História Sonata - Capítulo 17


Escrita por: ~

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Categorias EXO
Personagens Kris Wu, Lu Han, Sehun, Suho
Tags Angst, Exo, Jongin, Kaisoo, Kyungsoo, Past!hansoo
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Palavras 6.620
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


[ LEIAM AS NOTAS FINAIS por favor ? ]

Capítulo 17 - Entre o Sol e a Lua (ver.2)


Kyungsoo jamais pensaria, em todos os anos de sua singular existência, que ter a mão de alguém contra a sua seria tão satisfatório quanto era naquele momento. Entretanto, também tinha plena consciência de que não era qualquer mão, que se encaixaria na sua tão perfeitamente quanto aquela. Jamais estaria naquela posição de sua vida, tão vulnerável e entregue, se não por Jongin. Somente por Jongin.

 

Seus corpos ainda emaranhados em lençóis úmidos com o frio da noite e o calor que criavam entre si. Jongin era a exceção de todas as regras de Kyungsoo, e tudo que os envolvia parecia tão absurdamente certo, que era impossível pensar em qualquer outra forma de se encerrar aquele momento.

Os dedos de Jongin ainda apertavam-se contra seu corpo, sentindo cada curva e declive, como se o mapeasse por completo. As vezes fechava seus olhos de diamante, respirava fundo e se entregava a experiência sensorial de uma vida. Nenhum dos dois seria capaz de dizer, qual era a melhor parte, se o reencontro, ou se o fato de descobrirem que, de fato, não haviam deixado um o outro em momento algum.

 

Enquanto o pianista segurava Jongin sentado em seu colo, e suas mãos o guardavam como a joia mais preciosa de todo o universo, Jongin deslizava as pontas de seus dedos trêmulos pelo rosto de seu amado. Kyungsoo o segurava delicadamente pela cintura, enquanto as longas pernas do professor descansavam nos lados de seu corpo. Os lábios quentes de Kyungsoo tocavam o ombro de Jongin, e ali o mais novo podia sentir a respiração delicada do outro, a forma como até mesmo o ar que saía de seus pulmões o parecia abraçar como se ali pertencesse e em mais lugar nenhum.

 

Jongin era possessivo em certos momentos, recusava-se a soltar de Kyungsoo, deixava as curtas unhas marcarem a pálida tez até que marcas duradouras aparecessem. Meias luas espalhadas por seus ombros, pelo peito e por tantos outros locais. Quando não fisicamente conectados, ainda tocavam um o outro, sem palavras, apenas sentiam a respiração, as batidas do coração e tudo que sentiam tanta falta.

 

Kyungsoo estava sobre Jongin desta vez, cotovelos apoiados contra a cama e olhos fixos nos olhos dele. E conseguiam ver um ao outro, muito além do plano físico em que se encontravam. Jongin tinha os dedos emaranhados nos curtos cabelos de Kyungsoo, sentindo o suor acumulado molhar seus dedos, mas adorando aquela sensação que sabia que se fosse qualquer outra pessoa, o traria repulsa.

 

“Você é viciante” —Kyungsoo sussurrou contra o pescoço de Jongin segundos depois, o sentindo arquear o corpo abaixo do seu, sentindo-o procurar por mais. Sabia que os olhos de Jongin haviam se fechado, mas seu sorriso estava bem aberto. Sabia que a delicada pressão em seu escalpo significava o silencioso pedido por mais, mais uma vez, com mais intensidade.

 

Jongin talvez não esperava, que seu pedido fosse atendido tão prontamente, e ao sentir as mãos de Kyungsoo o ajeitarem abaixo de seu corpo, pernas separadas e corpo invadido pelo êxtase de fazer amor com quem se ama.

Kyungsoo soltou uma risada curta e pesada como sua respiração, logo ao lado do ouvido de Jongin, quando o sentiu arquear ainda mais, expôr seu pescoço cujo pomo de adão subia e descia ao engolir a seco, antes de soltar a mais perfeita e prazerosa melodia.

 

O pianista tocou seus dedos pelas coxas de Jongin, empurrando-as para cima enquanto se empurrava contra ele, sem pressa de terminar, por mais que soubesse que nada os impedia de recomeçar logo depois.

Do lado de fora a vida começava a tomar forma, com a luz do sol a raiar e tantas pessoas prontas para começarem a trabalhar. Porém, naquele quarto o tempo não passava na mesma velocidade. O momento em que viviam era eterno, todo segundo era uma eternidade.

 

Jongin soltou um suspiro pesado, morfado em um gemido arrastado, ao sentir-se chegar ao ápice de seu prazer. Kyungsoo não demorou muito mais para alcançar o mesmo estado, vendo como os olhos de Jongin abriram-se em sua direção mais uma vez, e sua mão antes agarrada nos lençóis bagunçados, agarrou-se em seu braço.
Estavam desfeitos um no outro, apenas para se refazerem pouco depois.

 

Apesar das janelas e cortinas bem fechadas, ainda podiam ver entrar o sol pela janela.

 

Jongin segurava seu braço esquerdo no alto, enquanto segurava a mão direita de Kyungsoo entre a sua. Em silêncio olhava para os dedos entrelaçados, ainda não podendo decifrar muito do que enxergava, aquilo que conseguia entender, era que parecia a visão perfeita. Uma fresta entre as cortinas permitia um pequeno feixe de luz bater contra seus dedos, como e o Sol os unisse, amarrasse para a eternidade.

