História Spin-offs - A liberdade e a escuridão - Capítulo 5


Escrita por: ~

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Categorias Once Upon a Time
Personagens Elsa, Emma Swan, Regina Mills (Rainha Malvada), Ruby (Chapeuzinho Vermelho)
Tags Once Upon A Time
Exibições 10
Palavras 2.129
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Homossexualidade, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Acredito que estão pensando por que eu não conto a história da Emma após contar da Regina... Desculpem, pessoal, mas eu preciso falar da Elsa!

Boa leitura!

Capítulo 5 - Elsa - Parte I


Vivíamos em Brandemburgo - meus pais, Gerda e Agdar, minha irmã mais nova Anna e minhas tias, irmãs de minha mãe, Helga e Ingrid. O lugar era território prussiano, tomado pelo Estado da Ordem Teutônica e depois pela casa Hohenzorllen durante o domínio do Sacro Império Romano-Germânico - para falar a verdade nossas terras eram sempre acometidas por conflitos, uma região entre a Alemanha e a Polônia constantemente disputada.

Meu pai era agricultor e tinha ajuda de toda a família para manter nossa renda. Minhas tias e minha mãe eram ótimas tecelãs e isso rendia mais um pouco para que pudéssemos viver sem tantos problemas. Nossa vida era bem tranquila, Anna e eu ajudávamos nas tarefas, mas sobrava tempo para nossas brincadeiras - a melhor delas era brincar na neve fazendo bonecos e tinha também a guerra de bolas de neve que sempre nos fazia rir muito.

Éramos todos católicos fervorosos, por mais que o protestantismo crescesse ao nosso redor, principalmente tia Ingrid. Ela nos ensinava como agir durante as celebrações, nos ensinava sobre a bíblia. Anna e eu às vezes nos sentíamos entediadas com tudo aquilo, mas mamãe sempre nos advertia que era importante seguir uma religião. E tia Ingrid parecia ter influência dentro de nosso vilarejo, pois o padre sempre vinha nos visitar pedindo seu auxílio junto às coisas da igreja - ela sempre estava pronta para ajudá-lo, vez ou outra levava-me com ela dizendo que eu seria sua sucessora naqueles trabalhos e, quando eu tivesse a idade certa, eu entenderia o por quê. Aliás, eu fui compreender tudo o que acontecia com minha tia e, posteriormente comigo, bem antes do que ela poderia imaginar.

Durante o tempo do advento todos os finais de semana passávamos a maior parte de nossos dias ajudando os mais necessitados daquela região e sobrava atenção também para os andarilhos e outros viajantes que passassem por nossa vila - as vésperas do Natal eram sempre geladas e nos reconfortava deixar que todos estivessem aquecidos e alimentados. Eu sempre estava ao lado de tia Ingrid, disso ela não abria mão. Foi numa dessas tardes de sábado, onde distribuíamos pão para as pessoas na praça, que Anna teve a brilhante ideia de afastarmos sorrateiramente e brincar um pouco para passar o tempo mais rápido - minha irmã era uma menina extrovertida, falante e amorosa, mas entediava-se com tarefas longas demais e o que fazíamos já estava demais para ela. O maior problema era que eu sempre embarcava nas suas maluquices e, na maioria das vezes, levava a pior por sera a mais velha e ter a obrigação de zelar pela mais jovem.

— Onde está indo, Anna?! - eu a seguia para o fim da rua principal, depois de sairmos da praça.

— Calma, Elsa. Já estamos chegando. - ela sorria e caminhava depressa na minha frente, aflita para mostrar-me algo. Foi quando parou diante de um pequeno lago congelado - Anna olhou-me com seus grandes e redondos olhos azuis agitando a cabeça com excitação deixando as tranças avermelhadas balançarem ao sabor daquele vento de inverno.

— O que quer fazer? - eu já imaginava a resposta, mas tinha que certificar-me que ela sorria pensando no óbvio. Iria tentar patinar naquele gelo que parecia estar muito fino e, por isso, tão perigoso quanto as sobrancelhas de Anna erguidas dando a entender que eu sabia exatamente o que ela pretendia.

— Por favor, Elsa! - ela dava pulinhos com as mãos postas suplicando que eu não atrapalhasse a brincadeira.

— Não podemos, olhe, Anna, o gelo parece tão fino!

— Mas nem é tão fundo!

— É gelado! E isso já basta para não tentarmos isso! - eu tentava tomar autoridade de irmã mais velha, mas Anna não estava interessada em obedecer-me, apenas sentou-se na neve e tirou os sapatos - Não faça isso, Anna, por favor! - eu olhava para os lados desesperada com medo que alguém visse aquilo ou que meus pais dessem falta de nós duas na praça. Anna apenas levantou-se, fez um gesto gentil assim como uma princesa fazendo reverência e saiu patinando sobre suas meias.

