História Sonata - Capítulo 20


Escrita por: ~

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Categorias F(x)
Personagens Amber Liu, Krystal Jung, Luna Parker, Sulli Choi, Victoria Song
Tags Exo, Jessica, Kai, Krytoria, Lunber, Sehun, Sekai, Snsd
Visualizações 405
Palavras 4.716
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Fluffy, Poesias, Romance e Novela, Yuri
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


OLHA SO QUEM VOLTOU DEPOIS DE UM HIATOS HORRIVELLLLLLLL AKSKSKDKDKSKDJDJ

gente muitos acontecimentos nesse cap so digo isso e so nao falo mais pq ja to vazando kkkakkdxkdkdk boa leitura!

Capítulo 20 - A Chuva Combina com Nós


Fanfic / Fanfiction Sonata - Capítulo 20 - A Chuva Combina com Nós

“Muitas vezes, perdemos a possibilidade de felicidade

de tanto nos prepararmos para recebê-la.

Por quê então não agarrá-la toda de uma só vez?”


-


- Jane Austen




Não me lembro da última vez que me senti tão intensa com algo. Se duvidar, talvez isso nem tenha chegado a acontecer comigo. Eu podia sentir a agitação no meu peito, meu coração parecia estar no ápice da euforia e minhas mãos não paravam de tremer um único momento sequer. Era um pouco estranho a minha calma com a possibilidade de ser rejeitada uma segunda vez, talvez porque dessa vez eu realmente não esteja esperando algo grandioso. Se eu disser que não me enchi de esperança quando me declarei para Victoria essa semana, estarei mentindo.

Da primeira vez, eu me deixei iludir pela imagem tão serena e pura que tenho dela, não que Victoria seja algo oposto disso, mas cometi o erro de não perceber logo cedo que algumas pessoas também possuem certas rachaduras. Mas de qualquer forma, independente da sua reação, eu irei me forçar a seguir em frente e de certo modo, feliz, porque ao menos eu estarei com o pensamento de ter lhe deixado ciente da pessoa tão magnífica que Victoria é.

Krystal. — Sua voz plena e suave me fez voltar a realidade, onde eu esperava com meu coração na mão por sua resposta. Quando Victoria segurou minhas mãos e eu senti aquele contato de pele contra pele, foi como ver o mundo ao meu redor parar de girar. — Em toda a minha vida, ninguém nunca me fez sentir tão única antes.

O ar quase me faltou, os olhos dela encaravam-me tão profundamente que era como se Victoria pudesse enxergar o turbilhão de sentimentos que vagavam dentro de mim. Aquele momento parecia tão irreal, tão impossível, que nem ao menos percebi quando suas mãos estavam aos poucos, soltando as minhas.

Desviei o meu olhar para aquele movimento e percebi que Victoria estava abrindo suas mãos e tentando fazer o mesmo com as minhas. Os nossos dedos se entrelaçaram tão imediatamente, como um encaixe perfeito, parecia até mesmo que nós tínhamos uma combinação definida.

— Eu não sei qual o seu pensamento real sobre o amor, mas eu sei que um tempo atrás, eu era apenas uma garota que imaginava como esse sentimento poderia ser, já que nunca amei ninguém antes. Até o momento em que coloquei os meus olhos em você. — Eu disse. — Não me apaixonei à toa, não me sinto confusa e algumas coisas também não fazem o menor sentido para mim. Eu realmente não entendo como eu poderia sentir sua falta se por acaso, não estivesse aqui. Ou como esse passeio poderia ser melhor sem você.

Senti como se estivesse livrando o meu coração de um peso insuportável, os meus sentimentos estavam fluindo da boca para fora de um jeito tão natural, sem que eu precisasse anotá-los em um pedaço de papel. Notei que um sorriso estava teimando em brotar nos seus lábios, o brilho no olhar dela denunciava uma emoção tão grande que eu mesma podia senti-la.

De repente, senti meu peito doer, e uma necessidade crescente de ter um pouco mais do que mãos entrelaçadas, gritou por apelo. Devagar me aproximei dela, meu olhar estava fixo no seu ombro esquerdo e cada milésimo que se passava, eu estava mais e mais perto, até o seu perfume estava entorpecendo meus sentidos. Victoria soltou minhas mãos e nem ao menos me deu tempo para me arrepender de qualquer coisa, pois segurou meus braços e gentilmente me puxou até que estivéssemos completamente juntas.

