História Sr. Bieber - Terceira Temporada - Capítulo 20


Escrita por: ~

Postado
Categorias Barbara Palvin, Justin Bieber
Personagens Jaxon Bieber, Jazmyn Bieber, Jeremy Bieber, Justin Bieber, Personagens Originais
Exibições 1.639
Palavras 4.367
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Esporte, Famí­lia, Festa, Luta, Mistério, Romance e Novela, Suspense, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Cross-dresser, Drogas, Estupro, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Suicídio, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Boa leitura!!!!

Capítulo 20 - Neurótico


Fanfic / Fanfiction Sr. Bieber - Terceira Temporada - Capítulo 20 - Neurótico

Gwendolyn Bieber 

– Bom dia, Gwen – o tom feliz e contente de Clive me irrita.

Rosno umas poucas palavras ao passar por ele, saindo para o céu aberto e colocando meus óculos escuros, imediatamente regozijando-me pelo fato de que meu presente não está aqui, e sim o meu Mini. Ele vai ter que me deixar sair, e é melhor que deixe. Entro no carro e dou a partida, mas logo ouço um toquinho na janela.

– Sim? – pergunto, enquanto o vidro baixa.

– Eu vou te levar para o trabalho – é aquele tom, mas eu não estou nem aí.

Eu fecho o vidro.

– Não, obrigada – saio da vaga, tomando cuidado para não atropelá-lo e pego meu telefone para ligar para o Lunnar. – Bom dia, Clive! – meu cumprimento agora é um milhão de vezes melhor que o grunhido que acabei de dispensar ao bom homem.

– Gwen?

– Desculpe o incômodo, mas você poderia abrir os portões?

– Claro, faço isso agora mesmo.

– Obrigada, Clive – um sorriso vitorioso aparece nos cantos da minha boca e eu largo meu celular no banco do passageiro quando os portões começam a se abrir. Não perco tempo. Saio rapidamente do estacionamento, vendo que Justin agita os braços sobre a cabeça, antes de ir correndo de volta ao foyer.

Depois de ficar rodando para cima e para baixo no estacionamento por uma eternidade procurando uma vaga, finalmente entro no escritório com meia hora de atraso. Estou um pouco suada, bastante sem fôlego, e minha frustração é óbvia, especialmente quando atiro a bolsa sobre a mesa e ela atinge o porta-lápis. O barulho atrai a atenção dos meus colegas, que põem a cabeça para fora da cozinha para ver qual é a comoção.

– Está se sentindo melhor? – Andy pergunta, passando os olhos por meu corpo grudento.

– Sim! – vocifero, jogando a bolsa no chão e me soltando na cadeira. Respiro fundo algumas vezes para me acalmar e viro a cadeira na direção da cozinha, dando de cara com três pares de sobrancelhas erguidas. – O que foi?

– Você está péssima – Alexia opina. – Talvez devesse ficar descansando.

– Posso ir buscar algo pra você no Starbucks – Maia oferece, doce.

Suavizo minha cara feia apontada para eles, que agora parecem ter passado de curiosos a preocupados. Esqueci que, para eles, estava doente ontem.

– Obrigada, Maia. Isso seria ótimo.

Ela vai até a sua mesa e pega algum dinheiro do pote da caixinha do escritório.

– Mais alguém?

Andy e Alexia gritam pedidos para Maia, que mal registra o que dizem e sai apressada, provavelmente para fugir do meu mau humor. Ligo meu computador e vou checar meus e-mails. Andy e Alexia estão diante da minha mesa num piscar de olhos.

– Você está pálida – Andy observa, girando uma caneta entre os dedos, a camisa turquesa e a gravata amarela fazendo estrago nos meus olhos cansados.

– Está mesmo, Gwen. Tem certeza de que está bem? – Alexia parece mais preocupada que Andy, que está mais para desconfiado.

Começo a filtrar meus e-mails, selecionando e deletando a sujeira e as propagandas.

– Estou bem. Onde está Robert? – somente agora, que estou mais calma, é que me dei conta de que meu chefe não veio investigar o barulho.

– Assuntos pessoais – ambos dizem em uníssono e eu olho para eles, com o semblante franzido.

– Ele não estava resolvendo assuntos pessoais ontem?

