História Stand by you - Capítulo 11


Escrita por: ~

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Categorias Once Upon a Time
Personagens Regina Mills (Rainha Malvada), Robin Hood, Ruby (Chapeuzinho Vermelho)
Tags Outlawqueen, Regina Mills, Robin Hood
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Palavras 3.823
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Famí­lia, Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Lembrando mais uma vez que essa história não é de minha autoria, só estou modificando os personagens para que possamos desfrutá-la com o nosso casal mais amado, vulgo OutlawQueen.

Capítulo 11 - Capítulo onze


ROBIN P.O.V

Estaciono, saio da caminhonete e me inclino contra ela, braços cruzados, absorvendo tudo. A casa dos pais de Ruby é como a terra que o tempo esqueceu – nada nunca muda. A tinta branca está sempre descascando exatamente nos mesmos lugares. O enorme carvalho continua ali, com o mesmo balanço no qual eu costumava balançar Ruby – e continua com aquele galho perfeito, que se aproxima da janela do quarto dela e que tantas vezes me permitiu pular ali dentro.

Assim como a minha, a família dela trabalha nesses acres há gerações. Porém, o trabalho com gado é mais lucrativo e seguro, então fazendeiros como os Monroe enfrentam alguns problemas. Você pode colher mil acres de milho, mas, se só ganha um centavo por quilo, não vai fazer muito dinheiro.

– Ruby! – a avó grita da varanda. – Aquele rapaz está aqui outra vez.

Aquele rapaz. A vovó nunca foi minha maior fã. Sempre me olhou com certa desconfiança – e irritação. Daquele jeito que você olha uma mosca voando em volta da sua comida, sabendo exatamente quais são as intenções dela, apenas esperando-a pousar… Para poder amassá-la com um jornal. Depois que Ruby engravidou – e que não nos casamos –, tudo ficou bem claro. A vovó se tornou extremamente hostil. Mas a espingarda que está em seu colo enquanto ela balança em sua cadeira de vime não é para mim. Bem… não é só para mim. O marido da vovó morreu quando Ruby ainda usava fraldas. Lançado das costas de um cavalo bravo, o velho Henry acabou pousando da forma errada, no momento errado. Vovó manteve a espingarda de Henry consigo desde então, ela até dorme com a arma. Porque, caso ladrões, arruaceiros ou americanos do norte do país apareçam, Vovó está decidida a apagar quantos conseguir. A espingarda não fica carregada, e os membros da família de Ruby fazem de tudo para mantê-la assim. Há quem diga que vovó sofre de demência, mas nem de longe acredito nessa hipótese. Sua mente continua tão afiada quanto sua língua. Acho que, em vez de andar devagar e apoiada em uma bengala enorme, vovó se sente melhor dando passos barulhentos e carregando a maldita espingarda.

Na porta de tela, Ruby coloca a cabeça para fora. Os cabelos estão presos em um coque bagunçado e, depois de terminar seu turno, ela ainda usa o uniforme rosa do hospital. E me encara por um longo instante antes de a preocupação em seu rosto se transformar em um leve sorriso. Um sorrisinho amigável, um pouco culpado, mas não surpreso.

Agora que nós dois tivemos alguns dias para nos recuperar da conversa ao telefone, ela sabia que eu viria. Ergo as latas de cerveja e arqueio as sobrancelhas. Ruby assente antes de inclinar a cabeça na direção da casa.

– Só vou me trocar.

Essa é a nossa tradição. Desde os dezesseis anos, sempre que venho aqui, sempre que queremos ficar sozinhos ou conversar sobre algo importante, levamos latas de cerveja para a beira do rio. Um cobertor ali na margem é nosso divã. Nunca falhou e não tenho a menor intenção de permitir que nosso truque falhe dessa vez. Depois que Ruby desaparece dentro de casa, subo lentamente a escada da varanda como se estivesse me aproximando de um urso em hibernação. Você sabe que é seguro, mas é melhor estar pronto para correr caso ele deseje atacar. Puxo a aba do chapéu para cumprimentar a vovó.

