História Spice! - Capítulo 14


Escrita por: ~

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Categorias Inazuma Eleven (Super Onze)
Visualizações 73
Palavras 4.826
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Comédia, Drama (Tragédia), Ecchi, Famí­lia, Festa, Hentai, Lemon, Mistério, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Suspense, Universo Alternativo, Violência, Yaoi
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Spice! chegou mais rápido do que o Vin Diesel tirando racha! Cof cof.

Leiam as notas finais, por favor, amores. <3

Capítulo 14 - Ferrari.


Japão, Tokyo. 20:00

 

 

 

 

 

Então veio a quarta. 

Mais rápida do que ele esperava, na verdade. De repente os dias passaram-se em um estalo e lá estava, às oito da noite, em ponto, pronto para o seu suposto encontro com ele. E se dissesse que sentira a mesma ansiedade que sentiu antes de seu primeiro encontro com Kiyama Tatsuya, ele estaria mentindo; na verdade, aparentava estar, no mínimo, umas dez vezes pior. Sentiu vontade de desistir. Teve crises de ansiedade durante todo o dia. Sentiu vontade de ligá-lo e dizer-lhe que era impossível encontrarem-se naquele dia por motivos de que simplesmente não conseguia ver-se completamente bem. A inconfiança de repente surgira em sua mente, e não a relacionada as dúvidas de não tão somente não ser bom o suficiente para tornar a saída agradável. Temia que ocorresse como todas as vezes em que se encontraram. Que ele o beijasse, sem mais nem menos, e que de repente o seu corpo se entregasse à ele como se estivesse imerso em abstinência. Temia que gostasse de suas carícias, que o quisesse para si de novo como o queria antes. Temia aquele "eu te amo" cheio de segundas intenções. Sua mente de repente lotou-se de pensamentos e negações nítidas. 

E como se não fosse o suficiente, a opinião de sua melhor amiga sobre o assunto também lhe doía o peito. Sim, havia contado a Clara sobre a sua decisão, sobre tentar tornar-se amigo daquele homem que antes amava e odiava ao mesmo tempo, e a resposta da moça para si fora tão clara quanto a luz do sol, mas tão dolorida quanto uma facada: "não". Teve de ouví-la ditar-lhe inúmeras palavras e, infelizmente, conseguiu absorver cada uma delas, uma por uma. "Por acaso não lembra-se do que ele te fez passar, Gazel?", ela perguntava. "Por acaso não se recorda de que está com Tatsuya? O que se passa na sua cabeça? Acha que um cara como ele pode mudar de uma hora para a outra como se não fosse nada?" Não. Ele não achava. Não havia certeza de nada. Nem dele, nem de Tatsuya, nem de si. Não a respondeu por não ter coragem, mas a resposta era clara em sua mente. E agora, sentia-se extremamente culpado, como se estivesse prestes à fazer algo de muito errado.

Ainda dava tempo de desistir, não dava? Quando pensou nessa possibilidade, a campaínha foi tocada. E era ele. Não voltou atrás. Nagumo estava belíssimo, de fato. Diferentemente de Tatsuya, encontrava-se à esperá-lo em um carro, carro este que Gazel já conhecia bem. Entrou no carro. Ambos partiram juntos para o cinema, como bem combinaram. Tal primeiro encontro fez-se simples, e não tão demorado, como Suzuno esperava que fosse. Não houveram mãos dadas, não houve selar. Não houveram cantadas ou toques que insinuassem uma outra coisa. Gazel remoeu-se tanto em sua casa momentos antes que, ao perceber que as coisas não eram como sua ansiedade achava que fosse, tranquilizou-se; houveram risadas e sorrisos. Houvera um Nagumo Haruya sorridente e despojado, carregado de uma perseverança que Suzuno nunca havia visto antes. A visão de um ruivo distinto daquele que conhecera lhe agradou. Visualizara três de suas faces, e com certeza esta última era sua favorita. Talvez logo após tal ocorrido, ele pode encontrar uma resposta para as perguntas que Kurakake Clara lhe cuspira mais cedo.