– Ele virá amanhã – Andy diz. – Será que ele finalmente vai se divorciar da Summer?

Dou risada.

– Não! – ela pode enlouquecer Robert, mas ele a ama.

– Oooh, não pensei nisso – os olhos azuis de Alexia estão arregalados. – Você reparou na coisa que ela estava vestindo no seu casamento?

– Sim! – Andy grita. – Um crime!

Alexia ri enquanto volta para sua mesa e eu olho para Andy, como quem aponta para algo evidente. Meu amigo gay não está em situação de julgar o gosto de ninguém para a moda.

– O que foi? – ele pergunta, olhando para si mesmo. – Fabuloso, não é?

– Impressionante – dou risada, voltando a atenção para o computador, enquanto Andy vai dançando até o seu lado do escritório.

A porta de entrada se abre e uma mulher entra com uma cesta pendurada no braço.

– Gwendolyn Bieber? – ela olha para Andy e depois segue na direção para onde ele aponta a caneta.

– Oi – eu a cumprimento, enquanto ela se aproxima e pousa a cesta sobre a minha mesa. – Posso te ajudar? – não a reconheço.

Ela pega a toalha xadrez de cima da cesta e dispõe sobre a minha mesa. Meus olhos naturalmente seguem suas ações.

– Café da manhã – ela sorri, colocando uma sacolinha de papel diante de mim, antes de pegar um copo. – Meu café não era bom o bastante, então ele me fez passar no Starbucks. Cappuccino, dose extra, com chocolate e açúcar – ela diz, nem um pouco impressionada. – Faça bom proveito – e com isso ela se vira e vai embora.

Dou um suspiro e empurro a sacolinha de lado. Estou sem um pingo de fome, mas estou morrendo por um café. Bebo um gole e faço uma careta ao sentir o sabor amargo.

– Argh!

– Está tudo bem? – Andy pergunta, preocupado, do outro lado da sala.

– Tudo bem, sim – eu me levanto e vou até a cozinha, tirando a tampa do copo e adicionando mais açúcar à bebida, antes de dar uma boa mexida e provar mais um gole. Dou um gemido de doce satisfação.

– Café para Gwen! – Maia entra na cozinha, agitando um copo da Starbucks para mim. – Ei! – um olhar de total confusão invade seu rosto quando me vê com um copo idêntico na mão e bebendo o líquido quente e doce. Eu solto a respiração, satisfeita.

– Delivery, cortesia do meu marido.

Ela se derrete.

– Oh, que gesto mais doce.

– Na verdade, não. Tive de colocar mais açúcar – passo por Maia, que me olha intrigada, e vou para a minha mesa fuçar na sacolinha, quando ouço meu telefone gritar à chegada de uma mensagem de texto.

Está tomando seu café da manhã? -J

Eu bebo mais um gole de café e respondo:

Delicioso.- G

Não agradeço porque não estou grata. Estou me sentindo mal, mas o café adoçado está descendo como um manjar dos deuses. Nem tenho chance de colocar o celular de volta na mesa e ele chia outra vez.

Fico feliz que nosso casamento se baseie em honestidade.- J

Levanto os olhos e ali está ele, segurando um buquê de copos de leite, com um olhar aborrecido apontado para mim. Não consigo evitar o longo suspiro que escapa da minha boca enquanto me sento. Ele vem até mim, cumprimentando Andy e Alexia com um aceno de cabeça, antes de se sentar do outro lado da minha mesa e colocar as flores na minha frente.

– Coma – ele ordena, definitivo, fazendo um gesto para a sacola que foi posta de lado.

– Não estou com fome, Justin – reclamo, mas não tenho forças para discutir ou vociferar com ele.

Ele se inclina na minha direção, parecendo preocupado, os olhos examinando meu rosto.

– Gwen, você está tão pálida.

– Não estou me sentindo bem – admito. O enjoo matinal finalmente decidiu atacar na hora certa do dia. Não há por que fingir que estou bem, porque não é como me sinto e, ao que parece, não é o que diz minha aparência.

Ele se levanta e fica atrás da minha cadeira, inclinando-se para colocar a mão na minha testa e a boca perto da minha orelha.

– Você está quente.