– Senhora. Seus olhos são afiados feito navalhas.

– Não gosto de você, rapaz.

– Sim, senhora.

– Minha bisnetinha é a melhor coisa que você já fez. Repuxo um canto da boca em um sorriso.

– Não posso dizer que discordo.

– Eu devia ter atirado em você anos atrás – ela resmunga.

Sento-me ao lado dela, apoiando as mãos nos joelhos, como se estivesse realmente refletindo sobre o que ela está dizendo.

– Não sei… Se atirasse em mim, não haveria ninguém mais para trazer sua bebida preferida.

Levanto a camisa e puxo uma pequena garrafa de Maker’s Mark Cask Strength escondida, com toda a habilidade de um traficante de drogas. Alegando motivos de saúde, a mãe de Ruby proibiu vovó de beber uísque há anos – ou pelo menos tentou. Mas a vovó é uma velha esperta, sabe o que faz. Como um abutre. Ela olha para a garrafa, lambe seus lábios finos como alguém que acaba de avistar um oásis no deserto. Pode parecer inadequado subornar uma idosa com álcool, horrível fazer isso em busca de informações. Mas não estou no jogo para mostrar boas maneiras ou respeito ou fazer a coisa certa. Estou no jogo para vencer. Além disso… eu teria trazido a bebida para ela de qualquer jeito. Venho entregando garrafas de bebidas de primeira há anos. E ainda assim ela me detesta.

– Conte-me sobre esse tal Jimmy Dean. Confusa, ela inclina a cabeça.

– Do que você está falando? Viro os olhos.

– Do cara com quem Ruby vai se casar… James Dean. E é como se eu tivesse pronunciado as palavras mágicas. A vovó parece rejuvenescer anos quando sua carranca desaparece, abrindo espaço para um sorriso cheio de sonhos. O primeiro que vejo em décadas.

– Você está falando de J. D.? Hum-rum. É um exemplar de homem. Se fosse quarenta anos mais nova, eu mesma o paqueraria. Bonito, educado… É um bom rapaz. – O olhar furioso de sempre volta a estampar seu rosto. – Bem diferente de você, Satanás.

Só consigo rir.

– O que o bom J. D. faz para ganhar a vida?

– É professor no colégio. Dá aula de química ou algo assim… É um homem inteligente. E talentoso. Faz só um ano que trabalha na escola e já é assistente do técnico de futebol. Quando aquele Graham for expulso de seu cargo, imagino que J. D. ficará em seu lugar. Hum… Então o Salsichinha está trabalhando para o time de futebol da mesma escola onde costumava recolher as coquilhas.

Ah, as ironias da vida… Vovó olha minha mão, que agora acaricia a garrafa de uísque como se um gênio pudesse sair dali.

– O que mais? – insisto. Ela suspira, ponderando.

– O pai dele morreu há alguns meses. J. D. vendeu a propriedade da família e está construindo um casarão em um condomínio novo. É lá que vai morar com Ruby… e Jasmine. Minha bota atinge o chão da varanda furiosamente.

– Nem passando por cima da porra do meu cadáver! Vovó entende a minha expressão.

– Não use esse tom comigo, rapaz. A culpa é toda sua. – Ela cruza os braços e bufa com arrogância. – Você não é um pai ruim, isso sou obrigada a reconhecer. Mas… Ruby precisa de um homem. Um homem que esteja aqui.

– Eu estou aqui – esclareço com uma voz suave.

– Hum. E, pelo que ouvi dizer, não está sozinho. Trouxe uma mulher bonita da cidade. Uma la-tina.

Ouço a mãe de Ruby gritar dentro da casa, provando mais uma vez que essa cidade mais parece a Máfia – até as paredes têm ouvidos.

– Mamãe, seja discreta. Vovó rebate sem pestanejar:

– Não venha me dizer como devo agir! – Em seguida, lança uma pérola: – O bom de morrer é que você não precisa ser gentil com ninguém.

Ah, sim… Vovó está para morrer. Desde que consigo me lembrar. Sempre esteve prestes a morrer.

