História Spin-offs - A liberdade e a escuridão - Capítulo 11


Escrita por: ~

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Categorias Once Upon a Time
Personagens Elsa, Emma Swan, Regina Mills (Rainha Malvada), Ruby (Chapeuzinho Vermelho)
Tags Once Upon A Time
Exibições 7
Palavras 3.538
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Homossexualidade, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Enfim, terminamos a história das meninas!

Leiam as notas finais, por favor!

Boa leitura

Capítulo 11 - Ruby e Dorothy - Parte IV


Enfim, tudo estava pronto para o início do catecismo no convento. Eram oito crianças em torno dos 10 anos de idade. Padre Leopoldo veio até nós para o primeiro dia das aulas e estava tão empolgado quanto qualquer uma de nós e quando o convento foi tomado pelos pequenos parecia que a luz tomava conta daquele lugar de maneira mais própria do que qualquer outro dia. Estávamos todos envolvidos naquele acontecimento e chegamos ao final do dia com a certeza que teríamos sucesso.

Continuamos com nossas atividades diárias e até começamos a produzir pães e, posteriormente, um benfeitor da vila doou-nos algumas galinhas - agora também tínhamos mais ovos, pois as que já tínhamos eram poucas e não estavam produzindo tanto. Contra a minha vontade, a princípio, encontrei em Mulan uma excelente assistente que controlava as provisões do convento - devagar ela foi se aproximando e resolvi dar-lhe um voto de confiança, também não poderia negar a ajuda que oferecia, pois os trabalhos eram muitos e as freiras mais velhas não tinham condições de estarem presentes em todas as tarefas.

O progresso da noviça era notável e algum tempo depois reuni-me com padre Leopoldo para providenciar os votos de Mulan. Ela estava radiante com a ideia de tornar-se definitivamente um freira, mas não deixava de perseguir Dorothy pelos corredores nem que fosse com um simples olhar - eu já estava acostumada com aquela situação e não mostrava tanto ciúme quanto antes - talvez esse tenha sido meu erro.

A preparação para os votos da noviça foram intensificados e até padre Leopoldo nos colocou um pouco de pressa e, então, na semana que aconteceria a cerimônia todo o convento aguardava a presença do abade de Bolzano que seria o celebrante dos votos. Ele chegou com uma comitiva particularmente pequena com apenas alguns monges e logo mostrou-se encantado pelo lugar.

— É tão acolhedor e bem cuidado que poderia instalar-me aqui sem nenhum problema! - ele sorriu enquanto falava comigo - Mas vejo que as freiras estão bem orientadas com a senhora aqui, madre!

— Obrigada, abade Rumple, mas todas as freiras dedicam-se muito à nossa ordem, então, não há muitas dificuldades em gerir o convento. - aquele homem era imponente, diferente do outro que há pouco nos visitara. Lembrei-me do cardeal Stefan e quis saber sobre sua visita a Bolzano - O cardeal Stefan passou por Bolzano não faz muito tempo, não é mesmo? - diante daquela pergunta o abada calou-se por um momento e mostrou-me uma expressão estranha, mas logo sorriu e disse calmamente:

— Sim, madre, ele esteve em Bolzano, mas sua visita foi rápida. - não disse mais nada e compreendi que não deveria estender o assunto.

Entre os monges que estavam na companhia do abade Rumple, um chamou-me atenção. Era alto, magro, pele bem morena e parecia muito observador, não falava muito, apenas remetia ao abade qualquer coisa que eu não conseguia identificar, mas ficava curiosa por saber, pois em um desses comentários furtivos ele tinha acabado de falar com Dorothy - se não podia perguntar direto a ele, fui até irmã Verônica.

— Eu estava à sua procura! - disse ela quando me viu chegando - Aquele monge fez perguntas estranhas... - era como Dorothy mesmo dizia, meu instinto nunca falhava, eu não disse nada, apenas ouvi - Ele perguntou sobre a origem das noviças, como elas chegam até aqui!