– Eu sei – suspiro, inclinando-me ao seu contato, fazendo meu rosto colar em sua boca, meus olhos se fechando sem instruções do meu cérebro. Como posso me sentir tão exausta ainda? – Espero que se sinta culpado – digo baixinho; isso é tudo culpa dele. Sinto pena de mim mesma.

Ele vira minha cadeira, para que eu fique de frente para ele. Depois, se agacha diante de mim e segura as minhas mãos.

 – Deixe-me te levar para casa – ele diz, mas posso dizer, por seu olhar de cachorrinho pidão, que ele sabe que vou recusar.

– Já vai passar.

– Às vezes você é impossível – ele toca meu rosto. – A gravidez está te deixando de mau humor e ainda mais desafiadora.

Forço um sorriso amarelo.

– Gosto de te manter esperto.

– Você quer dizer que gosta de me deixar louco.

– Isso também.

Suspirando, ele se aproxima e me beija com carinho.

– Por favor, coma – ele está implorando, não exigindo. – Pode te fazer sentir melhor.

– Está bem – concordo. Estou disposta a tentar, porque, embora a ideia de comer me façanter vontade de vomitar, nada vai me fazer sentir pior do que eu já estou.

Ele parece surpreso ao me ver obedecer.

– Boa menina.

Ele me vira de volta à minha mesa e coloca a sacolinha diante de mim. Assim que eu a abro, no entanto, o cheiro de bacon me faz golfar.

– Acho que não vou conseguir – fecho o pacote outra vez, mas ele retira a sacola da minha mão, pega o bagel e o serve sobre um guardanapo para mim. Ao mesmo tempo que tiro um pedaço e levo à boca, resisto à vontade de correr para o banheiro e enfiar o dedo na garganta. Mastigo por um tempão, sob o olhar atento de meu marido preocupado, e então engulo. Meus reflexos não tentam pôr o alimento para fora. – Posso só comer o bagel? – pego outro pedaço. – Não consigo nem olhar para o bacon.

Ele sorri para mim.

– Sim. Vê como você me deixa feliz quando faz o que eu digo?

Ignoro e ponho mais um pedaço de pão na boca, cada porção descendo mais fácil, e meu estômago aceitando melhor cada bocado. Ele fica ali, em pé, assistindo enquanto como quase tudo, deixando apenas o bacon e algumas migalhas.

– Feliz? – pergunto. Sei que eu estou. Já me sinto melhor.

– Sua cor voltou. Sim, estou feliz – ele recolhe o que resta e joga no lixo, agachando-se em seguida e ficando cara a cara comigo. -Obrigado – ele sorri e eu retribuo o gesto. – Meu trabalho aqui está feito. Agora vou deixar minha esposa trabalhar em paz.

– Vai nada – eu debocho.

Afastando-se, ele me dirige um sorriso atrevido.

– Pode ser que eu ligue uma ou duas vezes.

Mais um ruído de deboche de minha parte.

– Não vou prometer o que não poderei cumprir. Robert está? – a pergunta dele me lembra de que ainda não conversei com meu chefe sobre Mikael.

– Não. Ele vai ter reuniões fora o dia todo.

Ele se endireita e olha para os meus cabelos, certamente procurando sinais de que eu estou mentindo, mas não vai encontrar meus dedos neles porque Robert está mesmo fora.

– Você fez eu me atrasar – ele diz, olhando para seu Rolex.

– Você se atrasou sozinho – eu o enxoto do escritório e pego as flores para colocar em um vaso. – Vá embora.

Ele ergue as mãos e se afasta.

– Está melhor?

– Estou. Obrigada – estou realmente grata.

Deslumbrando-me com seu sorriso reservado especialmente para mim, ele pisca, me joga um beijo e sai, deixando-me com um sorriso bobo no rosto não mais pálido. Alexia e Maia sorriem, encantadas, e Andy suspira pelo traseiro de meu senhor.

O efeito que ele causa continua forte neles.
 
                             (...)

Chego ao fim do dia apenas com o café da manhã no estômago. Sinto-me muito melhor. Justin mandou cinco mensagens de texto, todas perguntando como eu estava. E para todas elas recebeu a mesma resposta: “melhor”. Na mais recente, no entanto, faz uma pergunta diferente:

Ainda estou no hotel. Quer vir aqui? Podemos comer um filé.- J

A última parte me ganha.

