História Spotlight - Capítulo 8


Escrita por: ~

Postado
Categorias Fifth Harmony
Personagens Ally Brooke, Camila Cabello, Dinah Jane Hansen, Lauren Jauregui, Normani Hamilton, Personagens Originais
Tags Camren
Exibições 118
Palavras 5.596
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), FemmeSlash, Orange, Romance e Novela, Shoujo-Ai, Yuri
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


HOLA! Como vocês estão?

Gente, mil perdões pelo sumiço! Não, eu não morri depois da foto Laucy, e também não, eu não enfartei depois que a Lauren se assumiu (quase, mas controlei a emoção). Porém, como a maioria de vocês deve saber, outubro e novembro são meses de vestibular, então as únicas coisas que eu fiz nessas últimas semanas foi chorar e estudar (tô falando muito sério).

Felizmente eu consegui voltar para vocês, com capítulo novo e prévia de atualização para o próximo fim de semana!!!

Muito obrigada a toda a galera que anda comentando e favoritando e demonstrando tanto amor! Vocês são lindxs e esse apoio só me faz querer escrever mais!

Bora se amando, bora fazendo! E boa leitura :)

Capítulo 8 - Perturbe


Fanfic / Fanfiction Spotlight - Capítulo 8 - Perturbe

Capítulo VII

Perturbe: Forma imperativa do verbo "perturbar". Desequilibre, desestabilize, inquiete.

 

DINAH

   — “Lauren Jauregui e Camila Cabello do Fifth Harmony têm encontro romântico em Miami” – Eu li diretamente do celular e ergui os olhos a tempo de ver Lauren escondendo o rosto nas mãos pela tela do computador.

   Com exceção de Camila, todas nós estávamos em uma chamada de vídeo coletiva, Lauren em Miami, Allyson e Normani no Texas e eu na Califórnia. Cabello viajara para Nova Iorque esta manhã para a grande estreia de seu single com Shawn Mendes, que aconteceria num programa de TV.

   Segundos a previsão, só tornaríamos a vê-la dali a seis dias, quando viajaríamos para o México juntas.

   Há dois dias ela e Lauren tiveram um “encontro” programado por Adèle LaRue, nossa assessora de impressa, e desde então várias matérias foram soltas na internet falando sobre o assunto, mas nenhuma até o momento tinha sido tão explícita – para não dizer “apelativa”.

   — “As cantoras passaram a tarde num clima muito apaixonado, com direito a uma declaração de joelhos da parte de Camila, e deixaram o restaurante de mãos dadas.”

   — O que? Jesus! – Lauren exclamou, erguendo-se de sua cadeira.

   Mani e Ally quase não respiravam, apreensivas, esperando que eu continuasse a leitura.

   — “Na tarde desta terça-feira (17), Lauren Jauregui e Camilla Cabello, membros da Girlband Fifith Harmony, foram fotografadas passando uma tarde íntima num dos bairros mais requintados na cidade de Miami, na Flórida, onde as duas vivem”. – Eu li em voz alta, sem deixar de reparar em todas as reações de Laur.

   “Desde a formação do grupo, em 2012 no programa The X Factor, há rumores de que as duas garotas vivam um romance secreto, sintetizado como “Camren” pelos fãs, mas negado veementemente por elas apesar dos quase duzentos mil vídeos sobre o assunto no YouTube e das vinte e sete mil fanfictions em uma única plataforma de histórias.”

   — Numa única plataforma?! – Normani exclamou, inclinando-se mais para frente da câmera, chocada. – Uau. Quanta gente gay.

   Lauren revirou os olhos e grunhiu em desconforto.

   Ally parecia absorta demais para se manifestar.

   Eu prossegui:

   — “Porém, as fotos e vídeos com os registros dos momentos que Lauren e Camila passaram juntas estão sendo consideradas a confirmação que elas se negaram a dar.”

   “Durante o almoço num restaurante no Miami Designe District, as garotas foram clicadas rindo amistosamente até que Cabello se ajoelhou à frente de Jauregui e, segundo as imagens de um cinegrafista anônimo, elas se beijam.”

   “O ângulo não é preciso, mas há muitas pessoas afirmando que a cena tenha sido genuína. Veja o vídeo.”

   Eu dei play no vídeo enquanto Lauren se revezava entre xingar e dizer que nada daquilo era verdade.

   Era um exagero, realmente. O vídeo apenas mostrava Camila de joelhos por algum tempo, e por seu rosto estar à frente do de Lauren e na mesma direção, parecia – mas só um pouquinho – que elas estavam se beijando.

   Era óbvio, porém, que escândalos muito maiores já foram armados baseados em “provas” muito menores.

   — Esses filhos da puta, eu devia processá-los, todos eles! – Jauregui esbravejou, andando tão rápido por seu quarto que a imagem da webcam não capitava exatamente onde ela estava.

   — Acalme-se. Não é o fim do mundo – Normani interveio, agora checando a matéria em seu próprio celular.

