História Soulmate. - Capítulo 20


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Fifth Harmony
Exibições 19
Palavras 4.542
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Ficção, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Linguagem Imprópria, Nudez, Pansexualidade, Transsexualidade
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


O cap de hoje não tá lá essas coisas, eu o reescrevi umas dez vezes antes de conseguir deixá-lo assim. Deem um desconto pro tio, estou bem ocupado com os estudos e umas coisinhas pessoais também.

Enfim... aproveitem :)

Capítulo 20 - Twenty.


 

 Lorenzo Miguel

Acordei com o barulho estridente do meu celular tocando, abri os olhos e logo os fechei, havia esquecido de fechar as cortinas e a luz do sol entrava com todo o seu calor e luz no quarto. Tateei o colchão a procura do aparelho e o encontrando debaixo de minha bunda, como ele foi parar ali? Não faço a menor ideia.

:- Alô? - falei ainda meio grogue.

:- Lorenzo Miguel, eu acho bom você abrir esse diabo de porta ou eu vou derrubá-la. - ralhou do outro lado da linha.

:- Quem diabos vai derrubar minha porta?

:- Tu não brinca comigo, fantasminha.

:- Dinah? - perguntei

:- OH, quem mais seria, papai noel? Anda logo, leite azedo.

:- Espera. - levantei e caminhei até a porta, nem me importei em colocar algum short ou calça.

:- Que cena horrível, cadê suas roupas, menino? - resmungou tapando os olhos.

:- Acha mesmo que com você ameaçando derrubar minha porta eu iria colocar roupa? - perguntei arqueando a sobrancelha. - E não é como se já não tivesse me visto de cueca antes... Entre logo antes que alguém passe pelo corredor.

:- Pois vá botar um short pelo menos, não sou obrigada a olhar pra essas pernas mais brancas que as nuvens do céu.

Corri para o quarto e vesti uma samba-canção e uma regata simples e volte para a sala onde Dinah caminhava de um lado pro outro observando todo o apartamento, Léo que até agora não tinha latido ou estranhado a presenta da grandona, a observava, a cabecinha dele a acompanhava de um lado pro outro.

:- Pronto. - falei ao me sentar. - O que você está fazendo aqui? Não era só pra chegar no fim de semana? - perguntei olhando pro meu celular onde haviam trocentas mensagens de Normani, Dinah, Ally, Camila e Richard, meu Deus, por quanto tempo eu dormi?

:- Hoje é sexta se você não sabe. - falou - E eu estou aqui pra te ajudar a arrumar as coisas pro tal pedido de casamento, mas... Eu preciso ter certeza de algumas coisas. - falou séria.

:- Quais coisas?

:- Se realmente é a coisa certa para se fazer. - olhou em meus olhos ao falar. - Eu preciso saber pra quem eu estarei entregando a minha amiga, entende? - assenti e a grandona suspirou audivelmente. - Eu não sei quase nada sobre você, além das coisas que Camila me conta, mas agora eu preciso saber de você as possíveis coisas que ela não me conta.

:- Tudo bem. O que quer saber? - me ajeitei no sofá, batendo ao meu lado pra que ela se sentasse. - Eu não mordo, pode se sentar.

:- Quem é Lorenzo Miguel? - soltou. - Eu quero a parte nua e crua. Saber das coisas que você jamais contaria em voz alta, entende?

:- Eu sou um cara trans, não que isso seja algo importante, mas enfim, eu sou o cara que se apaixonou por Camila na primeira vez em que pus meus olhos sobre ela. - falei. - O Lorenzo, que na época ainda não era o Lorenzo, que estava passando por uma luta interna quando aqueles castanhos amorosos caíram sobre mim quando nos esbarramos naquele corredor anos atrás. O Lorenzo que quase teve um troço quando a porta do elevador da empresa se abriu e os meus olhos captaram a imagem que eu jamais poderia imaginar, os meus castanhos favoritos estavam ali na minha frente, ao meu alcance, e o que eu fiz? Eu fugi. - suspirei.

:- Você fugiu de Camila? - perguntou rindo.