Não houve hesitações, protestos ou uma tentativa de me fazer recuar. Ela não tentou me afastar quando dei um passo à frente como na primeira vez. Victoria abriu seus braços para mim e me acolheu neles, sua mão empurrou minha cabeça com gentileza até que eu descansasse meu rosto na curvatura do seu pescoço. E sem medo algum, sabendo que eu não sentiria vergonha mais tarde, abracei sua cintura e me permiti fechar os olhos desejando que aquele momento se eternizasse. Eu me sentia viva, podia escutar seu coração batendo e isso me fez sorrir. Aquele calor inconfundível que se instalou em mim só provava o quanto estou feliz. Não sei explicar o por quê, mas era como se nossas respirações estivessem em sincronia, lentas e calmas porque parecia que Victoria decidiu destruir todas as barreiras que me impediam de chegar mais perto.

Não sei ao certo quanto tempo ficamos daquele jeito, não que eu me importe com a questão do tempo, no que dependesse de mim eu não me soltaria dela nunca mais. No entanto, ela parecia querer se soltar de mim.

— Você precisa voltar para o seu quarto. — Victoria disse sussurrando e tentando gentilmente empurrar os meus ombros.

Eu me agarrei ao seu corpo ainda mais.

— Não, por favor, me deixe ficar aqui. — Isso acabou soando como um pedido de súplica, mas Victoria estranhamente não queria ceder.

— Krystal, me ouça. — Quando seu tom de voz se fez um pouco sério demais, eu não tive outra opção além de me afastar um pouco. Ao menos para poder olhá-la nos olhos. — Os alunos à passeio tem um toque de recolher. Está tarde e você não deveria estar fora de seu quarto. — Victoria suspirou e segurou meu rosto entre as mãos, espantando qualquer receio meu. — Eu adoraria que você ficasse, mas realmente não quero ter que lhe dar uma advertência caso alguém veja que tem uma aluna fora do quarto em um horário inadequado.

Por mais que eu odiasse admitir, ela tinha total razão do que dizia. Eu, na pressa de encontrá-la para uma segunda tentativa, acabei esquecendo que o hotel deu um horário exato para que os alunos não saiam mais de seus quartos. Bom, corro o risco de me encrencar, mas pelo menos ganhei um dos melhores momentos da minha vida.

— Certo, você tem razão. — A muito contragosto, me desvencilhei de seu corpo e logo o frio me atingiu em cheio. — Mas, o que vamos fazer agora?

— Eu… Sinceramente, não sei. — Victoria confessou, parecia estar envergonhada. — Lhe disse Krystal, que você me pegou totalmente desprevenida e de surpresa. Vamos conversar sobre isso mais tarde.

— Promete?

Mordi meu lábio inferior devido à insegurança. Às vezes parecia que arriscar meus sentimentos dessa forma era como dar um tiro às cegas, e eu tinha medo que isso me atingisse pela segunda vez. Eu não tinha outra opção além de confiar nela.

— Eu prometo. — Ela respondeu, parecia decidida e ciente do que dizia. — Agora volte para o seu quarto, não quero que fique em maus lençóis por minha causa.

Foi um tanto impossível não sorrir diante da sua preocupação comigo, mas agora, eu sentia que podia deixá-la ciente de que ela era virou a principal base da minha alegria.

— Está bem. — Me virei na direção oposta e me pus a andar, mas antes de me afastar totalmente, a olhei pela última vez naquela noite. — Boa noite, Victoria.

Sua resposta não veio, então me contentei em continuar o meu caminho. Mas, eu não pude prever que Victoria me deixaria ir com o seu silêncio.

Boa noite, Krystal.














— Você está de bom-humor hoje de um jeito que eu nunca vi ninguém estar. — Luna comentou enquanto tomávamos café da manhã. — O que aconteceu para essa felicidade toda?

— Não quero entrar em detalhes tão cedo porque não pretendo correr o risco de me precipitar, mas… — Respondi enquanto mexia a colher na minha xícara de café. — Ah Luna, eu apenas estou feliz.