   Aparentemente trêmula de raiva, Lauren sentou-se outra vez à frente de seu computador e, tamborilando os dedos impacientemente, declarou, com os dentes cerrados:

   — Eu não vejo como isso está ajudando em alguma coisa.

   — Na verdade – Ally se pronunciou pela primeira vez em muito tempo – eles colocaram alguns detalhes sobre nós ao fim da matéria e os links dos nossos vídeos mais populares. Segundo os indicadores do YouTube, – ela virou o celular para a câmera, tentando focalizar a tela – em cinco horas com essa matéria no ar, só em “Worth It”, tivemos um milhão e meio de visualizações.

   — Isso é...

   Tentei verbalizar o que eu pensava, mas na realidade eu não sabia o que achava sobre o assunto. Certo, toda essa visibilidade era incrível, mas as custas de quê?

   — Eu não quero mais ouvir nada – Lauren se adiantou antes que eu completasse meu raciocínio e um segundo depois a mensagem de “LaurenJauregui está off-line” apareceu na tela.

   — Droga – revirei os olhos, suspirando.

   — É melhor deixá-la, por ora – Allyson disse, parecendo desconfortável. – Ela tem todo o direito de estar chateada.

   Nós ficamos em silêncio por alguns momentos, até que Normani recomeçou:

   — Sabem, eu achei que depois dessa ideia da Adèle, as coisas iriam melhorar – com os olhos disparando de um ponto para o outro, provavelmente alternando entre Ally e eu, Mani começou a gesticular, aparentemente nervosa e se arrependendo de ter aberto a boca. – Quero dizer, pensei que as duas fossem se reaproximar e voltar a ser como antes, sem ter de pisar em ovos, sem precisar de nós para mediar qualquer contato, sem precisar esconder que elas são loucas uma pela outra.

   Eu ri, sem humor.

   Todas nós sabíamos, Camila e Lauren eram as únicas que preferiam acreditar no contrário.

   — Sabe que se Lauren te ouvir falando assim ela te mata, certo?

   — Você melhor que ninguém devia saber que a única pessoa que tem medo da Lauren é a Ally.

   — Eu não- Okay, só um pouco, quando ela fica com aquela cara brava – Brooke defendeu-se, acrescentando no fim: – O quê? É realmente assustador.

   Espantando o assunto com um aceno de mão, Normani retomou seu discurso:

   — O fato é: eu esperava que as coisas melhorassem, não começassem a desabar dessa forma.

   — Eu meio que entendo – eu disse. – Eles não querem que elas fiquem juntas. Jamais deixariam isso acontecer de verdade. Então para elas isso deve estar sendo doloroso. Fingir que se gostam, mas não poder gostar de verdade.

   Kordei baixou os olhos, pensativa, enquanto Ally se preparava para dizer algo, mas alguém gritou ao fundo que havia chegado uma carta para ela, e isso foi o suficiente para fazê-la lentar-se tão rápido quanto suas perninhas permitiram, berrando que precisava ir e desligando a câmera.

   Mani e eu rimos, sabendo que a carta era, com toda a certeza, do tal médico, Jasen Bray.

   — Ela está levando isso realmente a sério – Normani sorriu, agora ocupando toda minha tela com seu rosto lindo, me fazendo sorrir também.

   — Pelo menos ele é um cara legal.

   Eu dei de ombros e seu sorriso morreu instantaneamente.

   — O que quer dizer com isso? – Ela recomeçou, agora com um semblante nada amigável, e eu de repente sabia que rumo a conversa tinha tomado. – Olhe, eu não sei o que você tem contra o James. Ele é um cara muito legal, também.

   Empurrando ligeiramente a cadeira para longe da mesa, eu bufei, esfregando o rosto.

   — Sério? O cara foi indiciado sete vezes por-

   — Ele se envolveu com pessoas problemáticas, só isso! – Ela rebateu, antes que eu pudesse terminar.

   — Ele apoia o governador d-

   — Eu não ligo para as aspirações políticas dele.

   — Normani, ele já foi acusado de racismo!

   — Foi um mal-entendido, Dinah! – Ela literalmente gritou, olhando para mim como se não me reconhecesse. Eu estava encarando-a da mesma forma. – Pare de tentar achar defeitos nele! Arrume um namorado para você, se isso te fizer largar do nosso pé!

   — Céus, o que ele fez com você? Lavagem cerebral? – Eu estava começando a ficar enjoada.

   — É melhor você parar, ou vou desligar – ela ameaçou.

   Mas eu estava tão desorientada com uma mistura de desapontamento com um tipo de sentimento que eu não era capaz de identificar, que simplesmente cuspi as palavras de volta para ela:

   — Não precisa se dar o trabalho – e desliguei rapidamente, erguendo-me da cadeira, num assomo de raiva.

   No mesmo instante minha porta se abriu e Roy, meu primo, enfiou a cabeça para dentro, com um sorriso amarelo nos lábios.

   Eu estava trêmula de ódio, ainda desnorteada, incapaz de absorver o motivo pelo qual Normani conseguia sair com uma pessoa como Killian James, e nem mesmo a voz de Roy conseguiu me tirar completamente do transe:

   — Eu posso falar com você? – Ele perguntou, mas eu lhe dei as costas, partindo para o closet e começando a buscar qualquer coisa “vestível” que estivesse por lá.