:- Fugi, Dinah. Por umas duas ou três semanas, não sei direito. - falei simples. - Até que um dia ela me encurralou, e nós saímos para tomar um café.

:- Foi o dia em que vocês sumiram... - falou mais pra si mesma do que pra mim.

:- Isso, esse dia.

:- Por isso ela estava toda eufórica quando nos ligou, isso explica muita coisa, mas continue. - pediu.

:- Eu sou o cara mais feliz da terra, posso garantir. Aquela latina me faz tão feliz, como nunca me senti antes, e eu não tenho outra certeza além da que eu quero me casar com Camila, Dinah. Eu a amei em silêncio durante anos, mas agora eu quero poder gritar pro mundo esse sentimento que habita o meu peito e me transborda todos os dias.

Dinah me olhava com admiração, carinho, cumplicidade, seus olhos transbordavam orgulho.

:- Acho que obtive certezas demais por hoje. - falou rindo, mas seu semblante continuava sério. - Mas eu ainda preciso saber mais, porém vamos descobrindo aos poucos.

:- OK, estarei esperando pelas próximas perguntas. - falei calmo. - Você veio sozinha?

:- Sim, Mani me pediu pra vir antes e te ajudar a preparar o terreno pra amanhã. - assenti. - Você comprou a aliança?

:- SIM. - falei um pouco empolgado demais. - Eu...é, comprei. - dei de ombros.

:- E cadê? - arqueou uma sobrancelha.

:- Vem comigo. - a chamei caminhando pro quarto. - Sente-se. - apontei pra cama e logo se sentou.

Caminhei calmamente pro interior do closet, mexi em algumas gavetas e encontrei a caixinha aveludada, voltei em passos tímidos pra dentro do quarto, Dinah estava ao celular com alguém e assim que me viu fez um sinal com a mão pra que eu esperasse, assenti e sentei-me ao chão.

:- Pronto, amor, Lorenzo está nos ouvindo. - falou e eu sorri

:- Olá, Lo. - falou a morena

:- Oi, Mani. Como está? - perguntei

:- Eu estou bem mais calma que Camila pode apostar - rimos e eu senti minha garganta secar. - E você, como está?

:- Eu estou... - suspirei - Estou com medo, Normani. E se ela não aceitar? E se ela achar que isso é loucura demais? E se ela... - fui interrompido com a mão de Dinah tapando minha boca.

:- Calado, pelo amor dos deuses. Essa garota é cega por você e eu não duvido que ela atravessaria o mundo só pra ficar perto de você. Então, cala a boca e se acalma. - Dinah falou séria.

:- Tchau gente, a bunduda tá vindo. - Normani falou rapidamente e desligou.

:- Oxe. - falei rindo.

:- Capaz da Camila estar perguntando o porquê a Mani desligou o telefone tão rápido. - falou rindo.

Meu celular começou a tocar e eu arregalei os olhos, o nome de Camila piscava na tela, Dinah assentiu com a cabeça para que eu atendesse e assim o fiz.

:- Oi, amor. - falei ao atender e colocá-lo no viva-voz.

:- Oi, babe. Que saudade. - falou com a voz baixinha

:- Eu também estou com saudade, muita saudade. - falei sentindo meu peito apertar.

:- Mas amanhã eu estarei aí para te apertar tanto, te morder, te beijar, cheirar e morar no seu abraço até terça-feira. - falou com a voz embargando.

:- Amor, não chora. Por favor. - pedi e um soluço escapou, tirei a ligação do viva-voz e caminhei para a janela do quarto.

:- Eu to com tanta saudade de você que andei pensando em transferir minha faculdade e ficar mais perto de você. - falou em meio ao choro.

:- Por favor, amor, não chora. Odeio você chorando e não poder fazer nada, amanhã nós estaremos juntos. Estou ansioso para isso.

:- Tudo bem, amor, eu preciso arrumar minha mala, você fica no telefone comigo ou tem algo pra fazer? - perguntou e eu engasguei. - Amor, tudo bem? Respira devagarzinho.