É. Ele poderia mudar como se não fosse nada. E não, não durou somente uma noite. 

Dois meses passaram-se. Sim, mais dois meses, dois meses de muita satisfação para si. Achava que tudo poderia piorar, mas na verdade aparentava nadar sobre o mar de rosas que tanto sonhou. Foram dois meses de mudança drástica em sua vida; eventos e mais eventos foram executados, e sua reputação, não só em Tokyo, mas por parte do Japão, só parecia melhorar. E não só isso; agora, namorava oficialmente com o dono da Gênesis, que pedira sua mão à exatamente um mês e poucos dias atrás. E como se não fosse o suficiente, sua relação com Nagumo Haruya era estável e harmoniosa. De fato, conseguiram tornar-se amigos, mesmo que esta relação houvesse sido construída aos poucos. Não podia negar que seu carinho pelo ruivo persistia em si desde os tempos em que o amava arduamente, mas diferentemente de antes, não sentia-se nenhum pouco culpado ou angustiado com aquilo. Burn era seu confidente agora; alguém no qual ele confiava e que confiava em si. Alguém no qual todos, até mesmo Clara, tiveram de engolir. E agora estavam novamente juntos, em uma de suas saídas semanais, saindo do cinema novamente. Carregavam consigo algumas sacolas, denunciando a quantidade grande de comida que consumiram durante o filme. 

- Quero sorvete. - O platinado comentou. Nagumo riu em resposta. 

- Nós comemos duas batatinhas, tomamos uns dois refrigerantes cada um, comemos dois sanduíches também e o senhor ainda tem a audácia de me dizer que tem espaço no estômago pra sorvete?

- Sorvete de baunilha do McDonalds. - Corrigiu. 

- Do McDonalds. 

- Por favor, Nagu-chan. - Pediu manhoso, forçando um bico. - Você sabe que eu nunca venho ao shopping...

- ... Se não for pra pedir sorvete. - Completou. Suzuno riu. - Tem espaço pra churros também? Tô afim de churros com sorvete. 

- E é exatamente por isso que eu gosto de você. 

- Eu sou um amor de pessoa. - Disse, jogando as sacolas vazias no lixo. - O que seria de você sem mim? 

- De fato, eu seria um rapaz triste em minha cama e sem sorvete.

- Vai me dizer que não ia pedir para o namorado?

- O quê?

- Se você pedir pra ele um prédio ele te dá sem pensar duas vezes, Suzy. 

Gazel engolira em seco. Huh, dessa vez começara cedo.

Foram dois meses de muita felicidade, mas se dissesse que não haviam baixos ele estaria errado. Dentre eles, não só o desgosto de Clara por sua amizade com Nagumo Haruya como também a rivalidade deste com o seu namorado. Nenhum dos dois permanecia no mesmo lugar onde um ou outro estivesse. Nenhum dos dois se encontravam, e se sim, privavam-se tão somente à olhares e movimentos de cabeça como cumprimento e despedida, em geral. Tatsuya nunca havia citado Burn em suas conversas como se ignorasse-o, mas Nagumo, por sua vez, fazia questão de demonstrar que não suportava aquele namoro, ou melhor, o namorado de seu amigo Suzy. Todas as vezes em que tinha a oportunidade ali na sua frente, ele o provocava de todas as maneiras possíveis e Suzuno percebia nitidamente que o mesmo tentava, o tempo inteiro, manter distância do dono da Gênesis. Saíam sempre à sós, sem a companhia do namorado, já que Burn deixava claro o seu desgosto por tudo aquilo. Era nesses momentos em que Gazel recordava-se daquela imagem que Midorikawa lhe dera, esta que denunciava a antiga amizade que Burn e Tatsuya mantinham nos tempos de colegial. Tsc. Sua curiosidade atiçava-se todas as vezes em que isto retornava à sua mente. Como era possível terem distanciado-se tanto?