— E o que você respondeu?

— Eu disse que vim por vontade própria! Mas ele insistiu em perguntar se nunca houve aqui alguma noviça ou freira vinda do norte. - eu olhei curiosa para ela tentando compreender o interesse do monge, mas não consegui assimilar nada.

— Estranho. - olhei ao redor para os outros monges que circulavam pelos corredores - Algum outro mostrou interesse por mais alguma coisa?

— Não, nenhum deles. Estou com medo. - Dorothy tinha a aflição estampada em seus olhos e mesmo tensa tentei reconfortá-la.

— Calma, querida, o que podemos fazer é manter a atenção nesse rapaz, logo a profissão de votos de Mulan termina e todos eles vão embora! - apertei suas mãos entre as minhas e a deixei, precisava conferir os provimentos da cozinha.

Debrucei toda a minha atenção para aquele monge e qualquer coisa que ele fizesse eu estava atenta, só não poderia saber o que tanto sussurrava aos ouvidos do abade e isso me deixava mais apreensiva. Era um rapaz enigmático e parecia ter uma relação mais estreita com o abade do que os outros da comitiva, chegamos a nos falar por duas vezes e revelou-me um grande apreço pelas pesquisas das heresias. Padre Leopoldo passou as refeições conversando com ele, mas sem a empolgação de contar-lhe suas aventuras - parecia que na presença do abade tudo era muito comedido e aquilo causava-me estranheza - Rumple causava-me medo.

A noite que antecedeu a cerimônia passei pela cela de Mulan para certificar-me que estava tudo bem ou se precisava de alguma ajuda. A moça estava radiante, assim como eu estive na véspera de meus votos - parecia o mundo se partiria em dois e começaríamos uma nova vida mesmo que já vivêssemos ali dentro - estar definitivamente vestida com o hábito da ordem parecia-nos renascer. Ao menos era assim que nos sentíamos à princípio, pois, para algumas de nós o tempo correu e tudo não passou de meras ilusões.

— Então, minha querida, tranquila para amanhã? - sorri.

— Estou nervosa, madre! - ela sorriu rapidamente e logo franziu o cenho - Ainda tenho algumas dúvidas e preciso saná-las... - eu não entendi o que ela dizia, mas deixei que terminasse - Eu sempre percebi o seu comportamento com relação à irmã Verônica e nunca tive coragem de questionar sobre isso... - aquele comentário fez meu sangue gelar tanto de medo quanto de espanto diante da audácia da moça - Agora que estou pronta a professar meus votos, eu entendo que não podemos refrear nossos instintos, mas podemos conciliar as coisas, não é?! - lançou-me um sorriso irônico e aguardou que eu revidasse.

— Eu não sei do que está falando, Mulan, mas aconselho que mantenha a atenção na cerimônia de amanhã! Se é realmente o que você quer, precisa entregar-se à ordem e amanhã é a hora crucial para isso! - consegui manter-me firme e sorri para ela calmamente saindo logo em seguida. Voltei rápido para a minha cela e o sono não veio - aquela moça era traiçoeira, mas eu não poderia adivinhar se estava tramando alguma coisa que pudesse colocar em risco meu segredo com Dorothy.

Amanheceu rápido e nem consegui descansar como deveria - as palavras de Mulan deixaram-me muito nervosa, não disse nada à irmã Verônica já que ela estava mais apreensiva com o comportamento do jovem monge. A cerimônia de profissão de votos iniciou às oito horas e, assim como as outras tantas que presenciei, as convenções e dogmas foram seguidos à risca - os celebrantes devidamente paramentados, todas nós enfileiradas nos bancos da frente, eu em uma ponta do banco usando novamente aquelas abas desagradáveis no lugar do capuz diário, mas dessa vez o lincel incomodava mais - acredito que por estar angustiada com o que ouvira na noite anterior. Nos bancos ao lado dos nossos, os monges estavam um ao lado do outro e eu podia ver nitidamente a figura do monge que assustava Dorothy com suas perguntas estranhas.

