sakura nunca te disse sobre como são os pesadelos? — Sasuke quesitionou, levantando uma sobrancelha.

— Eh? Não. Não, na verdade. — Ele fez um bico. — É sempre assim?

— Hn. — A resposta foi suficientemente clara. — ... Pare de chorar, bebezão. — Provocou, tentando quebrar o insuportável clima sentimental entre os dois. Naruto fez uma cara feia e se afastou.

— Bastardo. Você realmente me assustou. Ficava falando um monte de coisa bizarra e gritava! Como você espera que eu reaja?! A Sakura-chan repetiu milhares de vezes ontem para eu estar preparado para o pior e sinceramente... — Ele parou para respirar. — ... Eu não quero estar.

— ... Estar preparado para o pior ou não, vai acontecer. — Sasuke respondeu, friamente.

— 'Tá certo, Sasuke! Eu entendo que há problemas! Eu não vou fingir que não sei! Mas você não precisa morrer! Eu já te disse, e vou dizer novamente: a gente pode mudar alguma coisa! — Naruto exclamou. — Morrer não vai ajudar em nada, você sabe disso! Só vai causar mais luto!

— Eu posso citar várias pessoas que ficariam contentes com minha morte. — Murmurou como resposta. — E agora eu te pergunto, Naruto: como diabos você planeja mudar qualquer coisa que seja? Você tem algum plano? A Quinta Hogake é sua amiga, e aparentemente ela não tem nenhum poder contra o Conselho.

— Não é bem assim!

— Sim, é assim. A quebra do Conselho seria o único jeito de dar aos Hogakes algum poder, e, de qualquer jeito, duvido que ela realmente faria alguma coisa para consertar essa porcaria desse sistema. — Falou, sombrio. — De um jeito ou de outro, você provavelmente teria que ir contra os velhos, e praticamente todo o resto da vila. Os honrosos-sem-honra, miseráveis e egoístas. — Sasuke estralou a língua.

— Sasuke! — Naruto automaticamente repreendeu, e então respirou fundo, tentando organizar os próprios pensamentos. — Certo. Você tem um ponto, e daí?! Eu não sei sobre políticas, eu não sei como mudar nada, mas eu sei que eu vou. E você pode me ajudar. Talvez possamos alugar um livro sobre políticas, ou já espalhar discretamente a ideia pela vila, para ver se as pessoas se acostumam...

— Ler um livro estando cegado e espalhar uma ideia sendo odiado por toda a vila? — Sasuke perguntou, num tom de deboche. — Incríveis ideias, Naruto.

— Argh. Sei lá, a gente pode pegar e tentar ter aulas de políticas, então, quando eu virar o Hogake, podemos mudar as coisas! 

Sasuke respirou fundo. Será que Naruto realmente não entendia que não daria para fazer qualquer coisa pacificamente? Não era como se ele fosse muito esperto, mas ainda assim, ele não poderia achar que as coisas seriam resolvidas tão facilmente. O Hogake não era um deus, nem uma figura com autoridade máxima, absoluta e inquestionável para poder mudar toda uma tradição da noite para o dia. Sasuke sabia disso, e entendia isso. Ainda assim, quando vinha de Naruto, ele não podia evitar se sentir brevemente esperançoso. Como se tudo que o loiro falasse pudesse realmente acontecer.

— Somente... Somente não fale nada desse tipo novamente. Eu não aguentaria... Nós precisamos fazer essa mudança juntos! É o melhor jeito de garantir que vá dar tudo certo. — Naruto falou, segurando de leve a mão de Sasuke. — Nós dois sofremos com esse sistema, não foi? O Kakashi-sensei, seu irmão, Gaara e Neji também... Nós vamos mostrar que os problemas que eles passaram podem ser evitados. Só... Só tenha um pouco mais de paciência. — O loiro pediu. — Só dê um pouco mais de tempo.

Sasuke ficou calado por dois segundos, e então cruzou sua mão com a de Naruto. Era até estúpido ficar relaxado com um aperto de mãos, mas... Aquele era Naruto. O idiota teimoso que sempre queria seu bem, mesmo que não soubesse como conseguí-lo. Idiota que se feriu repetidas vezes por conta do laço que tinha com Sasuke, mas ainda assim, nunca tentou cortá-lo. Mesmo que não pudesse ver seu grande bendito sorriso enquanto tivesse as bandagens, poderia se confortar com o toque de mãos.

— Sasuke? — Naruto murmurou, corando e honestamente surpreso com a iniciativa do toque. Ele não esperava aquilo, realmente. Achava que o moreno iria simplesmente afastá-lo.

— Você não pode voltar atrás de suas palavras. — Sasuke murmurou, deixando sua voz suavizar um pouco. — Vai consertar isso, comigo... Me prometa que ninguém mais vai ser uma vítima desse sistema. Enquanto eu não puder mudar nada...

— Eu vou cuidar disso. — Assegurou o loiro aumentando o aperto na mão de Sasuke. Seus olhos brilharam e deu um grande sorriso. Estava convencendo seu melhor amigo a acreditar nele, finalmente. — Não precisa se preocupar. Pense num plano - um que não machuque ninguém! - E nós vamos realizá-lo.

Sasuke não respondeu, mas o acordo foi firmado. Os dois se acalmaram, lentamente deitaram-se novamente na cama, com as mãos ainda entrelaçadas. Poucos minutos se passaram antes que eles caíssem no sono novamente. Aquela fora a melhor noite de sono que Sasuke teve em anos.


Notas Finais


*Orochikaku: Orochimaru. É um ênfase que as pessoas não fazem a mínima ideia do que está se passando, mas ainda assim se metem a julgar.

Possivelmente eu postarei na terça. Possivelmente eu também postarei daqui a 2 semanas, nunca se sabe.


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