História Spin-offs - A liberdade e a escuridão - Capítulo 2


Escrita por: ~

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Categorias Once Upon a Time
Personagens Elsa, Emma Swan, Regina Mills (Rainha Malvada), Ruby (Chapeuzinho Vermelho)
Tags Once Upon A Time
Exibições 13
Palavras 2.197
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Homossexualidade, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 2 - Regina - Parte II


Minha adolescência em Trento foi bem divertida. Eu cresci com pessoas parecidas comigo - para o desespero de Cora. Meu pai não teve muita dificuldade de encontrar clientes e o trabalho não faltava, assim, tínhamos a garantia de uma vida agradável além dos padrões restritos da época.

A velha mania de mamãe querer casar-me com alguém rico não ficara em Saboia, isso a seguiu para Trento e logo começou suas articulações para levar-me ao altar com uma gorda quantia em ouro na futura herança. O alvo de Cora dessa vez era o filho de um homem criador de cavalos - o rapaz, Daniel, era interessante, bonito, mas alguma coisa não me deixava ver naquela relação algum progresso. Ele sempre tão atencioso, educado e carinhoso, mas nada me fazia ver nele além de um grande amigo, pois eu também tinha um carinho grande por ele, nada mais do que isso.

Minha agitação de infância tinha, em partes, dissipado, mas nunca deixei a personalidade questionadora - sempre com fôlego para discutir os porquês e para quê - meus pais, na maioria das vezes, deixavam-me falando sozinha, contudo minha mãe insistia em moldar-me. Professores de etiqueta e até um cravo tentaram fazer com que tocasse, mas em vão, meu interesse era pelas letras e estudo das ideias e das artes - um universo que abria portas para o pensamento. Às vezes ainda pensava em Robin e por onde ele andava ou se ainda estava vivo, algumas noites cheguei a sonhar com ele, corríamos pela floresta e não havia nada que pudesse nos controlar. Daniel sabia de tudo e sempre ficava curioso pelas minhas aventuras infantis, dizia que nem ele, um menino, havia feito tantas coisas interessantes quanto eu. Também sabia da minha opinião sobre o casamento, mas suspirava dizendo que era paciente e que teria todo o tempo do mundo para me esperar - confesso que por algum tempo eu também acreditei que isso seria possível, mas uma pessoa que apareceu no meu caminho em Trento levaria qualquer chance com Daniel ou outro casamento qualquer para bem longe.

Foi num inverno desses que endurecem até os ossos. Minha mãe havia conseguido uma professora de pintura para mim e quando a mulher apareceu na minha casa pareceu que uma onda de calor derreteria toda aquela neve. Seu nome: Eva - tinha a pele clara e cabelos compridos e negros, seus olhos azuis cintilavam e destacavam-se naquela paisagem branca do frio do norte. As aulas eram mais prazerosas durante aqueles dias, eu senti um profundo carinho por Eva e com o passar do tempo fui percebendo que não era só eu que nutria esse sentimento. Está certo que quando fui descobrindo que meus gostos eram mais requintados e exóticos que das outras pessoas eu me senti diferente, mas não me recriminei por isso em nenhum momento, só escondi o que eu sentia para não ter mais problemas nem com minha mãe nem com Daniel, nem com ninguém. Mas, Eva fazia-me sentir mais livre, suas aulas não se limitavam apenas nas misturas das cores e as técnicas de luz e sombra - já era bem diferente uma mulher dar aulas daquela arte que, na maior parte das vezes, eram os homens que se destacavam - ela fazia com que tudo tivesse um sentido único - a forma de falar, se portar e sentir.

— Você não precisa se prender a nada, Regina, apenas seja o que é!

Essa frase acompanhou-me durante um bom tempo, ainda consigo ouvir sua voz dentro da minha cabeça, mas o que poderia ter sido uma grande experiência tornou-se um pesadelo irreparável.

Uma certa tarde, quando estava com Eva na sala de casa, meu pai precisou ir até uma vila entregar algumas peças que lhe foram encomendadas, assim, Cora aproveitou a ocasião para ver, como ela mesma dizia, paisagens diferentes. Despediram-se de nós logo depois do almoço e partiram. Eu estava pintando uma tela onde retratava nossa antiga casa em Saboia, gostava daquele lugar e pedi à Eva que pudesse reproduzir o lugar, o que ela prontamente dispôs-se a ajudar - primeiro eu disse todos os detalhes, fizemos um esboço e começamos o trabalho.