Na verdade, aquilo lhe irritava profundamente. Ele os amava, Burn como seu amigo e Kiyama Tatsuya como seu namorado. Chateava-se com o fato de não fazerem um pingo de esforço para ao menos cumprimentarem-se direito, e talvez não percebessem que aquilo lhe deixava mal. Ignorou as provocações de Nagumo até onde dera, mas chegara em um ponto onde simplesmente bateu o pé no chão e passou a agir como se não aceitasse tudo aquilo sobre seu namorado. Porém, não deveria somente repreendê-lo por suas palavras e xingamentos; sentiu que aquilo era vago demais, incompleto demais. Deveria mesmo era pôr um fim nisso e fazer com que aquela inimizade idiota ao menos se tornasse... Respeito. Respeito que nem mesmo tinham um pelo outro. Ele e Nagumo passaram para comprar sorvete e o churros tão desejado pelo ruivo, indo ao estacionamento em seguida, já que já estava na hora de irem para seus respectivos lares. Como um estalo em sua mente, veio-se a idéia; sequer pensara duas vezes em lançá-la em forma de palavras para o ruivo ao seu lado. 

- Vai haver um jantar lá em casa. Eu, Midorikawa e Tatsuya. Você vai. 

Viu o ruivo arregalar os olhos e fitá-lo atordoado. Dessa vez havia pego-o de jeito e era isso o que queria. Iria uní-los e fazê-los olhar um nos olhos do outro antes que aquela situação toda piorasse, já que tinha a sensação de que tudo poderia agravar-se caso permanecesse calado. Burn parara de súbito, já que até o momento preparava-se para ligar o carro e partir para casa. Gazel soou frio, mas permaneceu imóvel o fitando com firmeza. E não demorou muito para que conseguisse uma resposta do maior.

- Suzy. - Chamou-o, sério. - Sabe que não posso ir.

- É no fim de semana. - Pensou rápido. Era um jogo interessante, diria. - Você pode sim.

- Não, eu não posso. 

- Nagu-chan, nós sempre saímos nos finais de semana porque é o período em que você está livre.

- Mas dessa vez, eu não posso. 

- Por que? Por que tem medo do Tatsuya?

- Por que eu teria medo daquele cara? 

- Nojo? Ódio? Me dê uma resposta plausível, Burn.

- Não tem nada a ver com ele, Gazel. 

- Ah, não? Conta outra. Na boa, precisa aprender a mentir. 

- Argh. - Suspirou, aparentemente desconfortável com tudo aquilo. - Meu santo não bate com o daquele cara. É tão simples, meu. 

- Não é. - Alterou um pouco o tom de voz. - Quer parar de provocá-lo o tempo todo? Na boa, ele não te faz nada de errado. 

- Não é questão de fazer nada de errado. Quando não se gosta, não importa o motivo, eu só quero manter distância. 

- As coisas não funcionam assim, Burn. 

- Ah, não funcionam? - O fitou, sério. - Você é um bom exemplo, aliás. Rean nunca te fez mal algum e você a odeia. Eu nunca fiz mal à Clara e ela me odeia. As coisas são assim, e não tem explicação. Fim. 

- Eu não odeio a Rean.

- Me engana que eu gosto, Gazel. 

- Qual é, é só um jantar. - Esclareceu. - Custa ir e tentar ser educado?

- Eu sempre sou educado, Gazel. Sempre. 

- Poderia começar a ser amigável também. 

- Aí você já quer demais. - Suspirou.

- Eu tô de saco cheio, Burn. Toda vez que estou entre vocês dois eu me sinto na faixa de Gaza, e não sei porquê. De verdade, não custa nada ir nesse jantar. Ser amigável, tentar tirar dessa sua cabeça esse monte de mentiras sobre meu namorado.

- Gazel, eu não vou.

- Por favor. O Midorikawa vai estar. E você é meu amigo, não é? 

- Não insiste, na boa. 

- Dá pra dar as caras lá pelo menos por consideração?

- Não.

Sua resposta saíra tão ríspida que Suzuno deu-se por vencido. Obviamente desgostoso, bufou irritado no banco do carro, deixando de encarar o ruivo para fitar qualquer coisa que não fosse ele. Nagumo, por sua vez, suspirou fundo; ligou o carro um tanto trêmulo, tentando concentrar-se em tão somente chegarem em casa vivos. 