 

Enquanto o mais novo observava as mãos levantadas ao ar, Kyungsoo apenas tinha olhos para o que brilhava a seu lado. Jongin era hipnotizante, como sempre. Estar longe dele por tanto tempo, só o fez lembrar de como, antes, viver sem ele era como viver em uma pintura sem cores. Seu mundo havia adquirido novas dimensões, novas nuances. Nada mais era apenas azul, cinza, branco ou preto. O sol era amarelo, laranja e vermelho, e também era azul como seus olhos e castanho como seus cabelos, a vida era muito mais colorida. E pela primeira vez, valia a pena ser vivida.

Kyungsoo decidiu então olhar para suas mãos entrelaçadas, pouco antes do outro decidir abaixá-las. Jongin soltou sua mão e virou seu corpo, aninhando-se contra o mais velho.

 

Quando sentiu o corpo do professor contra o seu, cobertos por lençóis que certamente precisariam ser trocados em breve, não conseguia ver-se capaz de fechar os olhos.

Jongin adormeceu logo, ressonando delicadamente, respirando contra o pescoço de Kyungsoo que o segurava e o protegia. Enquanto pensava o quão perfeito era aquele momento, não conseguia deixar de pensar também em como nada de bom em sua vida parecia durar. Não queria deixar aquele medo tomar conta de si, mas era impossível simplesmente ignorá-lo. Era impossível não pensar, que talvez por tanto tentar e querer proteger Jongin, só o faria mais mal. Que estar perto dele, poderia ser um risco a ser evitado.

 

Todos seus pensamentos, foram porém interrompidos, pelo leve chiar de Jongin que se abraçava com mais força no corpo do outro.

“Consigo ouvir seu cérebro funcionando” —Jongin brincou e abriu um sorriso contra o pescoço de Kyungsoo, antes de soltar um suave suspiro e deixar a mão repousada sobre o peito do outro.

 

Kyungsoo escolheu apenas sorrir para si mesmo, ao invés de continuar repensando sobre seus medos e receios. Escolheu adormecer por algumas horas, e quando não precisava de mais tanto sono, escolheu levantar-se, deixando Jongin ainda adormecido em sua cama. Bastou o tempo entre tomar um banho no banheiro de Jongin e voltar ao quarto, para que Jongin já estivesse acordado, sentado na cama, abraçado em um de seus vários travesseiros.

Era uma das visões que Kyungsoo escolheria guardar para todo sempre.

 

“Quem deixou que você saísse?”—Jongin murmurou, ainda com o travesseiro sobre o colo, esticando os braços na direção de Kyungsoo, como se estivesse a pedir que o outro viesse em sua direção.

Ao invés de ceder ao olhar sonolento de Jongin, e ao sorriso doce que ele sempre parecia carregar consigo, sentou-se a beira da cama, toalha úmida ainda enrolada na cintura e ocasionais gotas d'água escorrendo de seus cabelos até as costas.

 

“Eu costumava odiar seu sorriso.” —Kyungsoo revelou, e lentamente os braços de Jongin abaixaram-se, tal como seu sorriso se transformou em algo um pouco mais triste, mas continuava presente.

 

“É... Eu sei.” —Jongin respondeu, levando uma das mãos ao braço de Kyungsoo, até que sua mão encontrasse a dele mais uma vez.

 

“Você sabe de tudo, não é mesmo?” —Kyungsoo optou por brincar, tentando deixar o clima no lugar menos pesado.

 

“Eu só conseguia sentir em você, toda vez que eu sorria, como você ficava tenso.” —Continuou, deixando seu sorriso menos tímido, e a mão firme contra a de Kyungsoo permanecia onde estava. “Eu também sei que agora você não detesta mais meu sorriso, muito pelo contrário...” —Seu sorriso abriu-se mais ao outro, mesmo que tentasse contê-lo ao morder suavemente o lábio inferior.

 

Kyungsoo moveu seu corpo até que seus lábios pudessem mais uma vez encontrar os de Jongin, não o beijava com a paixão de antes ou o desespero de não tê-lo encontrado por tanto tempo, o fazia com calma, e a tranquilidade de saber que ele não parecia ter planos de ir embora.

 

“Preciso ir em casa resolver algumas coisas” —Kyungsoo então murmurou, enquanto uma das mãos empurrava delicadamente o ombro de Jongin para longe de si. Em seguida, sem resposta do outro, levantou-se para vestir suas roupas sem pressa. No fundo de sua mente, sabia que não queria sair daquele lugar, mas também sabia que não podia abandonar sua casa para viver a eternidade naquela cama com Jongin.

 

Já terminava de abotoar sua camisa, mesmo que completamente amassada, quando sentiu-se ser puxado para frente. Viu então, Jongin, com dois dedos enganchados no cós de sua calça, o segurando perto, brincando com o botão de metal com seu dedão.

 

“Volta pra cama, só mais um pouquinho” —Ele murmurou, e abrindo um sorriso perigoso como uma armadilha de ursos. “Eu ainda não acabei com você” —Insistiu, e soltou uma leve risada quando Kyungsoo também o fez.

 

“Você acabou comigo a noite inteira, agora preciso resolver isso logo.” —Kyungsoo voltou a falar, passando uma das mãos pelos cabelos de Jongin, a deslizando até que pudesse segurar o rosto dele delicadamente, virando-o para cima. Abaixou-se rapidamente para deixar um leve beijo na ponta de seu nariz e ainda perto de seu rosto, sorriu.

“Prometo que vou voltar logo.” —Sussurrou, ainda sorrindo, enquanto as mãos de Jongin o seguravam delicadamente pelas coxas. “Vou encontrar com Suho, resolver tudo que preciso e na volta trago algumas besteiras pra você comer”

 

Jongin soltou um grunhido dessatisfeito e deitou-se de lado na cama, enquanto observava Kyungsoo tentar desamassar seu casaco, sem muito sucesso.

 

“E se você não voltar?” —Sussurrou, algo o suficiente para que Kyungsoo ouvisse, e parasse o que fazia para olhar para o outro.

