História Sonata ao Luar - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Drama, Mistério, Originais, Revelaçao, Romance
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Palavras 2.320
Terminada Sim
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Mistério, Poesias

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Essa fic é baseada na música de Beethoven "Sonata ao luar" e uma pequena parte de um sonho.
Espero que gostem dessa fic!!!
Boa leitura!!!^^

Capítulo 1 - Capítulo Único


Japão, 13 de novembro de 1996. Fazia sol. Entretanto, não estava calor. A brisa fria batia forte fazendo as pétalas da cerejeira caírem no rosto da garota que estava ali, parada, em frente a um túmulo.

Era de manhã, o funeral havia ocorrido no dia anterior, porém, não parecia, já que as flores ainda estavam frescas cobrindo o túmulo recém construído.

Ela encarou o epitáfio no mármore. As letras diziam ‘Aqui jaz Sachira Saito, amiga e filha querida”. Não chorou, não se debruçou sobre o túmulo como se fosse a amiga querida que conhecesse a moça morta. Simplesmente, estava ali observando, quieta e séria. Seu vestido era preto florido, pois em dias tristes, o preto rege o luto e as flores, o enterro.

Seu cabelo comprido e escuro cor de ébano, estava solto para o vento criar um ritmo melancólico entre fios e pétalas, representando seu estado de espírito enegrecido. Seus olhos azuis turquesa estavam vazios. Sua pele clara como neve caracterizava sua frieza.

Diante desse cenário, instantes depois, surgiu um jovem rapaz. Ele parou ao seu lado e segurava um buquê de rosas vermelhas. Vestia um terno preto que reforçava o ambiente fúnebre. Notava-se que seu olhar penetrava o mármore.

Nesse momento, a garota olhou para ele e o fez redirecionar o seu olhar para ela. Então, o jovem retribuiu, de forma educada, com um sorriso largo e longo ao vê-la. Entretanto, ela não. A atenção da moça estava voltada ao túmulo, à morte, às perdas, às dores. Ele era uma dor.

-Meu nome é Hiroshi Inoue! _Ele estendeu sua mão grande e branca, de homem honrado e forte, para cumprimentá-la.

Ela olhou a mão e não a tocou. Depois, observou os olhos cor de mel do jovem na tentativa de decifrar o que se passava nos pensamentos dele. Ainda séria, altiva e indiferente, ela disse:

-Ninguém lhe perguntou seu nome..._falou friamente.

-Eu sei, mas é uma forma de ser educado! _seu bom astral a deixava mais irritada ao ponto de não responder nenhuma das perguntas dele.

-O que você era dela? _A moça continuava muda. -Bem, ela era minha melhor amiga! Era incrível! Ahhh! Mais do que incrível! _comentava Hiroshi.

Nesse momento, ele se virou para a garota na tentativa de fazê-la se desarmar. Houve troca de olhares, e nada. Hiroshi sorria na tentativa de esconder o impacto da perda de Sachira-san e, ao mesmo tempo, de fazer uma nova amizade. Enquanto isso, a garota oculta aparentava estar em órbita, sem um sorriso se quer.

-Você não é de falar muito, né?

-Por que você quer saber sobre a minha vida? Que diferença faz, conhecer mais uma pessoa como a mim? Acho melhor você ir embora...

-Por quê? Estou curioso sim para saber sobre sua vida. E outra, você é dona desse cemitério? Desse túmulo? _ Hiroshi falava ironicamente, mas se incomodava com a fala estranha da garota.

        -E se eu te dissesse que talvez sim, eu sou dona?

        Agora, Hiroshi estava sério. Encarava aquele rosto feminino pálido. Não sabia o que falar, achava que era muito estranho uma garota que, talvez, não conhecesse Sachira-san falasse daquele jeito, era como se fosse desrespeitar o seu túmulo. Olhou para frente, deixou as rosas vermelhas no mármore e pôs-se a andar deixando a garota lá.

        -Sabe..._Hiroshi falava a alguns centímetros de distância da garota...-acho que você deveria ao menos respeitar o túmulo de Sachira, mesmo não a conhecendo. _falava se virando para a garota que agora o encarava.