Ah, nem era para ter sido assim. 

 

---- S.P.I.C.E.! ----

Japão, Tokyo. 23:40.

 

 

 

- Você quer fazer o quê!?

Suzuno chegara em casa e jogara suas coisas por cima da cama. Tomou um banho demorado, uma vez que precisou de tempo para criar coragem o suficiente e sair debaixo do chuveiro, que aparentemente havia tranquilizado-o pelo menos um pouco. Ainda estava alimentando a raiva em seu peito por Nagumo ser tão teimoso, mas imaginava se ele deveria mesmo ter dito-lhe aquelas palavras daquela forma. Deveria já ter a noção de que Burn não aceitaria tão facilmente, já que foram dois meses de amizade, contudo, mantendo-se longe de seu namorado. Insistir daquela forma... Não havia ele passado um pouco dos limites? Sentia que, por parte, havia agido de maneira errada. E agora Burn deveria estar mal consigo e ele nem sequer sabia o que fazer naquele instante. Inclusive pensara em ligar para ele e lhe pedir desculpas, mas o orgulho e a timidez aparentes estavam impedindo-lhe até mesmo de checar seu número no telefone. 

Saiu do banho. Secou-se, enrolou uma toalha em sua cintura, penteando os cabelos antes de retirar-se do banheiro e ir até o quarto. Sentou-se na cama. Deveria ir vestir-se, mas estava indisposto no momento. Subitamente o seu olhar percorreu pelo local, encontrando o celular por cima da mesinha ao lado de sua cama. Segurou-o. Precisava desabafar com alguém, pois já não aguentava guardar tudo tão somente para si. Clara? Huh, não, ela era negativa demais quando tratando-se do dono da Prominence. Seu namorado? Quem sabe, mas preferiu não arriscar. Reina? Bem, nem sabia se Reina tinha o conhecimento da situação por inteiro. Burn? Ah, droga, fora de cogitação. Suspirou, digitando o número que sobrara e o mais plausível no momento, até porque havia usado o nome dele na discussão de momentos atrás. O celular tocou uma, duas, três vezes antes aue ele pudesse atender; sabia que estava tarde, mas ficou aliviado em saber que não o havia acordado. Então o fez; contou para ele toda a história, palavra por palavra, o que resultara, no final, a indagação surpresa do mesmo. Provavelmente, Midorikawa não estava esperando por tudo aquilo.

- Um jantar. - Respondeu. - Eu, você, Nagu-chan e Tatsuya. 

- Esses dois juntos é cilada, Gazel! - Exclamou. - Sabe que dá ruim. 

- Olha, se formos pensar pelo Tat, ele não ligaria. O problema é que Burn, bem... Você sabe. Burn o evita o tempo todo. 

- Maldito seja este passado que não descobrimos. 

- É um porre, Midori. Falei nesse jantar com o intuito de melhorar as coisas entre os dois, mas...

- Mas o Burn não vai.

- Exatamente. - Suspirou. - Droga. 

- Apenas faça o jantar. 

- Huh? 

- Qual é. Tipo, comida. 

- Por que está falando nisso se tu pode pisar aqui em casa e jantar comigo quando quiser, estrupício?

- Eu sei, eu sei, mas vamos pensar em porcentagem agora.

- Espera, o quê?

- Há pelo menos noventa por cento de chances do Nagumo não comparecer à esse jantar, correto?

- Correto.

- Mas há dez por cento de chance dele comparecer. E dez por cento é muita coisa, Gazel.

- Está me dizendo que ele pode mudar de idéia? 

- Olha, eu não duvido. Foi um caminho longo até aqui. Se ele mudou tanto até agora, então mudar uma mísera decisão e comparecer a um jantar nem parece grande coisa. - Suspirou. - Tatsuya iria?

- Sim. Ele iria tranquilamente. 

- Então faça. - Comentou, decidido. - Se ele aparecer, ótimo! Mas se ele não aparecer, nós tiramos muitas fotos e mandamos todas para ele para fazermos inveja. 

- Então eu vou fazer. - Sorriu. Midorikawa havia conseguido acalmar-lhe os nervos. - Você vai vir, certo?

