História Spin-offs - A liberdade e a escuridão - Capítulo 10


Escrita por: ~

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Categorias Once Upon a Time
Personagens Elsa, Emma Swan, Regina Mills (Rainha Malvada), Ruby (Chapeuzinho Vermelho)
Tags Once Upon A Time
Exibições 11
Palavras 2.334
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Homossexualidade, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 10 - Ruby e Dorothy - Parte III


Dorothy dormia tranquilamente e nunca havia visto aquela expressão no rosto da moça - estava ali deitada do meu lado ressonando calmamente - retirei uma mecha de cabelo de seu rosto e dei-lhe um beijo selado. Ela abriu os olhos devagar e sorriu quando deparou-se comigo.

— Estou sonhando, não é? - eu ri daquela pergunta e tornei a beijá-la.

— Precisa voltar para sua cela, não pode amanhecer aqui. - adverti e ela espreguiçou-se, tive vontade de segurá-la ali até de manhã, mas não podíamos arriscar tanto. De repente o sorriso de Dorothy desapareceu, sentou-se na cama colocando sua veste, mas não se levantou, permaneceu de cabeça baixa

— O que aconteceu?

— Tenho que contar uma coisa à você. - tive medo do que estava por vir, lembrei-me da expressão carregada de padre Leopoldo ao fim da confissão de Dorothy, mas não poderia negar que se abrisse comigo, não mais depois do que acontecera minutos antes naquela esteira. Ela ainda ficou em silêncio, talvez organizando as ideias na cabeça, mas eu, afoita, insistia.

— Dorothy, pode dizer, eu estou aqui para ouvir você! Não tenha medo... - passei a mão pelo seus cabelos e logo ela atirou aquela frase desavisada.

— Eu matei uma pessoa, madre.

Se estivesse de pé teria perdido as forças nas pernas e sentado, mas só consegui passar as mãos pelo meu rosto e juntar os cabelos num coque, sentia calor, mas não me afastei dela, ao contrário, passei meus braços em volta de sua cintura e olhei diretamente em seus olhos.

— Eu já disse, estou aqui e vou ouvi-la. - selei sua boca com um beijo terno e puxei sua cabeça para meu peito acariciando seus cabelos. Ela poderia começar a contar-me tudo o que quisesse.

Em Marselha, depois da morte dos pais, Dorothy vivia com os tios, um casal abastado da sociedade francesa. Estavam à procura de um bom e rentável casamento para a sobrinha órfã, porém, ela nunca fora uma menina disposta a realizar as vontades de seus tutores - desde criança Dorothy era diferente das outras moças - comportamento rebelde e atitudes inesperadas que faziam tia Em arrepiar os cabelos. Seu tio Henry era um homem rigoroso e castigava Dorothy por seu comportamento - ela gostava de cães, mas nunca conseguia ficar com um por muito tempo, pois o tio sempre tinha um jeito de levar os animais para longe dela quando aprontava das suas.

Um dos hábitos “extravagantes” de Dorothy era relacionar-se com outras mulheres, o que os tios desconfiavam, mas nunca tiveram oportunidade de comprovar, apenas os boatos que as pessoas comentavam - a sobrinha costumava visitar bordeis para a alta sociedade de Marselha. A tia a perseguia por isso, mas como uma aventureira, a menina ignorava aquilo tudo e entregava-se aos seus desejos.

Um desses desejos, certa vez, levou Dorothy a envolver-se com uma moça, filha de um Duque que visitava Marselha durante a época que o lugar uniu-se à Provença, incorporando-se assim ao Reino da França. Seu tio, como bom comerciante e interesseiro, aproximou-se do homem para, talvez, fazer negócios e ainda mais - poderia arranjar um bom casamento para a sobrinha, afinal, esse Duque tinha cinco filhos homens e a caçula, uma jovem tão audaciosa quanto Dorothy. Durante uma visita da família do Duque à casa de campo dos tios Henry e Em, as duas moças aproximaram-se tanto a ponto de trocarem olhares significativos durante o almoço de sábado - na parte da tarde todos sairiam para caçar - o que deixou as duas meninas mais empolgadas por ficarem sozinhas na casa. Tia Em e a esposa do Duque teriam muito o que conversar no jardim, onde Em cultivava entre tantas qualidades de flores, girassóis belíssimos e a visitante tinha predileção por aquela espécie.

Dorothy e a companheira logo encontraram-se sozinhas na casa principal, portanto, as brincadeiras começaram a ficar mais íntimas e, em meio a risos e carícias mais abusadas, acabaram no quarto onde as moças dormiriam aquela noite. Ali permaneceram toda a tarde, com aquela menina, Dorothy aprendeu como tocar uma mulher com vagar - a moça era boa no que fazia - aprendera o que as prostitutas de luxo da cidade não ensinavam, nem por uma boa quantidade de moedas. Por descuido, adormeceram nuas na cama, abraçadas e, mais tarde acordaram com um inferno ateado ao redor delas - um dos irmãos da moça entrou no quarto e deparou-se com as duas moças sobre a cama. Brutalmente saiu dali arrastando sua irmã e esbravejando, chamando pelos pais para relatar o que estava acontecendo.

