História Soulmate - Capítulo 4


Escrita por: ~

Postado
Categorias My Chemical Romance
Personagens Frank Iero, Gerard Way
Tags Frank Iero, Frerard, Gerard Way, MCR, My Chemical Romance
Exibições 28
Palavras 4.138
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Lemon, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Yaoi
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Desculpa a demora, a vida ta meio corrida :(
Espero que não tenham desistido de mim

E tem encontro frerard nesse capitulo \o/

Boa leitura <3

Capítulo 4 - British rockstar



Quando você completa vinte e cinco anos, espera ter ao menos um emprego razoável e uma vida um pouco mais madura do que há dois anos atrás. Mas se você namora com um músico com o nível de maturidade muito baixa, não espere que sua vida seja normal. Porque realmente não vai ser. 


Já fazia um ano que estávamos juntos. Para Brian, um ano com uma única pessoa é quase como uma tortura, então as vezes eu precisava lidar com certas traições. Pois é, um ano inteiro sabendo que não sou o único a dormir com o meu namorado. Se isso machucava? Isso me deteriorava! E porque eu decidi sofrer tanto, em vez de terminar o namoro? Porque eu o amava! 
E não importa o que aconteça, quando você ama, você se faz de cego quando é necessário, apenas aturando tudo. Naquele tempo, ignorei Jared me avisando que não era certo eu me relacionar com pessoas desse tipo, mas na realidade, eu queria me obrigar a deixar de ama-lo para amar um outro alguém, e Brian apareceu, então não perdi a oportunidade de fazer meu coração bater por ele. 
Mas minha vida tinha virado uma bagunça. Não tinha mais Jared para dividir o apartamento, meus pais não pagavam mais minhas contas, fui demitido do meu emprego por dormir durante o expediente (graças à um show da banda de Brian na noite anterior que durou até de madrugada), estava virando um alcoólatra e estava perdidamente apaixonado por um músico sem noção. 

-A gente poderia fazer alguma coisa hoje à noite, faz tempo que não saímos só nós dois. –Minha voz preguiçosa era fruto de um momento que não era normal acontecer entre eu e Brian. Estávamos deitados na cama, escutando o som da chuva lá fora e apenas aproveitando a companhia um do outro. Para qualquer casal, isso é algo natural, mas para nós, era completamente raro. –Sinto saudade de nossos jantares. 


Realmente sentia falta de um relacionamento normal, aquele britânico não fazia ideia de como é ter uma vida a dois e isso me irritava. Eu sempre fui mais atencioso do que ele, mas será que depois de um ano, ele não conseguia entender que eu também faço parte de sua rotina? Estava claro em seu semblante que essa era a hora de me magoar... Como sempre. 

-Não posso, tenho um show em um bar às oito. –Deu de ombros, como se não tivesse dito nada demais. Esticou o braço para pegar o controle remoto no criado mudo e ligou a televisão do quarto, estragando o clima de antes. 

-De novo, Brian? –A exaltação em minha voz era quase raivosa, fazendo-o olhar para mim um pouco assustado. –Já é o terceiro essa semana. 

-Alguém tem que pagar as contas, Gerard. –Falou, aquele sotaque carregado fazendo-o ficar com um ar de indiferença. –Você deveria estar procurando emprego e não aqui comigo. 

Se tinha uma coisa que eu odiava nele, era o fato de dizer as coisas sem se importar com os sentimentos dos outros. Apertei minhas pálpebras, respirando fundo, tentando me manter calmo, não queria transformar aquilo em discursão e voltar ao nosso cotidiano, onde todo dia brigávamos, ele saia e transava com qualquer um, voltava para casa e me encontrava bêbado na sala, havia a reconciliação, o sexo e depois brigávamos de novo... Sempre a mesma coisa, e eu já estava exausto disso.

Eu conseguia entender o fato dele ter saído da Inglaterra para tentar a sorte com a música na América, era óbvio que seu sonho é importante e ele faria qualquer coisa para realiza-lo. Mas, Brian não pensava muito na vida pessoal, achava que se a música estava bem, então ele também estava bem e o fato de existir alguém que se importa com ele era irrelevante. Porra, eu não sabia mais o que fazer. Na verdade eu não entendia nem a mim mesmo, não existia um motivo para que eu ainda o amasse, ele apenas me machucava e não se importava. Mesmo assim, meu coração batia forte quando eu estava com ele. 