 

“Por que não voltaria?”

 

“Da última vez você não voltou...”

 

Kyungsoo voltou a ficar em silêncio, olhando para Jongin, deitado em sua cama, sem qualquer roupa que pudesse cobrir sua pele, rosto apoiado em seu braço, pernas ligeiramente dobradas. Era uma outra cena, que guardaria para sempre em sua memória.

 

“Eu prometo que vou voltar.” —Respondeu então, não tão certo, da certeza de sua resposta. Sabia que estava a mercê da imprevisibilidade da vida, mesmo assim, ainda pretendia voltar.

 

Antes de sair, deixou um último beijo no rosto de Jongin, se esticando sobre a cama para o fazer, e saiu em disparada do apartamento. Queria, sim, ir o mais rápido possível, para que tão rapidamente pudesse voltar para aquele ninho em que se sentia tão livre para ser a única pessoa que queria ser naquele momento.

 

Entretanto, não evitou a sensação de estranho alívio, ao sair da casa e fechar a porta atrás de suas costas. Não esperava, mais uma vez, ser surpreendido pela porta aberta do vizinho que o olhava com um sorriso torto no rosto.

 

“Vocês fazem muito barulho, sabia?” —Kris brincou, segurando debaixo do braço o jornal que havia pego a frente da porta. “Não iria no café durante um tempo, se fosse você” —Continuou, tentando segurar uma boa risada, principalmente ao notar a cor avermelhada do rosto de Kyungsoo, que saiu em disparada, escadas abaixo.

 

A rua estava calma, muito mais calma que sua própria cabeça. E era calmante, como se os dias estivessem a seu favor. A brisa gelada batia contra a ponta de seu nariz, mas não era incômodo. Nada parecia incomodá-lo naquele momento. Mesmo assim, apertou seus passos, para que pudesse chegar de uma vez em casa.

 

 

Mal chegou em seu apartamento monocromático, e já queria sair daquele lugar.

 

Sentou-se no sofá, olhando para o redor, e não sentia-se mais em casa. Apesar de ter vivido tanto tempo ali e de ainda gostar daquele ambiente, seu coração já não pertencia mais ali. Seus olhos desviaram-se, aos poucos, à mesa de centro onde repousavam alguns envelopes. Suho tinha terrível mania de entrar em sua casa para arrumar a correspondência, e felizmente o fazia, assim Kyungsoo não esquecia de ler nada.

 

Ainda tinha sobre a mesa, os dois envelopes lacrados, com a caligrafia de Luhan ao lado de fora.

 

'Preciso devolver isso para Jongin''—Kyungsoo pensou, enquanto esticava os dedos para tocar o envelope. Não lembrava o motivo de ainda não ter aberto o seu, talvez por medo de descobrir o que era revelado naquela carta.

Precisava ser corajoso. Em suas mãos involuntariamente trêmulas pegou um dos envelopes, o com seu nome escrito de forma bonita do lado de fora e o abriu. Puxou o papel fino de dentro do envelope, desdobrou-o aos poucos e começou a lê-lo, imerso na ideia de que aquele papel esteve nas mão de Luhan, que aquela era sua letra, e que até mesmo seu aroma estava embrenhado na folha.

 

Já perdi as contas de quantas vezes tentei escrever, e mesmo assim não sei o que dizer.

 

Viva sua vida, Kyungsoo. Sem medo.

 

Aqueles olhos vão te guiar.

 

Me sinto tão estúpido em te escrever isso, mas sinto que se me alongar, vou perder o rumo das palavras.

 

Nunca, nem por um segundo, deixei de te amar, mas te amar não cabe mais a mim.

 

Vamos nos encontrar, daqui a muito, muito tempo.

 

Seja feliz. Me faça orgulhoso.

 

Luhan ”

 

 

 

As lágrimas sobre o papel, juntaram-se as outras já secas marcas, entre as linhas em tinta, que borravam pouco. Não estragando as letras perfeitamente desenhadas.

Nem mesmo aquelas lágrimas, seriam capazes de expressar a tristeza que sentia. Apesar de estar feliz e pleno com Jongin, e todo o amor que vinha dele e que a ele era dado, Luhan ainda fazia parte de si. Havia sido seu primeiro amor, mesmo que não o mais forte. Sua primeira decepção, mesmo que não a última.

 

Sentia falta dele, apesar de não ter mantido contato por tanto tempo. Mas sempre disseram pelos cantos, que só damos valor ao que temos, quando não temos mais nada. Talvez por isso sentia falta de Luhan, por saber que não estava mais por perto, ele não mais declararia seu amor ou tentar segurar sua mão para pedir desculpas. Ele havia partido, como tantas outras pessoas em sua vida partiram.

 

Ainda sentia como se traísse Jongin, ao pensar em Luhan. Mas não pensar nele, era impossível. A cada imagem que viajava por frente de seus olhos, pensava no quanto sentia sua falta, e mesmo assim, sabia que se estivesse vivo, provavelmente não seria capaz de reaproximar-se dele.

 

Sentado em seu sofá, lembrou-se do beijo que trocou com Luhan. Um único beijo, que o fazia sentir-se como Judas. Apesar de uma noite inteira pensando apenas em Jongin, aquela única memória, o fazia questionar completamente sua integridade e seu amor. Fazia-o querer chorar, e deixar de viver.

Com um soluço dolorido, veio também uma forte e repentina dor de cabeça. Eram sensações e sentimentos demais, para que só uma cabeça aguentasse.

 

Kyungsoo respirava fundo, tentava se acalmar, passando uma das mãos pelo local onde doía mais e lentamente a dor desapareceu.