– É verdade, eu trouxe alguém – confesso. – Uma amiga, Regina. Vocês duas vão se dar muito bem… Ela também não engole desaforos de ninguém. Uso o dedo para dar alguns tapinhas na garrafa de uísque. – Agora me diga algo… diferente sobre J. D. Alguma coisa que a cidade toda não saiba. Ela olha sedenta para mim. E admite:

– Bem, ele não bebe muito… Não dá conta. Mas não acho que seja uma qualidade ruim para um homem… Ninguém gosta de bêbados.

Interessante.

– Mais alguma coisa? – cutuco. Ela se esforça para lembrar.

– Ah… É alérgico a pimenta. O rosto dele fica mais inchado do que um baiacu se provar uma que seja.

Ainda mais interessante. Satisfeito, entrego a garrafa à vovó, mantendo a mão abaixo da linha da janela bem à nossa frente, para que a mãe de Ruby não veja.Vovó puxa a garrafa da minha mão como uma criança mimada pega um doce, deslizando-a sob o cobertor em seu colo. Ruby sai da casa, usando shorts jeans e uma camiseta branca lisa. Continua com a mesma

aparência que tinha aos dezoito anos. Posso estar irritado com ela, mas isso não muda o fato de ser sensual pra caramba. E doce. E não muda o fato de… Bem, de eu sentir saudades dela.

– Está pronto? – pergunta. Levanto-me e puxo o chapéu para me despedir da vovó.

– É sempre um prazer, senhora. Sua forma de se despedir é fechando a cara. Ruby vai até a avó e beija sua bochecha. Então eu a ouço sussurrar:

– Não deixe a mamãe sentir o cheiro desse uísque no seu hálito ou ela vai mandá-la para a cama sem jantar. Vovó ri e acaricia a bochecha de Ruby.

Seguimos em direção à caminhonete, mas paramos na base da escada da varanda quando a mãe de Ruby sai da casa. Apesar das rugas de preocupação marcando seu rosto, June Monroe é uma bela mulher – atraente, com seus cabelos loiros e longos e algumas mechas esbranquiçadas. Ela oferece um sorriso forçado para mim.

– Robin. Sua aparência está ótima.

– Obrigado, June. É bom voltar para casa.

June não me odeia tanto quanto sua mãe, mas eu não me arriscaria a dizer que gosta de mim. Diferentemente de Wayne, o pai de Ruby, para quem sempre fui o filho que ele nunca teve. Mas duvido que qualquer um da família esteja feliz com o meu retorno, já que isso atrapalha os planos do grande casamento. Tinker ainda mora com os pais – e tem cinco filhos até agora –, então imagino que os Monroe ficariam felizes se pelo menos uma de suas filhas se casasse e saísse de casa.

– Ruby – a mãe dela diz, a voz aguda, em tom de aviso. – A prova do vestido é hoje à tarde. Não podemos chegar atrasadas.

– Não se preocupe. Eu volto antes de Jasmine chegar do treino.

Seguro a porta da caminhonete aberta. Fecho-a quando Ruby entra no veículo. Então, me posiciono atrás do volante e partimos rumo ao rio.

 

 

 

 

No caminho, penso no que vou dizer, como faço nas noites antes de enfrentar um caso. Ruby está sentada em um cobertor xadrez, com as pernas cruzadas, enquanto estou em pé, pois consigo pensar melhor quando estou em pé. Nós dois seguramos nossas latas de cerveja.

– Você poderia ter trazido garrafas – ela diz, apertando a lata na mão.

– Só quis ser nostálgico. Ela ergue o ombro.

– O gosto da nostalgia é melhor quando sai de uma garrafa.

Ela vira o rosto na direção do sol e avisto as sardas espalhadas pelo nariz e pelas bochechas, sardas tão pequenas e discretas que só podem ser vistas quando a luz está no ângulo certo. E parece que ainda ontem eu as estava observando aqui, após um longo mergulho e uma foda ainda mais longa, enquanto ela dormia coberta com nada além da minha sombra. Ruby ergue a mão para tomar um gole de cerveja e o pequeno diamante brilhando em sua mão esquerda pisa em minha memória como se fosse um maldito elefante. Ploft!

