História Sou Luna 2 - Destinos traçados - Capítulo 5


Escrita por: ~

Postado
Categorias Sou Luna
Personagens Amanda, Ámbar Benson, Ana, Cato, Delfina, Gaston, Jazmin, Jim, Luna Valente, Matteo, Miguel, Monica, Nico, Nina, Pedro, Personagens Originais, Ramiro, Rey, Ricardo, Sharon, Simón, Tamara, Tino, Yam
Tags Gastina, Jico, Karol Sevilla, Lutteo, Pelfi (pelfina), Ruggero Pasquarelli, Simbar, Sou Luna, Soy Luna, Yamiro
Exibições 153
Palavras 4.573
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Colegial, Drama (Tragédia), Famí­lia, Musical (Songfic), Romance e Novela, Suspense, Violência
Avisos: Nudez, Tortura
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Hello, how are you?
Queria dedicar esse capítulo à minha amiga, AnaBalsano, que me falou o nome daqueles fogão sem forno embutido, que por sinal é cooktop hahaha, obrigada amiga, você é dez ♡. E também a uma leitora linda e muito fofa, GarotaAutentica, adorei conhecer você ♡.
E quero dizer que vocês são incríveis, muito obrigada por tudo, desde os leitores fantasminhas aos que sempre aparecem ♡

Boa leitura e um grande beijooo♡♡

Capítulo 5 - Fireproof


Jim

17 de Janeiro 03:23 - Buenos Aires, Argentina

Naquela madrugada eu simplesmente não consegui dormir, rolei na cama a noite toda, até que desisti e me levantei. Fui até o espelho, estava usando um pijama curto e largo. Uma lágrima desceu pelo meu rosto ao meu olhar. As pessoas diziam que eu era bonita, mas eu não consigo ver isso, só vejo uma pessoa gorda e feia. Eu estava sentindo um vazio imenso em meu coração, sentia falta do Nico, ele me fazia bem, e eu o amava, muito.

Senti minha barriga roncar, não havia comido nada no dia anterior, então fui até a cozinha, abri a geladeira e vi uma barra de chocolate.

-Não coma isso, - uma voz distante falou na minha cabeça - engorda.

Ignorei a voz e comi o chocolate inteiro, não deixei nem um pedaço sequer na embalagem.

-Você não vê que está imensa? - a mesma voz perguntou. Era a minha voz.

Passei as mãos no cabelo de forma nervosa e fui até o corredor enorme e escuro, segui até o banheiro, me olhei no espelho. Eu não gostava do que via. Minha expressão era de susto misturado com medo.

Fui andando devagar até a privada, me ajoelhei no chão e abri-a, levantei meu dedo indicador e encarei-o por uns cinco minutos. Fechei os olhos e infiei meu dedo garganta a baixo e em seguida vomitei todo o chocolate na privada.

-Boa garota - a voz disse.

Levantei minha cabeça devagar tentando me recuperar da tosse, e tentando ignorar a ardência de minha garganta e o gosto ruim. Abaixou a tampa da privada de uma vez e sentei-me no chão e me arrastei até a parede, lá eu chorei, até ficar sem ar.

                   ****

Acordei por volta das nove horas, fiquei trancada no quarto desde então. Estava me sentindo horrível, mais do que no dia anterior. Porém minha mãe não me deixou em paz, então fui tomar café da manhã - o que foi ridículo, já que coloquei-o pra fora logo em seguida - e depois Yam me ligou enquanto eu me trancava em meu quarto de novo e me sentava na ponta da cama.

-Vem pra cá, amiga - ela pedia.

-Não estou com muito ânimo. - respondi.

-Ah, Jim, por favor, você soube que hoje vai ser aberta as inscrições para o primeiro open do ano? - perguntou empolgada.

A verdade é que eu estava me sentindo tão mal que nem mesmo cantar no open com minha melhor amiga aumentava meu astral.

-É, acho que sim, não me lembro. - falei em tom de voz baixo - Mas de qualquer forma não vou participar.

-O que?! - ela exclamou incrédula. - Como assim não vai participar?Tentei achar uma desculpa o mais rápido possível. Então limpei a garganta.