A caminho. Bjo. - G

Guardo minhas coisas e me despeço dos meus colegas, mas dou de cara com uma mulher segurando um buquê de flores à porta.

– Gwendolyn Owen? – ela pergunta. Não é a florista de sempre e me chama pelo meu nome de solteira. Justin jamais faria isso, além de já ter mandado flores hoje.

– Sou eu – pareço confusa, o que é ótimo, porque é como me sinto. Noto que não são copos de leite e não estão nada frescas. Na verdade, estão mortas. Ela põe as flores em meus braços e me passa a prancheta. Ela quer que eu assine o recebimento de flores mortas? Ajeito meus braços ocupados e consigo rabiscar algo no papel.

– Obrigada – ela diz, enquanto se retira.

Olho intrigada para as flores.

– Elas estão mortas – eu a chamo de volta.

– Eu sei – ela responde, nem um pouco abalada por isso.

– Você não vê problema em entregar flores mortas?

Ela se volta para mim e ri.

– Já tive pedidos piores.

Engulo em seco. Como o quê, por exemplo? Ela segue adiante, sem se importar em me elucidar. Então, encontro o cartão e tiro as flores do caminho para conseguir abrir o pequeno envelope.

"ELE DIZ QUE PRECISA DE VOCÊ. ELE NÃO PRECISA DE VOCÊ. VOCÊ ACHA QUE O CONHECE, MAS NÃO O CONHECE. EU O CONHEÇO. DEIXE-O."

Meu coração para de bater no peito e um nome surge em minha mente de imediato: Coral.

Eu deveria ficar preocupada, mas não. Sinto-me absolutamente possessiva com essa sugestão. Um lampejo dos famosos atributos de Justin passa por mim e largo tudo o que tenho nas mãos, deixando que caia no chão, e rasgo o cartão malicioso lentamente. Quem ela pensa que é? Uma transa, foi só o que ela significou, nada mais do que uma transa conveniente. Ela entrou em contato com Justin outra vez? É o caso de eu perguntar a ele e atiçar sua curiosidade, porque não quero que ele saiba disso aqui. Não quero que nada o lance para além do precipício. Posso lidar com ameaças vazias. “Deixe-o” ou o quê? Jogo as flores na lata de lixo na rua, juntamente com o cartão, e vou para o estacionamento. Uma urgência de estar com ele me toma de repente.

Imediatamente paro quando vejo que a vaga onde parei meu Mini de manhã está vazia. Nada de carro. Olho para a placa que indica o número da vaga. Estou no lugar certo. Então onde, diabos, está o meu carro?

– Tá tudo bem, garota – a voz grave de John me faz virar e dar de cara com ele, inclinando metade do corpo para fora da janela de sua Range Rover. – Entre.

– Meu carro foi roubado – agito o braço para indicar a vaga vazia e me viro para me certificar de que não estou imaginando coisas.

– Não foi roubado, garota. Entre.

– O quê? – eu volto olhos atônitos para o homem-montanha. – Onde está, então?

John me lança um olhar constrangido no rosto normalmente ameaçador.

– O canalha do seu marido mandou buscá-lo – ele faz um sinal indicando o banco do passageiro.

– Você está tirando um sarro da minha cara? – dou risada.

Suas sobrancelhas aparecem sobre os óculos.

– O que você acha? – ele pergunta, sério.

Respiro profundamente para me acalmar e vou para o lado do passageiro, entrando no carro. Sim, ele precisa de mim. Ele precisa me levar à loucura!

– Vou estrangulá-lo – resmungo, puxando o cinto de segurança e afivelando-o.

– Pegue leve com ele, garota – John tamborila com os dedos no volante, enquanto sai do estacionamento, de volta à luz do sol.

– John, eu gosto de você, de verdade, mas, a não ser que você me dê uma razão aceitável para o jeito neurótico dele, não vou levar em consideração o seu pedido para pegar leve – digo, definitiva. 

Ele gargalha, recolhendo o pescoço e revelando as várias camadas de queixo que mantém escondidas.

– Eu também gosto de você, garota – ele ainda ri, enxugando os olhos por baixo dos óculos.