:- Tá tudo bem, amor, só me engasguei com o ar aqui. - Dinah ria com a mão na boca e eu revirei os olhos. - Eu tenho que sair já já, mas eu fico com você.

:- Não precisa, vai fazer suas coisas e quando você voltar, me liga, tá bom? - perguntou e som de ziper sendo aberto ecoava.

:-Tudo bem, princesa, eu te ligo assim que chegar em casa, mas eu vou te mandando mensagens. - soltou um som nasal em concordância. - Eu amo você, até logo.

:- Eu te amo, até, boo.

E a ligação foi encerrada. Eu tremia inteiro, Dinah gargalhou em alto e bom som.

:- O que ela disse que te fez engasgar? - perguntou secando os cantos dos olhos. - E eu estou com fome, vamos sair pra comer ou você cozinha?

:- Ela pediu pra que eu ficasse com ela no telefone enquanto arrumava a mala. - respondi caminhando para o closet e trocando de roupa. - Vamos sair, nós almoçamos perto do trabalho, assim você já conhece meus amigos. - falei pegando a chave do carro e do apartamento. - Vamos, avatar. Corre. - a chamei e ela me fuzilou com o olhar.

:- Eu vou te matar, seu puto. - ralhou e socou meu ombro.

:- Ei, você é forte. - reclamei

:- Eu sou. - jogou os cabelos para o lado. - Não me teste ou eu soco essa carinha linda que você tem.

Abri a boca várias vezes, mas nada saia, apenas continuei andando até o elevador e esperando o mesmo.

:- Afinal, como você conseguiu meu endereço? - peguntei já dentro do carro.

:- Alejandro. - a olhei com o cenho franzido. - Alejandro perguntou para uma tal de Allyson e me passou.

:- Ah, isso explica. Alejandro não sabe onde moro, eu acho. - falei

Seguimos para o restaurante onde almoçava com meus amigos todos os dias, Dinah logo se encantou com a senhora dona do estabelecimento. Nos sentamos em uma mesa mais reservada e esperamos mais alguns minutos até Ally e Ric chegarem. Fizemos nossos pedidos e uma conversa descontraída tomou conta do ambiente, me relaxando imediatamente.

:- Então, gente, essa é a Dinah, namorada da Normani e amiga de Camila. - os apresentei formalmente. - Ela veio pra me dar uma mãozinha. - olhei para a mão dela e gargalhei. - Na verdade, uma mãozona, né.

:- Vai se foder, bombeiro de casa da Barbie. - caímos na gargalhada.

:- Adorei, vou aderir e até trocar sem nome aqui, Lo. - falou Richard sacando seu celular do bolso.

:- Não. Ouse. Richard. - falei entredentes.

:- Ops. - virou a tela do celular pra mim. - Já foi.

:- Filho da puta.

 

Nossos pedidos chegaram e logo começamos a comer, o silêncio era preenchido por uma melodia calma que ecoava pelas caixas de som.

:-Dinah. - Ally a chamou. - Como você está lidando com isso tudo?

:- De verdade? - Ally assentiu e eu foquei em Dinah. - Com uma puta inveja e ciúme do meu neném. Sei que Lorenzo a fará feliz e cuidará muito bem da minha amiga. - olhou-me e sorriu.

:- Eu vou sim, com certeza. - respondi firme.

:- Eu ainda não tô acreditando para ser sincero, viu. - falou Richard

:- Por que? - Dinah perguntou interessada.

:- Porque é o Lorenzo, ele é a pessoa mais fechada e reservada que eu conheço, além de ranzinza, chato, mal humorado etc - o fuzilei

:- Epa, esse seu lado eu não conhecia, fantasminha. - comentou Dinah divertida.

:- Ainda bem que não conhece, é impossível ficar no mesmo metro quadrado quando ele esteja nessas condições. É insuportável, parece uma mulher de TPM. - joguei meu guardanapo nele e eles riram.

:- Tenho que informar Camila disso, aposto que ela não sabe.

:- Oh, mas ela sabe sim. - comentou Ally. - Camila o viu num momento de fúria quando eles ainda estavam enrolados, eu nunca tinha o visto tão bravo como naquele dia, foi só os olhares se cruzarem pra ele relaxar a expressão e caminhar até ela parecendo um filhote desmamado.