-Ah, ontem quando fui subir a calçada pra entrar em casa pisei errado e torci o tornozelo - menti.

-Jim, você está bem? Foi grave? - perguntou com preocupação em evidência na voz.

-Sim, digo, não vou poder participar do open, mas está tudo bem - falei e pude ouvir ela suspirar aliviada.

-Bom, depois apareça aqui, tudo bem? - perguntou de forma doce.

-Ok - respondi e em seguida encerrei a chamada.

Joguei meu corpo em cima da cama e encarei o teto. Meu coração estava tão vazio, a cada passo que eu dava sentia-o quebrar em mil pedaços, ele doía intensamente, tanto que eu gemia de dor ao dormir. Eu estava doente, mas não queria contar a ninguém, eu tinha vergonha. A verdade é que eu estava afundando em um buraco negro, era como se eu estive no mar e as ondas me engoliam cada vez mais. Eu sentia dentro de mim que um dia isso iria acabar, e eu não iria respirar.

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Luna

17 de Janeiro 09:07 - Buenos Aires, Argentina

-Você tem que firmar os joelhos - eu falava entre risadas segurando as mãos de Marcus, o ajudando a patinar. Era um tanto cômico já que ele não tinha uma coordenação muito boa.

Marcus segurou meus braços com medo de cair, me fazendo rir ainda mais.

-Luna! - exclamou com medo - Eu vou cair.

-Não vai não - falei e comecei a girar.

Eu não consegui fazer outra coisa a não ser rir dele, sua expressão assustada, os olhos arregalados, mas tive dó, então parei as poucos, e percebi sua respiração alta.

-Calma - falei apoiando minhas mãos em seus ombros.

-Calma?! - exclamou ainda se recuperando - Isso não é pra mim, não volto a colocar patins em meus pés.

-Não seja dramático, - dei de ombros me encostando na barra ao lado dele - patinar é incrível, e mágico!

-Sim, mas essa magia não é pra mim, prefiro ficar com minha magia de Hogwarts - ele disse naturalmente.

-Então você prefere um filme ao patinar? - perguntei chocada.

-Sim, qual é o problema? - perguntou. - Você já assistiu Harry Potter? Se não, assista, tenho certeza que irá se apaixonar por essa magia.

-Não troco a magia dos patins por nada! - exclamei segura.

Marcus e eu nos tornamos amigos em pouco tempo, ele era bem divertido, e me distraía quando eu ficava triste ao pensar no Mauricinho. Apesar de termos passado pouco tempo juntos eu pude perceber que se tratava de uma boa pessoa.

-Então façamos assim, - começou - você e a magia dos patins e eu e a magia de Hogwarts.

Marcus se abaixou e tirou os patins dos pés

-Nós falamos muito a palavra magia, não é? - perguntei enquanto seguia na companhia dele até a ala dos armários.

-Você tem razão - concordou rindo baixo.

Chegando no destino me sentei no banco e comecei a tirar meus patins em concentração, até que sentir o olhar de Marcus sob mim.

-O que foi? - perguntei com a atenção voltada a meu tênis, que entrava no meu pé.

-Nada - respondeu depois de dois minutos.

Levantei-me e sorri pra ele, Marcus por sua vez sacudiu a cabeça rindo baixo. Em seguida fomos até a lanchonete, eu fui até Simón - que estava sentado em uma das mesas do mesmo lugar escrevendo algo em seu caderno - e Marcus foi até Pedro no balcão.

-Oi, amigo! - falei animada me sentando em sua frente.

Simón sorriu, fechou seu caderno e voltou toda sua atenção a mim.

-Olá, Luna, - ele fechou o rosto em uma expressão séria, mas ao mesmo tempo relaxada - quero que saiba que estou de olho em você com esse novo amigo.

-Ciúmes, Simón? - perguntei brincando e levantando a sobrancelha, ele por sua vez sorriu de lado.

-Ah, não sei, vai que você resolve virar melhor amiga dele - ele disse.

-Meu melhor amigo sempre foi e sempre será... - dei uma pausa e Simón cerrou os olhos em um meio sorriso - Hum, eu não sei quem é, você sabe?

-Acho que deve ser o Marcus, não? - ele disse em falso drama.

Dei uma risada sincera.