— O que você fez dessa vez, sua idiota?! - tia Em estava furiosa na porta do quarto e Dorothy não teve muito tempo para assimilar o que acontecia, estava um pouco sonolenta, mas ouviu a porta bater forte e muitas vozes falando ao mesmo tempo do lado de fora - ela colocou o ouvido na porta e pôs-se atenta ao que diziam.

Para seu espanto e medo, a moça acusou Dorothy de tê-la seduzido e feito coisas absurdas como embebedá-la e deflorá-la - ao ouvir aquela palavra fez uma careta atrás da porta do quarto, mas entendeu que tinha um grande problema à sua frente. De repente fez-se silêncio do lado de fora e ela já não podia ouvir ninguém mais, assustou-se quando batera à sua porta. Era tio Henry - ele entrou olhando para a sobrinha com muita raiva.

— Você tem ideia do que acabou de fazer, menina? - ele fez com que ela sentasse na cama para escutá-lo - Sua tia e eu sempre fizemos de tudo para criá-la bem e como você retribui? Os irmãos dela querem esfolá-la, sabia? - Dorothy arregalou os olhos ao ouvir aquilo, mas segurou o choro.

— Tio, eu não fiz nada daquilo que ela disse! - tentou justificar-se, mas era inútil.

— Preciso descobrir um modo de tirá-la daqui antes que acontece algo mais grave, Dorothy! Você não entendeu? Eles não querem saber a sua versão da história, só querem corrigir o mal que você fez à irmã deles! - ele retirou um pequeno saco de moedas do bolso interno do paletó e entregou à sobrinha - Isso vai ajudá-la a se esconder por um tempo. Amanhã bem cedo vá até o porto e encontre o menor dos meus barcos, você sabe qual é, ele está carregado para uma pequena viagem, mas peça que a levem até o porto de Gênova. - ele estendeu um pequeno bilhete com as ordens para quem estivesse no barco e ainda deixou uma faca de caça sobre o criado ao lado da cama.

Dorothy tentava assimilar aquelas instruções e percebeu, enfim, que a situação era mais complicada do que imaginava - o tio estava planejando sua fuga. Ela pegou as moedas e guardou no bolso de sua capa. Passou os olhos pelo quarto para garantir que tinha o que precisava ali para a viagem. O tio, antes de sair, ainda disse que conseguira que os rapazes se acalmassem até a manhã seguinte, portanto ela poderia dormir naquele quarto em segurança, mas que partisse antes do sol despontar.

— E eles a deixaram em paz?! - diante daquela minha pergunta, Dorothy sorriu encabulada e continuou a contar-me.

— Pois foi aí que caí em desgraça, madre. Eu não conseguia dormir naquela noite e qualquer barulho eu levantava-me sobressaltada e buscava pela faca que meu tio deixara. Mas, por uns instantes eu descuidei-me e o sono veio. Quando acordei um dos rapazes, o mais velho, estava diante de mim parado aos pés da cama. - ela fez uma pequena pausa e suspirou - Na penumbra do quarto ele não percebeu que eu tinha uma faca, ele andou devagar para mais perto e riu dizendo que mostraria o quanto eu estava enganada em abusar da irmã dele...

— Meu Deus! Ele machucou você? - eu estava em choque com aquele relato, mas continha-me para que ela terminasse a história.

— Não. Quando ele tentou jogar-se sobre mim eu apontei-lhe a faca e atingi sua barriga. O próprio peso dele fez com que a arma se enfiasse até o cabo.

Levei as mãos na boca e arregalei os olhos imaginando a cena. Para aquela moça o espanto deveria ter sido muito maior com um homem esfaqueado por ela mesma caindo sobre seu corpo, com todo aquele sangue espalhando-se sobre a cama. Dorothy contou que conseguiu sair da cama deixado o rapaz deitado de bruços ainda agonizando. Desesperada como estava, apenas conseguiu apanhar sua capa e saiu pela porta em direção à escada - todos estavam dormindo e logo ela alcançou a porta da varanda principal. Foi até a cocheira e como conhecia bem os animais, montou o cavalo mais rápido - em pouco mais de uma hora chegou ao porto de Marselha tendo em mãos o bilhete do tio - conseguiu partir sem muitas complicações, pois o empregado da família havia feito tudo o que tio Henry pedira no bilhete sem questionar.

— E quando chegou à Gênova?

— Eu jamais tive sossego, madre. Quando cheguei consegui ficar em uma hospedaria, mas dias depois os homens conseguiram encontrar-me e tive que fugir novamente.

— Mas de Gênova até aqui é um caminho muito longo! - eu tentava entender o que havia levado Dorothy até Albiano e ela contava-me tudo sem restrições.