 

 

 

 

Sentia-se como se estivesse a flutuar, em nuvens gélidas, mas não estava a deriva. Algo o segurava, ainda firme no mesmo lugar.

 

“Ele está a sua espera” —A etérea voz disse, aquele que em seu punho segurava.

 

“Está, mas estava com saudade de você” —Kyungsoo então respondeu.

 

“Você não pode fugir”

 

“Me leve contigo”

 

“Kyungsoo, acorde”

 

A dor voltou à cabeça de Kyungsoo, sentia seu peito doer e um barulho insuportável tomava conta de seus ouvidos, apesar de não saber descrever o que seria.

 

“Não me obrigue a voltar, por favor”

 

Acorde

 

 

Kyungsoo abriu os olhos de uma só vez, ainda com o eco em seus ouvidos da voz dele. Estava ofegante, enquanto empurrava o corpo para fora da banheira de água já fria, que espalhava-se pelo chão de seu banheiro. Com as pernas fracas, e olhos embaçados, levantou-se. Sentia uma forte dor no peito, onde apoiou a mão, e sua cabeça rodava.

 

Segundos atrás havia visto Luhan com seus próprios olhos, em uma ilusão que parecia tão real. Não entendia, porque pediu para ser levado, quando na verdade sentia ter tanta coisa por fazer. Diferentemente da última vez que havia visto Luhan, ele parecia tão saudável, seu sorriso parecia vivo e sua voz não parecia cansada.

Olhou-se no espelho, com cabelos molhados caídos por sua testa, viu nada além de tristeza, em seus próprios olhos cansados, refletidos no espelho.

 

O mais rápido que foi capaz, vestiu-se e saiu de casa. Seus cabelos ainda estavam úmidos, e em sua mão segurava com força o envelope que havia prometido entregar à Jongin.

 

 

Três batidas na porta, e fora recebido pelo grande sorriso de Jongin.

 

“Você demorou” —Ele disse. “E não trouxe minhas balas...” —Resmungou, mas com humor em sua voz.

 

Kyungsoo não respondeu, passando por Jongin e entrando no apartamento até que estivesse sentado no sofá do rapaz.

 

“Está tudo bem?” —Jongin questionou, sentando-se ao lado de Kyungsoo e tocando sua perna delicadamente enquanto tentava encontrar o olhar do outro. “Eu sei que ainda não consigo te ver perfeitamente, mas se precisar falar, eu consigo ouvir...” —Comentou em um sussurro, fazendo-se presente mais uma vez, apertando delicadamente a perna do outro.

 

Kyungsoo observou em silêncio a mão de Jongin, e tentou registrar o ardor de sua palma quente contra a perna. Queria que aquele, também fosse, um momento a ficar guardado em sua memória, mas tudo que pudesse vir em seguida, queria que fosse esquecido.

 

 

“Eu beijei Luhan” —Disse com firmeza, e com todo o medo de ser rejeitado, de que seu amor não valesse de mais nada a partir daquele momento.

 

Estava pronto para ser esquecido, mas não estava pronto para o que veio a acontecer. Os braços quentes de Jongin o envolveram em um abraço carinhoso, e as mãos espalmadas contra suas costas.

 

“Tudo bem, eu entendo” —Jongin murmurou, e Kyungsoo conseguia sentir o sorriso em sua voz, apesar de não poder vê-lo naquela posição.

 

N-não... Você... Não está bravo?” —Kyungsoo murmurou, levantando as próprias mãos até as costas de Jongin, que afastou o abraço delicadamente, ainda sorrindo.

 

“Estou até aliviado...” —Jongin riu, levando as mãos ao peito de Kyungsoo, fechando o casaco a frente dele. Havia sentido como ele parecia estar frio, e o queria esquentar.

 

“Aliviado?”

 

“Bem, eu pensei que tivessem feito bem mais do que só isso...” —Jongin deu de ombros, não evitando um pequeno bico formado em seu lábio inferior enquanto falava sobre aquilo.

Kyungsoo não resistiu o próprio sorriso de surgir.

 

“Eu sei como é, ter a pessoa que você mais ama, escapando pelos seus dedos e não poder fazer nada sobre isso. Então eu entendo. Acho que vocês dois, precisavam disso.” —O mais novo continuou, enfim levantando seu olhar baixo para o de Kyungsoo.

 

“E você me perdoa?” —Kyungsoo murmurou, deixando uma das mãos gentilmente contra o rosto de Jongin, que se inclinou ao toque.

 

“Não há nada para ser perdoado” —Jongin sussurrou, com olhos fechados e sorriso ainda no rosto. Kyungsoo aproveitou-se então, para aproximar-se e dar dois leves beijos, um em cada pálpebra de Jongin, que sorriu e ajeitou-se de forma a não ficar quase curvado sobre Kyungsoo no sofá.

 

 

“Doeu?” —Kyungsoo então questionou, ainda olhando para os olhos de Jongin.

 

“Não senti nada, só depois... Uma coisa só doeu.” —O tom de voz entristecido de Jongin alarmou Kyungsoo, que segurou sua mão rapidamente, como se o quisesse acalentar.

Kyungsoo questionou o que seria a dor, parecendo genuinamente preocupado com o bem-estar de Jongin.

 

 

 

“Doeu você não ter estado lá.” —Respondeu com um triste sorriso. “Mas você está aqui agora, então não dói mais”. —Sua voz parecia engasgada, presa, apesar do sorriso. Mesmo assim, e com olhos que lacrimejavam, Jongin tocou a ponta do nariz de Kyungsoo com seu dedo e deixou um leve beijo em sua testa antes de levantar-se.