-Você vai ficar calado aí? –Perguntou indelicadamente, enquanto acendia um cigarro. –Eu não estou brincando, você deveria trabalhar, não posso segurar as contas para sempre. O apartamento é seu, não meu. 

“É, mas você também mora aqui agora” Tive vontade de responder, mas preferi me manter quieto, ele teria alguma resposta na ponta da língua para me deprimir, provavelmente sobre Jared ter ido embora, como sempre fazia. Não aguentaria mais seus discursos sem fundamento, eu já estava procurando trabalho, mas isso exigia tempo e paciência. 

Para fugir de suas sinceridades, achei que era melhor espairecer longe dele. Levantei-me, indo em direção ao armário, pegando um jeans qualquer e um casaco, vestindo rapidamente, sob o olhar dele. 

-Você realmente vai sair nessa chuva? –Não era preocupação, Brian não se importava mesmo, sua expressão me dizia isso. –Se você ficar doente, não espere que eu compre remédios. –Sua insensibilidade era picante e ardida, aquela dorzinha no coração só crescendo quando ele riu sarcástico e completou sua linha de ofensas. –E também se ficar bêbado por aí, não me ligue para busca-lo. 

Eu assenti, sorrindo irônico. Busquei meus tênis embaixo da cama e os calcei, assim que me levantei, indo em direção à porta, escutei seu chamado, aquele “Psiu” ecoando pelo quarto. Virei-me, encontrando-o sorrindo malicioso, e quase o xinguei por aquilo. Ele sempre fazia isso! Não importa se foi uma briga mínima, quase imperceptível, mas ele sempre dava um jeito de transar depois, para fingir que tudo estava bem. Mas nunca estava. 

-Você vai sair sem se despedir? 

-Vou. –Curto e grosso. Era disso que Brian precisava para sentir que eu não estava afim dessa vez. Assim que meus passos apressados me guiaram para a porta, escutei Brian vindo atrás de mim, antes que eu pudesse girar a maçaneta, ele agarrou um de meus braços em um pedido mudo para que eu não fosse. –Me solta. –Pedi irritado. –Brian, eu não quero brigar, só preciso dar uma volta. Por favor, me solta. 

-Eu também não quero brigar. –Disse, chegando mais perto de meu corpo, envolvendo os braços em meus ombros e se aproximando de meu ouvido para começar a sussurrar. –Quero ficar de quatro pra você. –Mordeu o lóbulo de minha orelha e eu quase cedi, quando minhas mãos se moveram para segurar sua cintura, mas minha determinação foi maior e eu as contive. –Quero sentir você todinho dentro de mim a tarde inteira. –Colou o corpo no meu, esfregando-se minimamente. –A noite vamos ao show e nos divertimos um pouco no backstage e depois voltamos para nossa cama. –Beijou meu pescoço, fazendo-me quase perder o controle. –O que você acha disso? 

-Brian, nem tudo pode ser resolvido com sexo. –Meu sussurro foi tão grave, que pude assistir os pelos da lateral de seu pescoço ficando eriçados. –Por favor, só me deixa sair e pensar um pouco. –Pedi, empurrando-o levemente pelos ombros. Ele me soltou e passou a me olhar confuso. –Estou cansado disso, se continuarmos assim, vou acabar enlouquecendo. 

-Às vezes eu penso que você acha que eu não gosto de você. 

-E você gosta? –Minha pergunta foi tão áspera que pude assisti-lo fechando os olhos com uma expressão dolorida. –Acho que você gosta de ter um lugar para morar e não um namorado que te ama. 

-O quê? Gerard, não fala isso, eu gosto de você! –Suas mãos agarraram meus braços desesperadamente, como se me forçasse a acreditar nele. –Eu sei que sou difícil de lidar, mas... 

-Mas o quê? –Meu sangue fervendo era o sinal de que logo estaríamos gritando um com o outro, isso me irritou só de imaginar, porra, eu só queria sair em paz. 

-Mas... –Sua voz ficou presa na garganta, claramente querendo falar algo que seria ruim para eu escutar, mas ele não se importava mesmo. Foda-se se suas palavras doíam, pra ele sempre estava tudo bem. –Você também não ajuda, Gerard. 