-Você sempre terá o lugar de melhor amigo no meu coração, e mais ninguém - acrescentei sorrindo.

Simón riu baixo e sacudiu a cabeça, ele me dizia o mesmo com o gesto.

-Eu estava com saudades de ver você assim - ele disse sorrindo.

-A verdade é que eu estou assim, porque sinto em meu coração que ele vai voltar, eu não sei quando, mas sei que vai. Duas metadas não se separam pra sempre, não é?

Simón balançou a cabeça em negação e sorriu ao mesmo tempo.

-Não, uma hora ou outra elas se encontram, e se encaixam mais uma vez - completou.

Senti minha alma acender e meu coração acelerar, foi como se Matteo estivesse presente naquele mesmo momento. Era surreal, e real ao mesmo tempo, uma mistura de euforia e calma, o sentimento único que só ele e mais ninguém me fizera sentir na vida.

                  ****

Estava na pista fazendo meu trabalho tranquilamente, quando uma mulher alta muito bem vestida, cabelo negro e liso preso em um rabo de cavalo baixo e formal se adentrou lá. Ela tinha a pele clara como a neve, e seu olhar me causou calafrios ao que ela se aproximava. Eu patinei pra trás assustada.

-Quem é você? - perguntei parando em um certo ponto.

-Juliano, - falou - a nova treinadora.

Arregalei os olhos surpresa.

"O que aconteceu com a Tamara" - me perguntei em pensamento.

-Mas e a Tamara? - perguntei à ela, ainda chocada.

-Eu sou a prima da Tamara, ela alegou querer um pouco de descanso, e me pediu para cobri-la - explicou completamente séria e em tom de voz frio. Eu permaneci em silêncio a olhando, ela era estranha, parecia ser uma pessoa dura. - Você deve ser a Luna - ela disse quebrando o silêncio.

-Como sabe? - perguntei estranhando.

-Tamara me falou de você, - ela deu de ombros - ela me disse que você é uma ótima patinadora.

Sorri involuntariamente.

-Mas você tem que ser muito melhor pra ser uma boa patinadora - ela disse e meu sorriso se desfez.

Então a moça se retirou sem dizer mais nada. Eu já estava com saudades de Tamara, mas depois de conhecer sua prima senti mais ainda.

"Mauricinho, cadê você pra me salvar disso tudo?" - reclamei em pensamento e fiz uma careta voltando a patinar.

Naquele dia o Roller estava cheio, e mesmo pelas conversas, risadas altas, o barulho, eu não pude deixar de pensar no meu Mauricinho. A verdade é que eu já não estava me sentindo tão mal como quando eu estava em Cancun, porque por incrível e impossível que pareça eu o sentia cada vez mais próximo de mim, e era por isso que conseguia sorrir verdadeiramente. As vezes eu parava pra refletir os acontecimentos do ano anterior e deduzia que Matteo era à prova de fogo, porque ninguém me salvava como ele me salvava.

Depois de algum tempo na pista senti meu celular vibrar no bolso do short, olhei em volta e quando vi que não tinha ninguém pedindo por ajuda fui patinando tranquila até a ala dos armários. Sentei-me no banco e olhei a tela, sorri involuntariamente ao ver que se tratava de uma mensagem de Matteo, um vídeo na verdade. Toquei no vídeo degavar e logo ouviu sua suave voz cantar "Siento".

-Mauricinho, assim vou morrer de amores - sussurrei pra mim mesma.

Senti meu coração acelerar mais e mais a cada verso que ele tocava e cantava. Eu pude ver o amor refletir nos olhos em seus olhos.

-Como te amo... - sussurrei.

-Aposto que está vendo uma foto minha ai - ouvi a voz de Marcus.

Levantei a cabeça e vi ele sorrir brincalhão, então pausei o vídeo e coloquei meu celular no bolso mais uma vez. Sorri pra ele um pouco sem graça.

-O que foi?! - exclamou rindo - Era brincadeira.

Assenti com a cabeça e desviei meu olhar para a parede distraída.

-O que estava vendo? - perguntou curioso.

-Hã? - perguntei aérea e Marcus riu se sentando ao meu lado no banco.

-O que estava vendo?