Seria muito simples para mim me contentar com uma resposta dessas, mas Luna não. E minha amiga era esperta o suficiente para entender quando algo estava diferente, seu raciocínio ia muito além da compreensão humana. Eu diria que ela está a níveis mais avançada do que nós.

— Victoria tem algo a ver com isso? — Não mostrei surpresa quando ela fez uma intuição e acertou. Esconder esse assunto dela não estava nos meus planos de qualquer forma. — Tentar esconder alguma coisa não é lá um dos seus maiores talentos, Krystal.

— Não é minha culpa se você é boa até em adivinhar. — Luna deu risada da minha resposta. — Mas se ainda quer uma confirmação, sim, é por causa dela.

— Acho que a professora Victoria é a única com a capacidade de te deixar desse jeito, mexendo o café com a colher à quinze minutos sem ter tomado uma única gota. — Ela apontou com o indicador para a minha xícara, só então percebi que o vapor do meu café havia sumido, indicando que já estava quase frio. Parei de brincar com a colher e tomei um longo gole.

— Ela é capaz de muitas coisas, nem consigo acreditar que Victoria realmente exista. — Comentei.

Eu me sentia a pessoa mais apaixonada desse mundo, tudo parecia ter ganhado cor e sentido novamente. Para alguém que se viu em um abismo completamente cinzento e vazio, devo considerar essa mudança de sentimentos um grande feito. E era interessante que às vezes eu me pegava imaginando, como seria se por acaso, ela tivesse se apaixonado primeiro.

Como seria ter Victoria Song apaixonada por mim.

Hum… Talvez seja como chuva em dias de verão.

Perfeito.

— Eu adoraria te pressionar mais um pouco até você me contar o que aconteceu, mas ao invés disso vou sugerir que se alimente muito bem. Hoje visitaremos a Torre Eiffel e a visita será um pouco longa. — Ela disse.

Visitar a Torre Eiffel era a única coisa capaz de me distrair completamente sobre minha situação com Victoria. Era o momento pelo qual eu mais esperei nesse passeio, e não deixaria de levar minha câmera para registrar a maravilhosa Paris bem diante dos meus pés.

— Ok, chega de conversa então!

Nós tomamos nosso café da manhã em um clima maravilhosamente animado, eu me sentia revigorada depois da dose que tomei de Victoria ontem à noite. Um simples abraço, um mísero contato que durou apenas alguns minutos, foi o suficiente para reviver todas as minhas energias.

Como posso explicar?

Digamos que quando tudo parecia ter desabado sobre a minha cabeça, o meu coração deixou de ser um jardim.

Mas, eu tentei novamente. E na segunda vez, Victoria plantou suas flores em mim.

O arrastar da manhã até o momento em que Luna e eu teríamos que ir para o ônibus com uma bolsa presa ao nosso corpo, garrafas de água, barras de chocolate e minha câmera fotográfica, foi um tanto rápido demais eu diria. Eu não havia visto Victoria até então, mas sabia que não iria demorar para que ela aparecesse já que era a professora responsável por nossa turma.

Por meio de alguns comentários entre os alunos, descobri que dessa vez, não seria necessário estar com nossos parceiros de viagem, porque na Torre Eiffel tem um determinado limite de pessoas que podem subir, ou seja, algumas teriam que ficar esperando até que o primeiro grupo voltasse. Isso significava que Amber Liu não ficaria comigo naquele dia e acabei me preocupando um pouco com esse detalhe, porque apesar de ela ter me abordado algumas vezes de forma prepotente, ela não me parecia ser uma pessoa ruim, tanto que se desculpou pela forma como se comportou comigo.

— Atenção alunos. — Quando escutei a voz de Victoria se manifestar no meio daquela gente toda, precisei controlar à mim mesma para não ter uma reação exagerada demais. Ela se dirigiu para o lado da porta do ônibus com sua prancheta em mãos. — Irei chamar os nomes para conferir se todos estão aqui, e conforme eu for chamando, vocês poderão entrar no ônibus e se sentar devidamente nos lugares.