-EU O QUÊ? –Meu grito furioso foi mais estrondoso do que eu imaginaria. Mas eu precisava gritar, porra, eu precisava mesmo. E não, definitivamente não me abalaria com os olhos marejados dele, os ombros encolhendo indefeso e a expressão de medo. Estava frustrado demais com toda aquela merda, e meu grito foi quase como um alivio. –Porra! Brian, eu... Eu... Ah, caralho! –Os xingamentos sem sentido misturando-se com as frases que se perdiam entre o caminho do meu cérebro até as cordas vocais soava como um animal raivoso, e o soco na parede completou a ferocidade que nunca expus diante de Brian. –Só... Brian, só preciso dar um tempo fora daqui. 

E foi o que fiz, saí batendo a porta com força, deixando um Brian desolado para trás, ignorei meus malditos vizinhos curiosos olhando pela fresta da porta de seus apartamentos e segui para fora do prédio, dando de cara com aquela chuva forte e trovões arrepiantes. Não me importei com aquele clima e o fato de ser o único louco andando na rua naquele diluvio em pleno sábado. Mas eu só precisava ficar sozinho, pensar e beber. 

Apesar de meu sangue ainda estar fervendo de raiva, comecei a tremer de frio quando uma rajada de vento passou por mim e a chuva ficou mais pesada, era quase impossível enxergar algo com toda aquela tempestade, então corri completamente ensopado para onde eu já estava habituado a ir. 

Entrei no bar da esquina do meu prédio o mais rápido possível, recebendo olhares desaprovadores das garçonetes por estar tão molhado e com os pés sujos de lama, mas por sorte a maioria delas já me conheciam por terem que ligar várias vezes pra Brian enquanto eu estava “morto” no chão do banheiro ou até mesmo largado no meio do bar. Bom, de qualquer modo, hoje eu não me mataria de tanto beber, só precisava me isolar e dar poucos goles em uma cerveja... Aliás, eu nem tinha dinheiro para pagar por uma cerveja. 

O local estava quase deserto, provavelmente por conta do tempo lá fora, só tinha um casal em uma mesa no canto que pareciam ter se aventurado pela chuva também, quatro adolescentes em outra mesa e dois homens perto do balcão. E como já era de costume, fiz meu caminho para o balcão, sentando-me nos banquinhos altos e sorrindo para Stefan, o barmen, que veio até mim revirando os olhos.

-Se vocês brigaram outra vez, fique sabendo que não estou com paciência para ser seu psicólogo hoje, meu ombro já está doendo de tanto que você chorou nele na última vez. –Stef e seu ótimo bom humor de sempre... Apesar disso eu ainda conseguia acha-lo um cara legal, apenas ri de sua expressão séria. –Vai querer o que Sr. Way? –Nada melhor do que um sarcasmo vindo de Stef para me alegrar. –O nível da briga foi Vodca pura ou cerveja? 

Abri a boca, pronto para responder, mas uma terceira voz me surpreendeu e essa foi a coisa que eu menos esperava em toda minha vida. 

-Gerard? –Aquele chamado fez-me paralisar, pensei que era coisa da minha cabeça, mas realmente não era. –Gerard, é você! –Ele exclamou tão alto que agora sabia que era impossível não ser real. Olhei para o lado, vendo-o saindo de seu banquinho. 

Era exatamente como eu me lembrava, ele não tinha mudado nem um pouco. Até mesmo o sorriso bonito, as sobrancelhas arqueadas, o brilho naqueles olhos, o jeito espevitado... Tudo! Não tinha como duvidar que Frank estava na minha frente. E eu sorri. Sorri como se tivesse acabado de ganhar milhões de dólares, meu coração parecia que ia sair de minha boca, aquela ansiedade deixando-me anestesiado. Queria correr e abraça-lo, falar o quanto senti sua falta, mas eu não conseguia nem mesmo me mexer. Eu só olhava e olhava, como se fosse uma miragem rara e preciosa. 

Foi ele que se aproximou, tocou levemente em meu ombro, sussurrando um “vem cá”. Obedeci o mais rápido possível, o pulo que dei do meu banquinho para evolver-lhe em meus braços foi instantâneo. A sensação boa de estar sentindo seu corpo quente tão colado a mim, seus braços me apertando como se sua vida dependesse disso e era quase como se realmente dependesse. Eu sonhei por tanto tempo por esse abraço, queria ter ao menos me despedido dele dessa forma, me arrependia tanto do que fiz, mesmo que eu não soubesse ao certo o que foi. Merda, não sabia o que pensar naquela hora, eu só sentia, sentia como nunca senti na vida, era algo tão envolvente e bom, como se tivessem arrancado a saudade de meu peito e colocassem alivio e felicidade. Ah, Frank, eu estava tão perdido sem você! 