-Ah sim, bom, estava vendo um vídeo que meu namorado me mandou - falei o olhando sincera.

Marcus desviou o olhar, parecia desapontado.

-Não sabia que tinha um namorado - ele disse dessa vez me olhando.

-Devo ter esquecido de comentar - dei de ombros.

-Bom, tenho que ir trabalhar - ele disse e se retirou.

Foi ai que percebi que ele estava interessado em mim, e automaticamente me senti mal. Marcus era um muito legal, e bonito também, qualquer uma podia se apaixonar por ele, mas não eu, eu era completamente apaixonada por Matteo, e não podia corresponder ao que Marcus sentia, nem se eu quisesse.

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Delfi

17 de Janeiro 15:17 - Buenos Aires, Argentina

O meu dia não podia estar mais entediante, Ámbar estava com Simón, Jazmín não largava o tablet, e quando pedia pra conversar com ela, ela simplesmente respondia: "Não dá, estou conversando com o Mattías". Como pode ela me trocar por aquele cafajeste?! Então fiquei sozinha sentada em uma das mesas do Roller olhando o chão.

-Delfi? - Pedro me chamou, se aproximando lentamente.

Tentei ignorar meus pensamentos e o olhei sorrindo.

-Oi, Pedro! - respondi animada.

-Posso me sentar? - ele perguntou educado.

-Claro - respondi e ele se sentou.

Pedro colocou as mãos em cima da mesa, a olhando senti um arrepio ao imaginar aquelas grandes mãos percorrendo meu corpo.

"Para com esses pensamentos, Delfi!" - me repreendi mentalmente.

-Tudo bem? Por quê está sozinha? - perguntou amigavelmente.

-Ámbar está com Simón, e Jazmín tem um novo namorado - falei dando de ombros.

-Sério? - perguntou surpreso.

-Sim, o tablet - respondi naturalmente.

Pedro se pôs a rir, e sua risada era tão linda e suave que eu comecei a rir junto, mesmo não tendo achado muita graça do meu comentário. A risada dele era magnífica, e junto com a minha me pareceu uma boa música.

Limpei a garganta afastando meus pensamentos. Pedro por sua vez percebeu minha estranheza.

-É-é, tudo bem? - perguntou desajeitadamente fofo.

-Sim, digo, estou me afundando no tédio, mas está tudo bem. - eu disse e ele riu baixo, fiz igual - E você?

-Sim, estou ótimo na verdade, mas já que está se afundando no tédio, que tal fazer uma coisa comigo? - propôs.

-Mas o que... - tentei perguntar, mas antes disso Pedro me puxou pelo braço e me levou até atrás do balcão, onde ele costuma fazer os lanches e sucos - Pedro, o que vamos fazer aqui?

-Você gosta de cozinha, não é? - perguntou se virando pra mim, eu apenas assenti com a cabeça - Então vamos fazer um omelete!

Dei uma risada.

-Um omelete? - perguntei, Pedro balançou a cabeça positivamente empolgado, então ele se virou e pegou alguns ovos dentro da mini geladeira, com a mão livre ele colocou um deles sobre a minha. - É sério?

Pedro riu assentindo. Ele pegou um prato dentro da prateleira que tinha em baixo do balcão, e colocou sobre uma mesa de madeira extensa que também tinha lá em baixo, quebrou um ovo e pediu com um lindo sorriso para que eu fizesse o mesmo, então fiz. Em seguida ele bateu os ovos com um garfo e jogou tomate, cebola, presunto e MUITO queijo.

-Pedro, você está colocando muito queijo - falei o olhando, enquanto ele apenas jogava mais queijo. Segurei sua mão, imedindo que ele colocasse mais, então ele olhou nossas mãos e um silêncio constrangedor se formou. Arregalei os olhos, tirei minha mão de cima da dele e dei uma risada sem graça. - Já está bom de queijo.

-Mas queijo é tão bom - resmungou feito uma criança, dessa vez me olhando nos olhos.

-É sim, Pedrinho, mas não precisa de tanto - falei.

-Pedrinho - ele sacudiu a cabeça rindo.

-O que foi? - perguntei com um pequeno sorriso nos lábios.

-Nada, eu gostei - falou simplesmente.