– Esqueceu de devolver a aliança para ele? Depois de dizer que tinha cometido um erro?

Os olhos dela se apertam.

– É assim que você pretende encarar as coisas, Robin?

Quase consigo ver as notas de Regina no bloco de papel amarelo, dizendo para eu tratar essa situação como se fosse um processo e Ruby como se fosse uma testemunha. Preciso que ela fale – para que, assim, eu saiba como tudo aconteceu e como posso colocar um ponto final nessa ideia de casamento.

– Não, não é – respondo com um suspiro. – Por que você não me contou? Um sorrisinho brota em seus lábios. Um sorrisinho entristecido.

– Porque eu sabia que você tentaria me convencer a não me casar. Dessa vez ela acertou na mosca. Ruby lambe a cerveja de seus lábios e, com uma voz carregada de arrependimento, lança: – Eu deveria ter contado. Você merecia ouvir direto da minha boca. Minha mãe enviou o convite por correio para você porque disse que eu estava enrolando… E eu de fato estava. – Seus olhos azuis, emoldurados por cílios claros, voltam-se para os meus. – Desculpe-me, Robin. Pego uma pedra e a balanço na mão.

– Aceito seu pedido de desculpas, contanto que você não se case. Ela inclina a cabeça, observando enquanto eu jogo a pedra.

– Ouvi dizer que você trouxe alguém para casa.

Já posso visualizar a cadeia de comunicação que fez essa informação chegar em tempo recorde aos ouvidos de Ruby. A senhora Bea contou à senhora Macalister, que trabalha na farmácia. A senhora Macalister fofocou com a velha Abigail Wilson quando foi levar o remédio do coração, porque Abigail está quase cega e não consegue mais dirigir. Abigail Wilson ligou para sua prima Pearl, que por acaso é a melhor amiga há anos de ninguém menos do que June Monroe. E agora me pergunto se June esperou Ruby chegar em casa ou se telefonou para contar enquanto Ruby ainda estava no trabalho.

– É uma amiga. Ruby zomba.

– Que tipo de amiga?

– O tipo que vai para a minha casa quando minha garota diz que vai se casar com outro homem. – Jogo outra pedrinha na água. – Já contei a minha parte. Agora é a sua vez. Quem é esse cara? Ela brinca com a areia, pegando um bocado na mão e deixando cair por entre os dedos.

– Depois do colégio, J. D. foi fazer faculdade na Califórnia. Voltou para cá no ano passado, quando seu pai foi diagnosticado com câncer. A gente se encontrou um dia no hospital e ele se lembrava de mim. Passou a fazer visitas ao pai todos os dias e, quando eu estava lá, nós dois ficávamos conversando. Com o tempo, as conversas se transformaram em café na cantina e em jantares depois do meu turno. – Ela faz uma pausa, pensa no passado. Sua voz fica suave: – No fim, a coisa ficou muito ruim. Quando o pai de J. D. faleceu, ele teve muita dificuldade para lidar com a situação. Eu estava lá para ele. Ele… precisava de mim. E era bom sentir que alguém precisava de mim. Depois, J. D. deixou de precisar, mas ainda me queria. E isso… me fez sentir ainda mais especial.

– E você chegou a pensar em mim? Enquanto estava ocupada sendo especial? Ela rebate:

– E você pensou em mim? Enquanto estava fodendo todo mundo na capital?

– Não é verdade.

– É claro que é… porque você acha que o tempo para quando não está aqui. Que eu fico presa, criando nossa filha e esperando você voltar.

– Em primeiro lugar, você não está criando nossa filha sozinha. Portanto, não aja como se fosse assim. Em segundo lugar, esse foi o acordo ao qual chegamos. Podemos fazer o que quisermos quando estamos separados, mas isso aqui… – Aponto para nós dois. – Isso era nosso. Ninguém mais tocava… Ninguém chegava perto. Se não estava mais funcionando para você, devia ter me dito. E ela fica em pé.

– Estou dizendo agora! Tenho 28 anos, Robin, e ainda moro com meus pais.

