História Spin-offs - A liberdade e a escuridão - Capítulo 3


Escrita por: ~

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Categorias Once Upon a Time
Personagens Elsa, Emma Swan, Regina Mills (Rainha Malvada), Ruby (Chapeuzinho Vermelho)
Tags Once Upon A Time
Exibições 11
Palavras 2.479
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Homossexualidade, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 3 - Regina - Parte III


A viagem pareceu ter o dobro das horas. Ninguém dizia nada dentro daquela maldita charrete. O cocheiro recebeu ordens de parar só quando chegasse a Albiano.

Pensava em tudo o que me acontecera nas últimas horas e era assustador - em menos de um dia minha vida deu várias cambalhotas indo parar no lugar menos provável. Provei o gosto de uma mulher e percebi que nunca havia sentido aquilo antes - leveza e satisfação. Depois meu pretendente juntou-se à minha mãe para acabar com a minha vida, antes disso alterou um pouco os planos e resolveu tomar atitudes irracionais que Cora jamais saberia - agradeço por ter desmaiado, o que sobrou foi apenas minha alma quebrada, mas eu seria forte o suficiente para dar um jeito naquilo. Agora estava a caminho de um convento onde passaria o resto da minha vida, pelo menos era assim que minha mãe pensava, meu pai pouco havia se pronunciado, ele sempre fora submisso à minha mãe, por mais que tentasse defender-me dos seus abusos, em alguns momentos era impossível escapar dos desmandos de Cora Mills.

Tentei dormir por várias vezes, mas sempre as imagens de Daniel sobre mim vinham à minha mente e não queria pensar naquilo. Encolhi-me no banco da charrete e apenas mantive-me aquecida, aquela madrugada estava particularmente gelada. Mamãe e papai sentados em frente, um ao lado do outro, mas sem balbuciar uma palavra sequer. Henry Mills estava triste e, vez ou outra, lançava aquele olhar sobre mim, fazendo-me sentir mais culpada por ter desencadeado toda aquela situação. Mamãe calou-se desde que saímos de casa e em nenhum momento da viagem percebi que ela tivesse olhado para mim.

Acredito que cochilei por algum tempo, mas logo senti o baque da charrete, parecia que havia muitas pedras no caminho e olhei furtivamente pela janela - uma encosta de pedra cinzenta agigantava-se adiante e lá no alto e cada vez mais próxima as construções encrustadas naquele grande paredão - estávamos chegando ao convento de Albiano.

A charrete parou em frente aos portões de madeira escura. Meu pai desceu e um dos sentinelas daquela madrugada abriu a portinhola para indagar quem estava ali. Quando meu pai se identificou e disse-lhe o motivo da visita, a portinhola fechou-se novamente, meu pai retornou para dentro do coche esfregando as mãos para aquecê-las. Permanecemos esperando por um longo tempo e o silêncio era perturbador - mamãe e seus suspiros pesados mostrando que estava entediada e meu pai olhando-me como se estivesse despedindo-se de mim. Quando o portão, finalmente, se abriu já estava amanhecendo e um padre saiu dali sorridente acompanhado de uma freira. Ambos não pareciam tão velhos, meus pais desceram rapidamente para cumprimentá-los.

— Bom dia, meus filhos, eu sou o padre Leopoldo e essa é a Irmã Maria Piedade.

— Sou Henry Mills e esta é a minha esposa Cora.

Apresentações feitas, minha mãe tomou as rédeas da conversa.

— Pedimos que receba nossa filha aqui no convento, padre... - eu ouvia minha mãe, mas não via suas expressões - Tivemos um grande problema em nossa vila há alguns dias e creio que ela não possa mais ficar lá. - ela não esperava que alguém falasse e foi adiante com sua história absurda - Fomos atacados por um grupo bárbaro e nossa filha... Bem... - eu não acreditava no que ouvia, minha mãe caiu no choro compulsivo.

— Eu entendo, minha filha e não se aflija. - o padre havia acreditado na conversa e até eu acreditaria diante daquela pobre mãe abalada se não conhecesse quem era.

— Onde ela está? - a freira pela primeira vez havia falado e então pude ver parcialmente seu rosto tentando olhar pela janela do coche.

— Regina. - minha mãe ainda chorava quando pronunciou meu nome depois de horas sem dirigir-me a palavra. Eu desci de imediato e me coloquei diante do grupo. Seria como ela havia determinado, eu não estava disposta a enfrentar ninguém ali, mas pensaria numa forma de contornar aquilo tudo. Eu precisava pensar em algo e bem rápido. Naquela hora os dois religiosos olhavam-me, mediam-me de cima abaixo e eu não pude deixar de me sentir desconfortável com a situação.

— Que linda moça! - exclamou o padre - Seja bem-vinda, Regina.

Eu apenas sorri. Quando percebi minha mãe já estava subindo de volta ao coche para partir. Olhei meu pai de repente e senti um aperto no peito. Ele estava parado olhando-me com aquele olhar que vi durante a viagem, apenas o agarrei muito forte e não disse mais nada. Nós dois ficamos ali alguns segundos, em silêncio, só nossas lágrimas faziam-se notar. A freira, então, passou as mãos pelas minhas costas e foi tirando-me dos braços de meu pai devagar.