— Está cada vez melhor, Regina.

— Obrigada, mas sem a sua ajuda não poderia chegar até aqui.

— Isso é uma mentira, já disse que você é especial e pode fazer o que quiser. - Eva gostava de conversar mais próxima e pegou minha mão para direcionar o pincel - Vê aqui, contorne com mais suavidade... - o perfume dela estava saboroso naquela tarde e eu senti um calor subindo pelo meu corpo - Eu gostaria de fazer um retrato seu.

— Sério? - eu achei aquilo bem inusitado, mas gostava da ideia de ter um retrato meu feito pela própria Eva.

— Você é muito bonita, Regina, precisamos eternizar essa beleza. - quando terminou essa frase eu já sentia os lábios de Eva selando os meus e depois sua língua invadindo a minha boca. Era tudo muito confuso e estranho, mas depois de alguns segundos eu me entreguei, soltei o pincel e me levantei. Eva passou os braços pela minha cintura e ficamos nos beijando por algum tempo. Quando nos afastamos eu sorri ainda um pouco envergonhada e Eva olhava fixamente para mim.

— Deveríamos realmente fazer isso? - eu perguntei aquilo, mas queria mais. Não sabia o que sentia, eu só queria que não parasse. Eva então, agarrou-me pelos braços e nos sentamos no sofá, ela cobria-me com seu corpo e envolvia-me em abraços suaves enquanto nos beijávamos. Subiu meu vestido até a altura da minha coxa e apertou levemente. Nos faltava ar, mas a vontade era maior - de repente eu abri os olhos e com um movimento brusco tirei Eva dali com um empurrão. Sem entender nada a mulher olhava-me com espanto, mas não havia notado que eu estava muito amedrontada. Eva virou-se para trás e olhou para a porta - Daniel estava parado nos observando com um semblante assustador - não se mexia, não emitia nenhum som, só olhava para nós como se estivesse diante de dois monstros que o atacariam a qualquer momento.

— Daniel... - eu quis explicar, quis justificar, pensei em milhares de coisas em poucos segundos, mas ele interrompeu-me.

— Não diga nada, por favor. - meu coração congelou quando ele deu as costas e se foi sem que eu pudesse alcançá-lo. Saltou sobre o seu cavalo e partiu à galope.

Entrei em desespero após ver Daniel sair daquela maneira. Eva por sua vez estava mais calma e tentou fazer com que eu ficasse tranquila, mas era impossível - já imaginava o quanto Cora condenaria minha atitude e o casamento já não existia mais nenhuma possibilidade de acontecer. Eu precisava pensar. Mandei Eva embora. Ela não entendeu, mas pedi que fosse embora até que as coisas ficassem bem, eu sabia que minha mãe montaria um cenário caótico e não gostaria que ela fosse envolvida. Combinamos de nos encontrar assim que eu contornasse aquela situação - não sabia como, mas daria um jeito. Ela ainda tentou ficar para que eu não enfrentasse meus pais sozinha caso Daniel adiantasse as coisas e contasse a eles, mas eu insisti que fosse embora. Eu queria muito ficar sozinha.

Aconteceu como a própria Eva previra. Daniel esperou que meus pais passassem pelo centro da cidade e encontrou-os na loja do ourives. Eu não faço ideia do teor da conversa, a forma que Daniel contou a eles o que havia flagrado na nossa sala. Quando chegaram em casa, minha mãe entrou pela sala gritando por mim. Eu estava em meu quarto no andar de cima e ainda tentava permanecer calma para enfrentar o que estava por vir.

— Você ficou louca? - eu não pude ver muito bem, Cora entrou rápido no meu quarto e deu-me um bofetão muito forte. Senti seus dedos estalarem no meu rosto, mas permaneci firme, não daria à ela nenhuma das minhas lágrimas - O que pensa que está fazendo, Regina?! Onde está sua professora?

— Foi embora.

Cora sentou-se na minha cama e parecia que seu coração saltaria pela boca. Ao mesmo tempo que ela chorava, praguejava o quanto eu era ruim para ela e meu pai. Ouvir aquelas palavras de minha mãe foi como se ela tivesse lançado mão no meu peito e arrancado meu coração, mas o que viria a seguir era como esfacelá-lo entre os dedos.

— Você não merece viver mais conosco, Regina. - meu pai entrava no quarto mais apavorado do que eu mesma.

— Cora, por favor, vamos resolver isso de forma sensata.