– Então esse é o problema? Ruby, se você quer uma casa, posso comprar uma casa para você. Nunca chegamos a um acordo sobre pensão porque envio dinheiro todo mês sem precisar disso. E qualquer coisa a mais que ela precisar, qualquer coisa, só precisa pedir.

– J. D. quer ter uma casa comigo… Uma família, um casamento, tudo aquilo que você nunca quis.

Aperto os punhos, os músculos de meus antebraços enrijecem. E não consigo saber se é melhor beijá-la ou sacudi-la para que caia na real.

– Você e Jasmine são a minha família. E eu teria me casado com você dez anos atrás. Falei isso bem aqui, neste maldito lugar!

– Queria e teria são duas coisas diferentes.

– Foi você quem disse para eu ir! – grito, apontando para ela. – Você me disse para ir! Por nós… Por nosso futuro, por nossa família. E então brotam as lágrimas, fazendo seus olhos brilharem como o sol batendo na água.

– Se você ama alguém, deixe-o ir. Se ele voltar para você, é porque é seu. – Ela sacode a cabeça. – E você nunca voltou.

– Mentira! Eu voltei sempre que pude…

– Não depois da Columbia. Você mudou naquela época. Começou a gostar daquela vida… do trabalho, das mulheres, da cidade…

– Eu estava me matando, Ruby! Estava estudando Direito, pelo amor de Deus! Trabalho, aulas, estágio… você não tem ideia de como é.

As linhas dos cadernos ainda brilham em minha mente como letreiros de neon. Brigar não vai resolver a situação. Preciso conversar com ela, e não dar sermão. Respiro fundo para me acalmar. Então dou um passo na direção de Ruby, atraindo seu olhar. E eu a vejo… Minha garota doce, minha melhor amiga. O amor da minha vida.

– Minha cabeça estava lá. Precisava estar. Mas meu coração sempre esteve aqui com você… nunca foi embora. Ela chega a fungar, mas as lágrimas ainda não escorrem.

– Você nunca se perguntou por que era tão fácil?

– Amar alguém deve ser fácil.

– Não estou dizendo estar juntos. Quero dizer estar separados. – Ela se vira de costas para mim, olha para a água que corre e se esfrega na encosta. – Todo esse tempo, todos esses anos… Estar separado era mais fácil do que deveria ser. – Ela cruza os braços e um sorriso invade a sua voz. – Quando J. D. sai do trabalho, ele vai à minha casa porque não consegue esperar nem mais um segundo para me ver. Ele arde de paixão por mim. Não consegue suportar a ideia de estar longe, de me deixar, nem mesmo por um dia. Você em algum momento sentiu isso, Robin?

Uma voz terrível e malevolente no fundo da minha cabeça sussurra que já senti isso, uma vez. Mas não por ela. Bloqueio esse pensamento e me posiciono de modo que Ruby fique me encarando.

– Eu te amo.

– Você ama uma garota de dezessete anos que não existe mais.

– Não é verdade. Ela existe e está bem na minha frente. Ruby inclina a cabeça e abre o mais discreto dos sorrisos.

– Eu não sou mais divertida como fui um dia. Dou um passo para a frente e envolvo seu rosto com as mãos, acariciando sua pele.

– Olho para você e vejo mil dias de verão. Os melhores momentos da minha vida. A emoção me afoga, tornando difícil falar. Os sentimentos que tenho por essa mulher me esmagam, até respirar torna-se difícil. – Eu te amo desde os meus doze anos e vou te amar até o dia em que eu morrer.

As lágrimas começam a cair de seus olhos. Ela leva a mão ao rosto, tentando secar o choro, e então beija a palma da minha mão.

– E eu te amo, Robin. Amo, mesmo. O que sinto por você, quem você é, é tão precioso para mim. Não quero perder isso.

E acho que consegui, acho que a convenci. Ruby pertence a mim e tudo está certo no mundo. Tenho que admitir, foi mais fácil do que eu esperava. Sabia que eu era bom, mas não imaginava que fosse tão bom assim. Até ela baixar minha mão, secar o rosto e me olhar nos olhos.