— Venha, criança, agora nós cuidaremos de você.

Eu estava destruída. Não consegui olhar para trás. Apenas ouvi o barulho da charrete se afastando e caminhei para dentro daquele lugar amparada pela Irmã Maria Piedade. Nunca poderia imaginar que seria a última vez que tinha sentido o calor do abraço de meu pai.

Os primeiros dias foram estranhos. Eu não conseguia comer direito e pouco falava com as outras mulheres daquele lugar. Periodicamente o padre Leopoldo conversava comigo, mas não dava qualquer retorno, sempre monossilábica e distante. Eu tinha uma cela com um baú, uma esteira, uma mesa com cadeira, sobre a mesa um candeeiro e na parede um crucifixo grande de madeira. Fazíamos as orações pela manhã e depois do desjejum começávamos os trabalhos - no início eu ajudava na limpeza e era uma tarefa muito difícil - o lugar era grande e tínhamos que deixar tudo limpo, todos os dias. Com o tempo eu fui levada a ajudar na horta do convento - legumes, verduras, frutas - tinha de tudo um pouco ali dentro e era um trabalho até prazeroso - o contato com a terra, o plantio e a colheita. Porém, dentro de mim a vontade de sair era latente, eu não poderia aceitar o que minha mãe escolhera por mim.

Logo eu comecei a interagir mais com as outras freiras. Algumas era simpáticas e tinham alguma paciência em ensinar o trabalho ou algumas rotinas religiosas que eu não tinha tanta habilidade. Outras eram mais sisudas e ignoravam-me por completo, mas, acabei acostumando com aquilo e com o passar do tempo elas passavam despercebidas durante meus dias. Padre Leopoldo era um homem muito simples e devoto, dava para notar sua satisfação pelo sacerdócio e o cuidado que tinha com o convento - ele atendia a vila próxima aos pés da encosta onde o convento fora construído e estavam esperando uma madre superiora para assumir o lugar para que ele pudesse se dedicar a sua própria paróquia. Nossas conversas começaram a ficar mais prolongadas e eu passei a sentir prazer nos assuntos que tratávamos - a alma humana e suas fraquezas, os dogmas da igreja, a beatitude e a vida de clausura - ele percebia que eu não gostava totalmente de estar ali e tentava amenizar minha angústia. Foi numa dessas conversas que ele resolveu mostrar-me um lugar do convento que eu, até então, não sabia que existia.

Conduziu-me pelo corredor onde ficavam nossas celas e continuamos até um pequeno corredor, quase escondido, que levava a uma escada pedregosa. Descemos por ali e entrei num escuro. Padre Leopoldo pegou um candeeiro que estava pendurado na porta e acendeu, pois o lugar era um verdadeiro breu. Ele fez sinal para que eu esperasse e caminhou pela escuridão acendendo outros candeeiros até que todo o lugar ficou iluminado. Confesso que nunca tinha visto um lugar com tantos livros, meu pai tinha uma biblioteca em nossa antiga casa, mas era apenas uma pequena parte do que estava diante de mim.

— Nessas mesas você pode estudar. Temos tinta, pena e papéis ali! - mostrou-me quatro mesas no meio do cômodo e apontou uma prateleira. Eu não compreendia muito bem o que padre pretendia, mas ele mostrava-se feliz por fazer aquilo - Aproveite, filha, eu sei que você gosta de leitura e se interessa por muitas coisas. Acredito que aqui seu coração encontrará um pouco de paz. - olhou-me de um modo que pensei em papai e quis chorar, mas contive-me. O padre saiu dali deixando-me à sós com o que foi minha companhia durante uma boa parte dos dias que vieram a seguir. Aquele homem era de uma sensibilidade tamanha que havia acertado em cheio o que precisava para acalmar a minha alma. Eu passei a frequentar a biblioteca do convento todos os dias e, às vezes, até durante noites e noites. Devorava cada livro, lia todos os pergaminhos possíveis e escrevia sobre o que eu estudava.

Em pouco tempo comecei a auxiliar o padre Leopoldo em suas tarefas litúrgicas e não demorou muito para que eu mesma sentisse vontade de realizar meus votos deixando de lado, temporariamente, minha vontade de sair dali de imediato. Eu já estava auxiliando outras noviças que chegaram depois de mim e as mais velhas ficavam satisfeitas por não terem que se dar ao trabalho de ensinar, mesmo que algumas, como sempre, se opusessem por eu ser ainda muito jovem e apenas uma noviça. O padre, então, apressou a data da realização de meus votos e em pouco tempo eu estava diante do altar da capela do convento vestida com uma túnica branca e usando um longo véu que cobria da cabeça aos pés. Escolhi meu nome de batismo em homenagem à mãe da Virgem Maria, agora eu passava a atender por Irmã Ana. Algum tempo depois é que percebi o quanto aquele nome me protegeu, mas a Regina ainda estava dentro de mim, cada vez mais viva e mais atenta.