   — Não é uma boa hora – eu só queria sair dali. Caminhar, talvez.

   — Mas é realmente importante.

   Suspirei de forma pesada, irritada, apanhando algumas peças e me encaminhando para o banheiro.

   — O que você quer? – Perguntei, antes de trancar a porta.

   — Eu estava pensando em comprar um presente para a mãe, na Black Friday – ele respondeu através da madeira, a voz oscilando. – Mas eu prometi que iria trazer algo legal para a ceia de Ação de Graças. Queria saber se você não poderia...

   Eu sinceramente não estava ouvindo, mas aquilo não me importava, no momento.

   Ele precisava de dinheiro, pelo visto, e ainda que minha vontade fosse começar um discurso sobre como ele tinha de começar a trabalhar urgentemente, eu não me sentia disposta nem com energia o suficiente para fazê-lo.

   Em vez disso, eu simplesmente disse:

   — Tem cento e cinquenta dólares na minha carteira, sobre a cômoda. Pegue cinquenta e deixe o resto.

   Ele ficou em silêncio enquanto eu terminava de me vestir. Poucos segundos se passaram até que ele tornou a falar, pigarreando de forma desconcertada.

   — Hm... D-Dinah, só tem cinquenta.

   — Não, tem- – eu semicerrei os olhos, absolutamente certa de que tinha cento e cinquenta dólares lá, mas suspirei, vencida. – Certo. Certo, pode pegar.

   Pelo barulho, ele tropeçou em algo, mas rapidamente respondeu:

   — Obrigado!

   E a porta bateu.

   Terminando de fechar o zíper da calça, olhei-me no espelho, sentindo a raiva ser substituída por um cansaço doloroso.

   Joguei um pouco de água no rosto, arrumei meus cabelos da melhor maneira que pude e sai, repetindo para mim mesma que os problemas dos outros não eram da minha conta – mas tendo certa dificuldade em acreditar nisso.

 

ılı.lıllılı.ıllı..ılı.lıllılı.ıllı

 

CAMILA

   Estava frio e meu corpo doía ligeiramente enquanto caminhávamos pelo corredor cheio de fios e equipamentos de iluminação e filmagem.

   Diferentemente de Ally, Dinah, Lauren e Mani, eu não tive a semana anterior de folga. Os dias que elas passaram em casa, eu estive me apresentando entre Nova Iorque e Los Angeles com Shawn, quem vinha me ajudando muito a manter-me centrada nas últimas semanas.

   Estávamos na capital do México naquele 26 de novembro, que, por acaso, era dia de Ação de Graças. Nosso último compromisso, depois de termos nos apresentado no Premios Telehit, era uma entrevista com o canal que estava transmitindo a cerimônia.

   Por conta de um problema com as minhas passagens aéreas – Roger Gold decidira que eu não deveria fazer conexão em Houston junto com as meninas, mas sim em Miami, com Shawn – eu chegara hoje de manhã, e não ontem à noite, como estava planejado, e isso, além de uma profunda dor de cabeça, fez com que eu não trocasse uma única palavra com Lauren, além de um “olá” desajeitado nos bastidores da premiação, antes dos ensaios.

   Nossa situação pública só fazia com que as coisas piorassem. Depois de uma matéria ousada de um colunista de revista de fofoca, o número de fotógrafos que agora seguiam Lauren e eu triplicou, sem falar no pandemônio que as redes sociais se transformaram, com trending topics atrás de trending topics sobre nosso suposto beijo e a “confirmação do romance”.

   Estava sendo um caos e toda essa exposição parecia criar um abismo sinistro entre Lo e eu.

   Agora, já sentadas todas no estúdio de filmagem, eu sentia o cheiro de Jauregui inundando meus pulmões, porque ela estava sentada do meu lado. Tentei olhá-la pelo canto dos olhos, mas ela estava muito interessada em seus sapatos, pois os encarava fixamente.

   A apresentadora ajeitou o ponto de áudio em seu ouvido e depois de alguns momentos, o diretor começou a contagem:

   — Em cinco, quatro, três, dois- No ar.

   Eu estava tão exausta que mal prestei atenção na entrevista inteira e até certo ponto eu cumpri meu papel ali da forma mais displicente possível. Dez perguntas estavam agendadas para serem feitas e em todas elas eu deixei as meninas falarem, porque minha mente simplesmente se recusava a trabalhar.

   Porém, por volta da nona pergunta, nossa anfitriã indagou, em seu inglês extremamente amargo:

   — Todas vocês estão solteiras?

   Eu fui subitamente acordada de meu estado de apatia e, piscando repetitivamente, endossei o coro de “sim” de Ally, Dinah e Lauren. Normani fraquejou em sua resposta, e a apresentadora a pressionou até que ela dissesse que estava em um relacionamento complicado com alguém – senti uma onda de caretas reprimidas vinda de todas as meninas e precisei me segurar para controlar minha própria expressão facial. Pelo que tudo indicava, o tal James era um desastre.