Oh sim, a hora da chamada. No primeiro dia, eu lembro de ter me sentido desconfortável com isso e de como os nossos olhares demonstravam dor e ressentimento. Porém, agora algumas coisas estavam diferentes. Isso vai ser bem interessante.

Victoria foi chamando os alunos em ordem aleatória, e conforme eles iam entrando, o número de pessoas ia diminuindo ao meu redor. Quando ela chamou o nome de Luna, minha colega apenas sussurrou “eu guardo lugar para você!” e entrou no ônibus. Conforme a chamava dava continuidade, meu nervosismo e ansiedade por ela chamar o meu nome de uma vez por todas só aumentava, eu nem imaginava o que poderia acontecer quando o momento chegasse, mas não é como se eu pudesse evitar.

— Krystal?

Foi automático, instantâneo e normal até demais. Os nossos olhares se encontraram na mesma fração de segundos. Era como se eu tivesse procurado seus olhos e ela os meus, mas exatamente no mesmo momento.

Como havia outras pessoas esperando para serem chamadas, abaixei minha cabeça para esconder o sorriso crescente nos meus lábios e segui para dentro do ônibus, mas sem evitar de lhe dar uma olhada de canto no instante em que passei ao seu lado. Victoria tinha o mesmo sorriso tenro e amável de sempre.

Suspirei de tanto encanto que sinto por ela e fui me sentar ao lado de Luna, que havia guardado o meu lugar para que nos sentássemos juntas. Bastou ela olhar para a minha cara uma única vez, que toda uma dedução sobre a minha felicidade havia sido formada por sua mente incrível. Se bem que do jeito que eu estou, seria um pouco difícil de não perceber.

— Esse passeio vai ser maravilhoso. — Luna disse assim que me sentei, mas eu soube que ela não se referia ao turismo em si.

Meu olhar foi diretamente atraído para a bela mulher que entrou no ônibus depois do último aluno, usando seu crachá de representante e esboçando um sorriso tão lindo quanto um jardim repleto de rosas.

Fico me perguntando como alguém consegue ser a primavera o tempo todo.

— Não tenho a menor dúvida disso.















A ida até a Torre Eiffel durou cerca de quarenta minutos, e nesse período de tempo, tive que me forçar a prestar atenção em qualquer coisa que não fosse Victoria sentada à poucos assentos de distância de mim. Chegava a ser engraçado como antes eu mal conseguia olhar na sua direção por conta daquele medo sobre o que eu encontraria nos seus olhos.

Oras, ela parecia estar tão radiante quanto o Sol, e eu não sou lá a pessoa mais confiante desse mundo, mas um pedacinho de mim dizia que era por minha causa e que eu podia confiar nisso.

O problema que me incomodou um pouco, é que quando chegamos no local de visita da Torre Eiffel, Luna acabou sendo colocada em um grupo de visitantes separado do meu, e isso resultou em uma Krystal Jung de fones de ouvido, sozinha e indiferente à todos aos redor porque poxa, nós íamos tirar inúmeras fotos juntas!

Mas mesmo que estivéssemos separadas, Luna não deixou de se manifestar comigo, tanto que ficou me mandando mensagens enquanto estava lá em cima e até aproveitou para tirar uma graça comigo. E eu claro, estava adorando aquela animação toda, visto que antes tanto eu quanto ela estávamos em clima de funeral.


Você tem que ver isso Krystal, a vista aqui de cima é incrível!


Luna, por favor…

Me deixe chegar até aí primeiro!


Me desculpe por isso, mas ahhh, é tão maravilhoso!

Quase tão bom quanto uma tarde de estudos bem produtiva.


Não fale de estudos em um momento como esse, menina!

Aliás, o guia já está mandando seu grupo voltar porque já passaram os quarentas minutos. Te vejo aqui em baixo!


Como o meu grupo era o último que faltava para ir até o alto da Torre, acreditei que teríamos alguns minutos à mais. Quando o elevador principal chegou até o andar onde estávamos, uma Luna saltitante e alegre surgiu de dentro da cabine e veio animada na minha direção.

— Você vai adorar estar lá em cima! — Ela disse assim que chegou perto de mim. — A menos que tenha acrofobia.

— Não tenho nenhuma fobia, felizmente. — Respondi. — Para onde vocês irão agora?