-Caralho, isso é tão louco! –Falou baixinho, perto de meu ouvido, soltando aos poucos os braços de mim, para poder olhar-me a face, ao qual não deixei de sorrir e permaneci contente por vê-lo da mesma forma. –Gerard, eu... Ah, eu te procurei e agora... Merda, não dá para acreditar nisso. –Aquela confusão em sua fala era a mesma de minha mente. 

-Não dá mesmo para acreditar. –Disse apenas por dizer, não sabia como reagir com ele na minha frente. Eu deveria gritar e falar o quanto fiquei puto com ele por nunca ter me dado explicação? Ou deveria agir como se nada tivesse acontecido e fosse apenas o encontro de antigos amigos de colégio que não se veem a anos? Queria fazer as duas coisas ao mesmo tempo, mas... Não sabia mesmo o que falar, ainda mais com ele analisando meu rosto como se conferisse se cada marquinha e sinal estivessem no mesmo lugar. Olhei-o dos pés à cabeça, apenas para ter certeza de que ele era real, mas isso só me fez ver que eu o molhei no abraço, já que antes ele estava completamente seco. –Porra, eu te molhei, desculpa Frank! 

-Está tudo bem, calma. –Sorriu parecendo não se importar mesmo com isso. –A gente precisava desse abraço. 

Desgraçado! Sim, precisávamos desse abraço a anos atrás. Mas... Porque eu não conseguia ter raiva dele quando estava diante de mim? 

-Nossa, faz um tempão não é? Como você está?

-Eu estou ótimo, na verdade. –Respondeu realmente animado. –As coisas estão começando a dar certo para mim. E você, já conseguiu se tornar o novo Van Gogh? 

Sabia que sua pergunta era inocente, ele sempre me apoiou quando eu dizia que queria seguir o ramo artístico, a culpa não era dele de me perguntar isso, mas... Isso doeu um pouco. Eu estava longe de conseguir o que queria, na verdade, eu até que tinha me conformado que nunca daria certo, ultimamente só conseguia trabalho em lanchonetes, então apenas deixei meu sonho para segundo plano... Enfim, minha expressão triste não conseguiu ser disfarçada, e meu fracasso não precisou ser exposto quando o assunto passou a ser o homem que se aproximou de nós e envolveu seus ombros, dando um leve susto em Frank e fazendo-o sorrir ao olhar para ele. 

-Ah é, quase tinha me esquecido. –O sorriso de Frank era tão enorme que comecei a desconfiar... Ainda mais quando notei a mão envolta na cintura do rapaz e passou a falar com ele. –Steve, lembra que eu falei do meu melhor amigo no colegial? –E o homem assentiu. –Então, aqui está ele... Steve esse é Gerard. –A mão de Steve se esticou em minha direção enquanto sorria educadamente. –Gerard, esse é Steve, meu namorado. 

Se antes eu estava confuso, agora Frank tinha conseguido me deixar louco! 

Nunca em sã consciência que aquele garoto que convivi durante sete anos de minha vida daria sequer um beijo em outro garoto. Nunca! Não que ele fosse preconceituoso ou algo do tipo, mas ele me disse milhares de vezes que não faria isso, que sempre se sentiu atraído por garotas e porra, eu sabia sobre todas as suas relações sexuais naquela época, ele realmente amava mulheres! 

-C-como é que é? –Minha voz surpresa saiu esganiçada, em um som fino e engraçado. –Ele é s-seu... Amigo? 

-Não, ele é meu namorado. –Frank repetiu, rindo abertamente. Steve a esse ponto já tinha recolhido sua mão ao notar que eu não apertaria tão cedo. 

-Namorado da sua irmã? –Queria a todo custo ter escutado errado. 

-Gerard, eu não tenho uma irmã. –Ele riu mais alto ainda, encostando-se no peito de Steve, escondendo o rosto, mas logo voltou para me olhar. –É tão difícil assim de acreditar? 

-Você não é gay! –Exclamei como se isso fosse a coisa mais óbvia do mundo, e bom, para mim era. 