Durante a celebração, mantive a postura que cabia-me sem deixar de notar os movimentos das pessoas ao meu redor. O abade Rumple, auxiliado pelo padre Leopoldo, transcorria a homilia de forma básica e logo passou ao interrogatório que deveria fazer à Mulan como parte da cerimônia - ali ela deveria confirmar sua consagração a Deus e a prática à caridade perfeita, segundo a regra da sua família religiosa, ou seja, a nossa ordem. Em seguida, minha admiração quanto aos monges fez-me relaxar um pouco ao darem início a ladainha - sim, dessa vez nossas freiras haviam cedido lugar a pedido do abade para que seus monges cantassem durante aquele momento. Enfim, ao chegarmos no momento final da celebração ouviríamos a bênção do abade confirmando o nome que Mulan assumiria na ordem:

“Domine Deus noster, omni animo vocationem auctor, respice propitius fámulum tuum N. Soror Consolationis nostram experiri volentes, divinum beneplacitum cognoscendum et fratrum et confirmatos vos in angaria. Per Dóminum nostrum Iesum Christum, Fílium tuum, Qui cum Deo Patre in unitáte Spíritus Sancti Deus. Amen”

Agora a ordem tinha uma nova freira - irmã Consolação.

Assim como no dia dos votos de Dorothy, o convento saiu de sua rotina e detivemos nossa atenção ao abade Rumple e sua comitiva - eles passariam a noite conosco, também padre Leopoldo decidira ficar e no dia seguinte voltaríamos às nossas atividades normais. Mesmo tentando esquivar-me, não pude negar a visita de Dorothy naquela noite, eu gostaria de não ter motivos para desconfiança de nossos visitantes, mas a vontade de estar junto dela falava mais alto.

— Mais alguma investida do monge?

— Não. - deitei-me nos braços dela e ficamos um tempo conversando - Mulan também está mais distante...

— E você ficou incomodada com isso? - sem ver o rosto de Dorothy lancei aquela pergunta em tom de brincadeira, mas ela não correspondeu - E é irmã Consolação de agora em diante!

— Eu sei, meu amor... - Dorothy continuava distante e séria.

— O que aconteceu?

— Não sei. A presença dessas pessoas aqui dentro, as perguntas do monge e ele nem disse o seu nome, acredita?! - levantei-me e puxei-a para meu colo, era a minha vez de dar-lhe carinho, talvez levasse aquelas preocupações para longe.

Continuamos assim até adormecermos. A sensação de estar com Dorothy trazia uma paz que não saberia descrever em palavras e acredito que ela também compartilhava esse sentimento - estávamos acostumadas a fazer aquilo, algumas horas depois ela acordaria e voltaria para a sua cela. Porém, naquela noite fomos acometidas por um pesadelo que tornou nossa vida um verdadeiro inferno.

Eu despertara primeiro que ela. Pisquei rápido e senti uma brisa incomum dentro da cela - a porta estava aberta. Levantei um pouco a cabeça e vi três pessoas olhando para nós duas - padre Leopoldo, o abade Rumple e irmã Consolação. Como conseguiram abrir a porta eu soube mais tarde, mas meu primeiro pensamento foi sentar-me na esteira e com meu movimento brusco Dorothy também acordou. Eu fiquei paralisada e ela levantou-se instintivamente. O padre saiu logo que certificou-se que estávamos bem acordadas, Mulan sorriu e o acompanhou, mas o abade permaneceu ali - ele caminhou um pouco mais adentro da cela.