— Vamos passear mais um pouco e depois que o seu grupo voltar, vamos todos lanchar. — Luna explicou. — Olha, estão chamando para entrar no elevador, vá e tire muitas fotos lá em cima!

Luna acompanhou os outros alunos em direção às saídas enquanto eu me juntei aos outros dentro do elevador. O que me impressionava é que a Torre Eiffel equivale à um prédio de cem andares e é como estar fazendo um turismo dentro dela, tem até mesmo restaurantes. No entanto, meu objetivo era o topo. Eu queria chegar lá em cima e apreciar a vista pela primeira vez, e quando eu finalmente o fizer, vou guardar essa lembrança na minha memórias e nas fotografias que pretendo tirar.

A subida foi longa, e por mais impressionante que pareça, todos os alunos do meu grupo preferiram parar entre o primeiro e o segundo andar, do que ir até o fim da torre. Como eu não pretendia fazer companhia para ninguém ali, pedi para subir sozinha mesmo, mas claro, tendo o guardinha do elevador me pedindo para tomar cuidado.

Eu costumava pensar que já tinha visto as coisas mais belas do mundo, mas esse pensamento virou pó a partir do momento em que me deparei com a vista de Paris diretamente da sua atração principal.

Estou no céu?

Andei hipnotizada até as sacadas que cercavam aquela parte da obra, tudo parecia pequeno demais visto daqui de cima. Cruzei os meus braços nas barras de ferro e me deleitei daquela sensação tão maravilhosa e tão única, com o vento bagunçando meus cabelos e refrescando minha pele. Eu não conseguiria me sentir assim tão encantada em algum outro lugar, meus olhos percorriam por cada canto daquela cidade tão linda, procurando cada pontinho novo e diferente para mim.

— É a cidade mais linda do mundo.

Aquela voz que sempre me fazia arrepiar inteira, foi recebida pelos meus ouvidos tão bem quanto aquela brisa refrescante de primavera. Eu me virei para trás e tive o prazer de contemplar Victoria andando na minha direção, sorrindo da forma mais amável possível e admirando a vista assim como eu. Ela parou bem ao meu lado e assumiu a mesma posição que a minha.

— Realmente, é muito linda. — Eu respondi, voltando minha atenção a vista privilegiada. — Hum, eu vou precisar descer por estar aqui sozinha?

— Não, eu estava pretendendo subir até aqui já que os outros alunos ficaram encantados com o primeiro e o segundo andar, até o guia me dizer que tinha uma aluna sozinha no topo da Torre. — Ela explicou e quando a olhei, Victoria me encarava de forma divertida. — Imaginei que fosse você, então subi.

— Veio apreciar a vista?

— Sim, e vim terminar de conversar um assunto com você. — Rapidamente eu fiquei apreensiva, por mais que tudo tem estado perfeitamente bem até agora, não posso subestimar a capacidade do destino de acabar com a minha alegria.

— Entendo… — De repente, Victoria segurou meu queixo e me fez virar o rosto, me obrigando a encará-la. Senti que precisaria ser desse jeito.

— Olhe bem para mim Krystal, ao meu ver tudo isso é muita loucura, mas eu sinto que… É único demais para ignorar e fingir que não me afeta também. — Eu assenti, mas tinha uma dúvida enorme.

— Por quê você reagiu daquela forma, quando eu me declarei na sala de aula? — A lembrança daquele momento ainda machucava, era dolorosa porque eu via muito pavor e medo nos olhos dela. — E-Eu senti como se tivesse acabado com você.

A expressão no seu rosto era de uma pessoa extremamente preocupada, misturada com culpa e arrependimento de algo. Por mais que isso fosse ruim para ela, para mim, soava como uma esperança ou uma luz no fim do túnel.

— Quando eu tinha dezesseis anos, namorei um rapaz no ensino médio e ele foi o primeiro de tudo. Isso aconteceu justamente quando fui embora da China e me mudei para a Coreia do Sul, justamente para terminar meus estudos. Seu nome era Kyuhyun. — Ela disse. — Minha família na época aceitou ele muito bem, porque ele vinha de uma família nobre e de nome importante.