        Nesse instante, ela não falou nada, mas seus olhos estavam cheios de arrependimento por ter tratado Hiroshi daquele jeito frio. Não tinha o direito de descontar nele suas frustrações e confusões psíquicas.

        Hiroshi decidiu voltar para casa. Amanhã, ele voltaria ali para aliviar sua perturbação. Virou-se, rapidamente, para se despedir dela, porém, ele já estava distante e desistiu. Depois disso, foi até o carro. Entrou, fechou a porta e partiu com o coração apertado.

Ela ficou no cemitério. Voltou a encarar o túmulo. Seus pensamentos começaram a divagar mais uma vez. Apenas queria que ele compreendesse seus motivos e sua frieza. No fundo, ela tinha consciência de que não deveria ter falado daquele jeito com o rapaz, pois ela sabia como magoá-lo, ela conhecia o espírito dele.

       

NO DIA SEGUINTE....

 

        Lá estava novamente a garota com o mesmo vestido, os cabelos soltos, os olhos azuis que encaravam o túmulo em baixo da cerejeira. Aquela cena parecia fixa no cemitério, como um retrato saudosista de algo que não se sabe explicar.

        A localidade do túmulo era maravilhosa de se ver, tudo ao redor era verde e rosa, coberto por pétalas e folhas que exalavam um perfume inebriante. Porém, esse cenário não se harmonizava com a figura estranha daquela garota.

        Para desequilibrar ainda mais o ambiente, Hiroshi chegou ao cemitério para sua visita à amiga morta. Assim que pusera seu pé para fora do carro, pôde perceber que a mesma garota estava lá, no mesmo lugar. Será que ele seria tratado de forma tão indiferente de novo? Apanhou o buquê de rosas e se dirigiu ao túmulo com muito receio.

        -Bom dia! _direcionava seu cumprimento à garota.

        -Bom dia!

        Hiroshi ficou surpreso com a retribuição do cumprimento, por isso, foi tomado pelo sentimento de ternura e passou a olhá-la com carinho, transformando, nesse momento, raiva e ódio em sentimentos nobres.

        -Nossa, por essa eu não esperava! Você...

        -Desculpe! _ela olhou profundamente os olhos dele e enxergou o quanto estava surpreendido. Isso fez com que a garota se sentisse mais próximo do rapaz.

        -Me perdoe por ontem é que...

        -Eu te entendo...

        Mas ele, no fundo, não entendia nada, pois a verdade se omitia e estava longe de ser descoberta. Só ela sabia, porém, sua dúvida era: contar para ele logo ou estender a tortura por mais tempo. Sua missão tinha prazo. Seu orgulho tomava conta de seu coração. Havia um paradoxo existencial dentro da moça.

        -Não, você não entende, é que estou aqui para cumprir uma missão, e isso acaba comigo..._falava e baixava seu rosto, a ponto de Hiroshi não ver sua expressão.

        Hiroshi não sabia ao certo o que fazer, então permaneceu ali, parado, olhando aquela figura enigmática de cabeça baixa.

        -Mas que missão? _Hiroshi ficou curioso para saber o que estava abalando a fragilidade daquela garota.

        -Vamos dizer que, conheci Sachira-san e ouvi que, antes de sua morte, você e ela haviam brigado...

        Hiroshi ficou surpreso por ela saber da briga entre ele e Sachira. A situação era dolorosa para ele.

        -Sim...nós brigamos, e, por esse motivo, vou vir todos os dias no túmulo dela, por que..._Hiroshi olhava o buquê de rosas vermelhas com os olhos lacrimejando.

        -Por quê? _a garota perguntou com angústia no rosto.

        -Eu...eu...eu me sinto culpado por sua morte..._ele se desabou no choro desalento.

        A garota não esperava essa resposta. Até agora, não havia compreendido sua missão, porém, nesse momento, tudo tinha ficado claro para ela.

         -Hiroshi...

        Vagarosamente, ela ia se aproximando do jovem rapaz.

        ...-não foi sua culpa, nunca foi, você e ela apenas brigaram, você não causou a morte dela.