:- Ei, não foi bem assim. - me defendi.

:- Foi sim, Lorenzo. Ela te amansou rapidinho. - Falou Richard. - Devo contar também que no dia em que ela voltou pra Boston, você demitiu 12 pessoas só porque cruzaram pelo seu caminho? - falou irônico

:- Você o que? - Dinah perguntou alto e atraindo atenção das pessoas ao redor.

:- Nem foi tudo isso, ele está exagerando. - reclamei

:- Estou, Ally? - perguntou para a baixinha.

:- Ele está certo, Lo, você botou doze pessoas pra correr, aquele dia você estava o próprio capeta, nem Alejandro conseguiu chegar perto de você.

:- Meu Deus, agora entendi o porquê de Camila estar de quatro por você e você por ela. Vocês são iguaizinhos. - Dinah comentou.

:- Realmente, vocês fazem um casal e tanto, Lo. - Richard concordou.

O resto do almoço seguiu com o trio me zoando, enquanto eu permanecia de cara fechada, ignorando-os. Paguei nossa conta e sai do restaurante deixando-os pra trás. Encostei no carro, cruzei os braços e fiquei ali esperando que eles saíssem. Ally e Ric acenaram de longe e seguiram pro trabalho, Dinah caminhou com um sorrisinho cínico nos lábios, revirei os olhos e entrei no carro.

:- Onde nós vamos? - perguntou assim que sai do estacionamento

:- Eu preciso encomendar comida, flores... Espera, Camila gosta de flores? - perguntei alarmado.

:- Ela gosta de flores, lírios, pra ser sincera. - deu de ombros.

:- Como no filme Imagine Me and You? - perguntei sorrindo.

:- Exatamente como no filme. - respondeu me olhando. - Eu não faço ideia de como eu vou te ajudar se não me falar do que precisa, Lo. - a olhei rapidamente, ela não havia usado nenhum apelidinho idiota.

:- Eu não sei do que preciso, eu pensei em comida e bebidas, comprar algumas pétalas e jogar pelo chão, mas Léo vai fazer uma festa e então é melhor não.

:- Pra limpar depois é horrível, melhor não. - concordei com um som nasal. - Quantos cômodos tem no apê? - perguntou

:- Cinco, três quartos, sala e cozinha. Eu acho. - respondi pensativo.

:- Porra,três quartos? - gritou e eu dei de ombros. - Algum não tá mobilhado?

:- Tem um vazio, o outro é de hospedes. - falei simples.

:- É desse mesmo que eu vou precisar. - falou com a mão no queixo. - Eu vou ligar pra Mani, fique caladinho porque Camila deve estar com ela. - assenti.

A polinésia colocou o telefone em seu ouvido e cantarolava a musica que ecoava pelo carro, parei próximo ao um parque que havia perto do meu condomínio e nós descemos. Dinah falava animadamente com Normani e eu queria ser uma mosquinha só pra saber o que elas tanto falavam. Havia um moço com um carrinho de sorvetes passando ao lado de dentro do parque, perguntei se Dinah queria um e ela negou, corri pra dentro alcançando o senhor do sorvete. Voltei pro lugar onde o carro estava estacionado e dei de cara com uma Dinah totalmente emburrada chutando o pneu do carro.

:- O que foi, Dinah? - perguntei me aproximando

:- Normani inventou que quer casar também, oras. - falou bufando.

:- E o que tem de errado nisso? - perguntei tentando entender.

:- Esse é o problema não tem nada de errado nisso, eu só não sei se tô pronta pra dar um passo tão grande como vocês. - falou baixinho. - Eu tenho medo de não ser o suficiente pra ela.

:- Olha pra mim, Dinah! - pedi. - Você acha que eu não tenho o mesmo medo que você? Eu não me acho o suficiente pra ela, olhe pra mim, o que eu poderia oferecer pra aquela mulher, Dinah? - falei batendo no peito. - A única coisa que eu posso oferecer é o meu amor, amor é tudo que eu tenho, amor é tudo o que eu sou. - meu olhos marejaram, passei as mãos pelo rosto nervosamente. - Eu sou feito de amor da cabeça aos pés, Dinah, só isso.

