História Spin-offs - A liberdade e a escuridão - Capítulo 12


Escrita por: ~

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Categorias Once Upon a Time
Personagens Elsa, Emma Swan, Regina Mills (Rainha Malvada), Ruby (Chapeuzinho Vermelho)
Tags Once Upon A Time
Exibições 8
Palavras 2.477
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Homossexualidade, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Ok! Quem estava curioso pode parar de se roer =D Vamos acompanhar a trajetória da Emma...

Leiam as notas finais, por favor!

Boa leitura!

Capítulo 12 - Emma - Parte I


Eu não tenho muitas lembranças da minha infância, mas às vezes vêm à minha mente algumas imagens dos meus pais correndo pela casa, pegando coisas e mudando para outro lugar. Onde eu nasci não tenho a menor ideia, mas meu irmão Neal nasceu em um vilarejo próximo à Roma e é desse lugar que tenho mais recordações, talvez por termos ficado mais tempo morando por lá.

Fui uma criança bem pacata, não era de correr por aí, até porque minha mãe não deixava que eu ficasse tanto tempo fora de casa e algumas vezes precisei trancar-me no quarto quando alguma pessoa que não conhecíamos direito batia à nossa porta. Essa sensação de estar fugindo acompanhou-me por toda a vida e, por mais que tentasse, não conseguia arrancar qualquer explicação dos meus pais.

Meu pai, David, era agricultor, mas também já trabalhou como criador de ovelhas, caçador e agora ganhava um pouco mais ajudando na coleta de impostos. E estes eram bem altos, mas como ele contribuía com a contabilidade nós tínhamos um abatimento no fim das contas. Já minha mãe gostava de cozinhar e chegou a trabalhar numa estalagem em outra cidade onde vivíamos - no momento ela apenas cuidava da casa e contava comigo para cuidar de Neal. Já era quase um rapaz, mas mamãe insistia que precisava ser vigiado o tempo todo, pois seu juízo escapava dos eixos.

O que eu estranhava era que não éramos uma família tão religiosa como as outras que moravam por perto. Mary Margaret, minha mãe, não acompanhava as outras mulheres à igreja e eu nunca fui chamada para o catecismo e isso era a parte boa, pois não gostava do padre daquele lugar. Meu pai não dizia uma só palavra quando questionava os hábitos incomuns da nossa família, mas depois de alguma tempo eu fui deixando essas implicâncias e atendo-me à leitura, um prazer que tenho até hoje - naquela época, Neal e eu fazíamos alguns trabalhos para uma senhora que vendia quitandas na vila e em troca ela deixava que lêssemos os tantos livros que ela guardava em casa - e eram muitos! Fábulas, registros de reis e casas nobres, ofícios cristãos e até livros de bruxaria, mas esses apenas ela tinha acesso. Aquela senhora era viúva, o marido faleceu de repente e ela dizia que a tristeza o levara mais cedo por saudades da filha - eu nunca perguntei o que aconteceu com a moça e ela também não tocava no assunto, porém eu percebia nela alguns momentos de distração e seu rosto enchia-se de sombras - parecia se recordar de algo muito ruim. As únicas vezes que eu me recusava a ir até a casa daquela senhora era quando o padre estava lá, então, Neal ia sozinho e ficava com todas as moedas, mas eu não me importava contanto que não me aproximasse daquele homem.

Eu tinha razões para não querer proximidade com aquelas pessoas de roupas longas. Eram sombrias e causavam-me muito medo. Fiquei convicta de que não eram boas pessoas depois de um episódio que a vila inteira presenciou e que demorou um tempo para eu esquecer. Certa vez chegaram por aqui homens encapuzados e muito sisudos - minha mãe tentou esconder-me à todo custo, mas eu era teimosa e queria ver aquela comitiva silenciosa mais de perto. Eles iam montados a passos lentos atravessando a vila até que pararam na pequena praça - eu corri entre caixas de madeira, carroças e amontoados de sacos e lixo, aquele lugar não era exemplo de limpeza. Consegui ficar bem próxima de um homem que usava preto, diferente dos outros - ele tinha um pergaminho nas mãos. Enquanto ele abria aquele objeto e corria os olhos por ele, os outros preparavam uma fogueira bem no meio da praça. De longe eu via meus pais caminhando desesperados procurando por mim, mas consegui ficar mais escondida. Neal não estava com eles, provavelmente trancado em casa por ordens de nossa mãe.