        -Eu causei sim...ela era tudo para mim. E nunca saberei se representei algo para ela.

        -Hiroshi..._a garota o abraçou, tendo o objetivo de acalmá-lo, já que ele estava em prantos.

        -O que você está fazendo? _ele perguntou perplexo diante daquele abraço. Sua respiração se intensificava gradativamente.

        -Estou lhe oferecendo um abraço, o que Sachira também faria, e diria a mesma coisa...não foi sua culpa...nunca foi...

        -Como você sabe? 

        -Porque..._ela se afastou de Hiroshi e encarou seus olhos.

        ...-eu não posso contar agora..._a garota falou baixo, mas foi possível ouvi-la.

        -Como assim? _ disse o rapaz

        A garota ficou perturbada ao ponto de falar em voz alta consigo mesma: Acho que você não vai descobrir a tempo, tenho que contar a ele... se não Hiroshi nunca vai saber da verdade...quero que ele entenda...

        Hiroshi ficou confuso com tudo isso que ouviu da menina. E logo questionou:

        -Contar o quê? E o que não vou saber? E o que você quer que eu entenda?

        -Uma coisa muito importante...

        -Quê?

        -Me encontre essa noite aqui..._falava se afastando dele.

        -Por quê?

        -Por favor...apenas venha..._andava em direção a um pequeno morro perto do túmulo de Sachira-san.

        Hiroshi tentou correr atrás da garota, mas ela parecia flutuar numa velocidade sobrenatural.

        -Espere...me diga seu nome...

        No pequeno morro do cemitério, a garota, conforme se distanciava dele, falava quase que gritando:

        -Tudo será revelado esta noite, apenas venha...

        Hiroshi correu para alcançá-la com um esforço desumano. Quando finalmente chegou ao topo do morro, a garota havia desaparecido.

        -Quem é ela? E como conheceu Sachira-san?

        Hiroshi ficou angustiado com o coração pulsando de emoção e de cansaço.

       

 

        Já era noite, a lua dominava o céu escuro, deixando sua luz quebrar o breu daquela noite de revelações. A garota misteriosa estava no mesmo lugar esperando Hiroshi para revelar seu nome e toda a verdade de sua missão.

        Assim, olhou o céu estrelado, sentiu o frio da noite bater no seu rosto branco, respirou e inspirou na tentativa de se controlar e elaborar a revelação que prometera a Hiroshi.

        Naquele momento, ela se lembrou do que passara com ele. Queria muito se livrar do peso que guardava consigo desde que o vira no túmulo. Seria a oportunidade de purificar sua alma perturbada.

        Hiroshi chegou ao local. Saiu do carro levando consigo uma lanterna para iluminar o caminho, pois a lua não estava sendo o suficiente. Ele avistou a garota. Aproximou-se dela, cumprimentou-a e reparou algo inusitado:

        -Oi. Você continua com o mesmo vestido?

        Ela olhou o vestido.

        -Tenho que partir com ele.

        -Você vai embora?

        -Na hora que cumprir minha missão, sim.

        -Tá! Comece a explicar...que não compreendo até agora...

        -É uma história meio longa...

        -Então, porque me fez vir até aqui e não na sua casa?

        -É quê...com a história vai se esclarecer tudo...

        -Tá! Pode começar..._Hiroshi se sentou na grama repleta de pétalas, em seguida, a garota o acompanhou.

        -Vou começar a história, mas...por favor não me interrompe...

        -Ok!

        ‘No dia 10 de novembro, ocorreu um acidente na rua Nidrin Occitânico, em frente do colégio Isaac Newton, em Minokamo. Lembro-me de ter visto um carro, senti meus ossos se partirem numa dor indescritível e, em seguida, enxerguei uma luz branca. Não me lembro do que aconteceu depois disso, apenas sofria de uma dor inexplicável e ouvi uma voz dizendo que alguém precisava de minha ajuda depois desse acidente. E antes de ir embora tinha que contar toda a verdade e meus sentimentos a essa pessoa...’

        -Que pessoa?

        A garota o encarou feio por tê-la interrompida.

        -Desculpa, continue...