Pedro pegou o prato e a frigideira, ele coloco-a a cima do cooktop e jogou o omelete lá. Quando o ovo batido começou a endurecer ele pegou a espátula e tentou virar, sem sucesso o omelete virou um mexido. Eu comecei a rir sem parar da expressão desapontada dele e ele coçou a cabeça rindo baixo um pouco sem graça.

-Delfi, por quê você está rindo? - perguntou rindo baixo.

-A cara que você fez foi muito engraçada - falei entre risadas altas. Respirei fundo tentando me recuperar e então continuei. - Mas como você faz aqueles omeletes lindos e perfeitos para os clientes?

-Posso te contar um segredo? - Ele disse se aproximando.

-Pode.

-Quem faz os omeletes é o Nico - sussurrou e eu ri da forma que ele falou. - É sério, eu sei cozinhar, só que nunca consegui fazer um omelete bonitinho, mas você não pode contar pra ninguém viu?

-Prometo - sussurrei.

-Mas agora você vai ter que me contar um segredo - falou curioso.

-Um segredo é um segredo - dei de ombros e peguei a frigideira, colocando o "omelete" em um prato.

-Ah, mas somos amigos, e eu te contei meu segredo. - falou se aproximando e parando ao meu lado - Você confia em mim?

Ouvir ele dizer que éramos amigos me fez sentir uma coisa estranha, estranha e não tão boa, mas quando ele perguntou se confia nele, só pude pensar que ele era a pessoa que eu mais confiava.

-Confio - respondi afastando meus pensamentos. - Bom, você não pode rir, ai mas é tão bobo...

-Eu não vou rir, - insistiu rindo baixo - e não teve ser tão bobo assim.

Revirei os olhos já me rendendo.

-Eu tenho medo de ficar sozinha - disparei. Pedro nada respondeu, então larguei o que estava fazendo e o olhei, ele ria baixo - Você disse que não ia rir.

-Desculpa, é que é tão bobo - comentou voltando seu olhar a mim.

-Eu disse que era bobo, mas você insistiu - falei um pouco irritada.

-Mas não por ser um segredo, é bobo por ser o seu segredo - ele deu de ombros.

-Como assim?

-Qualquer um teria sorte em ficar com você - ele disse sincero, senti dentro de mim que minhas bochechas já estavam coradas. - Você é incrível, Delfi.

Abaixei o olhar sorrindo tímida. Aquelas palavras eram tudo o que eu queria ouvir dele.

-Obrigada, isso foi muito legal - eu disse o olhando.

Pedro sorriu e se aproximou, ele passou os dedos lentamente em meu cabelo. Senti meu coração pular, minha pernas estavam bambas, e por isso deixei a espátula cair no chão. Pedro se afastou de pressa envergonhado. Logo em seguida me abaixei para pegar a espátula e ele fez o mesmo.

-Tudo bem eu pego... - falei, mas fui cortada por uma corrente elétrica que percorreu meu corpo quando nossas mãos se tocaram e nossos olhares se encontraram.

"Uau..." - pensei.

-Pedro! - Marcus gritou nos assustando.

Pedro se levantou de pressa, e eu permaneci agachada, absorvendo tudo o que acabara de acontecer. Me levantei devagar e Marcus abriu um sorriso malicioso ao me ver.

-N-não é o que você está pensando... - Pedro disse desajeitado.

-Ok - Marcus disse desconfiado. - É pra mesa sete. - concluiu e se retirou.

Pedro se virou.

-Desculpe por isso - falou sem graça.

-Tudo bem. - sorri - Tenho que ir agora, mas obrigada por me tirar do tédio, eu realmente me diverti muito.

Pedro sorriu lindamente.

-Por nada, sempre que estiver precisando de ajuda com o tédio vou estar aqui - ele disse de forma doce. Sorri e me virei.

-Delfi! - exclamou, então voltei a olha-lo - É... É, nós... Podíamos, assistir um filme... Talvez um... - Pedro ficava cada vez mais vermelho ao se enrolar com as palavras, então me aproximei o calando com um doce beijo na bochecha.

-Eu vou adorar - falei sorrindo e me retirei.