-Talvez eu seja um pouco gay. –Deu de ombros. 

Não tive tempo nem de perguntar o que tinha acontecido durante todos esses anos, tentar entender como ele de repente começou a se sentir atraído por homens, queria saber se era apenas por Steve ou teve outros antes... Queria sentar e escutar tudo o que ele fez, igual fazíamos antigamente quando passávamos algum final de semana sem nos ver e precisávamos contar tudo um para o outro depois. E... Merda, amaldiçoei Steve por ter atrapalhado. 

-Amor, é melhor irmos para o aeroporto, temos que ter certeza sobre o nosso voo por causa da chuva. –Falou baixinho, curvando-se um pouco para que Frank escutasse melhor. E ele apenas assentiu. Aquele momento me deixou tonto, não sabia se era por ver um homem chamando Frank de “Amor” ou se era a forma que Frank sorria para ele... Aquilo era tão estranho. –Eu vou indo para o carro enquanto vocês se despedem. –Avisou e logo em seguida me olhou, esticando a mão novamente, a apertei e recebi um sorriso vindo dele. –Foi um prazer conhece-lo, Gerard. 

-Igualmente. –Foi tão monótono, que mal reconheci minha voz robotizada. Assisti Steve saindo do bar e correndo até o carro estacionado do outro lado da rua, querendo se proteger da chuva. Agora era eu e Frank... Tinha tanta coisa para falar, mas pouco tempo para tudo. –Vocês dois parecem felizes. –Meu comentário foi sussurrado, como se eu não estivesse preparado para dizê-las. Precisava admitir que até senti um pouco de inveja, eles realmente pareciam bem um com o outro, enquanto eu e Brian vivíamos em guerra. Aquele pensamento me fez suspirar. 

-É, a gente está se saindo bem. –Sorriu simples e fez uma pausa, colocando as mãos no bolso da calça, enquanto mordia o lábio inferior e franzia a sobrancelha inquietamente, aquela mania clara que nunca havia abandonado, denotando que ele queria falar algo, mas estava sem coragem para isso. –Eu não queria comentar sobre isso... Mas é que querendo ou não acho que ainda te conheço bem o bastante e vejo que você está um pouco... Triste? Ou abatido? Ahn, não sei, mas parece ter algo errado. 

-Não se preocupa, eu estou bem. –Respondi rapidamente, quase não deixando-o terminar sua frase. Ele me olhou angustiado, mas por fim assentiu. Não sei porque, mas achei que ele deveria pensar que não tinha mais nada a ver com minha vida, portanto não era minha obrigação contar algo, e de algum modo me senti satisfeito por isso. –A gente vai se ver de novo? 

-Claro! –Seu semblante mudou tão rápido que quase me assustei, o sorriso grande voltando ao seu rosto. –Agora que te achei, não quero te perder outra vez. 

Não! Não! Não! Porque ele falava essas coisas? Seu objetivo era me deixar mais confuso e atordoado? 

-Eu estou morando na Califórnia com Steve, mas a gente sempre vem pra cá, a família toda dele mora aqui e Jersey é do lado, então aproveito para ver minha família também. –Disse um tanto rápido, tirando o celular do bolso. –Se não houver problemas, eu posso te ligar quando estiver aqui e a gente se encontra. 

-Por mim tudo bem. –Respondi dando de ombros, já sabendo que nossa conversa estava chegando ao fim. Ele me entregou o celular e eu digitei meu número para que salvasse em seus contatos. Senti meu coração apertar por lembrar da última vez que ele havia me ligado e fui um idiota. 

-Bom, agora tenho que ir, o voo é daqui a pouco, não posso me atrasar, o Steve me mataria. 

Eu assenti e deixei que ele me envolvesse de novo em outro abraço, esse um pouco mais calmo e demorado. Sua cabeça encaixou-se na curva de meu pescoço e uma de suas mãos foi até meu cabelo, bagunçando-o, eu sorri por cima de seu ombro, lembrando-me de quando ele fazia isso com frequência apenas para me ver irritado por deixar meu cabelo em um completo desastre. Não tinha me dado conta de como senti falta dele até aquele momento, tudo sobre nós tinha sido particularmente forte, como conseguimos acabar com tudo em menos de um mês? Parecia que ele estava pensando o mesmo, quando me apertou mais e suspirou, deixando-me arrepiado quando seu ar tocou em minha pele. Seus braços afrouxaram-se e eu o soltei, fazendo-o se afastar e me fitar com os olhos marejados.