Distraí-me tentando esconder-me mais e nem notei quando trouxeram uma mulher bem conhecida da vila - ela morava numa cabana longe dali, mas sempre vendia xaropes, elixires e qualquer outra coisa que curasse algum mal. Foi então que eu percebi o que estava acontecendo bem diante dos meus olhos. O homem de túnica preta ergueu o pergaminho na altura da cabeça e, muito imponente, leu o que estava escrito nele.

 

A referida mulher diz e afirma que está certa do que vai acontecer acerca de certas coisas futuras. No que se refere às coisas ocultas, gaba-se de as conhecer, ou de as ter conhecido.

A dita mulher confessa e reconhece que curva-se às práticas de bruxaria e magia negra.

Esta mulher diz e confessa toda a devoção e toda a honra às forças malignas proibidas pela Santa Madre Igreja. Dedicou-se a elas e obedeceu-lhes sem consultar ninguém, nem pai, nem mãe, nem cura, nem prelado. Repete que acredita nelas tão firmemente como os justos na fé cristã.

Declaramos:

Essa mulher é cismática por ter desobedecido à Igreja.

É ignorante e herética por recusar o símbolo da Igreja Una, Santa e Católica.

É “veementemente” suspeita de heresia.

Estou aqui, para exortá-la pela última vez a arrepender-se de tudo que fez e pedir perdão a Deus!

Terminará aqui o papel da Igreja que a entregará ao Estado e à justiça, braço secular, para concretizarem sua pena – a fogueira.

 

À medida que aquele homem lia eu ficava mais arrepiada e mais gente aglomerava-se em torno da mulher atrelada à fogueira. Mais tarde compreendi que o que ouvi era a condenação e a sentença de morte da pobre curandeira que havia declarado bruxa. Eu ainda ouço seus gritos quando o fogo alcançou-lhe a carne, eram pavorosos e arrependi-me por ser tão curiosa. Arrastei-me bem junto ao chão para que ninguém me visse e fui saindo devagar daquela cena de terror quando dois braços fortes me agarraram por trás - era meu pai, muito nervoso, tirando-me dali.

— Emma! Não deveria estar vendo isso! - ele arrastava-me com brutalidade, mas eu não chorava por isso, chorava por pena da mulher que ardia no meio das chamas na praça. Depois daquele dia passei a ter pesadelos e não passava em frente à igreja temendo que a qualquer momento aqueles homens voltariam para queimar mais alguém.

Com o passar do tempo as lembranças foram dissipando-se e voltei a dormir tranquila. A senhora dos livros ficou mais dócil depois desses episódios e respondia minhas questões sobre a inquisição, a bruxaria, mas somente uma única coisa ela não me respondia - o que tinha acontecido com sua filha - o que eu sabia era que a moça tinha um pouco mais de idade do que eu, mas se estava viva ou não ela não dizia.

Neal foi afastando-se um pouco dos trabalhos da quitanda depois que meu pai o colocara para trabalhar definitivamente na lavoura junto com ele. Durante a semana, meu irmão saía escondido à noite para beber na taverna com os amigos e, por mais que meus pais descobrissem, ele continuava naquela rotina. Preocupava-me a forma que meu irmão tratava de sua vida, pois a cada dia ele bebia mais e minha mãe desesperava-se vendo o filho tão jovem caindo pelos cantos da vila ou arrastado para casa pelos amigos que não se importavam, apenas bebiam junto com ele. Não demorou muito para que aquele comportamento levasse a delitos maiores, deixando meus pais ainda mais alarmados com toda aquela situação.