 

 

Por outro lado, Kyungsoo sentiu-se mal. Era como se tivessem dado um soco forte em seu estômago. O sorriso, aquele mesmo sorriso, o voltava a torturar. Não queria vê-lo sorrir daquela forma triste e contida, o único sorriso de Jongin que amava, era o sorriso que o fazia feliz.

 

“Daqui a dois ou três anos, quando minha visão estiver perfeita...” —Jongin parou perto da janela, tocando as cortinas brancas. “Você ainda estará aqui?”

 

Kyungsoo olhou para as próprias mãos, enlaçando os dedos uns nos outros.

 

“Não sei.” —Respondeu sinceramente. “Não posso prever o futuro”

 

Jongin deu uma leve risada, sozinho e virou seu rosto na direção de Kyungsoo. Era tão lindo, iluminado pela última luz da tarde, era sempre, tão lindo.

 

“Odeio quando você é sincero” —Jongin suspirou, ainda com dedos agarrados na cortina. “E mesmo assim, sinto como se você não estivesse me contando tudo o que deveria.”

 

“A verdade, em certos casos, é desnecessária”

 

“Eu nunca menti pra você”

 

“E nem eu para você”

 

“Mas você omite”

 

“E omitir, não é mentir”

 

“E se eu te perguntar, você vai mentir?”

 

Três segundos em silêncio, era tempo demais.

 

“Talvez.”

 

 

Jongin saiu da sala, sem precisar de mais palavras. E enquanto a expressão de Kyungsoo continuava fria, congelada, lágrimas quentes rolavam por seu rosto.

O envelope que havia prometido, fora esquecido em seu bolso. Ainda não estava pronto para entregá-lo.

 

 

 

 

Te vi no espetáculo. Te ouvi. Kyungsoo, eu sinto tanto sua falta...”

 

 

Kyungsoo ouviu a mesma mensagem durante dias, torturando-se como se fincasse uma adaga contra o próprio peito. Estava jogado em seu sofá, suas roupas cheiravam mal, seu cabelo precisava ser lavado, papéis estavam jogados por todo lado junto com garrafas de bebida.

Uma semana e meia, não havia posto os pés na casa de Jongin. Dava uma ou outra desculpa, dizia que precisava ensaiar, que não tinha tempo, mas a verdade que omitia, era que não tinha coragem de encorar os olhos azuis. Não tinha coragem de entregar-lhe a verdade.

 

 

“Você está louco...” —Repetia para si mesmo, encarando seu reflexo do banheiro. Sentia-se abatido e doente, como se sua existência estivesse aos poucos desaparecendo.

 

 

Saiu de seu transe ao ouvir a porta de casa bater com força, e seu nome ser invocado em uma série de reclamações sobre o cheiro que tudo exalava.

 

“Você ainda não desistiu de ficar trancado aqui?” —Suho resmungou, chutando algumas garrafas para fora de seu caminho, enquanto entrava pela sala.

Kyungsoo, com as mãos trêmulas tentava ajeitar os cabelos oleosos, mas nada o faria parecer menos repugnante, naquele momento.

 

“E você não avisou que viria hoje...” —Kyungsoo disse, entrando enfim na sala, tentando nem mesmo olhar diretamente para seu agente, que deixava algumas sacolas de compras sobre a bancada da cozinha.

Suho tentou aproximar-se de Kyungsoo, mas não foi capaz de dar mais que dois passos, sem sentir-se completamente repugnado pelo cheiro que vinha dele.

 

“Venho aqui todas as sextas, seu porco... Quando foi a última vez que tomou banho?” —Questionou, puxando das calças um lenço de seda e colocando a frente do nariz e boca.

 

“Hoje é sexta?”

 

“Sim...”

 

“Então faz uma semana”

 

Suho fingiu ânsia de vômito, e abaixou a mão da frente do rosto lentamente, enquanto olhava ao redor.

 

“Vai tomar banho.” —Disse, focando o olhar em um porta-retratos esquecido em um canto, o vidro quebrado não disfarçava a foto de Kyungsoo com seus pais, ainda tão pequeno. “Rápido. Quero te levar pra comer alguma coisa decente”

 

 

Kyungsoo ainda resmungou, mas obedeceu Suho e se arrumou para que pudessem sair daquele lugar.

 

O dia estava, o que muitos descreveriam, como feio. Chuvoso, nublado, e ventava um pouco. Kyungsoo e Suho dividiam um grande guarda-chuva enquanto em silêncio caminhavam pela rua. Poucos carros passavam, e Kyungsoo mantinha seu olhar fixo no chão, seguindo seu reflexo nas poças. Sua mente estava perdida em todos os tipos de pensamentos abstratos, tanto que nem mesmo deu-se conta do caminho feito ao lado de Suho, até que ele havia parado seus passos e o fez virar à direita.

 

“Não vai entrar?” —O homem perguntou, colocando uma das mãos nas costas de Kyungsoo, que apenas deu-se conta de onde estava, ao olhar para cima e ver a porta do café a sua frente. O letreiro luminoso sobre a porta dizia que estavam abertos, e pela janela podia ver que não haviam muitas pessoas lá naquele dia.

Seus joelhos fraquejaram ao ser levemente empurrado para dentro do café, seguido por seu agente.

 

Sentaram-se próximos à janela, e Suho imediatamente começou a procurar no cardápio o que iria pedir.

 

“Vai querer o que?” —Ele questionou, mas Kyungsoo manteve-se em silêncio. Estava pensativo demais, e sem fome. Não queria estar naquele lugar. As luzes, o cheiro, as lembranças, o deixavam nauseado e cansado.

 

“Chá.” —Respondeu de forma seca, encolhendo o corpo em seu assento.

 

“Pois eu vou querer torta de limão...” —Suho murmurou para si mesmo, e Kyungsoo perdeu a dançar nos lábios dele um sorriso perigoso, quase indecifrável. “Com licença” —Disse então, levantando-se e os olhos de Kyungsoo o seguiram até a porta, quando então seu foco fora completamente mudado.