-Acho que é isso, então. –Sorriu um tanto sentimental, eu o retribuí com o melhor sorriso que consegui esboçar. –A gente se vê. 

-A gente se vê. –Repeti, apenas por ser péssimo com esse tipo de coisa. 

O medo me dominou, quando pensei que talvez essa era a despedida que deveríamos ter dado antes e que agora podia ser para valer. O abraço estava dado e não havia tantos ressentimentos mais... E se ele não voltasse? Agora era eu que estava perdendo-o outra vez? Se sim, era tarde demais. Frank já havia entrado no carro, e eu continuava parado observando pelas janelas o veículo dar a partida e sumir. 

-Olha, não é por nada não, mas seu namorado entrou faz uns dez minutos e acho que ele tá te olhando com uma cara muito feia. –A voz de Stefan atrás de mim me tirou de meus pensamentos, fazendo-me gelar e passar os olhos rapidamente por todo local, encontrando um Brian sentado em uma das mesas, com os braços cruzados e me olhando emburrado. –Boa sorte, Sr. Way que não bebeu nem uma gota de álcool hoje. Parece que temos um record, pessoal. –Disse sua última frase naquele sarcasmo típico e dessa vez nem isso me fez rir. 

Eu mal tinha terminado de entender o que havia acabado de acontecer e já precisava lidar com Brian... Eu realmente iria acabar enlouquecendo. 

Andei tão rapidamente até sua mesa e me sentei de frente a ele. Se era para acontecer algo, então que fosse tudo de uma única vez! O dia já estava estranho mesmo, porque não deixar tudo mais louco? 

-Quem era aquele cara? –A voz gélida de Brian fez-me mudar completamente de humor, se antes eu tinha conseguido um pouco de serenidade com Frank, agora estava voltando à ira com Brian. 

-Agora você decide ter ciúmes? –Debochei, deixando-o boquiaberto. –Eu não sou como você, Brian. Se amo alguém, quero ser fiel a ela, entende? –As palavras saíram tão suavemente de meus lábios, que nem notei a seriedade do que havia falado. 

-Nossa, acho que eu realmente merecia essa. –Esfregou as mãos no rosto, um tanto exasperado e bufou, antes de me olhar sério. –Eu sei que sou um idiota na maioria das vezes e nem sequer mereço um namorado tão perfeito como você... Mas, esse sou eu, Gerard. –Deu de ombros inquietamente, com a expressão franzida e olhos lacrimejados. –Brian Molko é um idiota medíocre, que não sabe amar corretamente. –Desviou o olhar do meu, fitando qualquer ponto da mesa, apenas para esconder a lágrima que escorreu por sua bochecha, e então entendi... Brian sempre foi orgulhoso demais, e admitir aquilo não devia estar sendo fácil para seu interior. Ele estava se corroendo por mim, para que eu o entendesse e soubesse que apesar de tudo, ele me amava. –Desculpa por te desgastar tanto, mas se você tiver cansado dessa vida louca que levo, vou entender se quiser que eu vá embora. –A dor expressa em sua voz fez meu coração comprimir no peito e eu realmente me segurei para não abraça-lo e conforta-lo. –Desculpa por não te amar do jeito que você merece. –E terminou assim, com a voz embargada e um suspiro de ombros encolhidos. 

-Vamos para casa. –Foi tudo o que eu disse. 

Brian levantou o rosto para me fitar, um pouco confuso. Sorri em sua direção e foi aí que ele entendeu que estava tudo bem, que eu seguraria sua mão enquanto caminhássemos na chuva, até chegarmos em meu apartamento encharcados e tiraríamos nossas roupas molhadas para nos amar no sofá, do jeito bom que o sexo de reconciliação sempre era. 

E eu não me importava se nossa relação era conturbada dessa forma. Eu o amava e acreditava que ele também me amava. Brian foi o homem que me ensinou a nunca deixar que machucados pequenos se transformasse em hematomas sangrentos, porque não importava quantas vezes ele me deixava ferido, eu sempre achava um curativo para cobrir o ferimento.


Notas Finais


Frank apareceu com um boy, eu sei huahsaush me desculpem, mas isso foi de extrema importância

Até o próximo, vou fazer o possível para não demorar mais <3


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