   — Hm – a entrevistadora semicerrou os olhos para nós. – Tem certeza que estão realmente solteiras? Camila e Lauren, há uma matéria circulando há alguns dias sobre um suposto relacionamento de vocês. Há algum fundo de verdade nisso?

   Amaldiçoando Adèle mentalmente, – porque eu sabia que todas as perguntas eram analisadas por ela para “autorização” – me limitei a sorrir delicadamente, me pronunciando antes de Lauren para evitar uma catástrofe:

   — Não. Absolutamente não.

   Eu ri e pelo breve momento que a olhei, percebi seus orbes verdes vagando por meu rosto de forma desesperada, mas absorvendo tudo o que eu começava a externar. Era como se ela ansiasse para ouvir aquilo da minha boca, mesmo que não fosse fazer diferença alguma.

   — Aquilo foi um almoço comum, como qualquer outro – acrescentei. – Somos amigas, é natural.

   — Mas e o beijo? – Ela reiterou e naquela hora fotos tiradas de ângulos apelativos passaram a aparecer nos telões do estúdio.

   Mani, Dinah e Ally pareciam segurar a respiração, tendo clara dificuldade em sustentar a cara de paisagem enquanto a mulher nos interrogava.

   — Isso não é um beijo – Lauren disse, seca, ajeitando os cabelos de forma nervosa, remexendo-se em seu assento. – Estávamos conversando, eu fiquei um pouco comovida pelo assunto e Camila veio me confortar. Ela estava apenas falando comigo, não me beijando.

   — Somos apenas amigas – eu acrescentei, tentando soar mais suave para amenizar o tom que Lo acabara de usar.

   — Para o desespero dos fãs – a apresentadora finalizou, rindo.

   Nós todas rimos nervosamente, com exceção, é claro, de Lauren, que apenas sorriu de forma contida, sem ao menos mostrar os dentes, e arqueou as sobrancelhas, demonstrando claramente seu descontentamento com o tópico.

   A entrevista foi finalizada sob um ar estranhamente desconcertante.

   Agradecemos à anfitriã por nos receber e retiramo-nos em silêncio para o backstage. Por algum motivo aquele corredor apertado e cheio de fios pareceu ainda mais ameaçador no cominho de volta para os camarins.

   A equipe do programa nos acompanhou e começou seu trabalho de retirar os equipamentos que estavam conectados e plugados por nossas roupas. Estávamos tão quietas que até mesmo o barulho dos tecidos roçando podia ser ouvido. Achávamo-nos imersas em nossas bolhas particulares, aparentemente muito atordoadas para começar um diálogo.

   Embora minha mente estivesse um caos e muito cansada, eu não era capaz de evitar reparar em Lauren e em como ela parecia transtornada com tudo. Ela tremia visivelmente, tornando mais difícil o processo de remover o microfone de suas roupas.

   Tiramos algumas fotos com os funcionários, trocamos algumas palavras em espanhol e depois fomos escoltadas para nosso hotel, onde Simon, que viera ao México como representante da SYCO para o Premios Telehit, nos esperava para uma ceia de Ação de Graças. Ele fizera questão de que a data não passasse em branco.

   Honestamente, já passando da meia-noite e eu estando tão exausta, preferia simplesmente ir dormir, mas esforcei-me ao máximo para parecer empolgada, uma vez que aquela seria uma boa forma de me reconectar com as garotas, depois de tanto tempo distante.

   Eu estava sem apetite, mas comi um pedaço de peru e tomei meia taça de vinho enquanto conversávamos.

   Evitei prestar atenção no que Simon dizia sobre um novo contrato com uma marca de maquiagem, que surgira nos últimos dois dias, graças a grande explosão de visualizações que tivemos naquela semana – e que, claro, eles não deixaram de atribuir isso à “Operação Camren”.

   Ainda que eu não estivesse conseguindo me concentrar nas pessoas a minha volta, eu estava verdadeiramente feliz por ver minhas melhores amigas ali, se divertindo, e isso trazia um sorriso sereno ao meu rosto.

   Minha expressão mudou, porém, quando, depois de Gaia e sua equipe, dois seguranças e do próprio Simon, Lauren anunciou que iria se retirar.

   Eu não havia percebido o quanto ela bebera até ela se levantar cambaleando e agarrar uma garrafa de vinho com um sorriso débil nos lábios.

   — Você precisa de ajuda? – Perguntei, tentando não rir da forma como seus olhos perfeitos estavam desfocados.

   — Não, obrigada – ela sorriu largamente, apertando mais forte a garrafa. – Boa noite, pessoal.

   Acenando, ela virou-se, graciosa mesmo estando completamente alcoolizada.

   Suspirei, correndo meus olhos por seu corpo, que oscilava sutilmente à medida em que ela se encaminhava para porta.

   Quando Jauregui estava a uma distância segura, Dinah murmurou:

   — Pinguça.