— Vistam-se. Espero as duas na capela. - ele deu as costas e fechou a porta. Não conseguimos dizer nada, mas obedecemos suas ordens. Eu não conseguia encarar Dorothy e ela parecia mais perturbada que eu. Assim que estávamos devidamente vestidas com nossos hábitos caminhamos depressa para a capela onde encontramos o abade e padre Leopoldo.

Eu nunca me esqueci do que foi conversado naquela noite. O abade nos lembrou de todas as implicações daquele comportamento e o que ele deveria fazer a partir desse flagrante. Porém, tomou uma atitude bem diferente do que esperávamos e ainda não compreendi muito bem o porquê - todo o tempo que permanecemos ali procurei pelo olhar do padre, mas ele permaneceu calado, tinha o semblante triste e aquela decepção estampada em seu rosto deixava-me mais angustiada.

— O que deveria acontecer agora seria a excomunhão das duas e sua exposição perante a vila, irmãs... - o abade foi dizendo aquelas palavras e à medida que falava meu coração acelerava o compasso - Eu pensei bastante a respeito e creio que não seria a decisão correta, mesmo que possa ter consequências negativas perante a Santa Sé. - sua fala era arrastada parecendo calcular cada uma delas - Precisamos do convento em nossa região e esse escândalo não seria agradável aos olhos da comunidade. Vamos apenas banir vocês do convento e espero que esse incidente não tenha repercussão. Padre Leopoldo pode até ajudá-las a encontrarem um rumo certo para que não tenhamos maiores problemas, não é? - dirigiu-se ao padre que agora olhava-nos com pesar, principalmente para mim.

— Eu vou providenciar a saída de vocês daqui. Tenho um lugar onde poderão ficar. - ele olhou para Dorothy demoradamente em silêncio e depois voltou-se para mim - Espero que encontre paz fora daqui. - os dois foram se levantando e fizemos o mesmo - Voltem para suas celas e peguem seus pertences, minha carroça as levará daqui.

Quando saímos da capela pudemos ver irmã Consolação próxima ao jardim admirando a lua daquela madrugada, tinha a expressão de satisfação - enfim, conseguiu o que planejava. Estava na minha cela e não tinha muito o que levar, a não ser o antigo vestido que guardara antes de assumir definitivamente o hábito - nossa delatora parou na porta e observou.

— Desculpe, madre, mas eu não teria oportunidade melhor. - ela sorriu - Descobri as chaves mestras por acaso no armário da cozinha. - assim ela pode abrir minha cela sem muito esforço - Há algum tempo eu observava essas visitas noturnas e fiquei curiosa, mas depois que irmã Verônica negou-me o que pedia entendi que outra pessoa tinha a sua atenção, então resolvi observar melhor, mas não esperava que fosse justamente você!

Eu não consegui dizer nada à ela, apenas peguei a pequena bolsa e saí dali sem olhar para ela. No caminho para o pátio de entrada vi Dorothy e estava assim como eu - cabeça baixa e expressão séria, seu olhos estavam vermelhos, mas ao contrário, eu não havia derramado nenhuma lágrima - ninguém ali as merecia.

A carroça de padre Leopoldo desceu pela encosta mas tomou outro rumo para além da vila. Seguimos por uma estrada até chegarmos à uma pequena cabana. Ele estava quieto durante todo o tempo até chegar ali.

— Esta cabana é da paróquia e podem ficar aqui até que consigam tomar um rumo para longe daqui. - estendeu a mão e entregou-me um molho de chaves. Nessa hora eu consegui encará-lo, finalmente.

— Eu não tenho o que dizer agora, padre, mas espero que um dia possamos nos falar novamente. - ele apenas sorriu desanimado e fez o gesto comum de bênção.

— Fiquem em paz e tomem cuidado! - deu as costas, subiu na carroça e seguiu o caminho de volta para a vila.