Os olhos brilhantes de Jongin estavam em sua direção, tristes, não engoliam a alma de Kyungsoo por completo como costumavam fazer. Parecia hesitante, ao entrar no café, quase como se a mão de Suho em suas costas o estivesse a empurrar delicadamente.

 

Com passos tímidos, Jongin dirigiu-se a Kyungsoo até que estivesse sentado ao seu lado O mais jovem sequer era capaz de levantar seu rosto e olhar na direção do outro, apesar deste estar com seus negros olhos fixados no que se sentava a sua frente.

 

Ambos encolheram-se em seus próprios casacos por alguns minutos, em silêncio completo. Nem mesmo o barulho ao fundo era capaz de penetrar a bolha que haviam criado em volta deles mesmos. Kyungsoo sequer deu-se conta de que Suho havia saído do café pouco depois de ter-se dirigido ao caixa.

Ao ver a aproximação de uma das atendentes do café, Jongin levantou brevemente o rosto. A jovem de cabelos negros havia deixado no centro da mesa uma fatia de torta e um chá para cada um dos rapazes. Quando novamente sozinhos em seu próprio mundo, Kyungsoo e Jongin viram-se ainda congelados no tempo, encarando a fatia de torta no meio da mesa

 

“Me desculpe” —Kyungsoo murmurou e Jongin enfim virou seu olhar para o outro, que ainda não olhava em sua direção. “Eu senti sua falta durante esse tempo...” —Continuou a sussurrar, enquanto esfregava uma mão na outra, como se estivesse com frio, porém, dentro do café o aquecimento era suficiente para que não sentisse frio.

Jongin o encarava, e não via o Kyungsoo que o havia prometido voltar. O pouco que conseguia ver com seus ainda embaçados olhos, era sim o Kyungsoo que havia conhecido quando ainda era cego. Um borrão de mágoas e incertezas, uma incógnita, de coração fraco e mãos geladas.

 

Kyungsoo esticou uma das mãos, apanhando junto do pedaço de torta, dois pequenos garfos de metal e entregando um deles à Jongin.

 

“Estamos adiando isso por tanto tempo...” —Jongin disse, segurando o próprio garfo com força, ainda sem coragem de pegar um pedaço do doce. “Não tive coragem de fazer isso sem você comigo”

 

Kyungsoo sorriu de forma contida, deslizando sua mão até a de Jongin, que repousava sobre a própria perna. Era sempre tão bom, sentir o calor das mãos de Jongin. Não havia dado conta do quanto sentia falta daquela sensação, até o momento.

 

“Fico feliz que tenha esperado.” —Kyungsoo então respondeu, deixando que a ponta de seu garfo, simultaneamente com Jongin, afundasse na cobertura cremosa da torta.

 

 

“O que passa na sua cabeça, quando não sou eu que estou lá?” —Jongin questionou, enquanto seus dedos debaixo da mesa se emaranhavam nos de Kyungsoo, e o pedaço de torta se equilibrava em seu pequeno garfo.

 

Kyungsoo sorriu ao sentir o gosto de torta em sua boca, e repousou o garfo contra o prato.

 

“Muita coisa.” —Murmurou, olhando enfim para Jongin que olhava de volta pra si. Seus olhos azuis diziam em silêncio, que tinha todo o tempo do mundo para ouvir, Kyungsoo então continuou. “Meu piano, meus pais, Luhan... E mesmo quando você não está nos meus pensamos, você está lá...”

 

Jongin arrastou sua cadeira para um pouco mais perto de Kyungsoo.

 

“Você preferia não ter me conhecido? Eu sou um fardo pra você?” —O mais novo murmurou, virando a cabeça delicadamente, procurando mais uma vez o olhar perdido de Kyungsoo.

 

“Não” —Respondeu sem precisar pensar. Era a pura, crua, verdade. “Meu único fardo sou eu mesmo. E se você não tivesse esbarrado em mim naquele dia, eu provavelmente não estaria aqui hoje....”

 

Os olhares encontraram-se mais uma vez, sem sorrisos decorando suas faces ou palavras a serem ditas. Comeram mais um pedaço da torta, para criar coragem.

 

“Por que não me contou que você estava doente?” —Jongin questionou quase em silêncio, como se ainda tivesse medo de perguntar.

 

“Porque eu não estou” —Kyungsoo respondeu enquanto suas sobrancelhas se retorciam. Era tão natural, mentir sobre aquele assunto, que sua mentira havia quase tornado-se verdade.

 

“Por que então tantos remédios?” —Jongin insistiu, com um suspiro profundo, de quem tirava uma dúvida de seu peito. Mesmo que não fosse respondida, jamais poderia dizer que não perguntou.

 

Kyungsoo sorriu de forma triste, e levou mais um pedaço de torta à boca. Comeu sem pressa, e saboreou a mistura de ingredientes que fazia daquele doce algo tão peculiar. Azedo, doce, com um sutil toque de sal ao fundo.

 

 

“Minha cabeça.” —Começou a falar, ainda sentindo o azedo sobre a língua. “Tem muitos problemas.” —Continuou após um pequeno suspiro. “Depressão, ansiedade...”

 

Jongin apertou dos dedos de Kyungsoo delicadamente, e suas sobrancelhas estavam franzidas enquanto olhava para ele.

 

“Doeu?” —Ele sussurrou, com a genuína preocupação, mas Kyungsoo não conseguia decifrar o que aquilo significava.

 

“O que?”

 

“Me contar tudo.” —Jongin abriu um pequeno sorriso, que morreu quando Kyungsoo respondeu-o.