— Vocês dois ficaram juntos por muito tempo? — Perguntei.

— Sim, muito tempo… — Victoria parecia distante enquanto se lembrava desses detalhes para poder me contar. — Nosso relacionamento foi muito além do que um namoro de colegial, nós fizemos faculdade juntos, não os mesmos cursos, mas sim o mesmo lugar. — Explicou. — O que eu não esperava, é que nos meus vinte anos, meus pais iriam exigir que eu me casasse com ele.

Fiquei completamente sem chão com sua última frase. A primeira impressão que tive de Victoria, é que ela era uma mulher bonita demais para estar sozinha, mas ao mesmo tempo tinha algumas dúvidas sobre ela nunca ter se relacionado com alguém.

— Eles fizeram isso com você?

— Sim, disseram que seria bom para mim e que eu poderia abandonar a faculdade se quisesse. A princípio, eu queria muito ser instrumentista ou bailarina. Dança era uma grande paixão minha na adolescência e ainda é, mas meus pais não concordaram com isso, então acabei ficando muito sem outras opções. — Victoria continuava olhando para o horizonte à nossa frente, mas eu não tirava meus olhos dela. — Consegui reverter a situação quando disse que iria estudar para ser professora e para minha sorte, eles concordaram. Mas eu não cheguei a exercer a profissão na Coreia.

— Por quê não?

— Kyuhyun. — Eu podia sentir o amargo no seu tom de voz, denunciava que Victoria tinha assuntos mal resolvidos com esse homem. — Por mais que ele fosse meu namorado, eu não queria me casar tão nova. Tinha muitas coisas que eu queria fazer antes disso, mas na época eu não tinha coragem de contrariar meus pais. Então eu me casei com ele.

— Ele era ruim para você? — Minha pergunta foi direta justamente porque ela não aparentava ter nenhuma lembrança boa sobre isso, então perguntar se ele havia sido bom, poderia soar como ofensa.

— Ruim é até gentil. Kyuhyun ultrapassava todos os limites possíveis quando o assunto era me fazer sentir mal. — Decidi segurar sua mão devido ao meu receio com o rumo daquela conversa, mas Victoria mal piscava. — Não demorou muito para perceber que ele nunca me amou ou nutriu qualquer sentimento afetivo por mim. A começar pelo fato de ele nunca ter dito as três palavras, enquanto eu havia me doado naquele relacionamento infeliz.

Naquele momento, tudo me foi esclarecido com a mais perfeita clareza. Fazia todo o sentido que Victoria tenha se assustado tanto ao receber amor na prática. Foi inevitável não sentir um pouco de culpa e tristeza, por ter que imaginar essa mulher tão maravilhosa nas mãos de alguém que não a merece.

— Eu ensino sobre o amor, faço poesias sobre ele, faço a interpretação de músicas sobre o mesmo assunto em cada melodia, mas não faço a menor ideia do que seja isso na prática. Para mim, tudo não passou de teoria. — Ela continuou. — Mas eu falo de amor no sentido afetivo e amoroso por pessoas estranhas, porque na realidade, existem duas pessoas que eu realmente amo de verdade. Elas possuem laços comigo.

— São da sua família? — Perguntei curiosa e ela hesitou ao me encarar, mas assentiu em silêncio. — Quem são?

— Meus filhos. — Victoria disse praticamente sussurrando, enquanto eu arregalava os olhos diante da informação. — O único motivo para eu nunca ir à eventos fora da escola como esse, e a única coisa realmente boa do meu casamento com o meu ex-marido.

Fiquei completamente sem reação. Victoria tinha filhos e eram dois. Em que mundo eu pensaria em algo assim?

É por isso que ela sai da escola mais cedo diversas vezes na semana, pelo mesmo motivo que Luna havia dito que a professora de poesia e música nunca participava dos passeios e excursões com a escola.

Céus…

Ela tem filhos!

— V-Você é mãe? — Ela assentiu com um sorriso fraco. — Não parece!