- Não.

- Midori!

- Já me viu negar janta na casa de alguém? Tô dentro, pego minha bike e arrebento.

- Aliás, Midorikawa. - O chamou. - Descobriu mais alguma coisa? Digo, sobre a foto. - Mordeu o lábio inferior. Ouviu o amigo suspirar do outro lado da linha. 

- Na verdade, quase nada. Estava atrás dos outros dois da foto. Descobri que um eles chamam de Heat. 

- Heat? 

- Isso, isso. É o apelido dele. Agora o outro eu não sei quem é. 

- Entendo.. 

- Vou atrás de saber sobre esse Heat. Quem sabe eu o encontro e ele não saiba algumas coisas sobre esses dois. 

- Quem sabe. Talvez ele esteja envolvido. 

- De fato. Alias, posso fazer uma pergunta?

- Claro. 

- Vai ter macarrão no jantar, né?

Gazel não conseguiu conter o riso divertido. Infelizmente, sua querida Clara não estaria presente, mas Midorikawa era maravilhoso o suficiente para deixá-lo bem. 

 

---- S.P.I.C.E.! ----

Japão, Tokyo. 18:15.

 

 

 

E o sábado finalmente chegara. 

Gazel corria contra o tempo para conseguir organizar este pequeno evento em sua casa. Desde que sua fama espalhou-se, as coisas no trabalho intensificaram-se e agora tudo seu era mais corrido do que antes. Não que o achasse ruim; na verdade, agradecia aos céus por estar indo tão bem. Ora, ser estilista sempre fora o maior de seus sonhos e ele sacrificou muito de si para chegar onde encontra-se no momento, desde passar horas e horas sentado estudando como ter encarado a não aceitação do seu pai em relação à faculdade que iria prestar. Não que seu relacionamento com seu pai fosse dos melhores e que tivesse durado muito tempo debaixo do teto dele. Na verdade mesmo, na primeira oportunidade que teve ele saíra de Osaka e fora parar em Tokyo, onde passou a morar sozinho e de maneira independente; contudo, mesmo assim, não podia negar que saber que seu pai desprezava sua profissão daquela maneira já fizera seu peito doer, e muito.

Por sorte, Midorikawa ofereceu-se para auxiliar o rapaz com o jantar, mesmo que Gazel soubesse que ele, na verdade, queria mesmo era garantir que sua carbonara fosse preparada. Às quatro da tarde, ele e o estilista terminaram de comprar todos os ingredientes necessários e às quatro e meia iniciaram o processo de preparar todos os pratos, estando livres pouco antes do horário marcado. Tiveram de arrumar-se às pressas, mas o resultado não fora ruim; Suzuno trajava  jeans básico e claro, juntamente à uma camisa da Helmut de cor branca com detalhes em vermelho e preto, e um tênis também de cor branca e detalhes em preto. Midorikawa, por sua vez, já mostrara-se mais apreciador de um estilo despojado; seguindo a linha street, vestia a combinação de uma calça moletom de cor preta com detalhes em couro, tênis branco e uma camisa regata no qual tinha como estampa uma caveira. Não demorou para que finalmente estivesse tudo nos conformes e a campainha fosse tocada. Kiyama Tatsuya logo fez-se presente, também muito bem arrumado, vestido em um jeans e uma camisa básica de cor preta, em um estilo mais casual, o que, de fato, combinava com ele. Cumprimentou o namorado com um selinho carinhoso, sorrindo gentil. Gazel adorou perceber que ele mantinha-se calmo. 

- Céus, eu demorei muito? 

- Na verdade, não. Chegou bem na hora.

- Eu fico contente em saber. - Sorriu. Gazel o retribuiu rapidamente. - Bem... Nagumo não está aqui? 

- Ah, sobre isso... - Suspirou. - Eu nem sei se ele vem. 

- Oh... Eu entendo, querido.

- Eu vou ver se ele me mandou uma mensagem ou algo do tipo. Me espera, okay?

- Tens todo o tempo do mundo, anjo. 

- Você é incrível, Tat.