   Rimos, e elas logo voltaram à conversa anterior, mas a parte da minha mente que não conseguira simplesmente admitir um “não, obrigada” como resposta me deixou em alerta, repassando milhões de acidentes possíveis que uma pessoa bêbada com uma garrafa de vinho nas mãos poderia causar.

   — Hm, gente? – Eu chamei a atenção das pessoas que ainda restavam à mesa. – Vocês não acham melhor ir checar se ela vai conseguir chegar no quarto certo? Quero dizer, ela mal estava vendo para onde ia.

   — Pinguça – D.J reiterou, negando com a cabeça.

   — Ela vai ficar bem, Mila – Ally sorriu, afagando meu braço carinhosamente. – Não é a primeira vez que ela bebe, você sabe.

   — E se ela cair e se machucar?

   — Ela não é você – Dinah retrucou, como se fosse óbvio.

   Suspirei, irritada.

   — Eu vou ver como ela está – ergui-me da minha cadeira, percebendo que mesmo tendo ingerido apenas alguns goles de vinho, estava ligeiramente tonta.

   Entrei no elevador, tentando me lembrar o número no quarto de Lauren.

   Em países cujo dinheiro era significativamente mais barato que o dólar nós costumávamos reservar quartos separados, para ter um pouco mais de conforto e privacidade, e esse era o caso do México.

   Pelo que eu conseguia me recordar, Lo estava hospedada na suíte 232, quinto andar. Eu esperava não estar enganada e bater à porta errada às três da manhã, mas não houve necessidade de nada disso, pois assim que as portas do elevador se abriram eu a vi escorada à frente de seu quarto, tentando passar o cartão magnético na pequena fresta do leitor.

   Eu ri, aproximando-me e tocando seu ombro.

   Ela assustou-se, tropeçando alguns centímetros para frente, derrubando a garrafa e espalhando vinho pelo carpete do corredor.

   Jauregui xingou baixinho, mas depois de recuperar a garrafa começou a rir como se tivesse feito algo incrivelmente hilário. Eu neguei com a cabeça e abri a porta, estendendo-lhe o cartão de volta.

   — O que é isso? – Ela inclinou a cabeça para o lado, franzindo os lábios num biquinho adorável, mas então relaxando a expressão, recordando-se. – O cartão! – E bateu com força na testa. – Obrigada, Camz.

   Ela apanhou a chave magnética, dando um grande gole no que restara de seu vinho.

   — Você devia parar de beber – eu tentei pegar a garrafa de suas mãos, mas ela se afastou, entrando no quarto. – Vamos lá, Lauren. Dê-me isso.

   — Não. Cuide da sua vida – ela deu-me as costas, tirando os sapatos enquanto adentrava o cômodo, virando a garrafa para tentar não desperdiçar nada.

    Revirando os olhos e respirando fundo algumas vezes, eu entrei no quarto e fechei a porta.

   Lauren largou a garrafa em qualquer canto e começou a despir-se.

   Vendo-a remover a jaqueta e começar a subir a blusa de baixo, eu disse a mim mesma que já fizera o que tinha vindo fazer e deveria ir para meu quarto, descansar.

   Eu juro que disse.

   Mas o que saiu da minha boca foi:

   — Ugh, deixe-me ajudar você.

   E no momento seguinte eu estava passando a blusa pelo pescoço de uma Lauren desorientada. Ajoelhei-me a sua frente, sentindo-a tremer e apoiar os dedos finos e gelados em meus ombros. Desabotoei sua calça e, engolindo a seco, baixei-a por seu quadril, prendendo a respiração enquanto meus dedos desciam pela pele leitosa de suas coxas.

   — Você está tornando isso mais difícil – ela disse, agora sua voz estranhamente clara e fria.

   — Desculpe? – Franzi o cenho, forçando-me a me pôr de pé, apesar da forma como minhas pernas estavam tremendo.

   Ela tapou o rosto com as mãos, esfregando-o e ajeitando os fios escuros de cabelo numa demonstração involuntária de nervosismo.

   — Você está estragando tudo – Lauren declarou, apoiando-se na cômoda perto da televisão. – Você precisa ficar longe, do contrário vai arruinar a sua vinda. A minha vida.

   Eu permaneci parada, segurando seu jeans nas mãos, apertando meus lábios com força para tentar me concentrar. As lágrimas logo começaram a fazer meus olhos arder e eu me amaldiçoei por isso.

   Eu já não era mais capaz de acompanhar as mudanças de rumo que o comportamento de Lauren tomava. Sua indecisão, a forma ambígua como ela agia, sua bipolaridade em relação a mim, me repelindo uma hora e fazendo-me derreter em seus braços na outra... Isso tudo estava deixando-me doente, estava estilhaçando-me psicológica e sentimentalmente.

   Céus, por que eu precisava ser a emotiva sempre?

   — Você realmente acha que sou eu quem está arruinando algo aqui? – Sussurrei, atirando a peça de roupa para o chão, me aproximando dela e assistindo, magoada, a ela tentar se afastar, pressionando o corpo contra o móvel às suas costas.