Não demorou mais do que duas voltas naquele pequeno e frágil lago para que Anna, ao acenar para mim, desaparecesse caindo nas águas geladas ao gelo fino quebrar-se embaixo dela. Eu gritei, levei as mãos para trás da cabeça e tentei me aproximar, mas tudo estava trincando e Anna debatia-se desesperadamente. Eu chorava e continuava gritando por socorro, mas não conseguia afastar-me dali com medo de que, ao voltar, Anna não estivesse mais ali. Eu não me lembro quando comecei a sentir, mas veio de dentro de mim um tremor que cheguei a pensar que desmaiaria tamanha era minha angústia - e nada de alguém aparecer - gritava mais alto - Anna já não subia à superfície com frequência, estava se afogando. O tremor ficou mais forte e, sem mesmo que eu quisesse, emiti um grito agudo e prolongado que deixou a mim mesma surda - ao mesmo tempo que tentava compreender de onde vinha aquele gesto, percebi que Anna estava sendo arrastada para fora da água e sendo levada até mim - eu não tinha controle das minhas ações naquela hora, só observava minha irmã chegando até meus pés inconsciente. Parei de gritar. Minha respiração descompassada misturava-se com o coração palpitante, tudo era muito confuso, eu só podia olhar para baixo e ver minha irmã salva.

Uma mão agarrou-me por trás e virou-me - era tia Ingrid - ela vira tudo aquilo. Olhava assustada para mim e atrás dela meia cidade estava de olhos arregalados.

— Saiam daqui, todos vocês! O espetáculo acabou! - ela abraçou-me e logo papai e mamãe passaram por mim indo socorrer Anna que tossia, mas já mais desperta, apenas um pouco confusa.

— O que está acontecendo? - ela olhava para meus pais e tentou olhar para mim, mas tia Ingrid estava tirando-me dali - eu só pude sorrir de maneira tímida para Anna - estava agradecendo em silêncio por vê-la viva. Todos nós retornamos para casa em absoluto silêncio. Papai carregava Anna à cavalo, enquanto nós íamos na charrete de mantimentos. Naquela noite não me deixaram falar com Anna, dormimos em quartos separados - tia Ingrid faria-me companhia.

Antes de dormir ela veio até a minha cama e colocou a vela na mesinha do lado onde eu deixava o cordão de contas cristalinas que sempre adornava minha longa trança loira. Ela olhou-me com ternura e passou a mão pelos meus cabelos.

— O que fez hoje foi muito corajoso, Elsa.

— Mas, tia Ingrid, eu não sei o que aconteceu. - eu estava muito assustada com aquilo tudo, as imagens voltando à minha cabeça e agora tia Ingrid tratando com naturalidade o que poderia ser considerado como bruxaria.

— Elsa, você precisa compreender que nossa família foi abençoada com alguns dons. - eu não estava entendendo absolutamente nada, mas prestei atenção em cada palavra que ela dizia - Eu e minhas irmãs esperávamos que isso se manifestasse em você ou Anna mais cedo ou mais tarde. Das jovens de nossa geração, Gerda e Helga foram poupadas, mas eu não pude escapar.

— Tia Ingrid, eu não entendo! - ficava assustada com toda aquela volta que fazia para dizer o que estava acontecendo - O que há de errado comigo?

— Não, Elsa, não há nada de errado com você, mas precisamos tomar algumas atitudes que envolvem toda a nossa família.

A família de minha mãe vinha de um lugar distante ao norte, das terras frias nórdicas, descendentes dos bárbaros vikings, porém, uma parte deles que permaneciam nas terras europeias acabavam convertendo-se aos costumes e por ali ficavam - foi o que aconteceu com meus antepassados por parte de mãe. O que Anna e nem eu sabíamos era que desde muito tempo nossa família tinha um dom especial que era atribuído aos antigos deuses escandinavos, ao deus Vili, irmão de Odin, que era conhecido por dar a humanidade a emoção, os sentimentos e o pensamento - com a bênção do deus Vili, algumas das mulheres de nossa família era portadoras desse dom de ampliar as emoções e fazer com que “coisas” acontecessem.

— Então eu tirei Anna do lago gelado por minha vontade?! - eu não podia acreditar no que ouvia, mas tia Ingrid estava séria ao contar-me tudo aquilo.

— Sim, minha querida. De minha geração eu sou a portadora e agora sabemos que você também é. - estava amedrontada com toda aquela história, não poderia acreditar que eu era uma bruxa.