— Sim! Eu fugia todas as vezes que percebia que eles haviam me encontrado. Todas as vezes que eu conseguia abrigo por mais que um ou dois dias, eles apareciam e eu partia apressada. Da última vez quase fui pega e poderia estar morta agora não fosse eu subir a encosta do convento e vir parar aqui.

— Eles estão na vila, então? - eu estava assombrada com a possibilidade daqueles perseguidores invadirem o convento de uma hora para outra e agredir quem quer que fosse.

— Eles encontraram-me bem antes de chegar na vila. Eu roubei um dos seus cavalos e isso deve tê-los atrasado, era um cavalo bonito, grande e negro. - ela parou e ficou olhando-me demoradamente.

— O que foi?

— Vai colocar-me para fora daqui, madre? - sua voz mostrava-se triste e eu não entendia sua preocupação, pois queria ainda mais que ela ficasse.

— Claro que não, minha querida! - agarrei-lhe e permanecemos juntas por um bom tempo - Eu não poderia jamais deixá-la ir embora com esse perigo esperando por você... - suspirei, hesitei em dizer aquilo, mas já era tarde para tanto - Eu não poderia deixar você sair daqui deixando-me sozinha. - ela olhou-me sorrindo - O que aconteceu entre nós foi muito intenso, Dorothy... Você sabe que estamos numa condição completamente errada, não é? - ela concordou e fui adiante - Mas não posso negar o que estou sentindo e não quero... Eu quero ficar com você! - diante daquela frase ela abriu o sorriso e beijou-me profundamente.

— Obrigada. - foi a única coisa que ela conseguiu dizer antes de voltar para a sua cela.

***

Os dias que se seguiram após os votos de irmã Verônica foram corridos, pois estávamos ansiosas por começar a trazer as crianças da vila para o convento, assim começamos a organizar tudo o quanto podíamos para que ela fosse encontrar padre Leopoldo e, juntos, recrutar os pequenos. Eu ficaria responsável por definir o que estudaríamos no catecismo e escolheria algumas freiras para ajudar-nos. O que não esperava era que uma certa noviça se oferecesse para contribuir com a atividade.

Mulan procurou-me numa tarde em que estava na biblioteca, no subsolo do convento - poucas pessoas iam até aquele lugar, mas eu precisava apanhar alguns volumes de livros para os estudos em grupo.

— Madre Madalena, podemos nos falar?! - ela chegou mansa e com um sorriso amigável, eu deixei os livros sobre uma das mesas e dei toda a atenção à ela - Eu gostaria de ajudar no catecismo das crianças, se fosse possível!

— Podemos providenciar isso, Mulan! - eu imaginava uma função que não a colocasse junto com irmã Verônica. Não! Não deixaria essa moça à vontade para tentar aproximar-se mais da minha querida Dorothy - Talvez se ajudasse na cozinha com o lanche das crianças seria muito bom! - comemorei sorrindo, mas ela não mostrou uma expressão agradável, apenas sorriu entre os dentes e consentiu com a cabeça deixando-me sozinha novamente. Seria uma preocupação a menos, certamente.

Depois da última visita de padre Leopoldo estava tudo definido - as crianças começariam o catecismo no convento na próxima semana. Isso foi motivo de comemoração entre Dorothy e eu na cela dela certa noite. Não pude deixar de relatar minha conversa com Mulan e ela confessou que a moça foi procurá-la mais algumas vezes depois de sua declaração no jardim. Eu tinha a opção de simplesmente negar o noviciado de Mulan e colocá-la para fora do convento, mas não poderia, ela não tinha para onde ir e também não estaria sendo honesta com a minha função ali dentro - era um dilema que corroía-me todas as noites, até quando estava na companhia de Dorothy.

— Ela não nos causaria problemas, não é?

— Meu bem, você está ficando paranoica! - exclamou Dorothy - Mulan não sabe que temos esse relacionamento, acredito que nem passe pela cabeça dela!

— Você parece tão forte, mas ao mesmo tempo tão ingênua!… - continuei pensativa - Eu não sei, meu amor, tenho medo que nos aconteça alguma coisa... - estava com a cabeça no colo de Dorothy e sentia seu coração palpitante - Você também tem medo, confesse!

— Eu fico apreensiva com o que diz, seu instinto sempre acerta! - diante daquilo eu estremeci, pois ela estava certa, se eu via algo em Mulan que não inspirava confiança e me dava medo, então, deveríamos tomar cuidado.

Mas, para nosso azar, estávamos bem atrasadas em nossa desconfiança. Naquela noite e provavelmente em tantas outras, uma sombra movia-se pelos corredores do convento - Mulan estava nos observando e, pelo visto, há muito tempo - vigiava cada passo e cada movimento - não demoraria para descobrirmos da pior forma. Ela não aceitara a recusa de Dorothy e resolveu, então, vingar-se da maneira mais suja que poderíamos imaginar.



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