   — Nós não podemos – Jauregui sibilou, fechando os olhos.

   Ela ergueu o braço direito na altura do peito para tenta me manter afastada, mas quando sua palma descansou em minha clavícula, seus dedos apertaram o tecido de minha blusa, trêmulos e suados, esmagando o material numa tentativa simbólica de se conter.

   — Olhe para mim.

   — Não.

   Segurei seu rosto, erguendo-o, percebendo as lágrimas brilhando na ponta dos cílios longos.

   — Olhe para mim, Lauren.

   Ela afastou as pálpebras muito lentamente, fazendo suas íris serem reveladas aos poucos e provocando sensações inexplicáveis em meu íntimo. Era como se eu estivesse sendo abduzida para sua dimensão particular, como se ela me abraçasse, me envolvesse e me tomasse, apenas por me olhar nos olhos.

   — Nós não podemos – ela pressionou minha clavícula, empurrando-me, erguendo a mão para afastar meus dedos de seu rosto.

   — Nós poderíamos – eu sugeri, recusando-me a recuar.

   — Você é louca, porra? – Ela disparou, passando do sussurro para o grito num segundo e assustando-me o suficiente para me fazer oscilar para trás. – O que você quer, afinal?

   Eu pisquei algumas vezes, abrindo a boca para responder, mas sendo interrompida antes de começar.

   — O que você quer, Camila? Foder com todas nós?

   — Eu quero consertar isso! – Eu gritei de volta, parcialmente recuperada. – Eu quero nos consertar!

   — Eu não estou quebrada, caralho – ela cuspiu as palavras, me olhando completamente ofendida.

   Eu respirei fundo várias vezes, sentindo uma mistura ácida de raiva e dor percorrer minhas veias. Adiantei-me para ela outra vez, segurando sua nuca com calma, passando as unhas por aquela região e sentindo-a arrepiar.

   Lentamente eu passei meu nariz pelo seu, deslizando o polegar da outra mão por seus lábios, sentindo a textura deles, experimentando meu coração errar as batidas pela ansiedade de senti-los nos meus uma vez mais.

   — Você não está quebrada, Lo. Só deixou que eles apagassem sua luz – sussurrei, sentindo-a erguer os braços para me envolver, mas se afastar bruscamente no mesmo instante.

   No momento seguinte, Lauren estava debruçada sobre o vaso sanitário, tentando segurar os cabelos à medida que colocava todo o vinho que bebera no jantar para fora.

   Preocupada, eu debrucei-me sobre ela, afastando seus fios escuros do rosto, insistindo em perguntar se estava tudo bem, apenas por instinto.

   Com uma mão ela agora segurava o vaso e com a outra tentava me afastar.

   Quando ela finalmente acabou, conseguiu grunhir de forma rouca, ainda me empurrando para longe.

   — Saia daqui!

   — Não!

   Eu tentei ampará-la quando ela ergueu-se subitamente, mas o empurrão que ela me deu em seguida fez-me cambalear para fora do banheiro e antes que eu pudesse tornar a me adiantar para ela, a porta foi fechada a poucos milímetros do meu rosto.

   — Lauren! – Eu esmurrei a superfície gelada, sabendo que os nossos gritos logo gerariam reclamações.

   Ela não respondeu. Em vez disso, o único barulho que eu consegui identificar foi o som agudo de suas costas deslizando de forma inconstante pela madeira envernizada da porta e no momento seguinte, parte da luz que escoava pela fresta inferior da porta foi obstruída pelo corpo dela, sentado no chão, contra a passagem.

   — Lauren – eu repeti, agora com a voz muito baixa, apoiando minha testa ali, sentindo as lágrimas descendo por minhas bochechas. – Por favor.

   — Não faça isso – ela implorou.

   — Abra a porta, amor – forcei a maçaneta, mesmo sabendo que seria inútil.

   Ela permaneceu em silêncio e eu me afastei alguns passos, encarando o portal como se esperasse que seu rosto se materializasse ali. Levei as mãos aos cabelos, me desesperando, e enquanto coçava a cabeça de forma agressiva e mordia o lábio com força para não deixar os soluços escaparem eu sentia meu coração implorando para que eu permanecesse ali até que ela decidisse que era hora de sair.

   Até que ela decidisse que era hora de me amar.

   Até que ela decidisse que me escolheria. Que me apoiaria. Que estava disposta a enfrentar tudo por mim, da mesma forma como eu estava por ela.

   Mas subitamente percebi que isso não aconteceria. Não agora. Não enquanto ela continuasse a ter medo do que era, de sua identidade, daquilo que fazia ela ser ela.

   — Se eu for agora, eu não vou voltar – avisei, mesmo sabendo que ao menos por ora aquilo era uma mentira absoluta.

   O silêncio reinou naquele cômodo pelos segundos restantes. Minha respiração errática agarrava-se a garganta e meu coração escoiceava as costelas, dolorido, machucado.

   O som da chave girando na fechadura fez com que eu me sobressaltasse e minhas pernas tomassem consistência de gelatina.