        ‘...bom como ia dizendo, a voz falou que tinha menos de cinco dias para descobrir quem era essa pessoa, e de como eu poderia ajudá-la. E também, a voz, me deu a dica, que apenas essa pessoa poderia me enxergar. Depois de dois dias do acidente, aconteceu o enterro. Fiquei sabendo que ele   acompanharia o meu corpo até ser enterrado. Por isso, fiquei aguardando a pessoa que eu tinha de ajudar. Até que você apareceu. Trazendo consigo um buquê de rosas vermelhas, minha cor favorita! No primeiro dia que o vi, fiquei brava, pois me lembrei de que você havia me machucado, sentimentalmente. Porém, também, lembrei-me de que ambos tínhamos errado.

        Você retornou. Resolvi me desculpar, mas realmente, achava que me reconheceria mesmo mudando de aparência, mas isso não tem importância agora. A missão importante que falara para você, era de te convencer que a culpa não foi sua, foi minha, pois se me desculpasse com você naquele mesmo dia, você não ficaria mal desse jeito...’

        -Eu não estou entendendo..._Hiroshi comentava ainda confuso.

        A garota respirou, tentando se concentrar no que realmente tinha que dizer.

        -Quem você ama? _disse a garota.

        -Quê? _o rapaz perguntou perplexo.

        -Por que...eu sempre te amei... _revelou a moça.

        -Como? _Hiroshi quase caiu para traz com a resposta dela.

        -Desde que você me ajudou com aqueles garotos do Ensino Fundamental, eu me apaixonei por você, pela sua audácia e pela sua bondade!

        Hiroshi não falava nada, apenas sua boca estava entreaberta.

        -Me arrependo de não ter te contado antes que eu me fosse...por isso estou aqui..._a garota se levantara, e olhava para a lua.

        Hiroshi tentou fazer o mesmo, mas não conseguia tirar o olhar da garota.

        -Então...quem é você?

        -Parece meio estranho, mas...

        A garota, olhou para o túmulo, e apontou o dedo para o nome.

        -Sachira-san?

        -Meu Hiroshi..._Sachira conteve as lágrimas de felicidade.

        Nesse momento, uma luz sobre caiu na garota para revelar sua verdadeira aparência: pele menos branca, cabelo castanho cor de mel, olhos azuis celestes e o vestido azul florido.

        Hiroshi, ainda perplexo, não acreditava no que estava vendo. Havia uma mistura de sonho, pesadelo, esperança, tristeza ao ver aquela imagem tão impressionante.

        -Sachira-san!!! _Hiroshi correu até ela, a ponto de abraçá-la.

        -Hiroshi!!!

        Ele parou na sua frente, com lágrimas nos olhos.

        -Me perdoe...

        -Você não teve culpa...eu tive...eu que fiquei com inveja daquela garota. E me distraí, não tomei cuidado ao atravessar a rua. Fiquei cega de ciúme...

        -Você me ama?_ Perguntou Hiroshi

        -Eu amo, e vou sempre amar..._ Respondeu Sashira-san.

        Ela estendeu a mão para tocá-lo pela última vez. Porém, o toque não foi possível, já que desmanchou-se aos poucos misturando-se com os raios do luar.

        -O que está acontecendo?

        -Estou indo embora, meu querido, pois cumpri minha missão...

        -Por favor não vá...

        -Me perdoe... mas se lembre...eu sempre vou te amar, e sempre estarei ao seu lado... independente da situação...eu te amo...

        -Eu também...

        E ela desapareceu, deixando corações livres de culpa...

        Com um sorriso largo e triste no rosto, Hiroshi, aliviado e saudosista, contemplava o brilho do luar se misturando com a alma de sua amada. Ela partia como uma névoa suave, pura e forte, envolvendo a lua como se fosse uma capa protetora de amor.

        -Agora...a lua brilha mais intensamente com você lá!!! Adeus Sachira-san!!! Sempre vou te amar, mesmo você não estando aqui...


Notas Finais


Espero que tenham gostado!!!
Obs: se vocês gostarem irei postar uma continuação explicando como Sachira sofreu o acidente, e como conheceu Hiroshi.
Forte abraço!!!^^


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