Por um longo tempo meu coração encontrou paz. Eu continuei as tarefas no convento e a cada ano era mais prazeroso fazer aquilo tudo - eu já tinha domínio de toda a rotina do lugar, meu trabalho como mestre das noviças era elogiado pelo padre Leopoldo. As lembranças de meus pais era metade rancor, por parte de minha mãe, e muita saudade de meu pai. Depois de quatro anos essas recordações ficaram mais vívidas quando um homem de quem eu me lembrava muito bem chegou a convento.

Padre Leopoldo confidenciou-me que enviara uma carta à Santa Sé para que eu fosse a madre superiora do convento.

— Eu acredito que seja um tanto quanto justo que você assuma, Irmã Ana! Não vejo outra pessoa que poderia atender às responsabilidades que essa função solicita.

— Eu fico muito feliz e agradecida, padre Leopoldo! Serei fiel a esse compromisso, pode ter certeza. - depois de dar-me a notícia, o padre ficou um pouco mais sério e continuou as novidades.

— Antes disso, creio que teremos uma visita que ficará até que a resposta de sua nomeação chegue. - caminhávamos pelo jardim do convento e, naquela época, as rosas estavam especialmente lindas - Um abade foi mandado para coordenar o convento para que eu possa voltar para a vila definitivamente. - senti uma pontada no coração, fiquei triste e apreensiva com a notícia - É o abade Rumple e chegará em poucos dias. - o padre percebeu meu espanto ao ouvir aquele nome, eu não consegui esconder a surpresa - O que foi, Irmã Ana?

— Nada... - apenas continuamos caminhando pelo jardim e voltamos aos nossos afazeres.

Esses poucos dias passaram voando. Eu estava aflita pela chegada daquele homem que anos atrás havia curado minha infecção por causa da mordida de Robin. Meus pais nunca voltaram a tocar no assunto depois que nos mudamos para Trento, mas eu jamais esqueci o seu nome. Padre Leopoldo já havia deixado claro que eu deveria auxilar o abade no que ele precisasse e repassaria sua vontade de que eu fosse a madre do convento.

Quando Rumple chegou, enfim, à Albiano senti um calafrio estranho. Ele era um senhor de meia-idade imponente em seus trajes deixando claro que era a autoridade maior a partir daquele momento. Padre Leopoldo nos apresentou e percebi que seu rosto mudara de expressão quando colocou os olhos em mim - se eu lembrava de seu nome, provavelmente ele poderia se lembrar do meu rosto, pois não passara muito tempo desde que fora acometida por aquela infecção e, acredito eu, que também não mudara muito os meus traços a não ser por um detalhe que só depois fui me dar conta pelo espanto do abade: a cicatriz no meu lábio. Se ele me reconhecera ou não, nunca falamos a respeito por mais que eu tivesse curiosidade em saber o que ele havia feito para que me recuperasse de maneira tão rápida.

Logo Rumple estava a par de toda a rotina do convento bem como suas demandas e as tarefas que desempenhávamos ali. A despedida de padre Leopoldo não foi fácil e eu, em particular, senti muito sua falta nos dias que se seguiram - sua presença para mim era quase paterna e seu sacerdócio era puro, não havia hipocrisia ou demagogia nas suas atitudes.

Descobri em Rumple um estudioso e desenvolvemos uma relação muito profícua dentro do convento - eu era a ponte entre ele e as freiras em todos os aspectos - ele estava atendendo de certa forma o pedido do padre e também aguardava a resposta da Santa Sé com relação à minha nomeação. Diferente de Leopoldo, Rumple acompanhava-me vez ou outra na biblioteca e passávamos algum tempo analisando documentos e estudando manuscritos - ele também elogiava meu desempenho junto às noviças e a liderança que eu havia adquirido junto às freiras mais velhas. Já havia se passado um ano desde sua chegada e Rumple mostrava-se à vontade no comando do convento, pois eu fazia todo o trabalho prático, ele começara a ficar mais horas trancado em seus aposentos e eu não me importei com isso - não precisava que ele coordenasse absolutamente nada - às vezes cheguei a pensar que sua presença ali não tinha mais nenhuma necessidade, mas obedecia a hierarquia.

Em uma manhã de primavera, o céu tinha um azul singular, muitas borboletas visitavam nosso jardim interno e eu adorava me deter naquela cena, às vezes passava um longo tempo admirando o bailado daquelas pequenas asas coloridas entre as rosas. E naquela manhã eu fazia exatamente isso quando vi pelo corredor oposto à capela a figura de uma moça que me fez sentir um arrepio que há muito não sentia. Era loira, magra e tinha o olhar assustado. Havia também um casal, provavelmente seus pais. Fui rápido de encontro aos três e me apresentei.

— Sejam bem-vindos, eu sou a Irmã Ana!

— Meu nome é David e essa é minha mulher, Mary Margaret.

— E você... - virei-me para a linda moça que estava diante de mim ainda assustada a olhar-me, mas com a pergunta ela desfez o semblante assustado e abriu-me um sorriso cativante acompanhado do par de olhos verdes mais hipnotizantes, mais até do que as borboletas que eu admirava há pouco.

— Meu nome é Emma.



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