   Sorri largamente, pronta para correr em sua direção à medida em que a porta se abria e a nesga de luz do banheiro se derramava pelo quarto.

   Ela entrou em meu campo de visão, linda, ainda que com o rosto inchado e os cabelos desastrosamente embaraçados.

   Lauren me olhou, apoiada na porta, tão fria que fez meu sorriso morrer aos poucos.

   — É isso – ela murmurou, rouca. – Finalmente você entendeu.

   As palavras me acertaram com tanta força que eu precisei de alguns momentos para me recuperar. As lágrimas simplesmente desceram por minhas bochechas, o nó em minha garganta se recusava a desfazer-se, por mais que eu engolisse.

   Eu realmente queria respondê-la, gritar o quanto eu a estava odiando no momento, mas tudo o que eu fiz foi dar-lhe as costas e bater a porta com o máximo de força que fui capaz.

   Decepção e incredulidade me sufocavam numa batalha para decidir qual tomaria a maior parte de mim. Eu engolia meus soluços e o choro, forçando-me a parecer forte e dizendo que aquilo devia ser esperado, porque se tratava de Lauren e de seu pavor de se aceitar.

   Minha mente girava rápido demais para que eu enxergasse para onde estava indo. Eu não queria saber, tampouco.

   Embora meu corpo se encontrasse num estado de quase completa exaustão, meus pensamentos não me permitiriam descansar. Foi exatamente por isso – e por saber que se eu fosse para meu quarto agora e ficasse encarando o teto acabaria repassando as palavras de Lauren de uma forma ainda mais dolorosa do que já estava fazendo – que eu optei por continuar perambulando pelo hotel, sem me importar em onde acabaria.

   Evitei o restaurante quando percebi que estava me aproximando, porém.

   Não queria ser interrogada. Queria paz. Queria uma forma de me livrar daquela dor latente que se apossara tão subitamente de mim. Seria possível afogar todo aquele ódio e ressentimento que gladiavam pelo controle das minhas ações?

   A resposta apareceu quase milagrosamente, sentada no bar à beira da piscina.

   — Karla! – Gaia Faye exclamou assim que seus olhos felinos deixaram o barman atrás do balcão e encontraram-me parada próxima a entrada do lugar. – Quer se juntar a mim? – Ela perguntou imediatamente, mesmo ao longe.

   Eu ainda estava ponderando a possibilidade quando ela se aproximou e, com a mão na base das minhas costas, guiou-me para onde estivera momentos antes.

   Fungando de forma miserável, eu abri o melhor sorriso que fui capaz, falando um pouco mais alto do que deveria para conseguir calar a voz de Lauren, que continuava sussurrando no fundo de minha mente: “finalmente você entendeu”.

   — Não está um pouco frio para ficar à piscina?

   — Eu sou quente – Gaia sorriu de lado, daquela forma peculiar que só ela tinha.

   — Com certeza é – eu concordei, rindo, apanhando o copo que estava na mão dela e virando o conteúdo completamente, secando os olhos depois.

   — Devo ir atrás da pessoa que fez você chorar? – Ela espantou uma última lágrima que escorria já na altura de minha garganta e eu corei. – Você sabe, britânicos também são bons com essa coisa de guerra.

   — Está tudo bem – sussurrei, sorrindo em agradecimento. – Só... Lauren. Nada incomum.

   — Pensei que eram amigas – Gaia estreitou os olhos, parecendo me estudar.

   — Eu também pensei – ri, sem humor, claramente infeliz. – Mas não quero falar sobre isso.

   Ela ficou em silêncio por poucos instantes e depois voltou-se para o barman, pedindo num espanhol perfeito:

   — Mais um copo e a jarra daquela delícia, por favor, Tomás.

   Sorri, esquecendo-me por alguns segundos daquela dor nauseante que fazia meus músculos doerem e fraquejarem.

   — Você fala espanhol?

   Pegando o que havia pedido e agradecendo em seguida, Gaia serviu-me com um líquido âmbar.

   — Inglês, espanhol, francês, escocês, alemão, italiano e o que for preciso para conquistar uma garota – ela empurrou-me o copo, piscando um dos olhos.

   Eu corei imediatamente. Olhando para a bebida, absolutamente desconcertada, pigarreei.

   Ouvi-a rir e ergui o olhar para encontrá-la. Franzi o cenho, confusa.

   — Do que está rindo?

   — Você ficou vermelha – ela virou seu copo, soltando um suspiro de satisfação em seguida.

   — Eu só... Não sabia que você era lésbica – fui honesta, bebendo seja já o que estivesse em meu copo e tossindo em consequência, mas tentando manter a postura.

   Não queria que Gaia pensasse que eu era uma criança. Eu sentia vontade de impressioná-la, uma vez que ela toda era de fazer as pessoas pararem e admirarem.

   — Oh, eu sou. Graças a Deus – ela levou a mão ao peito, parecendo realmente aliviada, fazendo-me rir.