Por várias vezes o taverneiro havia reclamado que Neal andava roubando suas bebidas e outra noite o padre veio nos visitar, para meu desespero, dizendo que ele assaltara o cofre do altar da igreja. Não tenho como descrever em palavras o estado em que essas notícias deixavam minha mãe, todos os prejuízos eram pagos e cada vez ficávamos sem nossas economias a ponto de faltar-nos provisões para o inverno. Vivíamos em épocas difíceis com guerras e doenças por toda a parte, mas Neal caminhava para uma escuridão sem precedentes e pouco lhe importava o que poderia acontecer conosco.

Algumas vezes contamos com a ajuda da quitandeira que levava alguns pães para minha mãe e, por vezes, mandou que o homem do mercado nos levasse grãos, mel e charque. Durante um bom tempo eu ficava mais horas do dia em sua casa e ela começou a ensinar-me suas receitas, logo eu fazendo pães, bolos e biscoitos - depois fui entender que ela queria tirar-me um pouco da miséria que nossa vida estava se tornando e pediu à minha mãe que eu fosse sua ajudante na quitanda. De fato, eu passava mais tempo na casa dela do que na minha própria e até algumas noites ficávamos sentadas próximas à lareira onde ela contava-me algumas histórias.

— As coisas materiais são frágeis, Emma, uma hora estamos confortáveis em nossa própria casa e no segundo seguinte precisamos criar qualquer situação para sobreviver. - ela ia dizendo isso e trançando meus cabelos enquanto eu tinha nas mãos um pequeno escrito sobre magia. Acreditava eu que ela dizia aquilo mirando-se na situação da minha família e tentava não dar ouvidos.

— Como tem tantos livros e escritos sobre bruxaria?

— Eu já disse que existem coisas que não precisam ser ditas e nem comentadas, não é? - dizia isso em tom manso, mas eu percebia seu desconforto, então aproveitei de nossa calmaria para ser mais um pouco atrevida.

— Você pratica? - era uma curiosidade que queimava-me por dentro, mas jamais tive oportunidade melhor para perguntar e fui mais além - Se pratica, pode me ensinar? - esperava que minha trança fosse lançada ao fogo junto com o restante do meu corpo e logo lembrei-me da curandeira na praça, mas para meu espanto ela não demonstrou qualquer irritação com o que dizia.

— E por que você quer aprender, Emma? - era uma boa pergunta, pois eu havia feito por impulso, mas agora teria que ter um bom motivo.

— Não sei ao certo. - hesitei - Quem sabe posso tirar o Neal dessa bagunça que a vida dele se tornou?! - diante da minha ingenuidade ela apenas sorriu e findou a trança nos meus cabelos, conferiu o trabalho pegando meu rosto com as duas mãos.

— Acredito que magia não teria efeito em Neal, minha querida. - de repente seu rosto enrubesceu e afastou o sorriso dele - Não queira a magia, Emma, isso tem um preço que poucos podem pagar. - fiquei com aquela frase enigmática na minha cabeça por um tempo, mas algumas vezes aquela senhora tinha uma atitudes extravagantes e era o jeito dela, às vezes aparecia para trabalhar na cozinha com jóias, outro dia aparecia vestida como uma dama nobre - particularmente eu me divertia com aquele comportamento tão inconstante.