 

“Isso não é tudo.”

 

Jongin engoliu a seco, soltando a mão de Kyungsoo aos poucos, mas fora surpreendido quando o mesmo segurou sua mão mais uma vez.

 

“No dia do funeral do Luhan, eu tive um derrame.” —Kyungsoo começou a explicar, tentando ignorar a reação preocupada de Jongin. “Eu fui tratado rapidamente, então não tive sequelas físicas. Mas agora tenho mais alguns remédios pra minha coleção.”

 

Jongin deu um longo suspiro soltando a mão de Kyungsoo e colocando contra o próprio peito.

 

“Do jeito que você falou parecia que você já tinha até marcado a data do seu funeral!” —Exclamou, abrindo um grande sorriso, antes de voltar a segurar a mão de Kyungsoo, com força. “Nós dois, somos cheios de rachaduras, mas se você prometer que vai catar meus caquinhos se eu tropeçar e quebrar...” —Jongin levou a mão de Kyungsoo até seus lábios, deixando um leve beijo nas costas dela. “Eu prometo o mesmo.”

 

 

Kyungsoo permitiu-se sorrir. Era impossível segurar, ou ignorar o gosto doce que invadia seu paladar naquele momento.

Continuaram a saborear a torta em silêncio, e ainda escolheram levar para o apartamento de Jongin mais uma generosa fatia. Não precisava de contive para subir, nem para ficar, o tempo que quisesse. Nunca precisou.

 

 

 

 

 

 

 

 

Jongin tinha os pés plantados contra a parede, enquanto deitado em sua cama. Kyungsoo tinha as costas contra a cabeceira e um livro apoiado sobre o colo.

Daquela posição, podia ver como o peito de Jongin subia e descia de forma descansada, enquanto ele cochilava naquela posição um tanto quanto peculiar, mas não podia pedir nada além daquele momento, para sempre guardado em sua memória. Kyungsoo retirou os óculos de seu rosto e deixou-os ao lado dos de Jongin sobre a cabeceira, colocou o livro que lia debaixo de seu travesseiro.

 

Repousou a cabeça no ombro de Jongin, corpo encostado no dele, mão espalmada sobre a barriga que se mexia ao respirar. Podia observá-lo de tão perto, adormecido em mil dimensões, e tão perto de si.

 

“Eu te amo” —Sussurrou ao ouvido de Jongin que moveu-se em seu sono e sorriu, virando o corpo lentamente até que abraçasse o de Kyungsoo. Os olhos do mais novo abriram-se aos poucos, ainda com um pouco de dificuldade. De tão perto, Kyungsoo quase conseguia ver as marcas da cirurgia, mas aquilo não importava. Nem mesmo importaria, se Jongin não o pudesse ver. Seu amor não dependia de sensações, apenas de sentimentos.

 

“Não me importo de ser acordado sempre desse jeito” —Jongin então sussurrou, antes de dar um beijo leve na maçã do rosto de Kyungsoo.

 

“Você pode sempre se mudar lá pra casa.” —Kyungsoo respondeu, segurando o corpo do outro com mais força contra o seu. “Se bem que... Acho que não seria a mesma coisa. Nós acontecemos aqui, e sinceramente? Não me importaria de acordar todos os dias com as nuvens pintadas nas paredes do seu quarto.”

 

Jongin sorriu, abrindo ainda mais um pouco os olhos. Trocaram um delicado beijo enquanto seus corações aceleravam e mãos encontravam o caminho para se encontrarem entre lençóis e travesseiros macios.

 

“Fique aqui então...” —O mais novo disse ao separarem os lábios, e sentiu o leve hesitar ainda presente em Kyungsoo, em sua respiração, na tensão de seus músculos. “Pare de lutar, e se deixe afogar comigo”. —Sorriu, levando seus olhos mais uma vez aos do pianista, enquanto a mão que antes segurava a dele deslizava sorrateiramente por dentro de sua camisa, espalhando seu calor pela pele do outro.

 

Lentamente Jongin virou seu corpo por cima do de Kyungsoo, sem desconectar olhares, sem que o calor pudesse escapar. Era tarde demais para fugir, já pensava Kyungsoo.

As mãos de Jongin se arrastavam por seu corpo, deixando marcas dos dedos por sua pele. Kyungsoo queria aquilo mais do que tudo, naquele momento. A intimidade natural entre dois corpos era mais do que poderia pedir em toda sua vida. Depois de tanto pelo que havia passado, em nenhum momento sequer, havia cogitado chegar onde estava, muito menos com alguém que fosse capaz de amar tanto.

 

E Kyungsoo sabia que amava Jongin, apesar de também saber que talvez não o revelasse tanto quanto deveria. Amava Jongin com cada fibra de seu ser. E por mais que vez ou outra, fosse tomado pela insegurança natural de sua mente confusa, sabia que Jongin também o amava.

 

 

 

 

 

Jongin tinha seus óculos escuros contra o rosto e mão dada com força a de Kyungsoo. Seu sorriso parecia tão maior do que o normal, e o brilho de sua felicidade ofuscava o sol forte de verão.

 

O pé tocou aos poucos a água gelada, mas em tão pouco tempo estava acostumado. Jongin não tinha ideia do quão agradável era ter os dedos enfiados na areia molhada, e sentir as pequenas ondas quebrarem contra os tornozelos. Mesmo assim, curioso e pronto para sentir tudo aquilo, sua mão ainda agarrava-se a de Kyungsoo com força, e ele não tinha nenhuma intenção de soltá-la.

 

Tinham os pés afundados em água cristalina e gelada, o Sol e Lua como testemunha, enquanto trocavam um de mais tantos beijos. Kyungsoo deslizou sem grande cerimônia, uma aliança prateada no dedo de Jongin.