– Mas estou apaixonada por J. D.

Caralho. Balanço a cabeça.

– Você só está se sentindo sozinha porque eu passei tempo demais longe.

– Não – ela insiste. – Estou apaixonada por ele. Aconteceu rápido, mas o sentimento é forte e verdadeiro. Você precisa aceitar a realidade. As próximas palavras passam por meus lábios antes de eu sequer me dar conta do que estou dizendo.

– Eu vou voltar para cá. Vou deixar a empresa para trás, Ruby. Vou abrir um escritório na cidade. E voltar a viver aqui. Ela está com os lábios entreabertos, a voz sai sussurrada com a surpresa por ter ouvido palavras que não esperava.

– Não há muito mercado para um advogado criminalista aqui em Sunshine.

– Eu posso me dedicar a outros ramos do Direito. Ela estreita os olhos.

– Você detestaria. Seguro seu queixo.

– Posso fazer isso. Por você e Jasmine. Se é disso que você precisa, eu volto. Ela franze as sobrancelhas, meio por desgosto, meio por mágoa.

– Eu não quero ser o seu sacrifício. Nunca quis. Nós dois merecemos mais do que isso.

E então ela solta o corpo contra o meu, envolvendo minha cintura com os braços, seu calor suave junto ao meu enquanto ela enterra o rosto no meu peito, recusando-se a me deixar ir embora. Retribuo o abraço, um abraço forte, beijando o topo de sua cabeça, murmurando palavras doces, pressionando o nariz em seus cabelos porque o cheiro é maravilhoso. Ficamos assim por um tempo, até suas lágrimas secarem. E aí só resta a sensação de… tristeza. Como o último minuto de um funeral.

– Vou me casar com J. D. no sábado, Robin. Preciso que você entenda. Seguro seus braços e me inclino para a frente, para que ela possa me olhar nos olhos.

– Isso é um erro. Eu vim aqui atrás de você. Não vou desistir da gente. Entenda isso.

– Você não sabe… – ela começa a dizer. No entanto, tenho uma ideia e a interrompo com um sotaque carregado do Alabama:

– Não sou um homem inteligente, Ruby. Mas sei o que é o amor… Ele conhece? Ele conhece você tanto quanto eu conheço, Ruby? – E me aproximo, inclinando-me na direção dela. – Ele sabe o quanto você adora aqueles beijos demorados e molhados? Ele sabe lamber aquele ponto atrás da sua… A mão de Ruby cobre a minha boca. Ela me olha com ares de diversão, como se eu fosse um adolescente incorrigível.

 – Já basta, Robin. Ele me conhece… e, em algumas coisas, melhor do que você. O que não sabe, vai ter muito tempo para descobrir. Coloco a língua para fora e começo a lamber sua palma em movimentos circulares. Ela grita e puxa a mão. – Quero que você o conheça, Robin. É um cara bom. Você vai gostar dele. Cruzo os braços.

– Se ele estiver respirando, então não, eu não vou gostar dele. Ruby aponta para a caminhonete.

– Vamos, me leve para casa. Jasmine já deve estar terminando o treino.

– Vamos buscá-la – sugiro enquanto andamos lado a lado até a caminhonete. – Juntos. Ela vai gostar.

 – Está bem.

Estendo o braço para segurar a mão de Ruby, como já fiz um milhão de vezes antes, mas ela se afasta. Franzo a testa. Então eu a agarro, não a deixo escapar, e, de propósito, entrelaço nossos dedos. Ela não parece impressionada.

– Terminou? Olhando-a nos olhos, lentamente trago seus dedos aos meus lábios.

– Minha querida, eu nem comecei a começar. Ela me olha no rosto, parecendo não saber se quer rir ou explodir em lágrimas, talvez as duas coisas ao mesmo tempo. Sua mão envolve meu maxilar enquanto ela balança a cabeça.

– Ah, Robin… Sei que fiz muita merda com relação a tudo isso… Mas senti tanta saudade de você!


Notas Finais


Até o próximo xuxus <3


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