Nunca vi esse grandalhão feroz tão animadinho. Isso me faz sorrir, e pensamentos de maridos complicados e bilhetes ameaçadores são substituídos por risadinhas, mas logo o rosto de John se fecha rápido demais e, em segundos, estou rindo sozinha, com aqueles óculos escuros apontados para mim.

A mudança repentina na expressão dele me tira imediatamente do meu estado histérico.

– Ele pode piorar. Acredito que tenho que te dar os parabéns – seu rosto baixa, o que indica que ele está olhando para a minha barriga, antes de se virar e olhar para a rua.

– Ele te contou? – pergunto, incrédula. Não quero que ninguém saiba. É cedo demais.

– Garota, ele não precisou contar.

– Não precisou? – John sabe do desejo de Justin por um bebê?

– Não. Quando vi a página do departamento infantil da Harrods aberta na tela do computador dele, acho que os fatos falaram por si só. Isso e o sorriso no rosto daquele safado o dia todo.

Acomodo-me no assento. Posso imaginá-lo fazendo Zoe encontrar toda sorte de luxuosos equipamentos para bebês, assim como posso imaginar o rosto dela quando Justin lhe passar a nova lista de compras... Quando nos conhecemos, poucas semanas atrás, ela me vestiu com aquele traje maravilhoso para o jantar de aniversário; logo depois, me ajudou a encontrar um vestido de noiva. Não demora, estará procurando a roupinha para o batismo do bebê. Certamente, vai pensar que nos casamos às pressas, assim como todo mundo, incluindo meu pai e Dan. Uma cerimônia de emergência porque ele me engravidou. Por quanto tempo posso guardar essa informação antes de contar a eles? 

John estaciona no Solar e não perco tempo: pulo do carro e subo os degraus depressa.

– Ele está no escritório – John avisa.

– Obrigada, John – uso a minha chave e sigo porta após porta, indo direto para o fundo do hotel, passando pela sala de verão e sorrindo intimamente perante o súbito silêncio que se faz. Olho em volta para o grupo de mulheres, todas com bebidas na mão e expressões azedas. – Boa noite – cumprimento com um sorriso brilhante e recebo um coro de murmúrios como resposta. Meu sorriso só cresce quando penso que elas ficarão ainda mais azedas quando souberem da minha gravidez. Faço uma cara de convencida.

Ao aproximar-me do escritório de Justin, a porta se abre e um homem sai, parecendo tanto tenso quanto aliviado. É Steve. Ele está diferente completamente vestido e sem um chicote na mão. Paro na hora, tomada de surpresa, principalmente por vê-lo inteiro. Ele não parece tão arrogante agora.

– Oi – gaguejo, o choque claro na minha voz.

Seus olhos se erguem e ele me dá um sorriso constrangido.

– Gwendolyn...

Estou encarando o rapaz e percebo que estou sendo rude, mas não sei mais o que dizer. Não há hematomas ou olho roxo, ele não está mancando nem parece ter-lhe sido oferecido enterro ou cremação.

– Como vai? – pergunto, quando meu cérebro falha em me sugerir algo melhor.

– Estou bem – ele enfia as mãos nos bolsos do paletó, não menos desconfortável. – E você?

– Bem, também – isso é tão constrangedor. Na última vez em que nos vimos, ele me pendurou em uma treliça e me chicoteou até sangrar. Foi arrogante e bajulador, mas não há sinal daquele homem agora. – Você veio falar com Justin?

– Vim – ele ri. – Já vinha adiando essa visita há um bom tempo. Precisava pedir desculpas.

– Oh? – meu cérebro falha mais um vez. Ele parece sincero, mas se eu fosse homem e tivesse Justin sedento por meu sangue, acho que também viria pedir desculpas, e de joelhos, o que, sem dúvida, é o que deve ter feito. Aposto que não estaria andando se não tivesse feito isso. Já se passaram algumas semanas, mas sei que Justin ainda estava enfurecido com essa pendência.

– Preciso pedir desculpas para você também – ele diz, com dificuldade. – Sim, é... bem, eu... Me desculpe.

Balanço a cabeça, minimizando a situação. É minha vez de ficar constrangida. Fui eu quem pediu para que ele me chicoteasse. Eu pedi. Deveria estar com remorso por sentenciá-lo à aniquilação.

– Steve, eu não deveria ter pedido. O que fiz foi errado.