:- E isso é o que basta, amor. - falou pensativa. - Eu também darei um passo na minha relação com Normani, acho que já passou da hora. - assenti sorrindo. - Obrigada, branquelo. - assenti. - Agora vamos ao shopping, eu preciso comprar algumas coisas pra decorar aquele seu quarto vazio.

Entramo no carro e dirigi pro shopping do centro da cidade, Dinah ia mudando todas estações até achar uma que estava passando Beyoncé e deixou, performando dentro do carro, jogando os cabelos pra todos os lados, e eu sorria com a cena. Dinah era uma figura.

Andamos pelo shopping inteiro atrás das coisas que Dinah queria, meus pés já estavam reclamando de dor e eu já estava ficando com fome, Camila me ligou enquanto Dinah procurava algumas almofadas pra jogar pelo chão para enfeitar o comodo, dei uma desculpa de que estava fazendo pesquisa de campo pra um novo projeto e a latina perguntava interessada por cada coisa, não era ao todo uma mentira, mas eu não poderia ficar no telefone com ela o tempo em que eu estivesse no shopping com Dinah. E então desligamos, depois de muita reclamação da minha latina.

:- Dinah, já acabou? - perguntei impaciente, rodeado de sacolas de todos os tamanhos. - Eu não quero nem ver o arrombo que você fez na minha conta... - falei calmamente. - O que mais você fez?

:- Comprei velas, incenso, algumas almofadas pra enfeite e depois você as joga no seu sofá, vai combinar com seu apê, Lo. - falou animada demais. - Ah, também temos que ver convites.

:- Opa, espera. Convites? - perguntei afobado. - Dinah, eu nem sei se ela vai aceitar o meu pedido.

:- Cala essa boca, mas que caralhos. - resmungou. - É claro que a dona tanajura vai aceitar, ela te ama pra caralho pra não se casar contigo, e se ela não casar, eu caso. Oxe. - falou me arrancando uma gargalhada. - É isso aí, é esse som que eu quero ouvir daqui para frente. Agora vamos embora porque tô é morta.

Saímos carregando trocentas sacolas tropeçando nos próprios pés e rindo que nem retardados.

O caminho pra casa foi tranquilo, com Dinah cantando e performando como sempre.

:- Dinah? - respondeu com um som nasal. - Você já pensou em ser cantora? - perguntei interessado.

:- Não, apenas Normani e meu chuveiro me ouvem cantar, e agora, você. - respondeu dando de ombros.

:- Você tem uma voz bonita. - a elogiei.

:- Obrigada! - agradeceu e desviou os olhos pra paisagem.

O caminho foi regado a piadinhas e implicâncias, da parte de Dinah, é claro e eu só retrucava suas piadinhas sem graças. Logo nós estávamos saindo de um elevador abarrotados de sacolas arrancando risadas do vizinho que correu pra nos ajudar. O agradeci quando peguei a última sacola de sua mão e recebi um abraço do senhor gentil.

Voltei pra dentro do apartamento não encontrando Dinah, dei de ombros e caminhei pra a cozinha preparar algo pra comer, estava faminto.

:- Ô, você está aí. - falou ao entrar na cozinha.

:- E onde mais eu estaria, ué? - falei rindo. - Quer comer?

:- Nah, estou bem. - sentou-se no banquinho de frente pra bancada. - Acho que você vai gostar do que fiz no quarto, Normani adorou e está surtando.

:- Já? - perguntei boquiaberto.

:- Sim, eu sou rápida. - respondeu fingindo que lixava as unhas.

:- Menos, Dinah. - falei rindo. - Cadê suas coisas? - não havia notado a polinésia com alguma mala.

:- Está num hotel aqui perto. - respondeu dando de ombros.

:- Ligue lá e peça pra que cancelem sua estadia, vamos buscar as suas coisas. - falei firme.

:- Não precisa, Lo, e eu também não quero atrapalhar sua rotina, amanhã as meninas chegam e tenho certeza que Camila vai ficar grudada em você feito filhote de macaco.