Selou-lhe os lábios novamente em um ato amoroso antes de sorrir-lhe e se retirar dali, subindo até o quarto. Kiyama Tatsuya suspirou, mas não se sabia se era por satisfação ou por Nagumo, que provavelmente não apareceria por motivos que ele conhecia bem. Coçou a nuca. A amizade de seu namorado com o dono da Prominence não era suspeita, isso ele tinha de admitir. Nagumo Haruya fazia questão de cuidar bem do estilista e demonstrar que poderiam ser grandes amigos, contudo, Tatsuya não deveria mentir dizendo que não sentia-se um tanto desconcertado com tudo aquilo. O modo como aquele rapaz agia não era segredo para praticamente ninguém, afinal de contas, Burn ficava com quem quisesse e quando bem achasse plausível e, consequentemente, não percebia o quão acarretava complicações para muitos daqueles que caíam em suas mãos; inclusive, seu namorado fora um deles. Gazel lhe contara tudo pouco tempo depois de começarem a namorar. Tatsuya não podia impedí-lo quando tratando-se de decisões, mas o aconselhara para que tomasse cuidado com ele. E bem, até o momento, reconhecia que estava tudo indo bem, mesmo sabendo que Gazel odiava o fato de que ele e Burn não davam-se bem de modo algum. 

Ah, ele tentava. Tentava, de verdade. O problema era o dono da Prominence, que insistia em tratá-lo como um nada... Depois de tudo. Suspirou.

- Vocês se beijam pra caramba, né?

A voz do esverdeado lhe fizera esquecer-se daqueles pensamentos e voltar sua atenção para ele. Nem havia percebido que havia ficado à sós com Midoriawa, e por isso, não pode deixar de lançar-lhe um sorriso sem jeito. Ele havia perguntado se eles se beijavam muito? É isso? 

- Acha que nos beijamos bastante? - Sorriu. - Bem... Todas as vezes em que temos oportunidade. 

- Não faz mais do que o certo. - Deu de ombros, aproximando-se. - Aliás, o meu nome é Midorikawa! 

- Eu o conheço, Midorikawa. Nós já nos vimos antes, não recorda-se? - Riu. 

- Olha, me recordar eu me recordo, mas acho que é mais do que justa uma apresentação já que normalmente eu só falo contigo dando o famoso "tchauzinho" antes de você roubar o Gazel e levar ele pra não sei onde.

- Ahn... Roubar? - Ruborizou levemente. Midorikawa riu. 

- Eu tô zoando, cara. - Suspirou. - Aí, como é ser empresário? 

- Como é ser... Hn, em que sentido? 

- Tipo, qual a sensação de fazer a feira do mês sabendo que o dinheiro para a próxima feira do mês já está todo garantido?

- Ah, essa sensação. - Não pode conter o riso. - Olha, ser empresário é bom, mas não é uma vida fácil. Deve-se trabalhar duro o tempo inteiro, senão...

- Senão não tem dinheiro o suficiente pra comprar, no mínimo, umas quatro Ferrari?

- Er... Não?

O modo como Midorikawa lhe lançava as palavras lhe surpreendia, de certo modo. Não era como se fosse intimidação e muito menos comparação com o seu suposto meio de vida, mas sim... Curiosidade. Era possível ver o brilho em seus olhos comentando sobre aquilo, e se fosse qualquer outro no lugar do ruivo, teria levado aquilo para o lado malicioso, afinal de contas, falar sobre dinheiro e acusar sobre ter o suficiente à ponto de comprar quatro Ferrari não era assunto no qual as pessoas falavam abertamente. Sua última frase saíra como uma indagação por não saber ao certo o que falar naquele momento. Não conhecia o rapaz, mas o achava interessante e divertido à seu modo, afinal de fontas, era difícil encontrar alguém tão espontâneo quanto Midorikawa - inclusive, era até estranho imaginar seu namorado sempre tão recluso interagindo com um cara como ele. -. E quando achava que já havia acabado, ouviu-se a voz do esverdeado chamar-lhe a atenção novamente.

- Aí, eu pensava que cê dava uns pega na Reina.