– Não – ele sorri, mas dessa vez é de maneira doce. – Eu já vinha abusando há tempo demais, passando dos limites, perdendo o respeito das mulheres que confiavam em mim. Você me fez um favor, na verdade, mas é claro que eu preferia não tê-la machucado.

Retribuo o sorriso.

– Aceito as suas se você aceitar as minhas.

Ele tira a chave do carro do bolso e faz menção de passar por mim.

– Aceitas. Até um dia.

– Até – digo às suas costas.

Abro a porta do escritório de Justin e o vejo ajoelhado no chão. Minha mente é invadida por lembranças dolorosas. Ele está totalmente vestido, e há pilhas e pilhas de papel espalhadas diante dele. Ele olha para mim e meu coração fica apertado ante o olhar aflito em seu rosto lindo. Sua linha de expressão está bem pronunciada.

– Oi – fecho a porta atrás de mim e a expressão dele vai da exaustão mental à felicidade em um segundo.

– Aí está a minha menina bonita – ele se apoia nos calcanhares, com os pés sustentando seu peso, e abre os braços. – Venha cá. Eu preciso de você.

Vou lentamente até ele.

– Precisa de mim ou precisa que eu resolva isso tudo para você?

Ele faz um bico e agita os braços, impacientemente.

– As duas coisas.

Sento-me entre as pernas dele e chego para trás até ficar de costas coladas com a frente dele. Seus braços me envolvem pelos ombros e o nariz dele toca os meus cabelos. Ele aspira o perfume em uma inspiração profunda.

– Como está se sentindo?

– Melhor.  

– Que bom, porque eu não gosto de te ver passando mal.

– Então você não deveria ter agido às escondidas e me engravidado – retruco, seca, ganhando um cutucão de sua perna. – Vi Steve saindo daqui.

– Hmmm... – ele geme na minha orelha, mordendo o lóbulo.

– Você lhe ofereceu enterro ou cremação? – sorrio e sou cutucada outra vez.

– Fiz uma oferta de paz, na verdade. Sarcasmo não combina com você, mocinha. 

Estou sem fala. Apostaria a vida na morte iminente do pobre Steve.

– Por que está sendo tão razoável?

– Sempre sou razoável. A irracional aqui é você, menina bonita.

Nem me abalo em responder, rir ou debochar, mas seu comentário acaba de me lembrar outra coisa.

– O que há de razoável em roubar o meu carro? – pergunto. – E como conseguiu fazê-lo sem a chave?

– Guincho – ele responde, sem se envergonhar nem mais explicações. Estico-me e pego alguns papéis do chão, qualquer coisa que me impeça de responder à sua ridícula afirmação de que não é irracional.

– Como foi o seu dia? – ele pergunta.

Tento deter a tensão que ameaça tomar meu corpo, aborrecida comigo mesma pela reação imediata de sair do seu abraço para que ele não perceba. Dado seu humor relaxado, não preciso preocupá-lo com ameaças vazias e triviais de sua ex-amante.

– Produtivo. Vamos começar?

Ele grunhe, mas me solta.

– É, acho que sim.

Durante a hora seguinte, separamos contas, contratos e faturas. Separei tudo por ordem de data, organizei em pilhas e prendi com elásticos. Justin se larga na cadeira e começa a prestar atenção em algo em seu computador e eu o observo, enquanto termino de prender a última pilha de papel. Ele mexe com o mouse para lá e para cá, a ruga de expressão firme em sua testa. Curiosa, levanto-me para ver o que prende tanto a atenção dele, embora desconfie do que seja. Enquanto dou uma volta na mesa dele, Justin me olha rapidamente e desliga a tela.

– Vamos jantar? – ele se levanta.

Lanço-lhe um olhar desconfiado e me inclino sobre ele, abrindo a tela novamente. É como pensei: parafernália para bebês por todos os lados. Várias abas abertas e, ao dar uma olhada no rodapé, vejo os nomes de todas as marcas imagináveis de produtos infantis. Há até mesmo uma página dedicada a fraldas orgânicas. Meu olhar para ele é inquisitivo, mas não posso ficar brava, especialmente quando ele dá de ombros, encabulado, e começa a morder o lábio inferior.