:- Nós vamos, Dinah. Eu avisei a Mani de que vocês ficariam aqui. - falei firme e ela bufou.

:- Ok, mais tarde nós vamos, eu posso dormir um pouco? - perguntou bocejando.

:- Claro. Fique a vontade. - falei sorrindo.

:- Tente descansar também, você precisa. - falou dando-me um beijo na testa e caminhando pro quarto.

Dinah se foi pro quarto de hospedes e eu me larguei no sofá da sala, Léo logo se aproximou aconchegando-se em meu colo, todo cheio de manha. Acabei pegando no sono também, acordei algumas horas depois com a campainha do apartamento tocando, caminhei até a porta ainda sonolento e dando de cara com Alejandro acompanhado de Sinuhe e Allyson ao lado com uma carinha de culpada.

:- Olá, Lorenzo! - Sinuhe me cumprimentou com um sorriso terno nos lábios.

:- O-olá, por favor, entrem. - abri espaço pra que eles passassem. Fechei a porta atrás de mim, e caminhei pra sala sendo acompanhado por eles. - Sentem-se. - apontei pro sofá.

:- Antes de tudo, quero pedir-lhe desculpas por aparecer assim sem avisar e ainda mais, arrastando Ally comigo, mas nós precisamos conversar com você. - Alejandro falou firme e assenti.

:- Claro, querem beber um café, suco, chá ou uma água? - ofereci.

:- Eu estou bem, obrigado, rapaz. - Alejandro falou calmo.

:- Eu aceito um suco, por favor. - falou Sinuhe e eu assenti

Caminhei rapidamente pra cozinha, eu estava tremendo e soando frio, Ally agarrou-me por trás me transmitindo segurança.

:- Se acalme, Lo. Por favor. - Ally pediu sorrindo.

:- É meio complicado, né, passarinho. - falei rapidamente.

:- É só um pedido, não tem com o que se preocupar e você precisa conhecer a mãe de Camila, né cabeção. - falou séria.

:- Eu sei, mas eu não achei que seria assim, né. - falei passando a mão pelo cabelo.

:- Deixe que eu levo esses copos ou irá tudo pro chão. - falou pegando a bandeja de minhas mãos.

:- Obrigado. - agradeci e saímos da cozinha.

Voltamos pra sala e Dinah estava sentada no chão com o Léo em seu colo.

:- De onde foi que você surgiu? - Ally perguntou pra Dinah que gargalhou.

:- Eu estava dormindo, acordei com esse pestinha aqui lambendo minha mão. - respondeu acariciando o meu bebê.

:- Oh, sim. - Ally disse.

As duas foram pra varanda pra nos dar privacidade e um Léo afobado se enroscando nas pernas de Dinah.

:- Então... - Sinuhe quebrou o silêncio. - Como o nosso jantar não deu certo, e Camila chega amanhã, eu pedi pra que Alejandro me trouxesse até você. - falou simples.

:- Não assuste o rapaz, Sinu. - Alejandro falou acariciando a mão da esposa.

:- É... ahm, tudo bem. - olhei pra Dinah e Ally que seguravam a risada olhando-nos pela brecha da porta. - Creio que devo fazer meu pedido formalmente. - falei baixo.

:- Alejandro me contou algumas coisas sobre você, mas eu preciso conhecê-lo por mim mesma. Concorda? - falou com um sorriso terno nos lábios.

:- Sim, a senhora tem razão. - falei prontamente.

:- Quem é você, rapaz? - a olhei calmo. - O que realmente pretende com minha filha? - perguntou direta.