Nunca conseguimos compreender o motivo pelo qual o abade resolvera acobertar nossa expulsão do convento, mas de todos os males isso seria o menor deles. A partir daquela noite, Dorothy e eu conseguimos, enfim, ter uma vida verdadeira entre nós - sem culpa ou repreensão. Mais tarde soubemos que um comerciante que vivia ali perto comprara os objetos de nossas celas, desfazer-se deles era sinal de anular qualquer contato com as pessoas que, de certa forma, utilizaram-se deles erroneamente. Nossas visitas à vila ficaram cada vez mais raras à medida que tornamos nossas necessidades realizáveis ali mesmo - plantar, colher, ter animais e, vez ou outra, trocar objetos e mantimentos com Graham, o comerciante que morava em um sítio perto de nós - isso durou até que ele viajou para longe e por tempo indeterminado, mas logo conhecemos uma mulher chamada Regina que mudou-se para a cabana do viajante e continuou as trocas conosco. Nos tornamos próximas, Dorothy gostava bastante de Regina e não demorou muito para que conhecêssemos também Emma, mas essa nos parecia mais misteriosa, pois nunca estava na cabana durante o dia.

Nossa proximidade com as vizinhas intensificou-se numa noite onde descobrimos a realidade em que as duas estavam presas e isso foi mais assustador que encarar o abade e ainda mais por saber que ele causara aquilo tudo à elas - assim pudemos imaginar que omitir nossa descoberta teria um sentido mais além - ele queria utilizar-se do convento para suas práticas.

Mesmo assustadas com toda a história da maldição de Regina e Emma, nos acostumamos com isso também, afinal não seria ruim ter um lobo como amigo durante as noites. Entendemos que isso, mais tarde, seria primordial para a nossa sobrevivência, uma vez que os perseguidores de Dorothy estavam mais perto do que pensávamos.

***

Precisamos ir até a vila, logo após o almoço, para comprarmos algumas coisas que já estavam escassas em nossa dispensa como farinha e sal. Caminhávamos pela feria quase no fim das compras quando Dorothy estacou diante de um homem gordo e mal encarado. Ele sorriu. “Olhe só quem encontrei! Estou com sorte!” antes que ele pudesse dizer mais alguma coisa, ela puxou-me pelo braço e corremos até nossa charrete - voltamos o mais depressa que pudemos para a cabana e no caminho fui saber quem era aquele homem estranho - um dos irmãos que perseguiam Dorothy desde que deixara Marselha. Nosso calvário estava apenas no início.

Dorothy estava nos fundos da cabana. Eu ouvi trotar de cavalos bem próximos e corri para fechar a porta, mas não tão depressa - um dos homens já estava de pé na entrada - só consegui gritar para que Dorothy ouvisse e fugisse. Logo ele segurou-me pelos braços e lançou-me na cama já amarrando-me ali mesmo. Não pude ver com muitos detalhes, pois tudo aconteceu muito rápido a não ser o momento em que outro homem chegou arrastando Dorothy e deixando-a amarrada junto a mim. A única coisa que conseguimos fazer foi ouvir a destruição de todo o sítio - cada coisa quebrada, cada risada e o cheiro de fumaça que crescia.

Perdemos a noção do tempo deitadas na cama - só podíamos esperar o pior - que eles voltassem e sabe-se lá o que fariam conosco. Porém, a luz do dia já havia dissipado quando vimos um rapaz correr para dentro do quarto - era o menino que estava na companhia de Regina alguns dias atrás e não entendemos a princípio o que ele fazia ali.

— O que está fazendo aqui, menino?! - perguntei em pânico, estava virada de frente para a porta e Dorothy de costas amarrada à mim.

— Eu vim ajudar... - ele disse isso agarrando as cordas que eram grossas e os nós estavam bem feitos. O rapaz correu para fora do quarto quando senti o cheiro de queimado que vinha de cima. Ele voltou para nós e começou a cortar as cordas. O telhado de palha não segurou muito e logo as chamas tomaram conta do lugar todo e caibros caíam por todos os lados. Já soltas não poderíamos fazer muito, o fogo estava alto e a temperatura deixava-nos mais lentos, a fumaça sufocava.