Dessa vez, Tatsuya corara bruscamente. O que diabos...?

Suzuno Fuusuke logo voltara do quarto, aparentemente descontente, e Kiyama tratou logo de arrumar a cara, o que era impossível naquele momento. Gazel parara subitamente, obsevando a cena quase que intrigante de seu namorado mais vermelho do que o próprio cabelo e de um Midorikawa aparentemente tranquilo. Piscou os olhos algumas vezes. Estava com medo de perguntar o que havia acontecido. 

- Céus... Do que estavam falando?

- Feira do mês. - Midorikawa respondeu prontamente com um sorriso no rosto. - E Ferrari! 

- O quê? - Gazel estranhou a situação, voltando o olhar para o amado. Kiyama Tatsuya assentira em resposta, logo repetindo o que o esverdeado havia dito.

- Feira do mês e Ferrari. 

- Mas agora eu quero falar sobre macarrão! - Midorikawa sorriu, correndo em direção ao amigo. - Nós já vamos comer? Diz que sim, diz que sim! 

- Ah... Vamos sim, Midori. 

Suspirou, aparentemente triste. Não havia recebido nenhuma mensagem do empresário da Prominence e nenhuma ligação durante todo esse meio tempo até que sábado chegasse. Havia alimentado as esperanças em seu peito de que Nagumo Haruya tentasse ao menos reconsiderar seu pedido por ele, mas pelo que aparentava, era algo no qual não iria acontecer. O orgulho daquele homem o irritava, mas a tristeza de não tê-lo presente naquele momento especial era maior do que qualquer raiva em seu peito. Tatsuya, percebendo o quão seu namorado encontrava-se indisposto naquele momento, logo agiu para que as coisas mudassem de rumo; não deixaria que Nagumo Haruya o entristecesse daquela maneira. A noite seria maravilhosa e não precisavam de Burn para isso.

- Estão, vamos trazer a comida! - Sorriu. O rubor desaparecia aos poucos. - Midorikawa, pode me ajudar?

- Mas é claro! - O esverdeado sorriu largo, captando a mensagem. Puxou Suzuno para que se sentasse à mesa. - Fica aqui. A gente vai trazer tudo e vamos comer tudo sozinhos. 

- Ah... - Sorriu fraco. - Tudo bem, eu não discordo. 

Midorikawa e Tatsuya entraram na cozinha e de vez em quando chegavam con os pratos até que, finalmente, a mesa estava pronta. Sentaram-se, Kiyama de frente à Suzuno e Midorikawa ao lado do estilista - para garantir que não seguraria vela, claro. -, e assim iniciaram a refeição, servindo-se. O esverdeado não podia conter a felicidade em estar comendo da carbonara feita por Gazel naquele momento. 

- Macarrão! - Exclamou, sorridente. Os outros dois riram em resposta. 

- Não sabia que era tão viciado em macarrão assim, Midorikawa. - Tatsuya comentou. Gazel riu. 

- Ele? Ah, capaz de comer essa travessa toda de carbonara sozinho. É um guloso. 

- Não vem de garfo não que nóis é sopa. - Defendeu-se Midorikawa. - Se fosse uma travessa cheínha de Takoyaki era você o guloso aqui. - Suzuno deu-lhe lingua em resposta à provocação. - Olha que eu corto essa lingua feia fora! - Defendeu-se novamente, o que divertiu ainda mais o ruivo ali. 

- É a primeira vez que conheço alguém tão apaixonado por macarrão.

- Você não gosta? 

- Claro que sim. Qualquer coisa feita pelo meu namorado é de meu gosto. - Gazel suspirou apaixonado em resposta e Midorikawa revirou os olhos. 

- Ih, começou a frescura. 

- Ah, desculpa, Midorikawa. 

- Desculpo se provar desse empadão de frango aí. Fui eu que fiz. - Fez pose, achando-se o tal. 

- Ah, por isso está tão salgado...

- O QUÊ!? - Levou a mão no peito, fingindo pasmar com aquilo, fazendo drama. Kiyama riu. 

- Eu estou brincando, cara. 