– Estava só pesquisando um pouco – ele chega mesmo a olhar para o chão e raspar as pontas dos sapatos no carpete do escritório. Derreto-me aos seus pés. Poderia abraçá-lo, e o faço, aceitando sua empolgação e o abraço bem apertado.

– Sei que você está animado, mas podemos manter isso entre nós por enquanto?

– Quero gritar para os quatro ventos – ele reclama. – Contar para todo mundo.

Ninguém jamais diria que é o mesmo homem. Do babaca arrogante e convencido que conheci naquele dia na Union, para isso?

– Eu sei, mas estou com poucas semanas de gravidez. Pode dar azar. As mulheres normalmente esperam até o terceiro mês para contar ou ao menos até o primeiro ultrassom.

– Quando é isso? Eu pago. Vamos fazer um amanhã mesmo.

Dou risada e me afasto.

– É cedo demais para um ultrassom e, de qualquer maneira, o hospital vai fazer o exame.

Ele me olha como se eu tivesse duas cabeças.

– Meu filho não vai nascer em um hospital público!

– Eu...

– Não, Gwendolyn. Isso não está em discussão. Ponto-final – ele usa aquele tom que sei que absolutamente não devo desafiar. – Nunca, de jeito nenhum – ele balança a cabeça. Está horrorizado com o simples pensamento, com certeza.

– O que você acha que vão fazer?

– Não sei, mas não vou lhes dar a chance – ele pega a minha mão e me conduz para fora do escritório.

– Você paga impostos e eu também. É um privilégio ter um Sistema Nacional de Saúde. Você devia agradecer.

– E agradeço, é maravilhoso, mas não vamos utilizá-lo. Ponto-final.

– Neurótico – murmuro, sorrindo para ele.

– Só um pouquinho – ele responde, retribuindo o meu sorriso, mas posso ver que tenta se manter sério. – Gosto do seu vestido – seus olhos correm pelo vestido lápis bege, estruturado.

– Obrigada.

– Quero te mostrar uma coisa. Venha – ele diz, abrindo a porta e pousando a mão na minha lombar, para me orientar.

– O que é? – pergunto, permitindo que meu corpo seja gentilmente guiado a sair do escritório. Seguimos pelo corredor.

Estremeço ao sentir sua boca ao meu ouvido.

– Você vai ver.

Estou curiosa, mas também me sinto... um pouco ofegante. Apenas algumas palavras ao meu ouvido, sua mão me tocando, e já estou mentalmente implorando por ele. Talvez seja por causa da gravidez, talvez seja só ele. Não. Definitivamente, é a segunda opção, mas a combinação de Justin com gravidez certamente me deixa numa enrascada sexual.

Passamos pelos membros do hotel na sala de verão, Justin acenando e eu sorrindo gentilmente, e seguimos em direção à escada, onde alcançamos o corredor para a extensão.

Ele abre a porta do último quarto, aquele de onde fugi, no qual me sentei no chão para desenhar esboços e no qual recebi uma advertência de Elena. Não gosto desse quarto, mas, assim que ele entra no meu campo de visão, perco o fôlego. 


Notas Finais


CHEGAMOS AOS MIL E QUATROCENTOS FAVORITOS. Eu nem sei como agradecer todos vocês, muitíssimo obrigada mesmo essa fic não seria nada sem o apoio e a compreensão de vocês. Não posso deixar de agradecer aos comentários, eu não respondo porque não tenho muito tempo, mas saibam que leio cada um deles, e amo saber o que estão achando, é isso que me motiva a continuar.

Parece que o Bieber está animado com a chegada do #BabyAmendoim KKKKK

Irei deixar o link de algumas fanfics maravilhosas, espero que vocês leiam.

BlackSpot - https://spiritfanfics.com/historia/blackspot-6475696

Tenente Bieber - https://spiritfanfics.com/historia/tenente-bieber-4763762

Attraction Empire - https://spiritfanfics.com/historia/attraction-empire-6106818

The Ideal Girl - https://spiritfanfics.com/historia/the-ideal-girl-6925268

E para quem quiser entrar no grupo também estarei deixando o link, só por favor, não sejam tímidas, diga pelo menos seu nome.

https://chat.whatsapp.com/LaObU8J834WItJXlU0MmPN

XOXO


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