Seguindo até a entrada do Roller pensei em como gostava de estar na companhia de Pedro, e também pensei naquelas correntes elétricas que senti, me perguntava se ele havia sentido também.

"Talvez eu esteja me apaixonando por você..." - pensei e segui até minha casa.

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Matteo

17 de Janeiro 17:47 - Buenos Aires, Argentina

Cheguei em Buenos Aires mais exausto do que nunca, o voo tinha durado quatorze horas e meia eu mal consegui dormir, mas graças a minha linda mãe, tinha um motorista a minha espera, ele me levou até o prédio, que era muito bonito. Eu saí do carro assim que chegamos e acertei as coisas com a recepcionista, depois o motorista me entregou a mala e eu segui até meu apartamento. Ao abrir a porta dei de cara com a pessoas que eu menos queria ver sentado no meu sofá.

-O que você está fazendo aqui? - choraminguei enquanto fechava a porta.

-Esqueceu que somos gêmeos e por isso também tenho direito a um presente de aniversário? - ele disse ironicamente.

-Como posso me esquecer de um pé no saco como você? - respondi sem paciência - Mas então isso quer dizer que você vai morar aqui?

-Não, não, - ele fez uma careta - vou morar no andar de cima.

Coloquei a mão no rosto e abaixei a cabeça balanço-a negativamente e detestando a ideia de morar perto do meu irmão idiota. Levantei a cabeça novamente e vi seu sorriso irônico estampado.

-Por que minha mãe fez isso? - lamentei, então dei uma pausa raciocinando melhor - Como conseguiu entrar aqui?

Mattías soltou uma risada alta.

-Eu disse pra recepcionista que eu era Matteo Balsano e que tinha perda de memória recente - ele falou rindo.

-Não é possível que ela tenha acreditado - eu disse incrédulo.

-Pode acreditar - ele disse dando de ombros.

-Tá, mas como conseguiu a chave do seu apartamento? - perguntei erguendo uma das sobrancelhas.

-Eu disse que tinha um irmão gêmeo, daí fui até meu apartamento, aproveitei pra tomar um banho, troquei de roupa e fui pra lá de novo. - explicou. - A recepcionista é bem burrinha.

Mattías podia fazia de tudo só pra me provocar.

-Tá bom, agora vaza daqui - apontei a porta já irritado.

-Feliz aniversário pra você também, maninho - ele disse e se levantou.

-Eu ainda quero saber porque veio pra cá, mas não estou com paciência, então some da minha frente.

-Que agressivo, depois nos falamos então, senhor tpm - ele disse em tom de sarcasmo seguindo até a porta.

-Vou ignorar isso, feliz aniversário - eu disse.

-Obrigado - ele riu e saiu pela porta.

Bufei alto e me joguei no sofá, que era muito confortável por sinal. O apartamento tinha um espaço razoável, era um pouco escuro, do jeito que eu gostava. A televisão era imensa e ficava na parede, do jeito que eu gostava. Lá tinha tudo, computador, geladeira, tudo direitinho, então já soube que aquele era o apartemento que minha mãe ficava quando meu pai a enchia. Me lembro que as vezes chegava em casa no ano passado e não a encontrava, mas ela sempre voltava no outro dia, já que meu pai não viveria sem ela, e dava o braço e torcer pedindo desculpas. No fundo meu pai era um homem bom, só não demostrava comigo ou com Mattías.

                 ****

Abri os olhos devagar e esfeguei-os, olhei o relógio em meu pulso e já marcava oito e meia. Eu acabei adormecendo ali no sofá mesmo. Tirei meu celular do bolso e mandei uma mensagem para Gastón chamando ele para vir até aqui, é claro que eu estava morrendo de saudades da minha namorada, mas também estava morrendo de fome e de saudades do meu amigo, então resolvi chama-lo para me fazer companhia.

Levantei-me do sofá e fui até a cozinha - que também era muito bonita -, abri as portas do armários e não tinha nada, então optei por pedir uma pizza, peguei um filme dentro da minha mala e coloquei pra passar na tv, enquanto esperava Gastón e a pizza.

Depois de dez minutos com o filme rodando ouvi a companhia tocar, fui até a porta, mal olhei Gastón, já que ele pulou em cima de mim rindo feito um bobo.