   Eu não sabia dizer se era efeito do álcool ou se Faye era a responsável por isso, mas eu começava a sentir-me menos pesada. Ainda que a voz de Lauren continuasse acertando minha cabeça como uma martelada, eu já me sentia um pouco mais capaz de focar em outra coisa.

   — O que é isso, afinal? – Eu perguntei, olhando para o resto de líquido em meu copo.

   — Cachaça. Com mel e limão – ela passou a língua pelos lábios e eu me distraí com o movimento. – Deus, é tão bom!

   — “Cachaça” – tentei pronunciar corretamente – é aquela coisa-

   — Basicamente álcool puro vendido numa garrafa mais bonitinha – ela se adiantou, fazendo-me rir.

   Ela era incrível.

   Mas, como se estivesse me destinada me ver agonizar, a realidade acertou-me com força no momento seguinte:

   — Você e Lauren brigaram? – Gaia perguntou, enchendo meu copo pela segunda vez.

   — Não quero falar sobre isso, eu já disse – eu fiz uma careta breve, e depois que recebi um sorriso torto dela, tornei a beber um pouco da mistura adocicada. Era realmente bom, embora ardesse um pouco na garganta. – Quero falar sobre você – surpreendi-me ao dizer, mas fiquei feliz por ter dito. Ela era uma ótima distração.

   — Oh, agora eu vejo – ela riu, prendendo os cabelos e me fazendo reparar nos ossos salientes de sua clavícula e na forma delicada como algumas marcas de nascença se dispunham por sua pele ligeiramente acastanhada. – Você quer me embebedar para arrancar meus segredos.

   — Você me ofereceu bebida! – Estapeei seu braço de leve, fazendo-a segurar minha mão com calma e olhar-me nos olhos.

   Eu estava desestabilizada demais pelos acontecimentos anteriores. Uma espécie de nó ainda se mantinha em minha garganta e embora eu estivesse rindo de forma espontânea agora, eu sentia que poderia cair nas lágrimas a qualquer momento.

   Mas por algum motivo, naquele exato momento, o choro estava sob controle.

   O sorriso em meus lábios era brando, mas constante, e enquanto ela me encarava fixamente, com os olhos muito verdes tentando invadir-me, uma espécie de paz temporária me mantinha tranquila.

   — Bem, então talvez eu esteja tentando te embebedar para arrancar seus segredos.

   Neguei com a cabeça, soltando minhas mãos das suas delicadamente para cobrir um bocejo. A calma que ela proporcionava devolvera o estado de exaustão que a raiva e o ressentimento haviam roubado de minha mente.

   — Você não faria isso. É britânica, têm princípios.

   — Vocês, americanos – ela riu, revirando os olhos, e foi a minha vez de segurar seus braços com as mãos, circulando o polegar sobre sua pele num movimento involuntário.

   — Não sou exatamente americana – divaguei, perdida em pequenos detalhes dos muitos anéis que ela usava. – Eu sou uma princesa cubana – finalizei, com mais um bocejo.

   Gaia riu, erguendo-se, me surpreendendo.

   — Certo, então, sua majestade – num movimento muito inesperado, Faye ergueu-me nos braços, passando-os por minhas costas e entre as dobras dos meus joelhos. – Vou levá-la para cama.

   — O quê?! – Indaguei, confusa, sentindo o álcool distorcer o sentido da frase.

   — Está tudo bem, alteza. Eu sou britânica, tenho princípios.

   Eu me lembro de ter rido o caminho todo para meu quarto.

   O sorriso enigmático e peculiar de Gaia Faye foi a última coisa que vi antes de apagar por completo, já confortavelmente acomodada em minha suíte.

   Quando eu abri os olhos, porém, ela ainda estava ali. E ao meu lado, na cama.


Notas Finais


E ENTÃO, COMO FOI???

OLHA, EU NÃO SOU CAPAZ DE OPINAR DEPOIS DESSA LAUREN CUZONA E DESSA GAIA REVELANDO COISAS, mas, se eu fosse vocês, eu lia esse SPOILER DA VEZ aqui:

“— Jesus! – Eu exclamei, esfregando meu rosto com agressividade e mexendo nos cabelos para manter minhas mãos ocupadas. – Pare de colocar palavras na minha boca!
Camila riu, inclinando a cabeça e umedecendo os lábios, fazendo parte do meu autocontrole se esvair. Com os dedos sobre os lábios, ela sussurrou:
— Eu já disse que prefiro quando você diz meu nome, Lo, e... – Cabello mordeu as pontas dos dedos antes de continuar: – Eu posso colocar outras coisas na sua boca, se você quiser.”


Não tô passando bem.

Enfim! Espero que vocês tenham gostado do capítulo, apesar de ele ter sido um tanto angst. Tem várias coisas que foram jogadas na rodinha agora, já quero saber se vocês estão percebendo os dramas particulares da Dinah, Mani e Ally.

Era isso, gente. Muitíssimo obrigada por estarem lendo, vocês são uns amores, e, pra quem quiser ver aquela “capa de revista” que tá como uma das imagens do capítulo, esse aqui é o link:
i.imgur.com/jbSCfYG.png

Au revoir!


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