E suas ações estranhas não paravam de me surpreender. Numa manhã, bem cedinho, eu estava a caminho de sua casa para iniciar mais um dia de trabalhos na quitanda - estaquei no meio da rua quando vi uma figura medonha para da na porta conversando com ela - um homem, como aqueles da fogueira, estava ali falando com a quitandeira como se fossem velhos amigos - ele usava uma túnica marrom e o capuz estava jogado nas costas, cabelos pretos bem curtos, pele também escura, alto e magro. Eu corri para o canto da taverna que era bem próxima dali e fiquei observando os dois. Ela entregou ao homem um livro grande de capa escura, logo despediram-se não sem antes olharem para os lados conferindo se alguém percebia o que faziam ali. Ele subiu numa charrete e foi-se pela vila. Respirei fundo, ajeitei meus cabelos e caminhei para o trabalho já tentando segurar minha língua para não perguntar à quitandeira quem era o homem e o que fazia àquela hora da manhã em sua casa.

Já estávamos na cozinha durante algumas horas e eu não havia pronunciado nenhuma palavra que não fosse "sim", "não", "por favor" e "obrigada" - curioso para uma tagarela feito eu e isso chamou a atenção da mulher.

— Emma, algo está incomodando você. O que é? - eu arregalei os olhos e engoli seco. Até tentei disfarçar, mas apenas gaguejei condenando mais ainda meu comportamento.

— Não, senhora, quer dizer... - comecei a tremer - ... Não é nada. - ela parou diante de mim e sorriu, claro que não era nada, assim eu não tive alternativa - ... Quem era aquele homem que estava aqui hoje pela manhã? - ela ficou séria e virou-se para a mesa onde havia massas crescendo e muita farinha.

— Um amigo. - sua voz estava baixa e ela continuou - Emprestei um de meus livros a ele.

— Emprestou um livro de magia para um monge? - aquela pergunta saiu da minha boca tão alto que eu mesma assustei-me, tapei minha boca e arregalei ainda mais os olhos sentindo minhas bochechas queimarem. Ela sorriu abertamente como se minha pergunta fosse uma piada.

— Querida! Precisamos dar um jeito nessa sua implicância com padres, monges e tudo mais! - abraçou-me e chegamos mais próximas à mesa - Que tal se começássemos umas aulas de catecismo aqui mesmo em casa? - eu assenti por impulso e ela foi adiante - Você verá que não há o que temer e esqueça essa história de magia, minha criança, aquele livro era literatura antiga, além de monge aquele homem é um poeta! - beijou-me a testa para, em seguida, continuar a enrolar os biscoitos sobre a mesa - Agora mãos à obra que temos uma entrega grande para fazer hoje!

Enfim, o que parecia impossível era uma realidade na minha vida a partir daquele dia - eu comecei a estudar catecismo com minha patroa todos os dias ao final do trabalho - isso não deixou meu pai muito contente. Depois do jantar naquela mesmo noite, quando contei a novidade fui repreendida.

— Não, Emma, não tem porquê fazer isso!

— Pai, acredito que aprender um pouco mais de alguma coisa não tem mal algum. - minha mãe manteve-se calada até aquele momento olhando para seu prato de sopa.

— O que pensa que vai aprender com tudo isso? - ela olhou-me de uma forma que gelei - Vivemos muito bem até hoje distantes de religiões não acredito que agora isso vá mudar alguma coisa. - ela falava de maneira autoritária e eu não compreendia o motivo de tanta resistência, mas não poderiam com a minha teimosia.

— Eu não vou recusar, quero aprender e ponto final. - deixei a mesa apesar dos gritos de ordem para que voltasse. fechei a porta do quarto e joguei-me na cama de olhos fechados e nem percebi que uma sobra esgueirava-se pela janela. Era Neal partindo para outra noitada.

Tentei pedir que não fosse beber, pelo menos naquela noite, mas não me ouviu. Saiu dali como um gato traiçoeiro. Apesar de todo o cuidado para escapar de casa, meu irmão não fazia ideia do que aquela madrugada traria para nossa família.


Notas Finais


A leitura do pergaminho de condenação da bruxa é parte da condenação e sentença da própria Joana D'Arc, com algumas adaptações.

Alguém tem algum palpite sobre os mistérios dessa primeira parte?! Deixem nos comentários!

Até o próximo! bjusss


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