- Olha que eu te dou motivo pra achar salgado, seu...

- É impressão minha ou vocês estão se dando bem pra caramba? - Suzuno sorriu, adorando observar a interação despojada entre seu amigo e seu namorado. Queria que as coisas fossem assim entre Burn e Tatsuya também, ou Clara e Burn. 

- É impressão sua. 

- Não. - Tatsuya negou a resposta brincalhona de Midorikawa, sorrindo de canto. - Nós realmente estamos nos dando bem.

Suzuno sorriu satisfeito. Aquilo era melodia para seus ouvidos e colírio para seus olhos. Achou que a noite fosse ser péssima por guardar a tristeza de não ter seu amigo ali com eles, e inclusive dava-lhe certo incômodo todas as vezes em que fitava a cadeira vazia ao lado de Kiyama Tatsuya. Porém, seu namorado e seu amigo se esforçavam aos montes para que aquilo tudo não fosse por água abaixo e agora ele sentia-se no dever de agir também. Como Midorikawa bem lhe confirmara, aquele jantar não seria de todo mal caso Burn não comparecesse, e por fim, aparentemente estava tudo dando certo. A noite mantinha-se amena e divertida, com Midorikawa comparilhando de suas histórias mais engraçadas e de Tatsuya revelando para todos o seu lado piadista e bem mais despojado. Gazel ria de cada palavra dita ali, e inclusive arriscou contar-lhes sobre suas situações mais embaraçosas, arrancando gargalhadas gostosas dos outros dois. Porém, conforme o tempo passava, a conversa entre os três fora interrompida subitamente. 

Ouve-se a campaínha tocar. Todos calaram-se em surpresa, encarando-se, sem saber o que fazer naquele momento. Suzuno sentiu o peito quase explodir em euforia quando pensou sobre a possibilidade de que aqueles dez por cento comentados por Midorikawa houvessem tornado-se realidade. Criando coragem, ele levantou-se. Ansioso, caminhou um tanto cambaleante até a porta, permanecendo parado ali. Ouviu ao longe o amigo encorajá-lo para que a abrisse, e não demorou para que o fizesse; rodou as chaves e a maçaneta, movendo a porta lentamente, sentindo o coração bater forte a cada segundo que se passava. E então o viu; Nagumo Haruya ali, à sua frente, carregando em mãos uma caixinha de cor escura, provavelmente trazendo consigo algo para contribuir com a refeição. Os olhos do estilista brilharam intensamente quando este lhe lançara um mínimo sorriso sem jeito, ou seria forçado? Não importava. O sorriso nos lábios de Suzuno fez-se tão largo que parecia não caber em sua face. Em um impulso, o rapaz jogara-se nos braços do ruivo, em forma de agradecimento e cumprimento, denunciando toda a sua felicidade naquele instante e não demorou para que fosse retribuído. 

Estava tão eufórico ao ponto de não perceber os roxos espalhados pela região do pescoço do rapaz e muito menos a vermelhidão que encontrava-se exatamente ao lado esquerdo de sua face. 

Sua vida era uma montanha-russa que privava-se somente a descer.


Notas Finais


Heya!

Gente, estou aqui para divulgar novamente o grupo no wpp para a interação de ficwriters e leitores da categoria de IE. Entrem! É divertido e nós não mordemos HAUSHAUA: https://chat.whatsapp.com/LHOu7sqB2IoDLKSLALnS62

PESSOAAAAL. Como vocês devem ter percebido eu atualizei rapidamente, e a resposta para isso é: inspiração e novos projetos. Como eu citei anteriormente, à partir de agora a coisa vai ficar mais intensa, e por isso já peço de agora que coloquem os coletes à prova de balas porque o próximo já está praticamente pronto e ele vai pegar fogo. IIIIIIH TACA O PAU DOIDO, IIIIIH QUEIMAAAAAAAAAAA

E falando em próximo, só sairá semana que vem por motivos de: feriadão. A bonita aqui estará muito ocupada olhando pro teto e mofando na cama, por isso, paciência, pessoal. AHSUAHSHA Beijão! Amo vocês, socorr. <3


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