— Anna sabe disso?! - eu não queria que minha irmã tivesse medo de mim - Ela pode não gostar, não é?!

— Acalme-se, querida, quando chegar a hora Anna vai entender o que acontece e ela a ama, não precisa ter medo algum. - ela beijou-me a testa, soprou a vela e foi para sua cama. Eu não consegui descansar naquela noite, o que ouvi deixou-me com medo de mim mesma, mas ainda outra coisa rondava meus pensamentos - o que fazia tia Ingrid tão influente no meio religioso, pois, se soubessem do que ela era capaz poderiam condená-la e queimá-la como bruxa tão fácil quanto... - estremeci pensando na ideia de que poderiam fazer as mesmas coisas horríveis comigo.

Durante os dias que se seguiram àquele incidente no lago gelado, Anna pouco falou comigo e fiquei muito triste por ser ignorada. Minhas mãe também estava triste, não pelo comportamento de Anna, mas ela temia que as pessoas daquele vilarejo poderiam pensar sobre o que viram. Logo Anna esqueceu do que acontecera e já sorria para mim como antes - eu amava tanto aquela menina que não poderia ficar magoada com sua reação. Enfim, o medo de minha mãe acabou confirmando-se. Não demorou muito para que as pessoas daquele lugar viessem até nós.

Tia Ingrid havia voltado da igreja e chegou a comentar que o padre naquela tarde estava mais calado. Tia Helga e mamãe costuravam na sala e meu pai estava na cozinha terminando de afiar facas de caça. Anna e eu estávamos no quarto deitadas em nossas camas perdidas em gravuras e manuscritos que nossos antepassados guardaram como lembranças de nossas antigas terras.

Ouvi um barulho do lado de fora da casa e depois algumas vozes exaltadas. Anna olhou-me assustada e correu para minha cama, onde ficamos abraçadas todo o tempo tentando ouvir o que acontecia lá em baixo. Não durou muito para que tia Ingrid chegasse em nosso quarto apressada.

— Meninas, peguem suas capas e mais o que puderem para se aquecerem, preciso tirá-las daqui o quanto antes.

— O que está acontecendo, tia? - eu gostaria muito de saber, aliás, por estar com um pressentimento que aquilo era por minha causa, mas tia Ingrid não disse nada e continuou nos colocando pressa. Depois ouvimos a voz de meu pai, ele estava exaltado dizendo que ninguém entraria em nossa casa - Anna começava a chorar, mas terminávamos de colocar uma capa extra dentro de bolsas de couro e calçamos nossas botas, não esquecemos das luvas e nem dos cachecóis. Quando estávamos prontas para descer, nossa mãe apareceu aos prantos e nos abraçou.

— Preciso que prometam-me uma única coisa, por favor! - olhávamos para ela e nossas lágrimas acompanharam as dela - Fiquem juntas, sempre! Aconteça o que acontecer! - mamãe olhou para tia Ingrid e fez um sinal para que saísse dali conosco. Anna ainda relutou para saber o que acontecia, mas eu mesma já entendera tudo - as pessoas do vilarejo estavam batendo à nossa porta cobrando uma explicação sobre o que viram naquele lago quando salvei Anna de se afogar - a acusação: bruxaria - caso eu fosse capturada seria julgada pelo Tribunal do Santo Ofício e depois condenada à fogueira.

Anna e eu acompanhamos tia Ingrid e saímos pelos fundos da casa, depois que papai apagara as tochas lá de trás e todo o quintal ficara na escuridão - ninguém poderia nos ver. A charrete, por sorte, não havia sido descarregada e o cavalo ainda estava engatado à ela. Subimos rápido e saímos primeiro um pouco devagar e depois minha tia tocou as rédeas para que avançássemos para o breu além da estrada.

Subíamos por um caminho estreito entre algumas rochas e depois que passássemos por ali poderíamos ver a vila logo abaixo de nós - queria não ter visto aquela cena, pois ficara na minha cabeça por muito e muito tempo fazendo parte dos meus mais terríveis pesadelos. Anna chorava baixinho e eu escondia sua cabeça no meu colo para que não visse - olhei para tia Ingrid como se pedisse para voltarmos, mas ela não faria aquilo, apenas baixou a cabeça e tocou a charrete.

Nossa casa podia ser vista a quilômetros de distância naquela noite sem lua e gelada - nosso lar havia se transformado em uma grande bola de fogo em meio a neve.


Notas Finais


Gostaram?! Estou esperando comentários, por favor!!! Tenho uma paixão muito grande por história medieval e tento tirar proveito disso, assim todas as referências históricas são reais, ok? rsrsrs


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