:- Eu a amo, dona Sinu. Amo com todo o meu ser, com tudo de bom que há dentro de mim, Camila trouxe-me de volta à vida. - falei firme, sem desviar nossos olhares. - No começo eu tentei fugir, mas acabei me rendendo, todos os dias eu me apaixono um pouco mais por aquela menina-mulher. Eu me sinto a pessoa mais foda do mundo ao lado dela, perdoe-me pelo palavreado, mas não acho outra palavra pra se encaixar. Com ela ao meu lado, sou mais forte. Não há nada que eu não possa fazer quando ela está comigo, com os dedos entrelaçados aos meus, os olhos focados nos meus, ou aquele sorriso maroto quando ela está orgulhosa de algo. E quero pedir-lhe a mão de Camila formalmente, assim como fiz com Alejandro. - olhei para os dois que trocaram olhares e sorrisos cúmplices. - Dona Sinuhe e Alejandro, com a permissão de vocês, desejo me casar com Karla Camila e fazê-la a pessoa mais feliz enquanto houver ar em meus pulmões e amor dentro de mim. - soltei o ar que nem sabia estar segurando. Olhei pra baixo apertando meus dedos.

Desviei os olhos de minhas mãos tremulas e respirando fundo algumas vezes, meus olhos encararam meus sogros que sorriam não apenas com os lábios, mas também com os olhos. Ally e Dinah entraram correndo pulando em cima de mim fazendo tombar para fora do sofá, com largos sorrisos, expressões de orgulho e felicidade, retribui com gosto.

:- E ENTÃO, TIA? - Dinah berrou.

:- Concedo-lhes a minha benção, seja bem-vindo à família, Lorenzo.

Um coro de aleluia soou e olhei pra direção de onde vinha e Dinah tinha seu celular em sua mão com o rosto de Normani aparecendo, os olhos marejados e brilhosos indicavam a emoção da negra, Ally e Dinah cantavam com ela em pleno pulmões e eu só conseguia rir, sendo acompanhado de meus sogros que negavam com a cabeça.

:- Bem vindo à família, fantasminha. - Dinah apertou-me em seu abraço de urso.

:- Obrigado, avatar! - devolvi o apelido recebendo um olhar mortal da maior.

:- AGORA NÓS TEMOS UM CASAMENTO PRA PLANEJAR! - gritou Normani do outro lado. - VAMO MEU POVO, LEVANTEM ESSA BUNDA DAÍ QUE DAQUI A POUCO A NOIVA CHEGA!

Começamos a rir da afobação de Normani, claramente ela não estava brincando quando berrou mais algumas coisas que eu não fui capaz de compreender.

Sinuhe e Alejandro foram embora, alegando que iriam buscar as meninas no aeroporto na manhã do dia seguinte e que estavam felizes em me receber em sua família.

Dinah e Ally estavam ao telefone ainda com Normani. Encostei-me na ilha que dividia a sala da cozinha e fiquei observando-as interagindo, ri negando com a cabeça indo em direção ao meu quarto pra tomar um banho e relaxar. Poucos minutos depois voltei pra sala encontrando-as deitadas no sofá, olhando algo em meu notebook.

:- O que vocês estão fazendo? - perguntei ao me aproximar.

:- Porra, Lo! - Ally gritou colocando a mão sobre o peito e eu gargalhei. - Vai ter volta, viu? Fique ciente disso.

:- Desculpe, Allycat, não foi a minha intenção. - falei sincero, deixando um beijo no topo de sua cabeça.

:- Estamos olhando vestidos e ternos pros noivos. - Dinah falou

:- Mas isso não tem que ser eu e Camila? - perguntei pendendo a cabeça pro lado.

:- Sim, tem. - falou firme. Porém, eu quero dar-los à vocês. - respondeu com um sorriso.

:- Por que? - perguntei com um sorriso brincando em meus lábios.

:- Porque há anos nós planejamos isso com Camila, prometemos que quando alguma de nós nos casasse, nós daríamos os vestidos, e no seu caso, o terno/paletó. - falou emocionada. - E eu ainda não acredito que minha menina irá se casar. - secou os cantos dos olhos. - Espero que vocês sejam muito felizes.

:- Nós seremos, Dinah, eu lhe garanto. - respondi firme, puxando-a pra um abraço apertado. - Ally? - chamei a pequenina que nos observava.

:- Sim? - respondeu com um sorriso.

:- Junte-se a nós, por favor. - pedi e prontamente ela nos abraçou com seus pequeninos e amorosos braços. 


Notas Finais


All the love,
Et.


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