— Emma! - gritou o menino. Estávamos os três encurralados dentro da cabana e o fogo aumentava. De repente uma criatura animalesca postou-se atrás de nós vinda da janela do quarto - era o lobo que havia entrado para tentar nos tirar dali.

— O que é isso?! - Dorothy ficara mais apavorada vendo o tamanho da fera que estava ali, mesmo sabendo quem era. Puxei-a pelo braço até a janela onde o lobo havia aberto o caminho e saltamos dali. Primeiro Dorothy, depois eu. Ouvimos um ranger de madeira forte e logo em seguida um grito e um rosnado desesperador. De repente o lobo agitou-se para fora da cabana deixando Emma apavorada.

— Regina! - ela gritou vendo o lobo desaparecer na escuridão, mas sem pensar ajudamos com que ela subisse pela parede e entrasse na cabana em chamas tirando o garoto de lá.

O lobo, ou melhor, Regina, havia atacado o menino por desespero diante daquele fogaréu e isso deixou Emma arrasada - ele estava desmaiado, certamente pela quantidade de fumaça que inalara lá dentro.

— Para onde vamos agora? - era uma pergunta que eu insistia em fazer, mas não podia acreditar que nossa casa, nossas coisas, tudo tinha virado cinzas. Sentei-me à beira da estrada e pus-me a chorar, não sabia o que pensar naquele momento. Dorothy pegava o que poderia tentar aproveitar com a ajuda de Emma. Colocamos Henry deitado dentro da charrete e depois vi Eclipse, o cavalo de Regina, aparecer seguido de Faísca, o cavalo de Dorothy. Sem compreender muito tudo aquilo ainda consegui ouvir Emma e Dorothy conversando sobre como os homens chegaram até ali, mas em nenhum momento pensamos em contar o motivo.

— Foi muito rápido, Emma! - contava Dorothy - Eu estava lá atrás quando ouvi Ruby e corri... Quando entrei pela cabana senti uma pancada na cabeça e apaguei, quando dei por mim estávamos amarradas e ouvindo eles destruírem tudo... - ela conseguiu tomar todas as iniciativas percebendo que eu não tinha condições para tanto - Não temos mais nada aqui, Emma... - suspirou Dorothy - Avise Regina que se encontrar algum dos nossos carneiros soltos ou uma das vacas ainda viva que fique com tudo, você cuidarão e aproveitarão! Pelo menos é como podemos agradecer... Se não tivessem vindo com a fumaça, talvez nem estivéssemos vivas uma hora dessas... - ela abraçou-me e eu não conseguia segurar o choro ouvindo aquilo tudo.

Terminamos de conferir se havia mais alguma coisa que se pudéssemos levar daquele lugar destruído e subimos na charrete, Emma montava Eclipse e foi na frente. Deixamos Emma e Henry na cabana. Despedimos contando que assim que pudéssemos retornar para Albiano voltaríamos também até a cabana delas. Eram amigas muito queridas e nossas histórias estavam mais entrelaçadas do que poderíamos saber naquela despedida.


Notas Finais


Esse flashback final faz parte do capítulo 8 da fic "A liberdade e a escuridão" - quem ainda não leu, corre lá! =D

Pra quem tem curiosidade a tradução do trecho em latim do texto: "Senhor nosso Deus, autor generoso de toda a vocação, olhai com bondade para vossa serva Irmã Consolação que deseja experimentar a nossa forma de vida, e fazei que esta irmã conheça a vontade divina e nós sejamos confirmados no vosso serviço. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo."

Irmã Consolação apareceu na história da Elsa, lembraram?! Sobre como Ruby e Dorothy descobriram a maldição de Regina e Emma eu contarei no spin-off da Emma que não demoro a postar!

Obrigada por acompanharem Até o próximo!!! Bjusss


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