— Ora, obrigada. — Respondeu rindo. — Eu fiquei grávida deles depois de completar vinte e quatro anos, foi quando decidi que não iria mais continuar casada com o pai deles por motivos óbvios e porque eu não queria meus filhos crescendo naquele lar tão abusivo. Então eu pedi o divórcio, recebendo protestos por parte dele, dos meus pais e da sua família também como se não fosse o suficiente, mas ignorei todos e me separei mesmo assim. Quando tirei o diploma na faculdade no mesmo ano, me mudei para Paris e comecei a trabalhar como professora no internato.

— São gêmeos?

— Sim, apesar dos traços asiáticos, eles nasceram aqui e possuem nome francês. — Ela explicou. — Eles se chamam Pietro e Jordan.

— Nomes muito bonitos! — Respondi. — Como você faz quando precisa ir trabalhar?

— Sulli. — Victoria mostrou um sorriso lascivo ao citar o nome da amiga. — Digamos que ela tem dois empregos. Ser florista e babá dos meus filhos. — Não fiquei tão surpresa assim, vendo que as duas parecem ser grandes amigas. — Krystal, você entende agora, o restante do meu receio?

Victoria parecia a pessoa mais delicada e apreensiva do mundo, como se estivesse me testando para dar um golpe de misericórdia. Só que era muito estranho o fato de eu não estar sentindo que algo assim iria acontecer.

— Perfeitamente. Sinto muito por tudo o que aconteceu com você, principalmente por você ter se relacionado com um cara que não te merece.

De repente, ela sorriu. A suavidade na sua expressão mostrava alguém que havia acabado de entrar em estado de paz. Victoria segurou minha mão e se virou de frente para mim, me olhando intensamente nos olhos e me passando um misto de sentimentos bons.

— Minha primeira experiência com amor foi um desastre total, que me prejudicou emocionalmente e psicologicamente, eu mal considero aquilo que senti, uma primeira vez de verdade. — Ela disse. — Mas Krystal… A forma como me sinto sobre você, me faz querer me aventurar nisso de novo. Parece que estou tendo uma segunda chance.

A emoção nas suas palavras estava tornando tudo naquele momento, único demais. O meu coração não conseguia se aquietar um único minuto, parecia que iria pular para fora do meu peito à qualquer instante. Comecei a me lembrar de como nós parecíamos viver em uma primavera eterna, como se tudo fosse flores e cada vez mais as suas raízes ganhavam vida dentro de mim.

Eu mal podia acreditar, que as minhas cresceram dentro dela também.

— Quando eu percebi que estava apaixonada, não me surpreendi em absolutamente nada, mas eu não imaginava que em tão pouco tempo você iria se tornar o tudo dentro de mim. — Fiz minha confissão, tendo seus olhos me analisando o tempo todo. — Eu posso ser apenas uma adolescente ingênua e inexperiente, que está amando pela primeira vez na vida, mas eu não consigo evitar de querer você mais do qualquer coisa.

Ouvimos um barulho vindo diretamente do céu. Era um trovão indicando que iria chover, pude confirmar isso quando olhei de soslaio para as nuvens e vi que todas estavam cinzentas. E nós estávamos bem debaixo delas.

— Você é poesia demais para a poeta que eu sou, Krystal. — Respondeu. — Eu já imaginava que sentia algo, quando percebi que minhas tardes sem as nossas aulas de piano se tornavam tristes demais.

Quando começou a chover, os pingos da chuva foram pouco a pouco nos ensopando, mas nem nos mexemos do lugar. Sequer ligamos para o fato da chuva nos molhar da cabeça aos pés, porque ela simplesmente não estava incomodando em nada, mas sim nos completando.

— E você é a parte mais linda de Paris.

Eu dei um passo à frente e Victoria fez exatamente o mesmo. Do seu rosto escorria os pingos da chuva e de seus cabelos encharcados também, e mesmo todas as suas roupas molhadas não me impediram de me abraçar no seu corpo, Victoria me segurou nos seus braços com tanto carinho, tanto cuidado, que eu poderia fazer deles o meu lar.

A chuva também não impediu que eu inclinasse o rosto na sua direção, para beijar os seus lábios e ao mesmo tempo, ter o primeiro beijo da minha vida na cidade mais linda do mundo.








Notas Finais


Creditando minha namorada Katarina pela frase "você é poesia demais para a poeta que eu sou" porque amo ela mais do que tudo


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