 

“Eu não sei muito bem, como fazer essas coisas...” —Kyungsoo murmurou, voz quase apagada pelo som do mar que os banhava. “Só sei que quero que você esteja comigo pra sempre, nessa vida, e em todas as que puderem vir.”

 

Jongin não disse nada, apenas sorriu e beijou-o mais uma vez, e Kyungsoo podia sentir o gosto salgado das lágrimas escondidas pelos óculos que Jongin usava. Naquele instante, entretanto, não se preocupava. Sabia que aquelas lágrimas não significavam nada, além de felicidade.

 

 

 

 

 

Haviam comprado uma pequena casa perto da praia, isolada de tudo. Um refúgio para onde podiam fugir no verão ou quando fosse possível, um lugar onde pudessem ser apenas Kyungsoo e Jongin, e as ondas a quebrarem na costa.

 

Kyungsoo deixou ao lado de Jongin um copo de água gelada, com uma rodela de limão dentro, e sentou-se a seu lado. Antes que o mais velho se sentasse, colocando os pés para cima da espreguiçadeira na varanda, Jongin guardou rapidamente o papel que lia, no bolso de seu casaco de lã.

 

“O que ele escreveu?” —O pianista perguntou, com um sorriso de quem sabia qual seria a resposta do outro.

 

“É um segredo nosso” —Jongin também sorria, ao responder.

 

 

 

Espero que Kyungsoo tenha controlado sua curiosidade de abrir isso. Essa carta, é um segredo nosso.

 

Jongin... Cuide do meu anjo. Do nosso, anjo.

Prometo estar com vocês o tempo todo, te guiando e protegendo.

 

Aproveite sua vida, e não o deixe ir antes do fim do espetáculo.

 

Obrigado por tudo.

 

-Luhan, seus olhos. “

 

 

 

 

 

Era outono, e oito anos haviam se passado desde o começo de tudo.

Jongin estava deitado de lado no sofá, enquanto sua mão acariciava o pelo macio de Laika, e Kyungsoo tocava o piano com a música que diziam pertencer somente a eles dois.

 

Na mão que ostentava o mesmo anel de anos atrás, Jongin segurava a carta que havia encontrado sobre seu travesseiro ao chegar do trabalho. Não conseguia desfazer-se dela.

Depois de oito anos, não haviam encontrado algo a chamar de rotina. Todo dia era repleto pela satisfação de ainda estarem um ao lado do outro, era construído pela alegria de compartilharem o mesmo dia.

 

Sobre a mesa de centro, uma fatia de torta havia sido deixada para trás, dois garfos repousados no prato e alguns pedaços devorados.

 

Kyungsoo não mudaria nada naquele momento, mesmos que suas mãos não funcionassem tão bem quanto antes, mesmo que sua alma não mais transmitisse a melancolia que talvez o fizesse melhor como artista. Não mudaria um centímetro ou um segundo, de tudo que fazia ele ser quem ele era naquele instante. Porque enquanto tocava a melodia que escreveu para Jongin, olhava para o próprio dedo onde repousava a aliança que ele o havia presenteado dias depois de seus votos trocados em segredo.

 

Sua música hoje falava, não do que havia perdido, do que havia passado, mas da vontade de continuar vivendo, das novas experiências e do imensurável amor. Não poderia pedir nada melhor do que isso.

 

Estava tudo perfeito, como deveria ser. Tudo no lugar.

 

 

 

 

O tempo é algo inexplicável e imprevisível, Jongin.

 

O tempo corre da mesma forma, no mesmo ritmo, pra todas as pessoas. Mesmo assim, cada um de nós o percebe de uma forma diferente e única.

Só o tempo cura certas feridas, é o que dizem. Mas algo que eu aprendi, também com o tempo, é que cicatrizes são apagadas com amor e cuidado.

 

Amor, ao contrário do tempo, não é linear. Mas tal como o tempo ele pode acabar. Não, não nosso caso, não é mesmo? Nosso amor não precisa ser repetido, reforçado, ele é sutil, como tudo que nos rodeia.

Nosso amor é natural como o nascer do sol e o luar, é uma mistura de sabores como uma boa torta de limão, nosso amor é saber que pelas manhãs sempre existirá alguém que sorri e olhares nos quais podemos nos afogar sem medo.

 

Amor é muito mais que eu e você, muito mais que duas pessoas. É tudo que nos cerca, e por nós é cercado.

 

O Sol, se esconde atrás da Lua para que ela possa brilhar.

 

Promessas são feitas, nem todas serão mantidas. A vida é assim.

 

Mas saiba que uma coisa não muda, Jongin.

 

Eu te amo, hoje, e em quantas vidas forem precisas pra te amar.

 

Até logo, até amanhã, até agora, até todos os dias...

Ou até que o Sol e a Lua se encontrem novamente em uma noite qualquer. Até sempre, Jongin.

 

Feliz Aniversário.”


Notas Finais


Olá a todos !!

Fiz um jornal a uns dias, agradecendo pelo apoio de todos os leitores de Sonata, que me acompanham até hoje.
Quatro anos se passaram desde o primeiro capítulo dessa história. O tempo passou rápido, não é mesmo?

Esse capítulo, era algo que estava na minha cabeça a um bom tempo, mas algo que eu não havia conseguido colocar no papel até agora. Tenho passado por uma fase ruim como pseudo-escritora, mas depois de reler essa história, sinto que ganhei forças pra continuar.

Peço desculpas, se talvez não era isso que muitos de vocês esperavam de mim, mas é algo que realmente eu queria fazer, e que estou orgulhosa de ter feito.

Só quero agradecer então, mais uma vez, por todo o amor, o carinho e a paciência comigo.

Obrigada <3

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