— Henry! E você acha que Regina pensou nisso quando resolveu se atracar com outra mulher na nossa sala? - ela andava de um lado para outro na minha frente, eu só fiquei ali sentada na minha cama aguardando a sentença - Daniel veio até nós tão assombrado que achei que algum acidente grave havia acontecido! - minha mãe estava completamente fora de si - E antes fosse um acidente...

— Cora! - meu pai pouco poderia fazer, quem ditava as regras daquela família era ela.

— Mas eu posso dar um jeito em você, Regina! Arrume-se para viagem e você também, Henry! - olhei para minha mãe tentando entender o que ela pretendia, mas meu pai foi mais rápido na pergunta:

— Para onde vamos?

— Nós só a levaremos, querido. Regina vai para um convento que fica em Albiano.

Era a última coisa que eu poderia pensar que minha mãe faria. Enclausurar-me em um convento. Eu não consegui raciocinar nos minutos que se passaram logo depois que Cora decidiu o que fazer comigo. Não adiantou meu pai querer intervir ou remediar, estava resolvido - eu teria algumas horas para preparar-me e sairíamos tão logo a noite chegasse, pois minha mãe não queria que ninguém nos visse deixando a cidade temendo que a uma hora daquelas todos já sabiam do grande escândalo que caíra sobre a nossa família. Eu decidi por mim mesma que não seria trancada naquele lugar, teriam que tirar-me a vida. Assim que os dois deixaram meu quarto corri para a janela - iria sair da casa por ali e depois correria para algum alugar, não importava para onde, eu não poderia ser levada para o convento. Queria encontrar Eva e assim que consegui descer agarrada pelas pedras da parede corri o mais rápido que pude e fui até a hospedaria onde minha professora estava. Todos que conversavam no salão do lugar olharam para mim - eu estava com o vestido rasgado e suada - fui até o homem que estava no balcão e pedi que me dissesse em que quarto Eva se encontrava, foi então que minha tristeza se fez maior que meus problemas - Eva não estava mais hospedada ali, ela saiu em uma charrete de volta a Roma havia alguns minutos. Então, eu tentei correr na direção que a charrete tomara, mas inútil, não conseguiria alcançar mais ninguém.

Parada no meio da rua tentando achar uma forma de escapar do destino que Cora havia definido, senti uma mão agarrar-me pela cintura com brutalidade e colocar-me no alto de um cavalo - era Daniel. Ele prendeu-me deitada sobre seu cavalo e galopou, mas da forma que eu me encontrava não sabia para onde íamos. E foi assim por um longo tempo até que senti o cavalo parando e quando desceu ele voltou a agarrar-me com violência.

— O que está fazendo? - nunca vi nos olhos de Daniel tanta ironia e desprezo.

— Seus pais estão confiantes que a levarei de volta segura e eu o farei... - senti as mãos dele apertando meus pulsos - Antes eu preciso lhe mostrar como você deve se comportar, sua vagabunda! - eu quis gritar mas ele deu-me um tapa no rosto e avançou com sua boca para beijar-me.

Deitou-me sobre a grama no meio do nada, eu não via a estrada por perto, só o cavalo de Daniel. Ali ele levantou meu vestido e jogava seu peso todo contra meu corpo. Parecia um animal. Fiquei um pouco zonza por causa do peso de Daniel, o estômago embrulhava e tudo foi ficando turvo. Quando acordei eu estava deitada no sofá da minha casa. Gritei alto e sentei-me rápido. Mamãe estava de pé diante de mim. Ela olhava para mim com reprovação. Procurei por mais alguém na sala com medo de Daniel estar ali também, mas estávamos sozinhas.

— Você perdeu a oportunidade de casar-se com um homem bom que poderia dar à você mais do que poderia imaginar, mas ao invés disso você resolveu estragar tudo!

Eu quis dizer à minha mãe o que Daniel havia feito antes de levar-me de volta para casa, mas ela não permitiu, pois não parava de falar o quanto eu fui rebelde, o quanto fui ingrata e o quanto ela estava decepcionada. Meu corpo ainda sentia o peso dele, suas mãos grosseiras e seu cheiro forte e seu gosto nojento. Cora não poderia imaginar aquilo e eu não poderia dizer nada, sentia-me suja e a pior pessoa daquele lugar, nem pensei mais em Eva que já estaria longe uma hora daquelas.

Talvez fosse melhor ir para aquele convento e simplesmente terminar os dias do resto da minha vida em um lugar que esconderia minha vergonha e minha raiva.



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