-Ai, caramba! Que saudade que eu estava de você! - exclamou ainda me abraçando.

-Percebi - falei rindo e batendo nas costas dele.

Gastón me soltou e entrou porta dentro olhando admirado para o local.

-Uau, seus pais mandam muito bem nos presentes - comentou.

Fechei a porta devagar e me virei, Gastón já estava sentado no sofá se aconchegando lá.

-São os Balsanos - falei me gabando.

Em todos os meus aniversários eles me davam presentes sensacionais, tanto a mim como a Mattías, até mesmo meu pai, que era lembrado por seus empregados e por minha mãe, já que ele simplesmente se esquecia do aniversário dos próprios filhos, e por esse motivo eu nunca liguei para os presentes dele.

-Mas dessa vez o presente foi da minha mãe - falei um pouco sentido e me senti ao lado de Gastón.

-Brigou com seu pai? - perguntou.

-Isso já é normal, - dei de ombros - foi porque não o obedeci ficando lá com eles.

-Que barra - ele disse.

-Que nada, eu não estou dando a mínima pra isso, só quero aproveitar esse ano... - falei, porém fui interrompido pela campanhia, certamente era o entregador de pizza. Fui até a porta e como tinha pensado era o entregador, então peguei o dinheiro na minha carteira e o entreguei e ele me entregou a pizza. - Obrigado.

-Obrigado você, tenha uma boa noite - ele disse e se retirou.

-Igualmente! - exclamei e fechei a porta em seguida.

Coloquei a pizza em cima da mesa de centro e me sentei novamente ao lado de Gastón, peguei um pedaço e ele fez o mesmo.

-Então como foi lá? - perguntou seguido de uma mordida na pizza.

-Tedioso, - respondi naturalmente - eu nem podia pegar o carro do meu pai.

-Mas você vez isso escondido, certo? - ele perguntou e eu balancei a cabeça positivamente mastigando - Foi o que pensei. Você não achou um substituto pra mim, não é?

-Hum, - dei uma pausa pra terminar de mastigar e continuei - não achei, mas confesso que procurei, cara eu estou cansado de você, você é muito chato - falei sério e Gastón sorriu levantando uma sobrancelha.

-Eu que deveria estar cansado desse seu ego enorme - ele disse e eu ri.

-Mas você não se cansa, porque não tem como se cansar de mim, eu sou o cara mais incrível do mundo - eu disse convencido e dei uma piscadela pra ele que revirou os olhos rindo.

-Não sei como a Luna te aguenta, nós dois deveríamos ganhar um prêmio por isso sabia? - Gastón perguntou e eu dei uma risada boba por ter ouvido o nome dela, e ele rolou os olhos - É só ouvi o nome que já fica todo bobo.

-O amor me pegou de jeito - falei e peguei outro pedaço de pizza, Gastón deu a última mordida e fez igual.

-Nossa, que brega - comentou.

-Só eu né? - perguntei irônico. - Todos sabemos que você é o cara mais brega desse universo quando está com a Nina.

-Cala boca - ele disse rindo.

Gastón e eu ficamos conversando até a pizza acabar, depois disso a mãe dele mandou uma mensagem dizendo que a Carolina tinha caído de patins na frente do menino que ela gostava e não queria sair do quarto, então ele foi embora, e eu fui pro banho.

Depois de me banhar, troquei de roupa e peguei a chave do carro, passei pela porta e a tranquei, segui até a garagem do prédio, entrei no carro, dei partida no mesmo e segui até o Roller. Eu estava louco de vontade de ver minha Menina Delivery, não via a hora de poder tocar aquele rostinho. Assim que cheguei estacionei o carro e sai do mesmo, tranquei-o e fui seguindo até a entrada, porém ouviu um barulho de pneu e me virei, uma menina estava prestes a atravessar, ela estava distraída, e por isso corri até ela e a empurrei. A garota caiu em cima do meu peito. Nos encaramos por uns dois minutos em silêncio e sem mais ela colou nossos lábios em um beijo fervoroso.


Notas Finais


Um pouco pesado no início, mas no final ficou bonitinho ♡
O que acharam?

Até a próxima ♡


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